sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 1


Grenal: O maior clássico das Américas
 
Produzido pela Giros Filmes e Panda Filmes, com direção de Belisario Franca e Tatiana Sager e produção executiva de Mauricio Magalhães, o documentário esportivo que trata do clássico de futebol entre os dois maiores clubes do Rio Grande do Sul (o Sport Club Internacional e o Grêmio Porto Alegrense) estreou ontem no canal SporTV e em breve estará na Globoplay. Dinâmico, bem humorado e bem editado, com vastas cenas de jogos antigos, o filme traça a história da rivalidade dos dois times gaúchos e a paixão pelo futebol no sul do país, pelo ponto de vista de jogadores, técnicos de time e torcedores. Exibido no Festival de Gramado de 2026, o longa (cujo nome Grenal vem de uma aglutinação de Grêmio e Internacional) remonta as origens daquelas disputas em campo, nascidas nos últimos anos da primeira década do século XX (o primeiro embate direto em campo foi em 1909). Com o tempo, o Grenal se enfrentou regularmente em campeonatos como o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores. A rivalidade é tão forte que divide o estado do Rio Grande do Sul em duas cores: o vermelho (Internacional/Colorado) e o azul (Grêmio/Tricolor) – e o filme capta essa essência das paixões, de torcedores nas arquibancadas levando no grito as partidas. Gostei da vibe do filme, e acredito que fãs de futebol gostarão de conhecer mais a fundo a trajetória do Grenal, que virou um símbolo na memória dos boleiros.
 

 
Não haverá mais História sem nós
 
Ainda em circulação nos principais cinemas brasileiros (ele estreou em 23/09), o documentário historiográfico luso-brasileiro dirigido pela cineasta paranaense Priscilla Brasil é um grande debate sobre as histórias não contadas da Amazônia. E pelo fato dessas histórias ficarem escanteadas, a exploração do território correu solto ao longo das décadas. O filme se passa entre Munique, na Alemanha, e Belém, no estado do Pará, reunindo dois pesquisadores amazônicos que investigam o que há por trás da ideia da Amazônia como um paraíso natural, de território amplo e de recursos naturais inesgotáveis. A dupla pesquisa séculos de exploração de terras e dos povos originários, trazendo à tona temas como colonialismo, racismo e genocídio. O filme pode ser visto como um manifesto dentro de uma obra didática, narrada com exatidão e fatos claros sobre a perpetuação da devastação da Amazônia (em muitos momentos fiz relação com o perturbador documentário de Aurélio Michiles, outro cineasta da Amazônia, “Segredos do Putumayo”). Os pesquisadores, por serem daquela região, assumem o lugar de fala para representar suas reivindicações e tratar sobre seu território, numa perspectiva decolonial – eles tratam de como por muito tempo passou-se a ideia de que a Amazônia poderia servir ao garimpo ilegal, madeireiro ilegais, a grileiros e até à interferência estrangeira. O filme teve a estreia mundial no Bali International Film Festival (Balinale) e sua primeira exibição brasileira no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambie
ntal (FICA), em Goiás, em junho de 2024. Coprodução entre a produtora paraense Companhia Amazônica de Filmes e a portuguesa Clandestina Filmes, com apoio do projeto ECOAmazônia, financiado pelo Conselho Europeu de Investigação e desenvolvido pela Universidade de Coimbra, o doc segue em cartaz nos cinemas, com distribuição da Kajá Filmes.

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