terça-feira, 31 de agosto de 2010

Viva nostalgia!

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Uma aventura na África

Na África selvagem, durante a Primeira Guerra Mundial, a missionária Rose Sayer (Katherine Hepburn) vê-se obrigada a atravessar um rio para chegar até a civilização. O único meio de transporte é um pequeno barco, conduzido pelo beberrão Charlie Allnut (Humphrey Bogart). Nas águas dominadas pelos alemães e muitos animais perigosos, os dois enfrentarão uma jornada infernal.

Destacado pela crítica do mundo inteiro como um dos maiores filmes da história, “Uma aventura na África” finalmente chega em DVD no Brasil em edição caprichada, lançado pela Paramount Pictures, com excelente imagem restaurada, som remasterizado (e dublagem em português da época) e um digno making of de quase uma hora de duração. Ou seja, um exemplar para colecionador, de primeira qualidade!
O filme é um entretenimento delicioso. A divertida história narra o amor improvável entre dois opostos – uma missionária elegante perdida na África, que leva uma vida organizadinha e evita confusões, e um barqueiro alcoólatra, sujo, desbocado e maluco por aventuras fluviais. Sozinhos em uma embarcação minúscula, chamada de “A rainha africana” (African Queen, título original do filme), cada um terá de suportar o espírito e as manias do outro. Dividirão as mesmas picadas de mosquitos, as tempestades, a solidão, e ainda terão de encarar juntos a perigosa missão de detonar um navio comandado por alemães.
Humphrey Bogart ganhou aqui seu único Oscar, em um papel magistral que entrou para a galeria de personagens famosos do cinema; no mesmo naipe, Katherine Hepburn brilha como a missionária religiosa, em interpretação que rendeu a ela sua 5ª indicação ao prêmio da Academia.
As autênticas locações africanas são captadas com avidez pelo falecido diretor de fotografia Jack Cardiff, em um trabalho marcante de técnica ímpar.
Dirigido pelo mestre John Huston, “Uma aventura na África” por pouco não foi lançado, devido aos inúmeros problemas na produção; uma das histórias de bastidores é de que boa parte do elenco adoeceu de malária quando chegou à África (apenas Huston e Bogart, por beberem demais, se safaram!).
Influenciou o gênero e recebeu duas outras indicações ao Oscar em 1952 – melhor diretor e melhor roteiro. Aproveite para conhecer a nova edição desse importante filme, um convite digno para os fãs do cinema antigo. Por Felipe Brida

Título original: The African Queen
País/Ano: EUA/Inglaterra, 1951
Elenco: Humphrey Bogart, Katherine Hepburn, Robert Morley, Peter Bull, Theodore Bikel, Walter Gotell, Peter Swanwick
Direção: John Huston
Gênero: Aventura
Duração: 105 min
Distribuição: Paramount Pictures

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Morre o cineasta e produtor Ary Fernandes

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Criador do notório seriado brasileiro "O vigilante rodoviário", Ary Fernandes faleceu ontem aos 79 anos, vítima de infarte. Apesar da saúde fragilizada desde 2005 quando sofreu um acidente vascular cerebral, Fernandes vinha atuando em sua produtora particular. Recentemente participou de todo o processo de recuperação e restauração de "O vigilante rodoviário", lançado em DVD pela Spectra Nova em 2009. Também teve sua vida biografada no livro "Ary Fernandes - Sua fascinante história", escrito por Antonio Leão da Silva Neto para a Coleção Aplauso, editado pela Imprensa Oficial do Estado.
Paulistano nascido em 31 de março de 1931, Ary iniciou a carreira como supervisor e assistente de direção nos estúdios da Maristela, ao lado de Alberto Cavalcanti, na década de 50. Ganhou notoriedade a partir de 1959, ao criar "O vigilante rodoviário", cujos 39 episódios foram produzidos até 1962 e exibidos na extinta TV Tupi. Por causa do sucesso do seriado, Fernandes dirigiu e produziu médias-metragens com novas aventuras do Inspetor Carlos e seu fiel cão Lobo.
Em 1966 criou o seriado "Águias de fogo". Como cineasta, chegou a dirigir aproximadamente 20 longas-metragens, dentre eles "Uma pistola para Djeca" (1969 - com Mazzaropi) e "O supermanso" (1974), além de filmes durante a fase da Pornochanchada, como "Quando elas querem... e eles não" (1975).
Assinou a produçãoe xecutiva dos filmes "A estrela nua" (1984), "Quincas Borba" (1987) e "O cangaceiro" (1997).
Ary Fernandes foi um artista multifacetado, já que também atuava e era compositor das trilhas sonoras de seus filmes.
Deixa esposa, filhos e netos. Por Felipe Brida

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Cine Lançamento

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Condessa de sangue

Vida e morte da condessa húngara Elizabeth Bathory (1560-1614), apontada como uma das maiores assassinadas da história da humanidade. Obcecada pela beleza, matava impiedosamente mulheres virgens, banhando-se no sangue delas para rejuvenescer. Devido aos atos de loucura que cometia, recebeu o apelido de “A condessa sangrenta”.

Produção européia mediana baseada em histórias fantásticas e lendas que circundam a vida da condessa Bathory, governante da Hungria por longos anos. Com punhos de ferro e de forma arbitrária punia inimigos, traidores do poder e até inocentes com atos extremos de torturas e assassinatos brutais, cometidos na masmorra do castelo onde morava. Tinha por trás os súditos, orientados a concretizar seus crimes. Contam-se passagens (que o filme aborda) que Elizabeth tomava banho de sangue de virgens para alcançar a juventude eterna, e logo depois enterrava os corpos das jovens mortas no jardim do palácio real. Por isso seu reinado era de medo e horror, e o apelido de “A condessa de sangue” não surgiu à toa.
Recriado com uma fotografia em um tom de vermelho-sangue para provocar a sensação de desejo, paixão e fúria de Elizabeth, o filme segue a velha fórmula de biografias, com narração off e linha do tempo, levando com seriedade a história mórbida dessa estranha personagem da História, cuja vida é cercada por fatos bizarros. Um deles é o relacionamento amoroso que manteve com o polêmico pintor homossexual Caravaggio, nome importante do Barroco italiano.
Interpretado pela bonita atriz inglesa Anna Friel (que não tem firmeza para o papel), o filme tem alguns defeitos evidentes; atrapalha-se em uma narrativa lenta, em passagens esticadas, muitos diálogos pedantes, e uma cenografia não muito eficiente, com resultado de telefilmes europeus de baixo orçamento. Há também uma ponta ingrata de poucos minutos (e sem destaque) do ex-galã italiano Franco Nero (das fitas de faroeste dos anos 60 e 70), como o rei Mathias.
Mas ao fundo a história atiça a curiosidade, principalmente dos que gostam de histórias com tom de sadismo e horror.
Em 2009 saiu no exterior uma nova versão da vida da “Condessa sangrenta”, com Julie Delpy (em filme dirigido por ela), ainda inédita no Brasil. Por Felipe Brida

Título original: Bathory
País/Ano: Inglaterra/Hungria/Eslováquia/República Tcheca, 2008
Elenco: Anna Friel, Karel Roden, Vincent Regan, Hans Matheson, Deana Horváthová, Franco Nero, Anthony Byrne
Direção: Juraj Jakubisko
Gênero: Drama
Duração: 138 min
Distribuição: Paramount Pictures

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cine Lançamento

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Morte no funeral (2010)

Uma desajustada família negra se reúne para o funeral do patriarca. Na cerimônia de despedida, a chegada de um anão chantageador colocará em cheque a moral do falecido. Aaron (Chris Rock), um dos filhos do morto, tentará de tudo para garantir a integridade do pai.

Um equívoco dos mais absurdos a tentativa de refilmar “Morte no funeral”, aquela comédia de humor negro inglesa, lançada em 2007, que já era boa de nascença devido ao roteiro engraçado, as sacadas superinteligentes e a direção perspicaz de Frank Oz, grande gênio da comédia norte-americana. Essa nova versão, agora composta por um elenco de artistas negros em um mau momento de suas carreiras, não se preocupa em mudar uma vírgula no roteiro – ela é baseada no roteiro original escrito por Dean Craig. Utilizaram aqui o mesmo argumento, com direito às mesmas sequências (como a cena do banheiro, mais esculachada e escatológica), as mesmas piadas (por exemplo, a do cunhado que vive dopado), sem contar que o gancho principal, que gira em torno do anão, continua idêntico (até o ator Peter Dinklage, do original, volta na pele do anãozinho gay).
Resultado: refizeram um bom filme sem atualizar a história nem sequer a inserindo em um novo contexto; só acrescentaram pitadas de grosseria, e o elenco não traz destaque nenhum – Danny Glover está desperdiçado como o vovô, Chris Rock não segura as pontas como o líder da família, nem mesmo Martin Lawrence escapa da tolice desse projeto falho. Um descalabro frente à tamanha falta de criatividade... Se quiser se divertir mesmo, recorra ao filme original.
É o segundo big desastre em termos de remake pelas mãos do irregular diretor Neil LaBute – o outro, em 2006, foi o péssimo “O sacrifício”, refilmagem da estranha fita inglesa de suspense/terror “O homem de palha” (1973). Pelo sim pelo não, LaBute confirma que está em franca decadência, depois de um curto período de bons momentos na carreira, como “Na companhia de homens” e “A enfermeira Betty”. Por Felipe Brida

Título original: Death at a funeral
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Chris Rock, Danny Glover, Peter Dinklage, Keith David, Regina Hall, James Marsden, Martin Lawrence, Zoe Saldana, Luke Wilson, Loretta Devine, Ron Glass, Tracy Morgan, Kevin Hart
Direção: Neil LaBute
Gênero: Comédia
Duração: 92 min
Distribuição: Sony Pictures
Site oficial: http://www.sonypictures.com/movies/deathatafuneral/

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Cine Lançamento

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Os demônios de Dorothy Mills

A psiquiatra Jane Van Dopp (Carice Van Houten) é designada para estudar o caso de uma garota com graves distúrbios mentais, chamada Dorothy Mills (Jenn Murray). A menina, dominada por forças misteriosas, esconde um passado violento, envolvendo mortes e desaparecimentos em uma comunidade cristã altamente conservadora, onde vivia com a família.

Com roteiro e direção de uma talentosa mulher francesa, a pouco conhecida Agnès Merlet (a mesma de “Artemisia”), esse filme de suspense e drama, uma co-produção Irlanda/França, narra a história de uma médica psiquiatra que, designada pela polícia, vai buscar respostas para solucionar dois casos conectados entre si: a de uma menina perturbada, possivelmente tomada por múltiplas personalidades, e a de um estranho acidente onde morreram vários jovens. Dorothy Mills, a tal garota, faz de tudo para ajudar na investigação, inclusive enfrentando as forças que residem dentro dela.
Apesar de a história vir das raízes do terror, o filme não se projeta como tal. Na verdade é um drama sobre pessoas com distúrbios psicológicos, erroneamente vendido como uma fita de possessão no estilo de “O exorcista”. Assemelha-se a telefilmes britânicos, com diálogos aos montes, fotografia bem planejada e ritmo devagar, sem causar sustos ou arrepios como o título faz supor. Fica claro que é um projeto levado com seriedade, apenas falta emoção. O defeito mais gritante é a condução um tanto quanto irregular da narrativa: a trama, complexa vale lembrar, mistura fatos do presente e do passado, e procura unir histórias paralelas. Inserem também nesse balaio temas que não explicam com exatidão as situações que o filme aborda - umas sobre possessão demoníaca, outras sobre desvio de personalidade, a morte dos jovens, o pensamento conservador cristão para proteger a menina vista como louca etc.
Ou seja, é um filme sério, mas mal conduzido, que não alcança vôos maiores. Não chega a decepcionar. Arrisque a locação. Por Felipe Brida

Título original: Dorothy Mills
País/Ano: Irlanda/França, 2008
Elenco: Carice Van Houten, Jenn Murray, Ger Ryan, Gary Lewis, Gavin O'Connor, David Wilmot
Direção: Agnès Merlet
Gênero: Suspense/Drama
Duração: 102 min
Distribuição: Paramount Pictures

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Cine Lançamento

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Atraídos pelo crime

Três policiais do Brooklyn têm suas rotinas entrelaçadas. Eddie Dugan (Richard Gere) está prestes a se aposentar; infeliz com a vida, mora sozinho, é alcoólatra e tem poucos amigos. Já Tango (Don Cheadle) é atormentado por um velho dilema na sua profissão - continua ele ou não protegendo o chefe do tráfico Caz (Wesley Snipes), perigoso bandido local? E no departamento de narcóticos está o explosivo agente policial Sal (Ethan Hawke), casado, com a esposa grávida e dois filhos para cuidar. Nas ruas, cada um deles exerce seu trabalho, alguns dependendo do dinheiro que recebe do tráfico, outros sendo honestos até demais. Porém, numa noite aparentemente calma um crime colocará os três frente-a-frente em um beco sem saída.

Realizado com muita competência pelo superestimado diretor negro Antoine Fuqua, que já havia filmado projeto semelhante com “Dia de treinamento” (que em 2002 deu a Denzel Washington o Oscar de melhor ator), “Atraídos pelo crime” é um bom filme policial, sério, pesado e violento demais para o público comum. Narra com certa frieza e distanciamento a rotina de três policiais com trajetórias de vida próximas: todos enfrentam problemas financeiros, passam por crise pessoal, cercados por dilemas, sem perspectiva. Na história não tem mocinho nem bonzinho; o perfil deles é de anti-heróis - um é corrupto e neurótico, outro ganancioso, e outro esconde um passado obscuro.
Essa apresentação dos personagens (que no filme se desenrola sem pressa) ajuda a entender o tema central da fita, que é a corrupção policial em Nova York, concentrada no bairro do Brooklyn, região conhecida pela violência e pelos intensos conflitos raciais. E Hollywood, mais que nenhum outro lugar, adora tratar corrupção policial no cinema. Ainda melhor que “Atraídos pelo crime” só “Serpico”, o já mencionado “Dia de treinamento” e “Justiça cega”.
Não é uma fita para todos, haja vista que a realidade mostrada aqui é fria, em tom amargo, e o desfecho não tem piedade nem concessão. Mas aos interessados pelo assunto fica a dica desse novo policial, que abriu em segundo lugar nas bilheterias americanas no final de semana de estréia nos cinemas em março desse ano.
Vale lembrar que o time de astros é outro destaque, cujo elenco conta com Richard Gere, Ethan Hawke, Wesley Snipes, Don Cheadle, Vincent D’Onofrio, Will Patton e Ellen Barkin. Confira. Por Felipe Brida

Título original: Brooklyn’s finest
País/Ano: EUA, 2009
Elenco: Richard Gere, Ethan Hawke, Don Cheadle, Wesley Snipes, Vincent D’Onofrio, Will Patton, Lili Taylor, Brian F. O'Byrne, Ellen Barkin
Direção: Antoine Fuqua
Gênero: Policial
Duração: 132 min
Distribuição: California Filmes

sábado, 14 de agosto de 2010

Cine Lançamento

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Kill Buljo – O filme

Jompa Tormann (Stig Frode Henriksen) acorda em uma cama de hospital após presenciar o assassinato da família inteira, bem como o de sua noiva e das cabras de estimação. Sozinho no mundo, aprende artes marciais e estratégias de guerra, planejando uma vingança doentia contra aqueles que mataram seus entes queridos.

Desastrosa paródia norueguesa de “Kill Bill” que nada tem a ver com a obra-prima de Quentin Tarantino. A produção tem mau acabamento, feita às pressas, com uma história maluca, sem pé nem cabeça, cheio de esquisitices e concentrados em personagens bizarros. O pior de tudo é que não provoca risos.
A única semelhança com “Kill Bill” é o espírito de vingança movido pelo jovem que sai numa caçada infernal dos assassinos de sua família. Ele mata um a um, das formas mais improváveis e sem graça (em uma das sequências Jompa explode o braço de um bandido aferindo sua pressão).
Dificilmente o público se identificará com tamanhas bobeiras acrescentadas nessa pequena fita de 2007, distribuída em DVD no Brasil somente agora pela Europa Filmes, sem grande divulgação pela mídia. Talvez por saberem que não é bela coisa...
É o primeiro filme do diretor Tommy Wirkola, que realizou logo depois o assustador e ao mesmo tempo cômico “Dead snow”, uma comédia de humor negro com nazistas zumbis, que ainda não tem data para chegar ao Brasil. Wirkola inclusive aparece em “Kill Buljo” interpretando o policial Sid, que odeia mulheres. Não perca tempo. Por Felipe Brida

Título original: Kill Buljo: The movie
País/Ano: Noruega, 2007
Elenco: Stig Frode Henriksen, Tommy Wirkola, Natasha Angel Dahle, Martin Hykkerud, Christian Reiertsen, Merete Nordahl
Direção: Tommy Wirkola
Gênero: Comédia
Duração: 93 min
Distribuição: Europa Filmes

Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 1

Anatomia do caos   Com as eleições chegando, e o risco democrático que o Brasil corre, a distribuidora Descoloniza Filmes disponibilizou gra...