quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 1

 
Amelia Toledo – Lembrar de não esquecer

Documentário brasileiro de Hélio Goldsztejn que, pra mim, foi um dos melhores lançados em festivais de cinema em 2025 (o assisti na Mostra de SP). A obra joga luzes sobre a carreira da artista plástica e escultora Amelia Toledo (1926-2017), uma artista inquieta, que esteve à frente de seu tempo com seu ousado trabalho, considerado por alguns controverso, que reunia elementos da land art e do ready made com ecologia e sustentabilidade, recorrendo a linguagens e estilos variados, como instalações, intervenções, arte interativa e arquitetura moderna. Amélia inovou o ‘fazer artístico’ com materiais como pedras, metal e conchas; foi professora no Mackenzie, na FAAP e na UnB, formando um grupo de alunos pensadores em torno da nova arte que se ergueria no Brasil a partir dos anos 60. O doc reúne entrevistas antigas e recentes dela para emissoras de TV, de depoimentos dos filhos, dentre eles o pintor Moacyr Toledo, e de amigos artistas. É um compilado de histórias fabulosas em que conhecemos a fundo a alma dessa mulher sonhadora e autêntica, que transformou sua casa em ponto de encontro de intelectuais e bateu de frente, como muitos de sua geração, com a Ditadura Militar. O longa estreia hoje nos principais cinemas brasileiros, com distribuição da Bretz Filmes.



 
Champagne - Uma viagem de pai e filho
 
Simpático road movie holandês sobre reconexões familiares, que parece ter saído das antigas sessões da tarde de semana da Globo. Espirituoso, apoia-se em um roteiro simples, de narrativa delicada sobre a relação entre pai e filho, marcada por diálogos bem humorados, além de reflexões existenciais. Na história, um homem maduro chamado Maarten (Leo Alkemade) descobre que o pai, Hans (Huub Stapel), está com câncer em estágio avançado. Aconselhado por um amigo, Maarten convida o idoso para uma última viagem: levá-lo para a região francesa da Champanhe, lugar que Hans sempre quis visitar. Os dois partem para lá de carro, cruzando a Holanda e a França, rumo à famosa província mundialmente famosa pelos vinhos espumantes (bebida preferida do idoso). A viagem, inicialmente estranha, já que nunca ficaram tanto tempo juntos, torna-se uma jornada de celebração à vida e de profundas conexões humanas. A comédia dramática tornou-se uma das maiores bilheterias na Holanda desse ano, marcando um novo rumo na trajetória do astro comediante de lá Leo Alkemade, interpretando um dos poucos papeis dramáticos. Tanto ele quanto o veterano ator Huub Stapel estão muito bem, cada um com seu peculiar papel. Alkemade também é o roteirista do filme, cuja história é baseada na própria relação que teve com o pai, e em uma viagem que faria com ele para a França (mas que não deu certo, pois o pai morreu). Agora, na ficção, a viagem entre os dois existiu, viagem esta que funciona como metáfora para o percurso interno dos dois personagens, envolvendo reconhecimento mútuo, acertos e confrontos que revelam fragilidades e afetos. Um filme bonito, fácil de se emocionar e ser conquistado por ele, que está nos principais cinemas brasileiros pela Autoral Filmes.

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