Festival
do Rio segue na segunda semana com bons filmes em cartaz
Iniciado
no dia 1º, a 28ª edição do Festival do Rio, um dos festivais de cinema mais aplaudidos
do público, segue pela segunda semana com uma programação diversa. São 359
filmes que integram a lista de títulos em exibição, como longas, curtas e
séries, nacionais e internacionais, muitos deles premiados em festivais como Sundance,
Cannes, San Sebastián, Gramado e Berlim.
O festival ocorre em dezenas de salas
da capital carioca até o dia 11/10. Confira abaixo filmes que assisti em cabine
e recomendo:
Squel
- Confissões de uma porta-bandeira
(Brasil,
2026, de Celina Torrealba e Zeca Brito)
Neste
documentário assinado por Celina Torrealba e Zeca Brito, conhecemos a carreira
de Squel Jorgea Ferreira, carioca nascida no Estácio que se tornou uma das mais
respeitadas porta-bandeiras do Carnaval do Rio. o filme traça memória e
atualidade, resgatando a ligação de Squel com o Carnaval, que vem de berço, e
de desafios com a idade. Neta do compositor Xangô da Mangueira e filha de
dançarina que desfilava na Estação Primeira de Mangueira, ela, no doc, relembra
trechos marcantes da trajetória, do trabalho exaustivo e focado, e da ausência
por um período nos desfiles devido à maternidade. Entusiasta do samba, Squel
carrega no sangue a paixão pelo pavilhão, reconhecida pela postura elegante,
técnica apurada e forte presença de cena, que conquistou as principais
agremiações do Rio de Janeiro – ela defendeu na Sapucaí escolas de samba como a
Mangueira, o Salgueiro e a Império da Tijuca, por exemplo. Squel se consolidou
como uma referência cultural e feminina na preservação da arte dos casais de
mestre-sala e porta-bandeira, que inspira até hoje novas gerações de passistas por
todo o Brasil. O filme tem produção da Donna Features, com coprodução da Anti
Filmes. além do roteiro, Celina e Brito dividem créditos de roteiro, produção e
fotografia – num trabalho conjunto afinado, de ótima edição, com cortes exatos
de cenas de Squel de antes e de hoje (que completou nessa semana 44 anos de
idade). Sessões ainda no Festival do Rio nos dias 07 e 08/10, na mostra Première
Brasil: Retratos. O filme tem previsão de lançamento nos cinemas brasileiros
para 2027.

Mr. Wonderful
(Brasil, 2026, de Susanna Lira)
Por
falar em arte, outro documentário de destaque no Festival do Rio é “Mr.
Wonderful”, uma biografia de Luiz de Freitas, estilista pioneiro da moda
masculina no Brasil responsável por criar uma grife homônima nos anos 1970 e
1980. Autêntico, espontâneo, engraçado, Mr. Wonderful virou um furacão no mundo
da moda no Brasil, virando referência ao redor do planeta (tanto que abriu
lojas com sua marca em países como Holanda, Portugal e EUA). É considerado o primeiro
estilista negro de destaque, e com sua postura engajada, desafiou o machismo, o
preconceito (por ser gay e preto) e as convenções da época ao propor um visual
ousado para as vestimentas do homem. A grife Luiz de Freitas ficou famosa pelas
cores vibrantes, tecidos transparentes e uso de materiais não tão convencionais
– algumas de suas criações para desfiles chocavam pelo ineditismo e formas
inusitadas, dividindo os jurados e o público. Vestiu ícones internacionais e
nacionais, ganhou uma biografia em livro ("Eu, Luiz de Freitas, Mr.
Wonderful", por Dininha Morgado), e agora este bonito documentário
dirigido por Susanna Lira, diretora de biografias como “Clara Estrela” (sobre
Clara Nunes) e “Mussum, um filme do Cacildis”. No filme, Freitas, hoje aos 85 anos, abre sua casa para a equipe o entrevistar, e sentado no sofá com sua elegante roupa (uma bata de origem africana com elementos criados por ele) relembra histórias engraçadas e curiosas, e discute o preconceito ainda latente na sociedade. Além dele, amigos e
ex-namorados dão depoimento para o filme. Sessão ainda no Festival do Rio no
dia 07/10.
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