Chopin,
uma sonata em Paris
Uma boa
recomendação de filme para os apreciadores de música erudita, bem como quem
gosta de biografias de músicos clássicos é “Chopin, uma sonata em Paris”, que acaba
de estrear nos cinemas, com distribuição da Synapse Distribution. O drama é a cinebiografia
de Frédéric Chopin (1810-1849), pianista e compositor polonês da era romântica,
considerado um gênio sensível que rompeu padrões até então estabelecidos no mundo
da música clássica. Nascido na pequena vila de Żelazowa Wola, na Polônia, desde
cedo revelou talento extraordinário para a música. Cresceu em Varsóvia, tendo a
juventude marcada por estudos intensos de piano e composição, rapidamente
tornando-se um prodígio. Ainda jovem, deixou a Polônia para se estabelecer em
Paris, centro artístico da Europa, em plena efervescência cultural da década de
30. Lá firmou sua carreira tornando-se figura essencial do movimento do Romantismo.
A saúde de Chopin, porém, foi o tormento de seus dias: ele sofria de
tuberculose, doença que não tinha cura na época e que o acompanhou até a morte
prematura aos 39 anos – a doença também, como pode ser visto no filme, influenciou
o tom melancólico de suas composições, parte delas obras-primas. Chopin (no longa
muito bem interpretado pelo carismático e jovem ator polonês Eryk Kulm, de “Servindo
nazistas”) circulava pela boemia e teve uma relação intensa com a escritora
George Sand (no filme, papel de Joséphine de La Baume, de “Um dia”), que o
apoiou na doença e na criação artística - o romance teve altos e baixos e terminou
de forma dolorosa para ambos. A força do artista era tanta que foi o preferido da
aristocracia francesa, agradando até o rei Louis-Philippe (papel de Lambert
Wilson, de “Matrix resurrections”). O filme busca o lado humanizado de Chopin,
um homem tímido, retraído, mas brilhante no piano, que evitava palcos e lugares
cheios de gente, e que sofreu horrores com a tuberculose (isto explicava seus
problemas respiratórios crônicos, desnutrição e fraqueza, que o levava a
desmaiar pelas ruas). O drama com tom musical do cineasta polonês Michal
Kwiecinski não é apenas tragédia e dor, é uma ode com momentos de alegria que
homenageia a intensa e virtuosa trajetória de Chopin, recorrendo a belos cenários
e figurinos. O filme está nos principais cinemas do país, como São Paulo, Rio
de Janeiro, Curitiba, Brasília, Porto Alegre e Salvador.

Fora
de controle
Astro do
cinema francês atual, Omar Sy protagoniza esse bom e eficiente drama com toques
de suspense que é uma coprodução entre França e Bélgica, exibido em festivais
como Tallinn Black Nights Film Festival (na Estônia) e no Brasil no Festival de
Cinema Francês, e que acaba de estrear nos cinemas pela Califórnia Filmes. Ele interpreta
Julien, um homem que vê seu relacionamento desabar com a chegada de uma
ex-namorada de infância na cidade onde mora, Anaëlle (Vanessa Paradis). Segredos
serão revelados, a feliz convivência do casal será colocada em dúvida, e a
esposa dele, Marie (Élodie Bouchez – outra atriz de peso no filme), inicia um estranho
romance com o chefe mau caráter, Thomas (José García). O longa reúne um elenco
firme numa história que é um verdadeiro jogo feroz de manipulações,
contradições e vingança, com todo o charme que o cinema francês sabe muito bem
realizar. O filme foi escrito e dirigido pela veterana atriz e cineasta Anne Le
Ny, que recentemente esteve em filmes exibidos nos cinemas brasileiros, como “Era
uma vez minha mãe” (2025) e “Provas de amor” (2025). Boa pedida para os fãs do
ator Omar Sy, que está num de seus melhores dias.
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