quinta-feira, 23 de abril de 2026

Especial de cinema

 
Começa hoje o “2º Festival de Cinema Europeu Imovision”
 
Entre os dias 23 e 29 de abril, a distribuidora de cinema Imovision realiza a 2ª edição do Festival de Cinema Europeu Imovision, consolidando-se como uma das principais janelas de exibição da produção contemporânea do continente no Brasil. O festival exibirá, em mais de 20 salas de cinema de todo o país, 14 filmes inéditos, todos reconhecidos recentemente em prestigiados festivais internacionais, como Veneza e Cannes. A programação é diversa, que reflete a riqueza cultural europeia, com uma seleção que inclui cinco títulos franceses, três alemães, três italianos, além de produções da Espanha, Suíça e Polônia. “Criamos o Festival de Cinema Europeu para preencher uma lacuna no circuito exibidor, e o resultado superou todas as expectativas. Nesta 2ª edição, ampliamos o investimento e fortalecemos a curadoria, com uma seleção ainda mais forte. Nossa expectativa é que essa programação alcance o maior número possível de salas, permitindo que o público brasileiro tenha acesso e se conecte profundamente com essas histórias”, comentou Jean-Thomas Bernardini, fundador da Imovision, empresa que está presente no Brasil há mais de 35 anos como uma das maiores incentivadoras do cinema mundial na América Latina, tendo lançado mais de 700 títulos no Brasil.


As sessões ocorrem em salas do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo, Salvador, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Aracaju, Belém, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Caxias do Sul, Londrina e Natal, e no interior e litoral de SP, nas cidades de Araraquara, Ribeirão Preto, Santos e São Carlos.
Mais do que uma mostra de filmes, o festival se propõe a ser um espaço de encontro e diálogo - para isso, contará com sessões especiais acompanhadas de debates e presença de realizadores, como o cineasta espanhol Julio Medem, que apresenta seu novo filme, “8 décadas de amor” (2025).
Confira a programação completa, que conta com novos trabalhos de diretores premiados como Christian Petzold, Paolo Virzì e Fatih Akin:
 
·         5 Segundos (Five Seconds) — Direção: Paolo Virzì
·         8 Décadas de Amor (8) — Direção: Julio Medem
·         A Divina Sarah Bernhardt (La Divine Sarah Bernhardt) — Direção: Guillaume Nicloux
·         Amiga Silenciosa (Silent Friend) — Direção: Ildikó Enyedi
·         As Cores do Tempo (Colours Of Time) — Direção: Cédric Klapisch
·         Beladona (Belladone / The Islanders) — Direção: Alanté Kavaïté
·         Diva Futura — Direção: Giulia Louise Steigerwalt
·         E Seus Filhos Depois Deles (And Their Children After Them) — Direção: Ludovic Boukherma & Zoran Boukherma
·         Erupcja — Direção: Pete Ohs
·         Mirrors No. 3 — Direção: Christian Petzold
·         O Grande Arco de Paris (The Great Arch) — Direção: Stéphane Demoustier
·         Querendo ou Não (Damned If You Do, Damned If You Don't) — Direção: Gianni Di Gregorio
·         Rebelião Silenciosa (Silent Rebellion) — Direção: Marie-Elsa Sgualdo
·         Uma Infância Alemã (Amrum) — Direção: Fatih Akin
 
Confira também o trailer exclusivo do Festival:
https://www.youtube.com/watch?v=ZZLQVBePoWE
 
Dica de filme do Festival:
 
Mirrors no. 3
(Alemanha, 2025, de Christian Petzold)
 
Longe de ser um grande Petzold, o novo trabalho do premiado diretor alemão de ‘Em trânsito’ (2018) e ‘Afire’ (2023) se estrutura num drama familiar cheio de segredos. Novamente o diretor volta a falar de identidade feminina em reconstrução. A estudante Laura (Paula Beer, atriz dos filmes dele) sobrevive a um acidente de trânsito no campo. Atordoada, com ferimentos e a memória falhando, é acolhida por Betty (Barbara Auer), uma idosa que mora reclusa numa casa próxima ao local do ocorrido. Betty trata com zelo Laura, e aos poucos o marido e o filho suspeitam que aquilo tudo é uma forma de ela ressignificar uma tragédia que os marcou anos atrás. O sólido drama tem variações de suspense/mistério, que descortina o passado de Laura e daquela nova família dela. Petzold presta uma homenagem a Bergman em um filme feminino e pessoal. Exibido na Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes, teve sessões na Mostra Intl. De Cinema de SP e agora está na programação do 2º Festival de Cinema Europeu Imovision. O filme tem data de estreia marcada para o circuito regular de cinemas após o festival: 06/08/2026, com distribuição da Imovision.



Nota de cinema


Cine Debate traz sábado thriller real sobre atentado televisionado
 
O Cine Debate, projeto de extensão do Imes Catanduva, em parceria com o Sesc, exibe no próximo sábado, dia 25/04, a partir das 14 horas, o thriller americano inspirado em fatos verídicos “5 de setembro” (2024), indicado ao Oscar de melhor roteiro original, exibido no Festival de Veneza e vencedor de 20 prêmios internacionais. No elenco, nomes conhecidos, como Peter Sarsgaard, John Magaro, Leonie Benesch e Ben Chaplin. Sessão e debate são gratuitos e abertos ao público, na sala de ginástica do Sesc Catanduva, conduzidos pelo idealizador do Cine Debate, o jornalista, crítico de cinema e professor do Imes Felipe Brida.
 
Sinopse: Nos Jogos Olímpicos de Munique de 1972, uma equipe de transmissão da ABC Sports filma a invasão do grupo palestino Setembro Negro no estádio, que transforma a Vila Olímpica em cenário de tragédia. Dois atletas foram mortos e nove ficaram reféns. Um resgate fracassado culminou com a morte de todos os envolvidos, incluindo um policial, caso que chocou o mundo.



 
Cine Debate
 
O Cine Debate é um projeto de extensão do curso de Psicologia do Imes Catanduva em parceria com o Sesc Catanduva. Completa 14 anos em 2026 trazendo filmes cult de maneira gratuita a toda a população. Conheça mais sobre o projeto em https://www.facebook.com/cinedebateimes

terça-feira, 21 de abril de 2026

Estreias da semana – Nos streamings – Parte 5


Entre nós – Uma dose extra de amor
 
Exibido no festival SXSW, a comédia romântica dirigida por Chad Hartigan, de “Memórias de um amor” (2020), busca renovar o gênero com uma história moderna, que aposta em personagens carismáticos em situações inesperadas para falar de amor e amadurecimento. Olivia (Zoey Deutch, de “Nouvelle Vague”), uma garota em uma fase crucial da carreira, conhece Connor (Jonah Hauer-King, de “Casa de dinamite”), um rapaz boa pinta, que chama a atenção das mulheres. Em meio a encontros e desencontros, a relação entre os dois vira uma espécie de amizade colorida. Numa noite aparentemente normal, os dois trombam com Jenny (Ruby Cruz, de “Bottoms”); sentam-se na mesma mesa de bar, conversam sobre vários assuntos e resolvem participar de um ménage. A noite de sexo entre os três evolui para um complicado triângulo amoroso, também uma disputa entre quem ficará com quem – até que Olivia e Jenny surgem grávidas no mesmo dia. O filme guarda surpresa, é afetuoso, com frescor e ousadia, sem os clichês de fitinhas românticas água com açúcar. O elenco central sustenta os personagens, de três pessoas que curtem a vida em balada e bar e de repente se veem futuros pais e mães. Há uma boa reflexão sobre o mundo do amor moderno e suas contradições (no caso um relacionamento que se equilibra entre triângulo amoroso e trisal). Exibido nos cinemas brasileiros em dezembro, com distribuição da Paris Filmes, chega agora ao streaming (disponível no catálogo do Prime Video) – eu assisti sem apostar muito e saí com boas impressões da sessão. Recomendo.
 


Elefantes fantasmas
 
Werner Herzog, cineasta mentor do novo cinema alemão nos anos 70 e 80, aos 83 anos continua na ativa melhor do que nunca. Trabalhou com Klaus Kinski em obras cultuadas, como “Aguirre – A cólera dos deuses” (1972) e “Fitzcarraldo” (1982), chegou a fazer participações em produções americanas como ator, e há mais de duas décadas roda documentários ambientais, sobre a relação do homem com a natureza, narrados por ele, como “O homem urso” (2005), “Encontros no fim do mundo” (2007 – indicado ao Oscar de doc), “Visita ao inferno” (2016) e agora “Elefantes fantasmas” (2025). O veterano cineasta apresentou esse seu último trabalho, feito com a National Geographic, no Festival de Veneza do ano passado, recebendo um prêmio especial, depois levando o filme para festivais como Telluride, Hamptons e Rio. Em “Elefantes fantasmas” ele realiza um trabalho criterioso de pesquisa, sobre a jornada de ambientalistas ao fim do mundo em busca de uma manada de elefantes que se esconderam por décadas da caça e da guerra civil que assolou a Angola; Herzog, ao lado de um grupo de rastreadores e pesquisadores nas terras altas da Angola, procuram por vestígios dos chamados “elefantes fantasmas”, criaturas quase míticas, que aparecem sem ninguém perceber e somem. Na expedição que demora semanas, vai o renomado biólogo Steve Boyes, que estuda fauna e flora na África, além de nativos angolanos, que analisam pegadas e resquícios de alimentos no amplo ecossistema da região; também observam imagens de câmeras espalhadas em pontos estratégicos de árvores para chegar até os distintos elefantes – muitos acreditam que esses animais nem existam, já que é fato raro vê-los. É um documentário investigativo fascinante pelo reino animal da África, com seus mistérios e crenças. Produção da Disney, National Geographic e Hulu, está disponível agora no streaming da Disney+.
 
 
A história de um gorila
 
Outro excelente documentário sobre o reino animal chega ao Brasil, desta vez um filme britânico da Netflix, que estreou na plataforma no último dia 17. É conduzido por David Attenborough, um dos mais respeitados naturalistas do mundo, ex-diretor da BBC e que por mais de 60 anos apresentou programas de TV sobre vida selvagem. Aqui, David relata sua primeira experiência com o bebê gorila Pablo, quando viajou para a Ruanda nos anos 70 e lá teve o encontro marcante com o animal. Ele acompanhou todo o crescimento dele, bem como a relação com os outros animais. No filme as imagens de arquivo relembram esses momentos afetuosos, e não apenas a ternura dos encontros, mas o impacto que teve na trajetória de David como divulgador científico e seus estudos sobre macacos. O filme foca na relação de David com os descendentes diretos de Pablo (que viveu mais de 34 anos, morrendo em 2008), um símbolo da continuidade e da força da espécie. Responsável por popularizar o reino animal na mídia, David, irmão mais novo do ator e diretor Richard Attenborough, apresenta um filme cativante, nos moldes das produções da National Geographic, trazendo informações diretas de um jeito fácil de entender – ele completa em maio, 100 anos de idade. Dirigem dois nomes de destaque do universo do documentário: James Reed, um dos diretores de “Professor Polvo” (2020), ganhador do Oscar, e Callum Webster, que juntos fizeram a aclamada minissérie indicada ao Bafta “O império dos chimpanzés” (2023).
 
 
Meus amigos indesejáveis: Parte I - Último ar em Moscou
 
Com a impressionante duração de 324 minutos (o que pode ser um impeditivo para alguns), o novo documentário político da Mubi é um exercício de como o jornalismo é alvo constante de perseguição na Era Putin. Para trazer isto à tona, a diretora e roteirista de origem russa Julia Loktev acompanha por meses um grupo de jornalistas independentes em Moscou antes da invasão da Ucrânia, em 2022. O período é de tensão, já que a mídia não pode exercer plenamente a liberdade de expressão no país. Putin acusa quem o critica de opositor do regime, colocando seus nomes na lista de “agentes estrangeiros” - muitos já foram exilados e outros morreram de forma misteriosa. O documentário é um compilado desses dias de privação e medo, com relatos surpreendentes de dentro daquele núcleo jornalístico, composto quase todo por mulheres, apontando como as ameaças chegam a cada um. A diretora parte de sua própria inquietação para revelar como o regime autoritário invade instituições, criminalizando pessoas para encobrir a verdade e moldar o pensamento ultranacionalista (que depois viraria pró-guerra). Reportar a realidade sobre a invasão da Ucrânia tornou-se um ato de coragem que custou a liberdade ou o exílio daqueles jornalistas combativos. Figuras como as jornalistas e ativistas Anna Nemzer e Elena Kostyuchenko mostram o rosto para discutir os dilemas éticos da profissão, na tentativa de manter a independência de seus trabalhos. A Era Putin é retratada como um tempo em que a lealdade ao governo é exigida como prova de cidadania, e qualquer desvio pode resultar em perseguição – depois da invasão da Ucrânia, a situação piorou muito quanto aos direitos do povo e do trabalho jornalístico. Um filme sério, de atmosfera sufocante, cujo título simboliza a repressão à liberdade. O mérito da obra está em transformar uma investigação pessoal em crítica política incisiva, servindo como um testemunho de uma triste época. Todos os jornalistas envolvidos no doc tiveram de deixar a Rússia nos primeiros dias da invasão da Ucrânia, juntamente com milhares de opositores da guerra, considerados traidores da pátria. Exibido nos festivais de Berlim e Nova York, concorreu ao prêmio de melhor documentário no Independent Spirit Awards. A diretora e roteirista prepara a parte 2, que está em pós-produção e se chamará “Meus amigos indesejáveis: Parte II - Exílio”, previsto para final deste ano.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 4


O estrangeiro
 
François Ozon, aclamado diretor francês que realiza até dois filmes por ano, fez uma belíssima e atualizada versão para o cinema do clássico livro “O estrangeiro”, de Albert Camus, publicado originalmente em 1942. Ultimamente Ozon roda seus filmes em PB e aqui repete a dose, recorrendo a uma fotografia de brilhar os olhos – situada na Argélia da década de 30, quando ainda colônia da França. Observador, Meursault (Benjamin Voisin, que trabalhou com o diretor em “Verão de 85”) é um rapaz fechado em seu mundo próprio, sem empatia pelos outros. Faz sexo com uma jovem e diz a ela que não sente atração nem desejo por ninguém. Num dia de sol, comete um assassinato na praia e vai para julgamento. Pensativo sobre a morte recente da mãe, ele se põe a questionar seus feitos, trancado numa cela enquanto aguarda seus dias finais – já que ele pode ser guilhotinado, caso seja culpado pelo crime. Tanto livro quanto a versão de Ozon trabalham temas comuns no universo de Camus, como alienação e indiferença ao mundo e aos outros. Filosófico, na linha do existencialismo, é uma obra madura do cineasta, que marca sua nova fase de criação. Voisin, o ator principal, compila a essência do personagem Meursault com seus olhares apáticos e constante desinteresse pelas pessoas que cruzam seu caminho. Exibido no Festival de Veneza de 2025, onde concorreu ao Leão de Ouro, o assisti no Festival do Rio e agora o filme está em cartaz no Brasil, com distribuição pela California Filmes.


 
Pacto de redenção
 
Lançado em 2023 no Festival de Toronto e no ano seguinte nos cinemas internacionais e brasileiros, o filme é a segunda investida do ator indicado ao Oscar Michael Keaton como diretor. Ele também atua nesse sólido drama de suspense, como o protagonista, um assassino de aluguel chamado John Knox, que recebe o diagnóstico de uma forma rara de demência. Seu médico informa que a doença acometerá rapidamente o cérebro, então Knox resolve se afastar do mundo do crime para se reconectar com o filho, Miles (James Marsden). Na reaproximação, ele dará uma mão para o rapaz se livrar de um brutal assassinato, só que as coisas sairão do controle. A trama envolve e traz novos elementos no decorrer do filme, desenrola-se em ritmo tenso, explorando tanto a fragilidade da memória do protagonista quanto os dilemas morais de um homem que sempre esteve à margem da lei. Keaton realizou um trabalho maduro e de consistência (como diretor e ator), injetando uma atmosfera sombria e intimista na obra, que conta com a ajuda de um elenco de peso, como Joanna Kulig, Ray McKinnon, Dennis Dugan, Jimmy Ortega e participações especiais de Al Pacino e Marcia Gay Harden. São 114 minutos que passam voando, num thriller interessante sobre a última chance de redenção de um criminoso. Disponível no streaming da HBO Max.


 
Pai do ano
 
Segundo filme da atriz Hallie Meyers-Shyer como diretora e roteirista, sete anos depois da comédia romântica com Reese Witherspoon “De volta para casa” (2017). Agora o humor é menos nessa comédia dramática protagonizada por Michael Keaton, que na última década vem entregando papeis marcantes de homens maduros em crise conjugal/afetiva/familiar. Em “Pai do ano” (2024), Keaton interpreta Andy Goodrich, um galerista de arte cuja vida dá uma sacolejada quando a esposa Naomi (Laura Benanti) decide se internar em uma clínica de reabilitação por 90 dias, por causa do vício em remédios. Andy sempre foi dependente da mulher para tudo, inclusive para cuidar do casal de filhos gêmeos temporãos. Sem saber o que fazer, pede ajuda para a filha com quem não tem bom relacionamento, Grace (Mila Kunis), fruto do primeiro casamento há quase 40 anos. Os dois voltam a se falar, em primeiro momento ela estranha, e ambos se abrem para uma reaproximação. Até Andy descobrir que Grace está gravida e será avô pela primeira vez. Uma história bonita, leve, de reconexão familiar (no caso, de pai que se reencontra com a filha que nunca cuidou direto), que mistura uma comédia simpática a um drama emotivo. Diferente ver também na tela um personagem de quase 60 anos, o protagonista Goodrich (que é o título original do filme), que precisa amadurecer às pressas para lidar com a tarefa de ser pai triplo (tanto das crianças gêmeas quanto da filha mais velha). Tem momentos delicados, como o desfecho, ótimas atuações de Keaton e Mila – e ainda aparecem no filme em pequenas participações Andie MacDowell e Kevin Pollak, e uma história fácil de se envolver, por tocar em questões humanas. Disponível no streaming do Prime Video.

 
Máquina de guerra
 
Novo filme de ação barulhento da Netflix, que não desaponta com uma trama de perseguição de roer as unhas e efeitos visuais supereficientes. Suspense, ação e ficção científica são os três gêneros fundidos numa trama que lembra “O predador”, só que com uma máquina mortífera no lugar da criatura espacial. Um campo de treinamento militar em uma área isolada, próximo a uma floresta, vira cenário de terror quando um grupo de recrutas passa a ser caçado por um estranho aparato vindo do espaço que atira centenas de balas por minuto, joga bombas e tem um visor que localiza facilmente as presas. É uma máquina gigante, como um robô sem rosto, que espalha destruição por onde anda. Os sobreviventes, liderados pelo agente 81 (Alan Ritchson, de “Jogos vorazes: Em chamas”), procuram lugares para se esconder e planejar maneiras de acabar com o monstro de metal. Aquele grupo habituado a exercícios extenuantes no campo de treinamento precisará lidar com uma nova forma de inimigo, revelando que o combate vai além das fronteiras humanas. Diretor, produtor e roteirista australiano, Patrick Hughes é conhecido dos cinéfilos de fitas de ação, por ter feito “Os mercenários 3” (2014 - um dos mais explosivos e absurdos da franquia) e as duas partes de “Dupla explosiva” (2017 e 2021); agora ele entrega seu melhor trabalho, pelo menos o mais impactante, um filme-pipoca de sobrevivência repleto de corre-corre e explosões. As batalhas são meticulosamente coreografadas, há cenas espetaculares de fuga, e a câmera ágil acompanha tudo, com cortes dinâmicos. E o longa não fica só ali na ação na selva: tem certo drama intimista, já que protagonista é atormentado por lembranças de uma tragédia que o faz seguir em frente. Participam do filme Dennis Quaid, Stephan James, Esai Morales, Jai Courtney e James Beaufort (ator que é também o roteirista do filme junto de Hughes). Disponível na Netflix.


domingo, 19 de abril de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 3

 
 
Cinco tipos de medo
 
Thriller brasileiro dirigido por Bruno Bini, que também assina a produção, o roteiro e a montagem, em seu segundo filme, depois de “Loop” (2020), em mais uma obra instigante e original. Ele entrelaça cinco histórias de violência urbana trazendo à tona relações humanas fragilizadas, marcadas por desejo, vingança e sobrevivência. Rodado em Cuiabá (MT), o filme (que tem muito de drama e suspense) se destaca pela narrativa fragmentada, cujas tramas, independentes, vão se cruzando. Temos ali Murilo, um jovem músico que, após quase perder a vida em uma UTI, tem um caso com Marlene, sua enfermeira. Ela, no entanto, vive um relacionamento abusivo com Sapinho, um traficante visto como protetor da comunidade onde moram. Surge então a policial Luciana, que prende Sapinho e, movida por vingança, desencadeia uma série de eventos que atingem em cheio o advogado Ivan, um homem duvidoso que manipula informações a seu favor. Os núcleos narrativos se cruzam em momentos de violência, perseguição e escolhas morais, carregado com um clima de tensão e incerteza no ar (imagens reforçadas pela boa fotografia noturna, quase claustrofóbica). Cada personagem tem um “tipo de medo”, como o da morte, o da solidão e o da verdade, e cada passo dado os faz refletir sobre suas inseguranças. Produzido pela Plano B Filmes e Druzina Content, marca a estreia nos cinemas de Bella Campos (modelo e atriz da novela “Pantanal”) e participação do rapper e cantor Xamã em seu segundo filme. Todos estão bem, com seriedade nos papeis, que incluem ainda as atrizes Barbara Colen, de “Bacurau”, e Rejane Farias, de “Marte Um”, e os atores Jonathan Haaggensen, de “Cidade de Deus”, e Zécarlos Machado, da série “Sessão de terapia”. O filme venceu quatro prêmios no Festival de Gramado (melhor filme, roteiro, montagem e ator coadjuvante para Xamã) e é uma das boas estreias da semana nos cinemas brasileiros, com distribuição da Downtown Filmes.
 
 
Caso 137
 
Indicado à Palma de Ouro em 2025, o ótimo thriller francês “Caso 137” tem direção firme assinada pelo veterano Dominik Moll, cineasta que gosto muito, de “Harry chegou para ajudar” (2000), “O monge” (2011) e “A noite do dia 12” (2022). E estrelado por Léa Drucker, premiada nesse papel com o César de melhor atriz – querida na França, fez mais de 90 longas, como “Custódia” (2017) e “Close” (2022). O filme acompanha Stéphanie Bertrand (Léa Drucker), uma policial da Corregedoria Francesa (IGPN), encarregada de investigar um jovem gravemente ferido em uma manifestação em Paris. O caso, de número 137, embora não contenha provas de abuso policial, ganha novos contornos quando ela descobre que a vítima é de sua cidade natal, colocando em choque sua disciplina profissional. Entre a sala de interrogatório, análise de imagens do caso e conversas informais com colegas de trabalho, Stéphanie entra de cabeça numa investigação pessoal complexa, que mudará tanto sua vida quanto a do investigado. Dominik Moll escreveu o bom roteiro junto do premiado roteirista Gilles Marchand, em mais uma parceria – juntos escreveram outros quatro filmes. “Caso 137” é um estudo sobre comportamento humano frente aos dilemas éticos da profissão, atingindo o universo da IGPN (Inspeção Geral da Polícia Nacional), que controla e fiscaliza todas as polícias da França – por isso o longa traz um ambiente marcado por tensões e desconfiança, já que os agentes policiais investigam colegas e enfrentam hostilidade interna. É uma das boas estreias da semana nos cinemas, disponível em 15 salas do país, como as capitais SP e RJ. A distribuição é da Autoral Filmes.
 


A conspiração Condor
 
O novo filme do cineasta André Sturm (gestor do Cine Belas Artes e fundador da distribuidora Pandora Filmes) tenta se firmar como um thriller político sério sobre os bastidores das mortes dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, ambas ocorridas em 1976, num intervalo de quatro meses, mas o resultado deixa muito, mas muito a desejar. A obra investigativa especula sobre as mortes, que muitos acreditam ter sido um assassinato cometido pelos homens da Ditadura. A história narra uma jornalista (Mel Lisboa) buscando respostas e cruzando dados, além de entrevistar pessoas importantes da época, como o ex-governador da Guanabara e também jornalista Carlos Lacerda (Pedro Bial, numa ponta de dois minutos). Apesar do potencial histórico e da relevância do tema, a execução se mostra pouco envolvente e sem vitalidade – tudo é morno, desinteressante, previsível. A própria dúvida gerada no filme em torno do possível assassinato de JK e de Jango é esvaziada. O título faz referência à Operação Condor, uma campanha de repressão política no auge da Ditadura, que envolveu seis países da América do Sul, como Brasil e Argentina, e que aqui durou de 1975 a 1983; com apoio dos Estados Unidos, havia um serviço de inteligência para perseguir, torturar e matar opositores políticos - questão histórica que mal é citada no filme, infelizmente. No elenco há muitos nomes conhecidos, como Don Stulbach, Marat Descartes, Zécarlos Machado, Luciano Chirolli, Nilton Bicudo, Liz Reis e o próprio Sturm numa pontinha. Queria ter me envolvido, mas não foi dessa vez... Lançado nos cinemas em 9 de abril, com distribuição da Pandora Filmes.

sábado, 18 de abril de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 2

 
 
Pompeia: Sob as nuvens
 
Gianfranco Rosi, premiado diretor e produtor de cinema italiano, reafirma sua posição como um dos maiores documentaristas contemporâneos ao construir um retrato poético (e bem multifacetado) de Nápoles, cidade localizada a 25 quilômetros da histórica Pompeia, que foi dizimada pelo vulcão Vesúvio há 1950 anos. O filme, rodado em preto-e-branco, traz, em pequenos fragmentos, a vida cotidiana de uma comunidade que convive com a presença constante de dois vulcões vizinhos, o Vesúvio e o Campi Flegrei, símbolo de ameaça permanente. Pompeia virou um sítio arqueológico e parada para turismo, que movimenta a economia da região de Nápoles. Rosi, de “Fogo no mar” (2016 - indicado ao Oscar), articula um mosaico que transita entre o íntimo e o universal, revelando gestos simples da rotina dos moradores e os ecos de séculos de cultura e tragédia. Ele evita o formato tradicional de documentário: não há entrevistas, nem narrações didáticas ou guiada, tudo são passagens contemplativas, de escavadores procurando vestígios, esculturas preservadas da época, pessoas ligando para bombeiros por causa da sensação de terremotos, imagens de sobrevoo sobre os vulcões. A narrativa se desenrola como um fluxo de imagens belamente fotografadas (em um PB estonteante) que alternam o extraordinário e o banal, criando uma atmosfera de contemplação. A trilha sonora de Daniel Blumberg, compositor britânico ganhador do Oscar por “O brutalista” (2024), intensifica essa sensação, funcionando como contraponto emocional às cenas de ruas, rostos e paisagens. O título remete à sombra das nuvens que pairam sobre Pompeia e Nápoles, metáfora da convivência entre beleza e risco, passado e presente. Vencedor do prêmio especial do Júri no Festival de Veneza de 2025, onde concorreu ao Leão de Ouro, a fita de arte está disponível na plataforma da Mubi.
 

 
Betty Blue
 
E retorna para os cinemas brasileiros neste final de semana um de meus filmes de arte preferidos, que consagrou o falecido cineasta Jean-Jacques Beineix, bem como foi o ponto de partida da carreira dos principais nomes do elenco. O filme está de volta em uma excelente cópia com novo master em 4K pela Pandora Filmes, em edição comemorativa de seus 40 anos. A envolvente trama acompanha Zorg (Jean-Hugues Anglade), um jovem pintor que restaura casas de praia na Riviera Francesa e que pretende ser escritor. Certo dia aparece pelo bairro uma bela moça, de nome Betty (Béatrice Dalle), que desperta a atenção de Zorg. Os dois iniciam um tórrido relacionamento, mas aos poucos o rapaz percebe que Betty é neurótica e violenta. Drama e romance erótico entram com tudo nesse road movie melancólico, de cores quentes vivas, e uma interpretação intensa da atriz Béatrice Dalle, estreante no terceiro filme do diretor Jean-Jacques Beineix (1946-2022), criador do movimento Cinema du Look (“Cinema do Olhar”), ao lado de Leos Carax e Luc Besson. Tal movimento explorava a juventude marginalizada da França das décadas de 80 e 90, por meio de filmes estilizados e de visual elegante. Beineix dirigiu antes, dentro do “Olhar”, “Diva – Paixão perigosa” (1981) e “A lua na sarjeta” (1983), porém “Betty Blue” tornou-se especial no coração dos cinéfilos. Betty entrou para a galeria de personagens marcantes do cinema, uma protagonista de espírito livre, ao mesmo tempo instável e temperamental, que vai enlouquecendo, brigando com quem está ao redor em seus acessos explosivos. Béatrice é uma atriz de estranha beleza, perfeita para o papel dessa jovem irritada quando contrariada, e que depois faria vilãs no cinema francês (dá medo sua interpretação no terror francês “A invasora”, por exemplo). A trilha do libanês Gabriel Yared (vencedor do Oscar por “O paciente inglês”) é inesquecível, com arranjos ecléticos de sax, gaita e música circense, que caem como uma luva nessa fita de arte sensual - na época recebeu classificação 18 anos (há cenas de sexo selvagem, incluindo a abertura de um minuto). Indicado ao Oscar, Bafta e Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, “Betty Blue” foi exibido nos festivais de Toronto e Edimburgo e ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Montreal. A produção e o roteiro são de Beineix, e a obra é uma adaptação do livro de Philippe Djian, escritor de outros livros eróticos que viraram filmes, como “Elle” (com Isabelle Huppert). A versão que volta aos cinemas é a original apresentada em 1986, de 119 minutos – existe uma versão do diretor, de 185 minutos (ou seja, 66 minutos a mais que a de cinema) que saiu no Brasil em DVD em 2004 pela Columbia Pictures, que recomendo caso não conheçam (versões do diretor, com grande duração, valem a pena pois se tornam outro filme, com cenas extras e até novo corte).
 

 
O mago do Kremlin
 
O diretor, produtor e roteirista (e que trabalhou muito tempo como crítico de cinema) Olivier Assayas intercala em seu cinema filmes de arte independentes com dramas históricos com figuras reais ou contextos notórios. “O mago do Kremlin” está na lista de seus filmes de base histórica, assim como “Wasp: Rede de espiões” (2019) e a minissérie “Carlos, o Chacal” (2010) - e todos eles trazem a espionagem como ponto de partida, tema explorado pelo cineasta desde sua estreia na década de 80. Novamente Assayas reúne elenco americano em um filme crítico e de trama altamente complexa, cheia de nomes, lugares e situações. Paul Dano interpreta o protagonista do drama, Vadim Baranov, personagem fictício inspirado no empresário russo Vladislav Surkov, ex-conselheiro de Putin que atuou no gabinete do presidente por mais de 10 anos. O longa escancara os bastidores do poder do governo russo durante os anos 1990 e 2000, período marcado pelo colapso da União Soviética, pelo fim do socialismo e a ascensão de Vladimir Putin. Baranov, antes produtor de TV e homem do teatro, é recrutado para ser o arquiteto da propaganda do Kremlin, moldando a imagem de Putin como o líder ideal que iria recriar o país. Por ser da mídia, ele sabia como mexer os pauzinhos para manipular percepções em escala nacional, utilizando a TV, o rádio e os jornais em prol da propaganda russa. Baranov se torna o ideólogo de Putin, o mago do governo, numa relação primeiramente fiel e subordinada, depois instável entre os dois – Jude Law encarna o presidente russo a partir da metade do filme (já que antes disso Putin não “existia” na história inicial, que foca em Surkov). Law entrega uma interpretação marcada por exageros, mas olhando a fundo são as caretas e trejeitos do próprio Putin, com sorrisinho de lado, biquinhos, olhar compenetrado. O filme é um drama histórico mesclado com thriller político, com diálogos difíceis, que explicam os bastidores sombrios do governo Putin, passando pelas alianças e as crises. É uma fábula moderna sobre disputas pelo poder e pelas narrativas, fazendo uma reflexão da Rússia autoritária de Putin, uma figura temerária que governa o país com mãos de ferro desde 1999. Assayas mistura ficção e documentário, com muitas imagens de arquivo, reportagens da época e vídeos reais, fazendo um trabalho coeso, que vale a pena ver. O elenco reúne também a ganhadora do Oscar Alicia Vikander, Jeffrey Wright e Tom Sturridge. Adaptado do livro do italiano Giuliano da Empoli, o filme teve estreia mundial no Festival de Veneza de 2025 e está em cartaz nos cinemas pela Imagem Filmes.


quinta-feira, 16 de abril de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming - Parte 1

 
Com causa
 
Documentário do cineasta carioca Belisario Franca em mais uma parceria com o diretor Pedro Nóbrega, desta vez sobre ativismo ambiental, e não mais tratando de figuras ou cenas políticas como costumam fazer. Aqui eles fazem uma colcha de retalhos com depoimentos de ativistas do mundo todo em torno de seus projetos, visando a construção de um mundo menos violento, que cuide do meio ambiente para as futuras gerações. Com imagens belas e nítidas das águas, das florestas e do solo, seguindo da Amazônia à África e passando pela Europa e Ásia, o filme é um apelo para o despertar da conscientização humana, trazendo depoimentos de figuras notórias do ativismo mundial, como Ailton Krenak, Paul Watson, Carmen Silva e Muzoon Almellehan. Um filme para ver, sentir e refletir, tanto contemplativo quanto de crítica social. Produzido pela Giros Filmes, teve exibição no Festival do Rio e na Mostra de Cinema de SP, e está em exibição nos principais cinemas brasileiros desde semana passada. Distribuição da Bretz Filmes.


 
Vidas entrelaçadas
 
Angelina Jolie é a estrela do novo filme da cineasta francesa Alice Winocour, de ‘Transtorno’ (2015) e ‘A jornada’ (2019), que estreou no Festival do Rio – eu o assisti lá, ainda com o título original, “Couture” (termo que significa ‘Alta costura’). Angelina está lindíssima e bem fotografada, interpretando o papel de uma diretora de cinema que viaja a Paris para filmar a temporada do Fashion Week. Enquanto prepara o estúdio e as modelos, aguarda ansiosamente os resultados de um exame médico que fez nos Estados Unidos (de câncer). Os fragmentos da trajetória dessa mulher se entrelaçam com os de outras duas personagens femininas: uma modelo sul-sudanesa de 18 anos (Anyier Anei), que está no mesmo evento, em seu primeiro trabalho na passarela, e uma maquiadora (Ella Rumpf) que trabalha sem descanso. Cada uma a seu modo enfrenta os incansáveis dias da Semana de Moda ao mesmo tempo em que lidam com questões íntimas. Um bonito e correto filme sobre o universo feminino no mundo da moda, energicamente interpretado pelo trio central de atrizes. No elenco vemos ainda Vincent Lindon como um médico e Louis Garrel como o par romântico de Angelina. Selecionado para a competição do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián 2025, foi exibido nos festivais de Toronto e Roma. Estreia hoje em oito cidades brasileiras, como SP, RJ, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba, com distribuição da Synapse.
 


Família de aluguel
 
Dirigido pela cineasta japonesa Mitsuyo Miyazaki, que assina apenas como Hikari, o emocionante “family film” é ambientado na Tóquio atual e traz um papel luminoso de Brendan Fraser como Phillip Vanderploeg, um ator americano em solo japonês que enfrenta uma crise profissional e tenta reencontrar-se após anos de carreira estagnada. A idade também pesa sobre ele. Descobre, por acaso, uma agência japonesa especializada em “famílias de aluguel”, que contrata intérpretes para desempenhar papéis de parentes, parceiros amorosos ou amigos em situações cotidianas. É uma agência inovadora, e ele, ator, por ter encarnado muitos papéis em sua vida, decide arrumar um emprego lá. Após assinar o contrato, o solitário Phillip passa diariamente a assumir diversas identidades na vida de desconhecidos, como marido, irmão e pai, tornando-se companheiro conforme a necessidade do cliente. O que ele não imaginaria era ser pego numa armadilha do coração: em um dos papéis sociais que assume, como o pai de uma garota rebelde chamada Mia (Shannon Mahina Gorman) que retorna ao seio familiar, ele se verá preso numa relação impossível de ser distanciada ou desvinculada. Phillip encontrará em Mia vínculos genuínos que o ajudarão a redescobrir o valor do afeto e da conexão humana. O roteiro foge do melodrama fácil, mas usa e abusa de cenas que nos aflora a emoção, em uma narrativa intimista que discute a solidão e a necessidade de afeto em um mundo fragmentado por relações vazias (ou líquidas, segundo o filósofo Zygmunt Bauman). Fraser, hoje com 57 anos, voltou a carreira com tudo após uma década e meia entregue ao relento – foi astro nos anos 90 (mas apenas um rosto bonito em fitas abobalhadas de comédia), teve depressão, sofreu assédio sexual na indústria de Hollywood e se afastou das telas; até entrar de cabeça num dos papeis mais incríveis do cinema e ganhar o Oscar por ele, em “A baleia” (2022). Esteve em seguida em “Assassino da Lua das Flores” (2023), de Martin Scorsese, e agora nesse filme adorável e sentimental de Hikari, demonstrando vitalidade e recuperação do tempo perdido. A estreante Shannon Mahina Gorman, de 10 anos, é outro destaque, e pelo papel recebeu indicação ao Critics Choice de 2026. O elenco japonês conta com mais de 25 nomes, como Mari Yamamoto, das séries “Pachinko” (2022-2024) e “Monarch: Legado de monstros” (2023-), e Takehiro Hira, indicado ao Emmy e ao Critics Choice de ator coadjuvante pela série “Xógum: A gloriosa saga do Japão” (2024-2026), o que reforça a autenticidade cultural da trama. Exibido nos festivais de Toronto, Zurique, Tóquio e Rio de Janeiro, é escrito, produzido e dirigido por Hikari (ela dirigiu o lindo drama “37 segundos”, de 2019, e é uma das criadoras e produtoras da série da Netflix “Treta”). O filme passou nos cinemas brasileiros em janeiro de 2026, e estreia agora no streaming Disney+.

Especial de cinema

  Começa hoje o “2º Festival de Cinema Europeu Imovision”   Entre os dias 23 e 29 de abril, a distribuidora de cinema Imovision realiza a 2ª...