terça-feira, 21 de julho de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 2

A noite de Alaíde
 
A cantora e compositora carioca Alaíde Costa é homenageada em um documentário no ano em que comemora 90 de idade. Uma das maiores vozes da música brasileira, Alaíde sempre selecionou para o repertório de seus shows e discos canções melancólicas da MPB e da Bossa Nova, o que virou uma marca da artista. Filha de um forneiro de padaria e de uma lavadeira, desde pequena demonstrou talento para o canto, participando de concursos de calouros em rádios e circos, onde se destacou ainda adolescente. Em 1955 iniciou a carreira profissional como crooner em bailes no Rio de aneiro até lançar, no ano seguinte, o primeiro álbum, o que abriu caminho para uma trajetória de seis décadas na música. Foi uma das primeiras mulheres negras a entrar no movimento da Bossa Nova, gravando com Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Baden Powell, Johnny Alf e João Gilberto. Sua voz delicada e afinada lhe garantiu reconhecimento como uma intérprete singular. No documentário em primeira pessoa, Alaíde relembra infância, juventude e fase adulta, tratando de temas como preconceito racial e as dificuldades para se consolidar no mercado da música (em um ambiente dominado por homens). Com sua voz suave, por vezes demonstrando timidez, ela conta boas histórias nesse filme que mistura linguagens: é documentário com dramatização (Alaíde é interpretada por atrizes mirins e adolescentes de acordo com as fases da vida), e uso de estéticas variadas, como rotoscopia (animação por cima das gravações reais) e animação em 2D, além de entrevistas e apresentações antigas da cantora e arquivo de fotos das décadas de 40 a 70. Essa estética diferenciada vem da mente da diretora especializada em linguagem híbrida, Liliane Mutti, que havia trabalhado algo nessa perspectiva em “Miúcha – A voz da Bossa Nova” (2022). O filme estreou no último fim de semana simultaneamente nos cinemas do Brasil e de Portugal, pela Bretz Filmes, após percorrer festivais nacionais e internacionais, como Telluride, TIFF, IDFA, CPH:DOX, o In-edit Brasil 2026 e o Marché du Film, em Cannes. Haverá amanhã, dia 22/07, sessão especial no Reserva Cultural em São Paulo, às 20h10, seguido de debate com integrantes da equipe do filme. O longa tem licenciamento no Globoplay e em breve entrará no catálogo do Canal Curta!



Três lançamentos da A2 Filmes nos streamings
 
A distribuidora brasileira A2 Filmes lança nos streamings nacionais três novos títulos, de gêneros variados, realizados entre 2025 e 2026. Os filmes estão disponíveis para aluguel na Apple TV, Prime Video, Google Play, Claro TV+ e Vivo Play. Confira abaixo drops sobre eles:
 
O menino e o panda
 
Coprodução França/Bélgica, o filme de aventura infantil de 2025 segue a jornada de um garotinho chamado Tian, de 12 anos, que vai morar com a avó nas montanhas chinesas de Sichuan, o habitat dos pandas-gigantes.  Na temporada longe da vida urbana, ele passa a explorar as áreas verdes do local, as matas e riachos, até se deparar com um filhote de panda solitário, a quem dá o nome de Moon. Entre os dois nasce uma amizade que mudará para sempre a vida do garoto e a de sua família. É daqueles filmes leves, próprios para crianças, bem “Sessão da tarde”. Tudo muito sutil e nada demais, tratando sobre amizade com animais e jornada de autodescoberta. Talvez o diferencial esteja nas bonitas paisagens das montanhas da China, locações reais do berço dos pandas (e o animal do filme, Moon, é bem fofo). O diretor Gilles de Maistre é casado com a roteirista, Prune de Maistre – ele é sobrinho-neto do renomado diretor do Realismo Poético Francês René Clément, e junto da esposa fizeram outros filmes infantis com animais, como “A menina e o leão” (2018).
 
 
A canção que me salvou
 
Filme de drama musical gospel com o veterano ator Nick Nolte, numa história sobre redenção por meio da música. Depois de perder o pai, vítima de câncer, o jovem KJ (Dharon Jones, em sua estreia no cinema) foge de casa, passando boa parte do tempo nas ruas da Filadélfia. Pelos becos dominados pelo tráfico, ele perambula sem rumo aparente. Num dos parques da cidade, ele se encontra com Barry (Nick Nolte), um sem-teto desiludido. Com seu violão em mãos, KJ toca uma canção para Barry, que conhece muito sobre música. Um acolhe o outro, surge ali uma relação de afeto inesperada, e os dois recorrerão às canções para suavizar os tormentos que enfrentam. Curto, simplório, direto, é um filminho delicado sobre relações improváveis, empatia e o poder transformador da arte, produzido por estúdios ligados ao gospel norte-americano (como a história faz supor, em que os personagens utilizam da música religiosa para curar a alma). Não é filme do meu agrado, porém pode agradar a algum público que esteja procurando por algo nessa linha.
 
 
O velho fusca
 
Depois de ficar em cartaz por um mês nos cinemas, chega para aluguel no streaming a comédia brasileira “O velho fusca”, o novo trabalho do diretor e ator gaúcho Emiliano Ruschel (que vem desenvolvendo também carreira nos Estados Unidos). Esperava mais dessa comédia passatempo com bastante gente conhecida da TV e do cinema, como Cleo Pires, Caio Manhente, Tonico Pereira, Christian Malheiros e Danton Mello - mas infelizmente as participações são mal aproveitadas (o que demonstra a fragilidade na direção). O roteiro daria um filme mais legal e menos exaustivo, mas do jeito que ficou cairá no esquecimento. Junior (Caio Manhente) é um rapaz que descobre um fusca abandonado na garagem do avô ranzinza (Tonico Pereira). Ele negocia ficar com o veículo, dá um trato nele e aos poucos se estabiliza na relação com o idoso, que se afastou da família há muito tempo. Ao mesmo tempo Junior tem de lidar com suas amizades e com os compromissos da vida. A narração em primeira pessoa pelo protagonista é um lenga-lenga sem fim, sem contar que o longa é um desfile por points elegantes do Rio de Janeiro, como as praias de Copa e Ipanema, que soam bastante vazios. Para fechar, os diálogos carregam preconceitos e homofobia que não estão no gibi... Detestei tanto esse quanto o filme anterior de Ruschel, o pavoroso suspense “Segredos” (2024), que tem no elenco o próprio Ruschel fazendo par com Danni Suzuki.



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