domingo, 21 de junho de 2026

Especial de cinema

 
Festival In-Edit Brasil segue com dezenas de documentários inéditos ao público
 
Teve início no último dia 17/06 o 18º “In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical”, que segue até dia 28 com 64 filmes para o público, de forma gratuita, em salas de cinema de São Paulo e em plataformas de streaming. Um dos festivais de documentário mais aguardados pelo público, a edição 2026 apresenta curtas e longas nacionais e internacionais. As sessões ocorrem em seis salas da capital paulista: CineSesc, Cine Bijou, SPcine Olido (CCSP), Spcine Paulo Emílio (CCSP), Cine Matilha (Matilha Cultural, localizado no bairro República) e Cinemateca Brasileira; a programação incluiu ainda 18 filmes em três streamings nacionais, aberto ao público (Sesc Digital, Itaú Cultural Play e SPcine Play), além de shows, exposições, feira de vinil e livros, encontros e bate-papos com convidados especiais.


O In-Edit Brasil é uma realização da In Brasil Cultural, do Ministério da Cultura (via Lei Rouanet), do Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, e do Sesc São Paulo, e conta com patrocínio do Itaú Unibanco e da Spcine, além da parceria com a Cinemateca Brasileira. O festival foi criado em Barcelona, na Espanha, em 2003, e é realizado no Brasil desde 2009. Paralelamente ocorrem edições do In-Edit em cinco países: Espanha, Chile, Países Baixos, Grécia e México, além de, no Brasil, contar com mostras itinerantes em cidades do interior de São Paulo, como Piracicaba e São Luiz do Paraitinga. Conheça mais sobre o Festival In-Edit Brasil no instagram https://www.instagram.com/ineditbrasil/ e no site oficial https://br.in-edit.org. Confira abaixo mais filmes que assisti no festival e indico:
 
 
Ninguém pode provar nada: A inacreditável história de Ezequiel Neves
(2025, de Rodrigo Pinto)
 
Grande documentário exibido no “In-edit” 2026 que concorre ao prêmio principal do festival, na programação da Competição Nacional. O filme recupera a vasta e multifacetada carreira do jornalista, diretor de cinema, ator, compositor de músicas e produtor musical mineiro Ezequiel Neves (1935-2010). Figura marcante na contracultura, no auge do cinema marginal brasileiro, tinha o apelido de “Exagerado Número 1” não por acaso: ele contava histórias incríveis que, conforme o título do filme, ninguém podia provar. Suas divagações, misturadas a situações reais e outras bem exageradas, ajudou a definir seu estilo de vida e suas criações artísticas. Neves ficou marcado no campo musical, como produtor e mentor de Cazuza e do Barão Vermelho, além de revelar bandas como Made in Brazil (ele assinou música como “Codinome Beija-Flor”, “Exagerado” e “Por que a gente é assim?”), ajudando a consolidar o rock no Brasil dos anos 80. Perseguido na ditadura pelas falas afiadas e mente altamente ousada, foi um jornalista crítico, de estilo irreverente, que escreveu crônicas até hoje lembradas na revista Rolling Stones. O filme reúne depoimentos de amigos e familiares, músicos, trazendo também muitas fotos de arquivo, vídeos antigos e material inédito dele recém-revelado, feitos no ano da morte dele, em 2010. O filme é uma viagem para o interior desse artista lendário, com suas histórias fantásticas, algumas lorotas, verdades e fantasias. O filme conta com três sessões, abrindo hoje no Festival, dia 21, e ainda nos dias 27 e 28/06.
 


 
O cravista
(2025, de Luiz Eduardo Ozório)
 
Um dos bons documentários do “In-edit” deste ano, o filme faz uma singela homenagem ao músico Roberto de Regina (1927–2025), figura singular na História da música erudita brasileira. Médico anestesiologista de formação, era um apaixonado por música clássica e um artista por vocação. Destacou-se como cravista, regente coral e luthier, e o maior precursor do revivalismo da música antiga no Brasil. Ficou conhecido por disseminar no Brasil o cravo, instrumento musical de teclas que nasceu na Europa no século XII, 400 anos antes do piano (que se inspirou no cravo tanto no formato quanto no som). O cravo tem formato semelhante ao de um piano de cauda, mas menor, com um som típico, produzido quando pequenas palhetas batem nas cordas (como um violão). O filme foi gravado anos antes do falecimento de Regina, boa parte em sua casa, em Guaratiba (RJ), onde lá construiu a célebre Capela Magdalena, que virou um templo da música antiga, com concertos frequentes, reunindo músicos, admiradores e público em geral (mesmo após a morte de seu mentor, o local ainda permanece vivo, agora com o nome Espaço Cultural Maestro Roberto de Regina). Reconhecido como um “artista da Renascença”, Regina deixou um impressionante legado na música erudita, que agora o documentário procura desvendar. O doc está na programação da Competição Nacional, e conta com três sessões presenciais, abrindo hoje no festival, dia 21, e ainda nos dias 25 e 26/06. O filme também está online, gratuito, no Itaú Cultural Play.

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