Amelia
Toledo – Lembrar de não esquecer
Documentário
brasileiro de Hélio Goldsztejn que, pra mim, foi um dos melhores lançados em
festivais de cinema em 2025 (o assisti na Mostra de SP). A obra joga luzes
sobre a carreira da artista plástica e escultora Amelia Toledo (1926-2017), uma
artista inquieta, que esteve à frente de seu tempo com seu ousado trabalho,
considerado por alguns controverso, que reunia elementos da land art e do ready
made com ecologia e sustentabilidade, recorrendo a linguagens e estilos
variados, como instalações, intervenções, arte interativa e arquitetura
moderna. Amélia inovou o ‘fazer artístico’ com materiais como pedras, metal e
conchas; foi professora no Mackenzie, na FAAP e na UnB, formando um grupo de
alunos pensadores em torno da nova arte que se ergueria no Brasil a partir dos
anos 60. O doc reúne entrevistas antigas e recentes dela para emissoras de TV,
de depoimentos dos filhos, dentre eles o pintor Moacyr Toledo, e de amigos
artistas. É um compilado de histórias fabulosas em que conhecemos a fundo a
alma dessa mulher sonhadora e autêntica, que transformou sua casa em ponto de
encontro de intelectuais e bateu de frente, como muitos de sua geração, com a
Ditadura Militar. O longa estreia hoje nos principais cinemas brasileiros, com
distribuição da Bretz Filmes.
Champagne
- Uma viagem de pai e filho
Simpático
road movie holandês sobre reconexões familiares, que parece ter saído das
antigas sessões da tarde de semana da Globo. Espirituoso, apoia-se em um roteiro
simples, de narrativa delicada sobre a relação entre pai e filho, marcada por
diálogos bem humorados, além de reflexões existenciais. Na história, um homem
maduro chamado Maarten (Leo Alkemade) descobre que o pai, Hans (Huub Stapel), está
com câncer em estágio avançado. Aconselhado por um amigo, Maarten convida o idoso
para uma última viagem: levá-lo para a região francesa da Champanhe, lugar que Hans
sempre quis visitar. Os dois partem para lá de carro, cruzando a Holanda e a
França, rumo à famosa província mundialmente famosa pelos vinhos espumantes
(bebida preferida do idoso). A viagem, inicialmente estranha, já que nunca ficaram
tanto tempo juntos, torna-se uma jornada de celebração à vida e de profundas
conexões humanas. A comédia dramática tornou-se uma das maiores bilheterias na
Holanda desse ano, marcando um novo rumo na trajetória do astro comediante de
lá Leo Alkemade, interpretando um dos poucos papeis dramáticos. Tanto ele
quanto o veterano ator Huub Stapel estão muito bem, cada um com seu peculiar
papel. Alkemade também é o roteirista do filme, cuja história é baseada na própria
relação que teve com o pai, e em uma viagem que faria com ele para a França (mas
que não deu certo, pois o pai morreu). Agora, na ficção, a viagem entre os dois
existiu, viagem esta que funciona como metáfora para o percurso interno dos dois
personagens, envolvendo reconhecimento mútuo, acertos e confrontos que revelam
fragilidades e afetos. Um filme bonito, fácil de se emocionar e ser conquistado
por ele, que está nos principais cinemas brasileiros pela Autoral Filmes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário