quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Especial de cinema


A Versátil Home Video acaba de lançar no mercado um livro temático com resenhas de filmes de ação e suspense intitulado 'Thrillers - Pérolas do suspense', com 72 páginas. Nele há 14 textos escritos por jornalistas e críticos de cinema convidados - um deles é o meu, que segue abaixo, na íntegra. O livro está disponível para compra no site da Versátil, em https://www.versatilhv.com.br/


Marte num estúdio em miniatura: paranoia e conspiração em ‘Capricórnio Um’
 
Por Felipe Brida*
 
O homem realmente pisou na Lua? A chegada da nave Apollo 11 ao solo lunar e a lenta caminhada de Neil Armstrong pelo terreno cinza daquele satélite natural não foi uma armação, uma simulação em estúdios de cinema? Tais perguntas pairavam no ar desde o fato inédito e histórico do voo espacial que levou dois astronautas norte-americanos à Lua em julho de 1969. Teorias da conspiração tomaram conta do imaginário das pessoas, e também dos noticiários sensacionalistas da época. Até Stanley Kubrick caiu na boataria: dizem ter sido ele o cara que gravou a farsa, em estúdio de cinema a alunissagem, vejam só...
A falsa informação de que o homem nunca pisou na Lua ganharia enorme força nos anos seguintes, já que a Guerra Fria estava consolidada, o bloco ocidental se digladiava com o oriental, havia um clima de medo e paranoia no ar, de espiões infiltrados em todo canto. E fatos marcantes daquele período impulsionariam essa escalada: o caso Watergate e a era dos grampos ilegais, o assassinato dos irmãos Kennedy e o avanço da Guerra do Vietnã. O tema do thriller ‘Capricórnio Um’ (1977) envolve essa atmosfera de apreensão, desconfiança e tragédia anunciada, e apesar de ficcional, o filme carrega um contexto real e persuasivo da virada de década (dos 60 para os 70). A cerne da trama é uma farsa da Nasa com o governo americano para simular uma viagem para Marte em plena Corrida Espacial, principal acirramento dos Estados Unidos com a União Soviética daqueles idos.


‘Capricórnio Um’ é o nome da cápsula que será enviada para Marte e por consequência o nome do projeto espacial. É uma missão derradeira e aguardada, conduzida pela Nasa (National Aeronautics and Space Administration) e o governo. É período eleitoral, os ânimos estão exaltados, há uma ânsia entre os políticos e a população - nas primeiras cenas do filme, na espera do lançamento do foguete ‘Capricórnio Um’, o vice-presidente americano senta-se na arquibancada com o público para assistir ao espetáculo e comenta que está ali em nome do presidente, que está fora para resolver pontos da campanha.
De repente, faltando menos de um minuto para o foguete subir, os três astronautas são retirados à força da cápsula da nave. Eles se entreolham, enquanto ‘Capricórnio’ é lançado sem ninguém dentro. A mídia divulga passo a passo o voo pelos céus, e a massiva população acompanha, sem piscar, a façanha. Furiosos, os astronautas exigem resposta sobre a retirada forçada da nave – são eles Brubaker (James Brolin), o líder do grupo, Willis (Sam Waterston) e Walker (O.J. Simpson), seus auxiliares, todos veteranos de programas espaciais. Numa sala reservada, Dr. Kelloway (Hal Holbrook), o mentor do ‘Capricórnio Um’, explica o caso – devido a uma falha no sistema, e a Nasa não ter orçamento suficiente para financiamento de pesquisa e nem ter condições para o reparo, haverá uma simulação da chegada deles a Marte, ou seja, uma farsa, uma encenação, para enganar a opinião pública e assim fazer com que acreditem no progresso tecnológico do país. Kelloway leva o trio a um lugar ultrassecreto dentro da Nasa, um estúdio já preparado com a réplica do foguete e um terreno vermelho que simula o solo marciano. Ali será o local em que os três passarão a viver nas próximas semanas – e tudo será gravado e transmitido para os telespectadores. Sozinhos para pensar, e se recuperar do baque, os astronautas não engolem o inusitado pedido e recusam participar. Até que são informados que suas famílias correm risco de segurança. Enquanto tramam uma fuga do estúdio, um jornalista chamado Robert Caulfield (Elliott Gould) suspeita de algo estranho no ar e investiga por conta. Outro fato aterrador ocorre: na viagem pelo espaço, a nave com destino a Marte se desintegra. Como os astronautas ‘voltarão vivos’ de lá, já que a explosão da nave virou fato noticiado? Com medo de serem assassinados, e o plano diabólico do governo é justamente esse, Brubaker, Willis e Walker escapam do estúdio, pegam um avião de pequeno porte e aterrissam num deserto, onde enfrentarão fome e insolação.




‘Capricórnio Um’ é um thriller coprodução Estados Unidos e Reino Unido, na linha de conspiração e paranoia, feito num período frutífero para o tema, cujas peças são montadas uma a uma, envolvendo o público em uma trama misteriosa. Integra um ciclo de longas-metragens notáveis de paranoia e conspiração feitos em Hollywood nos anos 70, como ‘O assassinato de um presidente’ (1973), ‘A conversação’ (1974), ‘A trama’ (1974), ‘Três dias do Condor’ (1975), ‘Todos os homens do presidente’ (1976), ‘Domingo negro’ (1977), ‘O telefone’ (1977) e ‘Morte no inverno’ (1979).
A eficiência da história se dá pelo diretor, aliás, também roteirista aqui, um gênio esquecido do cinema, Peter Hyams, especialista em thrillers conspiratórios e fitas scifi, muitas delas espaciais, como ‘Outland: Comando Titânio’ (1981), ‘2010: O ano em que faremos contato’ (1984 – uma continuação intrigante de ‘2001, uma odisseia no espaço’) e ‘Timecop: O guardião do tempo’ (1994), e que rodou fitas explosivas de máfia e de poderosos inescrupulosos, como ‘O esquadrão da justiça’ (1983), ‘Mais forte que o ódio’ (1988) e ‘De frente para o perigo’ (1990).
Em época de fake News, e do crescente aumento da milícia digital, o filme permanece com grau de atualidade; recentemente posts nas redes sociais resgataram a farsa do homem na Lua, que tudo foi inventado em Hollywood, a terra do cinema. Segundo as notícias falsas, equipes de produção simularam com riqueza de detalhes e bons efeitos especiais a alunissagem do programa Apollo 11, recorrendo a uma direção de arte grandiosa, com sondas fabricadas em menor escala, e a telemetria, que manipulava áudios da cápsula espacial com a central na Terra. Desde os anos 2010 há evidências comprovadas de que o homem esteve na Lua, com imagens fotografadas pelo Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), uma nave robótica da Nasa que orbita a Lua e que fotografou rastros deixados pelos astronautas no solo lunar. Por outro lado, há livros publicados que refutam o pouso, dizendo que ele nunca ocorreu, bem como reportagens e documentários sensacionalistas, o que ajuda a dividir a opinião do público. Em um deles, diz-se que Neil Armstrong e Buzz Aldrin, os dois astronautas do programa na Lua, foram manipulados e cerceados pelo governo até os últimos dias de suas vidas, alimentando o imaginário de farsa e críticas ao governo.
‘Capricórnio Um’ funciona como um filme crítico e reflexivo, sobre o poder do governo em controlar a informação e de como a mídia manipula e também é manipulada. A trilha sonora de Jerry Goldsmith, premiado com o Oscar em ‘A profecia’ (1976) e indicado a outros 17 Oscars, ajuda como um elemento desconcertante da trama, bem como a exímia a fotografia do premiado Bill Butler, de ‘Grease – Nos tempos da brilhantina’ (1978).
A Nasa, agência do governo norte-americano de pesquisa de exploração espacial, fundada em 1958 e sediada em Washington, D.C., supervisionou e auxiliou na produção, desde fornecimento de roupas, acessórios e veículos aos estudos das cenas, outro ponto de credibilidade e equilíbrio para o bom resultado do filme – que, vale mencionar, fez sucesso nos cinemas da época, apesar de ser uma produção independente, que custou U$ 5 milhões de dólares.
O diretor Peter Hyams conta que escreveu o roteiro de ‘Capricórnio Um’ logo após o homem pousar na Lua, em 1969. Tentou financiamento, mas ninguém quis bancar o projeto – seria seu primeiro longa-metragem, se tivesse rodado. A história ficou engavetada por oito anos, até que vendeu o script, e o filme foi produzido por Paul N. Lazarus III, que tinha uma produtora própria e havia produzido fitas scifi inovadoras, como ‘Westworld: Onde ninguém tem alma’ (1973) e ‘Ano 2003: Operação Terra’ (1976), ambos lançados pela Versátil em DVD.
‘Capricórnio Um’ é uma pérola desse cinema precioso feito durante o período da paranoia da Guerra Fria, que melhora a cada revisão.
PS – Outro filme com temática semelhante, de forjar e encobrir a verdade, é o thriller scifi, mas sobre OVNIs, feito três anos depois, ‘Hangar 18’ (1980), de James L. Conway, estrelado pelo veterano Darren McGavin.




Livro da Versátil - capa, sumário e texto de Felipe Brida

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Resenha especial

 
O agente secreto
 
O grande filme brasileiro de 2025, dirigido por Kleber Mendonça Filho, continua em ampla campanha rumo ao Oscar. No domingo passado, ‘O agente secreto’ venceu o prêmio de melhor filme internacional no Critics Choice (prêmio dado pela crítica americana), algo inédito com um longa-metragem brasileiro. A entrega da estatueta infelizmente foi chinfrim, sem emoção, no tapete vermelho, algo que nunca tinha visto em premiação; enquanto Kleber concedia entrevista no intervalo do evento, a entrevistadora o pegou de surpresa informando que ‘O agente secreto’ era o vencedor daquela categoria. A jovem puxou o prêmio que estava atrás dela e jogou nas mãos do diretor. Não só Kleber como a produtora e sócia que estava junto, Emilie Lesclaux, ficaram perdidos, pasmos, e esses foram os sentimentos de quem assistia à transmissão pela TV. Kleber criticou a organização do Critics Choice pela falta de sensibilidade na entrega de um prêmio tão importante – que deveria ter ocorrido no palco principal. O diretor e o ator de seu filme, Wagner Moura, acabaram subindo ao palco no bloco final da premiação para a maior entrega, a de melhor filme no Critics Choice – dado a ‘Uma batalha após a outra’, de Paul Thomas Anderson. Tirando a falha na hora da entrega, ‘O agente secreto’ tornou-se o primeiro filme brasileiro a ganhar um Critics Choice – e também foi a primeira indicação de um ator brasileiro ao prêmio, para Wagner Moura, que acabou perdendo para Timothée Chalamet, por ‘Marty Supreme’.


‘O agente secreto’ abocanha uma infinidade de estatuetas na temporada de premiações e deverá ser finalista ao Oscar 2026, acredito que nas categorias de melhor filme estrangeiro e melhor ator para Wagner. Na nova shortlist divulgada recentemente pela Academia, o filme segue como semifinalista, ao lado de outros 14 títulos na categoria de filme internacional, e avançou na shortlist de uma nova categoria que o Oscar irá iniciar nesta edição, a de ‘melhor direção/seleção de elenco’. O anúncio dos indicados ao Oscar será no dia 22/01. Até agora ‘O agente secreto’ recebeu 45 prêmios em mais de 30 festivais e mostras pelo mundo, como Cannes – quando ganhou os de ator, direção, prêmio da crítica e o ‘Art et Essai’, concedido pela AFCAE (Associação Francesa de Cinema d'Art et d'Essai). Foi nomeado como melhor filme estrangeiro no Independent Spirit Awards (dado a cineastas independentes), cuja cerimônia será dia 15/02, e entrou num seleto grupo de filmes que alcançaram o Trifecta: premiado pela National Society of Film Critics (NSFC), pelos críticos de Nova York (NYFCC) e da Los Angeles Film Critics Association (LAFCA). Sem contar as três indicações ao Globo de Ouro (melhor filme de drama, melhor filme estrangeiro e melhor ator em filme de drama), cuja cerimônia de entrega será no próximo domingo, dia 11/01.
O filme está na nona semana de exibição nas salas mundiais de cinema, em países como França, EUA, Portugal, Áustria, Canadá, Suíça, Bélgica e Alemanha. No Brasil está em 120 salas atualmente. Celebrou um fato único: pela primeira vez um filme produzido fora do eixo Sul–Sudeste atingiu um milhão de espectadores nas salas de cinema no Brasil – ao lado de ‘Chico Bento e a goiabeira maraviósa’ conquistou esse ‘milhão’ de público em 2025. E já ultrapassou mais de um milhão de dólares nas bilheterias norte-americanas, feito raro de uma obra brasileira nos EUA, ficando ao lado de ‘Dona Flor e seus dois maridos’ (1976), ‘Cidade de Deus’ (2002) e ‘Ainda estou aqui’ (2024). Tudo isto é campanha para o Oscar: premiações em festivais diversos, penetração em festivais norte-americanos, expansão em salas de cinema, prêmios da crítica especializada e comentários positivos em redes sociais de famosos e de jornais de grande circulação.



‘O agente secreto’ encabeçou listas de melhores filmes do ano de grande parte do público e da crítica especializada. Eu o assisti uma semana antes da estreia nos cinemas, em outubro de 2025, em uma sessão de imprensa da Vitrine Filmes, distribuidora do filme. Saí agraciado, em puro êxtase, já o colocando na minha lista pessoal de filmes de 2025. Sou fã do cinema de Kleber desde quando conheci o diretor no Anápolis Festival de Cinema, quando lá estava para apresentar seu primeiro longa ficcional, ‘O som ao redor’, em 2012. Um cara tímido, recluso, que falava baixo, mas que na tela fazia um cinema visceral, e que vinha na esteira do novo ciclo do cinema pernambucano. Saí da sessão em choque, pela qualidade do roteiro, simplesmente imprevisível, com aquele desfecho de arrepiar. E novos espantos vieram com os longas seguintes, ‘Aquarius’ (2016) e ‘Bacurau’ (2019), ambos indicados à Palma de Ouro no Festival de Cannes. Depois fui conhecer os curtas experimentais dele, feitos entre 2002 e 2010, como ‘A menina do algodão’, ‘Vinil verde’ e ‘Recife frio’, e em seguida os documentários, ‘Crítico’ (2008) e seu trabalho anterior a ‘O agente’, ‘Retratos Fantasmas’ (2023). Kleber é um cineasta autoral influenciado pelo cinema independente de Agnès Varda, John Carpenter e Alfred Hitchcock.
‘O agente secreto’ é um apanhado de elementos dos longas anteriores de Kleber, por isso, se possível, assista aos que indiquei acima caso não tenha conferido ao novo trabalho do cineasta. Tem personagens saídos do universo de Bacurau, Aquarius, Retratos fantasmas e O som ao redor, e reutilizando temas desses longas, como plano de vingança, cultura popular, vigilância e resistência, de uma forma híbrida e completamente nova.
O pano de fundo de ‘O agente secreto’ é o Brasil de 1977, ano crucial da Ditadura Militar, sob o governo Geisel. Período do início da abertura política, mas ao mesmo tempo com muitos paradoxos e contradições, como endurecimento autoritário, fechamento do Congresso, manutenção da censura da imprensa e do fim da liberdade de expressão, das amplas manifestações nas ruas, agitação popular, luta por democracia e uma grave crise econômica com inflação altíssima, que se arrastava desde a crise do petróleo de 1973. Essa é a conjuntura histórica do filme, que aparece no subtexto, nos pequenos detalhes da cenografia, nos diálogos, nos comentários dos personagens. Há um mal-estar da época, algo estranho que ronda os personagens, que são vigiados e temem os dias que vem pela frente. O protagonista é Marcelo (um trabalho estupendo de Wagner Moura), um especialista em tecnologia, que no passado foi professor. Ele chega ao Recife, na verdade, ele volta para sua cidade natal, durante a semana do Carnaval, e se muda para um antigo casarão que abriga refugiados políticos e os tais subversivos. Ele procura o filho pequeno, com quem não teve mais contato após um período longe – que entenderemos melhor com o desenvolvimento da história. Com o passar dos dias e das semanas, ele percebe que Recife não é mais o mesmo, e todo cuidado é pouco. Gradualmente, em flashbacks, o filme revela o passado misterioso de Marcelo, um homem em completa busca por identidade.



Como nos filmes anteriores de Kleber, há um mistério que vaga pela trama, misturando a um humor colocado ali e acolá, um clímax que faz palpitar o coração, reviravoltas incontornáveis e uma trilha sonora eclética da época (aqui tem, por exemplo, Donna Summer, Waldick Soriano, Banda de Pífanos de Caruaru, Ângela Maria e até o reaproveitamento de uma música antiga de Ennio Morricone, que marcou o trailer, do filme italiano ‘Obrigado, tia’, do fim dos anos 60). O sobrenatural é uma tacada de mestre em ‘O agente secreto’, quando Kleber insere a lenda urbana da Perna Cabeluda, que percorre as bocas dos recifenses assombrando os habitantes de lá – é o momento do cinema fantástico com horror, que quebra a narrativa e se torna uma metáfora à repressão na Ditadura.
A direção de arte é um primor estético, que reconstrói o Recife da década de 70 com suas cores e belezas, assinada por Thales Junqueira. Wagner Moura interpreta com maestria dois personagens – um deles em dois momentos de sua trajetória. O elenco brilha com personagens que já se tornaram memoráveis, alguns viralizando com memes na internet, como Tania Maria (uma preciosidade de atriz, que aos 78 anos rouba as poucas cenas em que aparece destilando um humor ímpar), Gregorio Graziosi, Gabriel Leone, Buda Lira, Alice Carvalho, Maria Fernanda Cândido (numa pontinha magistral), Isabél Zuaa, Udo Kier (em rápida aparição – ele faleceu em novembro passado e já havia trabalhado com Kleber em ‘Bacurau’), Luciano Chirolli e Roney Villela (dois vilões de primeira classe) e Robério Diógenes (cujo papel equilibra humor e tensão). Todos marcantes, em estado de graça e outros sombrios. Escrito por Kleber Mendonça, o filme é uma coprodução Brasil, França, Holanda e Alemanha, que conta com produção da CinemaScópio e tem como coprodutora a francesa MK2 Films, a alemã One Two Films e a holandesa Lemming. Virei fã do filme, vi uma vez só e estou na expectativa para uma revisão. Que chegue logo o Oscar! Será que levaremos mais uma estatueta pelo segundo ano consecutivo?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Especial de cinema

 
Estreias de 2026 – Nos cinemas e no streaming
 
Já que 2026 começou, vamos conhecer as principais estreias programadas para os cinemas e streaming. Seguem abaixo os filmes, e na frente de cada um, as datas previstas de estreia (dia e mês) no Brasil. Alguns estão com títulos provisórios. No final da lista tem as séries para 2026 e títulos prorrogados para 2027. Lembrando que as distribuidoras podem alterar as datas de estreia.
 
Janeiro
 
- Se eu tivesse pernas, eu te chutaria (01/01)
- Jovens mães (01/01)
- A empregada (01/01)
- Marty Supreme (08/01)
- Família de aluguel (08/01)
- Tom & Jerry: Uma aventura no museu (08/01)
- Agentes muito especiais (08/01)
- Hamnet – A vida antes de Hamlet (15/01)
- O diário de Pilar na Amazônia (15/01)
- Davi: Nasce um rei (15/01)
- Me ame com ternura (15/01)
- Arco (15/01)
- Ato noturno (15/01)
- O beijo da mulher-aranha (15/01)
- Extermínio – O templo dos ossos (15/01)
- Dinheiro suspeito (16/01) – Netflix
- Justiça artificial (22/01)
- A única saída/ No other choice (22/01)
- Segredo obscuro (Shell) (22/01)
- Alerta apocalipse (22/01)
- Terror em Silent Hill: Regresso para o inferno (22/01)
- Dupla perigosa (26/01) – Prime Video
- Socorro! (29/01)
- Song Sung Blue: Um sonho a dois (29/01)
- La grazia (29/01)
- Infinite icon: Uma memória visual (29/01)
- A voz de Hind Rajab (29/01)
- O primata (29/01)
- A pequena Amélie (29/01)
- O som da queda (29/01)
- O menino e o panda (29/01)
 



 
Fevereiro
 
- A cronologia da água (05/02)
- O gatola da cartola (05/02)
- O som da morte (Whistle) (05/02)
- Destruição final 2: Migração (05/02)
- (Des)controle (05/02)
- Os estranhos: Capítulo 3 (05/02)
- Bone Lake – O lago dos ossos (05/02)
- Pillion (05/02)
- O morro dos ventos uivantes (12/02)
- Goat – Um cabra bom de bola (12/02)
- Caminhos do crime (12/02)
- Imperfeitamente perfeita (12/02)
- A última ceia (12/02)
- EPiC: Elvis Presley in Concert (19/02)
- O frio da morte (19/02)
- Para sempre minha (Keeper) (19/02)
- Isso ainda está de pé? (19/02)
- A história do som (19/02)
- Pânico 7 (26/02)
- Nuremberg (26/02)
- Anêmona (26/02) 
- O olhar misterioso do flamingo (26/02)
 


 
Março
 
- A noiva (05/03)
- Cara de um, focinho de outro (Hoppers) (05/03)
- Velhos bandidos (05/03)
- Mato ou morro (05/03)
- Casamento sangrento 2: A viúva (12/03)
- Kokuho – O preço da perfeição (12/03)
- Colegas e o herdeiro (continuação de ‘Colegas – O filme’) (12/03)
- Uma segunda chance (12/03)
- POV: Presença oculta (12/03)
- O monstro no meu quarto (Dust bunny) (19/03)
- Amargo natal (19/03)
- Devoradores de estrelas (19/03)
- Peaky Blinders: O homem imortal (20/03) – Netflix
- Eles vão te matar (27/03) 
 

 
Abril
 
- Super Mario Galaxy: O filme (02/04)
- A great awakening (02/04)
- Ruas da Glória (02/04)
- O drama (09/04)
- Boa noite, divirta-se e não morra (09/04)
- Eu & você na Toscana (09/04)
- A múmia (16/04)
- Entre notas e costuras (Mother Mary) (16/04)
- Normal (16/04)
- Michael (23/04)
- Apex (24/04) – Netflix
- O diabo veste Prada 2 (30/04)
- Obsessão (30/04)
 

 
Maio
 
- Mortal Kombat II (14/05)
- Star Wars: O Mandaloriano e Grogu (21/05)
- Uma babá gloriosa (21/05)
- Papaya (28/05)
 
 
Junho
 
- Godzilla Minus Zero (04/06)
- Mestres do universo (04/06)
- Pinocchio – Maldição de madeira (04/06)
- Dia D (11/06)
- Todo mundo em pânico 6 (11/06)
- Privada de suas vidas (11/06)
- Toy story 5 (18/06)
- Se eu fosse você 3 (18/06)
- Deus ainda é brasileiro (25/06)
 
Julho
 
- Minions 3 (02/07)
- Minha vida com Shurastey (02/07)
- Moana (10/07)
- A odisseia (17/07)
- Evil Dead Burn (24/07)
- Supergirl: A mulher do amanhã (24/07)
- Homem-Aranha: Um novo dia (31/07)
 


 
Agosto
 
- Sobrenatural 6 (13/08)
- Flowervale Street (20/08)
- Coiote vs. Acme (27/08)
- The dog stars (27/08)
- Cliffhanger – Escalada do medo (27/08)
 

 
Setembro
 
- Cara de barro (Clayface) (10/09)
- Resident evil untitled (17/09)
- Até que a sorte nos separe 4 (24/09)
 
 
Outubro
 
- Digger (01/10)
- A rede social 2 (08/10)
- Street Fighter (15/10)
- The legend of Aang: The last airbender (22/10)
 

 
Novembro
 
- The shepherd (12/11)
- Bruna Surfistinha 2 (19/11)
- Jogos Vorazes: Amanhecer na colheita (19/11)
- Narnia (26/11)
- Backrooms (26/11)
 
 
Dezembro
 
- Jumanji 3 (10/12)
- Duna: Parte 3 (17/12)
- Vingadores: Doutor Destino (17/12)
- Werwulf (24/12)
 


 
- Já estreou em vários países, mas no Brasil permanece sem data
 
- Christy (com Sydney Sweeney)
- O vingador tóxico (com Peter Dinklage)
- Anniversary, de Jan Komasa (com Diane Lane)
- We bury the dead (com Daisy Ridley)
- Tardes de solidão, de Albert Serra
- Distante (com Anthony Ramos)
 
 
- Em pós-produção, com estreia programada para 2026
 
- Na zona cinzenta, de Guy Ritchie (com Henry Cavill)
- O acerto de contas de Robin Hood (com Hugh Jackman)
- O custo da verdade, de Guy Ritchie (com Rosamund Pike)
- Artificial, de Luca Guadagnino (com Andrew Garfield)
- The adventures of Cliff Booth, de David Fincher (com Brad Pitt)
- Roosevelt, de Martin Scorsese (com Leonardo DiCaprio)
- Madden, de David O. Russell (com Nicolas Cage)
- Highlander, de Chad Stahelski (com Henry Cavill)
- Klara and the sun, de Taika Waititi (com Jenna Ortega)
- The Bookie & the Bruiser, de S. Craig Zahler (com Vince Vaugh)
- Corrente do mal 2, de David Robert Mitchell (com Maika Monroe)
- Polaris, de Lynne Ramsay (com Joaquin Phoenix)
- Paper tiger, de James Gray (com Adam Driver)
- The exorcist untitled, de Mike Flanagan (com Scarlett Johansson)
- Day drinker, de Marc Webb (com Johnny Depp)
- How to make a killing (com Glen Powell)
- Hokum (com Adam Scott)
- The plague (com Joel Edgerton)
- A queda 2, dos irmãos Spierig
- O bosque selvagem, de Travis Knight
- Verity, de Michael Showalter (com Anne Hathaway)
- Os corretores, de Andrucha Waddington (com Fernanda Torres)
- Geni e o zepelim, de Anna Muylaert (com Seu Jorge)
- Corrida dos bichos, de Fernando Meirelles (com Rodrigo Santoro)
- Overman: O filme (animação de Laerte)
- Zero d.C, de Alejandro Monteverde (com Gael Garcia Bernal)
 
 
Ainda em fase de produção – sem data para estrear
 
- Orfã 3: O preço da mentira
- O expresso polar 2
- Noite sem fim 2
- Fale comigo 2
- Feriado sangrento 2
- Mudança de hábito 3
- Quarto de despejo: Diário de uma favelada
- As aventuras de Tintim: Os prisioneiros do sol
- Star Wars: Rogue squadron
- Yellow cake
- Parallax
- The purge: Survival
- Jogos mortais XI
- Legalmente loira 3
 
 
Estreias prorrogadas para 2027
 
- Homem-Aranha: Além do aranhaverso
- Shrek 5
- Gremlins 3
- Um lugar silencioso 3
- As Tartarugas Ninja: Caos mutante 2
 
 
- Séries programadas para 2026
 
- The pitt – 2ª temporada (08/01) – HBO Max
- Dele & dela (08/01) – Netflix
- O gerente da noite – 2ª temporada (11/01) – Prime Video
- Sequestro no ar (16/01) – AppleTV
- O cavaleiro dos sete reinos (18/01) – HBO Max
- The Beauty – Lindos de morrer (21/01) – FX
- Magnum (Wonder Man) (27/01) – Disney+
- Bridgerton – 4ª temporada (29/01) – Netflix
- Avatar: O último mestre do ar – 2ª. temporada (22/02) – Netflix
- Young Sherlock (03/03) – Prime Video
- Rooster (março) – HBO Max
- Euphoria – 3ª. temporada (abril) – HBO Max
- A casa do dragão – 3ª temporada – HBO Max
- Duna: A profecia – 2ª. temporada – HBO Max
- Spider-noir – Prime Video
- Hacks – 5ª. temporada - HBO Max
- The Creep Tapes – 3ª temporada – Shudder
- Dona Beja – HBO Max
- A especialista – Apple TV
- Vanished – MGM
- Half man – HBO Max
 



 
Séries em produção, previstas para estrear em 2026
 
- Monster – 4ª temporada - The Lizzie Borden Story – Netflix
- Crystal Lake – Peacock
- The conjuring – HBO Max
 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 1


Se eu tivesse pernas, eu te chutaria
 
Assisti no Festival do Rio ao aguardadíssimo filme que deu a Rose Byrne o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim do ano passado - para mim um dos melhores longas da edição passada do Festival do Rio. O drama com humor negro e mistério é um show de interpretação de Rose Byrne, que deve ser, até que enfim, indicada ao Oscar – ela foi recentemente nomeada ao Globo de Ouro pela intensa e soberba interpretação, um genuíno tour de force. Um filme onde o humor está ali, instalado, dentro de uma história altamente dramática, de uma personagem que se depara com uma sucessão de problemas e quase enlouquece - quando rimos, é de um riso nervoso.  Rose interpreta uma terapeuta que vê sua vida desmoronar em poucos dias. Ela cuida sozinha da filha pequena (nunca aparece o rosto da garotinha, apenas voz e mãos) que está doente e utiliza uma sonda gástrica para se alimentar. O marido está em viagem e também nunca aparece. A casa onde mora inunda, então ela se muda para um motel onde inicia um conflito com a recepcionista do lugar. Uma paciente em crise a deixa aflita, seu psicólogo tem comportamento agressivo, um acidente de carro torna tudo estressante e por aí segue uma lista enorme de problemas diários, que tiram o sono da terapeuta. O filme, como muitos da A24, traz algo sobrenatural simbólico na história – aqui é uma fenda no teto que inunda o quarto da personagem. Olhando por um prisma mais central, é um drama pesadíssimo, sobre as complexidades de uma mulher que tem de lidar sozinha com tudo ao mesmo tempo, como maternidade, ausência do marido, os cuidados com a casa e o excesso de trabalho. Uma história que nos angustia, com um trabalho impecável e certamente memorável de Rose. Estreia hoje nos cinemas pela Synapse Distribution, nas seguintes cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Salvador, Recife, Maceió, Fortaleza e Belém.
 

 
Jovens mães
 
Prepare-se para um filme de doer na alma, que bate fundo e nos abre reflexões sobre adolescência perdida. Coprodução Bélgica/França assinada pelos irmãos Dardenne, os belgas Jean-Pierre e Luc, que fazem filmes nesse tom dramático, sempre com atores amadores, parecendo documentário tamanha a naturalidade ali tratada – de ‘A criança’ (2005) e ‘O garoto da bicicleta’ (2011). Vencedor do prêmio de roteiro e do Júri Ecumênico em Cannes, o filme traz cinco jovens mães, que tiveram filhos prematuramente e hoje moram num abrigo que serve de casa de assistência onde recebem apoio psicológico e ajuda no cuidado de banho e alimentação dos recém-nascidos. Cada uma delas lida com a fase materna e com a desestruturação familiar – quase todas são mãe solo, uma foi expulsa de casa pela mãe alcoólatra, outra nunca conheceu a própria mãe, que a entregou para a adoção. Meninas despedaçadas, sem perspectivas, e com a responsabilidade precoce de cuidar de um filho. Realidade escancarada pelos Dardenne, numa fita nua e crua. Um drama duro, com momentos incômodos. Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne escrevem, produzem e dirigem, e sabem como ninguém desvendar as relações familiares. Os diretores passaram a ser conhecidos no Brasil a partir do fim dos anos 90 na Mostra de Cinema de SP, onde apresentam com frequência seus filmes, em sessões lotadas – lembro que vi na Mostra ‘A garota desconhecida’ (2016), ‘O jovem Ahmed’ (2019) e este ‘Jovens mães’ (2025). O filme estreia hoje nos cinemas pela Vitrine Filmes, nas salas das seguintes cidades: São Paulo, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, Poços de Caldas, Niterói, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Brasília, Vitória, Maceió, Salvador, Natal, Teresina e Recife.
 

 
Influencer do mal: A História de Jodi Hildebrandt
 
Estreou nessa semana na Netflix um novo documentário que segue a linha de filmes investigativos que a provedora costuma lançar. O filme acompanha um caso aterrador que explodiu nos noticiários norte-americanos em 2023, de uma influencer digital que manipulou uma mãe a torturar seus filhos. São duas mulheres distintas que se tornaram amigas e sócias. Primeiramente é apresentado a influenciadora Jodi Hildebrandt, que possuía milhares de seguidores em seu canal do Youtube que ensinava mães a “educar” seus filhos. Jodi tinha um discurso religioso extremista e métodos nada comuns para ensinar comportamento para as crianças. Tornou-se mentora de outra influencer, Ruby Franke, que tinha um canal sobre conselhos de como ser uma mãe melhor, educando os filhos com certa rigidez. Ruby aplicava os métodos em casa e contava diariamente como dois de seus filhos pequenos reagiam. Ruby foi bastante criticada por seguidores na época, que falavam da sua postura severa com os filhos. Quando Jodi e Ruby foram presas em 2023, o sinistro caso tomou conta da mídia – Ruby, induzida por Jodi, aprisionou os dois filhos em casa por anos, numa mansão em Utah, afastada de tudo, e os torturava com cinto e queimaduras. Um dos filhos, um menino de 12 anos, fugiu, pediu ajuda a vizinhos e à polícia, e somente assim puderam se livrar da mãe perversa. O documentário investiga minucias do caso, é um filme apreensivo sobre maus-tratos a crianças, com diversos trechos dos vídeos das Youtubers, bem como do julgamento de Jodi e Ruby – elas pegaram uma pena pesada e ficarão presas por muitos anos. A diretora Skye Borgman realiza com constância docs investigativos envolvendo crianças, quase todos da Netflix, e premiada em festivais independentes; são dela ‘Sequestrada à luz do dia’ (2017) e ‘A garota da foto’ (2022).


quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Especial de cinema

 
Balanço: Os melhores e os piores filmes de 2025
 
Mais um ano chega ao fim...
Segue a minha tradicional lista dos melhores (50 ao todo) e dos piores (25) filmes de 2025, assistidos em festivais de cinema (presenciais e online), em salas de cinema e no streaming. São longas exibidos no Brasil, e outros que, por estarem em festivais, ainda não entraram no circuito nacional. Em 2025 assisti a 986 longas-metragens, sendo 542 estreias.
 
OBS 1 – Quanto aos filmes produzidos e lançados em 2025, muitos deles, por terem sido exibidos em festivais, só devem entrar no circuito nacional em 2026.
OBS 2 – Os filmes não estão na ordem de preferência, e sim em ordem alfabética.
 
Aproveito para desejar a todos e todas um feliz Ano Novo, com paz, serenidade, saúde e muito, muito cinema.


Melhores filmes de 2025
 
3 obás de Xangô (Brasil, 2024, de Sergio Machado)
A hora do mal (EUA, 2025, de Zach Cregger)
A meia-irmã feia (Noruega/Dinamarca/Romênia/Polônia/Suécia, 2025, de Emilie Blichfeldt)
A vizinha perfeita (EUA, 2025, de Geeta Gandbhir)
Águias da República (Suécia/França/Dinamarca/Finlândia/Alemanha, 2025, de Tarik Saleh)
Alma do deserto (Colômbia/Brasil, 2024, de Monica Taboada Tapia)
Babygirl (EUA/Holanda, 2024, de Halina Reijn)
Bugonia (EUA/Irlanda/Reino Unido/Canadá/Coreia do Sul, 2025, de Yorgos Lanthimos)
Casa de dinamite (EUA, 2025, de Kathryn Bigelow)
Coração de lutador - The smashing machine (EUA/Japão/Canadá, 2025, de Benny Safdie)
Depois da caçada (EUA/Itália, 2025, de Luca Guadagnino)
Diários da caixa preta/Quatro paredes (EUA/Japão/Reino Unido, 2024, de Shiori Itô)
Dreams (Noruega, 2024, de Dag Johan Haugerud)
Eddington (EUA/Finlândia, 2025, de Ari Aster)
F1: O filme (EUA, 2025, de Joseph Kosinski)
Faça ela voltar (Austrália, 2025, de Danny Philippou e Michael Philippou)
Família (Itália, 2024, de Francesco Costabile)
Filhos (Dinamarca/Suécia/França, 2024, de Gustav Möller)
Flow (Letônia/Bélgica/França, 2024, de Gints Zilbalodis)
Frankenstein (EUA/México, 2025, de Guillermo del Toro)
Guarde o coração na palma da mão e caminhe (França, Território Palestino Ocupado e Irã, 2024, de Sepideh Farsi)
Homem com H (Brasil, 2025, de Esmir Filho)
Hot milk (Reino Unido/Grécia/Austrália, 2025, de Rebecca Lenkiewicz)
Jayne Mansfield, minha mãe (EUA, 2025, de Mariska Hargitay)
Manas (Brasil/Portugal, 2024, de Marianna Brennand)
Missão: Impossível - O acerto final (EUA/Reino Unido, 2025, de Christopher McQuarrie)
Morra, amor (EUA/Canadá/Reino Unido, 2025, de Lynne Ramsay)
O agente secreto (Brasil/França/Holanda/Alemanha, 2025, de Kleber Mendonça Filho)
O bom bandido (EUA, 2025, de Derek Cianfrance)
O roteiro da minha vida – François Truffaut (França, 2024, de David Teboul)
O telefone preto 2 (EUA/Canadá, 2025, de Scott Derrickson)
One to One: John & Yoko (Reino Unido, 2024, de Kevin Macdonald e Sam Rice-Edwards)
Pecadores (EUA/Austrália/Canadá, 2025, de Ryan Coogler)
Predador: Assassino de assassinos (EUA, 2025, de Dan Trachtenberg e Joshua Wassung)
Ritas (Brasil, 2025, de Oswaldo Santana e Karen Harley)
Roberto Rossellini – Mais que uma vida (Itália, 2025, de Ilaria de Laurentiis, Raffaele Brunetti e Andrea Paolo Massara)
Rua do Pescador, nº 6 (Brasil, 2025, de Bárbara Paz)
Se eu tivesse pernas, eu te chutaria (EUA, 2025, de Mary Bronstein)
Sem chão (Território Palestino Ocupado/ Noruega/ Dinamarca/ França/ Alemanha/ Bélgica, 2024, de Yuval Abraham, Basel Adra e Hamdan Ballal)
Setembro 5 (EUA/Alemanha, 2024, de Tim Fehlbaum)
Seymour Hersh – Em busca da verdade (EUA, 2025, de Laura Poitras e Mark Obenhaus)
Sirât (Espanha/França, 2025, de Oliver Laxe)
Superman (EUA/Canadá/Austrália/Nova Zelândia, 2025, de James Gunn)
Tempo de guerra (EUA/Reino Unido, 2025, de Ray Mendoza e Alex Garland)
Trilha sonora para um golpe de Estado (Bélgica/França/Holanda, 2024, de Johan Grimonprez)
Uma batalha após a outra (EUA, 2025, de Paul Thomas Anderson)
Valor sentimental (Noruega/Alemanha/Dinamarca/França/Suécia/Reino Unido/Turquia, 2025, de Joachim Trier)
Vermiglio - A noiva da montanha (Itália/França/Bélgica, 2024, de Maura Delpero)
Você é o universo (Ucrânia, 2024, de Pavlo Ostrikov)
Wallace & Gromit: Avengança (Reino Unido, 2024, de Merlin Crossingham e Nick Park)




Piores filmes de 2025
 
A seita (EUA/Reino Unido/Alemanha/França, 2024, de Jordan Scott)
Atena (Brasil, 2023, de Caco Souza)
Blindado (EUA, 2024, de Justin Routt)
Branca de Neve (EUA, 2025, de Marc Webb)
Código Alarum (EUA, 2025, de Michael Polish)
Duplicidade (EUA, 2025, de Tyler Perry)
Duro de casar (EUA/Chipre, 2025, de Simon West)
G20 (EUA, 2025, de Patricia Riggen)
Guerra dos mundos (EUA/Alemanha, 2025, de Rich Lee)
Hurry up tomorrow: Além dos holofotes (EUA, 2025, de Trey Edward Shults)
Meio grávida (EUA, 2025, de Tyler Spindel)
Minha família muito louca! (Alemanha/Irlanda/Austrália, 2024, de Mark Gravas)
Na sua pele – A série ‘Marked Men’ (EUA, 2025, de Nick Cassavetes)
Nas terras perdidas (EUA/Alemanha, 2025, de Paul W.S. Anderson)
O homem do saco (EUA, 2024, de Colm McCarthy)
O jogo do assassino (EUA/Reino Unido/Espanha/Hungria, 2024, de J.J. Perry)
O rei da feira (Brasil, 2025, de Felipe Joffily)
O ritual (EUA/Índia, 2025, de David Midell)
Os estranhos – Capítulo 2 (EUA/Espanha/Reino Unido, 2025, de Renny Harlin)
Presa/Kalahari (EUA, 2024, de Mukunda Michael Dewil)
Rosario (EUA/Colômbia, 2025, de Felipe Vargas)
Screamboat – Terror a bordo (EUA, 2025, de Steven LaMorte)
Um dia fora de controle (EUA, 2025, de Luke Greenfield)
Uma advogada brilhante (Brasil, 2025, de Ale McHaddo)
Viva! A babá morreu (EUA, 2024, de Wade Allain-Marcus)


Resenha especial

 
A cruz de ferro
 
* Resenha reeditada
 
Em 1943, no auge da Segunda Guerra, Rolf Steiner (James Coburn) é promovido a sargento e recebe a dura missão do capitão Stransky (Maximilian Schell) de localizar a cruz de ferro de um tenente morto em combate. Para satisfazer a vontade do chefe, Steiner desloca um grupo de homens destemidos, sem saber o que encontrará pelo caminho.
 
Sam Peckinpah (1925-1984), apelidado em Hollywood de ‘poeta da violência’, dirigiu com muita dificuldade esse filme de guerra violento, considerado por Orson Welles um dos melhores do tema já produzidos no cinema. O diretor de obras-primas como “Meu ódio será sua herança” (1969) e “Sob do domínio do medo” (1971) demorou para levantar recursos financeiros para o projeto, e estava consumido pelo álcool (Peckinpah era viciado em bebida). Mas nada disso atrapalhou a conclusão desse filme visceral, produzido no Reino Unido e na Alemanha Ocidental e rodado na antiga Iugoslávia. A complexa trama, baseada no livro do alemão Willi Heinrich, traz um sargento recém-nomeado que recebe a missão quase suicida de satisfazer o ego de um melancólico capitão nazista, de obter a cruz de ferro de um tenente morto. Vale destacar que a tal cruz de ferro era uma condecoração militar única e preciosa, originalmente do Reino da Prússia e depois utilizada no Império Alemão e objeto de desejo no Terceiro Reich, exclusiva dos tempos de guerra. Receoso quanto à missão, o sargento reúne homens para se jogar no front para encontrar a almejada cruz.
Com cenas típicas do diretor, de tiros e mortes em câmera lenta (característica fecunda do cineasta), e um vasto material de arquivo (vídeos e fotos da Segunda Guerra Mundial, no caso), tem um humor cínico e reviravoltas marcantes. Quebra o estereótipo dos nazistas vilões para mostrá-los como soldados quaisquer em meio à dureza de uma guerra. Fala da truculência dos inimigos (no caso os soviéticos e os americanos) e das artimanhas de sobrevivência no meio do caos. Um dos mais complexos personagens da história é o capitão Stransky (interpretado pelo ótimo Maximilian Schell), um homem já cansado da guerra que envia a tropa atrás da cruz somente para satisfazer seu ego e honrar o nome da família (e também de ganhar mais um item para sua coleção particular).



Complementam o time de astros e estrelas James Coburn, James Mason, David Warner e Senta Berger. Teve uma continuação bem inferior dois anos depois, “Ruptura das linhas inimigas” (1979), com novo diretor, produtor e elenco (incluindo Richard Burton e Rod Steiger).
O filme pode ser encontrado em mídia física no Brasil em diversas cópias. Em agosto deste ano ele saiu em bluray pela Versátil Home Video, com excelente cópia restaurada pela StudioCanal, companhia francesa que integra a Canal+ Group, na metragem sem cortes, de 132 minutos, a melhor até agora do mercado. A restauração em 4K deu-se a partir do negativo original em 35mm, e o filme saiu dentro do box ‘Peckinpah Essencial’ - foto abaixo – é uma caixa com dois discos em bluray que trazem também, em inéditas cópias restauradas em 4K, ‘Meu ódio será sua herança’ (1969 – na versão do diretor, de 145 minutos), ‘Sob o domínio do medo’ (1971 – versão sem cortes, de 118 minutos) e ‘Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia’ (1974). Nos discos há cinco horas de material extra, além de acompanhar um livreto de 44 páginas e cards colecionáveis. Em DVD o filme pode ser encontrado pela Classicline, também na metragem sem cortes, de 132 minutos – a versão de cinema é de 119 minutos; em 2022 a Classicline relançou o filme numa caixa em disco triplo (3 DVDs) chamada “Coleção Cruz de ferro”, contendo tanto o filme de 1977 quanto a continuação, “Ruptura das linhas inimigas”, esse em duas versões (a versão americana, chamada de ‘estendida’, de 111 minutos, e a compacta, com 83 minutos, exibida na TV brasileira, com dublagem da época).



 
A cruz de ferro (Cross of iron). Reino Unido/Alemanha, 1977, 132 minutos. Guerra. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Sam Peckinpah. Distribuição: Versátil Home Video (Bluray de 2025) e Classicline (DVD de 2022)
 
* Resenha reeditada do texto original publicado em 24/12/2022

domingo, 28 de dezembro de 2025

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 3


Seymour Hersh – Em busca da verdade
 
Exibido na Mostra Internacional de Cinema de SP deste ano com o título original, ‘Cover-up’, o documentário que está na shortlist do Oscar de 2026 é um thriller político sobre o trabalho do jornalista investigativo americano Seymour Hersh, prêmio Pulitzer. Apelidado de Sy, hoje aos 88 anos, especializou-se em geopolítica e assuntos militares. Judeu, descendente de lituanos, investigou o Pentágono, as atividades ilegais da CIA, a Guerra do Vietnã – denunciando as bombas químicas mortais usadas pelos americanos lá, além de Nixon e da Guerra do Iraque. Atuou como assessor de imprensa do Partido Democrata e escreveu artigos sobre as torturas na prisão iraquiana de Abu Ghraib, cometida por militares americanos, chegando ainda a denunciar a caçada forjada a Osama Bin Laden. Parte dessa trajetória de Hersh são analisadas por ele mesmo, num documentário sério e vívido. Ele relutou em participar, mas acabou cedendo, abrindo sua casa para contar momentos ruidosos da carreira jornalística. Em momentos mais ousados, denuncia certa perseguição à imprensa e a autocensura dos jornais americanos. Conta com amplo material da época, como fotos e reportagens televisivas, e arquivos pessoais de Hersh, como anotações em cadernos e arquivos sigilosos guardados a sete-chaves. É também um filme de denúncia sobre as atrocidades do imperialismo dos Estados Unidos. Exibido nos festivais de Veneza, Toronto e Nova York, é uma produção da Netflix que acaba de estrear na plataforma. Quem dirige é Laura Poitras, jornalista e cineasta especializada em cinema político, que ganhou o Oscar de melhor documentário por ‘Cidadãoquatro’ (2015) e que tem outros dois docs indicados ao Oscar, ao lado do diretor cinco vezes ganhador do Emmy Mark Obenhaus.
 

 
Vizinhos bárbaros
 
Muitos conhecem a francesa Julie Delpy como atriz, de filmes europeus como ‘A igualdade é branca’ (1994) e da trilogia americana ‘Antes do amanhecer’ (Before Trilogy). Mas ela é também uma exímia diretora e roteirista, realizadora de oito longas-metragens, cujo último trabalho acaba de estrear nos cinemas brasileiros, ‘Vizinhos bárbaros’ (2024). É uma comédia dramática humanista, sobre imigração e xenofobia. Na história, os moradores de uma comuna francesa aceitam acolher imigrantes refugiados da Ucrânia, em troca de subsídios do governo. A Ucrânia tinha acabado de entrar em guerra com a Rússia em 2022, e o grupo se prepara para recebê-los após um plebiscito na cidade. No entanto, descobrem algo inusitado: os refugiados são na verdade sírios, que fugiram de outra guerra – a da guerra civil, o que desencadeia uma série de conflitos étnico-culturais. O filme tem belas paisagens da região onde se passa a história, Paimpont, uma vila medieval cercada por castelos e lagos, tem crítica social – sobre o preconceito aos árabes e palestinos, onde passam a ser atacados pelos franceses, e no final fica a pergunta: “quem são os bárbaros neste caso”? Julie Delpy lidera o elenco, que conta com Sandrine Kiberlain, Laurent Lafitte e do pai de Julie, o ator Albert Delpy. Exibido no Festival de Toronto, o filme estreia nos cinemas brasileiros com selo de distribuição da Synapse Distribution. Um bom filme alternativo para o público fugir dos lançamentos comerciais.
 

 
Volveréis
 
Outro longa alternativo entra em cartaz nos cinemas brasileiros, desta vez uma produção espanhola coproduzida na França, assinada por Jonás Trueba, filho de um dos maiores diretores vivos da Espanha, Fernando Trueba, do ganhador do Oscar de filme estrangeiro ‘Sedução’ (1992). É o 12º longa que Jonás dirige, que costuma fazer comédias dramáticas sobre intensas relações de amor e amizade – lembro que em Buenos Aires, ao participar do Festival Internacional de Cine Independente de Buenos Aires (Bafici) de 2015, assisti a um dos primeiros trabalhos dele, que me marcou muito, ‘Los exilados románticos’ (2015), nunca exibido no Brasil. ‘Volveréis’ segue a temática abordada por ele anteriormente, uma comédia dramática que circula um relacionamento em crise, de uma diretora de cinema e um ator, respectivamente Ale (Itsaso Arana) e Álex (Vito Sanz). Eles viveram 15 anos juntos, mas agora decidem se separar. O pai de Álex (papel rápido do próprio Fernando Trueba) diz que tudo é motivo para festa, seja casamento, separação ou funeral. Então Ale e Álex organizam uma festa de separação para reunir amigos e familiares – uma forma de comunicar o divórcio e de reforçar que não estarão mais juntos, por mais impossível que aquilo possa parecer. Daquelas comédias cujas ações se repetem e soam absurdas – quem em plena consciência faz uma festa para se separar?, que se desdobra em situações inusitadas. No fim das contas o casal nunca se separa, até porque trabalham no cinema e poderão se trombar em outras produções. A estética do cinema de Jonás foge do padrão, recorrendo a ambientes internos, com uma fotografia que reluz, ele divide a tela em dois para mostrar o que andam fazendo cada personagem, com transições e metalinguagens. É dele também o roteiro, que o escreveu ao lado dos dois atores centrais, o casal, que vale destacar está muito bem em cena. Um filme particular para público interessado em cinema com novas linguagens. Nos cinemas pela Zeta Filmes.
 

Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 1

Confira resenhas de seis documentários imperdíveis – três deles em exibição nos principais cinemas do Brasil e outros três nos streamings Se...