No
século XXV, em um futuro distópico, as pessoas não têm nomes, apenas
designações com letras e números (como placas de carro). Elas vivem confinadas
em uma sociedade subterrânea totalmente rígida. Os indivíduos moram em celas
dentro de um complexo clínico, monitorados por androides que observam tudo por
câmeras. O amor e os desejos são reprimidos, até que THX 1138 (Robert Duvall) e
LUH 3417 (Maggie McOmie) se apaixonam e decidem fugir para a superfície da
Terra.
Eu só
conhecia a versão de cinema, de 86 minutos, que havia saído em DVD há muito
tempo pela Warner Bros, desse cult movie do cinema scifi, e agora fiquei
deslumbrado com a cópia restaurada em 4K da versão do diretor, com dois minutos
a mais (88 minutos), exibida no Festival de Berlim em 2017 e disponível na HBO
Max. Foi o filme de estreia do visionário diretor George Lucas, que mudou a
cara dos blockbusters norte-americanos quando lançou “Star Wars” na mesma
década. Depois de uma série de curtas experimentais para a faculdade de cinema
da California (USC), onde estudou, Lucas, na época com 26 anos, estendeu o
roteiro de um de seus curtas universitários, intitulado “Labirinto eletrônico
THX 1138 4EB” (1967), sobre um homem fugindo de um labirinto em um futuro
incerto. Criou, no longa, uma fábula de romance e opressão num mundo distópico;
a história se passa num futuro inimaginável, no século XXV. A população tem a
mente e o corpo controlados pelo governo, em um regime totalitário. As pessoas
são proibidas de se amar – e quem tentar pode ser eliminado, até que THX se
apaixona por uma mulher, LUH, fazendo de tudo para ficarem juntos. O filme surfa
na onda de “1984”, de George Orwell, com a opressão/repressão do governo, e
“Westworld”, com vigilantes robôs que caçam humanos. Os cidadãos, sem exceção,
são forçados a consumir drogas diárias fornecidas pelo Estado para reprimir
sentimentos, o livre-arbítrio e desejos sexuais, nunca tendo acesso à
superfície do planeta, considerada um local inabitável ou proibido. A história
e o conceito são de Lucas, com roteiro dele e corroteirizado por Walter Murch,
que depois seguiu para a área de edição e som, onde foi premiado com três
Oscars. Segundo Lucas conta, a história se apropriava da atmosfera política
particular dos Estados Unidos daquela época, que poderia levar a um futuro ameaçador
controlado por políticos autoritários. Lançado na época no Festival de Cannes, traz
ótima trilha sonora eletrônica de Lalo Schifrin e uma fotografia brilhante.
THX
1138 (Idem). EUA, 1971, 88
minutos. Ficção científica/Drama. Colorido. Dirigido por George Lucas.
Distribuição: Warner Bros.
Das profundezas do oceano, tripulantes
mortos saem de um navio naufragado com direção à costa de uma cidade na África
chamada Mora Tau. Os zumbis querem impedir um grupo de caçadores de recompensas
a resgatar uma caixa de diamantes presa nos restos da embarcação onde morreram,
sessenta anos atrás.
Terror
B do final dos anos 50 que inspirou dois filmes nas décadas posteriores, “Ondas
do pavor” (também conhecido por “Horror em alto-mar”, de 1977, sobre zumbis
nazistas que saem de um barco afundado) e “The fog – A bruma assassina” (1980),
de John Carpenter, cuja história é ainda mais parecida, em torno de piratas
mortos que surgem de um nevoeiro para trazer de volta um tesouro milenar
guardado em uma igreja. O longa é uma pequena joia perdida, resgatada pela
distribuidora Versátil, que encontra preciosidades para lançar em mídia física
aos colecionadores – o filme aparece como extra no segundo disco da coleção “Zumbis
no cinema – vol. 6”, cuja caixa acompanha “A maldição dos zumbis” (1989), “A
maldição do necrotério” (1991), “Um tira do outro mundo” (1988) e “Holocausto
zumbi” (1980). Está em boa cópia este que foi um precursor dos zombie movies
uma década antes do principal deles, “A noite dos mortos-vivos” (1968), de
George A. Romero. Há momentos de tensão, com as criaturas andando lentamente
atrás das vítimas, em uma fita que é uma aventura com terror (já que trata de
um estilo muito explorado no cinema de aventura da época, o de caçadores de
tesouro, porém aqui diante dos mortos enfurecidos).
Em preto-e-branco, vale a
descoberta desse filme esquecido. Quem dirige é Edward L. Cahn, cineasta
independente, de origem polonesa, que realizou mais de 120 longas entre os anos
30 e 60, muitos destes filmes B.
O
fantasma de Mora Tau (Zombies
of Mora Tau). EUA, 1957, 69 minutos. Terror. Preto-e-branco. Dirigido por Edward
L. Cahn. Distribuição: Versátil Home Video
* Textos publicados na coluna Middia Cinema, da Middia Magazine, edição de agosto/setembro de 2026




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