domingo, 12 de julho de 2026

Resenhas especiais

 
Especial “Invasores de corpos”
 
Vampiros de almas
 
Médico em viagem a uma cidadezinha da California estuda um caso bizarro: os habitantes estão sendo trocados por formas similares vindas de outro mundo.
 
Obra cult do cinema B norte-americano, o filme de Don Siegel (que se tornaria um mestre do western, gravando muitos filmes com Clint Eastwood) tornou-se um marco do cinema de ficção científica. Baseado no livro de Jack Finney, que compilou suas histórias de invasores alienígenas publicadas no Collier's Magazine, uma revista conhecida da época (o livro foi publicado há alguns anos no Brasil pela Darkside), o filme traz a história do médico Miles Bennell (Kevin McCarthy), que após um congresso médico, viaja a uma cidadezinha da California, Santa Mira, para acompanhar o estranho caso de pessoas que acreditam que seus familiares não são quem são: segundo eles, mudaram de comportamento, estão frios e distantes. Cético, o médico resolve investigar o caso, e aos poucos descobre que as pessoas estão sendo substituídas por réplicas alienígenas sem emoções, geradas em estranhos casulos em estufas. É uma estranha forma de vida que caiu na Terra sem explicação, e faz um duplo da pessoa, criando um novo ser, sem sentimento, para que o mundo seja recriado. O médico tenta alertar a população, mas é tarde demais, pois muitos já se transformaram. Produzido com orçamento modesto (U$ 415 mil), na febre dos filmes scifi B dos anos 50, destacou-se por sua atmosfera claustrofóbica e final sombrio, que reforça a sensação de impotência diante de uma invasão alienígena. A ideia do longa vai além: tem embutida uma crítica social sobre o perigo de se perder a individualidade em meio às pressões políticas e culturais da época – há aqui uma série de alegorias sobre a paranoia da Guerra Fria, de agentes russos infiltrados (seriam eles os alienígenas?) e o Macarthismo; vale lembrar que EUA e URSS, na época, estremeciam o mundo com seus embates ideológicos, e na terra do Tio Sam o Congresso ameaçava cineastas e produtores acusados de serem comunistas, perseguindo radicalmente a classe e os colocando no ostracismo. Um grande filme do cinema, para ser visto e revisto. Saiu em edições avulsas por diversas distribuidoras ao longo dos anos áureos do DVD, e recentemente num box da trilogia principal pela Classicline. Ganhará em breve versão restaurada em bluray pela Versátil Home Vídeo, em uma caixa com os quatro filmes da série - versões de 1956, 1978, 1993 e 2007 (está em pré-venda no site da distribuidora).
 
Vampiros de almas (Invasion of the body snatchers). EUA, 1956, 80 min. Ficção científica/Terror. Preto-e-branco. Dirigido por Don Siegel. Distribuição: Classicline
 
 
Invasores de corpos
 
Agente de vigilância sanitária investiga uma estranha forma de vida que veio do espaço; pessoas estão sendo trocadas por réplicas idênticas, e aparentemente o governo norte-americano está por trás do caso.
 
Excelente remake da fita B que se tornou cult “Vampiros de almas”, agora colorido, que conta com grande elenco e atualiza com perspicácia a história de paranoia e alegoria política (além de ser uma fita de terror assustadora). Dirigido por Philip Kaufman (que depois faria “Os eleitos” e “A insustentável leveza do ser”), o filme transpõe a história para São Francisco, ampliando a escala urbana e intensificando o clima de angústia e estranhezas. Elizabeth Driscoll (Brooke Adams) percebe mudanças estranhas no comportamento de seu namorado após levar para casa uma planta incomum. Um inspetor de vigilância sanitária é chamado, Matthew Bennell (Donald Sutherland, ótimo no papel central), e passa a estudar com precisão o caso ao lado de Elizabeth. Eles descobrem que alienígenas estão duplicando humanos enquanto dormem, gerando-os em casulos gigantes. O filme se destaca por uma nova atmosfera sombria, trilha inquietante e efeitos visuais eficientes, como os corpos se desfazendo, misturados a uma gosma orgânica. Ao contrário da versão de 1956, o pessimismo é ainda maior: não há salvação, apenas a inevitável assimilação dos corpos humanos pelos alienígenas. A obra traz novas simbologias, já que o contexto histórico e político mudou em 20 anos: sai da Guerra Fria e do Macartismo para a paranoia do caso Watergate, ocorrido quatro anos antes. Reflete assim o desencanto dos anos 1970, marcado por crises políticas e sociais, e sugere que a alienação urbana e a desconfiança entre indivíduos já eram sintomas de uma sociedade em colapso. A abertura do filme mostra a contaminação vinda de outro planeta, com uma estranha substância se espalhando com uma fina nuvem caindo na terra. Tem cenas de perseguição, jumpscares e escatologia, e participações especiais de Leonard Nimoy (o Dr. Spock de “Star Trek”), Kevin Mccarthy (o astro do anterior) e uma ponta não-creditada de Robert Duvall bem no início, como um padre no balanço. Saiu em DVD há muitos anos pela MGM/20th Century Fox e recentemente num box da trilogia principal pela Classicline. Ganhará em breve versão restaurada em bluray pela Versátil Home Vídeo, em uma caixa com os quatro filmes da série - versões de 1956, 1978, 1993 e 2007 (está em pré-venda no site da distribuidora).
 
Invasores de corpos (Invasion of the body snatchers) EUA, 1978, 115 min. Ficção científica/Terror. Colorido. Dirigido por Philip Kaufman. Distribuição: Classicline e MGM/20th Century Fox


Invasores de corpos – A invasão continua
 
No Alabama, uma adolescente e seu pai descobrem um plano sinistro do Exército de substituição de humanos por réplicas idênticas vindas de outro planeta.
 
Indicado à Palma de Ouro em Cannes, a terceira parte da trilogia “Invasores de corpos” é assinada de Abel Ferrara, diretor de filmes sujos e marginais que mostravam o submundo nu e cru de Nova York dos anos 80 e 90 (como “Sedução e vingança” e “O rei de Nova York”). Na versão de Ferrara, a trama se desloca para uma base militar no sul dos EUA, onde a adolescente Marti Malone (Gabrielle Anwar) percebe que pessoas ao seu redor estão sendo substituídas por um duplo. São alienígenas ocultados pelo governo numa base militar, para fins de experiência genética. O ambiente rígido e disciplinado do exército intensifica a metáfora: em um espaço já marcado pela obediência, a invasão torna-se imperceptível. Menos celebrado que os antecessores, o filme traz momentos memoráveis, como a atuação de Meg Tilly e seu monólogo arrepiante sobre a inevitabilidade da incorporação alienígena. A adaptação foca na experiência íntima e psicológica da protagonista, ao lado do pai, tentando alertar a população a fugir do Alabama onde ocorre a expansão dos casos de assimilação alienígena. Novamente se explora o horror da perda de identidade e da fragilidade humana frente ao desconhecido – e reforça teorias de conspiração envolvendo o governo norte-americano, de que as Forças Armadas acobertariam casos de alienígenas capturados, como o Caso Roswell e o Majestic12. Há no filme participações especiais de R. Lee Ermey e Forest Whitaker. Saiu em DVD há muito tempo atrás pela Warner Bros. e recentemente num box da trilogia pela Classicline. Ganhará em breve versão restaurada em bluray pela Versátil Home Vídeo, em uma caixa com os quatro filmes da série - versões de 1956, 1978, 1993 e 2007 (está em pré-venda no site da distribuidora).
 
Invasores de corpos – A invasão continua (Body snatchers). EUA, 1993, 87 min. Ficção científica/Terror. Colorido. Dirigido por Abel Ferrara. Distribuição: Classicline e Warner Bros.

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