domingo, 12 de julho de 2026

Resenhas especiais

 
Especial “Invasores de corpos”
 
Vampiros de almas
 
Médico em viagem a uma cidadezinha da California estuda um caso bizarro: os habitantes estão sendo trocados por formas similares vindas de outro mundo.
 
Obra cult do cinema B norte-americano, o filme de Don Siegel (que se tornaria um mestre do western, gravando muitos filmes com Clint Eastwood) tornou-se um marco do cinema de ficção científica. Baseado no livro de Jack Finney, que compilou suas histórias de invasores alienígenas publicadas no Collier's Magazine, uma revista conhecida da época (o livro foi publicado há alguns anos no Brasil pela Darkside), o filme traz a história do médico Miles Bennell (Kevin McCarthy), que após um congresso médico, viaja a uma cidadezinha da California, Santa Mira, para acompanhar o estranho caso de pessoas que acreditam que seus familiares não são quem são: segundo eles, mudaram de comportamento, estão frios e distantes. Cético, o médico resolve investigar o caso, e aos poucos descobre que as pessoas estão sendo substituídas por réplicas alienígenas sem emoções, geradas em estranhos casulos em estufas. É uma estranha forma de vida que caiu na Terra sem explicação, e faz um duplo da pessoa, criando um novo ser, sem sentimento, para que o mundo seja recriado. O médico tenta alertar a população, mas é tarde demais, pois muitos já se transformaram. Produzido com orçamento modesto (U$ 415 mil), na febre dos filmes scifi B dos anos 50, destacou-se por sua atmosfera claustrofóbica e final sombrio, que reforça a sensação de impotência diante de uma invasão alienígena. A ideia do longa vai além: tem embutida uma crítica social sobre o perigo de se perder a individualidade em meio às pressões políticas e culturais da época – há aqui uma série de alegorias sobre a paranoia da Guerra Fria, de agentes russos infiltrados (seriam eles os alienígenas?) e o Macarthismo; vale lembrar que EUA e URSS, na época, estremeciam o mundo com seus embates ideológicos, e na terra do Tio Sam o Congresso ameaçava cineastas e produtores acusados de serem comunistas, perseguindo radicalmente a classe e os colocando no ostracismo. Um grande filme do cinema, para ser visto e revisto. Saiu em edições avulsas por diversas distribuidoras ao longo dos anos áureos do DVD, e recentemente num box da trilogia principal pela Classicline. Ganhará em breve versão restaurada em bluray pela Versátil Home Vídeo, em uma caixa com os quatro filmes da série - versões de 1956, 1978, 1993 e 2007 (está em pré-venda no site da distribuidora).
 
Vampiros de almas (Invasion of the body snatchers). EUA, 1956, 80 min. Ficção científica/Terror. Preto-e-branco. Dirigido por Don Siegel. Distribuição: Classicline
 
 
Invasores de corpos
 
Agente de vigilância sanitária investiga uma estranha forma de vida que veio do espaço; pessoas estão sendo trocadas por réplicas idênticas, e aparentemente o governo norte-americano está por trás do caso.
 
Excelente remake da fita B que se tornou cult “Vampiros de almas”, agora colorido, que conta com grande elenco e atualiza com perspicácia a história de paranoia e alegoria política (além de ser uma fita de terror assustadora). Dirigido por Philip Kaufman (que depois faria “Os eleitos” e “A insustentável leveza do ser”), o filme transpõe a história para São Francisco, ampliando a escala urbana e intensificando o clima de angústia e estranhezas. Elizabeth Driscoll (Brooke Adams) percebe mudanças estranhas no comportamento de seu namorado após levar para casa uma planta incomum. Um inspetor de vigilância sanitária é chamado, Matthew Bennell (Donald Sutherland, ótimo no papel central), e passa a estudar com precisão o caso ao lado de Elizabeth. Eles descobrem que alienígenas estão duplicando humanos enquanto dormem, gerando-os em casulos gigantes. O filme se destaca por uma nova atmosfera sombria, trilha inquietante e efeitos visuais eficientes, como os corpos se desfazendo, misturados a uma gosma orgânica. Ao contrário da versão de 1956, o pessimismo é ainda maior: não há salvação, apenas a inevitável assimilação dos corpos humanos pelos alienígenas. A obra traz novas simbologias, já que o contexto histórico e político mudou em 20 anos: sai da Guerra Fria e do Macartismo para a paranoia do caso Watergate, ocorrido quatro anos antes. Reflete assim o desencanto dos anos 1970, marcado por crises políticas e sociais, e sugere que a alienação urbana e a desconfiança entre indivíduos já eram sintomas de uma sociedade em colapso. A abertura do filme mostra a contaminação vinda de outro planeta, com uma estranha substância se espalhando com uma fina nuvem caindo na terra. Tem cenas de perseguição, jumpscares e escatologia, e participações especiais de Leonard Nimoy (o Dr. Spock de “Star Trek”), Kevin Mccarthy (o astro do anterior) e uma ponta não-creditada de Robert Duvall bem no início, como um padre no balanço. Saiu em DVD há muitos anos pela MGM/20th Century Fox e recentemente num box da trilogia principal pela Classicline. Ganhará em breve versão restaurada em bluray pela Versátil Home Vídeo, em uma caixa com os quatro filmes da série - versões de 1956, 1978, 1993 e 2007 (está em pré-venda no site da distribuidora).
 
Invasores de corpos (Invasion of the body snatchers) EUA, 1978, 115 min. Ficção científica/Terror. Colorido. Dirigido por Philip Kaufman. Distribuição: Classicline e MGM/20th Century Fox


Invasores de corpos – A invasão continua
 
No Alabama, uma adolescente e seu pai descobrem um plano sinistro do Exército de substituição de humanos por réplicas idênticas vindas de outro planeta.
 
Indicado à Palma de Ouro em Cannes, a terceira parte da trilogia “Invasores de corpos” é assinada de Abel Ferrara, diretor de filmes sujos e marginais que mostravam o submundo nu e cru de Nova York dos anos 80 e 90 (como “Sedução e vingança” e “O rei de Nova York”). Na versão de Ferrara, a trama se desloca para uma base militar no sul dos EUA, onde a adolescente Marti Malone (Gabrielle Anwar) percebe que pessoas ao seu redor estão sendo substituídas por um duplo. São alienígenas ocultados pelo governo numa base militar, para fins de experiência genética. O ambiente rígido e disciplinado do exército intensifica a metáfora: em um espaço já marcado pela obediência, a invasão torna-se imperceptível. Menos celebrado que os antecessores, o filme traz momentos memoráveis, como a atuação de Meg Tilly e seu monólogo arrepiante sobre a inevitabilidade da incorporação alienígena. A adaptação foca na experiência íntima e psicológica da protagonista, ao lado do pai, tentando alertar a população a fugir do Alabama onde ocorre a expansão dos casos de assimilação alienígena. Novamente se explora o horror da perda de identidade e da fragilidade humana frente ao desconhecido – e reforça teorias de conspiração envolvendo o governo norte-americano, de que as Forças Armadas acobertariam casos de alienígenas capturados, como o Caso Roswell e o Majestic12. Há no filme participações especiais de R. Lee Ermey e Forest Whitaker. Saiu em DVD há muito tempo atrás pela Warner Bros. e recentemente num box da trilogia pela Classicline. Ganhará em breve versão restaurada em bluray pela Versátil Home Vídeo, em uma caixa com os quatro filmes da série - versões de 1956, 1978, 1993 e 2007 (está em pré-venda no site da distribuidora).
 
Invasores de corpos – A invasão continua (Body snatchers). EUA, 1993, 87 min. Ficção científica/Terror. Colorido. Dirigido por Abel Ferrara. Distribuição: Classicline e Warner Bros.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 3


Três vezes adeus
 
Renomada diretora, roteirista e produtora de cinema espanhola, que faz filmes também na França, EUA e Itália, Isabel Coixet já realizou mais de 40 longas, dentre eles "Minha vida sem mim" e "A vida secreta das palavras", e seu último trabalho estreou no Brasil no 8½ Festa do Cinema Italiano. O festival, que ocorreu de 25/06 a 01/07, continua em repescagem em itinerância por várias cidades do país, e “Três vezes adeus” também conta com novas exibições (no dia 11 será em Búzios, no RJ, e dias 11 e 14 em Fortaleza, Ceará). Filme autoral da diretora, como boa parte de suas obras, a coprodução Itália/Espanha tem roteiro assinado por ela junto a Enrico Audenino, adaptado do livro semi-autobiográfico “O sentido da náusea”, da escritora e ativista italiana Michela Murgia (1972-2023). É a vida de um casal que está a ponto de se separar, Marta (Alba Rohrwacher, de “As maravilhas”, irmã da diretora Alice Rohrwacher) e Antônio (Elio Germano, de “A vida solitária de Antonio Ligabue”). De um tempo para cá as discussões entre eles foram banais, relativamente pequenas, mas colaboraram para o cansaço da relação e o consequente término. Após a separação, Marta, uma professora de educação física, isola-se do mundo, sente-se para baixo, com falta de apetite, enquanto ele, um chefe de cozinha, segue com tudo no trabalho. Antônio começa a sentir falta de Marta. Ela então tem fortes dores de estômago, parece que sua saúde não anda bem – e logo descobre uma gravíssima doença. Coixet, como em “Minha vida sem mim”, retorna ao tema da morte e do isolamento feminino, explorando aqui dois assuntos pessoais para ela: gastronomia e música. Tudo é trabalhado como oposições/antíteses na figura do casal: ela perde a fome, enquanto o marido ganha dinheiro com comida; ela se isola, enquanto ele vive intensamente – o que demonstra a dor maior da mulher na separação. Melancólico, faz uma meditação sobre o fim do casamento e da brevidade da vida, sem cair em melodramas. Coixet é uma diretora talentosa, veterana, que faz filmes variados, e mais uma vez coloca no currículo um bom trabalho de atores. Exibido nos festivais de Toronto e do Rio, já tem data para estrear no circuito de cinemas do Brasil: 1º de outubro (com distribuição da Autoral Filmes).
 

 
Franz
 
Outro filme de uma cineasta importante de nosso tempo, a polonesa Agnieszka Holland, veterana no cinema, que ajudou a fundar o Cinema da Inquietação Moral (Kino Moralnego Niepokoju) nos anos 70 – movimento que, por meio de filmes, criticava a corrupção do governo, a censura e a falta de ética na sociedade. Hoje, aos 77 anos, continua firme em seus ideais e fazendo um filme a cada três anos – de 2019 para cá realizou quatro, um melhor que outro, com destaque para “O charlatão” e “Zona de exclusão”. Em “Franz” se volta a uma simples e didática cinebiografia do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924), grande nome do realismo fantástico. O filme é um mosaico com passagens fundamentais de sua infância e juventude, entre Praga e Viena – Kafka viveu pouco, morrendo aos 40 anos de tuberculose. Nascido em 1883, em Praga, então parte do Império Austro-Húngaro, em uma família judaica de classe média, desde cedo viveu sob as regras rígidas de seu pai, Hermann Kafka, cuja personalidade autoritária marcou sua vida e sua obra. Estudou em escolas alemãs e, mais tarde, ingressou na Universidade Alemã de Praga, onde se formou em Direito. Apesar de seguir carreira como funcionário em companhias de seguros, sua verdadeira paixão era a escrita, que desenvolvia nas horas livres, muitas vezes em conflito com a rotina exaustiva do trabalho. Durante sua vida, Kafka publicou poucas obras, entre elas o célebre conto “A metamorfose” em 1915, que lhe trouxe reconhecimento literário. Seus livros refletiam temas como alienação, burocracia opressiva e o absurdo da existência, influenciados tanto por sua relação difícil com o pai quanto pelo contexto político e cultural da Europa daquele período (durante a Primeira Guerra). O filme mostra um pouco disso e muito do campo pessoal, com Kafka em suas relações marcadas por instabilidade, incluindo o noivado com Felice Bauer e um relacionamento intenso com a jornalista Milena Jesenská. Em 1917, foi diagnosticado com tuberculose, doença que agravou sua fragilidade física e o levou a períodos de internação em sanatórios. Vivia fraco pelas ruas, escarrando sangue, por longos dias acamado. Após anos de luta contra a enfermidade, faleceu em 3 de junho de 1924, em um sanatório próximo a Viena, vítima da tuberculose laríngea. O filme, que se chamaria “Franz antes de Kafka”, foi o representante da Polônia no último Oscar, mas ficou de fora da lista final. É uma boa biografia (não excelente), tem no elenco atores corretos de várias nacionalidades, como tchecos, poloneses, austríacos e alemães, com destaque para Idan Weiss, que faz o Kafka, em um de seus primeiros papeis no cinema. Exibido nos Festivais de Toronto, San Sebastián e Rio, estreia nos cinemas nesse fim de semana, pela A2 Filmes.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Estreias da semana – Nos streamings – Parte 2


As ovelhas detetives
 
Deixou de ir para as salas cinemas e entrou direto no Prime Video essa comédia policial que só tem aparência infantil. Mas não é. É um filme de mistério com pitadas de humor sarcástico sobre um rebanho de ovelhas que decide investigar o assassinato do pastor que cuida delas. Ele é George (Hugh Jackman), um homem solitário que vive num trailer no alto de uma montanha na Irlanda. Cuida das ovelhas como filhas, e todas têm um nome conforme seus comportamentos (Mimosa, Valente etc). Ele as tosa, brinca e quando cai a noite lê romances policiais no descampado para dormirem. Quando George vira as costas, as ovelhas conversam entre elas, como humanos. George, apesar de recluso, é amigável com as pessoas, vai sempre para a cidade onde conversa com qualquer um. Até que ele é encontrado morto, causando um choque na cidadezinha. As ovelhas, assustadas, resolvem desvendar o crime procurando pistas pelo caminho. Elas se unem num grupo chamado Ovelhas Detetives. O filme é apresentado em primeira pessoa, Jackman narrando, falando das ovelhas e da comunidade onde mora. E quando o caso policial começa, a trama cai no colo dos animais, virando um filme de aventura policial caprichado, engraçado e dinâmico. As ovelhas, uma mais cômica que outra, investigam com atenção o crime a partir da resolução dos casos policiais das histórias que George contava para elas antes de dormir (ou seja, George mal sabia que estava formando legistas e peritas). Os animais seguem pistas, desconfiam de vizinhos e enfrentam situações inusitadas, revelando segredos da comunidade e conduzindo o público por uma narrativa cheia de reviravoltas. Com direção de Kyle Balda (criador de “Meu malvado favorito”) e roteiro de Craig Mazin (das séries “Chernobyl” e “The last of us”), a produção se destaca pelo elenco de nomes de peso e efeitos visuais convincentes em CG que dão vida e movimento realista aos animais, criando uma experiência surpreendente. O elenco humano conta com Emma Thompson, Nicholas Braun e Nicholas Galitzine, e as vozes das ovelhas são interpretadas por Julia Louis-Dreyfus e Patrick Stewart, por exemplo, trazendo personalidade, leveza e carisma. A combinação de atuações sólidas com dublagens expressivas e uma história ágil garantem que o filme funcione tanto como sátira quanto como uma história de investigação envolvente. O filme é uma adaptação do livro alemão “Three bags full”, de Leonie Swann, escrito 20 anos atrás, e tem na trilha sonora músicas pop dançantes dos aos anos, como "I'm gonna be (500 miles)", de The Proclaimers. Achei um barato e recomendo.




O assassinato de Rachel Nickell
 
Novo documentário de true crime (que a Netflix é expert em fazer), que reconstrói um caso policial marcante da década de 1990 no Reino Unido. Em julho de 1992, Rachel Nickell, jovem mãe de 23 anos, foi assassinada a facadas em Wimbledon Common, Londres, enquanto passeava com o filho de dois anos e o cachorro da família. O crime ocorreu pela manhã, na rua, num dia comum. O menino presenciou o crime, e apesar de pequeno, sem entender direito o que ocorria ali, tentou ajudar a mãe, sem sucesso. Ele se tornou a única testemunha direta, o que ampliou o choque público daquele crime. O filme reúne trechos de reportagens, depoimentos antigos e atuais de policiais e familiares de Rachel, para montar um mosaico investigativo ao público. A polícia fez uma operação desastrosa, envolvendo uma agente infiltrada que buscava induzir um frequentador do parque, suspeito do crime, a confessar. Vendo que a estratégia era ilegal e sem provas concretas, aquilo fracassou, deixando o indivíduo marcado pelo estigma de suspeito durante anos. O documentário mostra como a pressão midiática e os erros policiais transformaram o caso em um verdadeiro circo, atrasando a justiça e expondo falhas graves no sistema investigativo. Somente em 2008 novas análises de DNA identificaram o verdadeiro culpado, cujos detalhes são colocados no filme. A produção da Netflix combina ainda entrevistas com jornalistas, além de imagens de arquivo, para mostrar não apenas o fato trágico, mas também o impacto duradouro sobre o filho de Rachel, Alex Hanscombe, e sobre seu pai, André Hanscombe, também discutindo seriamente como erros policiais e julgamentos precipitados podem destruir vidas e fragilizar o sistema judiciário pelos olhos da opinião pública. Um bom doc da Netflix, que estreou em 04 de junho.


Nota do blogueiro

 
Cine Debate realiza neste sábado sessão gratuita de filme brasileiro, no Sesc
 
O Cine Debate de julho, projeto de extensão do Imes Catanduva, em parceria com o Sesc, antecipa sua sessão mensal de cinema para o próximo sábado, dia 11/07. A partir das 14 horas, será exibido o filme brasileiro “Malês” (2024), dirigido e protagonizado por uma lenda viva do cinema nacional, Antônio Pitanga. Sessão e debate são gratuitos e abertos ao público, no Sesc Catanduva, conduzidos pelo idealizador do Cine Debate, o jornalista, crítico de cinema e professor do Imes Felipe Brida, com mediação da equipe do Sesc.


 
Sinopse: Drama que faz uma reconstituição história da Revolta dos Malês, considerada a maior rebelião urbana de escravizados da História do Brasil. Ocorreu na madrugada de 24 para 25 de janeiro de 1835, em Salvador, Bahia, e foi organizada por negros islamizados (chamados de "malês", que significa muçulmano). A revolta teve como principais objetivos o fim da escravidão, a conquista da liberdade religiosa e o controle da cidade.
 
Cine Debate
 
O Cine Debate é um projeto de extensão do curso de Psicologia do Imes Catanduva em parceria com o Sesc Catanduva. Completa 14 anos em 2026 trazendo filmes cult de maneira gratuita a toda a população. Conheça mais sobre o projeto em https://www.facebook.com/cinedebateimes

sábado, 4 de julho de 2026

Nota do blogueiro

Caros e caras, há 10 dias abri (finalmente) meu cadastro no Letterboxd. Estou registrando lá, dia a dia, os filmes que já assisti ao longo da vida, bem como repostando no 'reviews' da página as resenhas que escrevo no blog  e em outros canais. Já transferi quase metade dos registros que estavam no Filmow (página que eu fazia avaliações de filmes desde janeiro de 2013) - no Filmow os números são de 17.095 filmes e séries vistos, sendo 15.700 filmes, 435 séries e de 830 curtas-metragens, e 1920 críticas escritas; já no Letterboxd, até este momento, marquei cerca de 7.870 filmes/minisséries assistidos.
Gostei do Letterboxd, o site é funcional e viciante. Para me seguir: https://letterboxd.com/felipebrida



E continuo fazendo as pontuações e publicando críticas e resenhas no Filmow, uma rede colaborativa 100% brasileira. Meu cadastro lá é https://filmow.com/@felipebosobrida.
Até lá, pessoal!

terça-feira, 30 de junho de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e streamings - Parte 1


Criaturas extraordinariamente brilhantes

Preparem-se para um dos filmes mais encantadores da temporada e traz uma interpretação deslumbrante, como sempre, da veterana Sally Field, num trabalho digno de indicação ao Oscar. A nova produção da Netflix, inspirada no best-seller de Shelby Van Pelt, é um drama sensível de uma amizade improvável, que se torna uma metáfora sobre perseverança. A trama acompanha Tova (Sally Field), viúva que trabalha como zeladora noturna em um aquário de uma pequena cidade costeira. Ela por muito tempo buscou respostas acerca do desaparecimento do filho, ocorrido há muito tempo. Tova, certo dia, percebe algo enigmático com um dos polvos do aquário central que ela limpa todos os dias, chamado Marcellus; ele é um polvo-gigante-do-Pacífico, uma espécie rara de ser encontrada, dotado de inteligência e memória extraordinárias. Aparentemente ele se comunica com aquela senhora por meio de movimentos. Tova passa a observar o animal, conversa com ele, e do outro lado do vidro, Marcellus ouve a voz e a sente, respondendo com gestos sutis. Até que na história surge Cameron (Lewis Pullman), um jovem em busca de pistas sobre o pai biológico. O encontro dos três abre caminho para revelações que unirão suas trajetórias, expondo segredos guardados pelas águas e pelo silêncio. O lance do roteiro de John Whittington e Olivia Newman (que também é a diretora, e antes fez outro filme com uma protagonista solitária, “Um lugar bem longe daqui”) é tornar o aquário um espaço simbólico de dores humanas e a possibilidades de recomeço. A relação entre Tova e Marcellus comprova isto, um vínculo fora do comum que mexe com todos os sentidos. O polvo, observador e guardião de memórias, representa o inconsciente coletivo e a necessidade de enfrentar o passado, enquanto Tova é a resiliência diante da perda (mas que nunca desmorona, procurando até o fim encontrar o filho sumido). Sally Field brilha em todos os minutos que aparece, trazendo humanidade para aquele papel delicado, comovente, que há tempos não mexia comigo no cinema. Filho de Bill Pullman e ator de “Top gun: Maverick”, Lewis Pullman também entrega um bom papel, ao lado do ator veterano que está super afiado, num de seus melhores trabalhos, o irlandês Colm Meaney (que faz o dono do mercadinho local, apaixonado por Tova). Um filme para mexer com nosso íntimo.
 

 
Uma infância alemã
 
Não me pegou o novo filme de Fatih Akin, cineasta alemão de origem turca, que estreou na última semana nos cinemas pela Imovision. Prefiro o diretor com sua mão firme para contar histórias amargas e violentas do que em dramas superficiais e arrastados, como é caso dessa obra biográfica, que mais parece uma fac-símile simplória dos cult movies iranianos dos anos 90. A narrativa enxuta trata dos últimos dias da Segunda Guerra Mundial na vida de uma família adepta ao nazismo. Tudo é pelos olhos de um garoto daquela casa, Nanning, vivido por Jasper Billerbeck. Ele é filho de um oficial nazista, que se refugia com a mãe e o irmão na ilha de Amrum, após a destruição da casa em Hamburgo. O contexto é a morte de Hitler, em abril de 1945, que colocaria dias contados para o desmoronamento da guerra. O tempo inteiro é uma jornada de lá para cá desse menino tentando conseguir ingredientes para fazer um pão para a mãe doente (daí a ideia de um filme iraniano, muitos deles com jornadas infantis pela cidade, e esse aqui também lembra, mas feito com menos paixão, o recente “O bolo do presidente”). O filme nasceu das memórias de infância de Hark Bohm (1939-2025), roteirista e colaborador de Akin, que cresceu em Amrum, ilha reclusa no Mar do Norte, no extremo norte da Alemanha, cuja maré traiçoeira inunda as praias em minutos. Bohm planejava dirigir a obra, mas após sua morte, Akin assumiu o projeto como homenagem póstuma, mantendo o roteiro original – Bohm aparece numa pontinha, segundos antes dos créditos. Essa ligação pessoal dá ao longa um tom íntimo, mesmo dentro de um contexto histórico amplo e pouco aprofundado. Exibido no Festival de Cannes, não é de todo ruim, poderá agradar uma parcela do público, mas quem conhece o cinema de Akin, sente que ele não está do jeito que costuma: visceral, tenso, sombrio, como nos impactantes “The cut” (2014), “Em pedaços” (017) e “O bar da luva dourada” (2019), filmes autorais que o levaram a um patamar acima de sua carreira.
 

 
Um triste e belo mundo
 
Rodada em Beirute, a coprodução Líbano, Alemanha, Estados Unidos, Arábia Saudita e Catar é um singelo drama, para todos os públicos (de classificação indicativa de 14 anos), sobre o encontro e depois a separação que marcam a vida de dois personagens em 30 anos na capital e maior cidade libanesa. Nino é um rapaz sonhador, completamente oposto de Yasmina, uma garota de visão realista do mundo. Eles nasceram com diferença de minutos no mesmo hospital de Beirute, em meio às tensões político-religiosas que atravessavam o país. O Líbano vivenciava uma mistura de divisões religiosas, guerras civis e externas e corrupção desde os anos 1950, que criou um sistema fragilizado, com forte crise econômica e a presença de milhões de refugiados que deixaram metade da população na pobreza. Nesse triste mundo, Nino e Yasmina se encontram depois de anos e podem ali se apaixonar, mas algo irá os separar, até um possível reencontro no futuro. O roteiro sobre chegadas e partidas marcada pela memória coletiva de um país em constante transformação é o mote do delicado filme de drama/romance com doses tênues de humor e nítida crítica social, que evita melodramas e exageros nas performances.  A fotografia é um encanto, com paletas multicromáticas que alternam entre tons frios, que evocam a dor, e cores quentes, que iluminam momentos de esperança dos protagonistas. Cada enquadramento é pensado como uma pintura, revelando poesia nos espaços urbanos e nas paisagens naturais. Primeiro longa de ficção do libanês Cyril Aris, que assina o roteiro ao lado de Bane Fakih, a obra é narrada com energia visual vibrante, percorrendo o Líbano em diferentes épocas. O diretor traz muito de si e do lugar onde mora, falando de memória, dor, distância e possíveis reencontros da vida. No Festival de Veneza de 2025 conquistou o prêmio do público na Jornada dos Autores e foi o título do Libano selecionado como a indicação oficial do país ao Oscar desse ano. Agora é hora de vê-lo na tela grande: o filme estreou na última semana em cinemas selecionados, com distribuição da Pandora Filmes.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Nota do blogueiro

 
Cine Debate traz neste sábado filme brasileiro premiado em festivais nacionais
 
O Cine Debate de junho, projeto de extensão do Imes Catanduva, em parceria com o Sesc, exibe no próximo sábado, dia 27/06, a partir das 14 horas, o filme brasileiro “Kasa Branca” (2024). Escrito e dirigido por Luciano Vidigal, o drama, com toques de humor e crítica social, ganhou prêmios em diversos festivais de cinema, como o Festival do Rio e o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Sessão e debate são gratuitos e abertos ao público, no Sesc Catanduva, conduzidos pelo idealizador do Cine Debate, o jornalista, crítico de cinema e professor do Imes Felipe Brida, com mediação da equipe do Sesc.


 
Sinopse: Três adolescentes da periferia do Rio, Dé, Adrianim e Martins, combinam de levar a avó de um deles, que está em fase terminal de Alzheimer, para passar os últimos dias numa confraternização entre amigos. Eles cruzam a cidade inteira levando a idosa (Teca Pereira) na cadeira de rodas até o local do encontro, numa jornada de amizade, esperança e retribuição.
 
Cine Debate
 
O Cine Debate é um projeto de extensão do curso de Psicologia do Imes Catanduva em parceria com o Sesc Catanduva. Completa 14 anos em 2026 trazendo filmes cult de maneira gratuita a toda a população. Conheça mais sobre o projeto em https://www.facebook.com/cinedebateimes

Resenhas especiais

  Especial “Invasores de corpos”   Vampiros de almas   Médico em viagem a uma cidadezinha da California estuda um caso bizarro: os habitante...