O caminho para Saturno
domingo, 10 de maio de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 2
O caminho para Saturno
sábado, 9 de maio de 2026
Especial de cinema
Vem aí a 15a edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
O Olhar de Cinema é viabilizado por leis de incentivo e patrocínios, como Ministério da Cultura (via Lei Rouanet) e Governo do Estado do Paraná, via Secretaria da Cultura e Profice (Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná). Conta com patrocínio do Terminal de Contêineres de Paranaguá, Sanepar, Mili, Fomento Paraná e Solvay Peróxidos, além de apoio do Projeto Paradiso, Uninter, Cine Passeio, Cinemateca de Curitiba, Teatro da Vila e Icac (Instituto Curitiba de Arte e Cultura) e incentivo da Prefeitura de Curitiba e da Fundação Cultural de Curitiba.
Serão novamente cinco locais de exibição do festival: Cine Passeio, Museu Oscar Niemeyer (Auditório Poty Lazzarotto), Cinemateca de Curitiba, Teatro da Vila e Ópera de Arame.
Filmes clássicos e restaurados
* Fotos extraídas do site oficial do festival
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 1
A
fúria
Do movimento Cinema Novo, somente Ruy Guerra está vivo, e na ativa, aos 94 anos. As produções cinematográficas do cineasta moçambicano radicado no Brasil atravessam sete décadas: do primeiro curta-metragem, “Quand le soleil dort” (1954), e o primeiro longa, o “Os cafajestes” (1962), até chegar à “A fúria” (2024), filme que encerra uma trilogia iniciada no auge do referido Cinema Novo. A “Trilogia dos Fuzis” abria com o hipnotizante “Os fuzis” (1964), cruzava com “A queda” (1978) – ambos premiados no Festival de Berlim, e encerra com “A fúria”, que acaba de estrear nos cinemas, após vencer dois prêmios na edição passada do Festival de Brasília. Seu novo longa é uma obra simbólica que reúne ilustres personagens dos dois trabalhos anteriores - enquanto em “Os fuzis” (um de meus filmes brasileiros preferidos) expunham-se a fome e a repressão no sertão e em “A queda” discutiam-se dilemas morais e corrupção no ambiente urbano e empresarial com as mesmas figuras (vividas por Nelson Xavier, Hugo Carvana e Paulo César Peréio), “A fúria” traz uma ampla discussão sobre o mundo político no Brasil da última década, focando na ganância e a degradação institucional. Personagem central nos anteriores, Mário, um ex-operário da construção civil (antes papel de Nelson Xavier, mas neste aqui interpretado por Ricardo Blat) enfrenta os espectros da ditadura e da corrupção política no país. Ele volta do mundo dos mortos (ele foi assassinado na ditadura) para assombrar o sogro e empreiteiro Salatiel (Lima Duarte), um empresário inescrupuloso, e Feijó (Daniel Filho), um político disposto a tudo para calar as pessoas. Diferente dos dois primeiros filmes, que privilegiavam o realismo e locações abertas, este novo capítulo foi rodado em estúdio, com cenários sombrios e estilizados, que o aproximam à linguagem do teatro, reforçando a atmosfera alegórica. O clima é de devaneios e loucura, com enquadramentos fortes no rosto dos atores, uma pegada meio expressionista. A narrativa é direta, dividindo personagens entre justos e corruptos, num longo embate em plena época de crise moral e institucional (com direito até a um Bolsonaro no desfecho). O elenco entrega o melhor de si: Blat, Duarte e Filho, além de Grace Passô, Simone Spoladore e participações rápidas de Paulo César Pereio, Maria Gladys, Antonio Pitanga e Urutau Guajajara. Misturando drama e thriller político, o filme é uma fábula quase dantesca sobre memória, justiça e as feridas abertas da Ditadura, contando com as experimentações estéticas que Ruy Guerra sempre se apropriou muito bem. Ele dirige a direção com Luciana Mazzotti, sua ex-mulher e roteirista também. Está pela segunda semana em exibição nos cinemas pela Pandora Filmes – antes de ver, recomendo conhecer os anteriores (em “A fúria” há cenas dos filmes “Os fuzis” e “A queda”, que retornam como lembranças dos personagens e serve para o público ter base para o desdobramento daqueles anos todos).
Michael
“Michael”
é o filme do ano que vem arrastando muita gente ao cinema e, como não poderia
ser diferente em biografias de ícones pop, dividindo a opinião do público e da
crítica. Dirigido com vigor e emoção entusiástica por Antoine Fuqua (diretor de
obras policiais, parte delas com Denzel Washington, como “Dia de treinamento” e
“O protetor), é uma cinebiografia grandiosa do cantor e compositor Michael
Jackson (1958-2009), que contagiou o mundo com suas canções vibrantes, porém
esteve envolvido em uma série de polêmicas, como acusações de abuso sexual
infantil e mudanças drásticas na aparência de clareamento de pele. Na altura do
campeonato, fala-se muito na retirada dessas polêmicas do roteiro. Vamos
analisar: Hollywood é careta na hora de retratar fielmente uma personalidade
pública, ainda mais um nome de relevância e querido por uma legião de fãs como
Michael, portanto deu espaço para fazer um filme mais positivo sobre ele; segundo
ponto, o filme é assinado pelos irmãos de Jackson como produtores, e como os
casos de pedofilia caíram por terra em 2005, após Michael ser absolvido de
todas as acusações, resolveram não mexer no vespeiro. Por enquanto, pois, como
já é sabido, haverá uma parte 2 em breve (que está em produção). Discutiremos o
que está na tela e não aquilo que poderia ter sido: “Michael” é uma
cinebiografia contagiante, um filmão publicitário que faz o público se
emocionar, cantar e dançar junto. Filme feito para fã, com longas cenas reinventadas
de shows dele, misturando espetáculo musical e drama familiar. O longa acompanha
a jornada de descoberta de Michael no universo musical. A primeira parte (os 25
minutos iniciais) focam na formação de “The Jackson 5”, a banda de Michael e
seus quatro irmãos, que surgiu dentro de casa com comando austero do pai, Joe
Jackson, que se tornaria o empresário de grande parte da trajetória de artista
depois. Na segunda parte, o filme traz Michael procurando carreira solo, ainda
se dividindo no Jackson 5 (que viraria “The Jacksons”), até 1979, quando lançou
um disco que surpreendeu, vendendo milhões de cópia, “Off rhe wall” (1979),
produzido por Quincy Jones. O disco trazia faixas que ficaram no topo da parada
das rádios, como "Don't stop 'til you get enough" e "Rock with
you". A terceira parte do longa é a tentativa incessante de Michael sair
das garras do pai patrão, um homem austero, difícil, violento, que batia nele quando
criança. Enquanto Michael tenta atravessar a rua nessa nova fase da carreira, a
sombra do pai o persegue. É quando ele lança o épico disco “Thriller” (1982), o
que fez o cantor explodir e se tornar um dos 10 músicos pop mais influentes dos
anos 80 – a partir daí a crise familiar aumenta, tentando lidar com o pai
furioso, que não aceitava o sucesso do filho mais novo longe dos irmãos na
banda que ele criou em Gary. Michael tinha apoio secreto da mãe, enquanto os
irmãos seguiram aos poucos outras carreiras fora da música. O filme se divide
bem entre o palco e os ensaios nas gravadoras com as questões familiares de
Michael e seu dia a dia: mostra ele adotando animais que depois manteria no
rancho apelidado de Neverland, como o chimpanzé Bubbles, lhamas e girafa (foram
mais de 130 animais diferentes), a fixação por Peter Pan (por isso o nome do
rancho) e a descoberta do vitiligo. Sem dúvida a interpretação de Jaafar
Jackson, sobrinho do astro, de 29 anos, é o ponto máximo do filme – o rapaz ficou
a cara do tio e em muitos momentos até melhor que Michael no palco (sem ofensa
a Michael, que admirava como músico). Jaafar (que é filho de Jermaine) afinou a
voz, emagreceu, ficou com silhueta idêntica ao do tio, e seu rosto surpreende
pelas semelhanças. É a estreia do rapaz no cinema, após uma breve carreira como
cantor e dançarino, e com certeza será indicado a Oscar e outros prêmios em
2027. Colman Domingo faz muito bem o papel do pai, num trabalho difícil, um
homem violento que bate no filho e o fulmina com seu olhar arregalado (o personagem
usa anéis e correntes, de sobrancelha pintada, lentes claras, mas esse over era
o estilo do verdadeiro Joe Jackson). E Nia Long interpreta a mãe conciliadora, Katherine
Jackson, num bom papel também – Katherine está viva, com 96 anos. Outros atores
valem destaque, como Juliano Valdi (o Michael do período Jackson 5), Mike Myers
como o empresário musical Walter Yetnikoff, dono da CBS Records, KeiLyn Durrel
Jones como o chefe de segurança e motorista de Michael Bill Bray, que trabalhou
com ele por mais de 25 anos e foi seu fiel escudeiro, chamado por Michael de
“pai”, e Milles Teller como o advogado de muitos artistas famosos da época John
Branca. O filme faz enorme carreira nos Estados Unidos e Brasil; em seu
primeiro fim de semana arrecadou mais de US$ 217 milhões, tornando-se a maior
estreia de uma cinebiografia na História do cinema, e acumula, nessa terceira
semana nas salas de mais de 80 países, U$ 440 milhões em bilheteria (superando
o orçamento. de U$ 155 mi). Os ótimos figurinos próximos do real fazem o
recorte da época, há momentos de puro encanto e musicalidade (como as gravações
do clipe de “Thriller” com os zumbis), ou seja, é um filme de entretenimento
classe A para homenagear a carreira de um astro inigualável, mesmo que as
polêmicas fiquem de fora (acordos judiciais e a supervisão do espólio de
Jackson limitaram também a profundidade da adaptação de sua vida para o cinema,
que se concentra em celebrar o mito em vez de confrontar suas contradições - inclusive
a irmã Janet Jackson não aceitou participar por desacordos no roteiro e
desavenças familiares, segundo contou à imprensa a outra irmã de Michael, La
Toya Jackson). Vamos aguardar a parte 2 para saber que tipo de história e
informações serão lá colocadas – a Lionsgate informou essa semana que a continuação
terá Antoine Fuqua na direção, e que ele já gravou as primeiras cenas, cuja trama
segue a partir de 1988, após o lançamento do disco “Bad”, de 1987, e da última
turnê de Michael com os irmãos; o roteiro continuará de John Logan (indicado a
três Oscars) e a produção de Graham King, vencedor do Oscar por “Bohemian rhapsody”. Nos cinemas pela Universal Pictures.
terça-feira, 5 de maio de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 4
A sombra do meu pai
O riso e a faca
domingo, 3 de maio de 2026
Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 3
sábado, 2 de maio de 2026
Estreias do mês – Nos cinemas e no streaming – Parte 2
As indagações das dançarinas são levadas
para as diretoras da academia de balé, Miss Tanner (Alida Valli) e Madame Blanc
(Joan Bennett), que não dão ouvidos. Até que Suzy vê o mal reinar ao seu lado.
O impacto de “Suspiria” vai além do roteiro fabuloso: está também na estética
visual alucinante, marcada por cores intensas vermelhas, pink e azul neon, ao
lado da iluminação expressionista (inclusive na geometria dos quartos e
enquadramentos, que remetem ao Expressionismo Alemão). A trilha sonora, da
banda Goblin (que aqui assinam “Goblins”, e tinha como mentor o paulistano
Claudio Simonetti), intensifica a experiência sensorial, criando um ambiente
hipnótico, perturbador, claustrofóbico. Não tem jeito: saímos magnetizados de
cada sessão de “Suspiria”, e olha que já vi o filme mais de 10 vezes, um de
meus preferidos do mestre Argento. Olhem só: além do relançamento os cinemas, o
filme ganhou uma edição oficial limitada em VHS no Brasil, gesto que resgata a
aura analógica que marcou os anos 1980 e 1990 (foto abaixo). A cópia restaurada em 4K realça
as cores deslumbrantes dessa obra-prima do cinema de horror, realizada pelo
laboratório alemão TLEFilms, que corrigiu danos nos negativos de 35 mm. Vale lembrar
que “Suspiria” é o primeiro capítulo da trilogia “As três mães”, seguido por “A
mansão do inferno” (1980) e “O retorno da maldição - A mãe das lágrimas”
(2007), que são independentes, mas tratam do mal sobrenatural. Em 2018 o
diretor italiano Luca Guadagnino refez o filme, com uma nova linguagem, que
ficou até boa, “Suspiria: A dança do medo”. Com quase meio século de
existência, o filme continua a ser celebrado pela crítica e pelo público, e que
bom foi redescoberto para voltar para a telona. Continua em cartaz pela segunda
semana, com distribuição da FJ Cines.
Especial de cinema
Especial “Psicose” - parte 2
Psicose 3
Elementos do cinema slasher já apareciam no filme 2, como mortes violentas e sanguinárias e um ‘whodunnit’ - mesmo o público sabendo que é o psicopata Norman com as roupas da mãe. Mas no terceiro capítulo o slasher vem mais forte, brutal e evidente, num filme de terror psicológico violento rodado pelo próprio Anthony Perkins, que nunca tinha dirigido um longa sequer. Roteirista de “A mosca” (1986) junto de David Cronenberg, Charles Edward Pogue escreveu uma história de delírios e tormentos, adaptado da ideia original do livro de Robert Bloch, que une os personagens Norman e Maureen – ele, que acredita falar com a mãe morta, e ela, uma noviça suicida que coloca à prova sua fé, envolvida na morte de uma freira que caiu do alto de uma catedral. Enquanto Norman tenta viver sua vida isolado no motel da família e fazendo taxidermia, ela procura compreender os motivos que a levaram a deixar o convento. O Motel Bates vai de mal a pior, sem clientes – numa das cenas vemos o local tomado por poeira da estrada e galhos secos em volta, e a casa dele, ao fundo, decrépita e assustadora. A guinada na trama vem com uma nova onda de assassinatos brutais que explode com a chegada de Maureen no motel – ponto alto do roteiro de Pogue, que cria expectativa no olhar atento do público que espera por sangue slasheriano. Jovens que fazem uma parada lá morrem de forma cruel, com o pescoço rasgado ou o corpo perfurado por faca – na altura do campeonato já sabemos quem mata, não? A polícia inicia uma intensa investigação, e uma repórter segue no encalço de Norman. As mortes são mais elaboradas e violentas que nos filmes anteriores, talvez as mais impactantes da trilogia, com momentos de puro banho de sangue.
Perkins domina bem a direção por ser um iniciante, entregando uma obra confessional, autoral, sem meio termo, com ampla liberdade em posicionar seu personagem visceral. Faz inclusive uma homenagem certeira ao mestre Hitchcock na sequência final, voltando ao primeiro filme, com Norman detido pela polícia e levado no banco de trás – ele pensa, pensa, ouve vozes, só que agora carrega consigo a mão da mãe mumificada.
O filme veio no terço final da década do slasher, fechando uma trilogia sinistra de terror psicológico para o cinema. Quatro anos mais tarde resgataram a franquia num telefilme competente, “Psicose IV: O começo” (1990 – também conhecido por “Psicose IV: A revelação”), novamente com Perkins num de seus últimos trabalhos – ele morreria aos 60 anos em 1992, em decorrência de uma pneumonia provocada pela Aids.
Norman Bates integra a galeria dos personagens memoráveis da Sétima Arte, uma figura complexa, enigmática e também assustadora, que até hoje repercute entre os fãs do cinema devido ao desempenho formidável de Anthony Perkins frente ao papel. “Psicose 2” e “Psicose III” são continuações pouco conhecidas do grande público e subestimadas pelos críticos, por estar na sombra da obra-prima original. Merecem uma atenção, pois em cada um desses filmes novos elementos e explicações do universo de Bates são erigidos, que ajudam a decifrar a mente conflitante do célebre personagem. Disponível em DVD pela Universal Pictures, acaba de sair em Bluray na caixa “Coleção Psicose”, da Versátil Home Video, que contém dois discos, reunindo “Psicose 2”, “Psicose IV: O começo” e o remake de Gus Van Sant “Psicose”, de 1998. No box, mais de quatro horas de extras, cards colecionáveis e um livreto de 44 páginas. Também está disponível para aluguel em streamings como Prime Video, Youtube Filmes, Claro TV e Apple TV.
Perkins já estava doente, aparecendo pouco no filme (ele faleceria dois anos depois, em decorrência de uma pneumonia provocada pela Aids), dando espaço para o bom Henry Thomas como o jovem Norman (ator mirim de “E.T. – O extraterrestre”). O diretor Mick Garris já era experiente no mundo do terror, realizador de making of de cultuadas fitas do gênero dos anos 80, como de “Grito de horror” e “Videodrome”, passando por episódios da série “Histórias maravilhosas” (1985-1987) e do filme “Criaturas 2” (1988). Depois de fazer “Psicose IV”, dirigiu obras de Stephen King para o audiovisual, como o filme “Sonâmbulos” (1992) e as minisséries “A dança da morte” (1994) e “O iluminado” (1997). O roteirista do original “Psicose”, Joseph Stefano, voltou aqui para escrever essa adaptação, procurando garantir traços fieis da história e do personagem – e seria ele a refazer o roteiro para o remake de 1998, de Gus Van Sant, aquele filme que ainda divide a opinião da crítica e do público (para mim, penoso e sofrível). Conta com participação de duas atrizes muito boas, CCH Pounder, de “Bagdad Café” (1987), como a apresentadora de rádio que entrevista Norman, e Olivia Hussey, falecida há um ano, como Norma Bates – Olivia eternizou Julieta de Shakespeare na versão de “Romeu e Julieta” (1968), de Franco Zeffirelli. PS: Nos anos 90 o filme saiu em VHS pela CIC com outro subtítulo, “Psicose IV: A revelação”. Agora pode ser visto em boa resolução em Bluray, na caixa “Coleção Psicose”, da Versátil Home Video, que contém dois discos, reunindo “Psicose 2”, “Psicose III” e o remake de Gus Van Sant - no box, mais de quatro horas de extras, cards colecionáveis e um livreto de 44 páginas.
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