Anatomia do caos
Cinema na Web
sábado, 24 de outubro de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 1
Anatomia do caos
Dica especial de cinema
Nesses dias finais do período eleitoral, em tempos conturbados em que discursos fascistas voltam a circular na boca de candidatos ao pleito presidencial no Brasil, a distribuidora CPC-Umes Filmes (do Centro Popular de Cultura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo, especializada em cinema russo e soviético) liberou hoje em seu canal do Youtube o clássico documentário "O fascismo de todos os dias" (1965), de Mikhail Romm, obra fundamental para compreender o que foi o fascismo na Europa e no mundo. O longa está disponível em sua versão integral (135 minutos), em cópia restaurada, gratuitamente. E ficará online até o dia 26/10 - só acessar https://www.youtube.com/watch?v=NxOV6_An3BE
Abaixo, confira resenha que escrevi sobre o filme quando de seu lançamento em DVD, em 2017. Republico a seguir o texto:
Ascensão e queda do Nazi-Fascismo contada com criatividade neste importante documentário soviético. Produzido pela Mosfilm, este documentário histórico de 1965 faz uma revisão cautelosa e dramática do surgimento do Nazismo e do Fascismo no mundo, com imagens impressionantes de Benito Mussolini e Adolf Hitler flagrados em caretas e discursos cabulosos, intercaladas com registros de hoje (no caso, o hoje era 1965), de como as pessoas encaravam o cotidiano após a guerra. Todo o material utilizado veio do Ministério de Propaganda do III Reich, outros da coleção particular de Hitler e muitos capturados de soldados alemães da SS, para remontar temas tétricos cruciais da Segunda Guerra Mundial, como o genocídio dos judeus, o ideal do Arianismo e a alienação das massas pelo regime totalitário. Perceba que a narração ácida e extasiante, feita pelo próprio diretor, Mikhail Romm, em seu penúltimo trabalho no cinema, é pontuada com comentários cínicos, ora com comicidade ora com duplos sentidos, numa construção cabalmente inusitada, daí a alta criatividade desse filme soviético.
Dividido em duas partes com uma gama incontável de capítulos entre eles, o doc mantém-se atual e deflagra reflexões constantes do dia a dia, sobre abuso de autoridade, preconceito, idolatrias em excesso, individualismo, censura e poder sem mensuração. Uma obra inigualável, para ser assistida com urgência, revista e discutida.
O fascismo de todos os dias (Obyknovennyy fashizm). URSS, 1965, 130 min. Documentário. PB. Dirigido por Mikhail Romm. Distribuição: CPC-Umes Filmes
* Publicado na coluna Middia Cinema, na revista Middia, edição de outubro/novembro de 2017.
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Especial de Cinema
A 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo segue em sua segunda semana de evento, com exibição de mais de 390 filmes de 90 países em 50 salas de cinema e espaços culturais da capital paulista, além de exibições de filmes no streaming. Confira abaixo mais bons filmes que conferi na Mostra e indico ao público:
(Áustria – 2026, de Tizza Covi e Rainer Frimmel)
(Espanha – 2025, de Lluís Miñarro)
(Espanha/Argentina – 2026, de Manuel Menchón)
Especial de cinema
A 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo segue em sua segunda semana de evento, com exibição de mais de 390 filmes de 90 países em 50 salas de cinema e espaços culturais da capital paulista, além de exibições de filmes no streaming. Confira abaixo mais bons filmes que conferi na Mostra e indico ao público:
(Venezuela/Canadá/Itália/Luxemburgo – 2026, de Jorge Thielen Armand)
terça-feira, 20 de outubro de 2026
Especial de Cinema
Mostra de Cinema de SP continua em sua segunda semana
(Cuba/Chile/França – 1975 a 1979, de Patricio Guzmán)
O dia em que ela volta
(Coreia do Sul – 2026, de Hong Sang-soo)
(Romênia – 2026, de Florin Serban)
Chicas tristes
(México/França/Espanha – 2026, de Fernanda Tovar)
(EUA – 2026, de Tim Blake Nelson)
Na
terra de Arto
(França/Armênia – 2025, de Tamara Stepanyan)
Cineasta
nascida na Armênia, filho de atores, Tamara Stepanyan viveu como refugiada no Líbano
nos anos 90 após a queda da União Soviética. Em 2025 ela escreveu e dirigiu dois
filmes sobre seu país de origem, o documentário “Meus fantasmas armênios” (exibido
em Berlim, sobre o pai ator e a carreira dela como diretora) e “Na terra de
Arto”, uma ficção mas com pano de fundo real. O filme é autoral e se passa nos
anos 2020, nos conflitos de terra de Karabakn, na região montanhosa do Cáucaso,
que funcionou como um Estado autoproclamado independente e de maioria étnica
armênia (chamado de República de Artsakh), mas que após a ofensiva militar
ficou sob controle do Azerbaijão. Nessas terras chega Céline (Camille Cottin,
atriz francesa, de “Casa Gucci”), que está pela primeira vez ali. Ela tem uma
missão: acompanhar a documentação da morte de seu marido, Arto. Descobre que
ele viveu com outra identidade, envolvido com a guerra na região. A ida de
Céline para Karabakn será uma viagem de descobertas do falecido marido, que
mora em sua mente como um fantasma; ela irá descortinar seu passado, percorrendo
o território e relembrando seus passos. Drama emotivo e eficiente rodado nas
verdadeiras terras de Guiumri, conta com ótima fotografia e bom trabalho de Camille
Cottin, que sustenta o filme nas costas (veja uma participação rápida no final
do multifacetado ator Denis Lavant). Exibido nos Festivais de Locarno e
Jerusalem, é o representante oficial da Armenia para uma vaga ao Oscar 2027. O
filme integra a Mostra Perspectiva Internacional da 50ª Mostra, com exibição
nos dias 25, 27, 28 e 29/10. Distribuição da Autoral Filmes.
(França/Armênia – 2025, de Tamara Stepanyan)
domingo, 18 de outubro de 2026
Especial de cinema
50ª Mostra Intl. de Cinema de SP continua com importantes filmes em exibição
(Brasil - 2026, de Celina Torrealba e Zeca Brito)
Neste documentário assinado por Celina Torrealba e Zeca Brito, conhecemos a carreira de Squel Jorgea Ferreira, carioca nascida no Estácio que se tornou uma das mais respeitadas porta-bandeiras do Carnaval do Rio. O filme traça memória e atualidade, resgatando a ligação de Squel com o Carnaval, que vem de berço, e de desafios com a idade. Neta do compositor Xangô da Mangueira e filha de dançarina que desfilava na Estação Primeira de Mangueira, ela, no doc, relembra trechos marcantes da trajetória, do trabalho exaustivo e focado, e da ausência por um período nos desfiles devido à maternidade. Entusiasta do samba, Squel carrega no sangue a paixão pelo pavilhão, reconhecida pela postura elegante, técnica apurada e forte presença de cena, que conquistou as principais agremiações do Rio de Janeiro – ela defendeu na Sapucaí escolas de samba como a Mangueira, o Salgueiro e a Império da Tijuca, por exemplo. Squel se consolidou como uma referência cultural e feminina na preservação da arte dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, que inspira até hoje novas gerações de passistas por todo o Brasil. O filme tem produção da Donna Features, com coprodução da Anti Filmes. Além do roteiro, Celina e Brito dividem créditos de produção e fotografia – num trabalho conjunto afinado, de ótima edição, com cortes exatos de cenas de Squel de antes e de hoje (que completou recentemente 44 anos de idade). Integra a programação da Mostra Brasil na 50ª Mostra e conta com sessões nos dias 22 e 26/10. O filme tem previsão de lançamento nos cinemas brasileiros para 2027.
(México – 2026, de Gael García Bernal)
(Holanda/Bélgica – 2026, de Mees Peijnenburg)
(França/Bélgica/Luxemburgo – 2026, de Quentin Dupieux)
(Japão – 2026, de Kiyoshi Kurosawa)
sábado, 17 de outubro de 2026
Especial de Cinema
50ª Mostra Intl. de Cinema de SP segue com filmes de destaque
(EUA – 2026, de Charlotte Glynn)
(Romênia/França - 2026, de Radu Jude)
(Polônia/Alemanha/Itália/França - 2026, de Paweł Pawlikowski)
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