sábado, 6 de abril de 2024

Resenhas especiais


Três filmes de terror lançados em DVD pela Classicline.

Fantasmas

Duas irmãs viajam à pequena cidade de Snowfield, no Colorado, para passar as férias. Chegando lá, Jennifer (Joanna Going) e Lisa (Rose McGowan) estranham o fato de que todos os habitantes sumiram de maneira misteriosa. O xerife Bryce Hammond (Ben Affleck) e seu auxiliar, Stu (Liev Schreiber), investigam o caso, e as irmãs se juntam a eles. Ao percorrerem pela cidade abandonada, localizam corpos mutilados nas casas e nas ruas. As pistas levam a uma força sobrenatural que dizimou Snowfield.

Terror com ficção científica que virou fita cult na época das locadoras, em 1998, e foi peça-chave para lançar futuros astros e estrelas, como Rose McGowan, Liev Schreiber e Ben Affleck - naquele ano, Affleck recebeu o Oscar de roteiro junto de Matt Damon por ‘Gênio indomável’ (1997). Não é um filme comum de terror, tudo é muito estranho e aos poucos se revela. É sobre duas irmãs que ajudam dois xerifes na investigação do desaparecimento total da população de uma cidadezinha encravada nas montanhas do Colorado. Parece que o local foi tomado por espíritos malignos, depois acreditam em criaturas da noite, até que chegam à conclusão de uma entidade sobrenatural, vinda de outro mundo, capaz de absorver a consciência das pessoas. Fugindo para sobreviver, o grupo contará com a ajuda de um veterano médico/cientista, papel do premiado ator Peter O’Toole.




O filme tem clima, é tenso, assusta e tem certa originalidade. Dirigido por Joe Chappelle, de ‘Halloween 6: A última vingança’ (1995) e das séries ‘A escuta’ e ‘Fringe’, o filme tem roteiro de Dean R. Koontz, que adaptou seu próprio romance para o cinema, escrito em 1983 – Koontz escreveu livros de terror com scifi e literatura fantástica, alguns viraram filmes, como ‘Geração Proteus’, ‘O limite do terror’, ‘O esconderijo’ e ‘O estranho Thomas’.
Lançado pela Dimension Films, produtora sinônimo de fitas de terror para jovens que foi popular no final dos anos 90, responsável pela franquia ‘Pânico’, ‘Mutação’, ‘O principal suspeito’, ‘Prova final’, ‘Halloween H20: Vinte anos depois’ e ‘Tentação fatal’.
Saiu em DVD pela Classicline, em boa cópia.

Fantasmas (Phantoms). EUA/Japão, 1998, 96 minutos. Terror/Ficção. Colorido. Dirigido por Joe Chappelle. Distribuição: Classicline


Halloween H20 – Vinte anos depois

Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) mudou de cidade para escapar do seu irmão, o temido psicopata Michael Myers. Hoje ela é diretora de uma escola e tem uma nova identidade. O Halloween se aproxima, e o assassino mascarado retorna com fúria para uma caçada sem trégua contra Laurie e seu filho.

Vinte anos depois do original e macabro ‘Halloween’ (1978), de John Carpenter, um novo longa veio para restaurar a franquia com o objetivo de trazer novos públicos e dar folego para a série que ao longo do caminho perdeu sintonia. Entrou para a direção Steve Miner, que vinha do antigo cinema slasher, responsável por dois dos mais violentos filmes da cinessérie ‘Sexta-feira 13’, as partes 2 e 3 (1981 e 1982), sem contar outros trabalhos de terror e drama que desenvolveu durante uma extensa carreira nos Estados Unidos. Com ‘H20’, Miner deu um upgrade nessa franquia que passou por reboot e remakes em várias épocas, sendo uma das mais antigas e prestigiadas do mundo slasher, com um vilão mascarado assustador, Michael Myers, que ataca na surdina com uma faca, no Halloween. O original, de John Carpenter, virou sensação em 1978 - de um filme de 325 mil dólares consagrou-se nas salas de cinema obtendo mais de 45 milhões de bilheteria no mundo; depois veio uma boa continuação, que gosto muito, em 1981, ‘Halloween II – O pesadelo continua’, ainda com Jamie Lee Curtis, como a irmã do assassino, e Donald Pleasence, o médico dele, do primeiro, um filme de perseguição, investigação, jumpscares e mortes violentas. A partir desse exemplar, a franquia caiu em desgraça - fizeram uma banalidade com a terceira parte, um filme apartado, sem qualquer relação com os personagens ou Michael Myers, até hoje uma incógnita no cinema, aproveitando apenas o título e a ambientação num Halloween, chamado ‘Halloween III – A noite das bruxas’ (1982) – na história, crianças e jovens atacam as casas na noite, matando toda uma cidadezinha. Michael Myers retornaria nas próximas continuações, com mais fúrias, em fitinhas corriqueiras - ‘Halloween 4: O retorno de Michael Myers’ (1988), ‘Halloween 5: A vingança de Michael Myers’ (1989) e ‘Halloween 6: A última vingança’ (1995), contando com Donald Pleasence em todos os três.
Em termos de ordem de lançamento, ‘Halloween H20’ seria o sétimo filme da franquia, no entanto ele ‘nega’ tudo o que ocorreu a partir do segundo filme, dando um novo start para a série de cinema. Trouxeram de volta Jamie Lee Curtis, a ‘Scream Queen’ de Hollywood, como a irmã foragida de Myers, que vive numa nova cidade, com outra identidade, tem um namorado e um filho. A paz dela acaba quando o psicopata a encontra e volta a atacar no ‘Dia das Bruxas’ – ela é alvo dele, assim como professores da escola e os amigos do filho dela. É uma boa continuação, na época fez certo sucesso e, segundo os fãs, é o melhor de todos depois do original.
Myers não pararia sua matança em ‘H20’. Quatro anos depois, o psicopata voltaria no pior filme, ‘Halloween: Ressurreição’ (2002), novamente cancelando os fatos do anterior. Em 2007, o polêmico cineasta Rob Zombie reescreveu o perfil do assassino trazendo a infância e juventude de Myers com novos acontecimentos nunca contados, negando parte dos outros filmes, com o seu instigante e curioso ‘Halloween - O início’ (2007) – Zombie, cheio de altos e baixos na carreira, pôs tudo a perder com a segunda parte, o péssimo ‘Halloween II’ (2009). A série estacionou aqui, até que David Gordon Green, um diretor inicialmente original e depois responsável por trabalhos medíocres, reassumiu a franquia com uma nova trilogia, contratando Jamie Lee Curtis, já com mais de 60 anos, envelhecida e perseguida pelo irmão – os filmes foram ‘Halloween’ (2018), que é bom e tem clima, e os dois capítulos finais de extrema violência, difícil de acompanhar, e que acho muito ruim, ‘Halloween kills – O terror continua’ (2021) e ‘Halloween ends’ (2022). Juntos, esses três filmes conquistaram 500 milhões de dólares na bilheteria, sendo uma das maiores da cinessérie. Ou seja, ‘Halloween’, entre idas e vindas, com longas assustadores e outros deploráveis, segue firme trazendo público, conquistando espaço entre os fãs e gerando muito dinheiro para a indústria de cinema de Hollywood.




‘Halloween H20 – Vinte anos depois’, que assisti várias vezes em VHS na época das videolocadoras, ganhou há pouco tempo uma boa cópia em DVD pela Classicline. A produtora original é a Dimension Films, de fitas de terror teenager do final dos anos 90, como ‘Pânico’ e ‘Prova final’. Vale assistir quem nunca teve contato.

Halloween H20 – Vinte anos depois (Halloween H20: 20 years later). EUA, 1998, 86 minutos. Terror. Colorido. Dirigido por Steve Miner. Distribuição: Classicline



A mão assassina

Anton (Devon Sawa) é um adolescente folgado que detesta estudar. Certo dia, sua mão direita é possuída por uma entidade diabólica e passa a ter controle próprio. Ela vira uma máquina de matar. A mão de Anton assassina dois amigos dele, Pnub (Elden Henson) e Mick (Seth Green), que retornam como zumbis bobalhões para ficar ao lado do colega e quem sabe protegê-lo.

Daquelas comédias de terror engraçadas, bizarras e criativas que os americanos de vez em quando acertavam. Virou cult na época, em 1999, num período de intensa transformação no cinema – o digital ganhava força, o DVD surgia etc. Mãos assassinas não são novidade no cinema, lembro de pelo menos dois filmes que me marcaram, ambos de terror – ‘As mãos de Orlac’ (1924), obra do Expressionismo Alemão sobre um pianista que recebe duas novas mãos após perdê-las, e os membros vinham de um assassino, e ‘A mão’ (1981), de Oliver Stone, um drama de terror sobre um ilustrador que perde a mão num acidente e, enquanto ela se rasteja procurando-o, vai matando pelo caminho as desavenças dele. Em ‘A mão assassina’ o tom é mais fantasioso, porém levado para o campo do humor, com mortes bizarras, mortos-vivos brincalhões e atrapalhados, muita bagunça em cena, numa aventura nonsense, esquisita e cheia de energia. O elenco dá graça ao filme, em especial o trio central - Devon Sawa, de ‘Premonição’ (2000), Seth Green, de ‘Uma saída de mestre’ (2003) e Elden Henson, de ‘Efeito borboleta’ (2004) – aparecem ainda Jessica Alba, Vivica A. Fox e o veterano Fred Willard.




A direção é de Rodman Flender de filmes de terror B do início dos anos 90, como ‘O retorno do duende’ (1994), e que dirigiu mais séries, dentre elas ‘Chicago Hope’ e ‘Dawson’s creek’.
Curiosidade: a mão maldita do protagonista é a mesma ‘Mãozinha’ usada no filme ‘A família Addams’ (1991), manipulada pelo mágico e ator Christopher Hart.

A mão assassina (Idle hands). EUA, 1999, 92 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por Rodman Flender. Distribuição: Classicline

 

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Especial de Cinema


Dica de filmes no Festival 'É Tudo Verdade'

O Festival de documentário ‘É Tudo Verdade’ segue em formato presencial em São Paulo e no Rio de Janeiro até o dia 14 de abril. Ao todo serão exibidos gratuitamente 77 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, produzidos em 34 países. Seguem comentários sobre dois filmes que assisti na edição desse ano e que recomendo.

‘Cento e quatro’ (Alemanha, 2023, 91 minutos, de Jonathan Schornig)

104 imigrantes resgatados em alto-mar é o mote desse incrível documentário alemão, cuja montagem é o diferencial do longa – a tela é dividida em seis partes, para que o público acompanhe momento a momento da retirada dos homens do mar, numa luta dura contra o tempo. As câmeras registram a agonia dos náufragos, que estão num bote de borracha, e também a euforia da tripulação que se desafia a salvar aquelas pessoas, num ato humanitário. Não há depoimentos nem trilha sonora; o filme é o retrato dramático de um resgate quase impossível, e que por pouco não teve desfecho trágico.
Sessão hoje, dia 05, 16h, no Estação Net de Cinema – Botafogo – RJ. Outras sessões: Dia 07/04, 13h, no Estação Net de Cinema Rio – RJ; dia 09/04, 14h, no Espaço Itaú de Cinema Augusta – SP; e dia 10/04, 17h, no IMS Paulista – SP. Gratuito.


‘Antônio Candido, anotações finais’ (Brasil, 2024, 87 minutos, de Eduardo Escorel)

Sociólogo, professor e crítico literário, Antônio Candido (1918-2017) deixou setenta cadernos inéditos, a mão, pouco antes de morrer em São Paulo, aos 98 anos. O diretor Eduardo Escorel então selecionou dois deles, escritos entre 2015 e 2017, que traçam um pouco da lucidez dos pensamentos de Candido quanto à política brasileira e problemas sociais do nosso país. Durante o filme, um narrador lê os manuscritos, enquanto imagens de Candido, da família dele e dos personagens-chave ilustrados naqueles papéis desfilam na tela. Candido analisa o impeachment/golpe contra a presidenta Dilma, faz comentários sobre o PT – partido do qual foi filiado por décadas, lembra da infância e discorre bastante sobre a solidão e sua velhice.
Encantei-me com o filme e recomendo a todos se debruçarem com atenção sobre ele.
Sessão amanhã, dia 06, 16h, no Espaço Itaú de Cinema Augusta – SP. Outras sessões: Dia 07/04, 18h, no Espaço Estação Net de Cinema Botafogo - RJ; dia 08/04, 15h, no Estação Net de Cinema Rio – RJ; e dia 10/04, 17h, na Cinemateca Brasileira – SP. Gratuito.



Streaming

De 15 a 30 de abril, parte da programação estará gratuitamente no streaming Itaú Cultural Play. Serão nove títulos da Competição Brasileira de Curtas-Metragens e sessão também do curta “Paraíso, Juaréz” (1971), da Retrospectiva ‘Thomaz Farkas, 100’. Acesso em https://www.itauculturalplay.com.br

Realização e Parceiros

O ‘É Tudo Verdade’ é uma realização da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura do Governo Federal, através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei N. 8313). Conta com patrocínio master do Instituto Cultural Vale, patrocínio do Itaú e da Desenvolve SP, parceria do Sesc-SP, apoio cultural do Galo da Manhã, SPCINE e Itaú Cultural.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Especial de Cinema


Festival 'É tudo verdade' começa hoje no RJ e amanhã, em SP; evento traz 77 filmes gratuitos ao público

Começa hoje um dos festivais de documentário mais importantes do Brasil, o ‘É Tudo Verdade’, realizado em formato presencial em São Paulo e no Rio de Janeiro até o dia 14 de abril. Ao todo serão exibidos gratuitamente 77 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, produzidos em 34 países. O filme de abertura no RJ, hoje, será “Um Filme para Beatrice”, de Helena Solberg, às 20h, no Estação Net Botafogo, enquanto a abertura em SP será de “O Competidor”, de Clair Titley, em 4 de abril, às 20h30, na Cinemateca Brasileira – ambas as sessões apenas para convidados.



'Um filme para Beatrice' (Brasil, 2024, 78 minutos, de Helena Solberg)

Hoje a sessão de abertura do Festival 'É tudo verdade' será no Rio de Janeiro, com exibição do documentário brasileiro "Um filme para Beatrice" (2024). Em seu novo filme, a documentarista Helena Solberg, dos premiados 'Carmen Miranda: Bananas is my business' (1995) e 'Palavra (en)cantada' (2008), fala sobre a mulher no cinema, analisando personagens de seus filmes desde os anos 60, em especial o seu primeiro curta, 'A entrevista' (1966). E também ela trata de como era complexo fazer filmes críticos em épocas duras, como a ditadura no Brasil. Trocando mensagens e vídeos com uma jornalista italiana de nome Beatrice, Helena constrói narrativas em torno do papel da mulher em diversos contextos sociais, através da linguagem do documentário.
Gostei muito e recomendo - e a diretora merece palmas, pois aos 83 anos continua ativa com filmes belíssimos e impactantes.
Outras sessões: Dia 04/04, 20h30, na Estação Net Botafogo - RJ; dia 06/04, 18h, no Espaço Itaú de Cinema Augusta - SP; dia 10/04, 14h30, no IMS Paulista - SP; e dia 13/04, 14h, no Estação Net de Cinema Rio - RJ.



'O competidor' (Reino Unido, 2023, 89 minutos, de Clair Titley)

Amanhã a sessão de abertura do Festival 'É tudo verdade' em São Paulo será do documentário britânico 'O competidor' ('The contestant', 2023), exibido nos festivais de Toronto, Miami e Cleveland. Nesse doc inteligente e bem montado, conhecemos a inusitada história de um estudante japonês que, em 1998, ficou trancafiado num apartamento pequeno, nu, preenchendo cupons para ganhar um milhão de dólares; ele ficou lá por meses, e aquela experiencia foi transmitida para milhões de telespectadores do Japão. Nasubi, o rapaz, não sabia que era gravado, o programa foi um sucesso - antes mesmo de surgir o Big Brother, porém depois ele deixou o estrelato de maneira angustiante. Um estudo de caso sobre exploração de pessoas nas mídias e a busca das TVs por sucesso a qualquer preço. Recomendo!
Outras sessões: Dia 05/04, 20h30, no Espaço Itaúa de Cinema Augusta - SP; dia 05/04, 20h30, no Espaço Estação Net de Cinema Botafogo - RJ; e dia 12/04, 14h, no Estação Net de Cinema Rio - RJ.


quarta-feira, 27 de março de 2024

Cine Clássico


Manequim

Jonathan (Andrew McCarthy) é um jovem artista que fabrica uma manequim para uma loja. Ele se apaixona pelo boneco, até que um dia a manequim adquire vida. Ela tem o nome de Emmy (Kim Cattrall). Jonathan descobre que a manequim incorporou uma deusa egípcia de milhares de anos atrás, e os dois iniciam um relacionamento marcado por altas aventuras.

Comédia romântica em tom de fantasia que fez enorme e inesperado sucesso de público nos cinemas na época, em 1987, e depois foi muito reprisado na TV aberta. Teve até uma continuação, ‘Manequim: A magia do amor’ (1991), com história semelhante, mas outro elenco e direção.
Esse conto de fadas urbano, moderno e gracioso, conquista o público ainda hoje, e foi levemente inspirado na clássica comédia musical com Ava Gardner ‘A deusa do amor’ (1948), sobre uma estátua que cria vida depois de receber um beijo de um vitrinista de uma loja.
Andrew McCarthy, de ‘A garota de rosa shocking’ (1986), e Kim Cattrall, da série ‘Sex and the city’ (1998-2004), estavam no auge da carreira e fazem um belo par – ele, um rapaz de carne e osso, que adora andar de moto, e ela, a manequim que cria vida e tem um romance inusitado com o garotão, saindo em altas aventuras pelas ruas da Filadélfia.
O elenco de apoio é bacana, com nomes como a veterana Estelle Getty, o novato James Spader e os comediantes G.W. Bailey e Meshach Taylor (que faz piadas bem engraçadas). A música ‘Nothing's gonna stop us now’, de Jefferson Starship, recebeu indicação ao Oscar, Grammy e Globo de Ouro de melhor canção, a primeira nomeação da compositora Diane Warren, hoje campeã de indicações, com 15 ao todo - ela nunca ganhou nenhum, por incrível que pareça. A canção aparece nos créditos finais e retorna no filme dois. Outra música composta exclusivamente para o longa é a de abertura, toda em desenho animado, ‘In my wildest dreams’, de Belinda Carlisle.




Foi o melhor trabalho do falecido diretor Michael Gottlieb, que fez somente mais três filmes, dentre eles ‘O senhor babá’ (1993) - Gottlieb também foi roteirista aqui e dos outros trabalhos da carreira.
Saiu há poucos meses em DVD na coleção ‘Manequim’, juntamente com a continuação, ‘Manequim: A magia do amor’ (1991).

Manequim
(Mannequin). EUA/Reino Unido, 1987, 89 minutos. Comédia romântica. Colorido. Dirigido por Michael Gottlieb. Distribuição: Obras-primas do Cinema



Manequim: A magia do amor

Decorador de vitrines, Jason (William Ragsdale) liberta o espírito de uma mulher (Kristy Swanson) preso em uma manequim da loja onde trabalha. Juntos, viverão uma incrível história de amor e de aventuras.

Devido ao sucesso do filme anterior, ‘Manequim’ (1987), uma continuação era inevitável. O produtor do original, Edward Rugoff, trouxe o premiado produtor executivo John Foreman, de ‘Butch Cassidy’ (1969), para essa parte dois, mais movimentada e maluca, com impossíveis e destemidas peripécias na mesma Filadélfia. A trama segue a premissa do outro longa, um rapaz que se apaixona por uma manequim que adquire vida. Dessa vez, o papel principal é do carismático William Ragsdale, que vinha do terror de sucesso ‘A hora do espanto’ (1985). Ao seu lado, a atriz Kristy Swanson, que começou a carreira mirim, na época desse ‘Manequim’ tinha 22 anos e fez ‘Curtindo a vida adoidado’ (1986), além do papel-título do longa ‘Buffy, a caça-vampiros’ (1992). E o espírito agora é de uma mulher medieval, enquanto no anterior era uma deusa egípcia.
Investiram num vilão de peso, um conde maquiavélico que quer destruir o par romântico, feito pelo ator Terry Kiser, o morto Bernie das cultuadas comédias ‘Um morto muito louco – partes 1 e 2’ (1989 e 1993). O único personagem reaproveitado do filme um é o gay Hollywood, interpretado pelo mesmo Meshach Taylor, que fica com as piadas prontas.




Com novo diretor, Stewart Raffill, de ‘Piratas das galáxias’ (1984), o filme não fez o mesmo sucesso do anterior, mas foi tão reprisado quanto na TV aberta – acho que ainda mais do que o original. A música-tema do anterior, indicada ao Oscar ‘Nothing's gonna stop us now’, de Jefferson Starship, volta em dois momentos.
É daqueles filmes fáceis, uma típica sessão da tarde simpática, para todos os públicos. Saiu em DVD na coleção ‘Manequim’, juntamente com o primeiro filme, ‘Manequim’ (1987) - foto abaixo.


Manequim: A magia do amor (Mannequin: On the move). EUA, 1991, 95 minutos. Comédia romântica. Colorido. Dirigido por Stewart Raffill. Distribuição: Obras-primas do Cinema

sexta-feira, 22 de março de 2024

Especial de Cinema


‘É Tudo Verdade’ tem início dia 3 de abril com 77 filmes na programação

Considerado um dos festivais de documentário mais importantes do Brasil, o ‘É Tudo Verdade’ será realizado em formato presencial em São Paulo e no Rio de Janeiro no mês de abril. Ao todo serão exibidos 77 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, produzidos em 34 países.
O diretor-fundador do ‘É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários’, Amir Labaki, apresentou a programação da 29ª edição do festival durante coletiva de imprensa no Itaú Cultural em São Paulo, no último dia 20. O evento será de 3 a 14 de abril, simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, com entrada franca. A itinerância do festival voltará a Belo Horizonte (MG), em parceria com o Instituto Cultural Vale.
O filme de abertura no RJ será “Um Filme para Beatrice”, de Helena Solberg, no dia 3 de abril, no Estação Net Botafogo, enquanto a abertura em SP será de “O Competidor”, de Clair Titley, em 4 de abril, na Cinemateca Brasileira – ambas as sessões apenas para convidados. A sessão de encerramento será de ‘Luiz Melodia - No Coração do Brasil’, de Alessandra Dorgan.


Neste ano, as sessões em São Paulo ocorrem no Espaço Itaú de Cinema - Augusta, Cinemateca Brasileira, Sesc 24 de Maio, Instituto Moreira Salles e Centro Cultural São Paulo; no Rio, as sessões são no Estação Net Botafogo e em duas salas do Estação Net Rio.
A programação abrange as Mostras Competitivas de Longas/Médias-Metragens Brasileiros e Internacionais e de Curtas-Metragens Brasileiros e Internacionais e as Mostras Não-Competitivas: Programas Especiais, O Estado das Coisas, Foco Latino-Americano, Clássicos ‘É Tudo Verdade’ e Retrospectivas.
A programação inclui também atividades de formação, como a 21ª Conferência Internacional do Documentário, em parceria com a Cinemateca Brasileira, o ciclo de palestras ‘Da Ideia à Tela’, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e da Economia Criativa do Estado de São Paulo e do Desenvolve SP, e o seminário ‘A Escrita do Documentário’, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc/SP.
As Retrospectivas do ‘É Tudo Verdade 2024’ homenageiam o cineasta e fotógrafo brasileiro Thomaz Farkas (1924-2011), no ano do centenário de seu nascimento, e o diretor e ensaísta britânico Mark Cousins, que teve diversos filmes exibidos em edições passadas do festival, visita o Brasil pela primeira vez; Cousins inclusive irá ministrar uma masterclass.
Na mostra ‘Clássicos É Tudo Verdade’, destacam-se duas programações especiais: uma em celebração ao centenário de nascimento do documentarista americano Robert Drew (1924-2014) e outra aos 50 anos da Revolução dos Cravos em Portugal.
Em breve, no site do festival, em http://etudoverdade.com.br/br/home, informações sobre a retirada dos ingressos, que são gratuitos.


Filmes e apresentações especiais

Esse ano o festival traz filmes premiados em festivais como Sundance, Toronto e Miami, todos exibidos pela primeira vez no Brasil. Destacam-se “Celluloid Underground” (2023, exibido nos festivais de Londres e Mumbai), “Copa de 71” (2023, exibido nos festivais de Toronto e Londres), “Diários da Caixa Preta” (2024, exibido nos festivais de Sundance e Miami), “E Assim Começa” (2024, exibido nos festivais de Sundance e CPH DOX), “Mixtape La Pampa” (2023, exibido nos festivais de San Sebástian e Mar del Plata), “O mundo é família” (2023, exibido no festival de Toronto) e “Zinzindurrunkarratz” (2023, exibido nos festivais de Telluride e Viena). Na programação de documentários brasileiros, integram a lista filmes como “Diamantes” (2024), “Fernanda Young - Foge-me ao Controle” (2024), “Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida” (2024) e “Lampião, Governador do Sertão” (2024).

Streaming

De 15 a 30 de abril, parte da programação estará gratuitamente no streaming Itaú Cultural Play. Serão nove títulos da Competição Brasileira de Curtas-Metragens e sessão também do curta “Paraíso, Juaréz” (1971), da Retrospectiva ‘Thomaz Farkas, 100’.

Realização e Parceiros

O ‘É Tudo Verdade’ é uma realização da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura do Governo Federal, através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei N. 8313). Conta com patrocínio master do Instituto Cultural Vale, patrocínio do Itaú e da Desenvolve SP, parceria do Sesc-SP, apoio cultural do Galo da Manhã, SPCINE e Itaú Cultural.

quarta-feira, 20 de março de 2024

Nota do Blogueiro


Cine Debate traz fita independente alemã que reflete os temas 'mulher' e 'trabalho'


O Cine Debate do Imes Catanduva exibe neste sábado, dia 23/03, o drama independente alemão “Top girl – ou A deformação profissional” (2014, 94 minutos), exibida nos Festivais de Berlim e do Rio de Janeiro. É o segundo filme de uma trilogia sobre mulher e trabalho, todos escritos e dirigidos pela alemã Tatjana Turanskyj, iniciado com “Uma mulher flexível” (2010) e encerrado com “Disorientation is not a crime” (2016).
Sessão e debate será no Espaço de Tecnologia e Artes (ETA) do SESC Catanduva, às 14h, gratuito e aberto a todos os públicos – o filme tem classificação indicativa de 18 anos. A mediação do debate será pelo idealizador do Cine Debate, o jornalista, professor do IMES e do SENAC e crítico de cinema Felipe Brida.

Sinopse do filme

Helena é uma mãe solteira que vive com a filha de 11 anos. Ela trabalha como atriz e ocasionalmente como prostituta. Vive um relacionamento tenso com a mãe, uma professora de canto. Ao conhecer David, uma nova oportunidade lhe é oferecida.


Cine Debate

O Cine Debate é um projeto de extensão do curso de Psicologia do IMES Catanduva em parceria o SESC e o SENAC Catanduva. Completou 12 anos em 2024 trazendo filmes cult de maneira gratuita a toda a população. Conheça mais sobre o projeto em https://www.facebook.com/cinedebateimes

sábado, 16 de março de 2024

Resenhas especiais


Jogo sujo

O detetive Lou Torrey (Charles Bronson) é transferido de Nova York a Los Angeles, onde terá de investigar uma complexa rede de crimes cometidos pela máfia siciliana.

Vigoroso filme policial com Charles Bronson, que foi o rosto do cinema de ação dos anos 70, aqui repetindo o papel de um investigador durão, disposto a ir até o fim para resolver os casos que caem em suas mãos. Realizado no auge da Nova Hollywood, durante as grandes transformações nas produções do cinema americano, que propunha um viés mais autoral nas obras, esse thriller violento com boas cenas de ação é um prato cheio para os fãs de cinema policial e do ator Charles Bronson – em mais uma parceria com o diretor inglês Michael Winner; juntos fizeram o faroeste ‘Renegado vingador’ (1972), o notórios filme de ação que ganhou remake ‘Assassino a preço fixo’ (1972) e a retumbante trilogia ‘Deseja de matar’, um clássico absoluto, rodada entre 1974 e 1985.
O vencedor do Oscar Martin Balsam interpreta o vilão, o chefe da máfia siciliana, perseguido pelo detetive que quer desmantelar sua quadrilha.
Baseado no livro de John Gardner, com roteiro de Gerard Wilson, roteirista de outros filmes de Winner, como ‘Mato em nome da lei’ (1971) e um de meus preferidos, ‘Scorpio’ (1973).




Em DVD, disponível no box ‘Cinema Policial – vol. 8’, da Versátil Home Video, caixa que reúne três bons clássicos do gênero, ‘Os 26 do expresso postal’ (1967), ‘O golpe de John Anderson’ (1971) e ‘Duas ovelhas negras’ (1974).

Jogo sujo (The stone killer). EUA, 1973, 95 minutos. Ação/Policial. Colorido. Dirigido por Michael Winner. Distribuição: Versátil Home Video


A luta de Barbara e Alan

Barbara Lisicki (Ruth Madeleye) e Alan Holdsworth (Arthur Hughes) são dois deficientes físicos que lutam pelos direitos dos PCDs na Grã-Bretanha do final dos anos 80.

É incrível como tem filmes bons escondidos no catálogo da Netflix. Esse, por exemplo, assisti quando foi lançado lá em setembro de 2022, e essa semana revi com muita satisfação. Que filme bonito, delicado, com dois ótimos atores (desconhecidos), que esbanjam talento e carisma – os dois são PCDs, a atriz Ruth Madeleye é cadeirante, fez séries no Reino Unido, e Arthur Hughes, também ator de seriados e novelas no Reino Unido, tem deficiência nas mãos, braços e pernas. Eles interpretam os reais ativistas Barbara Lisicki e Alan Holdsworth, que eram artistas de rua e lideraram enormes manifestações na Grã-Bretanha entre 1989 e 1993 em busca de seus direitos e dos direitos de toda a comunidade com deficiência física, motora e intelectual.
O filme é muito curto, tem apenas 67 minutos, parece um episódio de série, e recomendo todos assistirem. Enquanto os atores contracenam para contar essa história de superação e luta, há reportagens da época entrelaçadas no filme, com narração da atriz principal.



Roteiro de Jack Thorne, roteirista colaborador de vários filmes, como ‘Extraordinário’ (2017), ‘Enola Holmes’ (2020) e ‘As nadadoras’ (2022). O filme foi produzido e distribuído pela BBC no Reino Unido; depois, em parceria com a Netflix, a BBC distribuiu o longa no restante do mundo.

A luta de Barbara e Alan (Then Barbara met Alan). Reino Unido, 2022, 67 minutos. Drama. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Bruce Goodison e Amit Sharma. Distribuição: Netflix

Nota de cinema

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