quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Especial de cinema

 
Berlinale anuncia prêmio honorário e primeiras informações da edição 2026
 
A organização do Festival Internacional de Cinema de Berlim, o Berlinale, anunciou nessa semana as primeiras informações da próxima edição, que será realizada de 12 a 22 de fevereiro de 2026. O Berlinale é um dos mais importantes festivais cinematográficos do mundo, ao lado de Cannes e Veneza. A atriz malaia-chinesa Michelle Yeoh será a grande homenageada da 76ª edição do festival, onde receberá o Urso de Ouro honorário. Segundo os organizadores do Berlinale, o prêmio a Michelle se deve pela sua dedicação de mais de 40 anos à Sétima Arte e por ser uma atriz versátil e grande influente de sua geração – a atriz foi membro do júri internacional do festival em 1999. A estatueta será entregue na abertura do Berlinale, em 12 de fevereiro. Atividades e ações formativas integradas ao Berlinale serão promovidas como o Mercado Europeu de Cinema/EFM (de 12 a 18 de fevereiro de 2026, com início na tarde de 11 de fevereiro), o Mercado de Coprodução da Berlinale (14 a 17 de fevereiro de 2026), Berlinale Talents (13 a 18 de fevereiro de 2026) e o World Cinema Fund Day (17 de fevereiro de 2026).
Vitrine do cinema mundial, o Berlinale já premiou com o Urso de Ouro filmes brasileiros como ‘Central do Brasil’ e ‘Tropa de Elite’ e obras cultuadas como ‘O Desespero de Veronika Voss’, ‘A ascensão’ e ‘Rain Man’.
Em breve serão anunciadas informações do festival 2026 referentes à programação, ingressos e locais de exibição.


 
A edição de 2025
 
Realizado entre os dias 13 e 23 de fevereiro de 2025, a 75ª edição do festival teve como presidente do júri o cineasta Todd Haynes. Nessa edição comemorativa, a atriz Tilda Swinton recebeu o Urso de Ouro honorário. Estiveram na competição os filmes "Ari", de Léonor Serraille; "Blue Moon", de Richard Linklater; "La Cache", de Lionel Baier; "Sonhos", de Michel Franco; "Dreams (Sex, Love)", de Dag Johan Haugerud; "O que a Natureza te Conta", de Hong Sang-soo; "Hot Milk", de Rebecca Lenkiewicz; "Se eu Tivesse Pernas Eu te Chutaria", de Mary Bronstein; "Kontinental ’25", de Radu Jude; "El mensaje", de Iván Fund; "Mother’s Baby", de Johanna Moder; "O Último Azul", de Gabriel Mascaro; "O Brilho do Diamante Secreto", de Hélène Cattet e Bruno Forzani; "Living the Land", de Huo Meng; "Timestamp", de Kateryna Gornostai; "The Ice Tower", de Lucile Hadžihalilović; "What Marielle Knows", de Frédéric Hambalek; "Girls on Wire", de Vivian Qu; e "Yunan", de Ameer Fakher Eldin.



Na seção ‘Panorama’ compuseram a programação filmes como "Ato Noturno" (brasileiro, dirigido por Marcio Reolon e Filipe Matzembacher), "A Meia-irmã Feia" (de Emilie Blichfeldt), "O Dia de Peter Hujar’ (de Ira Sachs), "A Sapatona Galáctica" (de Emma Hough Hobbs e Leela Varghese) e "Paul" (de Denis Côté), e na Mostra Generation alguns títulos foram o brasileiro "A Natureza das Coisas Invisíveis" (de Rafaela Camelo) e o francês "Maya, me dê um Título" (de Michel Gondry).
O filme "Dreams (Sex Love)" foi premiado com o Urso de Ouro, enquanto o Urso de Prata foi para "O Último Azul" (Grande Prêmio do Júri), "El mensaje" (Prêmio do Júri), Huo Meng, de "Living the Land" (Melhor Diretor), Rose Byrne, por "Se eu Tivesse Pernas Eu te Chutaria" (Melhor Atriz), Andrew Scott, por "Blue Moon" (Melhor Ator Coadjuvante), "Kontinental ’25" (Melhor Roteiro) e "The Ice Tower" (Melhor Contribuição Artística). No Berlinale Documentary, o prêmio de melhor documentário foi para "The Devil Smokes (and Saves the Burnt Matches in the Same Box)", de Ernesto Martínez Bucio. No Berlinale Shorts, o Urso de Ouro e o Urso de Prata foram respectivamente para "Lloyd Wong, Unfinished", de Lesley Loksi Chan, e "Ordinary Life", de Yoriko Mizushiri. No Panorama, o prêmio principal de filme de ficção foi para "Surda", de Eva Libertad, e o de documentário foi entregue a "Die Möllner Briefe", de Martina Priessner. No Generation 14plus o grande Prêmio de Melhor Filme foi para "Christy", de Brendan Canty, e o Generation kplus foi para "The Botanist", de Jing Yi. Os prêmios do Júri Ecumênico foram assim distribuídos: "O Último Azul", de Gabriel Mascaro (Seção Competition); "The Heart is a Muscle", de Imran Hamdulay (Seção Panorama); e "Holding Liat", de Brandon Kramer (Seção Forum). Os da Mostra Teddy, premiação voltada a filmes de temática LGBTQIAPN+, foram para "A Sapatona Galáctica" (Melhor Filme) e "Satanic Sow", de Rosa von Praunheim (Melhor Documentário/Ensaio).



Conheça a lista de todos os vencedores do Urso de Ouro, de 1951 a 2025, e os prêmios honorários, de 1982 a 2026:
 
Lista dos vencedores do Urso de Ouro ano a ano
 
2025
Dreams
 
2024
Dahomey
 
2023
No Adamant
 
2022
Alcarràs
 
2021
Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental
 
2020
Não Há Mal Algum
 
2019
Sinônimos
 
2018
Não me Toque
 
2017
Corpo e Alma
 
2016
Fogo no Mar
 
2015
Taxi Teerã
 
2014
Carvão Negro, Gelo Fino
 
2013
Instinto Materno
 
2012
César Deve Morrer
 
2011
A Separação
 
2010
Um Doce Olhar
 
2009
A Teta Assustada
 
2008
Tropa de Elite
 
2007
O Casamento de Tuya
 
2006
Em segredo
 
2005
Carmen na África
 
2004
Contra a Parede
 
2003
Neste Mundo
 
2002
2 filmes – Domingo Sangrento e A Viagem de Chihiro
 
2001
Intimidade
 
2000
Magnólia
 
1999
Além da Linha Vermelha
 
1998
Central do Brasil
 
1997
O Povo contra Larry Flynt
 
1996
Razão e Sensibilidade
 
1995
A Isca
 
1994
Em Nome do Pai
 
1993
2 filmes - A Mulher do Lago das Almas Perfumadas e Banquete de Casamento
 
1992
Grand Canyon - Ansiedade de uma Geração
 
1991
A Casa do Sorriso
 
1990
2 filmes - Muito Mais Que um Crime e Andorinhas por um Fio
 
1989
Rain Man
 
1988
Sorgo Vermelho
 
1987
Tema
 
1986
Stammheim
 
1985
2 filmes – A Mulher e o Estranho; Sombras do Passado
 
1984
Amantes
 
1983
2 filmes – A Colmeia; Ascendancy
 
1982
O Desespero de Veronika Voss
 
1981
Depressa, Depressa
 
1980
2 filmes - Palermo oder Wolfsburg; Heartland
 
 
1979
David
 
1978
2 filmes - As Palavras de Max e Las Truchas; e 1 curta - Ascensor
 
1977
A Ascensão
 
1976
Oeste Selvagem
 
1975
Adoção
 
1974
O Grande Vigarista
 
1973
Trovão Distante
 
1972
Os Contos de Canterbury
 
1971
O Jardim dos Finzi-Contini
 
1970 *
* Sem premiação devido a polêmicas envolvendo um dos filmes da competição, que levou a um forte debate entre o júri, que decidiu não entregar nenhum prêmio naquela ocasião. O fato levou à renúncia do diretor do festival, Alfred Bauer, e a alterações no regimento da seleção e escolha dos filmes a partir daquele ano.
 
1969
Primeiros Trabalhos
 
1968
Quem o Viu Morrer?
 
1967
Le départ
 
1966
Armadilha do Destino
 
1965
Alphaville
 
1964
Verão Seco
 
1963
2 filmes - Il Diavolo e Juramento de Obediência
 
1962
Ainda Resta uma Esperança
 
1961
A Noite
 
1960
O Menino Aventureiro
 
1959
Os Primos
 
1958
Morangos Silvestres
 
1957
12 Homens e uma Sentença
 
1956
Convite à Dança
 
1955
Quando o Amor é Pecado
 
1954
Papai é do Contra
 
1953
O Salário do Medo
 
1952
Última Felicidade
 
1951
4 filmes – Cinderela; O Último Endereço; 4 num Jeep; O Direito de Matar





 
Urso de Ouro Honorário ano a ano
 
Ano   Homenageado(a)
 
1982 James Stewart
 
1983 a 1987 – prêmio não foi entregue, apenas homenagens especiais no ‘Berlinale Camera’
 
1988 Alec Guinness
 
1989 Dustin Hoffman
 
1990 Oliver Stone
 
1991 a 1992 – prêmio não foi entregue, apenas homenagens especiais no ‘Berlinale Camera’
 
1993 Gregory Peck e Billy Wilder
 
1994 Sophia Loren
 
1995 Alain Delon
 
1996 Elia Kazan e Jack Lemmon
 
1997 Kim Novak
 
1998 Catherine Deneuve
 
1999 Shirley MacLaine
 
2000 Jeanne Moreau
 
2001 Kirk Douglas
 
2002 Robert Altman e Claudia Cardinale
 
2003 Anouk Aimée
 
2004 Fernando Solanas
 
2005 Im Kwon-taek e Fernando Fernán Gómez
 
2006 Andrzej Wajda e Ian McKellen
 
2007 Arthur Penn
 
2008 Francesco Rosi
 
2009 Maurice Jarre
 
2010 Wolfgang Kohlhaase e Hanna Schygulla
 
2011 Armin Mueller-Stahl
 
2012 Meryl Streep
 
2013 Claude Lanzmann
 
2014 Ken Loach
 
2015 Wim Wenders
 
2016 Michael Ballhaus
 
2017 Milena Canonero
 
2018 Willem Dafoe
 
2019 Charlotte Rampling
 
2020 Helen Mirren
 
2021 Não houve premiação
 
2022 Isabelle Huppert
 
2023 Steven Spielberg
 
2024 Martin Scorsese
 
2025 Tilda Swinton
 
2026 Michelle Yeoh




Créditos das fotos - Berlinale (site e assessoria, em https://www.berlinale.de/en/home.html)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Especial de cinema

 
Festival de Cinema de Berlim completa 75 anos
 
Neste ano de 2025, um dos festivais de cinema mais conhecidos do mundo completou sete décadas e meia de existência. Realizado em fevereiro na capital alemã, o Festival Internacional de Cinema de Berlim, também conhecido por Berlinale, é uma vitrine para os principais filmes da temporada, com première de produções do mundo inteiro. Lá são exibidos longas e curtas-metragens independentes e também de alto orçamento.
Fundado em 1951 e por quase 30 anos realizado no mês de junho, o Festival de Berlim integra, junto aos de Cannes e Veneza, a lista dos mais reconhecidos festivais de cinema da Europa, atraindo milhares de visitantes e cinéfilos em suas edições. A média é de 400 títulos por ano, exibidos em diversos espaços culturais e salas de cinema de Berlim, a maior parte nos arredores de Potsdamer Platz, praça estratégica do centro comercial da capital, composta por shoppings, cinemas e lojas. As exibições estão distribuídas em seções especiais, como a Competição Principal (em que se disputa o principal prêmio do festival, o Urso de Ouro), o Panorama, o Forum, o Generation (para jovens), as Perspectives, o Berlinale Special, o Berlinale Shorts e o Berlinale Classics (com longas restaurados e tributos).


Os principais troféus, o Urso de Ouro e os Ursos de Prata, são concedidos pelo júri internacional, costumeiramente presidido por nomes renomados do cinema. O Urso de Ouro é dado a um filme considerado o melhor daquele ano – tanto longa quanto curta-metragem, enquanto o Urso de Prata engloba diversas categoriais e subcategorias, como o ‘Prêmio Especial do Júri’ (‘Grand Prix’), apontado como o ‘segundo melhor filme do festival’, e ainda os de melhor diretor, melhor ator, melhor atriz, melhor roteiro, melhor curta-metragem e melhor contribuição artística. A estatueta em formato de urso foi concebida pela escultora alemã Renée Sintenis.
Há ainda no evento o Berlinale Talents, uma programação com palestras e workshops realizada ao longo de uma semana, voltado a jovens cineastas.
A próxima edição do festival está marcada entre os dias 12 e 22 de fevereiro de 2026, e a programação completa deve ser divulgada em breve.
 


O festival ao longo dos anos
 
O Festival de Berlim surgiu durante a Guerra Fria, pensado por Oscar Martay, um diretor de cinema russo, que atuava na Divisão de Serviço de Informação do Alto Comissariado Americano para a Alemanha, que utilizou sua influência para financiar o evento cinematográfico. Em 1950 ele angariou fundos americanos para o festival, que teve sua primeira edição entre os dias 06 e 17 de junho de 1951 – nessa edição ele recebeu o Urso de Ouro pela contribuição e planejamento do evento. O filme de abertura da primeira edição foi ‘Rebecca – A mulher inesquecível (1940), de Alfred Hitchcock, com sessão no Titania-Palast em Steglitz, em 6 de junho de 1951, e o filme que ganhou o Urso de Ouro naquele ano foi ‘Cinderela’ (1950), da Disney. Enquanto o festival existiu durante a Guerra Fria, uma seleção de longas e curtas eram também exibidos, mas de forma exclusiva, na Berlim Oriental. O festival ganhou o mundo e se tornou um dos eventos mais potentes da área.
Desde 2000 o palco central de exibições e recepção de convidados é o Theatre am Potsdamer Platz, conhecido como ‘Berlinale Palast’. A produtora de cinema Mariette Rissenbeek ocupa o cargo de diretora executiva do festival desde 2019, ao lado do diretor artístico Carlo Chatrian – ela é a primeira mulher a liderar a Berlinale.
Durante a pandemia da Covid-19, houve duas edições encurtadas do festival, nos anos de 2021 e 2022, só se restabelecendo a partir de 2023 – fato que ocorreu na maioria dos festivais de cinema ao redor do mundo. As edições de 2023, 2024 e 2025 reuniram o maior número de filmes inscritos, o maior de exibições públicas e o maior público, demonstrando a força dos festivais de cinema.
 

O Brasil no Berlinale
 
O Brasil já ganhou prêmios em Berlim, além de inúmeras obras indicadas e outras tantas exibidas nas seções especiais do festival. O primeiro Urso de Ouro veio em 1998, com ‘Central do Brasil’, de Walter Salles, que levou ainda os prêmios de melhor atriz (Urso de Prata para Fernanda Montenegro, que naquele ano seria indicada ao Oscar) e o prêmio do júri ecumênico. Dez anos depois, em 2008, ‘Tropa de Elite’ (2007), de José Padilha, envolvido em uma série de polêmicas e dividindo a opinião do júri, recebeu o Urso de Ouro, sendo assim o segundo Urso do Brasil.
Já o Urso de Prata foi entregue em três momentos – em 1986, quando a atriz Marcélia Cartaxo o ganhou por ‘A hora da estrela’, de Suzana Amaral; em 1987 quando Ana Beatriz Nogueira levou pelo filme ‘Vera’, de Sergio Toledo; e em 1998 com Fernanda Montenegro por ‘Central do Brasil’.
Brasil também recebeu quatro estatuetas na categoria ‘Grand Prix’: em 1964 por ‘Os fuzis’, de Ruy Guerra; em 1969 por ‘Brasil Ano 2000’, de Walter Lima Jr; em 1978 por ‘A queda’, de Ruy Guerra e Nelson Xavier; e em 2025 por ‘O último azul’, de Gabriel Mascaro.
Da primeira edição até a de 2025 o país concorreu 31 vezes ao Urso de Ouro, com filmes de repercussão lá fora, como ‘Sinhá Moça’, ‘O padre e a moça’, ‘Toda nudez será castigada’, ‘Pra frente Brasil’, ‘O que é isso, companheiro?’ e ‘O ano em que meus pais saíram de férias’.
 

Nos próximos dias mais textos sobre a Berlinale.


Créditos das fotos - Berlinale (site e assessoria, em https://www.berlinale.de/en/home.html)

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Especial de cinema

 
Globo de Ouro é anunciado, com ‘O agente secreto’ indicado a três prêmios
 
A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood anunciou, na manhã de ontem, os indicados ao Globo de Ouro 2026, premiação que é um dos termômetros para o Oscar. A 83ª edição da premiação será realizada no dia 11 de janeiro de 2026, no hotel Beverly Hilton, em Los Angeles, novamente com apresentação da comediante Nikki Glaser. O filme brasileiro ‘O agente secreto’ recebeu três indicações, como melhor filme de drama, melhor filme de língua não-inglesa e melhor ator de drama para Wagner Moura. O filme ‘Uma batalha após a outra’ lidera com nove categorias seguido de ‘Valor sentimental’, que contabiliza oito. Já as séries ‘The White Lotus’ e ‘Adolescência’ foram as mais nomeadas, respectivamente com seis e cinco categorias. A novidade do próximo Globo de Ouro é a criação de uma nova categoria, de Melhor Podcast, criado para refletir a influência desse formato na indústria do entretenimento. Confira abaixo a lista completa de indicados ao Globo de Ouro 2026:
 



Cinema
 
Melhor Filme de Drama
 
"Frankestein"
"Hamnet – A Vida Antes de Hamlet"
"Foi Apenas um Acidente"
"O Agente Secreto"
"Valor Sentimental"
"Pecadores"
 
Melhor Filme de Comédia ou Musical
 
"Blue Moon"
"Bugonia"
"Marty Supreme"
"No Other Choice"
"Nouvelle Vague"
"Uma Batalha Após a Outra"
 
Melhor Direção
 
Paul Thomas Anderson - "Uma Batalha Após a Outra"
Ryan Coogler - "Pecadores"
Guillermo del Toro - "Frankenstein"
Jafar Panahi - "Foi Apenas um Acidente"
Joachim Trier - "Valor Sentimental"
Chloé Zhao - "Hamnet – A Vida Antes de Hamlet"
 
Melhor Ator em Filme de Drama
 
Joel Edgerton - "Sonhos de Trem"
Oscar Isaac - "Frankenstein"
Dwayne Johnson - "Coração de Lutador: The Smashing Machine"
Michael B. Jordan - "Pecadores"
Wagner Moura - "O Agente Secreto"
Jeremy Allen White - "Springsteen: Salve-me do Desconhecido"
 
Melhor Atriz em Filme de Drama
 
Jessie Buckley - "Hamnet – A Vida Antes de Hamlet "
Jennifer Lawrence - "Morra, Amor"
Renate Reinsve - "Valor Sentimental"
Julia Roberts - "Depois da Caçada"
Tessa Thompson - "Hedda"
Eva Victor - "Sorry, Baby"
 
Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical
 
Timothée Chalamet - "Marty Supreme"
George Clooney - "Jay Kelly"
Leonardo DiCaprio - "Uma Batalha Após a Outra"
Ethan Hawke - "Blue Moon"
Lee Byung-Hun - "No Other Choice"
Jesse Plemons - "Bugonia"
 
Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical
 
Rose Byrne - "Se Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria"
Cynthia Erivo - "Wicked: Parte 2"
Kate Hudson - "Song Sung Blue: Um Sonho a Dois"
Chase Infiniti - "Uma Batalha Após a Outra"
Amanda Seyfried - "O Testamento de Ann Lee"
Emma Stone - "Bugonia"
 
Melhor Ator Coadjuvante
 
Benicio del Toro - "Uma Batalha Após a Outra"
Jacob Elordi - "Frankenstein"
Paul Mescal - "Hamnet – A Vida Antes de Hamlet "
Sean Penn - "Uma Batalha Após a Outra"
Adam Sandler - "Jay Kelly"
Stellan Skarsgård - "Valor Sentimental"
 



Melhor Atriz Coadjuvante
 
Teyana Taylor - "Uma Batalha Após a Outra"
Emily Blunt - "Coração de Lutador: The Smashing Machine"
Elle Fanning - "Valor Sentimental"
Ariana Grande - "Wicked: Parte 2"
Inga Ibsdotter Lilleass - "Valor Sentimental"
Amy Madigan - "A Hora do Mal"
 
Melhor Roteiro
 
"Uma Batalha Após a Outra"
"Marty Supreme"
"Pecadores"
"Foi Apenas um Acidente"
"Valor Sentimental"
"Hamnet – A Vida Antes de Hamlet"
 
Melhor Trilha Sonora
 
"Frankenstein"
"Pecadores"
"Uma Batalha Após a Outra"
"Sirât"
"Hamnet – A Vida Antes de Hamlet "
"F1: O Filme"
 
Melhor Canção Original
 
"Dream as One" - "Avatar: Fogo e Cinzas"
"Golden" - "Guerreiras do K-pop"
"I Lied To You" - "Pecadores"
"No Place Like Home" - "Wicked: Parte 2"
"The Girl In The Bubble" - "Wicked: Parte 2"
"Sonhos de Trem" - "Sonhos de Trem"
 
Melhor Filme de Língua Não-Inglesa
 
"Foi Apenas Um Acidente"
"No Other Choice"
"O Agente Secreto"
"Valor Sentimental"
"Sirât"
"A Voz de Hind Rajab"
 
Melhor Filme de Animação
 
"Arco"
"Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito"
"Elio"
"Guerreiras do K-pop"
"A Pequena Amélie"
"Zootopia 2"
 
Maior Evento Cinematográfico do Ano
 
"Avatar: Fogo e Cinzas"
"F1: O Filme"
"Guerreiros do K-pop"
"Missão: Impossível - O Acerto Final"
"Pecadores"
"A Hora do Mal"
"Wicked: Parte 2"
"Zootopia 2"


 
TV
 
Melhor Série de Drama
 
"A Diplomata"
"The Pitt"
"Pluribus"
"Ruptura"
"Slow Horses"
"The White Lotus"
 
Melhor Ator de Drama em Série de TV
 
Sterling K. Brown - "Paradise"
Diego Luna - "Andor"
Gary Oldman - "Slow Horses"
Mark Ruffalo - "Task"
Adam Scott - "Ruptura"
Noah Wyle - "The Pitt"
 
Melhor Atriz de Drama em Série de TV
 
Kathy Bates - "Matlock"
Britt Lower - "Ruptura"
Helen Mirren - "Terra da Máfia"
Bella Ramsey - "The Last of Us"
Keri Russell - "A Diplomata"
Rhea Seehorn - "Pluribus"
 
Melhor Série de Comédia
 
"Abbott Elementary"
"O Urso"
"Hacks"
"Ninguém Quer"
"Only Murders in the Building"
"O Estúdio"
 
Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical
 
Adam Brody - "Ninguém Quer"
Steve Martin - "Only Murders in the Building"
Glen Powell - "Chad Powers"
Seth Rogen - "O Estúdio"
Martin Short - "Only Murders in the Building"
Jeremy Allen White - "O Urso"
 
Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical
 
Kristen Bell - "Ninguém Quer"
Ayo Edebiri - "O Urso"
Selena Gomez - "Only Murders in the Building"
Natasha Lyonne - "Poker Face"
Jenna Ortega - "Wandinha"
Jean Smart - "Hacks"
 
Melhor Filme para TV ou Série Limitada
 
"Adolescência"
"All Her Fault"
"O Monstro em Mim"
"Black Mirror"
"Morrendo por Sexo"
"A Namorada"
 
Melhor Ator de Filme para TV ou Série Limitada
 
Jacob Elordi - "O Caminho Estreito para os Confins do Norte"
Paul Giamatti - "Black Mirror"
Stephen Graham - "Adolescência"
Charlie Hunnam - "Monster: A História de Ed Gein"
Jude Law - "Black Rabbit"
Matthew Rhys - "O Monstro em Mim"
 
Melhor Atriz de Filme para TV ou Série Limitada
 
Michelle Williams - "Morrendo por Sexo"
Claire Danes - "O Monstro em Mim"
Rashida Jones - "Black Mirror"
Amanda Seyfried - "Long Bright River"
Sarah Snook - "All Her Fault"
Robin Wright - "A Namorada Ideal"
 
Melhor Ator Coadjuvante - TV
 
Owen Cooper - "Adolescência"
Billy Crudup - "The Morning Show"
Walton Goggins - "The White Lotus"
Josan Isaac - "The White Lotus"
Tramell Tillman - "Ruptura"
Ashley Walters - "Adolescência"
 
Melhor Atriz Coadjuvante - TV
 
Carrie Coon - "The White Lotus"
Erin Doherty - "Adolescência"
Hannah Einbinder - "Hacks"
Catherine O'Hara - "O Estúdio"
Parker Posey - "The White Lotus"
Aimee Lou Wood - "The White Lotus"
 
Melhor Performance em Comédia Stand-Up para TV
 
Bill Maher - "Bill Maher: Alguém Mais Está Vendo Isso??"
Brett Goldstein: "The Second Best Night Of Your Life"
Kevin Hart: "Acting My Age"
Kumail Nanjiani: "Night Thoughts"
Ricky Gervais: "Mortality"
Sarah Silverman: "Postmortem"
 
Melhor Podcast
 
Armchair Expert With Dax Shepard
Call Her Daddy
Good Hang With Amy Poehler
The Mel Robbins Podcast
Smartless
Up First

domingo, 7 de dezembro de 2025

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming - Parte 1

 
 
Cyclone
 
Diretora e roteirista de ‘Deslembro’ (2018), Flávia Castro lançou nesse ano dois longas, ‘As vitrines’, que está percorrendo festivais e ainda não estreou nas salas, e ‘Cyclone’, que acaba de chegar aos cinemas brasileiros. Inspirado em história verídica, o filme é uma reimaginação em torno de uma mulher à frente de seu tempo que esteve ligada ao movimento modernista do Brasil da virada da década de 10 para a 20. O contexto é uma São Paulo no auge da industrialização, e a tal personagem é uma jovem operária e escritora nata que tenta galgar no universo das artes. Ela é Dayse Castro, a Cyclone, que ganha uma bolsa para estudar teatro em Paris, a cidade que emergia no cenário cultural da época, porém que encontrará uma série de obstáculos pessoais e profissionais para entrar no disputado mundo da literatura e das artes cênicas, dominado pelos homens. A atriz Luiza Mariani, que interpretou Cyclone no teatro e aqui assina como uma das produtoras e auxiliou no roteiro, até que se esforça e entrega um papel decente, só que para um filme que infelizmente não causa emoção e fica estacionado. Um roteiro que falta clímax e ânimo. A escolha da composição das cores do filme é outro erro, com uma palheta desbotada, luzes estouradas e que de repente assume um ar punk e contemporâneo demais. Há uma mistura de linguagens que me incomoda, com teatro filmado, declamações, cinema, um tempo histórico que vai para a década de 10 e ao mesmo tempo vira algo moderno, ou seja, uma anarquia cinematográfica ruim. A obra é inspirada em Maria de Lourdes Castro Pontes (1900-1919), chamada de Miss Cyclone pelos pensadores modernistas paulistas, uma mulher operária que escrevia postais poéticos e cartas e que subitamente faleceu aos 19 anos, sem deixar obras publicadas nem reconhecimento – o nome dela seria estudado décadas após sua morte. Exibido no Festival do Rio e na Mostra de Cinema de SP, tem no elenco Eduardo Moscovis, Karine Teles, Luciana Paes, Magali Biff e Ricardo Teodoro. Produção da Mar Filmes e Muiraquitã Filmes, em coprodução com a VideoFilmes e com a Claro, conta com a distribuição da Bretz Films. Esforcei-me para ter gostado, mas o filme não decolou para mim.
 

 
One to One: John & Yoko
 
Documentário britânico original e com trechos inéditos e reveladores, exibido nos festivais de Veneza, Telluride e BFI London, e no Brasil no In-edit e Festival do Rio desse ano. A obra tem sentido pela assinatura do diretor, o britânico Kevin Macdonald, que dedicou a maior parte da vida em filmes ficcionais inspirados em fatos reais, como ‘O último rei da Escócia’ e ‘O mauritano’, e ultimamente se volta ao cinema que o lançou no início dos anos 90, o documentário – ele já biografou para o cinema e a TV uma dezena de personalidades, dentre eles os músicos Bob Marley, Whitney Houston e Mick Jagger e os diretores de cinema Howard Hawks e Errol Morris. Agora ele explora a relação pessoal e profissional de John Lennon e Yoko Ono, recortando um período específico, entre 1971 e 1972, após o fim dos Beatles e a mudança do casal de Londres para Nova York. É uma época de agitação popular, uma quase convulsão nas ruas com a contracultura e as manifestações pedindo o fim da Guerra do Vietnã, momento histórico que influenciar várias músicas de Lennon e Yoko. Foi em Nova York que o casal lançou um novo tipo de música, que marcaria a carreira de ambos e seria influência para outros. As canções falavam do amor dos dois, do ativismo social focado na paz do mundo, na liberdade sexual e na emancipação da mulher, além das mensagens contra a Guerra do Vietnã. Eles produziram um show memorável, ‘One to One Concert’, único realizado por Lennon após os Beatles com duas apresentações – uma diurna outra noturna, em que trajando jaqueta verde do exército cantou ‘Instant karma’, ‘Power to the people’ – que viraria símbolo da luta nas ruas, ‘Mother’, ‘Come together’ – que era dos Beatles, e as emblemáticas ‘Give peace a chance’ e ‘Imagine’. Ele e Yoko cantaram ao lado de amigos, como Stevie Wonder, no Madison Square Garden, para 40 mil pessoas, em 30 de agosto de 1972. O show se tornou beneficente com o montante de dinheiro doado para crianças com deficiência da instituição Willowbrook State School. No filme as imagens do show foram restauradas, e o doc é todo em cima de entrevistas e reportagens da época, sem nada de gravação atual. Dois antes do show Lennon e Yoko lançaram um álbum histórico juntos, que utilizaram como base para o concerto ‘One to One’, ‘Some time in New York City’. Ao longo do filme imagens históricas raras compõe a crítica embutida no documentário - dos protestos contra a Guerra do Vietnã pelas ruas de Nova York, a prisão de Lennon e Yoko por porte de maconha, a luta racial, a repressão policial e a polarização política. Um ótimo documentário para ser visto e revisitado.


 
Nos seus sonhos
 
Daquelas animações que emocionam e ao mesmo tempo divertem, o novo filme da Netflix é assinado por dois ex-Disney, Erik Benson e Alexander Woo, à frente de um dos primeiros longas do novo estúdio da produtora especializado em obras para crianças, a Netflix Animation. Com vozes de Craig Robinson, Cristin Milioti e Omid Djalili, o filme acaba de ser indicado ao Critics Choice na categoria de melhor animação e deve ser finalista ao Oscar do ano que vem. É uma aventura repleta de significados, dentro dos sonhos de criança. Stevie e o irmão Elliot são absorvidos para seus próprios sonhos com um propósito: encontrar-se com uma figura mítica que lembra o Papai Noel, chamado Sr. Sandman, um idoso de areia com longas barbas brancas, que vive num enorme castelo iluminado por uma forte luz brilhante. As crianças buscam uma família perfeita, já que a deles enfrenta problemas de relacionamento. Misturando uma estética de cores vibrantes com tons pasteis e minimalismo, a animação deverá agradar crianças, jovens e adultos – eu me joguei de cabeça torcendo pelos irmãos e refletindo a mensagem humana por trás daquela aventura mirim. A Netflix erra muito em filmes para adultos, mas acerta quase sempre nas animações infantis, e este é um bom exemplo.
 

 
A garota artificial
 
Fita de drama, suspense e ficção científica que tenta abrir uma discussão sobre Inteligência Artificial, assunto em voga na mídia e no cinema, só que nada segue conforme o anunciado, tornando-se um filme patético e desajustado. Dirigido e protagonizado por Franklin Ritch, o longa acompanha uma IA de nome Cherry, cuja forma é de uma garota bem jovenzinha, criação de um rapaz que se intitula ‘vigilante da internet’. Ela foi criada para rastrear pedófilos. Só que Cherry foge do controle assumindo poder próprio, que desafiará a polícia e o próprio criador. A metade inicial do filme se passa numa sala de interrogatório com o vigilante e os investigadores policiais, com cenas de puro diálogo, arrastado e de uma paradeira sem fim; a segunda metade traz Cherry e os objetivos da menina que criará uma série de desafios para os personagens, incluindo uma sequência final que poderia ter sido reavaliada pelos produtores/roteiristas. Filme que fica no limbo, que mais promete do que cumpre. Disponível exclusivamente na plataforma Filmelier+.



terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Estreias da semana – No streaming

 
Balada de um jogador
 
O grande lance do novo filme do diretor dos premiados no Oscar ‘Nada de novo no front’ (2022) e ‘Conclave’ (2024), o alemão Edward Berger, está na execução técnica – a edição é poderosa, a direção de arte e a fotografia, um primor, de tirar o chapéu. O roteiro, nem tanto assim, já que se repete em idas e vindas e desastres pelo caminho ao acompanhar três dias na vida de um azarado jogador viciado em cassinos, Lord Doyle (Colin Farrell). Ele está hospedado num luxuosíssimo quarto de hotel em Macau, cercado por vinhos caros e dinheiro espalhado pelo chão. Ele acorda depois de uma bebedeira, após também perder muita grana em jogos. Não paga a conta da hospedagem há dias, valor que beira 400 mil dólares, e não abre mão dos bons champanhes, caviar e lagosta. Um aviso chega debaixo da porta, informando que ele tem três dias para quitar aquela dívida do hotel, senão a polícia será acionada. Doyle então corre contra o tempo para jogar mais e tentar ganhar uma bolada nos cassinos da região. Ele mal dorme, acorda agoniado, sofre de taquicardia, até que uma mulher misteriosa, Blithe (Tilda Swinton – naqueles seus papeis excêntricos), ‘joga’ uma bomba em seu colo – ela traz uma proposta a Doyle para resolver algo mal esclarecido do seu passado, quando ele se envolveu num roubo milionário no Reino Unido. Com dívida do hotel e mais essa do roubo, Doyle se vê diante do abismo, tentando escapar da polícia e contando as horas para recuperar o dinheiro perdido. O público não gostou deste filme agitado e de pura correria, que mistura comédia nonsense com ação e suspense, mas confesso que me conquistou – o filme se passa numa Macau eletrizante, com cores que fervem na tela, com direção de arte e fotografia estonteantes, como mencionei. Não fica claro se o protagonista está num sonho ou se tudo é real, e esta dúvida fica ainda mais na cabeça da metade para o final. É sim uma alegoria que parece fantasia, um pesadelo na mente do personagem aloprado e mal resolvido, como se aqueles fossem as últimas horas de sua existência. O filme se passa no feriado do Dia dos Fantasmas Famintos, uma celebração milenar chinesa com rituais de oferendas para os espíritos – os últimos dias do personagem num feriado dos mortos remetem a um ‘À sombra do vulcão’ mais moderno. Exibido nos festivais de Toronto, de San Sebastián e no do Rio, é baseado no romance de 2014 do escritor britânico Lawrence Osborne ‘Balada de um pequeno jogador’.
 

 
Steve
 
O recém-ganhador do Oscar Cillian Murphy, por ‘Oppenheimer’ (2023), estrela a nova produção da Netflix, um drama de ambiente escolar, e cada minuto dele em cena é de alto brilhantismo. Ele dosa muito bem momentos que exigem temperamento explosivo a outros com mais racionalidade e pé no chão. Murphy interpreta um diretor de um reformatório que luta para que uma mudança no regime escolar não feche sua instituição. O lugar abriga estudantes agressivos, marginalizados pela sociedade e apartados da família, vários com crises de saúde mental. O tempo de duração do filme é de um dia inteiro na escola, com entra e sai de funcionários, discórdia entre eles e entre os alunos, frustrações com a reforma do ensino. Quem acompanha aquela rotina é uma equipe de filmagem que visitou o espaço para entrevistar o diretor, a equipe pedagógica e os estudantes sobre o possível fechamento da escola – eles gravam desabafos principalmente dos alunos sobre a relação entre os colegas e sobre seus problemas pessoais. O filme, portanto, é um apanhado dessas gravações, que se assemelham a um documentário, e o ponto de vista dos personagens naquele dia difícil. Os papeis femininos são um estrondo, com grande momento em cena de Tracey Ullman e Emily Watson – que possivelmente devem concorrer a prêmios na temporada do próximo ano. A câmera na mão e longos planos sequenciais são os desafios técnicos deste filme surpreendentemente positivo, porém amargo. Exibido no festival de Toronto, é baseado no livro do escritor Max Porter, que ele mesmo adaptou para as telas. O diretor, Tim Mielants, havia trabalhado com Cillian Murphy e Emily Watson num longa anterior, o complexo drama ‘Pequenas coisas como estas’ (2024).
 

 
Inverno em Sokcho
 
Produção original da Mubi, o streaming queridinho dos cinéfilos, o filme da Coreia do Sul e da França exibido nos festivais de Toronto e San Sebastián acaba de estrear no streaming da Mubi Brasil. É um drama romântico cult, sobre uma jovem, de nome Soo-Ha, que trabalha em uma pousada na cidade costeira sul-coreana de Sokcho, coberta de neve. O inverno chegou pesado na região, portanto poucas pessoas saem pelas ruas. A moça vive entre a peixaria da mãe e a casa do namorado, até que a chegada de um artista francês a leva a questionar sua identidade. Os dias de inverno são longos, assim como as conversas entre Soo-Ha e o artista – eles percorrem pela cidade branca estabelecendo uma ligação por meio da arte e da comida. De condução tácita, a história sensível de uma nova amizade e choque cultural ganha novos contornos nesse filme de arte típico dos lançamentos da Mubi – os dois atores centrais estão bem, são eles a sul-coreana Bella Kim e o proeminente ator francês de origem marroquina Roschdy Zem, que já fez inúmeros trabalhos conhecidos do público, como ‘Chocolate’ (2016). A fotografia fria da neve na real cidade de Sokcho é um deleite para os olhos.



domingo, 30 de novembro de 2025

Especial de cinema

 
10ª Mostra de Cinema Chinês termina hoje com nove filmes online gratuitos
 
Realizado pelo Instituto Confúcio da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pelo Centro Cultural São Paulo (CCSP), a ‘10ª Mostra de Cinema Chinês’ chega a sua edição online e gratuita, disponível para o público até hoje, dia 30/11. A edição comemorativa de 10 anos pode ser acessada pelas plataformas SP Cine Play e iQIYI (streaming chinês) e conta com curadoria de Lilith Li e Wang Xiangyi. São nove títulos, de filmes de 2023 a 2025, 3xibidos em festivais como Veneza, Toronto e Shangai. Com o tema ‘Uma janela para a China’, a mostra de 2025 fortalece nova parceria entre Brasil e China. Como nas edições anteriores, a modalidade online da mostra é feita um mês após a presencial – que este ano foi realizada de 09 a 19 de outubro, no CCSP. São ao todo nove filmes exclusivos exibidos online nas plataformas SpCine Play e iQIYI:
 
雪豹 - Leopardo das neves (2023)
乘船而去 - Deixe o barco partir (2023)
热搜 - Trending topic (2023)
看不见的顶峰 - O monte invisível (2023)
出走的决心 - A estrada de Li Hong (2024)
 小小的我 - O meu pequeno eu (2024)
我才不要和你做朋友呢 - Eu e minha mãe adolescente (2024)
· - Impacto (2025)
说话的爱 - O amor de Mu Mu (2025) 

Acesse a mostra pelo site https://mostracinema.institutoconfucio.com.br/
 
Confira abaixo dois filmes assistidos que eu recomendo:
 
O monte invisível
(2023, de Lixin Fan)
 
Documentário de destaque na programação da 10ª Mostra de Cinema Chinês realizada este ano, o filme reconstitui a jornada de um alpinista cego chamado Zhang Hong que se tornou o primeiro asiático a escalar o pico mais alto do mundo, o Everest – situado no Himalaia, na Ásia, com sua imponente altitude de 8.848 metros. A caso ocorreu em 2021, no auge da pandemia da covid. Com narrativa de documentário, mas que lembra cinema ficcional, o filme mostra com detalhes os treinamentos de Hong em academias especializadas com seus guias, os testes de altura, até chegar aos dias cruciais da escalada, em que fez pelo lado do Nepal. Hong, hoje um massagista de 50 anos, perdeu a visão quando jovem por causa de um glaucoma e sempre teve o sonho de atingir o ponto mais extremo do Everest, uma montanha congelada e perigosa. A busca desafiadora de seu sonho envolveu outros obstáculos, como a dificuldade financeira, a falta de apoio da família e as limitações físicas – a esposa foi uma das poucas pessoas a apoiá-lo naquela jornada também espiritual, o que o motivou a seguir em frente. É um filme tocante sobre resiliência e desafios extremos, narrado por várias vozes – tem o ponto de vista do personagem, o dos amigos e guias e reportagens de TV que viraram registro preciso da época, que mostram a preparação e depois a conquista de Hong.
 


 
Leopardo das neves
(2023, de Pema Tseden)
 
Último trabalho do diretor, roteirista e produtor tibetano Pema Tseden (1969-2023), de ‘As pedras sagradas silenciosas’ (2005), que faleceu repentinamente aos 53 anos, vítima de infarto. Um filmaço inspirado em caso real que movimentou a mídia chinesa em 2016. No Tibet, região autônoma da China localizada no norte do Himalaia, que reúne templos budistas, uma equipe de cinegrafistas viaja de carro por longas estradas congeladas. Eles procuram imagens de um animal raro, o leopardo das neves, felino que por décadas ficou em extinção, cujo habitat é o pico das montanhas geladas da Ásia. Eles instalam câmeras em pontos diferentes para o registro, até que são chamados para um caso policial ali próximo, que vem gerando discórdia num vilarejo: o aprisionamento de um leopardo das neves por uma família de pastores tibetanos que perdeu suas ovelhas. Os animais foram caçados e mortos pelo felino, então o chefe da família, um homem bruto e arredio, conseguiu prender o bicho e cercá-lo num cativeiro de pedras. A polícia ambiental, a guarda e alguns moradores revoltados tentam uma negociação com o pastor de ovelhas, e a equipe de filmagem resolve trabalhar no delicado caso. Com lindas paisagens do altiplano tibetano e de imagens reais do leopardo das neves, o drama discute a relação do humano com a natureza, algo sagrado para os tibetanos, assim como a complexa vida em sociedade num local marcado por regras rígidas e tradições milenares. A câmera na mão acompanha em primeira pessoa todas as situações da história. Paralelo a isto há uma subtrama essencial, que dá ao filme um tom sobrenatural/místico, de um monge daquele grupo que recorda um passado inusitado, quando domesticou um leopardo das neves chegando a cavalgá-lo em suas costas, voando pelas montanhas. Premiado em mais de 10 festivais e exibido nos festivais de Veneza, Toronto, Varsóvia e Tóquio, é um filme de pura apreciação artística e com discussões relevantes.



Resenhas especiais


Especial ‘Cinema folk horror’
 

Um clássico filme de terror
 
Em viagem, um grupo de jovens se perde em uma estrada abandonada. Ela fica ao lado de uma vasta floresta no sul da Itália. Os amigos acabam sequestrados por membros de uma estranha seita. Eles passam por torturas e tentam fugir do local onde estão aprisionados, num casarão antigo.
 
Fita italiana independente, lançada pela Netflix na pandemia, em 2021, com roteiro inspirado em antigos filmes de folk horror – por isso o título do longa. O terror folclórico envolve uma seita de pessoas que se vestem com túnicas vermelhas com capuz e máscaras de madeira com traços monstruosos. Eles sequestram os personagens centrais da história e os aprisionam numa velha casa na floresta. No porão, os membros daquela comunidade torturam as vítimas com instrumentos da época da Inquisição, tipo a Dama de Ferro, e arrancam os olhos dos coitados para concluir seus rituais pagãos, de sacrifício humano. Os que sobrevivem tentam escapar daquele inferno. Traz características do terror slasher, já que a seita tem assassinos perversos, que matam de maneira sanguinária, e momentos que remetem ao maior folk horror do cinema, ‘O homem de palha’ (1973). A fotografia escura da casa antiga – o filme se passa inteiramente lá, dá o tom de medo e aprisionamento. Com um estilo de gravação de filme antigo, envelhecido, como em películas em 16 e 35mm, o filme foi exibido no Festival de Taormina e concorreu na categoria de melhor efeitos visuais no David di Donatello, o Oscar italiano. A protagonista é a atriz Matilda Lutz, de ‘Vingança’ (2017) e ‘Camaleões’ (2023).



Para quem gosta de trilhas sonoras em filmes, como eu, repare na famosa música italiana ‘Il cielo in una stanza’, na voz de Gino Paoli, cantada nos anos 50, que abre e fecha o longa – uma canção melancólica, triste e que combina com o enredo. Disponível na Netflix.
 
Um clássico filme de terror (A classic horror story). Itália, 2021, 95 minutos. Terror. Colorido. Dirigido por Roberto De Feo e Paolo Strippoli. Distribuição: Netflix
 
 
Fréwaka
 
Shoo (Clare Monnelly) trabalha como cuidadora de idosos. Ela aceita um serviço longe de sua cidade e viaja até uma remota vila para cuidar de uma idosa com agorafobia, Peig (Bríd Ní Neachtain). A senhora conta para Shoo que está aprisionada na casa por espíritos que a raptaram. A jovem acredita que aquilo seja apenas superstição, já que Peig é idosa e está doente, no entanto estranhos acontecimentos a deixarão perplexa, colocando suas crenças em jogo.
 
Gosto de filmes de terror sem ter violência explícita ou monstros e fantasmas. O subentendido causa mais medo e angústia, como acontece neste folk horror irlandês pouco conhecido do público, exibido nos festivais de Locarno e Chicago e premiado em Sitges, festival de cinema espanhol especializado em terror, realizado na cidade costeira de Sitges. Na história, realidade e paranoia se confundem na rotina de trabalho de uma jovem cuidadora de idosos em uma cidadezinha remota. Ao se aproximar de sua paciente, uma idosa solitária, temida pelos vizinhos por acharem que ela endoidou de vez, a jovem começa a duvidar da própria sanidade. Teriam, de verdade, espíritos malignos raptados aquela mulher, como a senhorinha diz? No filme, as ameaças são nos detalhes, com vultos e urros estranhos, que provocam um ou outro jumpscare – até a descoberta de um sinistro porão na casa, onde se faz bruxarias. Aquilo se transforma num jogo mental – a apreensão da protagonista a faz revisitar o passado marcado por um suicídio e outros traumas, colaborando para o tormento dela. O folk horror aos poucos se revela, com símbolos sagrados e uma seita naquela comunidade rural na Irlanda.



Produção original da Shudder, streaming norte-americano especialista em terror e fantasia, está disponível no streaming Reserva Imovision – aliás, a Imovision é responsável por lançar vários títulos da Shudder no Brasil, já que não existe o streaming original deles disponível por aqui, como ‘Mad god’ (2021), ‘A tristeza’ (2021), ‘Deadstream’ (2022), a primeira versão de ‘Não fale o mal’ (2022) e a série ‘The Creep tapes’ (2024). OBS - Fréwaka é um termo irlandês que significa ‘raízes’, no sentido de conexão e ancestralidade.
 
Fréwaka (Idem). Irlanda, 2024, 103 minutos. Terror. Colorido. Dirigido por Aislinn Clarke. Distribuição: Imovision

Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 1

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