segunda-feira, 30 de abril de 2018

Resenha Especial


A górgona

Alemanha, início do século XX. Na pequena cidade de Vandorf, uma série de mortes bizarras aterroriza a população. Homens são transformados em pedra, em noites de lua cheia. Sem entender os motivos, policiais e médicos iniciam uma investigação que os leva a crer no impossível: a lenda de uma górgona de épocas remotas, que voltou para assombrar o lugar. Como desfazer essa maldição?

Excelente terror gótico da Hammer dirigido pelo lendário Terence Fisher (1904–1980), cineasta inglês que realizou 50 filmes do autêntico horror britânico, quase todos nesse estúdio que marcou época. Dois dos maiores atores do gênero participam aqui, Christopher Lee e Peter Cushing, respectivamente na pele de um professor e o outro, de um médico, que investigam o caso de uma górgona que ataca uma cidadezinha alemã em 1910. Quando o espectro aparece do nada, as pessoas, surpresas, miram nos olhos do monstro, em sequência são transformadas em pedra (a górgona mais lembrada por nós é a Medusa, um ser ctônico horripilante da mitologia grega, que tem serpentes nos cabelos, igual a que vemos neste filme). 
No meio da investigação as autoridades cruzam o caminho do mal, e pouca gente sobra para contar história... cuidado ao assistir, até você corre o risco de virar pedra!
“A górgona” destaca-se pela elegância visual da cenografia de época, além do roteiro perspicaz, considerado um dos ótimos representantes da cultuada Hammer Film Productions, companhia britânica especializada em terror, fundada em 1934. Os filmes da Hammer tinham distribuição mundial, feita pela Warner e Columbia, inspirados nos clássicos de horror da Sétima Arte, como Drácula, A múmia, O lobisomem, Frankenstein e monstros mitológicos, como o caso da Górgona, além das histórias de Karmilla, a vampira lésbica, e ainda investidas na ficção científica. Foram centenas de obras produzidas, com um time de atores excepcionais, como Christopher Lee, Ingrid Pitt, Peter Cushing, Oliver Reed e Michael Gough, alcançando sucessos absolutos nas sessões noturnas de cinema na Europa. Faliu no final da década de 70, quando passou a produzir séries televisas britânicas de terror, mas na metade dos anos 2000 voltou a produzir cinema, com produtoras associadas, como no caso de “A mulher de preto” (2012). Está na ativa, porém com pouca força, subordinada a tantas distribuidoras de cinema do mercado atual.
Assistam a “A górgona”, que saiu no box “Coleção Estúdio Hammer”, lançamento de março da Obras-Primas do Cinema. A caixa reúne seis clássicos de terror produzidos no macabro estúdio, dentre eles dois outros dirigidos por Terence Fisher – “A múmia” (1959) e “A maldição do lobisomem” (1961), além de “O beijo do vampiro” (1963), “Maniac” (1963) e “Fanatismo macabro” (1965). Acompanha extras na parte dos bônus e cards especiais para colecionar. Boa sessão!



A górgona (The gorgon). Reino Unido, 1964, 83 min. Terror. Colorido. Dirigido por Terence Fisher. Distribuição: Obras-Primas do Cinema

* Publicado na coluna Middia Cinema, na revista Middia, edição de abril/maio de 2018

domingo, 29 de abril de 2018

Morre aos 98 anos o diretor Michael Anderson


Passou despercebida a morte de um grande cineasta, dos meus preferidos, Michael Anderson, aos 98 anos, ocorrida quatro dias atrás.
Britânico, dirigiu 40 longas, dentre eles "A volta ao mundo em 80 dias" (1956) - pelo qual recebeu indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor direção (este ganhou o Oscar de melhor filme), a primeira versão de "1984" (1956), "O navio condenado" (1959), "A tortura da suspeita" (1961), "As sandálias do pescador" (1968), "Fuga no século 23" (1976) e "Orca - A baleia assassina" (1977). RIP


Resenha Especial


Audazes e malditos

Num forte militar no Arizona, em 1881, um crime abala os oficiais. O líder do grupo foi assassinado juntamente com a filha, após ter sido estuprada. O principal suspeito é o sargento negro Rutledge (Woody Strode), levado para a corte marcial para julgamento. Acreditando na inocência do colega, o tenente Tom Cantrell (Jeffrey Hunter) assume a defesa do réu, num esforço tremendo para livrar Rutledge da prisão.


Faroeste marcante e diferente de John Ford, um gênio no assunto, num de seus últimos trabalhos, inteiramente filmado nas locações preferidas do diretor, Monument Valley, no Arizona. É uma obra incomum por tratar de três assuntos distantes do mundo do western: racismo (o sargento negro torna-se presa fácil de comentários preconceituosos e xingamentos), estupro (era tabu tratar dessa questão no cinema também) e julgamento (70% do filme ocorre no tribunal), apurados de forma vigorosa pelo mestre John Ford. Conseguiu arrancar dos dois atores principais um trabalho visceral – é o grande momento de Woody Strode, sujeito visto sempre como coadjuvante em papeis pequenos, e do galã Jeffrey Hunter, que no ano seguinte seria Jesus Cristo em “O rei dos reis” (1961), e morreria prematuramente em 1969, aos 42 anos, de derrame cerebral. Do início na rígida corte marcial que irá dar o veredicto a Rutledge ao final inesperado, o filme é pautado por flashbacks curiosos e reveladores, com ótimos diálogos milimetricamente construídos e claras referências ao término da Guerra Civil Americana, que, na história, acabara uma década e meia antes. Nas entrelinhas, os comentários acerca do final da Guerra de Secessão reafirmam o preconceito em torno dos negros e da não aceitação da derrota dos Confederados (o Estado do Arizona, onde se passa o filme, apoiou os Confederados, que eram escravistas e tinham o negro como mão-de-obra). Além da carga policial em tom investigativo, “Audazes e malditos” pode ser considerado um faroeste psicológico de tribunal, tamanho o leque de possibilidades que o cineasta John Ford deu a esta obra-prima. Filmão de primeira qualidade!
Está disponível em DVD por duas distribuidoras: pela Versátil, no box “Cinema Faroeste – volume 1” (com outros cinco filmes) e recentemente pela Classicline (com a diferença do áudio também em português).

Audazes e malditos (Sergeant Rutledge). EUA, 1960, 111 min. Faroeste. Colorido. Dirigido por John Ford. Distribuição: Classicline e Versátil

* Publicado na coluna Middia Cinema, na revista Middia, edição de abril/maio de 2018




quinta-feira, 26 de abril de 2018

Nota do blogueiro


O último (e aguardado) lançamento em DVD da Sony Pictures, o belíssimo drama "Me chame pelo seu nome" (2017), indicado a quatro Oscars e ganhador do de melhor roteiro adaptado. Gentilmente a @sonypicturesbr enviou um exemplar do filme e também um do livro original, de André Aciman, campeão de vendas em todo o mundo e lançado no Brasil pela editora Intrinseca - @intrinseca @intrinsecaeditorabrasil. Vou reassistir no final de semana e começar a leitura! Obrigado, @2014mada, pelo envio desses dois lindões. 🎬📚💻📽😍 





quarta-feira, 25 de abril de 2018

Nota do blogueiro


Fantástico esse super lançamento da Paramount Pictures: o Steelbook do bluray de "O exterminador do futuro: Gênesis" (2015), o quinto da franquia, numa versão especial para colecionadores. Filmaço em alta resolução com a qualidade máxima de som. Nos extras há três documentários a mais do que a da edição em DVD. Já nas lojas, a preço promocional.
Obrigado, @paramountbrasil @2014mada, pelo envio do material.




Nota do Blogueiro


Mais Cinema!
Olhem só os cinco filmes imperdíveis que acabaram de ser lançados em DVD pela Paramount e a Sony Pictures. O drama "Roman J. Israel" (2017), indicado ao Oscar de melhor ator para Denzel Washington; a animação "A estrela de Belém" (2017), indicada ao Globo de Ouro de canção; a comédia "Pai em dose dupla 2" (2017); e os dois filmes da franquia Jumanji - "Jumanji" (1995), relançado com nova capa, e a divertidíssima continuação, "Jumanji: Bem-vindo à selva" (2017), que obteve uma das maiores bilheterias do cinema neste ano. Nos DVDs, extras especiais em todos eles. Disponível também em Bluray. Agradeço à @sonypicturesbr @paramountbrasil @2014mada pelo envio dos exemplares. 🎬😃






terça-feira, 24 de abril de 2018

Cine Lançamento


Somos todos iguais

Marchand de carreira internacional, Ron Hall (Greg Kinnear) enfrenta maus momentos no casamento com Debbie (Renée Zellweger). Ela está engajada em trabalhos voluntários e abre um restaurante para servir refeições a pessoas carentes. Forçado pela esposa, Ron vai auxiliá-la no projeto social, e lá conhece o andarilho Denver Moore (Djimon Hounsou), que irá mudar para sempre a vida dele.

Uma emocionante história real que mal teve distribuição nos cinemas mundiais, baseada no best seller homônimo de Ron Hall e Denver Moore (que são os dois personagens masculinos de destaque do filme), organizado pela jornalista Lynn Vincent. A produção americana trata do poder transformador do ser humano, de pessoas que nascem para fazer o bem e como elas podem modificar o meio onde vivem com ações simples. De um lado temos um mercador de quadros, Ron Hall, fechado em seu mundo dos negócios, distante da família. Passa por um período delicado na relação com a esposa, uma mulher de virtudes, Deborah Hall, dedicada a causas sociais, que cria com muito custo um espaço para marginalizados se socializarem em almoços coletivos (aparece por lá gente de todos os tipos, indigentes, prostitutas, marginais, traficantes etc). Ela convence o marido a visitar o local, e ele aceita ser um novo voluntário. Até a vida de ambos mudar com a chegada de um andarilho estressado, de nome Denver Moore, que quebra mesas e cadeiras com seu bastão de madeira. Por trás desse homem de aparência hostil esconde-se um ser humano sensível, inteligente na oratória e sábio nas palavras de inspiração. Nascia ali uma amizade verdadeira, despida de preconceitos, que durou décadas, até o falecimento de Moore. O título em português resume tudo: “Somos todos iguais”.
A intrínseca trajetória de vida de Hall, Moore e Debbie é contada com paixão, poesia, romance e encantamento, com uma atuação excelente do trio de atores indicados ao Oscar – Greg Kinnear andava sumido, com raras participações em cinema, Djimon Hounsou ficou bem no papel envelhecido e Renée Zellweger está irreconhecível depois das plásticas mal sucedidas, que a deixaram com o rosto deformado. Conta também com uma rápida participação do veterano Jon Voight, como o pai preconceituoso de Ron Hall.
Estreia do diretor Michael Carney, que assina o roteiro e a produção, num belo filme inspirador, capaz de emocionar todos os públicos e arrancar lágrimas dos mais sensíveis. Todos têm de assistir!
Acaba de sair em DVD pela Paramount, com bons extras sobre os bastidores da produção.

Somos todos iguais (Same kind of different as me). EUA, 2017, 119 min. Drama. Colorido. Dirigido por Michael Carney. Distribuição: Paramount Pictures

Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 1

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