50ª Mostra
Intl. de Cinema de SP segue com filmes de destaque
Iniciada
ontem, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, nesta edição de 50 anos,
segue com dezenas de filmes diários em mais de 50 salas de cinema e espaços
culturais da capital paulista, além de exibições de filmes no streaming. Confira
abaixo filmes já assistidos e que indico:

Deixem-nos
passar, caros ancestrais
(Filipinas
- 2026, de Lav Diaz)
Todo
novo filme do cineasta filipino Lav Diaz entra na programação da Mostra de SP, e
foi aqui que conheci o cinema desse diretor. Diaz realiza filmes marcados pela
extrema duração (que variam entre três e cinco horas), recorrente fotografia em
preto e branco, gravação em locações (quase sempre em florestas), longos planos
estáticos e também é o roteirista das obras, de forte discussão da História
política e social das Filipinas. Um dos principais expoentes do slow cinema, Diaz
é o maior nome do cinema de seu país, cujos filmes marcam presença em festivais
como Cannes, Berlim e Veneza. “Deixem-nos passar, caros ancestrais” é outra obra
orgânica autoral dentro de sua filmografia típica, que parece derivar das
anteriores e volta a tratar das origens do seu povo e da relação deles com a
natureza - mas aqui puxando outro tema, a colonização. A história se passa no início
do século XVII nas Ilhas Filipinas. Um padre espanhol leva o catolicismo para
dentro das florestas, onde habitam os indígenas. Ele tem boa relação com aquela
comunidade, mas é evidentemente uma figura que veio para colonizar, implantar a
cultura branca e a religião aos futuros convertidos. Porém os indígenas resistem
com seus ritos próprios, sua devoção e hábitos. O drama se passa integralmente
nas florestas nuas sob o som de cigarras, tratando do contraste entre civilização
e dominação (a Espanha invadiu as Filipinas e por três séculos manteve os domínios
daquelas terras). Vencedor de um prêmio especial no Festival de Veneza, o filme
integra a Perspectiva Internacional da 50ª Mostra, com exibição nos dias 23 e
25/10 e 01/11.

Atlas
mágico
(Singapura
- 2026, de Sun Xun)
Animação
surrealista de Singapura que demorou 10 anos para ser produzida (de 2016 a 2026).
No meio desse período veio a pandemia da covid, e o diretor (Sun Xun) optou em
alterar o roteiro trazendo uma perspectiva mais densa e de visão assustadora de
futuro, de confinamento e controle em uma sociedade tomada pelo autoritarismo. O
isolamento social pela pandemia proporcionou a ele reunir ilustradores do mundo
inteiro a fim de terminar o projeto. “Atlas mágico” fala de uma sociedade
controlada, durante o chamado “Império de Luosha” (fictício, apenas criado no
roteiro). Um mágico recém-chegado a uma região longínqua daquele império é
preso pelo temido imperador, cujo governo é especializado em apagamento
histórico (desde documentos a mapas, tornando as pessoas escravizadas, sem
memória). Até que ele se encontra com um garoto perdido na multidão, que o faz
viajar pelo tempo e espaço. É uma animação que mistura nanquim com ilustrações
modernas pintadas a mão, numa história que vai mudando conforme as entradas dos
personagens em uma espécie de multiverso dentro de um atlas mágico, onde há
ditadores cruéis, animais que assumem formas humanas, criaturas bizarras, uma criança
como símbolo de esperança e uma peste que dizima as pessoas (em referência ao coronavírus).
Parece um sonho dentro de outro sonho, em um ambiente distópico e caótico.
Animação adulta, com muitos diálogos e forte comentário social. Exibido no Festival
de Locarno, onde concorreu ao Leopardo de Ouro, o filme integra a Competição
Novos Diretores da 50ª Mostra, com exibição nos dias 18, 23 e 26/10.
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