As
ovelhas detetives
Deixou de
ir para as salas cinemas e entrou direto no Prime Video essa comédia policial
que só tem aparência infantil. Mas não é. É um filme de mistério com pitadas de
humor sarcástico sobre um rebanho de ovelhas que decide investigar o
assassinato do pastor que cuida delas. Ele é George (Hugh Jackman), um homem
solitário que vive num trailer no alto de uma montanha na Irlanda. Cuida das
ovelhas como filhas, e todas têm um nome conforme seus comportamentos (Mimosa, Valente
etc). Ele as tosa, brinca e quando cai a noite lê romances policiais no
descampado para dormirem. Quando George vira as costas, as ovelhas conversam entre
elas, como humanos. George, apesar de recluso, é amigável com as pessoas, vai
sempre para a cidade onde conversa com qualquer um. Até que ele é encontrado
morto, causando um choque na cidadezinha. As ovelhas, assustadas, resolvem
desvendar o crime procurando pistas pelo caminho. Elas se unem num grupo
chamado Ovelhas Detetives. O filme é apresentado em primeira pessoa, Jackman
narrando, falando das ovelhas e da comunidade onde mora. E quando o caso
policial começa, a trama cai no colo dos animais, virando um filme de aventura
policial caprichado, engraçado e dinâmico. As ovelhas, uma mais cômica que
outra, investigam com atenção o crime a partir da resolução dos casos policiais
das histórias que George contava para elas antes de dormir (ou seja, George mal
sabia que estava formando legistas e peritas). Os animais seguem pistas,
desconfiam de vizinhos e enfrentam situações inusitadas, revelando segredos da
comunidade e conduzindo o público por uma narrativa cheia de reviravoltas. Com
direção de Kyle Balda (criador de “Meu malvado favorito”) e roteiro de Craig
Mazin (das séries “Chernobyl” e “The last of us”), a produção se destaca pelo
elenco de nomes de peso e efeitos visuais convincentes em CG que dão vida e
movimento realista aos animais, criando uma experiência surpreendente. O elenco
humano conta com Emma Thompson, Nicholas Braun e Nicholas Galitzine, e as vozes
das ovelhas são interpretadas por Julia Louis-Dreyfus e Patrick Stewart, por
exemplo, trazendo personalidade, leveza e carisma. A combinação de atuações
sólidas com dublagens expressivas e uma história ágil garantem que o filme
funcione tanto como sátira quanto como uma história de investigação envolvente.
O filme é uma adaptação do livro alemão “Three bags full”, de Leonie Swann,
escrito 20 anos atrás, e tem na trilha sonora músicas pop dançantes dos aos anos,
como "I'm
gonna be (500 miles)", de The Proclaimers. Achei um barato e recomendo.
O
assassinato de Rachel Nickell
Novo
documentário de true crime (que a Netflix é expert em fazer), que reconstrói um
caso policial marcante da década de 1990 no Reino Unido. Em julho de 1992,
Rachel Nickell, jovem mãe de 23 anos, foi assassinada a facadas em Wimbledon
Common, Londres, enquanto passeava com o filho de dois anos e o cachorro da
família. O crime ocorreu pela manhã, na rua, num dia comum. O menino presenciou
o crime, e apesar de pequeno, sem entender direito o que ocorria ali, tentou ajudar
a mãe, sem sucesso. Ele se tornou a única testemunha direta, o que ampliou o
choque público daquele crime. O filme reúne trechos de reportagens, depoimentos
antigos e atuais de policiais e familiares de Rachel, para montar um mosaico
investigativo ao público. A polícia fez uma operação desastrosa, envolvendo uma
agente infiltrada que buscava induzir um frequentador do parque, suspeito do
crime, a confessar. Vendo que a estratégia era ilegal e sem provas concretas, aquilo
fracassou, deixando o indivíduo marcado pelo estigma de suspeito durante anos.
O documentário mostra como a pressão midiática e os erros policiais
transformaram o caso em um verdadeiro circo, atrasando a justiça e expondo
falhas graves no sistema investigativo. Somente em 2008 novas análises de DNA
identificaram o verdadeiro culpado, cujos detalhes são colocados no filme. A
produção da Netflix combina ainda entrevistas com jornalistas, além de imagens
de arquivo, para mostrar não apenas o fato trágico, mas também o impacto
duradouro sobre o filho de Rachel, Alex Hanscombe, e sobre seu pai, André
Hanscombe, também discutindo seriamente como erros policiais e julgamentos
precipitados podem destruir vidas e fragilizar o sistema judiciário pelos olhos
da opinião pública. Um bom doc da Netflix, que estreou em 04 de junho.
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