Amor
apocalipse
Comédia
romântica sentimental, com um roteiro que fica longe da obviedade, que se situa
num pré-apocalipse capaz de colocar fim ao planeta. Nesse momento de incertezas,
surge uma inesperada ligação afetiva entre um rapaz depressivo (Patrick Hivon),
dono de um canil, e uma jovem feliz da vida (Piper Perabo), que trabalha em uma
empresa de lâmpadas solares terapêuticas. O mundo está prestes a acabar, com
ruas devastadas e gente fugindo, mas os dois, ao se encontrar, parecem ter algo
de bom para compartilhar nesses dias tensos. O apocalipse funciona como
alegoria dos temores atuais e também uma moldura para destacar a resiliência
dos vínculos humanos – a pergunta que o filme tenta responder é “Pode o amor
nascer num ambiente de catástrofe anunciada”? O roteiro combina ironia com
delicadeza, alternando momentos de riso com instantes de emoção, trazendo
atuações sinceras dos dois protagonistas (destaque para a americana indicada ao
Globo de Ouro Piper Perabo, que surgiu no fim dos anos 90, em fitas populares
como “Showbar”, depois sumiu, reapareceu em fitas B e agora presente em
seriados de sucesso como “Yellowstone”). Com direção de Anne Émond (de “A jovem
Juliette”), o filme, uma produção canadense, participou de festivais como
Cannes (na Quinzena dos Cineastas), Toronto e a Mostra Internacional de Cinema
de SP, e agora estreou em salas de cinemas do Brasil, com distribuição da
Synapse Distribution.
Buenos
Aires
Buenos
Aires é aqui, no sertão pernambucano! A partir dessa ideia meio maluca, o inusitado
documentário brasileiro investiga a relação dos argentinos com o Brasil, mais
especificamente com a Zona da Mata de Pernambuco, no coração do Nordeste. Lá,
existe um município chamado Buenos Aires, onde boa parte dos moradores falam
espanhol. Eles conhecem profundamente a História da capital argentina e adoram
um esporte tradicional de lá, o futebol (inclusive cultuam o jogador Messi). Uma
professora de espanhol conduz o cativante doc trazendo as referências de
personagens e lugares daquela cidadezinha de 13 mil habitantes, localizada a 79
km do Recife, marcada por paisagem de contrastes sociais. Nunca houve vestígios
da passagem de portenhos pela região, portanto o mistério acerca das origens de
Buenos Aires ronda o imaginário popular, bem como o estudo dos historiadores. Dirigido
pela cineasta pernambucana Tuca Siqueira (que conheceu a fundo a cidade na
última década), a mesma diretora de “Iracemas”, o filme, que originalmente se chamaria
“Buenozaire”, acompanha a rotina dos habitantes e os fortes vínculos deles com o
país vizinho – em certo momento, vê-se inclusive casas pintadas com diversas
cores, como se fossem o Caminito argentino. O filme carrega um tom de fábula,
tem uma narrativa simples, mas que prende a atenção pelas histórias de seus personagens
(muito legais para se conhecer). Produção da Garimpo Filmes, estreou nos
cinemas no último fim de semana, com distribuição da Arthouse Distribuidora.
Olhe
o mar
Coproduzido
pela Disney e em exibição nos cinemas brasileiros pela Autoral Filmes, a
comédia dramática franco-belga é uma adaptação de um filme mexicano de 2018
chamado “Ya veremos”, agora assinado por Emmanuel Poulain-Arnaud (de “O teste”).
A maior alteração de um filme para o outro está na idade do personagem central –
antes uma criança, agora um adolescente. O longa acompanha Chris (Audrey
Fleurot) e Antoine (Dany Boon), pais divorciados que mal conseguem conviver,
mas são obrigados a deixar de lado as desavenças quando descobrem que Milo
(Ewan Bourdelles), de 16 anos, sofre de uma doença rara e degenerativa nos
olhos, a retinite pigmentosa, que o levará à cegueira total. Os dois combinam uma
viagem diferente com o menino, até a praia de Hossegor, no sudoeste da França, para
que veja o mar pela última vez. O filme com tom de despedida equilibra momentos
de ternura e humor, em torno de uma viagem que será tanto física quanto
emocional (tendo o mar como metáfora dos turbilhões emocionais daquela família).
O diretor Poulain-Arnaud, que já explorou dinâmicas familiares em obras
anteriores, opta por sutilezas e cenas afetivas para suavizar a dureza da
história (ele utilizou como base uma dolorosa experiência real, quando foi
acometido por um câncer e por pouco não faleceu). O bom trabalho do elenco (com
destaque para o comediante Dany Boon, aqui mais contido e mais dramático) se
alia a uma belíssima fotografia litorânea, que valoriza o mar e as praias da charmosa
região. Prepare os lenços para um filme de pura emoção.
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