terça-feira, 7 de julho de 2026

Estreias da semana – Nos streamings – Parte 2


As ovelhas detetives
 
Deixou de ir para as salas cinemas e entrou direto no Prime Video essa comédia policial que só tem aparência infantil. Mas não é. É um filme de mistério com pitadas de humor sarcástico sobre um rebanho de ovelhas que decide investigar o assassinato do pastor que cuida delas. Ele é George (Hugh Jackman), um homem solitário que vive num trailer no alto de uma montanha na Irlanda. Cuida das ovelhas como filhas, e todas têm um nome conforme seus comportamentos (Mimosa, Valente etc). Ele as tosa, brinca e quando cai a noite lê romances policiais no descampado para dormirem. Quando George vira as costas, as ovelhas conversam entre elas, como humanos. George, apesar de recluso, é amigável com as pessoas, vai sempre para a cidade onde conversa com qualquer um. Até que ele é encontrado morto, causando um choque na cidadezinha. As ovelhas, assustadas, resolvem desvendar o crime procurando pistas pelo caminho. Elas se unem num grupo chamado Ovelhas Detetives. O filme é apresentado em primeira pessoa, Jackman narrando, falando das ovelhas e da comunidade onde mora. E quando o caso policial começa, a trama cai no colo dos animais, virando um filme de aventura policial caprichado, engraçado e dinâmico. As ovelhas, uma mais cômica que outra, investigam com atenção o crime a partir da resolução dos casos policiais das histórias que George contava para elas antes de dormir (ou seja, George mal sabia que estava formando legistas e peritas). Os animais seguem pistas, desconfiam de vizinhos e enfrentam situações inusitadas, revelando segredos da comunidade e conduzindo o público por uma narrativa cheia de reviravoltas. Com direção de Kyle Balda (criador de “Meu malvado favorito”) e roteiro de Craig Mazin (das séries “Chernobyl” e “The last of us”), a produção se destaca pelo elenco de nomes de peso e efeitos visuais convincentes em CG que dão vida e movimento realista aos animais, criando uma experiência surpreendente. O elenco humano conta com Emma Thompson, Nicholas Braun e Nicholas Galitzine, e as vozes das ovelhas são interpretadas por Julia Louis-Dreyfus e Patrick Stewart, por exemplo, trazendo personalidade, leveza e carisma. A combinação de atuações sólidas com dublagens expressivas e uma história ágil garantem que o filme funcione tanto como sátira quanto como uma história de investigação envolvente. O filme é uma adaptação do livro alemão “Three bags full”, de Leonie Swann, escrito 20 anos atrás, e tem na trilha sonora músicas pop dançantes dos aos anos, como "I'm gonna be (500 miles)", de The Proclaimers. Achei um barato e recomendo.




O assassinato de Rachel Nickell
 
Novo documentário de true crime (que a Netflix é expert em fazer), que reconstrói um caso policial marcante da década de 1990 no Reino Unido. Em julho de 1992, Rachel Nickell, jovem mãe de 23 anos, foi assassinada a facadas em Wimbledon Common, Londres, enquanto passeava com o filho de dois anos e o cachorro da família. O crime ocorreu pela manhã, na rua, num dia comum. O menino presenciou o crime, e apesar de pequeno, sem entender direito o que ocorria ali, tentou ajudar a mãe, sem sucesso. Ele se tornou a única testemunha direta, o que ampliou o choque público daquele crime. O filme reúne trechos de reportagens, depoimentos antigos e atuais de policiais e familiares de Rachel, para montar um mosaico investigativo ao público. A polícia fez uma operação desastrosa, envolvendo uma agente infiltrada que buscava induzir um frequentador do parque, suspeito do crime, a confessar. Vendo que a estratégia era ilegal e sem provas concretas, aquilo fracassou, deixando o indivíduo marcado pelo estigma de suspeito durante anos. O documentário mostra como a pressão midiática e os erros policiais transformaram o caso em um verdadeiro circo, atrasando a justiça e expondo falhas graves no sistema investigativo. Somente em 2008 novas análises de DNA identificaram o verdadeiro culpado, cujos detalhes são colocados no filme. A produção da Netflix combina ainda entrevistas com jornalistas, além de imagens de arquivo, para mostrar não apenas o fato trágico, mas também o impacto duradouro sobre o filho de Rachel, Alex Hanscombe, e sobre seu pai, André Hanscombe, também discutindo seriamente como erros policiais e julgamentos precipitados podem destruir vidas e fragilizar o sistema judiciário pelos olhos da opinião pública. Um bom doc da Netflix, que estreou em 04 de junho.


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