Festival In-Edit
Brasil segue com dezenas de documentários inéditos ao público
Teve início no último
dia 17/06 o 18º “In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário
Musical”, que segue até dia 28 com 64 filmes para o público, de forma gratuita,
em salas de cinema de São Paulo e em plataformas de streaming. Um dos festivais
de documentário mais aguardados pelo público, a edição 2026 apresenta curtas e
longas nacionais e internacionais. As sessões ocorrem em seis salas da capital
paulista: CineSesc, Cine Bijou, SPcine Olido (CCSP), Spcine Paulo Emílio
(CCSP), Cine Matilha (Matilha Cultural, localizado no bairro República) e
Cinemateca Brasileira; a programação incluiu ainda 18 filmes em três streamings
nacionais, aberto ao público (Sesc Digital, Itaú Cultural Play e SPcine Play),
além de shows, exposições, feira de vinil e livros, encontros e bate-papos com
convidados especiais.
O In-Edit Brasil é uma
realização da In Brasil Cultural, do Ministério da Cultura (via Lei Rouanet),
do Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria da Cultura, Economia e
Indústria Criativas, e do Sesc São Paulo, e conta com patrocínio do Itaú Unibanco
e da Spcine, além da parceria com a Cinemateca Brasileira. O festival foi
criado em Barcelona, na Espanha, em 2003, e é realizado no Brasil desde 2009.
Paralelamente ocorrem edições do In-Edit em cinco países: Espanha, Chile,
Países Baixos, Grécia e México, além de, no Brasil, contar com mostras
itinerantes em cidades do interior de São Paulo, como Piracicaba e São Luiz do
Paraitinga. Conheça mais sobre o Festival In-Edit Brasil no instagram https://www.instagram.com/ineditbrasil/ e no site oficial https://br.in-edit.org.
Confira abaixo mais filmes que
assisti no festival e indico:
Ninguém pode provar nada:
A inacreditável história de Ezequiel Neves
(2025, de Rodrigo Pinto)
Grande documentário
exibido no “In-edit” 2026 que concorre ao prêmio principal do festival, na
programação da Competição Nacional. O filme recupera a vasta e multifacetada
carreira do jornalista, diretor de cinema, ator, compositor de músicas e
produtor musical mineiro Ezequiel Neves (1935-2010). Figura marcante na contracultura,
no auge do cinema marginal brasileiro, tinha o apelido de “Exagerado Número 1”
não por acaso: ele contava histórias incríveis que, conforme o título do filme,
ninguém podia provar. Suas divagações, misturadas a situações reais e outras
bem exageradas, ajudou a definir seu estilo de vida e suas criações artísticas.
Neves ficou marcado no campo musical, como produtor e mentor de Cazuza e do
Barão Vermelho, além de revelar bandas como Made in Brazil (ele assinou música
como “Codinome Beija-Flor”, “Exagerado” e “Por que a gente é assim?”), ajudando
a consolidar o rock no Brasil dos anos 80. Perseguido na ditadura pelas falas
afiadas e mente altamente ousada, foi um jornalista crítico, de estilo
irreverente, que escreveu crônicas até hoje lembradas na revista Rolling Stones.
O filme reúne depoimentos de amigos e familiares, músicos, trazendo também muitas
fotos de arquivo, vídeos antigos e material inédito dele recém-revelado, feitos
no ano da morte dele, em 2010. O filme é uma viagem para o interior desse
artista lendário, com suas histórias fantásticas, algumas lorotas, verdades e
fantasias. O filme conta com três sessões, abrindo hoje no Festival, dia 21, e
ainda nos dias 27 e 28/06.
O cravista
(2025, de Luiz Eduardo
Ozório)
Um dos bons
documentários do “In-edit” deste ano, o filme faz uma singela homenagem ao
músico Roberto de Regina (1927–2025), figura singular na História da música
erudita brasileira. Médico anestesiologista de formação, era um apaixonado por
música clássica e um artista por vocação. Destacou-se como cravista, regente
coral e luthier, e o maior precursor do revivalismo da música antiga no Brasil.
Ficou conhecido por disseminar no Brasil o cravo, instrumento musical de teclas
que nasceu na Europa no século XII, 400 anos antes do piano (que se inspirou no
cravo tanto no formato quanto no som). O cravo tem formato semelhante ao de um
piano de cauda, mas menor, com um som típico, produzido quando pequenas
palhetas batem nas cordas (como um violão). O filme foi gravado anos antes do
falecimento de Regina, boa parte em sua casa, em Guaratiba (RJ), onde lá construiu
a célebre Capela Magdalena, que virou um templo da música antiga, com
concertos frequentes, reunindo músicos, admiradores e público em geral (mesmo
após a morte de seu mentor, o local ainda permanece vivo, agora com o nome Espaço Cultural Maestro Roberto de Regina).
Reconhecido como um “artista da Renascença”, Regina deixou um impressionante legado
na música erudita, que agora o documentário procura desvendar. O doc está na programação
da Competição Nacional, e conta com três sessões presenciais, abrindo hoje no
festival, dia 21, e ainda nos dias 25 e 26/06. O filme também está online, gratuito,
no Itaú Cultural Play.
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