domingo, 5 de abril de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 2


Cheiro de diesel
 
Dirigido pela dupla de cineastas Natasha Neri e Gizele Martins, o documentário expõe os efeitos da militarização das favelas do Rio de Janeiro durante os decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) nos governos Dilma e Temer, entre os anos de 2014 e 2018. Foram dezenas de operações militares com o pretexto de controlar a segurança pública, que levou quase três mil homens das Forças Armadas para 15 regiões do Complexo da Maré e de outras comunidades. O que se viu naquele período foram um incontável número de mortos, invasões de domicílio de madrugada, invasão em escolas e postos de saúde, balas perdidas atingindo pessoas – algumas ficaram paraplégicas, abuso de poder, tortura (como a apelidada “sala vermelha” em um quartel na Penha) e significativa violação dos direitos humanos. Com uma câmera flagrante nas mãos, as cineastas registraram muitos desses momentos, e hoje juntam no filme depoimentos atuais de quem sobreviveu e quem perdeu entes próximos. Vencedor de dois prêmios no Festival do Rio no ano passado, o filme dá voz aos moradores da Maré, da Penha e do Morro do Salgueiro, que relembram a rotina de medo, as revistas constantes e a presença diária de tanques, barricadas e soldados armados em suas ruas. Além de registro histórico dos fatos (feitos com dificuldade pela jornalista moradora da Maré Gizele Martins, ou seja, por alguém que correu risco naquele “front de batalha”), o longa revela os traumas coletivos e a sensação de que a vida cotidiana foi sequestrada pela lógica de uma guerra indissolúvel. Um retrato urgente sobre como o Estado brasileiro, em nome da ordem, perpetua a exclusão e a violência contra cidadãos vulnerabilizados. Produção da Amana Cine e Baracoa Filmes, com coprodução do Canal Brasil, continua em exibição em alguns cinemas com distribuição da Descoloniza Filmes em parceria com a RioFilme, órgão que integra a Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio.


 
Arquitetura da Destruição
 
Exibido no Festival de Berlim, o documentário é o maior filme do cineasta Peter Cohen e um dos mais contundentes sobre o nazismo. Realizado em 1989, é dividido em partes: da fundação do partido nazista nos anos 30, passando pela ascensão ao poder de Hitler e a dimensão estética e cultural que sustentou sua ideologia. Hitler, que sonhava em ser arquiteto e desenhava nas horas vagas esboços de prédios modernos, conseguiu colocar parte de seus planos em prática, no tocante ao que diz o título do filme, a arquitetura. Demoliu prédios antigos para fundar uma nova ordem nas artes, que pretendia ser universal, revivendo o Belo Clássico e eliminando tudo aquilo que para ele não prestava, o que chamava de “arte degenerada” (especialmente aquelas de crítica social e as relacionadas à estética moderna e a do Feio). A megalomania de Hitler extravasava o campo da arquitetura: consolidou a eugenia (limpeza étnica ao eliminar os judeus), criou laboratórios com experimentos humanos (para alcançar a raça perfeita, a ariana), buscando moldar o mundo inteiro segundo um ideal absoluto. Na ocupação nazista de países vizinhos, tentou levar para lá essa nova inspiração. Cada detalhe das marchas e dos discursos em público era cuidadosamente coreografado, com uma rica direção de arte, conduzindo a massa à histeria coletiva. O nazismo, em sua essência, pretendia “embelezar” o mundo, ainda que, para isso, fosse necessário destruí-lo primeiro. Tudo passava pelas mãos de Hitler, inclusive as insígnias nazistas, como a suástica e a águia, foram desenhadas por ele. O documentário, em muitos momentos forte e indigesto, revela como a estética nazista se entrelaçou com o projeto de poder que atingiu o ápice com o genocídio judeu – há cenas delirantes de como a arquitetura chegou aos campos de concentração, nas câmaras de gás em que centenas de pessoas eram eliminadas por hora com o gás Zyklon-B, tido como uma forma mais “limpa” de morte, já que no início do Holocausto os primeiros judeus morriam fuzilados. A epifania de Hitler ao assistir à ópera Rienzi, de Richard Wagner, é apresentada como ponto de partida para sua visão grandiosa - ele tornou-se fã inveterado de Wagner, homenageando-o em todos os cantos na Alemanha Nazista. Cohen constrói uma narrativa dolorosa e também reflexiva, mostrando como a estética se converteu em arma política e cultural, legitimando a violência em escala inédita no mundo. É um estudo perturbador sobre a beleza usada como máscara para a barbárie, e de como a arte pôde ser instrumentalizada para sustentar um projeto de morte. Narrado por Bruno Ganz, o filme foi premiado na Mostra Internacional de Cinema de SP na época do lançamento, e agora está disponível de forma gratuita na plataforma Sesc Digital, até o dia 05/04/2026, em https://sesc.digital/home, na versão restaurada recentemente em 4K, pela Cinemateca Sueca (país onde o documentário foi produzido).
 

 
Lupicínio Rodrigues – Confissões de um sofredor
 
Documentário de 2024 que analisa vida e obra do compositor gaúcho de Porto Alegre Lupicínio Rodrigues (1914–1974), nome de grande importância para a Música Popular Brasileira. Nascido em uma favela na Ilhota, foi o criador do chamado “samba-canção de dor-de-cotovelo”, gênero marcado pela melancolia, boemia, lirismo e pela confissão íntima de amores frustrados. Composições como “Vingança”, “Loucura”, “Felicidade”, “Volta”, “Quando eu for vem velhinho”, “Esses moços” e “Nervos de aço” tornaram-se clássicos imediatos, que revelavam um artista que transformou sofrimento pessoal em arte – quase todas essas canções são analisadas o documentário por especialistas em músicas, além de entrevistas antigas em que Lupicínio as comenta. O filme apresenta Lupicínio tanto como compositor de marchinhas de carnaval no início da carreira e sambas inesquecíveis quanto cronista das emoções humanas. Também foi ele quem compôs o hino oficial do Grêmio Porto-alegrense, ou seja, ia de um lado a outro, cruzando as diversas vertentes da música. A trajetória dele é narrada por meio de depoimentos de pessoas que o conheceram, como Elza Soares, Gilberto Gil, Jamelão, Jards Macal é e Zuza Homem de Mello, além de entrevistas dos anos 60 do próprio compositor, imagens de shows de cantores e cantoras que o interpretaram no palco, como Chico Buarque, Linda Batista e Gal Costa, e familiares (gravadas no tempo atual, entre 2023 e 2024). O documentário destaca a autenticidade de sua obra: Lupicínio escrevia sobre o que vivia, sem máscaras, expondo suas fragilidades e paixões. A honestidade é justamente o que lhe conferiu grandeza e o tornou um ícone da música brasileira. Com narração de Paulo César Pereio, o filme foi exibido no Festival In-Edit e na Mostra Internacional de Cinema de SP. Curiosidade retratada no filme: a canção “Se acaso você chegasse” integrou a trilha sonora do musical hollywoodiano “Dançarina loura” (1944) e recebeu indicação ao Oscar, no entanto ele nem sequer ficou sabendo, pois não botaram os créditos para ele. Está disponível gratuitamente na plataforma Sesc Digital, até o dia 10/04/2026, em https://sesc.digital/home

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming - Parte 1


Um Zé Ninguém contra Putin
 
Vencedor do Oscar e do Bafta de melhor documentário nesse ano, e ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Sundance, onde teve a premiére mundial em 2025, o poderoso filme político de David Borenstein e Pavel Talankin acaba de ser lançado no Brasil exclusivamente no streaming Filmelier+. E ele sai em um momento crítico: há uma semana o Ministério da Rússia anunciou que o diretor Pavel Talankin foi incluído na lista de “agentes estrangeiros”, o que significa ser um dissidente do regime russo de Putin (lembrando que atualmente na Rússia de Putin os dissidentes costumam ser presos, assassinados ou exilados). É um filme crítico aos desmandos da Rússia atual, mostrando como o patriotismo exacerbado manipula os cidadãos condicionando seu pensamento para a guerra desde a infância. O longa acompanha Pasha, professor do ensino primário em uma cidade rural do interior da Rússia, que decide gravar clandestinamente a transformação de sua escola após a invasão da Ucrânia, em 2022. A escola, lugar de aprendizado, respeito e acolhimento, passa a ser dominado pela propaganda estatal, forçada pelo regime: grupos infantis militarizados surgem, o nacionalismo é exaltado pelos hinos patrióticos em rituais permanentes, e adolescentes são incentivados a se engajar na guerra (segundo eles, contra um país vizinho que os quer derrotados). Pasha entra em crise ao se dividir entre seguir com a educação que sempre sonhou ou ceder às pressões do regime russo. Com sua câmera escondida, Pasha documenta o cotidiano naquela instituição de ensino; as imagens revelam como a repressão se infiltra nas salas de aula, corroendo direitos e liberdades. O resultado é um retrato pungente da Rússia contemporânea, comandada por um déspota, em que coloca a educação como instrumento de doutrinação. Um filmaço para ser visto, discutido e indicado. Está no Filmelier+, com distribuição da Synapse Distribution, que integra o grupo Sofa DGTL – curiosamente, é o terceiro lançamento da distribuidora no Brasil de filmes ganhadores do Oscar de melhor documentário – antes vieram “20 dias em Mariupol” (2023) e “Sem chão” (2024), todos eles retratando guerras.
 

 
13 dias, 13 noites
 
Thriller político franco-belga que faz uma varredura no caos que virou o Afeganistão com queda de Cabul em agosto de 2021, quando integrantes do movimento fundamentalista islâmico Talibã retornaram ao poder, logo após a saída das tropas americanas do território. Milhares de afegãos buscaram sair do país, tendo a Embaixada da França como um ponto de apoio. A história do tenso filme recorta esse período, acompanhando a exaustiva missão do comandante Mohamed Bida, responsável pela segurança da Embaixada da França e sua equipe: eles ficaram encarregados de proteger 500 refugiados e conduzi-los até o aeroporto durante o avanço das tropas talibãs, que atiravam para matar, gerando caos e medo no país. Escrito e dirigido por Martin Bourboulon, da duologia “Os três mosqueteiros: D'Artagnan” (2023) e “Os três mosqueteiros: Milady” (2023), o longa transforma em cinema de ação e guerra o relato do comandante Mohamed Bida – é baseado no livro homônomo de, chamado “13 days, 13 nights in the hell of Kabul”. O filme constrói uma atmosfera sufocante, com uma fotografia de calor e cansaço pelos tons fortes de amarelo e laranja. O ator Roschdy Zem, de “Eu, que te amei” (2025), encarna o protagonista à beira do colapso, sustentando o peso dramático da trama. As atrizes Lyna Khoudri, de “A crônica francesa” (2021), e Sidse Babett Knudsen, de “Filhos” (2024), reforçam o elenco internacional, proporcionando camadas de humanidade às personagens. Um ótimo filme de corrida contra o tempo e sobrevivência, que se passa na cidade devastada de Cabul após duas décadas de invasão dos Estados Unidos (2001-2021), em que se faz um registro preciso da grave crise humanitária que eclodia naquele país do Oriente Médio. Exibido no Festival de Cannes e indicado ao César de melhor montagem, o longa não é apenas um relato de guerra, mas um testemunho sobre resistência e solidariedade em meio ao desespero de uma população abandonada à própria sorte. Segue desde semana passada nos cinemas, com distribuição da California Filmes.
 

 
Eles vão te matar
 
Conhecido por um cinema de ação explosivo com violência gráfica estilizada e humor macabro, o diretor russo Kirill Sokolov se lança no primeiro trabalho feito nos Estados Unidos. Na verdade, é um remake de seu primeiro longa, “Morra!” (2018), com novos personagens – ele o fez na Rússia, na flor da idade, aos 26 anos. Em ambos os filmes uma personagem chega em um apartamento e lá e confrontada com um bando de criminosos que querem sua cabeça. “Eles vão te matar” se passa em um arranha-céu de Nova York, onde Asia Reaves (Zazie Beetz) aceita o emprego de faxineira/zeladora. No primeiro dia de trabalho, descobre que o prédio abriga um grupo satanista, de pessoas vestidas com capuzes pretos e carregando insígnias macabras. Ela terá de usar todas as forças para sobreviver de armadilhas mortais – o que ninguém desconfia é que Asia tem habilidades de artes marciais. Um filme de ação ininterrupta, com pancadaria, giros no ar, sangue para todo lado, em uma história de luta pela sobrevivência que mais parece um pesadelo urbano. Na metade do filme o pior acontece: a personagem descobre que as dezenas de pessoas que a perseguem não morrem nunca; mesmo sem membros ou com tiros, elas retornam, amaldiçoadas pelos preceitos da seita satânica. A câmera é inquieta, os cortes são rápidos, as lutas, absurdas, e as cenas são grotescas, em um trabalho peculiar, cuja atmosfera angustiante pulsa na tela. Um filme em que você deve deixar-se levar. Atriz da série “Atlanta”, Zazie Beetz manda bem como a protagonista, e a ganhadora do Oscar Patricia Arquette dá vida à vilã, a dona do hotel que lidera o clã maligno. Segue nos cinemas pela Warner Bros - a classificação indicativa é de 18 anos.
 

 
It’s never over, Jeff Buckley
 
Exibido no Festival de Sundance e no CPH:DOX, o documentário, após ser exibido na edição passada da Mostra de Cinema de São Paulo, estreia agora no catálogo do Prime Video. A documentarista Amy Berg, cujo primeiro longa foi indicado ao Oscar, o doc “Livrai-nos do mal” (2007), e que anos atrás fez o ótimo documentário sobre Janis Joplin, “Janis: Little girl blue” (2015), retorna ao mundo da música para narrar a trajetória curta, mas de amplo destaque na época, do cantor e compositor Jeff Buckley (1966-1997). Considerado um novo Bob Dylan, o jovem era filho do cantor folk Tim Buckley (falecido quando Jeff tinha 10 anos) e cresceu cercado pela música. Só que ele traçou um caminho alternativo do pai, com uma identidade própria. O talento vocal, que alternava do sussurro delicado a afinações arrebatadoras, tornou-se a marca registrada de Jeff. Ele não se encaixava nos padrões da época, aliás, os contestava ao misturar rock, soul, folk e elementos da música clássica. O íntimo documentário reconstrói, com imagens de shows, e fotos inéditas de arquivo da família de Jeff, a breve e intensa carreira dele, que culminaram no álbum “Grace”, lançado em 1994. Ele só lançou este disco de estúdio, além de dois ao vivo e um póstumo (que seria lançado em 1998, “Sketches for my sweetheart the drunk”). No doc falam sobre Jeff a mãe, Mary Guibert, as ex-companheiras Rebecca Moore e Joan Wasser, músicos da banda como Michael Tighe e Parker Kindred, além de artistas consagrados como Ben Harper e Aimee Mann. A morte precoce do cantor, afogado no rio Wolf, no Mississipi, aos 30 anos, interrompeu uma carreira promissora, que eixou um vazio profundo entre os fãs e a crítica especializada, que viam nele uma das vozes mais promissoras da geração anos 90. O documentário tem um apelo íntimo, com cenas emocionantes; é bem amarrado e traz muitas músicas de Jeff, como “Grace”, “Vancouver” e a regravação de “Hallelujah” (de Leonard Cohen). Gostei muito e recomendo.


sexta-feira, 3 de abril de 2026

Resenhas especiais

 
Coleção “Terror no pântano”
 
A Obras-primas do Cinema acaba de lançar em DVD a quadrilogia “Terror no pântano”, com os quatro filmes de horror da franquia com o perverso assassino desfigurado Victor Crowley, realizados entre 2006 e 2017. No box, em disco duplo, vem quatro cards colecionáveis e mais de 1h de extras, como making of, entrevistas com elenco e diretor. Confira abaixo textos meus sobre os filmes:
 

 
Terror no pântano
 
Grupo de turistas viaja em uma pequena embarcação para conhecer os pântanos da Louisiana. Lá são assombrados pela lenda de Victor Crowley, um homem do campo que há muitas décadas atrás foi assassinado pelo próprio pai com golpes de machado. A história não é apenas uma lenda: Crowley reaparece, desfigurado, com sede de vingança, e passa a matar cruelmente quem cruza seu território.
 
Primeiro filme da quadrilogia “Terror no pântano”, criada por Adam Green, uma fita de baixo orçamento que virou cult entre os fãs de slasher (o terror sangrento que dominou o cinema nos anos 80). Tem óbvia semelhança com “Sexta-feira 13”, tanto a história (de jovens atacados numa região tomada pelas águas) quanto as características do cruel assassino (em “Sexta-feira 13” Jason matava as vítimas à beira do Lago Cristal, possuía sérias deformações no rosto, como se fosse um monstro, e era tão brutal quanto Victor Corwley). Tanto Jason quanto Victor surgem de uma lenda local, personagens abusados pelos pais e assassinados por eles, e que se transformam em um pesadelo real, já que não estão mortos, como muitos acreditam. Como é de se esperar, as mortes são violentas, com decepações, há sangue jorrando (gore) e vários jumpscares.


O diretor não utilizou computação gráfica, e tudo é com bonecos, próteses, sangue falso – ele se se inspirou também em clássicos como “Tubarão” e “Halloween – A noite do terror”. Não há epílogo em nenhum dos filmes, que termina com corte abrupto – ao assistir aos três primeiros em sequência, perceberão que a trama é uma só, desenvolvendo-se em questão de poucas horas uma da outra. Filmada na região de Louisiana antes do furacão Katrina, os pântanos reais são atmosfera claustrofóbica perfeita para o tipo de filme, e o ritmo acelerado das mortes reforçam o caráter de “parque de diversões sangrento” que o diretor almejava. O elenco conta com Joel David Moore (de “Avatar”), Parry Shen (que aparece nos outros três filmes da série, em papéis diferentes) e Kane Hodder (que é o Victor Crowley em toda a quadrilogia, famoso por interpretar Jason nos últimos títulos da franquia original de “Sexta-feira 13”, entre o fim dos anos 80 e início dos 90). Há rápidas participações de atores que interpretaram monstros consagrados do cinema, como Robert Englund (o Freddy Krueger de “A hora do pesadelo”) e Tony Todd (o vilão de “O mistério de Candyman”), além de Joshua Leonard (protagonista de “A bruxa de Blair”) e do veterano ator que coadjuvou importantes filmes policiais do cinema Richard Riehle. Meio que uma paródia que homenageia o cinema slasher, conta com humor macabro e cenas fortes de violência – por isso, prepare-se. Em boa cópia em DVD pela Obras-primas do Cinema, o filme é apresentado na versão do diretor, de 84 minutos.
 
Terror no pântano (Hatchet). EUA, 2006, 84 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por Adam Green. Distribuição: Obras-primas do Cinema
 
 
Terror no pântano 2
 
Única sobrevivente da chacina ocorrida nos pântanos da Louisiana pelo perverso assassino Victor Crowley, Marybeth (Danielle Harris) escapa do lugar e pede ajuda a caçadores para se vingar da morte dos amigos e familiares que estavam na viagem de barco naquele território.
 
O diretor Adam Green retorna com mais violência gráfica e um tom deliberadamente exagerado nesta sequência de “Terror no pântano”, feita quatro anos antes, que continua exatamente na noite em que a matança de Victor Crowley ocorreu. A única sobrevivente da chacina se junta a um grupo de caçadores do mato para se vingar do assassino desfigurado. Mortes violentas, sangue pesado e perseguições tornam o filme um prato cheio para quem curte slasher movie. Com baixíssimo orçamento (assim como os outros da cinessérie), o filme conta com uma história horripilante, de pesadelo interminável, que traz elementos também do humor macabro.


A novidade é que se recria a mitologia do monstro, revelando detalhes sobre sua origem trágica e reforçando sua condição de assassino imortal, condenado a repetir sua fúria. As referências a “Sexta-feira 13” são mais evidentes, bem como a “Halloween” e outros slashers. O elenco inclui o retorno de Tony Todd e Kane Hodder (como Crowley), Parry Shen em novo papel, participação da esposa do diretor, Rileah Vanderbilt, e aparição rápida do diretor e roteirista Tom Holland (dos cultuados “A hora do espanto” e “Brinquedo assassino”). E optaram em trocar as atrizes que interpretam a personagem Marybeth, antes feita por Tamara Feldman e agora com Danielle Harris (conhecida pelo papel da menina Jamie Lloyd, perseguida por Michael Myers em “Halloween 4 e 5”).
 
Terror no pântano 2 (Hatchet II). EUA, 2010, 85 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por Adam Green. Distribuição: Obras-primas do Cinema
 
 
Terror no pântano 3
 
Uma equipe policial é chamada para rastrear uma carnificina nos pântanos da Louisiana, enquanto Marybeth (Danielle Harris), sobrevivente dos crimes de Victor Crowley, volta a ser perseguida pelo monstro assassino.
 
O terceiro capítulo da franquia de terror independente “Terror no pântano” mantém o tom de continuidade direta, começando exatamente após os eventos sangrentos do segundo longa-metragem. Marybeth, interpretada de novo por Danielle Harris, busca uma forma de acabar com a maldição de Victor Crowley (já que ele não morre nunca), enquanto policiais e militares invadem o pântano em uma tentativa desesperada de eliminar o monstro. Crowley reaparece ainda mais voraz por sangue, desmembrando e trucidando quem aparecer na frente – é um dos mais violentos da cinessérie, com mortes escabrosas. Neste capítulo que expande o universo da franquia sem deixar de homenagear o cinema slasher, as influências vão além de “Sexta-feira 13”, chegando perto de “Aliens” e “O predador”, já que há uma atmosfera de guerra contra uma criatura imortal.


O elenco traz novamente Kane Hodder como Crowley, e participação de três nomes do cinema de terror dos anos 80 e 90, Zach Galligan, de “Gremlins”, Caroline Williams, de “O massacre da serra elétrica 2”, e Sean Whalen, de “As criaturas atrás das paredes”. É o único filme em que o criador da franquia, Adam Green, não dirige; ele apenas fez o roteiro, deixando a direção a BJ McDonnell, que segue os mesmos passos do amigo/mentor.
 
Terror no pântano 3 (Hatchet III). EUA, 2013, 81 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por BJ McDonnell. Distribuição: Obras-primas do Cinema
 
 
Terror no pântano 4
 
Quase 10 anos depois do massacre nos pântanos da Louisiana pelo temido assassino Victor Crowley, Andrew (Parry Shen), um sobrevivente da chacina, volta para o local onde tudo começou. Ele acredita que Crowley está mesmo morto, mas acabará cruelmente perseguido pelo monstro sanguinário.
 

No quarto e último filme da franquia de horror independente “Terror no pântano”, vemos o retorno na direção do criador da cinessérie, Adam Green, que fez aqui algo como uma reinvenção do assassino e do próprio universo de Victor Crowley. Ambientado 10 anos após o massacre nos pântanos da Louisiana, a trama acompanha um grupo de pessoas preso em um avião que cai no território onde o assassino existiu. Crowley ressurge literalmente das cinzas, com fúria mortal, disposto a eliminar qualquer humano que cruzar seu caminho. Kane Hodder retorna mais uma vez como Crowley, consolidando sua imagem definitiva como o monstro da série. O elenco traz também Parry Shen, que fez todos os filmes da franquia, além de Tyler Mane, Dave Sheridan, Tiffany Shepis e Laura Ortiz. Como de hábito, em todos os longas, Adam Green escalou nomes do cinema de horror dos anos 80, como forma de lembrá-los, e nesse capítulo final quem aparece é Felissa Rose, figura icônica do cinema de horror, a Angela de um dos maiores slashers já feitos, “Acampamento sinistro” (1983). Green termina sua quadrilogia com uma mistura de humor ácido e violência gráfica gritante, com direito a mortes incalculáveis.
 
Terror no pântano 4 (Victor Crowley). EUA, 2017, 83 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por Adam Green. Distribuição: Obras-primas do Cinema

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Resenhas especiais

 
Novos filmes em DVD pela Obras-primas do Cinema
 

Afire

* Reedição
 
Quatro pessoas, dentre eles velhos amigos, reúnem-se em uma casa de veraneio no mar Báltico. Os dias são quentes, e as conversas entre eles são um misto de memórias e descobertas. Até que um terrível incêndio florestal nas proximidades coloca todos em risco.
 
O diretor alemão Christian Petzold deixa de lado seus filmes complexos de drama de guerra com ar de ficção científica e se volta para um drama com humor e romance. É um filme diferente do que estamos acostumados a ver dele – é o diretor de ‘Phoenix’ (2014) e ‘Em trânsito’ (2018). A história é em torno de alguns dias na vida de um jovem escritor (papel do austríaco Thomas Schubert, de “O impostor”, num bom desempenho) que vai com um amigo para uma casa de férias no mar Báltico. Lá tentará terminar seu novo livro, enquanto aguarda a chegada do editor. Ele conhecerá uma mulher hospedada no quarto ao lado que mudará sua vida. Os dias são quentes, ele está preocupado com o livro, até que um incêndio de grandes proporções atinge florestas de região, deixando-os isolados e sem comunicação. É um filme de estudo de personagem, com boa fotografia e muito sentimento autoral na trama (talvez o filme mais fácil de compreender de Petzold, que tem no currículo obras complexas). No elenco temos a atriz alemã Paula Beer, que trabalhou com Petzold no longa anterior dele, ‘Undine’ (2020). Venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, foi indicado ao prêmio de melhor filme em San Sebastián e teve a estreia no Brasil na Mostra Internacional de Cinema de SP de 2023 (onde vi pela primeira vez). Saiu recentemente em DVD pela Obras-primas do Cinema em parceria com a Imovision, em um disco contendo dois extras (trailer e galeria de fotos), embalado em luva e ainda com dois cards com os pôsteres do filme.
 
Afire (Roter Himmel). Alemanha, 2023, 102 minutos. Drama/Romance. Colorido. Dirigido por Christian Petzold. Distribuição: Obras-primas do Cinema e Imovision (em DVD)
 
* Reedição - Texto publicado em 28/10/2023

 
Buffy, a caça-vampiros
 
Universitários de uma renomada escola aparecem mortos misteriosamente. A polícia descobre que há mordidas no pescoço deles, como se fossem dentes de vampiro. Desconfiada de que a escola abrigue um antro de criaturas vampirescas, a estudante Buffy (Kristy Swanson), que é líder de torcida, encabeça um grupo de jovens para investigar o caso.
 
Irreverente, com referências ao mundo pop e ao cinema oitentista de vampiro, a comédia de terror tornou-se cult, antes mesmo de ser exibida inúmeras vezes na TV aberta no fim da década de 90. O filme teenager veio na onda de fitas de terror vampírico daquela saudosa época, como “A hora do espanto” e “Os garotos perdidos”, mas aqui com mais dose de humor e deboche. A história acompanha Buffy Summers, uma líder de torcida empenhada em desmantelar um clã de vampiros na escola onde estuda – papel de Kristy Swanson, descoberta por John Hughes em “Curtindo a vida adoidado” (1986), atriz que se tornou popular em filmes norte-americanos dos anos 80. Ela lidera o grupo de amigos no combate às criaturas ao descobrir que é herdeira de uma linhagem de exterminadores de vampiros, uma espécie de neta de Van Helsing. Quem faz o chamado para ela seguir com a caçada aos vampiros é o misterioso mentor Merrick (Donald Sutherland). As criaturas da noite estão à solta a mando do sinistro Lothos (Rutger Hauer), determinado a acabar com os humanos. O tom do filme é leve, com cenas contidas de violência, seguindo um lado mais satírico, que brinca com os clichês do gênero. A estética é marcadamente anos 90, com diálogos e figurinos que reforçam o caráter juvenil da obra. Exatamente por isso houve atrito na produção envolvendo o roteirista, Joss Whedon, que retirou o nome dos créditos, por divergir com os produtores e a direção quanto a manter sua ideia original – até o elenco entrou em crise, por pouco o filme foi engavetado e a diretora não fez mais nada (Fran Rubel Kuzui). Tanto que cinco anos depois Whedon produziu e dirigiu a série que ficou mais conhecida que o longa, “Buffy: A caça-vampiros” (1997-2004), protagonizada desta vez por Sarah Michelle Gellar. Whedon, que vinha da TV, dirigiu depois “Serenity: A luta pelo amanhã” (2005) e os dois primeiros longas da franquia “Os Vingadores” (2012 e 2015). Não vi a série, apenas conheço trechos de episódios, e os fãs dizem ser melhor que o filme. No elenco há gente premiada, como Paul Reubens, como um vampiro escrachadão, e a indicada ao Oscar Candy Clark (como a mãe de Buffy), além de artistas em início de carreira, como David Arquette, Hilary Swank, Thomas Jane e Luke Perry. O filme acaba de sair em DVD pela Obras-primas do Cinema, em ótima cópia, com três extras (trailer, spots de TV e vídeo promocional).
 
Buffy, a caça-vampiros (Buffy the vampire slayer). EUA, 1992, 85 minutos. Comédia/Terror. Colorido. Dirigido por Fran Rubel Kuzui. Distribuição: Obras-primas do Cinema (em DVD)

terça-feira, 31 de março de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming

 
A noiva!
 
O filme mais original (e radical) do ano, também o que mais dividiu o público, continua em cartaz nos cinemas, infelizmente registrando pouca bilheteria: dos US$ 80 milhões de orçamento, faturou no mundo, até agora, em três semanas de estreia, US$ 23 mi. Isto demonstra que é forte candidato a se tornar cult (até pela história que mistura temas e gêneros). Em seu terceiro trabalho como diretora e roteirista, a atriz indicada ao Oscar Maggie Gyllenhaal, irmã de Jake Gyllenhaal, realiza uma obra ousada, complexa e multifacetada, aproveitando a ideia central de “Frankenstein”, de Mary Shelley, publicado em 1818, e do filme “A noiva de Frankenstein” (1935). Com as duas ideias centrais nas mãos, ela mistura, pelos meus cálculos, sete gêneros: drama, terror, ficção científica, romance, musical, comédia e ação, criando uma experiência cinematográfica tão inusitada quanto provocadora. Maggie transfere o teor gótica britânica de Frankenstein original para a Chicago da década de 30, durante a Lei Seca, na era dos gângsteres. Em meio ao submundo dos bares clandestinos, uma mulher culta, feminista e com ideias visionárias, Ida (Jessie Buckley), envolve-se em uma briga; ela é empurrada da escada por um grupo de homens e morre. Dias depois, Frank (Christian Bale), uma criatura monstruosa que andarilha pela sociedade como um humano qualquer, procura uma cientista, Dra. Euphronious (Annette Bening), para ajudá-lo a encontrar uma companheira perfeita, para liquidar com sua solidão. Depois de muito pensar, aceita a missão: juntos retiram Ida da cova, no cemitério, e a levam para o laboratório. Ressuscitam a mulher, que se transforma aparentemente na noiva ideal. No entanto, ela não aceita o destino que lhe foi imposto e inicia uma jornada de libertação, questionando tanto sua condição de criatura quanto as amarras sociais que a cercam. Frank e Ida encaram um romance alucinante, envolvem-se em crimes e passam parte do tempo fugindo da polícia. Jessie é um show de cena, recém-ganhadora do Oscar por “Hamnet: A vida antes de Hamlet” (2025), e Bale também, num filme autoral que homenageia o cinema gângster e o cinema musical – há vários momentos com musicais clássicos, já que Frank adora ver filmes desse gênero no cinema, interpretados pelo seu astro favorito, Ronnie Reed (papel de Jake Gyllenhaal). Há uma combinação de gêneros difíceis de serem colocados juntos, por isso o risco e a divisão do público em seguir a estrondosa trama. Eu gostei do caos ali apresentado, um filme que bebe na fonte dos clássicos de terror da Universal de James Whale “Frankenstein” e “A noiva de Frankenstein”, com ecos de “Metrópolis” e também, pasmem, “Bonnie & Clyde – Uma rajada de balas” – em determinado momento a dupla monstruosa cometem crimes pelas estradas, como os dois bandidos reais do filme citado. O terror e a ficção científica proporcionam o tom sombrio da narrativa, enquanto o drama expõe as tensões de gênero e poder, e o musical surge como alívio e humor. Um viés existencial aparece quando a criadora de Frankenstein, Mary Shelley, pulsa no coração de Ida, evocando falas poéticas e posicionamento feminista, de emancipação da mulher (Jessie Buckley interpreta também essa Mary Shelley, em cenas preto-e-branco em ângulos diferentes, de cima para baixo, de lado etc). Essa geleia geral cria um ritmo frenético, ora violento, ora de poesia, que traduz em música e movimento o desejo de emancipação de uma protagonista brutalmente podada pela sociedade. Annette Bening também joga bem, e há participações de Jeannie Berlin como Greta, assistente da cientista, Zlatko Buric, como o chefe dos mafiosos, parecido com Al Capone, além de Penélope Cruz e Peter Sarsgaard como uma dupla de investigadores. “A noiva!” não é apenas uma releitura da companheira do Prometeu moderno, mas um manifesto sobre identidade e autonomia feminina, e que certamente não deixará o espectador indiferente. Nos cinemas pela Warner Bros.
 


 
Ditto: Conexões do amor
 
Mais um lançamento da Sato Company, distribuidora especializada em filmes orientais, chega aos cinemas do Brasil. A nova versão de “Ditto”, comédia romântica reconhecida no cinema sul-coreano, ganha novos ares, com mais modernidade, neste drama romântico de 2022. A história, que traz elementos do K-drama, situa-se entre o final dos anos 1990 e o presente; dois estudantes de épocas distintas (um em 1999 e outro em 2022) descobrem que podem se comunicar por meio de um rádio amador. O jovem Kim Yong (Yeo Jin-goo, de “Hotel del Luna”), ao captar a voz misteriosa de uma garota do futuro (Cho Yi-hyun, de “A fada e o pastor”), de nome Moo-nee, inicia uma troca inesperada de confidências. Ambos começam a compartilhar sonhos, frustrações e sentimentos, construindo uma relação que desafia o tempo. O aparato eletrônico é o que os une, sendo o canal que utilizam para estarem juntos, apenas pela voz. “Como eles poderão se encontrar fisicamente?” é a questão que irá instigar os dois personagens. Leve, cativante, funciona como uma releitura do clássico homônimo lançado em 2000, no Brasil exibido como “Lembre-se de mim”, longa sul-coreano que se tornou cult e marcou a revitalização do cinema daquele país. A produção atualiza o contexto tecnológico e preserva a atmosfera delicada que consagraram o original. A direção e o roteiro ficam a cargo de Seo Eun-young, que assina aqui seu terceiro filme, após “Overman” (2016) e “Go back” (2021) – a cineasta costuma trabalhar em seus filmes temas como juventude, amadurecimento, encontros improváveis e amizade, trazendo tudo isto em “Ditto: Conexões do amor”.


 
Paul McCartney: Homem em fuga
 
Ótimo documentário que conferi na última semana no Prime Video, lançamento do mês da plataforma. Um retrato íntimo da jornada de Paul McCartney após a despedida dos Beatles. É um filme que se afasta da aura mítica dos Beatles para narrar um período menos explorado da vida de Paul: sua reinvenção nos anos 1970 e 80. O filme começa com ele lançando seu primeiro álbum solo, intitulado “McCartney”, gravado em segredo com equipamentos próprios em casa, em abril de 1970, enquanto os Beatles se desfaziam. No meio daquele turbilhão emocional do fim da maior banda de rock da História, Paul adapta ritmos e canções escritas outrora por ele, injeta novos sons e cria uma longa carreira ao lado da esposa, que seria parceira de trabalho e mentora, formando com ela no ano seguinte o grupo Wings (que ficaria em atividade até 1981, lançando, dentre os discos de sucesso, “Band on the run”, em 1973). O doc acompanha a tentativa de Paul em reconstruir a carreira, enfrentando críticas duras e a desconfiança da imprensa. Paul é o narrador do filme, que o faz em tom confessional, lembrando histórias engraçadas e outras trágicas, como o assassinato de John Lennon - curiosamente ele nunca aparece (só tem a voz dele, de hoje). O diretor Morgan Neville, vencedor do Oscar pelo documentário “A um passo do estrelato” (2013), imprime ao filme um tom intimista, reunindo imagens de arquivo, trechos de shows e clipes, bastidores de turnês e depoimentos antigos e atuais de amigos de Paul. Disponível no Prime Video, o filme constrói um retrato humano, mostrando como o artista transformou a dor da separação dos Beatles em combustível para novas conquistas. 


sexta-feira, 27 de março de 2026

Nota do Blogueiro

 
Cine Debate do Imes exibe amanhã no Sesc filme brasileiro premiado em Brasília
 
O Cine Debate, projeto de extensão do Imes Catanduva, em parceria com o Sesc, exibe amanhã, dia 28/03, a partir das 14 horas, o drama autoral brasileiro “Suçuarana” (2024), vencedor de cinco prêmios Candango no Festival de Brasília de 2024. O longa também participou de festivais internacionais como Rotterdam e Chicago. Sessão e debate são gratuitos e abertos ao público, na sala de ginástica do Sesc Catanduva, conduzidos pelo idealizador do Cine Debate, o jornalista, crítico de cinema e professor do Imes Felipe Brida.
 
Sinopse – Dora (Sinara Teles) procura uma terra isolada e perdida no interior de Minas Gerais, conhecida por ‘Vale da Suçuarana’. Sua mãe falava muito sobre o local. Dora acredita que lá irá se encontrar com o verdadeiro eu, e vai em busca desse lugar mítico.



 
Cine Debate
 
O Cine Debate é um projeto de extensão do curso de Psicologia do Imes Catanduva em parceria com o Sesc Catanduva. Completa 14 anos em 2026 trazendo filmes cult de maneira gratuita a toda a população. No próximo mês (em 28/03) o filme exibido no projeto será “Suçuarana” (2024), produção brasileira exibida nos festivais de Chicago e Brasília. Conheça mais sobre o projeto em https://www.facebook.com/cinedebateimes

terça-feira, 24 de março de 2026

Especial de cinema

 
Festival “É Tudo Verdade” chega à 31ª edição com 75 títulos na programação
 
Os organizadores do “É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários” anunciaram na manhã de hoje, dia 24, em coletiva de imprensa, a programação da edição de 2026 (abaixo, o pôster oficial deste ano). Um dos festivais de cinema mais importantes do Brasil, a 31ª edição será realizada em São Paulo (em quatro salas de cinema) e no Rio de Janeiro (em três salas), de 9 a 19 de abril. As sessões são gratuitas, e estão na lista 75 filmes produzidos em 25 países, a maior parte deles première no Brasil. Segundo o diretor-fundador do “É Tudo Verdade”, Amir Labaki, “A nova safra de documentários reflete o espírito do tempo como em raros momentos. É notável a intersecção entre vida privada e história pública. Chama ainda a atenção a divisão do programa entre o retorno de grandes mestres e a revelação de uma nada menos inventiva nova geração”.


Em São Paulo, a abertura do festival será na noite do dia 08/04, em sessão para convidados na Cinemateca Brasileira, do filme “Bowie: O Ato Final” (2025) – documentário britânico sobre o cantor e compositor David Bowie, com direção de Jonathan Stiasny. No Rio, o festival começa com o documentário brasileiro sobre Alceu Valença “Vivo 76”, de Lírio Ferreira, apresentado também para convidados na noite do dia 09/04, no Estação Net Rio. O filme de encerramento, em ambas as cidades, será “Memória de ‘Os Esquecidos’”(2025), documentário coproduzido entre Espanha e México, sobre o filme “Os esquecidos” (1950), de Luis Buñuel.
Os títulos em competição deste ano se dividem em Mostras de Longas e Médias-metragens Brasileiros, Longas e Médias-metragens Internacionais, Curtas-metragens Brasileiros e Curtas-metragens Internacionais. Os vencedores serão conhecidos na cerimônia de premiação, que será realizada no dia 18/04, às 19 horas, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Como ocorre desde 2018, quando o “É Tudo Verdade” foi reconhecido como um “Qualifying Festival” pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, os quatro vencedores das mostras competitivas estarão classificados para apreciação à disputa do Oscar de melhor documentário do ano seguinte, tanto para longas quanto curtas-metragens. Além dos filmes em competição, o festival exibirá títulos em Programas Especiais e nas mostras O Estado das Coisas, Foco Latino-Americano e Clássicos ‘É Tudo Verdade’.


Dentre os filmes de destaque da edição de 2026 do festival estão “A Fabulosa Máquina do Tempo” (2026), de Eliza Capai, exibido no Festival de Berlim; “Retiro - A Casa dos Artistas” (2026), de Roberto Berliner e Pedro Bronz; “Mestre Zu” (2026), de Zelito Viana; e “Bardot” (2025), de Alain Berliner, Elora Thevenet, exibido no Festival de Cannes. Em São Paulo o festival acontece no IMS Cultural, Cinesesc, CCSP e Cinemateca Brasileira, enquanto no Rio as sessões serão em três salas do Estação Net Rio.
 
Outros destaques
 
A cineasta novaiorquina Vivian Ostrovsky (criada no Rio de Janeiro) é tema de uma retrospectiva com curadoria da cineasta e pesquisadora Fernanda Pessoa. Serão apresentados 14 filmes dela, como “Copacabana Beach” (1983) e “Domínio Público” (1996) - a mostra inclui um curta inédito sobre Vivian dirigido por Fernanda, “V.O por F.P” (2026). O festival prestará homenagem também a cineastas falecidos entre 2025 e 2026, como Jean-Claude Bernardet, com a exibição de “Sobre Anos 60 (2000), Luiz Ferraz e Rubens Crispim Jr., com “Em Nome do Jogo” (2025), Silvio Da-Rin, com “Missão 115” (2018), e Silvio Tendler, com “Os Anos JK: Uma Trajetória Política” (1980).
No dia 11/04 o festival realizará, com a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a “23ª Conferência Internacional do Documentário” - A programação completa será divulgada em breve. Em parceria com o Sesc SP, o festival promoverá nos dias 16 e 17/4, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, um ciclo de encontros entre realizadores e pesquisadores, sobre as experiências no campo da produção não-ficcional contemporânea.



O festival apresenta também, em parceria com a Spcine, uma masterclass com o cineasta Jorge Bodanzky, no Centro Cultural São Paulo, onde será exibido o doc “Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky” (2025), realizado em parceria com Liliane Maia.
Pela primeira vez, serão apresentadas sessões infantis no “É Tudo Verdade”: na mostra intitulada “É Tudinho Verdade”, serão exibidos filmes dirigidos por David Reeks e Renata Meirelles sobre o universo das brincadeiras infantis em diferentes regiões do Brasil. As exibições acontecem no CineSesc e na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, e no Estação NET Rio, no Rio.
No streaming, serão exibidos 10 curtas com exclusividade pelo Itaú Cultural Play.
A 31ª edição do “É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários” conta com o patrocínio do Itaú, a parceria do Sesc-SP e o apoio cultural da Spcine, Galo da Manhã, Fundação Itaú e Itaú Cultural. A realização é do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.
Confira abaixo todos os títulos da edição 2026 separados nas competições correspondentes.
 
Competição Internacional: Longas ou Médias-metragens
 
Atlas do Desaparecimento
 
Direção: Manuel Correa
Espanha, Noruega; 84 minutos; 2026
Sinopse: Após oitenta anos de silêncio, novas tecnologias forenses ajudam um grupo de famílias a reconstruir o destino de seus pais, cujos corpos foram roubados e secretamente levados ao mausoléu de seu algoz durante a ditadura franquista na Espanha (1939-1975).
 
Benita
 
Direção: Alan Berliner
EUA; 81 minutos; 2025
Sinopse: A partir do arquivo pessoal da cineasta experimental nova-iorquina Benita Raphan, o diretor constrói o retrato de uma vida artística marcada por brilhantismo, humor e uma intensa luta existencial.
 
Desfecho
 
Direção: Michał Marczak
Polônia, França; 105 minutos; 2026
Sinopse: Daniel não ouviu seu filho de 16 anos sair de casa numa madrugada. Ele não sabe o que o levou até uma ponte sobre o impetuoso rio Vístula, em Varsóvia. Sabe apenas que foi o último lugar onde o jovem foi visto.
 
Dezembro
 
Direção: Lucas Gallo
Argentina, Uruguai; 105 minutos; 2025
Sinopse: O filme reconstrói a crise argentina de 2001, utilizando material de arquivo restaurado, capturando a espontaneidade dos protestos e a instabilidade política que levou à renúncia de cinco presidentes.
 
Entre Irmãos
 
Direção: Tom Fassaert
Holanda, Bélgica; 105 minutos; 2026
Sinopse: Os irmãos idosos René e Rob não conseguem viver juntos, nem um sem o outro. René leva uma vida reclusa, em uma casa tomada por objetos e acúmulos. Quando as coisas ameaçam sair do controle, seu irmão mais novo intervém.
 
Um Filme de Medo
 
Direção: Sergio Oksman
Espanha, Portugal; 72 minutos; 2025
Sinopse: Durante as férias de verão, um documentarista e seu filho de doze anos se hospedam em um hotel abandonado em Lisboa – um hotel vazio como o do filme O Iluminado. O menino é assombrado por histórias de monstros e fantasmas.
 
Fordlândia Panacea
 
Direção: Susana de Sousa Dias
Portugal, Brasil; 67 minutos; 2025
Sinopse: Um filme sobre o presente e o passado da antiga company-town fundada por Henry Ford na floresta amazônica em 1928. Revelando as mais recentes descobertas no terreno, expõe as tramas que têm enredado a vila ao longo das últimas dezenas de anos.
 
Mamãe Está Aqui
 
Direção: Adriana Loeff, Claudia Abend
Uruguai; 84 minutos; 2026
Sinopse: Quatro mulheres trabalham na criação de uma peça de teatro. À medida que a noite de estreia se aproxima, revelam-se suas histórias de maternidade: a jornada de adoção de uma mãe solo; o nascimento do primeiro bebê de duas mães; a batalha pela vida de uma criança.
 
Meu Pai e Gaddafi
 
Direção: Jihan
EUA, Líbia; 88 minutos; 2025
Sinopse: Quando a diretora tinha seis anos, seu pai voou para o Cairo e nunca mais voltou. Após servir no regime cada vez mais brutal de Muammar Gaddafi, Mansur Rashid Kikhia desertou do governo e tornou-se líder da oposição pacífica.
 
Os Olhos de Gana
 
Direção: Ben Proudfoot
EUA; 90 minutos; 2025
Sinopse: O filme acompanha o documentarista Chris Hesse, que atuou como cinegrafista pessoal de Kwame Nkrumah. Aos 93 anos, Hesse corre contra o tempo para repatriar um acervo de mil filmes que registraram o nascimento da independência africana nas décadas de 1950 e 1960.
 
Shooting
 
Direção: Netalie Braun
Israel; 80 minutos; 2025
Sinopse: Três histórias, apoiadas por materiais de arquivo nunca antes revelados e por acesso raro a figuras-chave, ecoam a profunda conexão entre a indústria de cinema e televisão de Israel e o aparato de segurança.
 
Túmulo de Gelo
 
Direção: Robin Hunzinger
França, Suécia, Noruega; 78 minutos; 2025
 
Sinopse: Em 11 de julho de 1897, três homens partem de Svalbard em um balão de hidrogênio, rumo ao Polo Norte. Nunca mais são vistos. Trinta e três anos depois, em 6 de agosto de 1930, um navio de caça às focas faz uma descoberta perturbadora na remota ilha de Kvitøya.
 
 
Competição Brasileira: Longas ou Médias-Metragens
 
Apopcalipse Segundo Baby
 
Direção: Rafael Saar
Brasil; 110 minutos; 2026
Sinopse: Uma viagem em primeira pessoa pela trajetória da cantora Baby do Brasil. A partir de sua pluralidade transgressora, o filme revisita esse caminho, da liberdade dos Novos Baianos ao brilho da carreira solo; do espírito hippie ao pop multicolorido.
 
A Fabulosa Máquina do Tempo
 
Direção: Eliza Capai
Brasil; 70 minutos; 2026
Sinopse: Numa pequena cidade do sertão do Piauí, as meninas brincam entre o passado miserável de suas mães e seus sonhos fantásticos de futuro. Ali, onde o homem ainda é o gigante da mulher, elas se aventuram na travessia da infância para a adolescência.
 
Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha
 
Direção: Luis Abramo e Pedro Rossi
Brasil; 89 minutos; 2025
Sinopse: A trajetória não linear e além do tempo de Fernando Coni Campos, um dos grandes artistas e contadores de histórias do cinema brasileiro, autor de filmes premiados como Viagem ao Fim do Mundo (1968), Ladrões de Cinema (1977) e O Mágico e o Delegado (1983).
 
Patrulha Maria da Penha
 
Direção: André Bomfim
Brasil; 90 minutos; 2025
Sinopse: Em Maceió, policiais lutam para romper o ciclo de violência contra as mulheres. Eles fazem parte da Patrulha Maria da Penha, uma equipe da PM que acompanha de perto mulheres beneficiadas por medidas protetivas de urgência – algumas correndo risco de morte.
 
Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas
 
Direção: Carlos Adriano
Brasil; 103 minutos; 2026
Sinopse: O filme-ensaio discute as possibilidades e impossibilidades de fazer uma adaptação brasileira da obra monumental do escritor francês Marcel Proust (1871-1922), Em Busca do Tempo Perdido, escrito entre 1906 e 1922 e publicado de 1913 a 1927 em sete volumes.
 
Retiro - A Casa dos Artistas
 
Direção: Roberto Berliner e Pedro Bronz
Brasil; 95 minutos; 2026
Sinopse: O filme é um mergulho no Retiro dos Artistas, instituição centenária no Rio de Janeiro, voltada à acolhida de artistas na terceira idade. Uma reflexão sobre o ciclo da vida e o papel da arte no Brasil, com uma perspectiva poética e intimista dos atuais residentes da instituição.
 
Sagrado
 
Direção: Alice Riff
Brasil; 90 minutos; 2026
Sinopse: O filme acompanha a rotina de professores e funcionários de uma escola pública em Diadema, na Grande São Paulo. A partir de situações do cotidiano, personagens são revelados, assim como uma história de luta e resistência popular.
 
 
Competição Internacional: Curtas-Metragens
 
Bem-Vinda à Casa, Sardas
 
Direção: Huiju Park
Reino Unido, Coreia do Sul; 26 minutos; 2025
Sinopse: Pela primeira vez em quatro anos, uma filha retorna a Daegu, na Coreia do Sul, determinada a pôr fim à guerra doméstica que marcou sua infância. Apesar dos esforços para encontrar paz, as cicatrizes do passado permanecem sem resolução
 
Como Ouvir Chafarizes
 
Direção: Eva Sajanová
Eslováquia; 10 minutos; 2025
Sinopse: O filme propõe um ensaio sobre a ocupação de espaços públicos a partir de chafarizes que ganham vida – cada um tem sua própria personalidade e conta uma história diferente. Eles se manifestam para que as pessoas os notem, os percebam e cuidem deles.
 
Desde que Eles Não nos Encontrem
 
Direção: Maja Górczak
Polônia; 13 minutos; 2025
Sinopse: O filme recupera um curta-metragem da primeira estudante de direção da Escola de Cinema de Lodz, na Polônia. ​​Stefania Swieca, que morreu em São Paulo, em 2001, publicou, sob pseudônimo, um livro de memórias de sua experiência no gueto de Varsóvia.
 
Elegia para os Perdidos
 
Direção: William Hong-xiao Wei
Reino Unido, França, Espanha; 29 minutos; 2025
Sinopse: O filme entrelaça as memórias íntimas de uma jovem migrante chinesa na Europa pós-pandemia com narrativas públicas de resistência. Ela e sua comunidade atravessam o segredo, a repressão, a sobrevivência, a precariedade iminente e o deslocamento.
 
Se Não Gosta, Não Olhe
 
Direção: Margaux Fournier
França; 29 minutos; 2025
 
Sinopse: Todos os dias, Joëlle encontra suas amigas aposentadas na praia do Bain des Dames, em Marselha. Como em um teatro a céu aberto, elas riem, conversam sobre amor, sexo, corpos que envelhecem e reinventam o mundo com a liberdade de quem não tem mais nada a provar.
 
Silêncio Azul
 
Direção: Matías Rojas Ruz
Chile; 15 minutos; 2025
Sinopse: Na costa de Manquemapu, num dos cantos mais isolados da Região dos Lagos no Chile, o filme investiga as memórias dos moradores locais sobre o navio Janequeo, que naufragou em 1965 e deixou 51 mortos.
 
Sonhos de Apagão
 
Direção: Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso, Andrea Settembrini
Cuba, Itália; 20 minutos; 2025
Sinopse: Ao cair da noite em Cuba, a escuridão do “apagón” engole tudo, mas a vida continua: um padre folheia as páginas do Gênesis; um músico cego canta para sua esposa; um menino desafia seu professor para uma interminável partida de xadrez.
 
Todas as Folhas São do Vento
 
Direção: Andrea Rabasa Jofre
México; 17 minutos; 2025
Sinopse: A diretora combina três entrevistas e uma narrativa ficcional para explorar o silêncio que há anos envolve sua família. Num exercício de memória e reflexão, ela procura compreender como o passado revolucionário de seus pais se relaciona com o abandono de sua irmã.
 
Turno da Noite
 
Direção: Megumi Lim
Ucrânia; 29 minutos; 2025
Sinopse: No escuro, sob toque de recolher na ucraniana Kharkiv, uma tensão silenciosa percorre suas ruas vazias. Pessoas que trabalham à noite enfrentam a rotina e o risco, já que a Rússia ataca quando os moradores tentam dormir.
 
 
Competição Brasileira: Curtas-Metragens
 
Os Arcos Dourados de Olinda
 
Direção: Douglas Henrique
Brasil; 24 minutos; 2025
Sinopse: Olinda é palco de uma guerra fria tardia entre a primeira prefeita comunista do Brasil e o primeiro McDonald’s na cidade. O que fez Olinda ficar conhecida como a primeira cidade do mundo a falir um McDonald’s?
 
O Dia em que Minha Avó Fugiu de Casa
 
Direção: Victor Costa Lopes
Brasil; 17 minutos; 2026
Sinopse: Um encontro entre uma avó e um neto gera um filme inesperado.
 
Divino: Sua Alma, Sua Lente
 
Direção: Clea Torres e Gilson Costta
Brasil; 29 minutos; 2025
Sinopse: Acompanha a trajetória do cineasta xavante Divino Tserewahú. Entre memórias, arquivos e vivências na Terra Indígena Sangradouro, o filme revela como o cinema se tornou um instrumento de luta, preservação cultural e inspiração para novas gerações.
 
Filme-Copacabana
 
Direção: Sofia Leão
Brasil; 13 minutos; 2025
Sinopse: Uma jovem senta-se em uma cadeira de praia em uma calçada movimentada de Copacabana e, como se estivesse diante de uma tela de cinema, assiste ao que está à sua frente: uma sinfonia urbana tropical.
 
Inquietas
 
Direção: Thaina Morais
Brasil; 13 minutos; 2025
Sinopse: Uma mulher caminha pelas ruas de Natal evocando memórias e inquietações de mulheres que sonharam, resistiram e escreveram a história da cidade. Um retrato sensível da força feminina em meio às tradições e rupturas do tempo.
 
Não Existe Ninja de Pele Preta
 
Direção: Erik Ely
Brasil; 25 minutos; 2026
Sinopse: No universo cosplay, onde tudo pode ser adaptado, a mera mudança do tom de pele de um personagem ainda enfrenta resistência. Em meio a desafios, como o preconceito racial e de gênero, a cosplayer Kami Júpiter mostra que todos podem se ver representados.
 
Natureza Morta
 
Direção: Diran Serafim
Brasil; 15 minutos; 2025
Sinopse: Ao ver uma notícia sobre um acidente com um motoboy, Lucas, um fotógrafo transmasculino, pensa reconhecer João, por quem foi apaixonado na adolescência. Atravessado pelas lembranças, ele revisita imagens da Cohab da Zona Leste de São Paulo.
 
Talvez Meu Pai Seja Negro
 
Direção: Flávia Santana
Brasil; 24 minutos; 2025
Sinopse: Flávia embarca com seu pai em uma jornada íntima de investigação sobre suas raízes, após uma revelação que altera sua árvore genealógica. Entre documentos, fotos e memórias, o curta atravessa temas como apagamentos, paternidade, identidade racial e pertencimento.
 
Tanaru
 
Direção: Júlia Mariano
Brasil; 16 minutos; 2025
Sinopse: A Terra Indígena Tanaru guarda a memória e a história do “índio do buraco”, último indígena de seu povo, que sobreviveu ao massacre que assolou Rondônia na década de 1990.
 
 
Foco Latino-Americano
 
Mailin
 
Direção: María Silvia Esteve
Argentina, França, Romênia; 89 minutos; 2025
Sinopse: Durante oito anos, Mailin buscou justiça por ter sido abusada sexualmente na infância, na Argentina. O agressor, um padre amigo da família, fez muitas outras vítimas. O filme reúne relatos, imagens de arquivo e gravações em áudio do processo contra ele.
 
Sem Título # 11: Um Analecto à Mula
 
Direção: Carlos Adriano
Brasil; 27 minutos; 2026
Sinopse: Baseado na obra do poeta cubano José Lezama Lima (1910-1976), o filme tem como eixo o poema Rapsódia para a Mula (livro A Fixidez, 1949), recitado na voz do autor.
 
Um Sonho Errante
 
Direção: Sofía Betarte
Uruguai; 77 minutos; 2025
Sinopse: Yoaris, uma mulher cubana, percorre Montevidéu de motocicleta trabalhando para um aplicativo de entregas. Enquanto tenta se reconectar com a filha, que chegou de Cuba após três anos de separação, as coisas não saem como o esperado.
 
 
Programas Especiais
 
Me Dá a Bola!
 
Direção: Liz Garbus, Elizabeth Wolff
EUA; 101 minutos; 2025
Sinopse: Com entrevistas inéditas e imagens de arquivo, o filme faz um retrato de Billie Jean King, a tenista americana que mudou o mundo dos esportes nos anos 1970 e é considerada uma das maiores atletas de todos os tempos.
 
Mestre Zu
 
Direção: Zelito Viana
Brasil; 70 minutos; 2026
Sinopse: Em um encontro na casa do cineasta Zelito Viana, jornalistas, familiares e amigos que conviveram e trabalharam com Zuenir Ventura revisitam memórias e episódios que marcaram sua trajetória.
 
 
O Estado das Coisas
 
Baisanos
 
Direção: Andrés Khamis Giacoman, Francisca Khamis Giacoman
Chile, Espanha, Palestina; 14 minutos; 2025
Sinopse: Acompanhando os Baisanos, torcedores do Club Deportivo Palestino, time de futebol chileno fundado em 1920, o filme alterna entre dois narradores que encarnam o Chile e a Palestina, refletindo sobre identidade, o significado do retorno e as muitas formas de voltar.
 
Carcereiras
 
Direção: Julia Hannud
Brasil; 94 minutos; 2026
Sinopse: Ana Paula e Mariana trilham caminhos paralelos como agentes penitenciárias, distantes de suas raízes e laços afetivos. Enquanto Mariana sonha com uma transferência que impulsione sua carreira e vida adulta, Ana Paula almeja o retorno a São Paulo e a vida na metrópole.
 
O Cio da Terra
 
Direção: Rivelino Mourão
Brasil; 74 minutos; 2026
Sinopse: No mês de junho, celebra-se não só a fartura e a colheita, mas também a fé, a festa e o desejo. É tempo de Cio da Terra. A Festa do Pau da Bandeira une fiéis e brincantes em um ritual de força e ousadia. Uma celebração em constante transformação e cheia de contradições.
 
Crianças no Fogo
 
Direção: Evgeny Afineevsky
Ucrânia, República Tcheca, EUA; 108 minutos; 2025
Sinopse: Retornando às ruas onde filmou seu documentário indicado ao Oscar Inverno em Chamas: A Luta da Ucrânia pela Liberdade, o diretor convida sobreviventes dos sequestros e ataques russos a compartilharem suas histórias.
 
 
Clássicos É Tudo Verdade
 
Bardot
 
Direção: Alain Berliner, Elora Thevenet
França, Bélgica; 90 minutos; 2025
Sinopse: Em 1973, Brigitte Bardot abandonou os holofotes, para se tornar ativista pelos direitos dos animais e pelo meio ambiente. Aos 90 anos, ela mergulha em sua própria história, permitindo o acesso à intimidade de sua propriedade privada na Riviera Francesa.
 
O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto
 
Direção: Rosemberg Cariry
Brasil; 87 minutos; 1986
Sinopse: Depoimentos e imagens recontam o massacre sofrido pela comunidade liderada pelo beato paraibano José Lourenço no sertão do Ceará. O local se tornou alvo de políticos e religiosos após a Intentona Comunista de 1935. Cópia restaurada inédita.
 
Wilsinho Galileia
 
Direção: João Batista de Andrade
Brasil; 65 minutos; 1978
Sinopse: Proibido pela censura durante a ditadura militar, o filme intercala entrevistas com reconstituições para contar a vida do assaltante e homicida Wilsinho Galileia, morto pela polícia aos dezoito anos, no final dos anos 1970. Exibido em retrospectiva no É Tudo Verdade 2001 sobre a fase inicial do Globo Repórter.
 
 
Homenagens
 
Os Anos JK: Uma Trajetória Política
 
Direção: Silvio Tendler
Brasil; 110 minutos; 1980
Sinopse: O legado do presidente Juscelino Kubitscheck (1902-1976) é o objeto deste documentário, que investiga suas realizações, como a construção de Brasília, sua política desenvolvimentista e as crises políticas vividas antes, durante e depois de seu governo.
 
Em Nome do Jogo
 
Direção: Luiz Ferraz e Lu Guimarães
Brasil; 73 minutos; 2025
Sinopse: Em Salvador, futebol e fé se entrelaçam de forma única. Jogadores, torcedores e religiosos revelam como a devoção move paixões dentro e fora dos campos. Do candomblé ao catolicismo, do evangélico ao padre torcedor, o documentário explora rituais, vitórias e derrotas.
 
Missão 115
 
Direção: Silvio Da-Rin
Brasil; 87 minutos; 2018
Sinopse: Missão 115 foi o nome atribuído pelo DOI-Codi a uma suposta operação de “vigilância” durante show no Riocentro em 1981. Na verdade, tratava-se de um atentado a bomba. Pela primeira vez, um dos membros daquela equipe conta detalhes da operação.
 
Sobre Anos 60
 
Direção: Jean-Claude Bernardet
Brasil; 30 minutos; 2000
Sinopse: Ensaio documental que revisita as tensões e transformações sociais do Brasil na década de 1960, usando imagens de arquivo, trechos de filmes e registros de jornal. É o 13º episódio da série Panorama Histórico Brasileiro, produzida pelo Itaú Cultural.
 
 
Retrospectiva
 
Copacabana Beach
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 10 minutos; 1983
Sinopse: Um olhar bem-humorado sobre o que acontece todas as manhãs nas calçadas da praia de Copacabana. Condicionamento físico à brasileira, com uma pitada de futebol e toques de Carmen Miranda.
 
CORrespondência e REcorDAÇÕES
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 10 minutos; 2012
Sinopse: Baseado em uma correspondência entre a artista brasileira Ione Saldanha e a cineasta, este retrato foi realizado para uma exposição no MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio de Janeiro.
 
Domínio Público
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 13 minutos; 1996
Sinopse: Uma aventura livre e irreverente envolvendo boxeadores do Brooklyn e bolas quicando, dançarinos catalães e cães provençais. O Douro, o Danúbio, Biarritz e o Brasil são registrados no lendário filme Super 8 Kodachrome 40, hoje para sempre desaparecido.
 
Elizabeth Bishop: Do Brasil, com Amor
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 68 minutos; 2025
Sinopse: O filme mergulha no período íntimo e transformador que a poeta norte-americana Elizabeth Bishop viveu no Brasil, desde o início dos anos 1950 até meados da década de 1970, quando viveu um amor inesperado com a arquiteta e urbanista brasileira Lota de Macedo Soares.
 
Hiatus
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 6 minutos; 2018
Sinopse: A protagonista deste filme é a reclusa e introspectiva escritora ucraniano-brasileira Clarice Lispector (1920-1977). O filme se baseia em uma única entrevista para a TV, de 1977, exibida apenas após sua morte.
 
Idas e Vindas
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 12 minutos; 1984
Sinopse: Um mês no campo. Durante o verão, um grupo de amigos aluga uma casa no sul da França. Pessoas chegam e partem, circulando entre galinhas, cães e gatos. Sons brincalhões e uma colagem musical excêntrica compõem a trilha sonora.
 
Losing the Thread
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 8 minutos; 2014
Sinopse: Para refletir sobre como moda e estilo se entrelaçam, mas também são influenciados pelo brilho e pelo capricho individuais, o filme costura Coco Chanel, Courrèges, Cole Porter e Kaiser Karl a momentos de filmes de época.
 
M.M. em Movimento
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 35 minutos; 1992
Sinopse: O filme se baseia em filmagens de seis coreografias de Monnier (de 1988 a 1991), registradas em ensaios e apresentações.
 
Movie (V.O.)
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 8 minutos; 1982
Sinopse: Com uma câmera Super 8, de Paris a Berlim, de Amsterdã ao Rio, de Jerusalém a Nova York, filmando apenas à noite. Cantores húngaros, cantos tribais indianos, árias de ópera e, ocasionalmente, um samba compõem a trilha sonora deste diário “filmado à mão”.
 
Nikita Kino
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 40 minutos; 2002
Sinopse: O filme mistura imagens de família captadas pela diretora durante visitas a parentes em Moscou, a partir dos anos 1960, com arquivos soviéticos do mesmo período.
 
Son Chant
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 12 minutos; 2020
Sinopse: Ao revisitar suas gravações em MiniDV feitas ao longo da última década, a diretora redescobriu uma sequência noturna esquecida de Chantal Akerman e Sonia Wieder-Atherton saindo de uma brasserie onde haviam jantado em Montparnasse.
 
Tatitude
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 3 minutos; 2009
Sinopse: Uma deliciosa atualização do clássico de Jacques Tati As Férias do Sr. Hulot. Gaivotas grasnam, ondas quebram e banhistas se divertem em intermináveis dias de verão passados na praia. Tatitude sugere que areia, água e sol são os elementos básicos de uma vida feliz.
 
The Title Was Shot
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 9 minutos; 2009
Sinopse: Composto por fragmentos de dezenas de filmes, datados entre os anos de 1920 e 1990, o curta apresenta cowboys, índios e donzelas em perigo.
 
U.S.S.A.
 
Direção: Vivian Ostrovsky
EUA; 12 minutos; 1985
Sinopse: EUA + URSS = USSA. O filme trata de fronteiras borradas, a partir da história pessoal da diretora, que nasceu em Nova York, de pais russos e tchecos, foi criada no Brasil e educada na França. Um coquetel cultural, filmado em Super 8, em Moscou, Nova York, Milão, Berlim e Paris.
 
V.O por F.P
 
Direção: Fernanda Pessoa
Brasil; 15 minutos; 2026
Sinopse: Curta inédito sobre a cineasta homenageada, dirigido pela curadora.

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