Confira resenhas de seis documentários imperdíveis – três deles em exibição nos principais cinemas do Brasil e outros três nos streamings Sesc Digital e Netflix.
Cinema na Web
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 1
Confira resenhas de seis documentários imperdíveis – três deles em exibição nos principais cinemas do Brasil e outros três nos streamings Sesc Digital e Netflix.
terça-feira, 28 de julho de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 2
Xica da Silva
domingo, 26 de julho de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 1
Futuro futuro
Toquinho: Encontros e um violão
Nós
acreditamos em você
Está na minha lista particular das melhores estreias do ano esse drama belga de forte impacto emocional, dirigido e roteirizado pela dupla estreante Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys. Recebeu Menção Especial de Melhor Primeiro Longa-Metragem na Berlinale 2025, e agora está nos principais cinemas brasileiros pela distribuidora Filmes do Estação. É uma história tensa que olhar atento aos detalhes, cuja trama acontece integralmente em poucas horas, em uma sala fechada. Ali está Alice, uma mãe que trava uma batalha judicial pela guarda dos filhos após acusar o ex-companheiro de crimes sexuais contra eles (menores de idade). O que deveria ser um processo centrado na proteção das crianças vira do avesso, em um julgamento da própria conduta da mãe, revelando um sistema que fragiliza a vítima. Na sala estão a juíza do caso, assistentes jurídicos, agentes de segurança, advogados e o pai, acusado do crime. A angústia cresce a cada depoimento, e o filme trabalha muito bem esse ponto, com foco na protagonista, interpretada brilhantemente pela belga Myriem Akheddiou, atriz de “O garoto da bicicleta” (2011) e “Titane” (2021). O longa aborda um tema discutido amplamente na sociedade hoje, a violência sexual contra crianças dentro do ambiente doméstico, e trabalha a coragem, a dor e a urgência dessa mãe na tentativa de provar os crimes sobre seus filhos - mas descredibilizada a todo instante pelo olhar da justiça, que duvida de suas palavras. Gravado no formato 4:3 (ou 1.33:1, conhecido por “tela cheia”), tem predominância de primeiros planos, que tornam o filme angustiante e claustrofóbico, aproximando o espectador das expressões e silêncios dos personagens. Conciso em seus 78 minutos de duração, é uma obra séria e competente, que merece ser vista e debatida.
Marsupilami – Confusões a bordo
Comédia de aventura infantil feita na França, o filme estreou nos cinemas no último fim de semana, pela Paris Filmes. É um passatempo (bem passatempo mesmo), tipo uma Sessão da Tarde, para crianças, que mistura atores reais e animação digital. E que resgata um personagem famoso na França, criado em quadrinhos nos anos 50 por André Franquin, o Marsupilami. No passado, Marsupilami ganhou seriado animado, telefilme, e agora é a maior produção sobre ele, dirigido e estrelado pelo comediante Philippe Lacheau. A história acompanha um funcionário de um zoológico que, para salvar seu emprego, aceita transportar secretamente um pacote vindo de um país chamado Palômbia. Ele viaja de cruzeiro ao lado da ex-esposa, do filho e de um colega atrapalhado, e descobrem que estão carregando um filhote de Marsupilami, criatura rara e travessa (uma espécie de marsupial, amarelo, com traços de onça pintada). Só que atrás deles estará uma gangue que quer capturar o animalzinho, dando início a uma sucessão de confusões. É uma história cheia de corre-corre, para crianças pequenas, que conhecerão um novo formato do famoso personagem, agora em computação gráfica (isso o atualiza e dá novos rumos para as antigas histórias de Franquin). Atores franceses conhecidos aparecem no longa, como Jamel Debbouze e Jean Reno. Achei engraçadinho, mas nada além do trivial em filmes desse naipe.
terça-feira, 21 de julho de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 2
A
noite de Alaíde
A cantora
e compositora carioca Alaíde Costa é homenageada em um documentário no ano em
que comemora 90 de idade. Uma das maiores vozes da música brasileira, Alaíde sempre
selecionou para o repertório de seus shows e discos canções melancólicas da MPB
e da Bossa Nova, o que virou uma marca da artista. Filha de um forneiro de
padaria e de uma lavadeira, desde pequena demonstrou talento para o canto,
participando de concursos de calouros em rádios e circos, onde se destacou
ainda adolescente. Em 1955 iniciou a carreira profissional como crooner em
bailes no Rio de aneiro até lançar, no ano seguinte, o primeiro álbum, o que
abriu caminho para uma trajetória de seis décadas na música. Foi uma das
primeiras mulheres negras a entrar no movimento da Bossa Nova, gravando com Vinicius
de Moraes, Tom Jobim, Baden Powell, Johnny Alf e João Gilberto. Sua voz
delicada e afinada lhe garantiu reconhecimento como uma intérprete singular. No
documentário em primeira pessoa, Alaíde relembra infância, juventude e fase adulta,
tratando de temas como preconceito racial e as dificuldades para se consolidar no
mercado da música (em um ambiente dominado por homens). Com sua voz suave, por
vezes demonstrando timidez, ela conta boas histórias nesse filme que mistura
linguagens: é documentário com dramatização (Alaíde é interpretada por atrizes
mirins e adolescentes de acordo com as fases da vida), e uso de estéticas
variadas, como rotoscopia (animação por cima das gravações reais) e animação em
2D, além de entrevistas e apresentações antigas da cantora e arquivo de fotos
das décadas de 40 a 70. Essa estética diferenciada vem da mente da diretora
especializada em linguagem híbrida, Liliane Mutti, que havia trabalhado algo
nessa perspectiva em “Miúcha – A voz da Bossa Nova” (2022). O filme estreou no
último fim de semana simultaneamente nos cinemas do Brasil e de Portugal, pela
Bretz Filmes, após percorrer festivais nacionais e internacionais, como Telluride,
TIFF, IDFA, CPH:DOX, o In-edit Brasil 2026 e o Marché du Film, em Cannes.
Haverá amanhã, dia 22/07, sessão especial no Reserva Cultural em São Paulo, às
20h10, seguido de debate com integrantes da equipe do filme. O longa tem licenciamento
no Globoplay e em breve entrará no catálogo do Canal Curta!
Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 1
Naufrágio:
O pesadelo do Costa Concordia
Mais um
dos tantos documentários da Netflix sobre reconstituição de tragédias reais,
desta vez envolvendo o naufrágio do Costa Concordia, um imponente navio de
cruzeiro. O caso aconteceu em 13 de janeiro de 2012, quando, numa viagem com
4.200 pessoas, a embarcação se chocou contra as rochas próximas à Ilha de
Giglio, na Itália. O navio passou por uma manobra arriscada do capitão, que o
levou muito próximo da costa. O impacto com as pedras destruiu parte do casco,
que fez com que o navio inclinasse e houvesse perda de energia elétrica. A
demora da tripulação em ordenar a evacuação agravou o cenário, gerando pânico e
desorganização entre os passageiros. Foram horas de desespero para colocar todos
em botes, enquanto a embarcação submergia nas águas. O resultado: 32 pessoas
mortas, dezenas de feridos e a fuga do capitão Francesco Schettino, que
abandonou o navio antes do término do resgate (sua justificativa foi de que
teria “escorregado” para dentro de um bote salva-vidas, mas em 2015 ele foi
condenado por homicídio culposo, naufrágio e abandono, recebendo pena de 16
anos de prisão). Devido à dimensão do desastre e ao porte da embarcação, o
resgate do Costa Concordia tornou-se a operação marítima mais complexa e cara
já realizada – e a tragédia em si entrou para a História como um dos maiores
desastres marítimos dos últimos anos. O filme da Netflix relembra o caso, com
entrevistas dolorosas de passageiros que perderam familiares, de sobreviventes
e de parte da tripulação do Costa Concordia. Há muito material de arquivo, como
reportagens da época, muitas delas italianas, e imagens inéditas, somente agora
liberadas para uso, do resgate das vítimas. Um bom filme, que nos deixa
apreensivos diante do impacto daquela noite interminável - após o naufrágio do
Costa Concordia, a indústria de cruzeiros implementou mais de 30 novas
políticas de segurança, como mudanças nas leis e práticas marítimas globais que
incluem a obrigatoriedade de treinamento de emergência antes do navio zarpar,
restrições severas de acesso à ponte de comando e a exigência de planejamento
de rotas com antecedência.
terça-feira, 14 de julho de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 4
A mulher mais rica do mundo
Salvação
domingo, 12 de julho de 2026
Resenhas especiais
Especial “Invasores de corpos”
Invasores de corpos – A invasão continua
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