terça-feira, 29 de agosto de 2023

Cine Terror


Dois filmes que integram o box “Sessão de terror Anos 80 – volume 6”, lançado recentemente pela Obras-primas do Cinema.


Os demônios de Alcatraz

Estudante tem terríveis pesadelos de uma prisão ocupada por pessoas que lá morreram e se transformaram em demônios. Com um grupo de amigos, ele faz uma expedição a Alcatraz, a temida penitenciária na baía de São Francisco, pois acredita que o local esteja abrigando tais monstros de seus sonhos, e, portanto, quer confrontá-los. Chegando na prisão, o grupo é perseguido por demônios vorazes.

Fita B de terror com muito rock’n’roll dos anos 80, demônios assustadores e pitadas de humor negro. Naquelas tramas absurdamente divertidas e impossíveis da época, acompanhamos um estudante que vive sonhando com demônios em uma penitenciária. Ele tem um “chamado”, e com um grupo de amigos vai até a ilha de Alcatraz, na prisão desativada, encontrar-se com o mal. Um deles é possuído por um demônio canibal, os amigos se dispersam e acabam perseguidos por criaturas medonhas que atormentam o rapaz em seus sonhos. Uma bruxa boa e gótica irá auxiliá-los no caminho da sobrevivência.
Fitinha corriqueira, passatempo curto (tem 85 minutos apenas), direto e curioso, com atores desconhecidos (há canastrões, que nem seguiram carreira, e participação especial de Toni Basil, cantora, coreógrafa e atriz, no papel da bruxa boa). Inspirado no cinema de terror oitentista italiano de Lamberto Bava, em particular na cultuada duologia “Demons” (1985 e 1986) – a maquiagem dos demônios com dentes que saltam é muito semelhante, além do clima, com uma fotografia escura em ambientes tomados por fumaças, da trilha sonora e dos letreiros iniciais.
Foi filmado na verdadeira penitenciária federal de Alcatraz, na Baía de São Francisco, Califórnia, que existiu como prisão por 30 anos, entre 1934 e 1963, e abrigou criminosos perversos, como Alvin Karpis, e mafiosos, dentre eles Al Capone.


O filme saiu em DVD no box “Sessão de terror Anos 80 – vol.6”, juntamente com “A visão do terror” (1986), “Spookies: Renascidos das trevas” (1986) e “Assassinato no colégio” (1989) - lançado pela Obras-primas do Cinema, em disco duplo, contendo 50 minutos de extras e cards colecionáveis.

Os demônios de Alcatraz (Slaughterhouse rock). EUA, 1987, 85 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por Dimitri Logothetis. Distribuição: Obras-primas do Cinema


Assassinato no colégio

Uma jovem estudante, filha de um procurador de Justiça que está desaparecido, inicia o ano letivo em uma nova escola. Seus colegas de classe, um a um, são assassinados por alguém desconhecido. E ela será a próxima vítima.

Nos anos de 1980 brotou nos Estados Unidos um popular subgênero do terror chamado ‘slasher movies’, com filmes sanguinários sobre assassinos mascarados que trucidavam jovens em cabanas distantes (como “Sexta-feira 13”), em mansões sinistras (como “Noite infernal”), em festas (como “Baile de formatura”) etc. Dentro do mundo do slasher surgiu uma linha de filmes com humor negro, uma espécie de terrir (terror com comédia), principalmente no fim daquela década. “Assassinato no colégio” (1989) é um desses casos, uma fitinha corriqueira com tom policial e uma trama de investigação, sobre estudantes que são mortos na escola de uma pequena cidade após o súbito desaparecimento de um procurador de Justiça cuja filha está matriculada lá. Muitas mortes bizarras deixam a comunidade estarrecida, e todos estão à procura do assassino.
Nada marcante ou especial, é um passatempo bobinho, porém curioso por trazer Brad Pitt bem novo (na época tinha 26 anos, e este foi seu quarto trabalho no cinema). Tem participação dos novatos Donovan Leitch Jr., de “A bolha assassina” (1988) e Jill Schoelen, de “O padrasto” (1987), e dos veteranos Martin Mull, de “Os sete suspeitos” (1985), como o procurador desaparecido, e Roddy McDowall, de “Cleopatra” (1963) e “A hora do espanto” (1985), no papel do diretor da escola.


Foi o único filme dirigido pelo inglês Rospo Pallenberg, roteirista de “Excalibur” (1981) e “Floresta das esmeraldas” (1985), e que coescreveu e codirigiu, sem créditos, “O exorcista II: O herege” (1977).
Integra o box “Sessão de terror Anos 80 – vol.6”, com os filmes “Os demônios de Alcatraz”, “A visão do terror” e “Spookies: Renascidos das trevas”, lançado pela Obras-primas do Cinema; são dois discos, contendo 50 minutos de extras e cards colecionáveis.


Assassinato no colégio (Cutting class). EUA, 1989, 91 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por Rospo Pallenberg. Distribuição: Obras-primas do Cinema

domingo, 13 de agosto de 2023

Na Netflix


Três novos documentários, de 2023, na Netflix. Confira resenhas abaixo!



Desaparecida: O Caso Lucie Blackman

Em julho de 2000, uma jovem britânica de nome Lucie Blackman desapareceu em Tóquio, capital do Japão. O documentário acompanha entrevistas do pai da garota e toda a investigação, que durou meses e teve final trágico.

Coprodução EUA/Japão, o documentário acompanha passo a passo as investigações em torno do desaparecimento de uma jovem em Tóquio, chamada Lucie Blackman, em 2000. Ela era comissária de bordo, tinha 21 anos e fez uma viagem à capital do Japão, onde pretendia se instalar por um ano. Porém, desapareceu sem deixar vestígios três semanas depois de chegar lá. O pai, Tim Blackman, fez uma busca incansável por justiça, e é ele quem conduz as conversas nesse documentário investigativo de grande impacto. No filme, vê-se uma série de vídeos reais da investigação do caso, a atuação da polícia japonesa e a mobilização da comunidade. Na época o pai chegou a implorar ao primeiro-ministro Tony Blair para expandir a investigação. O clímax do doc é a prisão de um suspeito, um playboy milionário acusado por agressão sexual a mulheres e que costumava gravar vídeos caseiros estuprando as vítimas desacordadas.



A Netflix é especializada em séries, microsséries e documentários policiais, e aqui temos mais um bom exemplo, que funciona. É um caso intrigante, de roer as unhas, com um triste desfecho. Estreou na Netflix em 26 de julho.

Desaparecida: O caso Lucie Blackman (Keishichô sôsaikka rûshî burakku man jiken/ Missing: The Lucie Blackman Case). EUA/Japão, 2023, 83 minutos. Documentário. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Hyoe Yamamoto. Distribuição: Netflix


A Dama do Silêncio: La Mataviejitas

Documentário que acompanha a caçada a um serial killer que matou mais de 40 idosas na Cidade do México entre 1998 e 2005. A suspeita era de que o assassino, na verdade, era uma mulher, uma lutadora de luta livre que se vestia de enfermeira para cometer os crimes. O caso ficou conhecido no mundo inteiro como “La Mataviejitas” (“A matadora de velhinhas”).

Um caso turbulento de assassinatos brutais de idosas, que mexeu com a opinião pública e amedrontou o México entre os anos de 1990 e 2000 é o tema central desse documentário imperdível da Netflix. Mais de 40 velhinhas solitárias foram estranguladas dentro de casa, numa época em que não havia celular nem câmeras de vigilância, em uma das cidades mais populosas do mundo, Cidade do México. No documentário, a equipe entrevista policiais que atuaram no caso, familiares e amigos das vítimas, bem como peritos criminais. Há ainda um vastíssimo material de arquivo, como jornais impressos, fotos e vídeos da investigação liberados pela polícia, que ajudam a reconstruir o caso que ficou conhecido como “La Mataviejitas”. A polícia sempre trabalhou com a hipótese de que o criminoso era um homem, pela força com que estrangulava as vítimas. Quando a investigação avançou, chegou-se à conclusão de uma mulher alta, encorpada e musculosa – a partir daí, muitas mulheres foram presas indevidamente, e a polícia mirava transexuais, a ponto de agredi-los nas ruas em busca de informação (o filme faz uma crítica à repressão policial, em especial àquela contra os mais vulneráveis; em certo ponto do documentário, alguns entrevistados da corporação policial mexicana fazem o ‘mea culpa’). A serial killer confessa era uma mulher solitária, ex-lutadora de luta livre apelidada de “Dama do Silêncio, que tinha um bom relacionamento com a vizinhança onde morava – ou seja, uma cidadã acima de qualquer suspeita.



Outro bom doc investigativo da Netflix para não desgrudar os olhos da TV - estreou na plataforma em 27 de julho.

A Dama do Silêncio: La Mataviejitas (La Dama del Silencio: El caso de La Mataviejitas). México, 2023, 111 minutos. Documentário. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por María José Cuevas. Distribuição: Netflix


Contaminação: A verdade sobre o que comemos

Documentário que investiga surtos de doenças alimentares ocorridos nos Estados Unidos nos últimos 30 anos.

A diretora Stephanie Soechtig engajou-se em vários documentários sobre produtos aparentemente inofensivos vendidos no mercado , mas causadoras de graves riscos à saúde: em “Tapped” (2009), examinou os efeitos nocivos de substâncias liberadas pelas garrafas Pet no organismo humano; em “Fed up” (2014), tratou o boom da obesidade nos Estados Unidos relacionando-o à indústria de alimentos fast food e enlatados; e em “The devil we know” (2018), mostrou a contaminação de pessoas com o Teflon, um polímero com substâncias cancerígenas usado em panelas. Agora, com “Contaminação: A verdade sobre o que comemos”, que estreou na Netflix no dia 02 de agosto, ela se volta para o mundo das contaminações alimentares, falando de surtos de doenças causadas por microrganismos invisíveis a olho nu; no filme, ela foca em duas delas: as provocadas pela bactéria E. coli e a salmonella. O doc investiga pais que perderam filhos por graves infecções gastrointestinais, e entrevista pessoas que por um triz não morreram, porém que sofrem as consequências, tendo de fazer tratamentos médicos periódicos. Com ousadia, a diretora procura quem está por trás dessa indústria de alimentos; ela denuncia empresas, por exemplo, que deixam de fazer as devidas inspeções sanitárias em alimentos como alface, ovos e frangos.
Há ainda entrevistas com congressistas norte-americanos, ativistas, médicos e chefes de laboratórios, que trazem dados alarmantes sobre a contaminação de alimentos - uma simples alface mal lavada, segundo eles, possui mais bactérias E. coli do que em carnes fatiadas nas bandejas de mercado, sem contar o frango, campeão de contaminação por salmonella.



É um doc que nos causa sensações ruins, pois demonstra que todos os alimentos estão sujeitos à contaminação, sendo boa parte deles não averiguados por agências de vigilância sanitária – lembremos que é um filme norte-americano, e lá as regras de fiscalização higiênica são bem diferentes do Brasil; há menos rigor na averiguação dos produtos alimentícios e há brechas nas leis de cada estado, pelo que aponta o filme.
Serve de alerta para revermos nossas práticas de armazenamento dos alimentos e como escolher na hora de comprá-los.

Contaminação: A verdade sobre o que comemos (Poisoned: The danger in our food). EUA, 2023, 83 minutos. Documentário. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Stephanie Soechtig. Distribuição: Netflix

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Cine Cult


Alucinações do passado

Jacob (Tim Robbins) é um veterano da Guerra do Vietnã. Traumatizado com as atrocidades que vivenciou no campo de batalha, sofre hoje o luto pela perda do filho pequeno. Suas lembranças do Vietnã transformam-se em pesadelos constantes, e Jacob sempre se imagina morrendo na guerra. Diariamente a realidade vira uma assustadora ficção: ele passa a ser perseguido por vultos e criaturas instaladas no corpo dos humanos. Para se livrar desse tormento, recorre à namorada, Jezebel (Elizabeth Peña), e ao amigo massagista Louis (Danny Aiello), para que o ajudem a investigar o motivo desses delírios.

Sempre esteve na lista dos meus filmes preferidos “Alucinações do passado” (1990), uma obra instigante, adulta e repleta de mensagens escondidas, que fala dos traumas dos soldados que estiveram na Guerra do Vietnã, porém com um viés de terror psicológico. O diretor é Adrian Lyne, que fez somente nove filmes na carreira (ele está vivo, com 82 anos), dentre eles fitas populares nos anos de 1980 e 1990, como o notório musical “Flashdance: Em ritmo de embalo” (1983), o tórrido romance “9 ½ semanas de amor” (1986), o suspense de puro erotismo e tensão “Atração fatal” (1987 - em que chegou a ser indicado ao Oscar de melhor diretor), o drama romântico muito reprisado na TV “Proposta indecente” (1993) e a versão moderna (e bem legal) de “Lolita” (1997). Apesar de dirigir pouco, sabe conduzir o elenco como ninguém – em “Alucinações do passado” extraiu a melhor interpretação de Tim Robbins, que até então não tinha feito nada de especial e praticamente foi aqui que sua carreira virou, no difícil papel do soldado traumatizado com a guerra e que sofre de desassociação, distorcendo a realidade, tendo pesadelos com monstros e vultos que o perseguem. Depois do filme, Robbins fez grandes papéis, protagonizando “O jogador” (1992), em que ganhou os prêmios de ator em Cannes e no Globo de Ouro, e ainda “Na roda da fortuna” (1994), “Um sonho de liberdade” (1994) e “O suspeito da rua Arlington” (1999) – foi casado com Susan Sarandon de 1988 a 2009, recebeu indicação ao Oscar de diretor por “Os últimos passos de um homem” (1996 - que deu o prêmio de atriz a Susan) e ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante em “Sobre meninos e lobos” (2003).
“Alucinações do passado” foi escrito por Bruce Joel Rubin, que no mesmo ano ganhou o Oscar de roteiro por “Ghost: Do outro lado da vida” (1990). É um intenso drama de guerra sobre a descida de um homem ao inferno, reunindo elementos essenciais do cinema de suspense, terror e ficção científica. Há cenas memoráveis, como a do metrô, quando Jacob vê vultos horripilantes como se fossem fantasmas pretos sem rosto, e a da boate, em que Jezebel, a namorada do protagonista, surge com um longo rabo de monstro enquanto dança.
O título original é “Jacob’s ladder” (ou “A escada de Jacó”), que segundo a Bíblia, em Gênesis, simboliza a conexão do céu com a terra, do homem com Deus, da carne com o espiritual. E aos poucos essa mensagem vai se solidificando no filme, até chegar ao emocionante desfecho.





Gravado na maior parte em Nova York e algumas cenas em Porto Rico (como as da Guerra do Vietnã), conta com um bom elenco de apoio, como Elizabeth Peña, atriz de origem cubana que fez “La bamba” (1987) e “A hora do rush” (1998), e que faleceu cedo, aos 57 anos em 2014, e Danny Aiello, ator veterano de mais de 90 filmes, como “Era uma vez na América” (1984), “Feitiço da lua” (1987) e “Faça a coisa certa” (1989 – indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante). Há rápidas aparições de Matt Craven, de “Questão de honra” (1992), Jason Alexander, da série “Seinfeld” (1989-1998), Ving Rhames, o Luther de todos os filmes da franquia “Missão: Impossível” e, vejam só, de Macaulay Culkin, em participação não-creditada, na época com nove anos e meses antes de fazer o sucesso de público “Esqueceram de mim” (1990).
“Alucinações do passado” acaba de sair numa ótima edição em DVD pela Obras-primas do Cinema, com capa dupla face, card colecionável e 40 minutos de extras no disco.
PS: Ganhou uma pavorosa continuação em 2019, “Alucinações do passado 2”, de David M. Rosenthal, com o ator Michael Ealy, que refaz, com erros e sem tom, a história, agora na Guerra do Afeganistão.

Alucinações do passado (Jacob's ladder). EUA, 1990, 113 minutos. Drama/Terror. Colorido. Dirigido por Adrian Lyne. Distribuição: Obras-primas do Cinema

Cine Lançamento


Tempo

Em férias numa pequenina praia paradisíaca, uma família se encontra com outro grupo de frequentadores do local. Não há mais ninguém por lá, o mar está calmo e o sol radiante. Até que uma estranha e assustadora situação ocorre: todos na ilha começam a envelhecer rapidamente, e eles não conseguem deixar o lugar.

Um thriller de terror diferente, que nos prende até o desfecho-surpresa, com uma história original repleta de mistério, fantasia e elementos de ficção científica. Escrita e dirigida pelo indiano M. Night Shyamalan, que no finzinho da década de 1990 revolucionou o cinema de horror com sua obra-prima “O sexto sentido” (1999) e depois teve carreira irregular, dividido entre bons filmes como “Corpo fechado” (2000) e “Fragmentado” (2016) e longas pavorosos, por exemplo, “Fim dos tempos” (2008) e “Depois da Terra” (2013).
Shyamalan fez aqui uma livre adaptação da graphic novel francesa “Sandcastle/ Château de sable”, da dupla Pierre Oscar Levy e Frederik Peeters, escrevendo um novo final, com mais violência e um clima de mais angústia e estranheza. Na trama, uma família se hospeda num resort luxuoso e, para relaxar, são convidados pelo gerente para passar alguns dias numa praia paradisíaca localizada numa ilha próxima. O casal é Guy (Gael García Bernal, de “Amores brutos”) e a esposa, Prisca (Vicky Krieps, de “Trama fantasma”), que vivem um relacionamento em crise, e levam com eles os filhos pequenos. Na ilha chegam outros turistas, como um senhor misterioso, Charles (Rufus Sewell, de “Coração de cavaleiro”), e a modelo Chrystal (Abbey Lee, de “Mad Max: Estrada da fúria”). O passeio se torna infernal: descobrem que estão envelhecendo a cada minuto que passa, a ponto de as crianças se tornarem jovens, e os adultos, velhos com rugas e dores no corpo. Aparece um cadáver que em poucas horas se decompõe sobrando apenas os ossos... Eles se perguntam: o que ocorre naquela ilha e como fugir de lá? Como não encontram respostas, o desespero toma conta, e todos vão se tornando agressivos.






Inusitado, com cenas bizarras saídas da mente efervescente de Shyamalan, conta com um final revelador (pelo menos para mim) – prestem atenção nos vinte minutos finais e não deixem que te contem para não estragar a surpresa!
Não é dos grandes filmes do diretor, mas exemplifica essa nova fase dele depois de lançar uma série de fiascos de crítica e público.
Disponível em DVD e bluray pela Universal Pictures (ambos com extras no disco) e para aluguel em plataformas de streaming, como Star+, Youtube Filmes, Apple TV e GooglePlay Filmes e Amazon Prime Video.

Tempo (Old). EUA/Japão/China, 2021, 108 minutos. Terror/Suspense. Colorido. Dirigido por M. Night Shyamalan. Distribuição: Universal Pictures

sábado, 5 de agosto de 2023

Cine Cult


As loucas aventuras de Rabbi Jacó

Victor Pivert (Louis de Funès) é um senhor ranzinza e preconceituoso. No caminho do casamento da filha, enrola-se em uma conspiração envolvendo terroristas e assassinos. Para fugir deles, assume a identidade de um rabino norte-americano que está de passagem por Paris para um Bar Mitzvah, dando início a uma série de trapalhadas.

Indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro em 1975, é um dos momentos mais formidáveis no cinema do humorista francês Louis de Funès (1914-1983), ator com hilárias caras e bocas, de “A grande escapada” (1966) e “O avarento’ (1980). Aqui foi novamente dirigido pelo parceiro de trabalho Gérard Oury – Funès esteve numa das séries de filmes mais queridas pelos franceses, do “Gendarme”, produzidos entre os anos de 1960 e 1980. Funès costumava interpretar a mesma linha de papéis, senhores chatos, ranzinzas, mas astutos, que se envolviam em enrascadas mirabolantes. Em “Rabbi Jacó”, ele é um homem reclamão que assume a identidade de um rabino para fugir de bandidos perigosos, como assassinos e terroristas. Engraçado, tem cenas impagáveis, como a da perseguição na fábrica de chiclete (onde todo mundo cai nos tanques de goma e ficam verdes, melequentos) e a do final, dos ritos judaicos. Um filme que não envelhece, traz uma mensagem contra a discriminação de raça e credo, e garante, por fim, risos atrás de risos.
O filme foi relançado em bluray no Brasil pela Versatil, numa excelente cópia restaurada em alta definição (com muitos extras no disco).



As loucas aventuras de Rabbi Jacó (Les aventures de Rabbi Jacob). França/Itália, 1973, 100 minutos. Comédia. Colorido. Dirigido por Gérard Oury. Distribuição: Versátil Home Video

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Cine Clássico


A estranha passageira


Charlotte Vale (Bette Davis) é uma jovem com muitos traumas, que vive com a mãe controladora, a Sra. Vale (Gladys Cooper). Após uma crise nervosa, é recomendada pelo psiquiatra, Dr. Jaquith (Claude Rains), para se retirar em sua clínica de repouso. O tratamento faz com que ela se torne uma mulher independente e corajosa, e chega até a mudar de visual, partindo para uma viagem ao Rio de Janeiro, onde conhece um homem casado, Jeremiah Durrance (Paul Henreid).

A Obras-primas do Cinema distribuiu mês retrasado em DVD esse charmoso clássico da década de 1940, que traz uma das mais incríveis atuações de Bette Davis, um monstro sagrado da Sétima Arte, em papel que lhe rendeu sua sétima indicação ao Oscar. Originalmente da Warner Bros, numa época em que o estúdio se voltava para filmes sérios, que rompiam com tabus, esse romance melodramático conta com três bons coadjuvantes: Gladys Cooper, no papel da mãe controladora da protagonista, com seu olhar penetrante (indicada ao Oscar aqui de atriz coadjuvante, esteve em “Minha bela dama”), Paul Heinred (de “Casablanca”), o bonitão casado que a protagonista conhece no Rio de Janeiro (aliás, tem músicas brasileiras na trilha sonora) e Claude Rains (de “A mulher faz o homem”), o psiquiatra que ajuda a personagem central em sua clínica.



É um roteiro maduro, bem esquematizado pelo roteirista Casey Robinson (de “O capitão Blood”), que adaptou o romance da escritora Olive Higgins Prouty, sobre uma mulher em plena transformação, que precisa vencer medos e barreiras sociais para se impor como uma mulher independente e sair das garras da mãe dominadora. Dirigido pelo britânico Irving Rapper, de “Rapsódia azul”, é um grande filme dos anos de Ouro de Hollywood. Ganhou o Oscar de trilha sonora (de Max Steiner, de trilhas impecáveis como a de “E o vento levou”).

A estranha passageira (Now, voyager). EUA, 1942, 117 minutos. Drama. Preto-e-branco. Dirigido por Irving Rapper. Distribuição: Obras-primas do Cinema