sexta-feira, 3 de abril de 2026

Resenhas especiais

 
Coleção “Terror no pântano”
 
A Obras-primas do Cinema acaba de lançar em DVD a quadrilogia “Terror no pântano”, com os quatro filmes de horror da franquia com o perverso assassino desfigurado Victor Crowley, realizados entre 2006 e 2017. No box, em disco duplo, vem quatro cards colecionáveis e mais de 1h de extras, como making of, entrevistas com elenco e diretor. Confira abaixo textos meus sobre os filmes:
 

 
Terror no pântano
 
Grupo de turistas viaja em uma pequena embarcação para conhecer os pântanos da Louisiana. Lá são assombrados pela lenda de Victor Crowley, um homem do campo que há muitas décadas atrás foi assassinado pelo próprio pai com golpes de machado. A história não é apenas uma lenda: Crowley reaparece, desfigurado, com sede de vingança, e passa a matar cruelmente quem cruza seu território.
 
Primeiro filme da quadrilogia “Terror no pântano”, criada por Adam Green, uma fita de baixo orçamento que virou cult entre os fãs de slasher (o terror sangrento que dominou o cinema nos anos 80). Tem óbvia semelhança com “Sexta-feira 13”, tanto a história (de jovens atacados numa região tomada pelas águas) quanto as características do cruel assassino (em “Sexta-feira 13” Jason matava as vítimas à beira do Lago Cristal, possuía sérias deformações no rosto, como se fosse um monstro, e era tão brutal quanto Victor Corwley). Tanto Jason quanto Victor surgem de uma lenda local, personagens abusados pelos pais e assassinados por eles, e que se transformam em um pesadelo real, já que não estão mortos, como muitos acreditam. Como é de se esperar, as mortes são violentas, com decepações, há sangue jorrando (gore) e vários jumpscares.


O diretor não utilizou computação gráfica, e tudo é com bonecos, próteses, sangue falso – ele se se inspirou também em clássicos como “Tubarão” e “Halloween – A noite do terror”. Não há epílogo em nenhum dos filmes, que termina com corte abrupto – ao assistir aos três primeiros em sequência, perceberão que a trama é uma só, desenvolvendo-se em questão de poucas horas uma da outra. Filmada na região de Louisiana antes do furacão Katrina, os pântanos reais são atmosfera claustrofóbica perfeita para o tipo de filme, e o ritmo acelerado das mortes reforçam o caráter de “parque de diversões sangrento” que o diretor almejava. O elenco conta com Joel David Moore (de “Avatar”), Parry Shen (que aparece nos outros três filmes da série, em papéis diferentes) e Kane Hodder (que é o Victor Crowley em toda a quadrilogia, famoso por interpretar Jason nos últimos títulos da franquia original de “Sexta-feira 13”, entre o fim dos anos 80 e início dos 90). Há rápidas participações de atores que interpretaram monstros consagrados do cinema, como Robert Englund (o Freddy Krueger de “A hora do pesadelo”) e Tony Todd (o vilão de “O mistério de Candyman”), além de Joshua Leonard (protagonista de “A bruxa de Blair”) e do veterano ator que coadjuvou importantes filmes policiais do cinema Richard Riehle. Meio que uma paródia que homenageia o cinema slasher, conta com humor macabro e cenas fortes de violência – por isso, prepare-se. Em boa cópia em DVD pela Obras-primas do Cinema, o filme é apresentado na versão do diretor, de 84 minutos.
 
Terror no pântano (Hatchet). EUA, 2006, 84 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por Adam Green. Distribuição: Obras-primas do Cinema
 
 
Terror no pântano 2
 
Única sobrevivente da chacina ocorrida nos pântanos da Louisiana pelo perverso assassino Victor Crowley, Marybeth (Danielle Harris) escapa do lugar e pede ajuda a caçadores para se vingar da morte dos amigos e familiares que estavam na viagem de barco naquele território.
 
O diretor Adam Green retorna com mais violência gráfica e um tom deliberadamente exagerado nesta sequência de “Terror no pântano”, feita quatro anos antes, que continua exatamente na noite em que a matança de Victor Crowley ocorreu. A única sobrevivente da chacina se junta a um grupo de caçadores do mato para se vingar do assassino desfigurado. Mortes violentas, sangue pesado e perseguições tornam o filme um prato cheio para quem curte slasher movie. Com baixíssimo orçamento (assim como os outros da cinessérie), o filme conta com uma história horripilante, de pesadelo interminável, que traz elementos também do humor macabro.


A novidade é que se recria a mitologia do monstro, revelando detalhes sobre sua origem trágica e reforçando sua condição de assassino imortal, condenado a repetir sua fúria. As referências a “Sexta-feira 13” são mais evidentes, bem como a “Halloween” e outros slashers. O elenco inclui o retorno de Tony Todd e Kane Hodder (como Crowley), Parry Shen em novo papel, participação da esposa do diretor, Rileah Vanderbilt, e aparição rápida do diretor e roteirista Tom Holland (dos cultuados “A hora do espanto” e “Brinquedo assassino”). E optaram em trocar as atrizes que interpretam a personagem Marybeth, antes feita por Tamara Feldman e agora com Danielle Harris (conhecida pelo papel da menina Jamie Lloyd, perseguida por Michael Myers em “Halloween 4 e 5”).
 
Terror no pântano 2 (Hatchet II). EUA, 2010, 85 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por Adam Green. Distribuição: Obras-primas do Cinema
 
 
Terror no pântano 3
 
Uma equipe policial é chamada para rastrear uma carnificina nos pântanos da Louisiana, enquanto Marybeth (Danielle Harris), sobrevivente dos crimes de Victor Crowley, volta a ser perseguida pelo monstro assassino.
 
O terceiro capítulo da franquia de terror independente “Terror no pântano” mantém o tom de continuidade direta, começando exatamente após os eventos sangrentos do segundo longa-metragem. Marybeth, interpretada de novo por Danielle Harris, busca uma forma de acabar com a maldição de Victor Crowley (já que ele não morre nunca), enquanto policiais e militares invadem o pântano em uma tentativa desesperada de eliminar o monstro. Crowley reaparece ainda mais voraz por sangue, desmembrando e trucidando quem aparecer na frente – é um dos mais violentos da cinessérie, com mortes escabrosas. Neste capítulo que expande o universo da franquia sem deixar de homenagear o cinema slasher, as influências vão além de “Sexta-feira 13”, chegando perto de “Aliens” e “O predador”, já que há uma atmosfera de guerra contra uma criatura imortal.


O elenco traz novamente Kane Hodder como Crowley, e participação de três nomes do cinema de terror dos anos 80 e 90, Zach Galligan, de “Gremlins”, Caroline Williams, de “O massacre da serra elétrica 2”, e Sean Whalen, de “As criaturas atrás das paredes”. É o único filme em que o criador da franquia, Adam Green, não dirige; ele apenas fez o roteiro, deixando a direção a BJ McDonnell, que segue os mesmos passos do amigo/mentor.
 
Terror no pântano 3 (Hatchet III). EUA, 2013, 81 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por BJ McDonnell. Distribuição: Obras-primas do Cinema
 
 
Terror no pântano 4
 
Quase 10 anos depois do massacre nos pântanos da Louisiana pelo temido assassino Victor Crowley, Andrew (Parry Shen), um sobrevivente da chacina, volta para o local onde tudo começou. Ele acredita que Crowley está mesmo morto, mas acabará cruelmente perseguido pelo monstro sanguinário.
 

No quarto e último filme da franquia de horror independente “Terror no pântano”, vemos o retorno na direção do criador da cinessérie, Adam Green, que fez aqui algo como uma reinvenção do assassino e do próprio universo de Victor Crowley. Ambientado 10 anos após o massacre nos pântanos da Louisiana, a trama acompanha um grupo de pessoas preso em um avião que cai no território onde o assassino existiu. Crowley ressurge literalmente das cinzas, com fúria mortal, disposto a eliminar qualquer humano que cruzar seu caminho. Kane Hodder retorna mais uma vez como Crowley, consolidando sua imagem definitiva como o monstro da série. O elenco traz também Parry Shen, que fez todos os filmes da franquia, além de Tyler Mane, Dave Sheridan, Tiffany Shepis e Laura Ortiz. Como de hábito, em todos os longas, Adam Green escalou nomes do cinema de horror dos anos 80, como forma de lembrá-los, e nesse capítulo final quem aparece é Felissa Rose, figura icônica do cinema de horror, a Angela de um dos maiores slashers já feitos, “Acampamento sinistro” (1983). Green termina sua quadrilogia com uma mistura de humor ácido e violência gráfica gritante, com direito a mortes incalculáveis.
 
Terror no pântano 4 (Victor Crowley). EUA, 2017, 83 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por Adam Green. Distribuição: Obras-primas do Cinema

Nenhum comentário:

Resenhas especiais

  Coleção “Terror no pântano”   A Obras-primas do Cinema acaba de lançar em DVD a quadrilogia “Terror no pântano”, com os quatro filmes de h...