Labirinto dos garotos perdidos
Cinema na Web
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Estreias da semana - Nos cinemas e streamings - Parte 2
Labirinto dos garotos perdidos
terça-feira, 16 de junho de 2026
Estreias da semana - Nos cinemas - Parte 1
Amor apocalipse
Olhe o mar
Resenhas especiais - Parte 3
À sombra do vulcão
Dirigido pelo mestre John
Huston em sua fase final, o filme também recebeu indicação ao Oscar de trilha
sonora, assinada por Alex North, e foi lembrado em Cannes, concorrendo à Palma
de Ouro. Está disponível em DVD pela Versátil Home Vídeo.
À sombra
do vulcão (Under the volcano).
EUA/México, 1984, 112 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por John Huston.
Distribuição: Versátil Home Video
A
rainha Margot
Em
1572, a França vivia mergulhada em violentas guerras religiosas entre católicos
e protestantes. Para apaziguar os conflitos, Catarina de Médicis (Virna Lisi),
mãe do rei Carlos IX (Jean-Hugues Anglade), obriga a filha Margarida de Valois,
conhecida como Margot (Isabelle Adjani), a se casar com um primo distante, Henrique
de Navarra (Daniel Auteuil), líder dos huguenotes (nome dado aos protestantes
franceses adeptos ao Calvinismo) e primeiro monarca da Casa de Bourbon. O
enlace, celebrado em Paris, deveria simbolizar a reconciliação, mas vira estopim
de uma das maiores tragédias da História francesa: a Noite de São Bartolomeu,
quando milhares de protestantes foram brutalmente assassinados pelos católicos.
Drama
de época com ares de romance gótico, o premiado filme de Patrice Chéreau é
inspirado no romance de Alexandre Dumas (pai), primeira parte de uma série de
livros históricos de Dumas intitulado “Os romances Valois”. Com precisão
histórica e sem economia de violência, o falecido Chéreau recriou a tensão da
França no reinado de Carlos IX (compreendido entre 1560 e 1574),
focando no casamento da princesa católica Margot com o protestante Henrique de
Navarra, que serviria para liquidar com a guerra religiosa entre os dois
grupos, travada há 10 anos. Até a metade, o filme reconta os passos desse
casamento forjado, bem como a trama política por trás disso tudo, até culminar,
da metade para o fim, com o trágico episódio da Noite de São Bartolomeu, que
começou em Paris e se espalhou para diversas cidades da França durante dois
dias. Naquela noite de 23 de agosto de 1572, houve uma terrível repressão
católica contra os huguenotes – estima-se que entre 5 e 25 mil pessoas foram massacradas
(os números são incertos até hoje). Isabelle Adjani brilha como Margot, ao lado
de Daniel Auteuil, Vincent Perez, Jean-Hugues Anglade e Virna Lisi (que
interpreta uma implacável Catarina de Médicis, uma senhora maquiavélica). A
superprodução, com trilha de Goran Bregović, conquistou o Prêmio do Júri e o de
melhor atriz em Cannes (justamente para Virna Lisi), e é considerada uma das
mais impactantes representações da Noite de São Bartolomeu no cinema. Indicado
ainda ao Oscar de figurino, ao Globo de Ouro de filme estrangeiro e ao Bafta de
produção estrangeira, ganhou cinco prêmios Cesar, o Oscar
francês, nas categorias de melhor atriz (Isabelle), coadjuvantes (Anglade e
Virna), fotografia e figurino –
aliás, figurino, direção de arte e fotografia são de um capricho ímpar, um
verdadeiro estudo de representação e contexto, que recria perfeitamente a
França do século XVI.
Sensual, ao mesmo tempo violento, o filme ficou conhecido
na época do extinto VHS, e saiu em DVD em duas ocasiões – pela editora NBO, em
2010, em formato incorreto de tela, com cortes, totalizando 143 minutos, e pela
Versátil Home Video, em 2020, na versão do diretor (com 153 minutos) – a cópia
da Versátil está ótima, que foi restaurada pela Pathé, e o filme vem em disco
duplo com 1h30 de extras e no enquadramento correto de tela, Widescreen. Um de
meus filmes de época preferidos. Recomendo!
A rainha Margot (La reine Margot).
França/Alemanha/Itália, 1994, 153 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Patrice
Chéreau. Distribuição: NBO
(DVD de 2010) e Versátil Home Video (DVD de 2020)
segunda-feira, 15 de junho de 2026
Resenhas especiais - Parte 2
Explosão no trem-bala
domingo, 14 de junho de 2026
Resenhas especiais - Parte 1
A primeira Barbie negra
sexta-feira, 12 de junho de 2026
Especial de cinema - Parte 2
Festival “Olhar de Cinema” termina amanhã; confira mais filmes vistos
Confira
abaixo mais filmes que assisti no festival e recomendo:
Barbara
forever (2026)
Grande
vencedor do Teddy Bear na Berlinale de 2026, prêmio entregue a obras de
temática LGBTQIAPN+, o documentário de estreia de Brydie O'Connor é uma
homenagem de corpo e alma a uma cineasta independente que marcou a cena da
contracultura novaiorquina dos anos 60 e 70, Barbara Hammer (1939-2019). O
filme acompanha o legado deixado por ela na fotografia, no cinema e na
videoarte, com seus trabalhos ousados sobre o corpo feminino e questões de
gênero. Barbara deixou marcas tanto no cinema experimental quanto na arte
contemporânea ao trazer para o centro da discussão as experiências lésbicas e
feministas vividas por ela e por suas companheiras. Construiu uma carreira
original, produzindo mais de 90 obras audiovisuais entre filmes, fotografias, performances,
videoarte, colagens e instalações, inspirada por nomes como a diretora Maya
Deren. Explorou técnicas visuais inovadoras, desde montagem fragmentada a
sobreposição de imagens e experimentações com o corpo em movimento, criando uma
linguagem única que desafiava convenções abrindo espaço para formas diferentes de
representação (num período em que havia uma profusão de novidades no campo das
artes visuais, décadas de 60 e 70). A obra de Barbara é pioneira porque, em uma
época em que a homossexualidade feminina era invisibilizada, colocou o desejo e
a intimidade entre mulheres como protagonistas, em filmes que chegaram a
festivais, como “Dyketactics” (1974), “Women I love” (1976) e “Nitrate kisses”
(1992), este exibido em Toronto e Sundance. Parte de seus longas e
curtas-metragens tornaram-se marcos do cinema queer ao exibir o afeto e a
sexualidade lésbica de maneira poética, muito libertadora. O documentário traz momentos
de sua vida privada, declarações e depoimentos antigos e atuais, com ela mesma
em perspectiva e muito da colaboração de sua esposa, a ativista de direitos
humanos Florrie Burke, que ajudou na finalização do filme. No terço final, os
momentos mais duros: a descoberta do câncer de Barbara, que a levou a fazer
trabalhos sobre a finitude da vida. O doc também foi premiado em Sundance desse
ano, e é um dos grandes documentários da temporada. No festival Olhar de Cinema
está na seção “Exibições especiais” e conta com mais uma exibição, amanhã, dia
13/06.
terça-feira, 9 de junho de 2026
Especial de Cinema
15a edição do Olhar de Cinema reúne milhares de pessoas na capital do Paraná
A programação inclui filmes das Competitivas Brasileira e Internacional, além de clássicos restaurados (sendo seis em homenagem ao cineasta polonês Andrzej Wajda, e ainda títulos de Béla Tarr, David Lynch e Frederick Wiseman) e exibições especiais de filmes do mundo todo realizados entre 2025 e 2026,
Criado como um festival de cinema independente em 2012, o Olhar de Cinema já levou mais de 250 mil pessoas para as salas de cinema e exibiu mais de 1200 filmes do mundo inteiro. Consolida-se, assim, como um dos mais importantes festivais internacionais de cinema do Brasil. Além das exibições de filmes, há também o Seminário de Cinema de Curitiba (com debates, palestras e encontros com profissionais do audiovisual), três oficinas e o CuritibaLab (laboratório de pós-produção de filmes, com consultoria de montagem e marketing).
Os ingressos e credencais estão à venda tanto pelo site oficial do evento, https://olhardecinema.com.br quanto pelo aplicativo e nas bilheterias das salas. Há ainda sessões gratuitas, com retirada de ingresso 30 minutos antes da sessão. O festival acontece em cinco locais de exibição: Cine Passeio, Museu Oscar Niemeyer (Auditório Poty Lazzarotto), Cinemateca de Curitiba, Teatro da Vila e Ópera de Arame.
Fotos da sessão de abertura, de salas de exibição e de seminários, feitos por Felipe Brida
O Olhar de Cinema é viabilizado por leis de incentivo e patrocínios, como Ministério da Cultura (via Lei Rouanet) e Governo do Estado do Paraná, via Secretaria da Cultura e Profice (Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná). Conta com patrocínio do Terminal de Contêineres de Paranaguá, Sanepar, Mili, Fomento Paraná e Solvay Peróxidos, além de apoio do Projeto Paradiso, Uninter, Cine Passeio, Cinemateca de Curitiba, Teatro da Vila e Icac (Instituto Curitiba de Arte e Cultura) e incentivo da Prefeitura de Curitiba e da Fundação Cultural de Curitiba.
Confira abaixo os filmes que integram as Mostras Competitivas Brasileira e Internacional, de longas-metragens:
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