sexta-feira, 5 de junho de 2026

Estreias do mês – Nos cinemas - Parte 1


Dolores
 
O diretor pernambucano Marcelo Gomes, de “Cinema, aspirinas e urubus” (2005), traz para a tela um roteiro deixado pelo cineasta Chico Teixeira, falecido há seis anos, que seria o término de uma espécie de trilogia, intitulada de Trilogia dos Afetos, iniciada por ele com “A casa de Alice” (2007) e “Ausência” (2014). Utilizando a obra de Teixeira como base, Gomes realizou um drama tocante, feminino, que trata de sonhos e perspectivas futuras, entrelaçando a rotina de três mulheres em histórias que se cruzam. Dolores acaba de comemorar 65 anos (papel da sempre deslumbrante Carla Ribas) e botou na cabeça que quer comprar um cassino para mudar de condição financeira. Ela frequenta bingos, gastando muito dinheiro nos jogos, e trabalha vendendo roupas íntimas em frente a penitenciárias. A filha, com quem não se dá bem, espera a saída do namorado da cadeia; e a neta, integrante de um clube de tiros, pretende se mudar para os Estados Unidos. Todas elas anseiam por um futuro melhor, planejando mudanças decisivas. Um filme de mulheres fortes, feito por elas e voltado ao público feminino. São grandes interpretações em uma história singela, humana e sem pieguice. Destaque no elenco de Naruna Costa, Ariane Aparecida, Gilda Nomacce, Teca Pereira e participação de Tuna Dwek, Zezé Motta e Roney Villela. Exibido no Festival de San Sebastián e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2025, estreia hoje nos principais cinemas brasileiros, com distribuição da California Filmes.


 
O Mandaloriano e Grogu
 
A chegada de “O Mandaloriano e Grogu” às telas de cinema representa um marco para o universo de Star Wars, franquia consolidada que completa 50 anos em 2027. Enérgico, envolvente do começo ao fim, que deixa um gosto de “quero mais”, o filme surpreende ao transportar para o grande público os protagonistas mais carismáticos da série da Disney+ “O Mandaloriano” (foram três temporadas entre 2019 e 2023, e do mesmo universo Star Wars a Disney+ produziu outras séries spin-off, como “Ahsoka”, “Andor” e “Obi-wan Kenobi”). A direção de Jon Favreau, que é ator e já teve contato com o mundo Disney, responsável pela direção de filmes como o live-action de “O rei leão” (2019), episódios de “O Mandaloriano” e filmes de super-herói como os dois primeiros “Homem de Ferro” (2008 e 2010), dá o tom do longa:  uma obra eficiente, com roteiro dinâmico e repleto de efeitos visuais de cair o queixo, seguindo o nível do seriado, que gosto muito. Ampliando a mitologia criada desde a queda do Império Galáctico, o filme se passa na Nova República, após os acontecimentos de “O retorno de Jedi” (1983), em um período de reconstrução, quando há uma busca para consolidar a paz enquanto remanescentes imperiais semeiam desordem pela galáxia. Pedro Pascal é Din Djarin, um guerreiro apelidado de “mandaloriano” (sempre com um capacete fortificado, que faz com que nunca vemos seu rosto). Seu companheiro de jornada é Grogu (o “Baby Yoda”), e os dois são convocados para a missão crucial de resgatar Rotta the Hutt (o único filho de Jabba the Hutt), a mando de seus tios. Rotta (voz de Jeremy Allen White) negou-se a herdar o trono, fugindo para uma lua próxima, Shakari, onde hoje é um gladiador - e está lá para levantar fundos para pagar uma dívida mortal. Ao mesmo tempo, a coronel Ward (Sigourney Weaver) obtém informações valiosas sobre um ex-comandante do Império e faz um novo trato com Mandaloriano assim que terminar o resgate de Rotta, para tentar manter a paz na galáxia. O longa se estabelece como continuação direta da terceira temporada de “O Mandaloriano”, funcionando como ponte narrativa para futuros capítulos da saga. A produção preserva a identidade visual do seriado, escalonando situações e trazendo novos personagens – alguns adoráveis, outros sinistros. O longa tem pontos altos que seguem a uniformidade da série: a trilha sonora do sueco Ludwig Göransson, três vezes ganhador do Oscar; o figurino, que é uma tradição da série; a deslumbrante fotografia entre lugares áridos e ambientes tecnológicos, evocando o espírito épico de Star Wars; e os efeitos especiais, que seguem as premissas da Lucasfilm, com uso intensivo da tecnologia StageCraft, que revolucionou a série e agora ganha proporções mais impressionantes no cinema. Apesar de liderar a bilheteria norte-americana em seu fim de semana de estreia (em 20 de maio), registrou a abertura mais modesta da franquia Disney, e até agora no mundo arrecadou US$ 252 milhões (sendo o orçamento de US$ 165 milhões, ou seja, não explodiu como imaginavam). Ainda assim, os fãs demonstram entusiasmo pela expansão da jornada de Mando e Grogu, consolidando-os como ícones contemporâneos da saga galáctica. PS: Até Martin Scorsese entrou na brincadeira: ele empresta sua voz para um personagem engraçadíssimo, o macaco cozinheiro Hugo, de quatro braços, que mora em Shakari e ajuda Mando a localizar Rotta.

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