quarta-feira, 13 de maio de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 4


Nino de sexta a segunda

Em exibição nos cinemas (pela distribuidora Filmes do Estação), o drama francês premiado no César e exibido nos Festivais de Cannes e Toronto acompanha quatro dias na vida de um jovem que é diagnosticado com câncer após um exame de rotina devido a uma dor de garganta. Nino recebe a notícia numa sexta-feira e fica perplexo; ele passa o fim de semana, até segunda-feira, preparando-se para o tratamento e lidando com expectativa, ansiedade e medos. A ficha demora a cair, Nino não compreende a situação delicada em que está (mas a única coisa que resta a ele é aceitar e fazer o tratamento). Nino resolve contar para as pessoas próximas, como a mãe e alguns amigos. O filme é uma jornada de emoções de um personagem solitário cruzando ruas e distritos de Paris refletindo uma dor que o atravessa. É um filme íntimo, que capta o que acontece ao redor daquele protagonista vagando pela cidade – pessoas dançando em boate, a agitação das ruas da capital, ele de bike olhando pela paisagem, enquanto sua mente tenta abstrair a notícia da doença. Serão dias decisivos para Nino nessa caminhada de descobertas e reflexão sobre morte, vida, e tudo o que ele cultivou até então. Exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes em 2025, deu a Théodore Pellerin o prêmio de ator revelação (realmente um trabalho impressionante desse jovem ator canadense nascido na parte francesa, em Quebec, num filme todo dele). Lembra, mas é menos amargo que “É apenas o fim do mundo” (2016, de Xavier Dolan), uma fita que gosto muito, também sobre um jovem com doença terminal visitando família e amigos para contar a notícia estarrecedora. Exibido ainda nos Festivais de Toronto e do Rio, venceu o César de melhor primeiro filme (para a diretora Pauline Loquès) e também de ator revelação.



Era uma vez minha mãe

Novo título da California Filmes que entra nos principais cinemas brasileiros, a dramédia francesa coproduzida no Canadá é um bonito filme familiar, baseado na autobiografia do advogado francês Roland Perez, hoje um importante jurista. O título faz referência à mãe dele, Esther, uma mulher judia agarrada a princípios que a levaram até o fim a cuidar do filho – Roland nasceu com uma deficiência no pé que dificultava sua locomoção, e com auxílio da mãe, superou preconceitos e conseguiu estudar e se formar em Direito. São décadas na relação entre os dois, dos anos 60 até o presente; em uma família falante e agitada, Roland nasceu sob proteção daquela mãe que não media esforço em integrar o filho aos amigos do condomínio onde moravam e levá-lo no colo para passear pela cidade (já que ele não conseguia andar bem). O menino tem como fã a cantora popular da época Sylvie Vartan – ele canta suas músicas, tenta dançar como ela e sonha em encontrá-la (na trilha sonora do filme, há várias músicas da cantora, como “Irrésistiblement”, e Sylvie aparece numa rápida ponta como ela mesma, além de cenas dela antigas de TV). São vários atores interpretando Roland nas diferentes fases da vida do personagem (Gabriel Hyvernaud o faz dos 3 aos 5 anos, Naim Naji, dos 5 aos 7, Noé Schecroun, dos 11 aos 13, até a fase adulta, interpretado pelo bom ator Jonathan Cohen, de “Bastardos inglórios”). A mãe é encenada por Leïla Bekhti, atriz francesa de origem argelina, de “O profeta”, num papel acolhedor e reluzente, alternando momentos de drama e humor (a atriz foi indicada aqui ao César na categoria). É escrito e dirigido por Ken Scott, do filme inspirado em fatos reais “Meus 533 filhos” (2011, depois adaptado para uma versão americana com Vince Vaugh, “De repente pai”). Conta com bom trabalho de direção de arte, que refaz as décadas de 60 e 70 com todo aquele brilho, cores vibrantes e roupas extravagantes. Um filme sensível e agradável sobre uma mãe lutando contra tudo e todos para dar o melhor a seu filho.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 3

 
Tambor sem fronteiras
 
Documentário da gaúcha Adriana Gonçalves Ferreira que trata do candombe, manifestação afro-uruguaia marcada pelo som dos tamboriles (tambores) de pele única, composto por três instrumentos fundamentais - piano (grave), repique (tenor) e chico (contralto), profundamente enraizada na história do Uruguai, onde é considerada Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco desde 2009. Criado no período colonial (entre os séculos XVIII e XIX) por populações escravizadas de origem bantu, o candombe é um cortejo com dança e ritmos carnavalescos, que inclui figuras como a Mama Vieja (matriarca), o Gramillero (curandeiro) e o Escobero (quem abre caminho), muito visto em Montevidéu e no interior do Uruguai, mas também em regiões dos pampas do Rio Grande do Sul. Por isso o documentário acompanha músicos dos dois países, na fronteira Brasil e Uruguai - as filmagens ocorreram em cidades gaúchas e uruguaias, fruto de intercâmbio cultural iniciado em 2015 pelo projeto Pampa Sem Fronteiras; e dessa troca nasceu um grupo importante de resistência que leva o candombe para todos os lugares, Grillos Candomberos de Bagé, que aparece no filme. Produzido pela Finish Produtora, o filme estreou em duas cidades do Rio Grande do Sul após exibição no 17º Festival Internacional de Cinema da Fronteira (em Bagé), Bagé e Porto Alegre, e no próximo dia 19 será exibido em Santa Maria (RS), com sessão gratuita e comentada pela equipe do longa. Um documentário musical independente de grande valor artístico/cultural.


 
Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão
 
Segundo filme Pedro Almodóvar, na época com 30 anos, escrito e dirigido por ele, dois anos depois da estreia em “Fode... Fode... Me fode Tim” (1978). É uma fita irreverente, ousada, esteticamente pobre e com humor estranho. Nessa primeira fase experimental do diretor, ele faz um retrato da efervescência cultural da Espanha pós-franquista. O filme narra a história de Pepi (Carmen Maura), jovem madrilenha que busca vingança após ser violentada por um policial. Ela conhece Luci (Eva Siva), dona de casa submissa que descobre prazer na humilhação, e Bom (Alaska), cantora punk que encarna a rebeldia da contracultura. Aquelas três mulheres, com seus gritos e exageros, representam uma crítica social sobre tabus de gênero e sexualidade, em um país em plena transformação. O longa veio no auge da Movida Madrileña, movimento artístico da contracultura que explodiu na Madrid dos anos 70 e redefiniu a estética no cinema, moda, música, literatura e artes visuais – ele foi produzido pela Figaro Films, ligada à Movida, e só cinco anos depois Almodóvar fundaria sua produtora pessoal ao lado do irmão Agustín, a El Deseo. A fotografia crua, os cenários improvisados, a imagem com riscos e imperfeições e o estilo artesanal revelam as limitações orçamentárias e também a disrupção criativa de Almodóvar (na época m nome desconhecido). O filme tem elementos do teatro, da performance, da estética kitsch, diálogos provocativos e a mistura de melodrama com comédia escandalosa que permeariam todo o cinema do cineasta espanhol. Em seguida viriam outros trabalhos cult dele dessa primeira fase, “Labirinto de paixões” (1982), “Maus hábitos” (1983 - considerado blasfemo, pois trazia um convento com freiras lésbicas e dopadas de cocaína) e “O que eu fiz para merecer isto?” (1984), em que reunia sempre o mesmo elenco, como Cecilia Roth, Carmen Maura e Marisa Paredes. Somente na década seguinte viriam seus maiores sucessos comerciais e indicações a Oscar, como “Mulheres à beira de um ataque de nervos”, “Ata-me”, “Tudo sobre minha mãe”, “Fale com ela” e outros. Exibido no Festival de San Sebastián, está em cópia restaurada na plataforma em streaming Sesc Digital até hoje, gratuito.



domingo, 10 de maio de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 2

 
O caminho para Saturno
 
Pérola de fotografia impressionante disponível gratuitamente até amanhã à noite (dia 11/05) no canal do CPC-Umes Filmes no Youtube. Restaurado no ano passado pela Mosfilm, o maior estúdio da Rússia, este é um filme raro realizado na URSS no auge da Guerra Fria, que traz contexto da época. Com direção de Villen Azarov, o drama de guerra rodado em preto-e-branco dramatiza um tema complexo: a infiltração de um agente russo em um clã nazista secreto. Na história, o Capitão Krylov (Mikhail Volkov), oficial de inteligência soviético, infiltra-se na organização “Saturno”, centro de sabotagem nazista, para conquistar a confiança de seus líderes e obter informações vitais a Moscou. O personagem central é inspirado em uma figural verdadeira, o agente Aleksandr Ivanovich Kozlov, apelidado de Baikal-60, que aos 23 anos, em 1943, até o ano seguinte, expôs mais de 100 agentes da inteligência hitlerista – que depois da guerra foram condenados. O filme é baseado no livro “Saturno é quase invisível”, de 1963, do jornalista e romancista Vassily Ardamatsky, especializado em thriller de espionagem. O longa reflete a tensão política da Guerra Fria e a memória da luta contra o nazismo, que havia acabado duas décadas antes. A caprichada produção utilizou tropas reais do Distrito Militar dos Cárpatos para dar autenticidade às cenas, filmadas em locações abertas em vez de estúdios, o que exigiu enorme esforço técnico e reforçou o realismo da história. A estética austera, de imagens duras com o PB, vem na estreia do estilo da época, em que o cinema funcionava como instrumento cultural, político e até didático. Teve uma continuação, “O fim de Saturno”, realizado no ano posterior, em 1968, com mesmo elenco, direção e equipe; enquanto na primeira história a ideia era levantar informações dos nazistas para Moscou, a continuação foca no revide soviético, quando oficiais da inteligência da URSS conseguiram desinformar o inimigo com a ajuda de relatórios falsos. “O fim de Saturno” contará com sessão online gratuita na plataforma da CPC-Umes no Youtube na próxima semana (de 15 a 18/05) – em https://www.youtube.com/@cpc-umesfilmes23


 
Aqui não entra luz
 
Estreando no cinema, a diretora Karol Maia realiza um documentário que nasce de uma experiência íntima e profunda: filha de uma ex-empregada doméstica, ela transformou memórias pessoais em investigação sobre o trabalho das domésticas no Brasil. O documentário independente reúne relatos de diversas mulheres que atuaram ou atuam no setor, e seu filme abre reflexões de como marcas da escravidão ainda aparecem nos lares contemporâneos. Com a câmera em punho e enfoque nos rostos das personagens, ela percorre São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, colocando as entrevistadas em lugares de destaque; elas falam sobre a profissão de doméstica, do preconceito, da relação com patrões e com a família. A ideia do “quarto de empregada” (aquele quartinho pequeno, isolado, com pouca ventilação, que muitos apartamentos e casas possuíam) simboliza no filme a velha lógica colonial da senzala e a Casa Grande – algo com frequência citado no doc. A pesquisa de Karol, de abordagem antropológica e sociológica, iniciou-se em 2017; agora pronto, a obra revela como a arquitetura e o cotidiano naturalizam desigualdades históricas. Karol narra em primeira pessoa, articula histórias pessoais, outras de pesquisa e reportagens lidas, e escuta atentamente às experiências de várias mulheres e seus familiares. Filmes como este servem de estudo sobre trabalho informal, exploração e precarização na sociedade atual, por isso indico todos e todas a assistirem. Produzido pelo Apiário Estúdio Criativo, com coprodução da Surreal Hotel Arts, venceu dois prêmios especiais no Festival de Brasília de 2025, e agora está nos cinemas, distribuído pela Embaúba Filmes.


  
Artacho Jurado: Sinfonia de um arquiteto
 
Nos últimos três anos foram produzidos três documentários brasileiros sobre arquitetura, tanto sobre a história por trás de edifícios imponentes, como “Pele de Vidro” (2023) e “Copan” (2025), quanto sobre as personalidades criadoras, no caso este que acaba de estrear nos cinemas, “Artacho Jurado: Sinfonia de um arquiteto” (2026), com direção da dupla Pedro Gorski e Teresa Eça. Assisti sem pretensão e saí com a impressão de ter visto um dos melhores documentários do ano, um filme vivo, didático, imersivo e com boas histórias ali contadas, que ensina sobre a arquitetura no Brasil pelos olhos de um genial esteta do ramo, João Artacho Jurado (1907–1983). Autodidata, sem formação acadêmica, filho de anarquistas espanhóis, levantou edifícios icônicos em São Paulo, que ainda são objetos de estudo, como o Bretagne, o Viadutos, o Louvre, o Saint Honoré e o Cinderela, prédios que desafiaram o modernismo com cores, formas orgânicas e espaços de convivência incomuns. Com ampla visão publicitária (área que seguiu por um período), Jurado deixou marcas profundas na paisagem urbana de São Paulo. Foi com sua construtora Monções, a partir de 1946, que desenvolveu projetos de estilo modernista com referências clássicas e art déco, voltados à classe média. O filme acompanha seu processo de criação, com uma montagem sinfônica, juntando arquitetura, cinema, música clássica (que Jurado adorava) e poesia, em depoimentos de familiares, jornalistas, pesquisadores no assunto, arquitetos e amigos, além de moradores de edifícios que ele projetou, que abrem seus lares para mostrar na prática o que Artacho havia elaborado e que deu muito certo (como as vistas contemplativas, entradas de ar com cobogós, arquitetura com desenhos ousados etc). O filme foi realizado pela Pink Flamingo, com coprodução do Canal Curta!, patrocínio do Itaú e distribuição nos cinemas pela Kajá Filmes.

sábado, 9 de maio de 2026

Especial de cinema

 
Vem aí a 15a edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
 
Festival notório por apresentar filmes em primeira mão no Brasil, tanto nacionais quanto internacionais, o “Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba” chega à 15ª edição com mais de 70 títulos na programação. O festival ocorre na capital paranaense de 04 a 13 de junho. Estão reunidos curtas e longas-metragens distribuídos em oito mostras - Competitiva Brasileira, Competitiva Internacional, Novos Olhares, Mirada Paranaense Sanepar, Exibições Especiais, Olhares Clássicos Cine Passeio, Olhar Retrospectivo e Pequenos Olhares, além das sessões de abertura e de encerramento. A abertura do festival será no dia 04/06, com o filme brasileiro “Yellow cake”, de Tiago Melo – exibido na Ópera de Arame, em uma tela de 400 polegadas, com capacidade para cerca de 1500 pessoas; o de encerramento será em 13/06, de “Salvação” (“Kurtulus”), coprodução Turquia, França, Países Baixos, Grécia e Suécia ganhadora do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim desse ano.


Pôster oficial do festival - edição de 2026


Criado como um festival de cinema independente em 2012, o Olhar de Cinema já levou mais de 250 mil pessoas para as salas de cinema e exibiu mais de 1200 filmes do mundo inteiro. Consolida-se, assim, como um dos mais importantes festivais internacionais de cinema do Brasil. Além das exibições de filmes, haverá também o Seminário de Cinema de Curitiba (com debates, palestras e encontros com profissionais do audiovisual), três oficinas (realizadas entre os dias 05 e 07 de junho) e o CuritibaLab (laboratório de pós-produção de filmes, com consultoria de montagem e marketing).
O Olhar de Cinema é viabilizado por leis de incentivo e patrocínios, como Ministério da Cultura (via Lei Rouanet) e Governo do Estado do Paraná, via Secretaria da Cultura e Profice (Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná). Conta com patrocínio do Terminal de Contêineres de Paranaguá, Sanepar, Mili, Fomento Paraná e Solvay Peróxidos, além de apoio do Projeto Paradiso, Uninter, Cine Passeio, Cinemateca de Curitiba, Teatro da Vila e Icac (Instituto Curitiba de Arte e Cultura) e incentivo da Prefeitura de Curitiba e da Fundação Cultural de Curitiba.
 
Ingressos e locais de exibição
 
Os ingressos estarão à venda a partir do dia 12 de maio, pelo site oficial do evento, https://olhardecinema.com.br. Preços: Ingressos avulsos no valor de R$ 18 por sessão (inteira) e R$ 9 (meia), e credenciais a partir de R$ 147 (para até 19 sessões), conforme os lotes. Haverá sessões gratuitas, com retirada de ingresso 30 minutos antes da sessão.
Serão novamente cinco locais de exibição do festival: Cine Passeio, Museu Oscar Niemeyer (Auditório Poty Lazzarotto), Cinemateca de Curitiba, Teatro da Vila e Ópera de Arame.


 
Premiação
 
Os prêmios entregues no festival estão divididos da seguinte forma:
 
Competitiva brasileira – Longa
 
Prêmio Olhar de melhor filme, roteiro, direção de arte, som, direção, atuação, fotografia e montagem
 
 
Competitiva brasileira – Curta
 
Prêmio Olhar de melhor filme e Prêmio Especial do Júri
 
 
Competitiva internacional – Longa
 
Prêmio Olhar de melhor filme e Prêmio Especial do Júri
 
 
Competitiva internacional – curta
 
Prêmio Olhar de melhor filme
 
 
Seção “Novos olhares”
 
Prêmio Olhar de melhor filme
 
 
Prêmio do Público
 
Longa
 
Melhor filme (concorrem os filmes da Competitiva Internacional e Competitiva Brasileira)
 
 
Curta
 
Melhor filme (concorrem os filmes da Competitiva Internacional e Competitiva Brasileira)
 
Prêmios de parceiros
 
Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema)
 
Avec-PR (Associação de Vídeo e Cinema do Paraná)
 
Canal Brasil
 
 
Filmes na programação das Competitivas
 
 
Mostra Competitiva Brasileira – Longas:
 
São 16 filmes nacionais na programação:
 
1.   A noite e os dias de Miguel Burnier (Dir. João Dumans)
2.   Adulto/Homem (Dir. Pedro Diógenes)
3.   Cerimônia (Dir. Fabio Ramalho, André Antônio, Chico Lacerda)
4.   Disciplina (Dir. Affonso Uchôa)
5.   Duwid Tuminkiz – Makunaima é Duwid? (Dir. Gustavo C. Wapichana)
6.   Fiz um foguete imaginando que você vinha (Dir. Janaína Marques)
7.   Marimbã está acontecendo (Dir. Maryn Marynho)
8.   Maxita (Dir. Mariana Machado e Ana Maria Machado)
9.   O segredo sagrado (Dir. Everlane Moraes)
10.Olhe para mim (Dir. Rafhael Barbosa)
11.Pinguim de doce de leite (Dir. Ana Vitória Miotto Tahan)
12.Pirexia (Dir. Nico da Costa)
13.Quase inverno (Dir. Rodrigo Grota)
14.Reparação (Dir. Marcus Curvelo)
15.Telúrica, a íntima utopia (Dir. Mariana Lacerda)
16.Um filme para lembrar da utopia (Dir. Reinaldo Cardenuto)
 
Mostra Competitiva Internacional – Longas:
 
São 15 filmes de vários países, como França, Irã, Canadá, Turquia, Itália, Marrocos, Albânia, Bolívia e Chile:
 
1.   A noite já está partindo (Dir. Ramiro Sonzini e Ezequiel Salinas)
2.   Bouchra (Dir. Orian Barki e Meriem Bennani)
3.   Cada época sonha com a próxima (Dir. Johannes Gierlinger)
4.   Cartas a meus pais mortos (Dir. Ignacio Agüero)
5.   Desencaixar (Dir. Danielle Kaganov)
6.   Dragão (Dir. Yashira Jordán)
7.   Má sorte (Dir. Jan Eihardt)
8.   Nan Ginen (Dir. Feguenson Hermogène)
9.   Não me deixe morrer (Dir. Andrei Epure)
10.O inimigo (Dir. Andrej Chinappi)
11.O profeta (Dir. Ique Langa)
12.Outra terra (Dir. Ben Russell)
13.Se pombos virassem ouro (Dir. Pepa Lubojacki)
14.Sussurros de um perfume ardente (Dir. Mo Harawe)
15.Um calendário incompleto (Dir. Sanaz Sohrabi)
 


Filmes clássicos e restaurados
 
A seção “Olhar Retrospectivo” da edição desse ano do festival homenageia o cineasta polonês Andrzej Wajda (1926-2016), apresentando seis filmes seus restaurados, realizados entre os anos 60 e 70, como “Terra prometida”, “Caça às moscas” e “O maestro”. Já na “Olhares Clássicos Cine Passeio” serão 10 filmes antigos, de vários países, como Alemanha, Brasil, Estados Unidos e França, em cópias restauradas que voltarão para a tela do Olhar de Cinema. São filmes de diretores conceituados, como Béla Tarr, David Lynch e Frederick Wiseman. Dentre eles estão “As aventuras do Príncipe Achmed” (1926), “Vento norte” (1951), “High School” (1968) e “Veludo azul” (1986).
 
Outros filmes no festival
 
Na programação, entre as seções “Exibições Especiais” e “Novos Olhares”, filmes do mundo todo, feitos entre 2025 e 2026 integram a programação, como “A paixão segundo GHB”, “Segunda pele”, “Anistia 79”, “Barbara Forever” e “Futuro futuro”.





* Fotos extraídas do site oficial do festival 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 1



A fúria

Do movimento Cinema Novo, somente Ruy Guerra está vivo, e na ativa, aos 94 anos. As produções cinematográficas do cineasta moçambicano radicado no Brasil atravessam sete décadas: do primeiro curta-metragem, “Quand le soleil dort” (1954), e o primeiro longa, o “Os cafajestes” (1962), até chegar à “A fúria” (2024), filme que encerra uma trilogia iniciada no auge do referido Cinema Novo. A “Trilogia dos Fuzis” abria com o hipnotizante “Os fuzis” (1964), cruzava com “A queda” (1978) – ambos premiados no Festival de Berlim, e encerra com “A fúria”, que acaba de estrear nos cinemas, após vencer dois prêmios na edição passada do Festival de Brasília. Seu novo longa é uma obra simbólica que reúne ilustres personagens dos dois trabalhos anteriores - enquanto em “Os fuzis” (um de meus filmes brasileiros preferidos) expunham-se a fome e a repressão no sertão e em “A queda” discutiam-se dilemas morais e corrupção no ambiente urbano e empresarial com as mesmas figuras (vividas por Nelson Xavier, Hugo Carvana e Paulo César Peréio), “A fúria” traz uma ampla discussão sobre o mundo político no Brasil da última década, focando na ganância e a degradação institucional. Personagem central nos anteriores, Mário, um ex-operário da construção civil (antes papel de Nelson Xavier, mas neste aqui interpretado por Ricardo Blat) enfrenta os espectros da ditadura e da corrupção política no país. Ele volta do mundo dos mortos (ele foi assassinado na ditadura) para assombrar o sogro e empreiteiro Salatiel (Lima Duarte), um empresário inescrupuloso, e Feijó (Daniel Filho), um político disposto a tudo para calar as pessoas. Diferente dos dois primeiros filmes, que privilegiavam o realismo e locações abertas, este novo capítulo foi rodado em estúdio, com cenários sombrios e estilizados, que o aproximam à linguagem do teatro, reforçando a atmosfera alegórica. O clima é de devaneios e loucura, com enquadramentos fortes no rosto dos atores, uma pegada meio expressionista. A narrativa é direta, dividindo personagens entre justos e corruptos, num longo embate em plena época de crise moral e institucional (com direito até a um Bolsonaro no desfecho). O elenco entrega o melhor de si: Blat, Duarte e Filho, além de Grace Passô, Simone Spoladore e participações rápidas de Paulo César Pereio, Maria Gladys, Antonio Pitanga e Urutau Guajajara. Misturando drama e thriller político, o filme é uma fábula quase dantesca sobre memória, justiça e as feridas abertas da Ditadura, contando com as experimentações estéticas que Ruy Guerra sempre se apropriou muito bem. Ele dirige a direção com Luciana Mazzotti, sua ex-mulher e roteirista também. Está pela segunda semana em exibição nos cinemas pela Pandora Filmes – antes de ver, recomendo conhecer os anteriores (em “A fúria” há cenas dos filmes “Os fuzis” e “A queda”, que retornam como lembranças dos personagens e serve para o público ter base para o desdobramento daqueles anos todos).
 

Michael
 
“Michael” é o filme do ano que vem arrastando muita gente ao cinema e, como não poderia ser diferente em biografias de ícones pop, dividindo a opinião do público e da crítica. Dirigido com vigor e emoção entusiástica por Antoine Fuqua (diretor de obras policiais, parte delas com Denzel Washington, como “Dia de treinamento” e “O protetor), é uma cinebiografia grandiosa do cantor e compositor Michael Jackson (1958-2009), que contagiou o mundo com suas canções vibrantes, porém esteve envolvido em uma série de polêmicas, como acusações de abuso sexual infantil e mudanças drásticas na aparência de clareamento de pele. Na altura do campeonato, fala-se muito na retirada dessas polêmicas do roteiro. Vamos analisar: Hollywood é careta na hora de retratar fielmente uma personalidade pública, ainda mais um nome de relevância e querido por uma legião de fãs como Michael, portanto deu espaço para fazer um filme mais positivo sobre ele; segundo ponto, o filme é assinado pelos irmãos de Jackson como produtores, e como os casos de pedofilia caíram por terra em 2005, após Michael ser absolvido de todas as acusações, resolveram não mexer no vespeiro. Por enquanto, pois, como já é sabido, haverá uma parte 2 em breve (que está em produção). Discutiremos o que está na tela e não aquilo que poderia ter sido: “Michael” é uma cinebiografia contagiante, um filmão publicitário que faz o público se emocionar, cantar e dançar junto. Filme feito para fã, com longas cenas reinventadas de shows dele, misturando espetáculo musical e drama familiar. O longa acompanha a jornada de descoberta de Michael no universo musical. A primeira parte (os 25 minutos iniciais) focam na formação de “The Jackson 5”, a banda de Michael e seus quatro irmãos, que surgiu dentro de casa com comando austero do pai, Joe Jackson, que se tornaria o empresário de grande parte da trajetória de artista depois. Na segunda parte, o filme traz Michael procurando carreira solo, ainda se dividindo no Jackson 5 (que viraria “The Jacksons”), até 1979, quando lançou um disco que surpreendeu, vendendo milhões de cópia, “Off rhe wall” (1979), produzido por Quincy Jones. O disco trazia faixas que ficaram no topo da parada das rádios, como "Don't stop 'til you get enough" e "Rock with you". A terceira parte do longa é a tentativa incessante de Michael sair das garras do pai patrão, um homem austero, difícil, violento, que batia nele quando criança. Enquanto Michael tenta atravessar a rua nessa nova fase da carreira, a sombra do pai o persegue. É quando ele lança o épico disco “Thriller” (1982), o que fez o cantor explodir e se tornar um dos 10 músicos pop mais influentes dos anos 80 – a partir daí a crise familiar aumenta, tentando lidar com o pai furioso, que não aceitava o sucesso do filho mais novo longe dos irmãos na banda que ele criou em Gary. Michael tinha apoio secreto da mãe, enquanto os irmãos seguiram aos poucos outras carreiras fora da música. O filme se divide bem entre o palco e os ensaios nas gravadoras com as questões familiares de Michael e seu dia a dia: mostra ele adotando animais que depois manteria no rancho apelidado de Neverland, como o chimpanzé Bubbles, lhamas e girafa (foram mais de 130 animais diferentes), a fixação por Peter Pan (por isso o nome do rancho) e a descoberta do vitiligo. Sem dúvida a interpretação de Jaafar Jackson, sobrinho do astro, de 29 anos, é o ponto máximo do filme – o rapaz ficou a cara do tio e em muitos momentos até melhor que Michael no palco (sem ofensa a Michael, que admirava como músico). Jaafar (que é filho de Jermaine) afinou a voz, emagreceu, ficou com silhueta idêntica ao do tio, e seu rosto surpreende pelas semelhanças. É a estreia do rapaz no cinema, após uma breve carreira como cantor e dançarino, e com certeza será indicado a Oscar e outros prêmios em 2027. Colman Domingo faz muito bem o papel do pai, num trabalho difícil, um homem violento que bate no filho e o fulmina com seu olhar arregalado (o personagem usa anéis e correntes, de sobrancelha pintada, lentes claras, mas esse over era o estilo do verdadeiro Joe Jackson). E Nia Long interpreta a mãe conciliadora, Katherine Jackson, num bom papel também – Katherine está viva, com 96 anos. Outros atores valem destaque, como Juliano Valdi (o Michael do período Jackson 5), Mike Myers como o empresário musical Walter Yetnikoff, dono da CBS Records, KeiLyn Durrel Jones como o chefe de segurança e motorista de Michael Bill Bray, que trabalhou com ele por mais de 25 anos e foi seu fiel escudeiro, chamado por Michael de “pai”, e Milles Teller como o advogado de muitos artistas famosos da época John Branca. O filme faz enorme carreira nos Estados Unidos e Brasil; em seu primeiro fim de semana arrecadou mais de US$ 217 milhões, tornando-se a maior estreia de uma cinebiografia na História do cinema, e acumula, nessa terceira semana nas salas de mais de 80 países, U$ 440 milhões em bilheteria (superando o orçamento. de U$ 155 mi). Os ótimos figurinos próximos do real fazem o recorte da época, há momentos de puro encanto e musicalidade (como as gravações do clipe de “Thriller” com os zumbis), ou seja, é um filme de entretenimento classe A para homenagear a carreira de um astro inigualável, mesmo que as polêmicas fiquem de fora (acordos judiciais e a supervisão do espólio de Jackson limitaram também a profundidade da adaptação de sua vida para o cinema, que se concentra em celebrar o mito em vez de confrontar suas contradições - inclusive a irmã Janet Jackson não aceitou participar por desacordos no roteiro e desavenças familiares, segundo contou à imprensa a outra irmã de Michael, La Toya Jackson). Vamos aguardar a parte 2 para saber que tipo de história e informações serão lá colocadas – a Lionsgate informou essa semana que a continuação terá Antoine Fuqua na direção, e que ele já gravou as primeiras cenas, cuja trama segue a partir de 1988, após o lançamento do disco “Bad”, de 1987, e da última turnê de Michael com os irmãos; o roteiro continuará de John Logan (indicado a três Oscars) e a produção de Graham King, vencedor do Oscar por “Bohemian rhapsody”. Nos cinemas pela Universal Pictures.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 4

 
A sombra do meu pai
 
Diretamente da Nigéria chega aos cinemas brasileiros um contundente drama de olhar autobiográfico, feito pelo estreante cineasta Akinola Davies Jr, diretor, roteirista e produtor executivo do longa. Com sensibilidade e mão precisa para contar uma história íntima e profunda, ele resgata, dos fundos da memória, sua infância no interior da Nigéria, e a relação dele com o irmão e a família. Ele mora com o irmão e a mãe na zona rural de uma cidade da Nigéria, até ser estremecido com a vinda inesperada do pai, uma figura enigmática, que retorna para casa depois de longos tempos. Aos poucos o homem se torna presença constante entre os irmãos, e os leva para uma viagem à Lagos, principal cidade do país. Eles chegam em meio ao turbulento cenário político de 1993; a Nigéria (bem como outros países da África) enfrentava agitação política, um período dominado por ditaduras, golpes de Estado e tentativas frustradas de transição democrática. As ruas estão inflamadas, com manifestações por todo canto, e o pai está naquele caos para receber uma dívida. O filme vai muito além da reconstrução de laços familiares, focando na fragilidade de um país em crise. O diretor articula, com magistral maneira de ver o mundo, a ausência paterna com a ausência de estabilidade no cenário social/político/econômico da Nigéria, criando um paralelo entre a busca individual por pertencimento e a busca coletiva por um país justo, democrático e de eleições livres. A escolha de narrar tudo em um único dia intensifica a sensação de urgência daquele reencontro entre filhos e pai ausente, como se o tempo fosse um recurso escasso diante da memória e da perda. Filmado em 16mm, com enquadramentos conceituais, dentre eles closes em rosto e filmagens por trás dos atores, é um filme sobre a busca por identidade individual e a busca por identidade nacional em um país fragmentado. Os meninos são interpretados com extrema naturalidade pelos irmãos reais Chibuike Marvellous Egbo e Godwin Egbo (este faz Akin, abreviação de Akinola, o diretor), e o ator que interpreta Folarin, o pai, é outro artista marcante, Ṣọpẹ́ Dìrísù. A direção de Davies é a alma do filme, um diretor que surgiu com tudo nesse trabalho pessoal feito para emocionar – ele fez anteriormente um curta-metragem exibido em Sundance, “Lizard” (2020), disponível na Mubi. “A sombra do meu pai” venceu o Bafta de melhor diretor estreante, recebeu menção especial no Caméra d’Or no Festival de Cannes e foi premiado em festivais como a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o British Independent Film Award e o Gotham Awards, além de ter sido exibido no Festival de Toronto. Coprodução Nigéria, Irlanda e Reino Unido, está nos cinemas com distribuição pela Filmes da Mostra.


O riso e a faca
 
Chega aos cinemas brasileiros o novo trabalho do proeminente cineasta português Pedro Pinho (de 49 anos), que já teve seus filmes exibidos em festivais como Cannes, Toronto e Munique. A coprodução Portugal, França, Brasil e Romênia é uma saga épica ultracontemporânea, de enorme metragem, 211 minutos (3h31), mais apropriada para público que suporta filmes de arte longos – isso porque é a versão menor, a de cinema, já que o diretor fez uma versão sem cortes, de 330 min (5h30). O filme é uma análise sobre o neocolonialismo, que conta com uma linguagem moderna mesclando ficção e documentário. E também um road movie mágico pelas entranhas da África com toda sua beleza e complexidade. Filmado na Guiné-Bissau em 35mm, o projeto nasceu sem ensaios e com diálogos improvisados, que demorou quase três anos para ser finalizado. Essa demora e lapidação revelam a ambição de construir uma obra épica de cunho íntimo, com cenas demoradas sem cortes, que unem a grandiosidade das paisagens africanas à proximidade dos dramas humanos. A trama acompanha Sérgio, engenheiro português enviado por uma ONG para a África Ocidental para avaliar o impacto ambiental da construção de uma estrada, entre o deserto e a selva. Em meio à missão, ele se envolve com Gui, um rapaz brasileiro, e Diára, mulher de origem cabo-verdiana, formando um triângulo amoroso que funciona como metáfora das tensões entre colonizador e colonizado. Nesse tempo e espaço, o diretor Pedro Pinho capta a essência do neocolonialismo numa África contemporânea, ainda marcada por contradições, articulando temas como imigração, racismo, capitalismo e exploração econômica a dilemas pessoais. O título é inspirado na música “O riso e a faca”, de Tom Zé, lançada em 1970, que chega a ser citada no longa – o filme se apropria dos simbolismos da música, que traduz em palavras as dualidades da vida, das instabilidades nas relações, da alegria (riso) à dor/violência (faca). A atriz cabo-veridana Cleo Tavares (a Cleo Diára) recebeu o prêmio de melhor atriz na Mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes, neste que é um dos filmes mais desafiadores e corpulentos do ano, falado em seis línguas (português, cabo-verdiano, inglês, francês, espanhol e árabe). No elenco, além da ótima Cleo, tem os atores Sérgio Coragem (português, no papel do engenheiro) e Jonathan Guilherme (brasileiro, que rouba as cenas com um humor impecável – ele é ex-atleta de vôlei, que trocou de profissão, hoje ator e poeta em Barcelona, onde reside). Está nos principais cinemas com distribuição da Vitrine Filmes, em parceria da RioFilme.

domingo, 3 de maio de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 3

 
Zico - O samurai de Quintino
 
Estreou anteontem nos cinemas pela Downtown Filmes o documentário que homenageia a vida e a trajetória de Arthur Antunes Coimbra, o jogador meio-campista Zico. Um filme não só para fãs do atleta, mas também para quem gosta de futebol, já que é uma viagem pelas últimas cinco décadas do esporte no país. O longa reúne vasto acervo pessoal de Zico, grande parte inéditos, incluindo registros em Super-8 (da família e amigos em momentos íntimos) e cadernos de anotações. Foi o principal jogador do Flamengo nas décadas de 1970 e 1980, e pela Seleção Brasileira, disputou três Copas do Mundo, de 1978, 1982 e 1986. O time do coração de Zico, Flamengo (que o defendeu profissionalmente por 15 anos), participou ativamente da produção do filme, cedendo material raro para a obra, que conta com uma direção competente e entusiasmada de João Wainer, diretor da minissérie “Meu Ayrton, por Adriane Galisteu” (2025). O doc parte do bairro Quintino Bocaiúva, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde Zico nasceu e cresceu, para mostrar como família e a disciplina moldaram a sua forte personalidade (demonstrada dentro e fora dos gramados). E depois de narrar a trajetória dele no Brasil, mostra a relação de Zico com o Japão, seu segundo país, onde fundou a liga japonesa de futebol, dirigiu times, foi técnico e até hoje apelidado de “deus do futebol” – o título “Samurai” remete à fase japonesa de Zico. É um filme dinâmico, bacana, com depoimentos de jogadores como Ronaldo Fenômeno e Júnior, além dos treinadores Carpegiani e Parreira, da esposa Sandra e dos filhos do homenageado. Com montagem fluida e tom intimista, o documentário celebra tanto o homem Zico quanto o craque aplaudido por várias gerações. Produzido pela Vudoo Filmes e Guará Entretenimento, é uma coprodução da Globo Filmes, SporTV, Pontos de Fuga e Investimage com patrocínio do Sicoob, da Tim e Austral, além de contar com a RioFilme como codistribuidora.



 O diabo veste Prada 2
 
Lotando as salas de cinema de todo o mundo, a continuação de “O diabo veste Prada”, 20 anos depois do original, virou um fenômeno inesperado e repentino. Assim como “Michael”, estreou muito bem nas bilheterias e logo se aclamou como um arrasa-quarteirão – no Brasil, por exemplo, as sessões andam abarrotadas de gente. Gostei do filme, é uma sequência que atualiza o original, mas prefiro o frescor do primeiro. Diretor, produtores e elenco retornam com tudo em seus icônicos personagens, em uma história que volta à crítica ao mundo da moda e da mídia, ambas em crise na era digital. A conceituada editora de moda Miranda Priestly (Meryl Streep), para driblar o colapso do jornalismo impresso, planeja formas de manter em pé a antiga revista Runway. Ela precisa urgentemente adequar o formato ao digital, já que a maior parte das revistas e jornais não sobrevivem mais no papel. O choque maior vem quando descobre que Emily Charlton (Emily Blunt), antes sua fiel assistente, ocupa hoje um cargo executivo em uma grife de luxo, ou seja, virou sua uma rival direta. Entra para abrir novos conflitos na trama a jornalista Andy Sachs (Anne Hathaway), que era estagiária de Miranda e agora procura por um novo emprego, após ser demitida; ela acaba voltando à Runway, onde terá de lidar com os estresses de Miranda, bem como com os dilemas da profissão em tempos de redes sociais e desinformação. O trio de mulheres entrega atuações formidáveis, com destaque para Emily Blunt, uma antagonista tão mesquinha quanto Miranda era no filme 1 – a atriz pode pegar indicações a prêmios no ano que vem. Stanley Tucci retorna como Nigel, o assessor de Miranda, e novos nomes aparecem, como Lucy Liu na pele de uma magnata da moda, Kenneth Branagh como o marido de Miranda, e até Lady Gaga como ela mesma, num momento glamuroso em que canta nos palcos do Fashion Week de Milão. Gostei especialmente do tratamento ao tema da crise do papel e da era digital, mostrando que em menos de 20 anos, de um filme para o outro, o mundo se transformou radicalmente (mais dinâmico e fugaz), com desgaste das grandes revistas, a explosão do marketing digital e a fragilidade das carreiras diante da velocidade da informação. E os figurinos seguem deslumbrantes, com assinatura da figurinista Molly Rogers, que demonstrava talento lá no passado com as roupas das personagens do seriado “Sex and the city”. Nos cinemas pela 20th Century Studios.

Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 4

Nino de sexta a segunda Em exibição nos cinemas (pela distribuidora Filmes do Estação), o drama francês premiado no César e exibido nos Fest...