A quinta portuguesa
Cinema na Web
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Estreias da semana - Nos cinemas - Parte 1
A quinta portuguesa
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Resenhas especiais
Heróis de barro
* Textos publicados na coluna Middia Cinema, na revista Middia (de Catanduva-SP), edição de Agosto/Setembro de 2026
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Especial de Cinema
Festival ‘In-Edit Brasil’ retorna em duas edições itinerantes
Na edição de 2026 estiveram na programação 64 filmes nacionais e internacionais, como longas e curtas-metragens, além de shows, exposições, feira de vinil e livros, encontros e bate-papos com convidados especiais. E uma parte desses filmes voltarão agora nos eventos acima mencionados.
O In-Edit Brasil é uma
realização da In Brasil Cultural, do Ministério da Cultura (via Lei Rouanet),
do Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria da Cultura, Economia e
Indústria Criativas, e do Sesc São Paulo, e conta com patrocínio do Itaú Unibanco
e da Spcine, além da parceria com a Cinemateca Brasileira. O festival foi
criado em Barcelona, na Espanha, em 2003, e é realizado no Brasil desde 2009.
Paralelamente ocorrem edições do In-Edit em cinco países: Espanha, Chile,
Países Baixos, Grécia e México, além de, no Brasil, contar com mostras
itinerantes em cidades do interior de São Paulo, como Piracicaba e São Luiz do
Paraitinga. Conheça mais sobre o Festival In-Edit Brasil no instagram https://www.instagram.com/ineditbrasil/ e no site oficial https://br.in-edit.org
Confira três documentários brasileiros que retornam para a itinerância, que assisti na edição de 2026 do festival e indico:
Nem tudo é paz e amor
Documentário
brasileiro que retorna para a itinerância do festival ao mesmo tempo em que
estreia nos principais cinemas pela Pandora Filmes. O filme é uma conversa com
os filhos dos músicos da Contracultura no Brasil, reunindo entrevistas inéditas
com os primogênitos
de oito deles: Caetano Veloso (Moreno Veloso), Rita Lee (Beto Lee), Baby
Consuelo (Sarah Sheeva), Paulinho Boca de Cantor (Maria "Buchinha"),
Itamar Assumpção (Anelis), Moraes Moreira (Cecília), Gilberto Gil (Nara Gil) e
Rogério Duarte (Areia Duarte). Com momentos de descontração, mas também de
lembranças pesadas e de sofrimento, o doc é um recorte da contracultura na
música e no cinema no Brasil, em que os entrevistados recordam dos traumas e das
delícias de viverem aquele tumultuado período. Ainda crianças na virada dos
anos 60 para 70, os entrevistados cresceram e se formaram sob a influência
direta dos movimentos de contestação comportamental, artística e política do
período, uma geração de homens e mulheres criados em comunas, acampamentos e
núcleos alternativos e hippies que questionavam as estruturas tradicionais da
família e o autoritarismo da época (o Brasil viva sob os desmandos da Ditadura
Militar). Há cenas antigas de filmes caseiros em super-8, cenas de shows e
bastidores, trechos de filmes que marcaram aqueles anos, como “A mulher de todos”,
“Deus e o diabo na Terra do Sol” e “A idade da Terra”, e muitas fotos pessoais
dos acervos dos referidos cantores, cantoras e compositores, reunindo ainda
depoimentos de Helena Ignez, Baby do Brasil, Marilia de Aguiar e Paulinho Boca de
Cantor (estes dois pais do diretor do filme, Betão Aguiar). O filme foi
dedicado à memória da produtora Jasmin Pinho, também filha da contracultura,
que iniciou o projeto do documentário, mas faleceu em 2020 - ela era amiga pessoal
de Betão, o diretor, então o filme ficou para ele dar continuidade. Um grande
documentário em exibição no In-edit e nas salas de cinema.
Confira três documentários brasileiros que retornam para a itinerância, que assisti na edição de 2026 do festival e indico:
sábado, 5 de setembro de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 2
O delator
Gonzaguinha
– Da maior liberdade
Vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival de Gramado (que acabou no mês passado, em agosto), o doc é uma homenagem ao compositor e cantor Gonzaguinha, no ano em que se lembra os 35 anos de seu falecimento (ocorrido em 1991). É um filme grandioso em todos os aspectos, a começar pela figura retratada, do formato da obra – composto por múltiplas linguagens, e do teor crítico de seu tema. Um ator (André Dale) interpreta Gonzaguinha numa mesa, como se estivesse em uma entrevista, citando trechos de depoimentos dele concedidos em revistas e jornais nos anos 70 e 80; junto dessa interpretação/simulação, cenas de shows de Gonzaguinha, com entrevistas reais dele, são costuradas, trazendo o cantor no palco, no estúdio, além dele se posicionando contra a ditadura e dentro dos movimentos das Diretas Já. Títulos de suas músicas são os capítulos do filme, como “Galope”, “Explode coração” e “Eu apenas queria que você soubesse”, que tratam das fases do genial artista que foi – uma fase mais romântica, outra de bolero, outra de críticas sociais batendo de frente com a ditadura militar e sendo censurado por isso. Nos trechos mais impactantes do longa, Gonzaguinha (que no início da carreira lançou os primeiros LPs como Luiz Gonzaga Jr.) relembra também o frisson da abertura política e o atentado a bomba no Riocentro (durante um show dele, e depois revelado um ato frustrado dos próprios militares, matando um sargento do Exército e ferindo um capitão). Gonzaguinha fala da família, da influência do pai, o Gonzagão, e das diferenças que ambos tinham (depois, no final de carreira, a reaproximação dos dois incluindo turnês juntos), fala de seu engajamento político, do brilho de viver intensamente cada minuto. Acusado de subversivo, teve letras cortadas e proibidas no regime militar, apontado como uma ameaçada à sociedade (assim como tantos músicos da época, como Chico Buarque, burlou a censura com metáforas e ironias nas composições). Também foi alvo dos militares por defender a democracia e o fim da fome, conscientizando seu público em prol dos direitos humanos e lutando contra a desigualdade social. Muitas de suas músicas trataram de dois temas em especial: a dor do amor, na primeira fase, e na segunda fase a valorização dos trabalhadores, das lutas sociais contra a opressão e em defesa dos marginalizados. Gonzaguinha foi um artista completo, sonhador, que buscava um mundo mais justo, e como tantos de sua geração partiu cedo (de acidente de carro, aos 45 anos). O título do documentário faz referência à música “Da maior liberdade (Do meu jeito)”, que está num dos discos essenciais dele, “De volta ao começo” (1980). Um filmaço que trata de memória e resistência, especial para quem curte Gonzaguinha e MPB (como eu) e que busca entender mais o Brasil da ditadura. Dirigido pela cineasta e documentarista Susanna Lira, que já biografou para o cinema artistas célebres, de documentários como “Mussum, um filme do Cacildis” (2017), “Clara Estrela” (2017 – sobre Clara Nunes), “Torre das donzelas” (2018 – sobre mulheres presas na ditadura) e “Fernanda Young: Foge-me ao controle” (2024). Nos principais cinema com distribuição da Synapse Distribution.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 1
Queda livre: As consequências do Caso Boeing
Song
Sung Blue – Um sonho a dois
Drama
musical que mistura realidade e ficção para retratar a vida do casal de músicos
de Milwaukee, Wisconsin (EUA), Mike Sardina (1951-2006) e Claire Sardina
(1961-), que percorreram os Estados Unidos com turnês de tributo a Neil Diamond
e utilizavam o nome artístico de “Lightning & Thunder”. A dupla começou no
fim dos anos 80, em palcos pequenos da região de Milwaukee, e com o passar do
tempo gravaram música em estúdio, participaram de festivais grandes e até
abriram um show de Pearl Jam, a convite do próprio Eddie Vedder – tudo isso
retratado nessa formidável cinebiografia. O longa é baseado no documentário
homônimo de Greg Kohs, “Song Sung Blue” (2008), e traz como destaque o bom trabalho
dos atores centrais, Hugh Jackman e Kate Hudson (indicada, pelo papel, aos
principais prêmios da temporada, como Bafta, Oscar e Globo de Ouro). A história
segue os altos e baixos da formação musical desses dois artistas, mostrando a
dificuldade em trilhar o caminho na carreira independente, além de trazer os
dramas pessoais do casal (ele dependente do álcool e atormentado pela Guerra do
Vietnã, onde lutou, e ela o apoiando como esposa, companheira e artista).
Enquanto Lightning tinha a voz potente interpretando canções de Diamond,
Thunder fazia back vocal dele e também alternava os shows com música country de
Patsy Cline. O diretor Craig Brewer, de “Ritmo de um sonho” (2005), condensa
anos de acontecimentos da carreira da dupla em uma linha temporal curta, mas
precisa, intensificando os conflitos e emoções. Com uma fotografia de cores
vivas e vibrantes, "Song Sung Blue" é uma celebração à música de Neil
Diamond, tratando de superação, resistência e desprendimento, ao mesmo tempo em
que expõe a vulnerabilidade humana diante das adversidades. Na trilha sonora,
um passeio musical em obras máximas de Diamond, como “Sweet Caroline”, “I am...
I said” e “Holly Holy”. Estreou recentemente no Prime Video (com distribuição
no Brasil pela Universal Pictures).
Anistia 79
Alusivo documentário brasileiro aos 47 anos da Lei da Anistia, decretado em 1979, em um período crítico da Ditadura Militar no Brasil. O longa traz os primeiros movimentos no exterior para a anistia (que ficou ampla, geral e irrestrita), quando no Parlamento Italiano, em Roma, entre junho e julho de 1979, foi realizada a Conferência Internacional pela Anistia e pelas Liberdades Democráticas no Brasil. O encontro, de três dias, juntou cerca de 500 pessoas, incluindo exilados políticos, intelectuais, ativistas de direitos humanos e figuras da resistência à ditadura militar (como Apolônio de Carvalho, Gregório Bezerra e Francisco Julião). A Conferência foi a maior reunião da diáspora brasileira fora do país durante a Ditadura (que continuava aqui exilando, perseguindo e matando). O trunfo ideativo do filme é reunir gravações inéditas, todas com imagem restaurada, que foram feitas no Congresso por um militante de esquerda exilado na França, Hamilton Lopes dos Santos. Praticamente o filme todo é um compilado dessas imagens poderosas, em preto-e-branco, encontradas pela diretora do filme, Anita Leandro, no acervo da Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, e analisadas por pessoas que sentiram na pele a Ditadura, como familiares, e amigos íntimos dos retratados naquela reunião. Aparecem nas gravações Francisco Julião (das Ligas Camponesas), Apolonio de Carvalho, Carmela Pezzuti, Manuel da Conceição, Rolando Frati, Luís Travassos e Márcio Moreira Alves, parte desses exilados. Quase meio século depois, as gravações ressurgem para reacender o debate sobre as tristes páginas da História do país, do Estado repressivo da ditadura e da impunidade dos torturadores, trazendo paralelos com o Brasil atual (já que o golpismo e os afãs ditatoriais ainda rondam por aqui). No filme, 11 pessoas assistem pela primeira vez, depois de tanto tempo, àquelas imagens, e emocionadas relembram a História e seus personagens. A Conferência ocorreu às vésperas da sanção da Lei da Anistia no Brasil (Lei nº 6.683, de agosto de 1979), planejada para debater pontos limitantes dela – e serviu para denunciar os crimes e as torturas da ditadura militar brasileira perante a opinião pública mundial e o parlamento europeu. Acabou sancionada pelo presidente João Figueiredo em 28 de agosto daquele ano, sendo um marco no processo de redemocratização do Brasil. Deu perdão tanto aos opositores do regime quanto aos agentes do Estado (torturadores e militares) - por isso ampla, geral e irrestrita. As consequências diretas da Lei foram o retorno dos exilados (como líderes políticos, intelectuais e artistas), a libertação de presos políticos detidos nos presídios brasileiros e a reorganização política, permitindo a partir de 1980 a volta do pluripartidarismo, a restituição dos direitos políticos a cidadãos que haviam sido cassados pelo regime e as eleições diretas. É um filme-estudo de História, didático, importante para os dias de hoje. Foi premiado na Mostra de Cinema de Tiradentes, onde recebeu os prêmios de Melhor Filme da competição Olhos Livres e do Júri Popular. Nos cinemas pela Embaúba Filmes.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Nota de cinema
Saiu hoje entrevista que concedi essa semana na TV Câmara (da Câmara Municipal de Catanduva) no quadro "Aqui nasci, aqui cheguei", onde falo sobre minha carreira no jornalismo e na crítica de cinema. São 30 minutos de conversa com a querida amiga Bida Paulatti.
Link para quem quiser assistir:
https://youtu.be/GtYr1PD2nuM?is=Qz1UaEdq9RfnI7O_
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Especial de cinema
37º Kinoforum continua até o dia 06 em formato online
Os vencedores da premiação oficial foram anunciados na última semana na Cinemateca Brasileira, consagrando produções como o curta paraibano “Imagem imaginada” (vencedor do inédito Prêmio Zita Carvalhosa) e o drama “Theo” (adquirido pela TV Cultura).
Alguns destaques internacionais votados pelo público como melhores filmes da edição desse ano: “Para os Oponentes” (México, Chile, França e Reino Unido, premiado em Cannes), de Federico Luis; “Meu Irmão Lyosha e Eu” (Cazaquistão), de Lena Tronina; “Nascida Soldado” (França), de Sahara Moeini”; “O Último Jogo” (Cuba), de Daniel Chile; “Por Favor” (Suécia), de Anna Mantzaris; “Ruído das Ondas” (Polônia), de Tomasz Wrobel”; e “Vida que Segue” (Reino Unido), de Daniel Audritt e Kathryn Butterfield. Já os destaques brasileiros incluem “Adrenalina”, de Pedro Goifman; “Miguer”, Rodrigo Ribeiro; “A Ascensão da Cigarra”, de Ana Clara Ribeiro Lages; “A Cúpula dos Prazeres”, de Valter Pereira; e “A Menina que Queria Ser Pedra”, de Jackson Abacatu.
O Kinoforum é uma realização da Associação Cultural Kinoforum (entidade sem fins lucrativos responsável direta pela organização e produção geral do evento), liderado pela diretora executiva Vânia Silva e pelo diretor de programas Marcio Miranda Perez. Conta com as seguintes instituições parceiras: Cinemateca Brasileira, Museu da Imagem e do Som (MIS-SP) e Sesc São Paulo, e é viabilizado por meio de investimentos públicos e privados, destacando-se Itaú Unibanco, Spcine e Prefeitura de São Paulo, com apoio institucional e fomento do Governo do Estado de São Paulo, através do Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, e do Governo Federal, através do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Site oficial do evento: https://2026.kinoforum.org
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