O fotógrafo e o carteiro: O crime que parou a Argentina
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Resenhas especiais
O fotógrafo e o carteiro: O crime que parou a Argentina
domingo, 27 de setembro de 2026
Resenhas especiais
Funny girl: A garota genial
A atriz e cantora Fanny Brice (Barbra Streisand) inicia sua carreira nos palcos da Broadway, tornando-se a mulher mais bem paga do teatro musical americano.
A Classicline lançou recentemente no mercado “Barbra – The Funny Collection”, um box em DVD contendo os dois premiados filmes musicais com Barbra Streisand em que ela interpreta a estrela da Broadway Fanny Brice (1891-1951). São dois discos com cards colecionáveis e com as cópias em boa imagem e som de “Funny girl: A garota genial” (1968) e a continuação, “Funny lady” (1975). Ambos os filmes são uma cinebiografia autêntica de Fanny, que além da Broadway foi estrela do rádio norte-americano, lembrada por sua voz marcante, humor irreverente e pela vida tumultuada, principalmente por causa dos relacionamentos amorosos com homens vigaristas.
Funny girl: A garota genial (Funny girl). EUA, 1968, 151 minutos. Drama/Romance. Colorido. Dirigido por William Wyler. Distribuição: Classicline
Funny lady
Já consolidada no mundo das artes, a atriz e cantora Fanny Brice (Barbra Streisand) enfrenta um relacionamento abusivo com seu produtor, Billy Rose (James Caan), um showman da Broadway que se tornaria seu marido, durante a Grande Depressão.
Continuação de “Funny girl”, filme que deu o Oscar de atriz a Barbra Streisand, e uma boa sequencia dos acontecimentos da vida e da carreira da atriz e cantora Fanny Brice, fenômeno da Broadway. Fanny Brice era uma mulher inteligente, espirituosa e resiliente, capaz de transformar suas dores pessoais em arte. No palco encantava e emocionava o público, e a autenticidade aliada ao humor a tornaram uma figura única no cenário artístico americano daquele período. Sua vida inspirou o musical da Broadway “Funny Girl” (1964), adaptado para o cinema em 1968, e a continuação, “Funny Lady” (1975). Ela permanece como símbolo da mulher que desafiou padrões, conquistou espaço em um meio dominado por homens e deixou uma marca indelével na cultura americana. Sua história de ascensão, amores complicados e talento inquestionável continua a inspirar gerações, especialmente através das interpretações de Streisand que eternizaram sua trajetória.
Funny lady (Idem). EUA, 1975, 136 minutos. Drama/Romance. Colorido. Dirigido por Herbert Ross. Distribuição: Classicline
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Nota de cinema
Cine Debate exibe neste sábado filme sobre deficiência visual
28/11 – 14h – “A cor púrpura” (2023)
05/12 – 14h – “Sete oportunidades” (1925)
https://www.facebook.com/cinedebateimes
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Resenha especial e estreia da semana
Fazendo
alusão à “Morte e vida Severina”, do poeta pernambucano João Cabral de Melo
Neto, o novo filme do inventivo cineasta cearense Guto Parente tem fortes
traços com o clássico poema regionalista da literatura brasileira. Ambos tratam
de um longo percurso de um personagem solitário, em meio aos desafios do mundo,
cercado por obstáculos sociais. Parente volta a estudar personagens queer complexos,
aqui trazendo uma protagonista com mutas camadas, Madalena (ótimo papel da
atriz travesti Noá Bonoba, também professora e pesquisadora). Ela é uma
produtora de cinema, que está grávida e prestes a rodar uma fita de ficção
científica B, cujo roteiro foi deixado pelo falecido pai. Madalena tem a rotina
revirada quando Davi (Marcus Curvelo), o diretor do filme e seu ex-marido,
desaparece do set. Cheia de dúvidas e maus pressentimentos, ela investiga por
conta próprio o sumiço de Davi. O bebê dela está para nascer, o que a motiva a
querer gravar logo o filme, mesmo sem a presença do diretor. O longa é uma
comédia dramática cheia de subtramas, sobre as andanças dessa personagem que se
transforma durante aquela jornada de busca pelo marido e de ser mãe de primeira
viagem – sem contar os desafios para as gravações no set. Vê-se um filme dentro
de outro filme, metalinguagem pura, com momentos de incerteza sobre aquilo que
vemos ser da cabeça da protagonista, algo real ocorrendo ou se aquilo tudo é do
roteiro do longa em execução. Para complexar ainda mais o roteiro, a personagem
tem devaneios, sonhos misteriosos, enquanto as cenas nítidas de como ela quer o
filme aparecem em imagens caóticas, assombradas. Como em “Inferninho” e “Doce
amianto”, o cineasta faz um cinema queer contemporâneo unindo fantasia, estética
camp, figuras marginalizadas complexas e altas doses de melancolia, entregando aqui
um dos filmes de destaque do ano, que gostei demais. Tanto que foi exibido e
premiado em importantes festivais nacionais e internacionais, como Ciné+ no
FidMarseille 2025 (França), Festival de Brasília, Mostra de Cinema de São Paulo
e MixBrasil. Em exibição nos principais cinemas com distribuição da Embaúba
Filmes.
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 2
Os trapaceiros de Garibaldi
Renomada diretora, roteirista e produtora de cinema espanhola, que faz filmes também na França, EUA e Itália, Isabel Coixet já realizou mais de 40 longas, dentre eles "Minha vida sem mim" e "A vida secreta das palavras". Este seu último trabalho, “Três vezes adeus”, estreou no Brasil no 8½ Festa do Cinema Italiano, em julho, e hoje entra no circuito brasileiro de cinema, distribuído pela Autoral Filmes. Longa autoral da diretora, como boa parte de suas obras, a coprodução Itália/Espanha tem roteiro assinado por ela junto a Enrico Audenino, adaptado do livro semi-autobiográfico “O sentido da náusea”, da escritora e ativista italiana Michela Murgia (1972-2023). É a vida de um casal que está a ponto de se separar, Marta (Alba Rohrwacher, de “As maravilhas”, irmã da diretora Alice Rohrwacher) e Antônio (Elio Germano, de “A vida solitária de Antonio Ligabue”). De um tempo para cá as discussões entre eles foram banais, relativamente pequenas, mas colaboraram para o cansaço da relação e o consequente término. Após a separação, Marta, uma professora de educação física, isola-se do mundo, sente-se para baixo, com falta de apetite, enquanto ele, um chefe de cozinha, segue com tudo no trabalho. Antônio começa a sentir falta de Marta. Ela então tem fortes dores de estômago, parece que sua saúde não anda bem – e logo descobre uma gravíssima doença. Coixet, como em “Minha vida sem mim” (2003), retorna ao tema da morte e do isolamento feminino, explorando aqui dois assuntos pessoais para ela: gastronomia e música. Tudo é trabalhado como oposições/antíteses na figura do casal: ela perde a fome, enquanto o marido ganha dinheiro com comida; ela se isola, enquanto ele vive intensamente – o que demonstra a dor maior da mulher na separação. Melancólico, faz uma meditação sobre o fim do casamento e da brevidade da vida, sem cair em melodramas. Coixet é uma diretora talentosa, veterana, que faz filmes variados, e mais uma vez coloca no currículo um bom trabalho de atores. O filme teve exibições nos festivais de Toronto e do Rio.
A Rebelião dos Jangadeiros
Era uma vez minha 1ª vez
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Estreias da semana - Nos cinemas - Parte 1
A quinta portuguesa
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Resenhas especiais
Heróis de barro
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Especial de Cinema
Festival ‘In-Edit Brasil’ retorna em duas edições itinerantes
Na edição de 2026 estiveram na programação 64 filmes nacionais e internacionais, como longas e curtas-metragens, além de shows, exposições, feira de vinil e livros, encontros e bate-papos com convidados especiais. E uma parte desses filmes voltarão agora nos eventos acima mencionados.
Confira três documentários brasileiros que retornam para a itinerância, que assisti na edição de 2026 do festival e indico:
sábado, 5 de setembro de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 2
O delator
Vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival de Gramado (que acabou no mês passado, em agosto), o doc é uma homenagem ao compositor e cantor Gonzaguinha, no ano em que se lembra os 35 anos de seu falecimento (ocorrido em 1991). É um filme grandioso em todos os aspectos, a começar pela figura retratada, do formato da obra – composto por múltiplas linguagens, e do teor crítico de seu tema. Um ator (André Dale) interpreta Gonzaguinha numa mesa, como se estivesse em uma entrevista, citando trechos de depoimentos dele concedidos em revistas e jornais nos anos 70 e 80; junto dessa interpretação/simulação, cenas de shows de Gonzaguinha, com entrevistas reais dele, são costuradas, trazendo o cantor no palco, no estúdio, além dele se posicionando contra a ditadura e dentro dos movimentos das Diretas Já. Títulos de suas músicas são os capítulos do filme, como “Galope”, “Explode coração” e “Eu apenas queria que você soubesse”, que tratam das fases do genial artista que foi – uma fase mais romântica, outra de bolero, outra de críticas sociais batendo de frente com a ditadura militar e sendo censurado por isso. Nos trechos mais impactantes do longa, Gonzaguinha (que no início da carreira lançou os primeiros LPs como Luiz Gonzaga Jr.) relembra também o frisson da abertura política e o atentado a bomba no Riocentro (durante um show dele, e depois revelado um ato frustrado dos próprios militares, matando um sargento do Exército e ferindo um capitão). Gonzaguinha fala da família, da influência do pai, o Gonzagão, e das diferenças que ambos tinham (depois, no final de carreira, a reaproximação dos dois incluindo turnês juntos), fala de seu engajamento político, do brilho de viver intensamente cada minuto. Acusado de subversivo, teve letras cortadas e proibidas no regime militar, apontado como uma ameaçada à sociedade (assim como tantos músicos da época, como Chico Buarque, burlou a censura com metáforas e ironias nas composições). Também foi alvo dos militares por defender a democracia e o fim da fome, conscientizando seu público em prol dos direitos humanos e lutando contra a desigualdade social. Muitas de suas músicas trataram de dois temas em especial: a dor do amor, na primeira fase, e na segunda fase a valorização dos trabalhadores, das lutas sociais contra a opressão e em defesa dos marginalizados. Gonzaguinha foi um artista completo, sonhador, que buscava um mundo mais justo, e como tantos de sua geração partiu cedo (de acidente de carro, aos 45 anos). O título do documentário faz referência à música “Da maior liberdade (Do meu jeito)”, que está num dos discos essenciais dele, “De volta ao começo” (1980). Um filmaço que trata de memória e resistência, especial para quem curte Gonzaguinha e MPB (como eu) e que busca entender mais o Brasil da ditadura. Dirigido pela cineasta e documentarista Susanna Lira, que já biografou para o cinema artistas célebres, de documentários como “Mussum, um filme do Cacildis” (2017), “Clara Estrela” (2017 – sobre Clara Nunes), “Torre das donzelas” (2018 – sobre mulheres presas na ditadura) e “Fernanda Young: Foge-me ao controle” (2024). Nos principais cinema com distribuição da Synapse Distribution.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 1
Queda livre: As consequências do Caso Boeing
Anistia 79
Alusivo documentário brasileiro aos 47 anos da Lei da Anistia, decretado em 1979, em um período crítico da Ditadura Militar no Brasil. O longa traz os primeiros movimentos no exterior para a anistia (que ficou ampla, geral e irrestrita), quando no Parlamento Italiano, em Roma, entre junho e julho de 1979, foi realizada a Conferência Internacional pela Anistia e pelas Liberdades Democráticas no Brasil. O encontro, de três dias, juntou cerca de 500 pessoas, incluindo exilados políticos, intelectuais, ativistas de direitos humanos e figuras da resistência à ditadura militar (como Apolônio de Carvalho, Gregório Bezerra e Francisco Julião). A Conferência foi a maior reunião da diáspora brasileira fora do país durante a Ditadura (que continuava aqui exilando, perseguindo e matando). O trunfo ideativo do filme é reunir gravações inéditas, todas com imagem restaurada, que foram feitas no Congresso por um militante de esquerda exilado na França, Hamilton Lopes dos Santos. Praticamente o filme todo é um compilado dessas imagens poderosas, em preto-e-branco, encontradas pela diretora do filme, Anita Leandro, no acervo da Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, e analisadas por pessoas que sentiram na pele a Ditadura, como familiares, e amigos íntimos dos retratados naquela reunião. Aparecem nas gravações Francisco Julião (das Ligas Camponesas), Apolonio de Carvalho, Carmela Pezzuti, Manuel da Conceição, Rolando Frati, Luís Travassos e Márcio Moreira Alves, parte desses exilados. Quase meio século depois, as gravações ressurgem para reacender o debate sobre as tristes páginas da História do país, do Estado repressivo da ditadura e da impunidade dos torturadores, trazendo paralelos com o Brasil atual (já que o golpismo e os afãs ditatoriais ainda rondam por aqui). No filme, 11 pessoas assistem pela primeira vez, depois de tanto tempo, àquelas imagens, e emocionadas relembram a História e seus personagens. A Conferência ocorreu às vésperas da sanção da Lei da Anistia no Brasil (Lei nº 6.683, de agosto de 1979), planejada para debater pontos limitantes dela – e serviu para denunciar os crimes e as torturas da ditadura militar brasileira perante a opinião pública mundial e o parlamento europeu. Acabou sancionada pelo presidente João Figueiredo em 28 de agosto daquele ano, sendo um marco no processo de redemocratização do Brasil. Deu perdão tanto aos opositores do regime quanto aos agentes do Estado (torturadores e militares) - por isso ampla, geral e irrestrita. As consequências diretas da Lei foram o retorno dos exilados (como líderes políticos, intelectuais e artistas), a libertação de presos políticos detidos nos presídios brasileiros e a reorganização política, permitindo a partir de 1980 a volta do pluripartidarismo, a restituição dos direitos políticos a cidadãos que haviam sido cassados pelo regime e as eleições diretas. É um filme-estudo de História, didático, importante para os dias de hoje. Foi premiado na Mostra de Cinema de Tiradentes, onde recebeu os prêmios de Melhor Filme da competição Olhos Livres e do Júri Popular. Nos cinemas pela Embaúba Filmes.
Especial de Cinema
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