Dolores
O
diretor pernambucano Marcelo Gomes, de “Cinema, aspirinas e urubus” (2005), traz
para a tela um roteiro deixado pelo cineasta Chico Teixeira, falecido há seis
anos, que seria o término de uma espécie de trilogia, intitulada de Trilogia
dos Afetos, iniciada por ele com “A casa de Alice” (2007) e “Ausência” (2014).
Utilizando a obra de Teixeira como base, Gomes realizou um drama tocante,
feminino, que trata de sonhos e perspectivas futuras, entrelaçando a rotina de
três mulheres em histórias que se cruzam. Dolores acaba de comemorar 65 anos
(papel da sempre deslumbrante Carla Ribas) e botou na cabeça que quer comprar
um cassino para mudar de condição financeira. Ela frequenta bingos, gastando
muito dinheiro nos jogos, e trabalha vendendo roupas íntimas em frente a
penitenciárias. A filha, com quem não se dá bem, espera a saída do namorado da
cadeia; e a neta, integrante de um clube de tiros, pretende se mudar para os
Estados Unidos. Todas elas anseiam por um futuro melhor, planejando mudanças
decisivas. Um filme de mulheres fortes, feito por elas e voltado ao público
feminino. São grandes interpretações em uma história singela, humana e sem
pieguice. Destaque no elenco de Naruna Costa, Ariane Aparecida, Gilda Nomacce,
Teca Pereira e participação de Tuna Dwek, Zezé Motta e Roney Villela. Exibido
no Festival de San Sebastián e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
em 2025, estreia hoje nos principais cinemas brasileiros, com distribuição da
California Filmes.

O
Mandaloriano e Grogu
A
chegada de “O Mandaloriano e Grogu” às telas de cinema representa um marco para
o universo de Star Wars, franquia consolidada que completa 50 anos em 2027. Enérgico,
envolvente do começo ao fim, que deixa um gosto de “quero mais”, o filme surpreende
ao transportar para o grande público os protagonistas mais carismáticos da
série da Disney+ “O Mandaloriano” (foram três temporadas entre 2019 e 2023, e do
mesmo universo Star Wars a Disney+ produziu outras séries spin-off, como “Ahsoka”,
“Andor” e “Obi-wan Kenobi”). A direção de Jon Favreau, que é ator e já teve
contato com o mundo Disney, responsável pela direção de filmes como o
live-action de “O rei leão” (2019), episódios de “O Mandaloriano” e filmes de
super-herói como os dois primeiros “Homem de Ferro” (2008 e 2010), dá o tom do
longa: uma obra eficiente, com roteiro dinâmico
e repleto de efeitos visuais de cair o queixo, seguindo o nível do seriado, que
gosto muito. Ampliando a mitologia criada desde a queda do Império Galáctico, o
filme se passa na Nova República, após os acontecimentos de “O retorno de Jedi”
(1983), em um período de reconstrução, quando há uma busca para consolidar a
paz enquanto remanescentes imperiais semeiam desordem pela galáxia. Pedro
Pascal é Din Djarin, um guerreiro apelidado de “mandaloriano” (sempre com um
capacete fortificado, que faz com que nunca vemos seu rosto). Seu companheiro
de jornada é Grogu (o “Baby Yoda”), e os dois são convocados para a missão
crucial de resgatar Rotta the Hutt (o único filho de Jabba the Hutt), a mando
de seus tios. Rotta (voz de Jeremy Allen White) negou-se a herdar o trono, fugindo
para uma lua próxima, Shakari, onde hoje é um gladiador - e está lá para levantar
fundos para pagar uma dívida mortal. Ao mesmo tempo, a coronel Ward (Sigourney
Weaver) obtém informações valiosas sobre um ex-comandante do Império e faz um
novo trato com Mandaloriano assim que terminar o resgate de Rotta, para tentar
manter a paz na galáxia. O longa se estabelece como continuação direta da
terceira temporada de “O Mandaloriano”, funcionando como ponte narrativa para
futuros capítulos da saga. A produção preserva a identidade visual do seriado, escalonando
situações e trazendo novos personagens – alguns adoráveis, outros sinistros. O
longa tem pontos altos que seguem a uniformidade da série: a trilha sonora do sueco
Ludwig Göransson, três vezes ganhador do Oscar; o figurino, que é uma tradição da
série; a deslumbrante fotografia entre lugares áridos e ambientes tecnológicos,
evocando o espírito épico de Star Wars; e os efeitos especiais, que seguem as
premissas da Lucasfilm, com uso intensivo da tecnologia StageCraft, que
revolucionou a série e agora ganha proporções mais impressionantes no cinema. Apesar
de liderar a bilheteria norte-americana em seu fim de semana de estreia (em 20
de maio), registrou a abertura mais modesta da franquia Disney, e até agora no
mundo arrecadou US$ 252 milhões (sendo o orçamento de US$ 165 milhões, ou seja,
não explodiu como imaginavam). Ainda assim, os fãs demonstram entusiasmo pela
expansão da jornada de Mando e Grogu, consolidando-os como ícones
contemporâneos da saga galáctica. PS: Até Martin Scorsese entrou na
brincadeira: ele empresta sua voz para um personagem engraçadíssimo, o macaco cozinheiro
Hugo, de quatro braços, que mora em Shakari e ajuda Mando a localizar Rotta.
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