As indagações das dançarinas são levadas
para as diretoras da academia de balé, Miss Tanner (Alida Valli) e Madame Blanc
(Joan Bennett), que não dão ouvidos. Até que Suzy vê o mal reinar ao seu lado.
O impacto de “Suspiria” vai além do roteiro fabuloso: está também na estética
visual alucinante, marcada por cores intensas vermelhas, pink e azul neon, ao
lado da iluminação expressionista (inclusive na geometria dos quartos e
enquadramentos, que remetem ao Expressionismo Alemão). A trilha sonora, da
banda Goblin (que aqui assinam “Goblins”, e tinha como mentor o paulistano
Claudio Simonetti), intensifica a experiência sensorial, criando um ambiente
hipnótico, perturbador, claustrofóbico. Não tem jeito: saímos magnetizados de
cada sessão de “Suspiria”, e olha que já vi o filme mais de 10 vezes, um de
meus preferidos do mestre Argento. Olhem só: além do relançamento os cinemas, o
filme ganhou uma edição oficial limitada em VHS no Brasil, gesto que resgata a
aura analógica que marcou os anos 1980 e 1990 (foto abaixo). A cópia restaurada em 4K realça
as cores deslumbrantes dessa obra-prima do cinema de horror, realizada pelo
laboratório alemão TLEFilms, que corrigiu danos nos negativos de 35 mm. Vale lembrar
que “Suspiria” é o primeiro capítulo da trilogia “As três mães”, seguido por “A
mansão do inferno” (1980) e “O retorno da maldição - A mãe das lágrimas”
(2007), que são independentes, mas tratam do mal sobrenatural. Em 2018 o
diretor italiano Luca Guadagnino refez o filme, com uma nova linguagem, que
ficou até boa, “Suspiria: A dança do medo”. Com quase meio século de
existência, o filme continua a ser celebrado pela crítica e pelo público, e que
bom foi redescoberto para voltar para a telona. Continua em cartaz pela segunda
semana, com distribuição da FJ Cines.
Cinema na Web
sábado, 2 de maio de 2026
Estreias do mês – Nos cinemas e no streaming – Parte 2
Especial de cinema
Especial “Psicose” - parte 2
Psicose 3
Elementos do cinema slasher já apareciam no filme 2, como mortes violentas e sanguinárias e um ‘whodunnit’ - mesmo o público sabendo que é o psicopata Norman com as roupas da mãe. Mas no terceiro capítulo o slasher vem mais forte, brutal e evidente, num filme de terror psicológico violento rodado pelo próprio Anthony Perkins, que nunca tinha dirigido um longa sequer. Roteirista de “A mosca” (1986) junto de David Cronenberg, Charles Edward Pogue escreveu uma história de delírios e tormentos, adaptado da ideia original do livro de Robert Bloch, que une os personagens Norman e Maureen – ele, que acredita falar com a mãe morta, e ela, uma noviça suicida que coloca à prova sua fé, envolvida na morte de uma freira que caiu do alto de uma catedral. Enquanto Norman tenta viver sua vida isolado no motel da família e fazendo taxidermia, ela procura compreender os motivos que a levaram a deixar o convento. O Motel Bates vai de mal a pior, sem clientes – numa das cenas vemos o local tomado por poeira da estrada e galhos secos em volta, e a casa dele, ao fundo, decrépita e assustadora. A guinada na trama vem com uma nova onda de assassinatos brutais que explode com a chegada de Maureen no motel – ponto alto do roteiro de Pogue, que cria expectativa no olhar atento do público que espera por sangue slasheriano. Jovens que fazem uma parada lá morrem de forma cruel, com o pescoço rasgado ou o corpo perfurado por faca – na altura do campeonato já sabemos quem mata, não? A polícia inicia uma intensa investigação, e uma repórter segue no encalço de Norman. As mortes são mais elaboradas e violentas que nos filmes anteriores, talvez as mais impactantes da trilogia, com momentos de puro banho de sangue.
Perkins domina bem a direção por ser um iniciante, entregando uma obra confessional, autoral, sem meio termo, com ampla liberdade em posicionar seu personagem visceral. Faz inclusive uma homenagem certeira ao mestre Hitchcock na sequência final, voltando ao primeiro filme, com Norman detido pela polícia e levado no banco de trás – ele pensa, pensa, ouve vozes, só que agora carrega consigo a mão da mãe mumificada.
O filme veio no terço final da década do slasher, fechando uma trilogia sinistra de terror psicológico para o cinema. Quatro anos mais tarde resgataram a franquia num telefilme competente, “Psicose IV: O começo” (1990 – também conhecido por “Psicose IV: A revelação”), novamente com Perkins num de seus últimos trabalhos – ele morreria aos 60 anos em 1992, em decorrência de uma pneumonia provocada pela Aids.
Norman Bates integra a galeria dos personagens memoráveis da Sétima Arte, uma figura complexa, enigmática e também assustadora, que até hoje repercute entre os fãs do cinema devido ao desempenho formidável de Anthony Perkins frente ao papel. “Psicose 2” e “Psicose III” são continuações pouco conhecidas do grande público e subestimadas pelos críticos, por estar na sombra da obra-prima original. Merecem uma atenção, pois em cada um desses filmes novos elementos e explicações do universo de Bates são erigidos, que ajudam a decifrar a mente conflitante do célebre personagem. Disponível em DVD pela Universal Pictures, acaba de sair em Bluray na caixa “Coleção Psicose”, da Versátil Home Video, que contém dois discos, reunindo “Psicose 2”, “Psicose IV: O começo” e o remake de Gus Van Sant “Psicose”, de 1998. No box, mais de quatro horas de extras, cards colecionáveis e um livreto de 44 páginas. Também está disponível para aluguel em streamings como Prime Video, Youtube Filmes, Claro TV e Apple TV.
Perkins já estava doente, aparecendo pouco no filme (ele faleceria dois anos depois, em decorrência de uma pneumonia provocada pela Aids), dando espaço para o bom Henry Thomas como o jovem Norman (ator mirim de “E.T. – O extraterrestre”). O diretor Mick Garris já era experiente no mundo do terror, realizador de making of de cultuadas fitas do gênero dos anos 80, como de “Grito de horror” e “Videodrome”, passando por episódios da série “Histórias maravilhosas” (1985-1987) e do filme “Criaturas 2” (1988). Depois de fazer “Psicose IV”, dirigiu obras de Stephen King para o audiovisual, como o filme “Sonâmbulos” (1992) e as minisséries “A dança da morte” (1994) e “O iluminado” (1997). O roteirista do original “Psicose”, Joseph Stefano, voltou aqui para escrever essa adaptação, procurando garantir traços fieis da história e do personagem – e seria ele a refazer o roteiro para o remake de 1998, de Gus Van Sant, aquele filme que ainda divide a opinião da crítica e do público (para mim, penoso e sofrível). Conta com participação de duas atrizes muito boas, CCH Pounder, de “Bagdad Café” (1987), como a apresentadora de rádio que entrevista Norman, e Olivia Hussey, falecida há um ano, como Norma Bates – Olivia eternizou Julieta de Shakespeare na versão de “Romeu e Julieta” (1968), de Franco Zeffirelli. PS: Nos anos 90 o filme saiu em VHS pela CIC com outro subtítulo, “Psicose IV: A revelação”. Agora pode ser visto em boa resolução em Bluray, na caixa “Coleção Psicose”, da Versátil Home Video, que contém dois discos, reunindo “Psicose 2”, “Psicose III” e o remake de Gus Van Sant - no box, mais de quatro horas de extras, cards colecionáveis e um livreto de 44 páginas.
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Especial de cinema
Especial “Psicose”
“Psicose” não, é um
suspense de horror, um filme macabro e ousado para a época, com planos e
enquadramentos que atingem o ápice da estética virtuosa do maior cineasta de
todos os tempos. A cena do chuveiro é arrepiante, tudo embaçado, com a trilha
memorável de Bernard Herrmann – e quem diria que um diretor, naquela época,
deixasse sua protagonista morrer (e outra, ela aqui é uma anti-heroína, uma
ladra que dá um golpe no trabalho e rouba a firma para viver bem ao lado de um
namorado). A cena do chuveiro levou sete dias para ser filmada e utilizou mais
de 70 ângulos diferentes - curiosamente, o sangue visto na cena era, na
verdade, calda de chocolate (há um documentário super legal sobre os bastidores
da gravação da cena, chamado “78/52: A cena do chuveiro de Hitchcock”, de 2017,
dirigido por Alexandre O. Philippe). A direção meticulosa e o uso inovador da
montagem criaram uma atmosfera de tensão que permanece insuperável ainda hoje.
O filme não apenas redefiniu o gênero, mas também influenciou gerações de
cineastas. A construção psicológica de Norman Bates é outro ponto firme,
trazendo profundidade rara para vilões, tornando-o um dos personagens mais perturbadores
já criados (cheio de camadas e complexidades que passaríamos horas aqui descrevendo).
A crítica da época se dividiu, mas rapidamente o longa foi reconhecido como
obra-prima, estudado em cursos de cinema e psicologia. Hitchcock comprou os
direitos do livro de Robert Bloch, lançado um ano antes (que li e recomendo),
de forma anônima e adquiriu todas as cópias disponíveis para manter o mistério
da trama. Hitchcock era exigente não só dirigindo seus atores e aterrorizando
as atrizes; fora do set também, por exemplo, fez questão de proibir a entrada
de espectadores após o início da sessão, para preservar o impacto da narrativa.
Recebeu, na época, quatro indicações ao Oscar: de melhor atriz coadjuvante para
Janet Leigh (única indicação da atriz, que pelo papel ganhou o Globo de Ouro –
ela foi casada com Tony Curtis e é mãe de Jamie Lee Curtis), diretor (a quinta
e última indicação dele como diretor, que nunca ganhou nada), fotografia (um
trabalho impressionante de John L. Russell) e direção de arte. O clássico de
suspense fez tanto a cabeça do público que rendeu três continuações diretas com
Anthony Perkins na pele de Norman Bates, sendo duas para cinema (1983 e 1986) e
uma para a TV (1990), além de um remake (de Gus Van Sant, de 1998), a série
“Bates Matel” (2013-2017) e até um telefilme pouco conhecido que traz um novo
personagem para essa ousada franquia, “Bates Motel” (1987, com Bud Cort). Disponível
em DVD e Bluray pela Universal Pictures, e para aluguel em streamings como Prime
Video, Claro TV e Apple TV.
O personagem central é retratado como um
atormentado, dividido entre o desejo de normalidade e os fantasmas do passado.
Anthony Perkins entrega uma atuação intensa, humanizando Norman sem perder o
caráter ameaçador. O filme conquistou fãs ao oferecer uma narrativa sólida e
intrigante, e é para mim uma das boas franquias com continuações sólidas (como
“O poderoso chefão” e os dois primeiros “Tubarão”). A atmosfera sombria e
melancólica reflete o peso dos anos sobre o protagonista, e como o seu interior
ainda é abalado. O roteiro foi escrito por Tom Holland, que mais tarde dirigiria
“A hora do espanto” (1985) e “Brinquedo assassino” (1988). Foi rodado em grande
parte nos cenários originais da Universal, preservados desde 1960, e guarda a
ambientação do original, com um desfecho aterrador e cheio de dúvidas, que
seria um convite para novas continuações (o que aconteceu). Disponível em DVD pela Universal
Pictures, acaba de sair em Bluray na caixa “Coleção Psicose”, da Versátil Home
Video, que contém dois discos, reunindo “Psicose III”, “Psicose IV: O começo” e
o remake de Gus Van Sant “Psicose”, de 1998. No box, mais de quatro horas de
extras, cards colecionáveis e um livreto de 44 páginas (foto abaixo). Também está disponível para
aluguel em streamings como Prime Video, Claro TV e Apple TV.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Estreias do mês – Nos cinemas e no streaming – Parte 1
Mãe e filho
Especial de Cinema
Coleção “Uma chamada perdida”
A Obras-primas do Cinema acaba de lançar em DVD a trilogia “Uma chamada perdida”, com os três filmes de horror japonês da franquia realizados entre 2003 e 2006. No box, em disco duplo, vem quatro cards colecionáveis e 1h de extras, como making of, entrevistas com elenco e diretor, cenas deletadas e finais alternativos. Confira abaixo textos meus sobre os filmes:
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming - Parte 2
Caminhos do crime
sábado, 25 de abril de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming - Parte 1
A voz de Deus
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Estreias do mês – Nos cinemas e no streaming – Parte 2
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