A
noite de Alaíde
A cantora
e compositora carioca Alaíde Costa é homenageada em um documentário no ano em
que comemora 90 de idade. Uma das maiores vozes da música brasileira, Alaíde sempre
selecionou para o repertório de seus shows e discos canções melancólicas da MPB
e da Bossa Nova, o que virou uma marca da artista. Filha de um forneiro de
padaria e de uma lavadeira, desde pequena demonstrou talento para o canto,
participando de concursos de calouros em rádios e circos, onde se destacou
ainda adolescente. Em 1955 iniciou a carreira profissional como crooner em
bailes no Rio de aneiro até lançar, no ano seguinte, o primeiro álbum, o que
abriu caminho para uma trajetória de seis décadas na música. Foi uma das
primeiras mulheres negras a entrar no movimento da Bossa Nova, gravando com Vinicius
de Moraes, Tom Jobim, Baden Powell, Johnny Alf e João Gilberto. Sua voz
delicada e afinada lhe garantiu reconhecimento como uma intérprete singular. No
documentário em primeira pessoa, Alaíde relembra infância, juventude e fase adulta,
tratando de temas como preconceito racial e as dificuldades para se consolidar no
mercado da música (em um ambiente dominado por homens). Com sua voz suave, por
vezes demonstrando timidez, ela conta boas histórias nesse filme que mistura
linguagens: é documentário com dramatização (Alaíde é interpretada por atrizes
mirins e adolescentes de acordo com as fases da vida), e uso de estéticas
variadas, como rotoscopia (animação por cima das gravações reais) e animação em
2D, além de entrevistas e apresentações antigas da cantora e arquivo de fotos
das décadas de 40 a 70. Essa estética diferenciada vem da mente da diretora
especializada em linguagem híbrida, Liliane Mutti, que havia trabalhado algo
nessa perspectiva em “Miúcha – A voz da Bossa Nova” (2022). O filme estreou no
último fim de semana simultaneamente nos cinemas do Brasil e de Portugal, pela
Bretz Filmes, após percorrer festivais nacionais e internacionais, como Telluride,
TIFF, IDFA, CPH:DOX, o In-edit Brasil 2026 e o Marché du Film, em Cannes.
Haverá amanhã, dia 22/07, sessão especial no Reserva Cultural em São Paulo, às
20h10, seguido de debate com integrantes da equipe do filme. O longa tem licenciamento
no Globoplay e em breve entrará no catálogo do Canal Curta!

Três
lançamentos da A2 Filmes nos streamings
A
distribuidora brasileira A2 Filmes lança nos streamings nacionais três novos títulos,
de gêneros variados, realizados entre 2025 e 2026. Os filmes estão disponíveis
para aluguel na Apple TV, Prime Video, Google Play, Claro TV+ e Vivo Play.
Confira abaixo drops sobre eles:
O menino
e o panda
Coprodução
França/Bélgica, o filme de aventura infantil de 2025 segue a jornada de um
garotinho chamado Tian, de 12 anos, que vai morar com a avó nas montanhas chinesas
de Sichuan, o habitat dos pandas-gigantes.
Na temporada longe da vida urbana, ele passa a explorar as áreas verdes
do local, as matas e riachos, até se deparar com um filhote de panda solitário,
a quem dá o nome de Moon. Entre os dois nasce uma amizade que mudará para
sempre a vida do garoto e a de sua família. É daqueles filmes leves, próprios para
crianças, bem “Sessão da tarde”. Tudo muito sutil e nada demais, tratando sobre
amizade com animais e jornada de autodescoberta. Talvez o diferencial esteja nas
bonitas paisagens das montanhas da China, locações reais do berço dos pandas (e
o animal do filme, Moon, é bem fofo). O diretor Gilles de Maistre é casado com
a roteirista, Prune de Maistre – ele é sobrinho-neto do renomado diretor do Realismo
Poético Francês René Clément, e junto da esposa fizeram outros filmes infantis
com animais, como “A menina e o leão” (2018).
A
canção que me salvou
Filme
de drama musical gospel com o veterano ator Nick Nolte, numa história sobre redenção
por meio da música. Depois de perder o pai, vítima de câncer, o jovem KJ (Dharon
Jones, em sua estreia no cinema) foge de casa, passando boa parte do tempo nas
ruas da Filadélfia. Pelos becos dominados pelo tráfico, ele perambula sem rumo
aparente. Num dos parques da cidade, ele se encontra com Barry (Nick Nolte), um
sem-teto desiludido. Com seu violão em mãos, KJ toca uma canção para Barry, que
conhece muito sobre música. Um acolhe o outro, surge ali uma relação de afeto inesperada,
e os dois recorrerão às canções para suavizar os tormentos que enfrentam. Curto,
simplório, direto, é um filminho delicado sobre relações improváveis, empatia e
o poder transformador da arte, produzido por estúdios ligados ao gospel
norte-americano (como a história faz supor, em que os personagens utilizam da
música religiosa para curar a alma). Não é filme do meu agrado, porém pode agradar
a algum público que esteja procurando por algo nessa linha.
O velho
fusca
Depois
de ficar em cartaz por um mês nos cinemas, chega para aluguel no streaming a
comédia brasileira “O velho fusca”, o novo trabalho do diretor e ator gaúcho Emiliano
Ruschel (que vem desenvolvendo também carreira nos Estados Unidos). Esperava
mais dessa comédia passatempo com bastante gente conhecida da TV e do cinema,
como Cleo Pires, Caio Manhente, Tonico Pereira, Christian Malheiros e Danton
Mello - mas infelizmente as participações são mal aproveitadas (o que demonstra
a fragilidade na direção). O roteiro daria um filme mais legal e menos exaustivo,
mas do jeito que ficou cairá no esquecimento. Junior (Caio Manhente) é um rapaz
que descobre um fusca abandonado na garagem do avô ranzinza (Tonico Pereira). Ele
negocia ficar com o veículo, dá um trato nele e aos poucos se estabiliza na
relação com o idoso, que se afastou da família há muito tempo. Ao mesmo tempo
Junior tem de lidar com suas amizades e com os compromissos da vida. A narração
em primeira pessoa pelo protagonista é um lenga-lenga sem fim, sem contar que o
longa é um desfile por points elegantes do Rio de Janeiro, como as praias de
Copa e Ipanema, que soam bastante vazios. Para fechar, os diálogos carregam preconceitos
e homofobia que não estão no gibi... Detestei tanto esse quanto o filme anterior
de Ruschel, o pavoroso suspense “Segredos” (2024), que tem no elenco o próprio Ruschel
fazendo par com Danni Suzuki.
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