Queda livre: As consequências do Caso Boeing
Song
Sung Blue – Um sonho a dois
Drama
musical que mistura realidade e ficção para retratar a vida do casal de músicos
de Milwaukee, Wisconsin (EUA), Mike Sardina (1951-2006) e Claire Sardina
(1961-), que percorreram os Estados Unidos com turnês de tributo a Neil Diamond
e utilizavam o nome artístico de “Lightning & Thunder”. A dupla começou no
fim dos anos 80, em palcos pequenos da região de Milwaukee, e com o passar do
tempo gravaram música em estúdio, participaram de festivais grandes e até
abriram um show de Pearl Jam, a convite do próprio Eddie Vedder – tudo isso
retratado nessa formidável cinebiografia. O longa é baseado no documentário
homônimo de Greg Kohs, “Song Sung Blue” (2008), e traz como destaque o bom trabalho
dos atores centrais, Hugh Jackman e Kate Hudson (indicada, pelo papel, aos
principais prêmios da temporada, como Bafta, Oscar e Globo de Ouro). A história
segue os altos e baixos da formação musical desses dois artistas, mostrando a
dificuldade em trilhar o caminho na carreira independente, além de trazer os
dramas pessoais do casal (ele dependente do álcool e atormentado pela Guerra do
Vietnã, onde lutou, e ela o apoiando como esposa, companheira e artista).
Enquanto Lightning tinha a voz potente interpretando canções de Diamond,
Thunder fazia back vocal dele e também alternava os shows com música country de
Patsy Cline. O diretor Craig Brewer, de “Ritmo de um sonho” (2005), condensa
anos de acontecimentos da carreira da dupla em uma linha temporal curta, mas
precisa, intensificando os conflitos e emoções. Com uma fotografia de cores
vivas e vibrantes, "Song Sung Blue" é uma celebração à música de Neil
Diamond, tratando de superação, resistência e desprendimento, ao mesmo tempo em
que expõe a vulnerabilidade humana diante das adversidades. Na trilha sonora,
um passeio musical em obras máximas de Diamond, como “Sweet Caroline”, “I am...
I said” e “Holly Holy”. Estreou recentemente no Prime Video (com distribuição
no Brasil pela Universal Pictures).
Anistia 79
Alusivo documentário brasileiro aos 47 anos da Lei da Anistia, decretado em 1979, em um período crítico da Ditadura Militar no Brasil. O longa traz os primeiros movimentos no exterior para a anistia (que ficou ampla, geral e irrestrita), quando no Parlamento Italiano, em Roma, entre junho e julho de 1979, foi realizada a Conferência Internacional pela Anistia e pelas Liberdades Democráticas no Brasil. O encontro, de três dias, juntou cerca de 500 pessoas, incluindo exilados políticos, intelectuais, ativistas de direitos humanos e figuras da resistência à ditadura militar (como Apolônio de Carvalho, Gregório Bezerra e Francisco Julião). A Conferência foi a maior reunião da diáspora brasileira fora do país durante a Ditadura (que continuava aqui exilando, perseguindo e matando). O trunfo ideativo do filme é reunir gravações inéditas, todas com imagem restaurada, que foram feitas no Congresso por um militante de esquerda exilado na França, Hamilton Lopes dos Santos. Praticamente o filme todo é um compilado dessas imagens poderosas, em preto-e-branco, encontradas pela diretora do filme, Anita Leandro, no acervo da Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, e analisadas por pessoas que sentiram na pele a Ditadura, como familiares, e amigos íntimos dos retratados naquela reunião. Aparecem nas gravações Francisco Julião (das Ligas Camponesas), Apolonio de Carvalho, Carmela Pezzuti, Manuel da Conceição, Rolando Frati, Luís Travassos e Márcio Moreira Alves, parte desses exilados. Quase meio século depois, as gravações ressurgem para reacender o debate sobre as tristes páginas da História do país, do Estado repressivo da ditadura e da impunidade dos torturadores, trazendo paralelos com o Brasil atual (já que o golpismo e os afãs ditatoriais ainda rondam por aqui). No filme, 11 pessoas assistem pela primeira vez, depois de tanto tempo, àquelas imagens, e emocionadas relembram a História e seus personagens. A Conferência ocorreu às vésperas da sanção da Lei da Anistia no Brasil (Lei nº 6.683, de agosto de 1979), planejada para debater pontos limitantes dela – e serviu para denunciar os crimes e as torturas da ditadura militar brasileira perante a opinião pública mundial e o parlamento europeu. Acabou sancionada pelo presidente João Figueiredo em 28 de agosto daquele ano, sendo um marco no processo de redemocratização do Brasil. Deu perdão tanto aos opositores do regime quanto aos agentes do Estado (torturadores e militares) - por isso ampla, geral e irrestrita. As consequências diretas da Lei foram o retorno dos exilados (como líderes políticos, intelectuais e artistas), a libertação de presos políticos detidos nos presídios brasileiros e a reorganização política, permitindo a partir de 1980 a volta do pluripartidarismo, a restituição dos direitos políticos a cidadãos que haviam sido cassados pelo regime e as eleições diretas. É um filme-estudo de História, didático, importante para os dias de hoje. Foi premiado na Mostra de Cinema de Tiradentes, onde recebeu os prêmios de Melhor Filme da competição Olhos Livres e do Júri Popular. Nos cinemas pela Embaúba Filmes.













