terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Resenha Especial


“Os olhos da cidade são meus”: horror, alienação e metalinguagem na obra máxima de Bigas Luna



Num velho casarão, mãe e filho moram no meio de pombos e caramujos de estimação. A senhorinha, idosa e rouca, faz tricô e superprotege John, seu único filho. Ele é um cinquentão solteiro, que trabalha em um hospital como assistente de oftalmologista. Auxilia os pacientes nos exames de vista e coloca lentes de contato. Certa vez, é humilhado por uma paciente; a mãe dele (que não tem nome no filme), lá de casa, consegue ouvir a conversa por telepatia e espera ansiosa o filho chegar em casa. Quando John entra pela sala, ela faz uma sessão de hipnose, uma forma de se vingar daquela mulher que gritou com ele. John é induzido a matá-la e trazer consigo os olhos da vítima. Na hipnose, a mãe repete breves frases como mantras: “Siga a luz”, “Sinta! Isso o fará forte”, “Sinta sua força e seu poder”. John, de olho fechado, cai para dentro de si. As imagens na tela ficam cíclicas, com pêndulos num fundo preto, os sons são de batidas como um coração pulsando lentamente, aparecem formas giratórias como vindas da Op Art. Os caramujos sobem nos pombos, a mãe grita, o filho entra em transe girando numa espiral preto-e-branca (uma clara analogia/homenagem a “Um corpo que cai”, de Alfred Hitchcock, em que James Stewart, que sofria de acrofobia, rodava em uma onda circular e labiríntica). Hipnose realizada, o filho sai pelas ruas para caçar os olhos da mulher. Enquanto isso, a mãe, em sua cadeira de balanço, o controla por telepatia - as vozes vão e voltam na cabeça de John como um eterno eco.
Transcorridos 22 minutos de filme, um outro filme se revela: descobrimos que tudo aquilo não passava de uma sessão de cinema, de um filme intitulado “A mamãe”. Duas meninas assistem àquele suspense de uma mãe que controla o filho por telepatia e o hipnotiza a matar pessoas. Patty (Talia Paul) esquiva o olhar no momento em que vê na telona John arrancar o olho da primeira vítima, aquela mulher que o humilhou. Pessoas sentadas na poltrona daquele antigo cinema de rua olham para baixo, com a cara de estranhamento diante de tamanha violência. John extirpa o olho sem dó após rasgar a garganta da pobre mulher com um bisturi. Patty coça os olhos, a lente que usa está ressecada, então a retira e reclama com a amiga, Linda (Clara Pastor) – diferente de Patty, Linda está concentrada ao filme com um saco de pipoca no colo. De volta para o ecrã, mãe e filho fazem nova sessão de hipnose, após ela contar que John foi demitido do hospital. Ela quer que seu menino arranque os olhos de todos, e diz, convicta, que os olhos da cidade serão seus. John sai à noite a pé e entra numa sessão de cinema, para assistir ao clássico filme de ficção científica “O mundo perdido” (1925). Senta-se numa poltrona estratégica, de onde vê grande parte do público, numa sala onde há poucos espectadores. Carrega consigo ferramentas, como uma chave de fenda, e o inseparável bisturi. John, em silêncio, passa a atacar um a um dentro do cinema, no escurinho da sessão. A partir desse ponto, os dois filmes se misturam. Ficção e realidade tornam-se um amálgama. John ataca as vítimas no cinema, levando os olhos para sua coleção, e as duas garotas que assistem ao filme de John se deparam com um verdadeiro assassino na sala onde estão. O assassino é um atirador perturbado que porta um revólver com silenciador. Olha o relógio e sai matando; inicialmente as vítimas estão no banheiro, depois foca nas garotas da bomboniere, até que planeja um atentado dentro da sessão. Enquanto isso, Patty passa a escutar vozes que se fixam em sua mente, delirando, e para ela, mais que qualquer outro ali, realidade e ficção se transformam num tormento.
Essa é a obra máxima de torpor, alienação e fúria do diretor catalão Bigas Lunas (1946-2013), também roteirista do filme ao lado de Michael Berlin, conhecido por séries como “MacGyver - Profissão perigo” (1985-1992) e “The exile” (1991).




Rodado em Barcelona e Madri, na Espanha, foi seu primeiro (e um dos poucos) filme falado em inglês, contando com um elenco de primeira linha, que fazem uma entrega excepcional.  Zelda Rubinstein, a médium Tangina no filme “Poltergeist: O fenômeno” (1982) e que voltaria ao papel nas duas continuações, “Poltergeist II: O outro lado” (1986) e “Poltergeist III: O capítulo final” (1988), interpreta a mãe, uma senhora isolada num casarão que protege o filho a todo custo e o hipnotiza para cometer os assassinatos e arrancar os olhos das vítimas. Baixinha e com voz rouca, está num de seus trabalhos mais exatos (o papel originalmente seria de Bette Davis, que teve conflitos na agenda e não pode assumi-lo). Complementando a atuação dela, está Michael Lerner, falecido recentemente aos 81 anos, que foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante por “Barton Fink – Delírios de Hollywood” (1991); ele faz o assistente de oftalmologista, que sai para caçar os olhos após as sessões de hipnose da mãe controladora.
Luna já discutia obsessão e voyeurismo desde seu primeiro filme, o suspense espanhol “Bilbao” (1978). Em “Os olhos da cidade são meus” (1987) a obsessão quadruplica, fica mais evidente e agressiva, e o diretor usa, sem medo ou restrições, a extrema violência, em que coloca os personagens numa bolha de solidão que os levam à neurose. Ele volta seu olhar amargo sobre as relações humanas e principalmente sobre a dependência materna, em que mãe e filho continuam conectados (aqui por telepatia) a ponto de atingir a barbárie.
É uma obra que escancara a metalinguagem como força-motriz, que expande horizontes possíveis (e também os impossíveis) do cinema. Um filme dentro de um outro filme e que, por fim, vira um terceiro filme. Flertando com o cinema fantástico, Luna adentra mais fundo na ideia metalinguística ao recorrer ao “jogo de espelhos”, que confunde quem assiste. Realidade e ficção tornam-se algo único. As vozes na cabeça do assassino de “A mamãe” ecoam na jovem que ali vê o filme, e as mesmas vozes perturbam o matador com revolver que está à espreita no cinema. São muitas camadas e cenas poderosas de loucura e crimes, com um desfecho sugestivo.
Vejo no filme fortes laços com “O gabinete do Dr. Caligari” (1920), a obra-prima inaugural do Expressionismo Alemão, que tratava de um médico e cientista que hipnotizava um rapaz, para que ele cometesse crimes. A manipulação e a obsessão estavam lá presentes. No filme projetado na tela grande, “A mamãe”, os olhos extirpados por John carregam a nova experiência visual proposta pelo olho cortado com navalha de “Um cão andaluz” (1929, de Luis Buñuel, outro diretor espanhol): abandonar o velho olhar sobre as coisas, sobre o velho cinema, e olhar para não só para o novo, mas também para dentro. Luna inaugura, com seu filme-chave, uma nova maneira de ver o cinema de horror.
Filme de terror precisa de clima e sensações. Aqui, a angústia e o tormento (lembrando que o título original em espanhol é “Angustia”) são marcas presentes, e para tal, Luna utiliza planos fechados, capturando o olhar vidrado das personagens na sessão de cinema, assim como o do assassino que arranca olhos, ou mesmo de sua mãe trancada em casa. São ângulos sufocantes, de prisão, intercalados entre closes e primeiro planos.
Desde a abertura o filme é provocativo: antes dos créditos, vem um texto lateral com comentários narrados. Eles falam que há mensagens subliminares no filme que será assistido, e aqueles que passarem mal, devem deixar a sala. E por fim, fica o alerta: não conversem com estranhos que estejam ao lado. Baita estratégia de marketing que objetivava lançar medo e tensão no público e gerar burburinhos.
A entrada do assassino real (papel de Àngel Jové, ator espanhol que fez todos os filmes da primeira fase de Luna, entre 1978 e 1990), o matador com o silenciador, que repete, amedrontado, a palavra “Mãe!” antes de mandar bala, abria uma discussão sobre o poder das imagens do cinema na mente de indivíduos com algum grau de perturbação: teria o matador se inspirado no filme “A mamãe” para cometer os crimes dentro do cinema? Será que ele já havia visto o filme e tal impacto o levou à loucura? Há casos de assassinos que mataram dentro de um cinema e disseram ter se inspirado no filme visto. Na Califórnia, em 2008, um rapaz esfaqueou duas pessoas num cinema na exibição de “O sinal” (2007), motivado por uma cena de esfaqueamento que aparecia no filme de terror; um cidadão fantasiado de Coringa abriu fogo numa sala de cinema no Colorado, em 2012, durante a sessão da meia-noite de “Batman: O Cavaleiro das Trevas ressurge” (2012) – ele matou 12 e feriu 70; no Brasil, um caso tornou-se notório: um estudante de Medicina assassinou três e feriu quatro num cinema do bairro Morumbi, em São Paulo, em 1999 (o autor disse que a motivação foi o filme “Clube da luta”). Mais uma vez a ficção se torna realidade, e vice-versa.
“Os olhos da cidade são meus” é uma fita cult enigmática e criativa, obrigatória para os fãs do cinema de horror. Saiu em várias versões: a original de cinema, com 85 minutos (lançada pela Versátil no box “Obras-primas do Terror – Vol.14”), uma edição maior, de 95 minutos, lançada apenas na Argentina na época da estreia, e há ainda uma versão menor, com dois minutos a menos, distribuída em Portugal.

Resenha escrita especialmente para o livro "Obras-primas do Terror - Anos 80 - Filmes essenciais da coleção" - fotos abaixo, lançado pela Versátil Home Video em dezembro de 2023. Livro disponível para venda no site da Versátil, pelo link https://www.versatilhv.com.br/.../livro-obras.../5500608






segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Cine Clássico


Jogos de guerra


David (Matthew Broderick), um jovem gênio da informática, ao participar de um jogo em seu computador, acaba acessando dados secretos do Departamento de Defesa americano. O que parecia uma brincadeira divertida com uma máquina se transforma numa enorme confusão, o que coloca os Estados Unidos em estado de alerta para uma possível Terceira Guerra Mundial.

Fita de ação e aventura que ajudou a consagrar Matthew Broderick no cinema, na época com 20 anos. O ator faria filmes de destaque nos anos 80, como ‘O feitiço de Áquila’ (1985), e protagonizaria fitas teen de sucesso, dentre elas ‘Curtindo a vida adoidado’ (1986), ‘Projeto secreto – Macacos’ (1987) e ‘Metido em encrencas’ (1988).
Nessa aventura cibernética que vira thriller de espionagem, com um pé no universo scifi, o diretor britânico John Badham, de ‘Os embalos de sábado à noite’ (1977), ‘Trovão azul’ (1983), ‘Short circuit – Um robô em curto-circuito’ (1986), ‘Tocaia’ (1987), ‘A assassina’ (1993) e ‘Zona mortal’ (1994), seria um visionário ao falar sobre o controle da inteligência artificial e ao ataque hacker, temas incomuns até porque os computadores – domésticos e de empresas - só seriam expandidos 15 anos mais tarde. Aqui o pequeno gênio da informática, papel de Broderick, seria um hacker por acaso, já que invadiu o sistema de defesa do governo americano, e por pouco não iniciou uma guerra contra a extinta URSS - o contexto é datado, da Guerra Fria com a corrida armamentista e de inteligência das máquinas em disputa entre os dois blocos.
Exibido na TV várias vezes, é divertido, cheio de momentos de tensão, com Broderick em seu segundo longo – e o primeiro como protagonista, ajudado por veteranos em papéis legais, como Dabney Coleman, de ‘Como eliminar seu chefe’ (1980), Barry Corbin, de ‘Honkytonk Man - A última canção’ (1982), e John Wood, de ‘Salvem-me quem puder’ (1986). Outra iniciante era a atriz Ally Shedy, que foi promessa do cinema e fez filmes teen conhecidos do público nos anos 80, como ‘Clube dos cinco’ (1985) e ‘Cinderela às avessas’ (1987).




Com boa direção de arte e um roteiro bem movimento, dos indicados ao Oscar Lawrence Lasker e Walter F. Parkes, ‘Jogos de guerra’ recebeu três indicações ao Oscar – melhor roteiro original, fotografia e som, e ainda indicação ao Bafta de direção de arte e efeitos visuais – no Bafta ganhou de melhor som.
Em 2003 o filme saiu em DVD pela MGM, e há poucos meses ganhou uma boa cópia com extras, pelas Obras-primas do Cinema.

Jogos de guerra (WarGames). EUA, 1983, 112 minutos. Ação/Aventura. Colorido. Dirigido por John Badham. Distribuição: Obras-primas do Cinema

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Especial de cinema


Dois festivais online e gratuitos para ver em casa

Cinéfilos terão uma agenda lotada de filmes independentes, novos e clássicos, nesse e no próximo mês. São 40 longas, em exibição em dois festivais de cinema, o italiano e o chinês, ambos gratuitos e online. Confira abaixo sobre eles.


18º Festival de Cinema Italiano

De 08/11 a 09/12, a 18ª edição do Festival de Cinema Italiano exibe 32 filmes gratuitamente para o público – 16 títulos lançamento e 16 clássicos. Os filmes da seleção atual são produções de 2022 e 2023, exibidos em festivais como Berlim, Cannes, Roma e Veneza, de diretores como Pupi Avati, Gabriele Salvatores, Michele Placido e Andrea Di Stefano. Alguns de destaque são Ainda temos o amanhã (2023), de Paola Cortellesi, A sombra de Caravaggio (2022), de Michele Placido, A terra das mulheres (2023), de Marisa Vallone, A última noite de Amore (2023), de Andrea Di Stefano, O retorno de Casanova (2023), de Gabriele Salvatores, e O primeiro dia da minha vida (2023), de Paolo Genovese. Os antigos estão numa retrospectiva em homenagem à comédia italiana, de diretores como Mario Monicelli, Dino Risi, Federico Fellini e Lina Wertmüller. Na sessão dos clássicos, poderemos ver Brancaleone nas Cruzadas (1970) e Parente é serpente (1992), ambos de Mario Monicelli, A trapaça (1955), de Federico Fellini, Mimi, o metalúrgico (1972) e Por um destino insólito (1974), ambos de Lina Wertmüller, e A propriedade não é mais um roubo (1973), de Elio Petri.
O festival é uma realização do Ministério da Cultura, com patrocínio da Pirelli, Lei de Incentivo à Cultura, Cineusp e outros parceiros. Haverá ainda sessões presenciais em vários estados brasileiros.
Para acessar, conhecer a programação completa e ver os filmes diretamente no site, clique em https://festivalcinemaitaliano.com/



Dica de filme do '18o. Festival de Cinema Italiano'

A última noite de Amore

Falta apenas um dia para o detetive Franco Amore (Pierfrancesco Favino) se aposentar. Honesto, sob rígido pensamento ético, nunca atirou contra ninguém. Ele já deixou preparado um discurso para ler no dia em que será homenageado ao encerrar suas atividades na polícia italiana. Dentro de seu carro, vagando pelas ruas de Milão, ele conta as horas para terminar o turno no último dia de serviço. Porém, de maneira surpreendente, tudo será colocado à prova após presenciar um incidente fatal com seu parceiro de trabalho.

Exibido no Festival de Berlim em fevereiro desse ano, é um dos melhores títulos selecionados na programação do ‘Festival de Cinema Italiano’, que chega gratuitamente em sua 18ª edição. É um thriller inspirado no cinema noir, ágil e preciso, com uma fotografia inebriante e uma trama com ótimas reviravoltas. E tem um dos atores mais interessantes do atual cinema italiano, protagonista de bons longas exibidos em edições passadas do Festival Italiano, como ‘O traidor’ (1973 – aqui ele atua ao lado de Maria Fernanda Cândido, sob direção do veterano Marco Bellocchio, que gravou cenas no Brasil), e ‘O Colibri’ (2022). Em ‘A última noite de Amore’, Favino interpreta um detetive chamado Amore, que está prestes a se aposentar, depois de 35 anos de trabalho na polícia de Estado da Itália. Cansado do mundo policial, de presenciar crimes horrendos e montar longos quebra-cabeças para capturar bandidos, só pensa em terminar o serviço para dar mais atenção para a esposa e o filho. Porém, na última noite de trabalho, as horas serão intermináveis – seu parceiro de trabalho está morto após envolver-se num roubo de diamantes. Amore decide entrar de cabeça para defender o amigo morto, colocando tudo carreira e vida em jogo. Escrito e dirigido por Andrea Di Stefano, ator de vários filmes nos EUA, e que dirigiu antes ‘Escobar: Paraíso perdido’ (2014).




8ª Mostra de Cinema Chinês

De 15 a 30/11, ocorre a 8ª Mostra de Cinema Chinês, realizada pelo Instituto Confúcio na Unesp e Centro Cultural São Paulo, em parceria com a SP Cine. É online, com oito filmes produzidos entre 2021 e 2023. Em outubro o evento ocorreu presencialmente em cinemas de SP. Agora os filmes serão todos exibidos pela plataforma da SP Cine Play.
Na seleção, longas premiados como Acima das nuvens (2021), de Zhihai Liu, Cordão da vida (2022), filme de estreia da diretora Qiao Sixue, e Irmãos (2023), de Shio Chuan Quek.
Programação e acesso aos filmes em https://mostracinema.institutoconfucio.com.br/


Dica de filmes da '8ª Mostra de Cinema Chinês'

Acima das nuvens

Durante a Guerra Civil Chinesa, em 1935, na província leste de Zhejiang, soldados do Exército Vermelho Chinês recebem a ordem de se retirar da região após serem informados da chegada da tropa inimiga, o Exército Nacional Revolucionário do Kuomintang (KMT). Mas antes o destemido grupo aceita realizar uma última missão: explodir o depósito de munição do KMT em 48 horas.

Drama de guerra chinês premiado no Festival de Beijing (Pequim), o principal festival de cinema feito no país, ‘Acima das nuvens’ é um trabalho minucioso do diretor estreante Zhihai Liu, com uma narrativa intensa e um design de produção caprichado que remonta um momento-chave da primeira etapa da Guerra Civil Chinesa (1927–1937; 1946–1949), durante o episódio chamado ‘Grande Marcha’. A fotografia em preto-e-branco com um colorido apagado, ofuscado por uma fina névoa, é outro elemento ímpar desse filme de arte que mostra o abalo psicológico dos soldados numa guerra cruel entre irmãos – nessa guerra civil, tropas chinesas nacionalistas lideradas pelo Partido Nacionalista da China (KMT) lutaram contra os soldados comunistas do Partido Comunista da China (PCCh), resultando em milhões de mortos – civis e combatentes. Com poucos diálogos e jogos curiosos de câmera com enquadramentos criativos, o filme é uma pérola do atual cinema chinês, que pouco chega até nós, infelizmente – dependemos de festivais para conferirmos fitas do país. Portanto, não perca a oportunidade de assisti-lo agora, já que integra a programação da 8ª Mostra de Cinema.



Cordão da vida

Jovem músico leva a mãe com Mal de Alzheimer de volta à terra natal, para que ela possa, quem sabe, relembrar do antigo lar. Para que a idosa não se perca ou se distancie, ele amarra uma corda na cintura dela e faz o mesmo em si. Ao chegar na velha casa, a mãe fala de um lugar ancestral dentro de uma árvore, e os dois partirão para uma jornada mística.

Exibido em festivais asiáticos como Tokyo, Beijing e Singapura, o delicado drama familiar que mostra a intensa relação de mãe e filho foi todo rodado nas montanhas altas da Mongólia, país que fica entre a Rússia e a China. Um lugar exuberante, mas também solitário, que ajuda a compor a ambientação psicológica do filme. Com uma fotografia lindíssima de campos, lagos e área rural, o longa foi escrito e dirigido pela cineasta chinesa em sua estreia no cinema, Sixue Qiao, que demonstra sensibilidade para contar essa história afetiva. A corda envolta na cintura dos dois personagens centrais carrega forte simbologia, uma conexão semelhante a um cordão umbilical, em que um ‘nutre’ o outro, cuidando dos rumos e atento aos descaminhos durante uma jornada derradeira que terão pela frente. Tem um ar místico, fala da busca pela ancestralidade – muitas vezes de uma terra imaginada ou que deixou de existir com a modernidade, e também traz um tema caro, a terrível doença do Alzheimer. 


quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Resenhas especiais


Duas resenhas especiais, de filmes lançados em DVD recentemente pela Obras-primas do Cinema.

Um romance muito perigoso

Ao descobrir a traição da mulher, o engenheiro Ed (Jeff Goldblum), que sofre de crises de insônia, dirige à noite pelas ruas em seu carro. Acaba dando carona a uma modelo, Diana (Michelle Pfeiffer), que está em fuga. Ela é perseguida por criminosos que mataram seu marido. Juntos, Ed e Diana seguem uma longa jornada noite adentro para escapar dos bandidos.

Clássica aventura oitentista, engraçada e com ótimas cenas policiais, com Jeff Goldblum um ano antes de ficar famoso em ‘A mosca’ (1986), e Michelle Pfeiffer recém-lançada no cinema. É uma aventura tresloucada e infernal que cruza uma noite inteira, de um engenheiro traído e insone e uma desconhecida perseguida por perigosos bandidos. A dupla tem de escapar de balas, facas, explosões.
Aos poucos a história dos dois é revelada – ele foi traído pela esposa e vive cansado de tudo, e ela, uma ex-atriz, casada com um mafioso ligado a roubo de joias, que acaba assassinado e, por consequência, vira alvo da vez. Na noite, em fuga, eles cruzam com pessoas estranhas, como se fosse um sonho interminável, e não contam com ajuda de ninguém.
O diretor John Landis, de ‘Um lobisomem americano em Londres’(1981), recrutava, em seus filmes, nomes de destaque, em participações pequenas, e costumava ele mesmo pintar como ponta – aqui interpreta um dos quatro bandidos que perseguem a protagonista. Contei mais de 20 aparições rápidas, como os diretores Paul Mazursky, Richard Franklin, Colin Higgins, Daniel Petrie, Jack Arnold, Lawrence Kasdan, Jim Henson, Jonathan Lynn, Jonathan Demme, Roger Vadim, Amy Heckerling, Don Siegel e David Cronenberg, além de coadjuvantes como David Bowie (no papel de um homem misterioso), Irene Papas (como a matriarca do crime), Clu Gulager (um agente da polícia), Vera Miles, Richard Farnsworth, Dan Aykroyd e Bruce McGill. Espere tudo desse roteiro frenético de Ron Koslow, que escreveu pouco, e antes havia roteirizado os dramas ‘Verão de ilusões’ (1976) e ‘Quando se perde a ilusão’ (1984).




O papel central, de Jeff Goldblum, seria de Jack Nicholson e depois de Gene Hackman, e o da garota, de Jamie Lee Curtis. No mesmo ano, Martin Scorsese lançou uma fita de aventura e humor muito parecida, ‘Depois de horas’, sobre uma noite maluca pelas ruas de Manhattan, quando um rapaz (Griffin Dunne) resolve ir atrás de uma jovem atraente (Rosana Arquette) que conheceu num café - porém tudo dá errado, e o personagem também passará por apuros, como sequestro, perseguições etc.
Lançado em DVD pela Obras-primas do Cinema, apenas com um extra, muito bacana por sinal, que é uma entrevista atual de 25 minutos com o diretor John Landis.

Um romance muito perigoso
(Into the night). EUA, 1985, 115 minutos. Comédia/Aventura. Colorido. Dirigido por John Landis. Distribuição: Obras-primas do Cinema



Vivendo no abandono

O diretor de cinema independente Nick Reve (Steve Buscemi) tenta, de todas as formas, terminar um filme de baixo orçamento, em meio a um set de filmagens maluco, com atores neuróticos e diversos problemas técnicos.

Premiado no Festival de Sundance e indicado ao Film Independent Spirit Awards, o segundo longa-metragem de Tom DiCillo – que antes havia dirigido Brad Pitt em ‘Johnny Suede’ (1991), é uma pérola do cinema alternativo/independente, que custou parcos U$ 500 mil e rapidamente se tornaria cult nos EUA. Aqui no Brasil passou despercebido na época – e confesso que fiquei sabendo da existência dele há pouco tempo.
É um filme metalinguístico por natureza, mostra os bastidores da gravação de uma fita pequena, de baixo orçamento. Quem assiste a making of de filmes, vai entender o jogo aqui criado e rir das piadas internas. Produzir um filme é difícil, e sem recursos financeiros, com atores complicados e uma direção sem pulso firme, piora. As situações no filme envolvem erros de marcação do elenco, atores que esquecem as falas, brigas entre eles, gente que se apaixona no set, irritação do diretor e equipamentos, como câmera, que pifam.
DiCillo, que realmente vinha do cinema independente, trouxe um mundo que conhecia bem com uma linguagem acessível e com humor para contar um dia numa gravação desastrosa. Elencou nomes em início de carreira que depois despontariam, como Steve Buscemi, no papel do diretor (um ano depois faria o excepcional ‘Fargo’), Dermot Mulroney, de ‘O casamento do meu melhor amigo’ (1997), como o diretor de fotografia com um tapa-olho, Catherine Keener, a atriz principal da produção – seria depois indicada a dois Oscars de coadjuvante, por ‘Quero ser John Malkovich’ (1999) e ‘Capote’ (2005), e Peter Dinklage, da série ‘Game of thrones’, como um mágico. DiCillo continua até hoje no cinema independente, realizou, por exemplo, ‘A chave da liberdade’ (1996, com John Turturro, Sam Rockwell e novamente Catherine Keener), ‘Uma loira de verdade’ (1997, com Daryl Hannah e Matthew Modine) e ‘Delírios’ (2006, com Steve Buscemi e Michael Pitt).


‘Vivendo no abandono’ saiu em DVD recentemente pela Obras-primas do Cinema, numa boa edição, com uma hora de extras, incluindo cena deletada, making of e entrevista do diretor e com Steve Buscemi.


Vivendo no Abandono (Living in oblivion). EUA, 1995, 89 minutos. Comédia/Drama. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Tom DiCillo. Distribuição: Obras-primas do Cinema

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Cine Especial


O caminho de volta


Na adolescência, Jack (Ben Affleck) foi um fenômeno do basquete e uma promessa para ser jogador em times grandes. Mas ele não seguiu a carreira no esporte. Hoje, aos 40 anos, trabalha como construtor em obras, está divorciado e tenta abandonar o vício do álcool. Até que recebe o convite de um padre para substituir o treinador do time de basquete da escola onde estudou no Ensino Médio, o Bishop Hayes; o treinador está doente, então Jack resolve se recompor para assumir a vaga. Para tanto, terá de abandonar o álcool.

O diretor norte-americano Gavin O’Connor, dos filmes “Livre para amar” (1999) e “Força policial” (2008), voltou-se novamente ao mundo dos esportes, depois de falar do boxe em “Guerreiro” (2011), retomando parceria com o astro Ben Affleck, com que havia trabalho no complexo filme de espionagem “O contador” (2016). Trouxe o bom roteirista Brad Ingelsby, de “Tudo por justiça” (2013) e “Noite sem fim” (2015), e realizou seu filme menos comercial e mais intimista, um retrato de um homem entregue à dependência do álcool que tenta reconstruir sua vida após chances perdidas. Promissor no basquete, o personagem de Ben hoje trabalha em obras pesadas, acabou de se divorciar e vive sozinho, deprimido. Até que surge a oportunidade de ser treinador de um time de basquete que está em boa colocação na região, e prestes a entrar num grande campeonato. Ele terá poucas horas para decidir se assume a vaga ou não, mas para tanto terá de abandonar o vício.
Com cenas bem conduzidas dos treinos de basquete na quadra e um bom desempenho de Affleck, o filme trata de superação e retomada de vida, sem cair em pieguices – até porque Affleck (que vem fazendo muitos filmes fora do circuito comercial) envolveu-se com drogas e álcool, esteve numa clínica de reabilitação meses antes da gravação e conseguiu sair dela a tempo para gravar o filme. Por ter vivido o drama de um adicto, conseguiu dar o peso e a decência para o papel (na clínica, o ator engordou 15 quilos e manteve o peso para o protagonista, outro reflexo da ‘verdade’ que o ator passa para o personagem).




É uma fita independente de drama séria e humana, cuja produção sofreu problemas na distribuição nos cinemas em 2020 – a premiére foi em 1º de março daquele ano em Los Angeles, e dias depois foi decretada a pandemia da Covid-19, fazendo com que as salas de cinema fossem fechadas por um ano. Ou seja, o filme fracassou, entrando em streaming logo depois. Hoje pode ser assistido em DVD e Bluray, lançado pela Warner Bros (ambos com muitos extras no disco), e disponível para assinantes no Amazon Prime Video e HBO Max e para aluguel em plataformas como Apple TV e GooglePlay. Recomendo!

O caminho de volta (The way back). EUA/Canadá, 2020, 108 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Gavin O’Connor. Distribuição: Warner Bros.

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Cine Cult


A mão


O cartunista Jonathan Lansdale (Michael Caine) sofre um terrível acidente de carro e perde a mão direita. Após a recuperação no hospital, é informado que sua mão nunca foi encontrada. Sem poder desenhar, tem pesadelos e alucinações. Em vários deles, a mão se transforma em um monstro assassino. Até que seus desafetos começam a morrer misteriosamente.

Filme de terror de início de carreira de Oliver Stone, que pouca gente conhece. Por ter sido fracasso no lançamento nos cinemas em 1981, virou cult, e hoje revendo é um filme assustador, de terror psicológico, cheio de metáforas. A principal delas é a relação do tormento do cartunista sem a mão com as alucinações dos soldados da Guerra do Vietnã, tema recorrente nas obras de Stone – por ter sido combatente no Vietnã, e viu de perto os horrores da guerra, ele fez obras máximas do cinema com o tema, por exemplo, Platoon e Nascido em 4 de julho, sempre trazendo os soldados perturbados e os horrores da guerra. Esse foi o segundo filme de Stone, sete anos depois de estrear com um terror B, ‘Seizure’, de 1974, e depois faria filmes sobre política e mundo dos negócios, como ‘Wall Street – Poder e cobiça’, ‘JFK - A pergunta que não quer calar’ e ‘Nixon’, biografias musicais, como ‘The Doors’, e fitas de extrema violência, como ‘Assassinos por natureza’.
Em ‘A mão’, um cartunista tem a mão decepada num trágico acidente de carro. O membro nunca foi encontrado, então ele não pode voltar a desenhar. Usa provisoriamente uma prótese de aço. Seu casamento anda ruim, passa a ter pesadelos diários com a mão desaparecida, tornando-o um homem instável, deprimido e violento. Psicologicamente abalado, isola-se numa casa remota com a esposa e a filha pequena, e paralelo a isso, pessoas com quem não se dava começam a ser assassinadas de maneira brutal. Teria aquela mão criado vida agindo com vontade própria?
Produzido e lançado pela Orion/Warner, tem um bom Michael Caine no papel principal, personagem que seria originalmente de Jon Voight e depois de Dustin Hoffman, que declinaram. Tem efeitos especiais de Carlo Rambaldi, ganhador de três Oscars, dentre eles por criaturas famosas do cinema, como Alien e ET – os efeitos criados por ele são os diferentes modelos de mãos decepadas, que andam, rastejam e pulam.
Baseado no livro de Marc Brandel ‘The lizard's tail’, foi produzido por um dos produtores mais importantes dos anos 80 e 90, Edward R. Pressman, e traz trilha sonora de James Horner, de ‘Titanic’, e montagem bem caprichada do premiado Richard Marks, de ‘Dick Tracy’.
Utilizando cores fortes e cenas em PB, há momentos assustadores, como a visão da mão andando pelos matos e entrando nas casas, como se estivesse viva e víssemos com seus olhos, em primeira pessoa.





No filme todo a realidade se confunde com os delírios do cartunista, nunca sabemos se o que ocorre é real ou não, o que torna o filme angustiante. A cena final na clínica, com participação da atriz Viveca Lindfors, é de fechar com chave de ouro. Lançado em DVD numa boa cópia pela Classicline.

A mão (The hand). EUA, 1981, 104 minutos. Terror/Suspense. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Oliver Stone. Distribuição: Classicline

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Especial de Cinema


Repescagem da 47ª Mostra de Cinema de SP exibe 42 títulos na capital

A partir de amanhã, dia 02/11, tem início a repescagem da 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em duas salas da capital: Cinesesc e Cine Satyros Bijou. Serão 42 títulos reexibidos até o dia 08/11. Os ingressos estarão disponíveis para compra na bilheteria de cada cinema apenas no dia da sessão de cada filme - sem passar pelo app, nem pela Velox. Credenciais seguem válidas para a repescagem. A edição 2023 da Mostra de SP termina hoje, dia 01/11, com a exibição do novo filme de Michael Mann, o inédito drama biográfico ‘Ferrari’, com Adam Driver e Shailene Woodley – a sessão será às 19h30 no Espaço Petrobrás, na Cinemateca, e os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria da Cinemateca.
Confira abaixo a programação completa da repescagem, nas duas salas de cinema.

 


Cine Satyros Bijou

De 02 a 05/11

 

 

02/11/23 – Quinta-feira

 

15:00 - MONISME (MONISME), de Riar Rizaldi (115').

 

17:15 - LEITE (MILK), de Stefanie Kolk (96').

 

19:10 - SETE INVERNOS EM TEERÃ (SEVEN WINTERS IN TEHRAN), de Steffi Niederzoll (97').

 

21:10 - O ADEUS MAIS LONGO (THE LONGEST GOODBYE), de Ido Mizrahy (87').

 

 

03/11/23 - Sexta-feira

 

15:00 - MADEMOISELLE KENOPSIA (MADEMOISELLE KENOPSIA), de Denis Côté (80').

 

16:40 - SCHLAMASSEL (SCHLAMASSEL), de Sylke Enders (114').

 

18:50 - ROXANA (ROXANA), de Parviz Shahbazi (120').

 

21:10 - MULHERES BRILHANTES (BRIGHT WOMEN), de Sylvie Gautier (102').

 

 

04/11/23 – Sábado

 

18:00 - UM FIM DE SEMANA EM GAZA (A GAZA WEEKEND), de Basil Khalil (90').

 

19:45 - OS JUNCOS (THE REEDS), de Cemil Agacikoglu (125').

 

22:00 - IRMANDADE DA SAUNA A VAPOR (SMOKE SAUNA SISTERHOOD), de Anna Hints (89').

 

 

05/11/23 – Domingo

 

15:00 - TERRA MORTA (DEADLAND), de Lance Larson (91').

 

16:50 - QUARTOS VERMELHOS (RED ROOMS), de Pascal Plante (118').

 

19:00 - O AQUÁRIO (THE FISHBOWL), de Glorimar Marrero S·nchez (92').

 

20:45 - QUASE TOTALMENTE UM PEQUENO DESASTRE (ALMOST ENTIRELY A SLIGHT DISASTER), de Umut Subasi (88').

 

 

Cinesesc

De 02 a 08/11

 

 

02/11/23 – Quinta-feira

 

14:00 - O AMOR DO MUNDO (LONGING FOR THE WORLD), de Jenna Hasse (76').

 

15:45 - FRAGMENTOS DO PARAÍSO (FRAGMENTS OF PARADISE), de KD Davison (99').

 

18:00 - UM DIA NOSSOS SEGREDOS SERÃO REVELADOS (SOMEDAY WE'LL TEACH EACH OTHER EVERYTHING), de Emily Atef (129').

 

20:45 - A METADE DE NÓS (THE LIFE THAT'S LEFT), de Flavio Botelho (89').

 

 

03/11/23 - Sexta-feira

 

14:00 - MULHER DE . . . (WOMAN OF . . .), de Malgorzata Szumowska e Michal Englert (132').

 

16:50 - DEVAGAR (SLOW), de Marija Kavtaradze (108').

 

19:10 - O DIA QUE TE CONHECI (THE DAY I MET YOU), de André Novais de Oliveira (71').

 

21:00 - SOMOS GUARDIÕES (WE ARE GUARDIANS), de Edivan Guajajara, Chelsea Greene e Rob Grobman (82').

 

 

04/11/23 – Sábado

 

14:00 - O OUTRO LAURENS (THE OTHER LAURENS), de Claude Schmitz (117').

 

16:30 - TODO MUNDO AMA JEANNE (EVERYBODY LOVES JEANNE), de Céline Devaux (95').

 

18:40 - DA COR E DA TINTA (OF COLOR AND INK), de Weimin Zhang (102').

 

21:00 - QUANDO DERRETER (WHEN IT MELTS), de Veerle Baetens (111').

 

 

05/11/23 – Domingo

 

14:00 - OPONENTE (OPPONENT), de Milad Alami (119').

 

16:30 - ASOG (ASOG), de Sean Devlin (104').

 

18:45 - SE EU PUDESSE APENAS HIBERNAR (IF ONLY I COULD HIBERNATE), de Zoljargal Purevdash (99').

 

21:00 - SAMUEL E A LUZ (SAMUEL AND THE LIGHT), de Vinícius Girnys (71').

 

 

06/11/23 - Segunda-feira

 

14:00 - FREMONT (FREMONT), de Babak Jalali (88').

 

16:00 - RICARDO E A PINTURA (RICARDO AND PAINTING), de Barbet Schroeder (106').

 

18:15 - SAUDADE FEZ MORADA AQUI DENTRO (BITTERSWEET RAIN), de Haroldo Borges (107').

 

20:40 - LA CHIMERA (LA CHIMERA), de Alice Rohrwacher (130').

 

 

07/11/23 - Terça-feira

 

14:00 - A MENINA (BABYGIRL), de Laura Amelia Guzman (92').

 

16:00 - A FERA NA SELVA (THE BEAST IN THE JUNGLE), de Patric Chiha (103').

 

18:15 - UNDERGROUND - MENTIRAS DE GUERRA (UNDERGROUND), de Emir Kusturica (170').

 

21:40 - SEM CORAÇAO (HEARTLESS), de Nara Normande e Tião (93').

 

 

08/11/23 - Quarta-feira

 

14:00 - MEU CASULO DE DRYWALL (MY DRYWALL COCOON), de Caroline Fioratti (116').

 

16:30 - A NOITE (THE NIGHT), de Michelangelo Antonioni (123').

 

19:15 - VALE ABRAÃO (ABRAHAM'S VALLEY), de Manoel de Oliveira (203').

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