segunda-feira, 15 de junho de 2026

Resenhas especiais - Parte 2


Explosão no trem-bala
 
Um trem-bala rumo a Tóquio carrega uma ameaça mortal: se a velocidade ficar abaixo de 100 km/h, o veículo ativará bombas instaladas por terroristas. Os bandidos têm um plano mirabolante por trás daquilo tudo.
 
Thriller japonês enérgico do começo a fim, que mistura ação com suspense psicológico, e é uma releitura moderna de um clássico do gênero, o também japonês “O trem bala” (1975), escrito e dirigido por Junya Satō, com o astro Ken Takakura. O filme anterior era um disaster movie feito numa década de grandes filmes do assunto, como “Aeroporto” (1970), “O destino de Poseidon” (1972) e “Inferno na torre” (1974). Agora a direção é do cineasta japonês Shinji Higuchi, realizador de reboots de filmes da cultura pop japonesa, como “Shin Godzilla” (2016) e “Shin Ultraman” (2022) – “Shin” é um termo para “Novo”. O filme se passa em apenas um dia, dentro de um trem-bala em movimento, prendendo a atenção pela tensão constante. Daqueles filmes entretenimento de corrida contra o tempo, em que autoridades e passageiros precisam lidar não apenas com o perigo físico, mas também com o pânico e os dilemas emocionais que surgem em situações extremas. O filme destaca-se pelo uso de efeitos visuais modernos que intensificam a sensação de claustrofobia e velocidade, além de enquadramentos elaborados e câmera frenética. No elenco, nomes como Tsuyoshi Kusanagi e Kanata Hosoda. O original “O trem-bala” inspiraria fitas semelhantes, sendo o mais conhecido “Velocidade máxima” (1994), deslocando a ação do trem para um ônibus urbano cheio de bombas. Produção da Netflix, disponível no catálogo do streaming.
 
Explosão no trem-bala (Shinkansen daibakuha). Japão, 2025, 134 minutos. Ação/Drama. Colorido. Dirigido por Shinji Higuchi. Distribuição: Netflix
 
 
Meu nome é Agneta
 
Mulher de meia-idade é demitida do trabalho e ao mesmo tempo enfrenta crise conjugal. Cansada e desmotivada, ela encontra um anúncio no jornal sobre um trabalho de cuidadora infantil na cidade francesa de Provence, e aceita mudar-se para lá. Chegando ao endereço, descobre que o cliente é um idoso, que precisa de cuidados (e não uma criança, como pensava). Os dois iniciam forte vínculo de amizade que reacende a vontade dela em viver.
 
Comédia dramática sueca da Netflix dirigida por Johanna Runevad, uma fita delicada e também divertida, que arranca lágrimas no final. É uma história bonita com grande atuação da atriz sueca Eva Melander, de “Border” (2018), que transforma a crise da meia-idade em uma jornada de autoconhecimento. Ela interpreta a personagem-título, Agneta, de 49 anos, uma mulher que se sente apagada dentro da própria vida: o casamento perdeu intimidade, o marido não dá atenção e duvida da sua capacidade, os filhos adultos só a procuram por conveniência e o trabalho burocrático não lhe oferece outras perspectivas. Certo dia é demitida sem motivos aparentes. Parte então para um emprego como au pair em Provença, França – uma cidadezinha bucólica, com belos campos de lavanda. Ela é uma estudiosa sobre a França, sempre gostou do país, e resolve se mudar para lá de vez, deixando o marido para trás. Descobre que não cuidará de uma criança, mas sim de Einar, um idoso excêntrico e teimoso, que gosta de dançar e beber com amigos (vivido pelo ótimo ator Claes Månsson). Essa convivência inesperada, marcada por almoços, conversas e pequenos gestos, torna-se o motor da transformação de Agneta – ela também fica próxima dos amigos excêntricos de Einar, todos idosos que moram no mesmo prédio. O roteiro, baseado no best-seller de Emma Hamberg, evita melodrama e constrói a evolução da protagonista por meio de situações cotidianas. Revela a simetria entre duas figuras invisíveis: Agneta, apagada socialmente por ser mulher, e Einar, que enfrenta a invisibilidade trazida pela velhice. A relação dos dois, ao mesmo tempo frágil e poética, dá ao filme a força dramática necessária. A diretora Johanna Runevad, que já havia se destacado em produções televisivas na Suécia, conduz o filme com bom humor e momentos de drama para chorar, apostando em uma obra intimista e direção de atores precisa. Na trilha sonora, “The winner takes it all”, em duas versões: a do Abba e uma francesa. Um dos destaques do mês passado na Netflix, um filme adorável, principalmente para o público feminino.
 
Meu nome é Agneta (Je m'appelle Agneta). Suécia, 2026, 113 minutos. Comédia/Drama. Colorido. Dirigido por Johanna Runevad. Distribuição: Netflix

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