sábado, 5 de dezembro de 2015

Morre o ator Robert Loggia


RIP: Ator Robert Loggia morre aos 85 anos, de complicações do Mal de Alzheimer.
Um dos meus coadjuvantes favoritos, Loggia foi indicado ao Oscar de melhor coadjuvante por "O fio da suspeita" (1985) e fez cerca de 210 filmes, dentre eles Scarface, Quero ser grande, Inocente mordida, Independence Day, Psicose II e A honra do poderoso Prizzi.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Resenha Especial


O segredo do bosque dos sonhos

Em um remoto vilarejo na Itália, crianças são brutalmente assassinadas por um serial killer. O terror toma conta da população, que clama por justiça. Nessa onda de medo, a polícia passa a prender e indiciar moradores suspeitos, como uma mulher praticante de bruxaria e um delinquente, na tentativa de revelar a identidade do temido psicopata.

Obra-prima do cinema de horror italiano, “O segredo do bosque dos sonhos” é um autêntico giallo e a fita preferida do seu diretor, Lucio Fulci, um dos mestres do gênero. Com uma trama curiosa (e bem indigesta, porque envolve assassinato de crianças), escrita engenhosamente pelo próprio Fulci, o filme marca como ponto central a paranoia da população de um vilarejo aterrorizada por um psicopata, que mata os pequeninos de forma macabra. Tomados pela superstição, os habitantes pedem a cabeça desse temível assassino, que ninguém sabe quem é, o que torna todos suspeitos diante do iminente desespero no ar – e o caso, para complicar, recebe amplo destaque na mídia, peso extra para forçar a condenação de qualquer cidadão.
Sob a égide de um giallo (menos sangrento que os habituais da época), esse filme máximo de Fulci também caminha pela senda do drama psicológico e do policial de investigação e ainda explora com sensatez a imprensa abusiva e cruel, que fulmina do dia para a noite a vida de indivíduos inocentes para obter a todo custo a audiência.
Com um início pitoresco, um pouco confuso, prende a atenção até o desfecho-surpresa, no desfiladeiro, sob a música do falecido compositor Riz Ortolani (duas vezes indicado ao Oscar), num dos finais mais chocantes e belos do cinema.
O formidável casting ajunta nomes de todas as partes do mundo: a brasileira Florinda Bolkan (como a bruxa), o cubano Tomas Milian, a grega Irene Papas, a alemã Barbara Bouchet, o suíço Marc Porel e o francês Georges Wilson, em papéis estranhos e muito marcantes. Obrigatório aos fãs.
Sai em DVD pela primeira vez no Brasil, pela Versátil, na caixa “Giallo”, com outros três filmaços do gênero: “Seis mulheres para o assassino” (1964), “O estranho vício da Sra. Wardh” (1971) e “Tenebre” (1982). Já à venda. Por Felipe Brida

* Resenha publicada na coluna 'Middia Cinema', da Middia Magazine - edição de novembro/dezembro de 2015.

O segredo do bosque dos sonhos (Non si sevizia un paperino). Itália, 1972, 99 min. Terror. Colorido. Dirigido por Lucio Fulci. Distribuição: Versátil.

sábado, 28 de novembro de 2015

Resenha especial


Assim na Terra como no inferno

Grupo de jovens exploradores adentra as catacumbas de Paris em busca da Pedra Filosofal, possivelmente ali escondida por alquimistas no século XIV. No assustador túnel de ossos eles descobrem um portal que leva à cidade dos mortos.

Após obter relativo sucesso com a fita anterior de terror, o bem sacado e apavorante “Demônio” (2010) – aquela do diabo no elevador, o cineasta John Erick Dowdle volta com tudo com seu novo projeto independente, “Assim na Terra como no céu”, para um público com nervos de aço. Arrepiante dos créditos iniciais até o bizarro desfecho, irá assustar marmanjos e barbudos, ainda mais sabendo das reais referências dessa cabulosa história.
Com roteiro ágil e sagaz escrito pelo próprio diretor e seu irmão, Drew Dowdle, desde a apresentação conhecemos uma audaciosa exploradora de nome Scarlett (a linda atriz britânica Perdita Weeks), que estuda alquimia. Nas pesquisas desenvolvidas, ela encontra pistas da Pedra Filosofal do alquimista Nicolas Flamel (1330-1418), que pode estar guardada há 600 anos em uma das galerias de ossos das catacumbas de Paris. Convencida da hipótese reúne um grupo de jovens com o objetivo de localizar a Pedra. Só que as catacumbas é um labirinto subterrâneo com cerca de 400 quilômetros de extensão, com pouca entrada de luz, e uma densa energia negativa, pois os túneis abrigam um ossuário de aproximadamente cinco milhões de pessoas. Numa jornada infernal onde superstição, misticismo e realidade se convergem, os expedicionários irão encarar o passado (sempre trágico de cada um) e a morte de frente.
Com sustos, gritos e tensão, o filme, inteiramente rodado em primeira pessoa (um dos membros da equipe, cinegrafista, relata a viagem e a agonia dos jovens), dá a profundidade do medo no público pelos dados reais sobre a alquimia de Flamel e a Pedra Filosofal (segundo os cientistas, ela podia transformar metal em ouro e ainda proporcionar vida eterna, o chamado ‘Elixir da Longa Vida’). Ou seja, por mais que seja produto de cinema, ficcional, há por trás um embasamento verídico, além das assustadoras crendices sobre as catacumbas (o diretor utilizou as genuínas catacumbas como locação, na escuridão!).
O ambiente é insuperável para provocar arrepios e pode deixar o público com mal estar. Por isso, recomendo nervos de aço!
Um dos bons filmes independentes de terror de 2014, agora em DVD pela Universal. PS: Atenção para o pôster original (capa) com a Torre Eiffel de ponta cabeça rodeada por crânios humanos nas catacumbas, sob um fundo vermelho-sangue. Vai encarar? Por Felipe Brida


Assim na Terra como no inferno (As above, so below). EUA, 2014, 93 min. Horror. Dirigido por John Erick Dowdle. Distribuição: Universal

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Especial de Cinema




O despertar dos mortos

Um apocalipse zumbi causa desolação nos Estados Unidos durante uma forte crise mundial. Nesse cenário caótico, um pequeno grupo de homens e mulheres refugia-se no shopping mais próximo. No entanto, o local é invadido por mortos-vivos sedentos por carne humana, o que fará com que aquelas pessoas busquem estratégias de sobrevivência.

A Versátil acaba de lançar em Blu-ray, em edição para colecionadores, o filme de zumbis preferido de muita gente, que virou cult por excelência, dirigido por nada mais nada menos que George A. Romero, especialista em mortos-vivos. Depois de estrear com “A noite dos mortos-vivos” (1968), rodado na Pensilvânia em poucos dias com míseros U$ 115 mil, Romero gravou na década de 70 outras duas fitas independentes - “O exército do extermínio” e “Martin” – até a realização dessa segunda parte de uma franquia de sucesso de zombie movies. “O despertar dos mortos” custou um pouco mais, cerca de U$ 650 mil, já que o projeto ampliava a história dos mortos-vivos, e aqui já se falava no apocalipse zumbi que emerge a cada obra dirigida por ele.
Com pitadas de humor macabro, o filme mostra a angústia e o isolamento de um grupo de pessoas dentro de um shopping à procura de sobrevivência. A ameaça: mortos que se levantaram das tumbas e que vagam atrás de carne humana fresca - agora são mais ágeis que os anteriores (da fita de 1968). O estilo gore e as sequências de perseguição dos zumbis demonstram o enriquecimento técnico de Romero, que num paralelo questiona a força do Exército quando os militares são inseridos no contexto da salvação pelo ataque armado. Genial do começo ao fim!
Nessa edição limitada em Blu-ray, com selo exclusivo da Livraria Cultura, o box especial vem em dois discos: o filme em Blu-ray, nas duas versões restauradas (original de cinema, de 127 minutos, e a estendida, de 139 minutos) e o DVD com a versão de Dario Argento (reduzida, de 119 minutos, com cortes e menos sangue, para o mercado internacional), além de extras que incluem making of, trailers e spots de TV. E junto no estojo um pôster grande para colecionadores. Pra fã nenhum botar defeito! PS: Em 2004 o diretor Zack Snyder estreou no cinema com a refilmagem de “O despertar” com o mesmo roteiro de Romero, aqui no Brasil intitulado “Madrugada dos mortos”, terror fiel ao original e de resultado interessante e assustador. Por Felipe Brida

O despertar dos mortos (Dawn of the dead). Itália/EUA, 1978, 127 min. Terror. Colorido. Dirigido por George A. Romero. Distribuição: Versátil

* Resenha publicada no "Colunas & Notas" (27/11/2015) e na coluna 'Middia Cinema', da Middia Magazine (edição novembro-dezembro de 2015)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Cine Lançamento


No auge da fama

Humorista nova-iorquino, Andre Allen (Chris Rock), que até pouco tempo atrás era um requisitado astro de cinema, prepara-se para lançar seu novo filme. Com linhas traçadas pelo destino, cruza inesperadamente com a jornalista do New York Times Chelsea Brown (Rosario Dawson), que propõe uma entrevista sobre sua carreira. Após um flerte, ela o faz confrontar-se com as duras marcas do passado.

O astro do cinema negro Chris Rock escreve, dirige e protagoniza uma das melhores comédias românticas recentes do cinema Black, infelizmente lançada diretamente no Brasil em home vídeo pela Paramount (deveria ter sido exibida nos cinemas, para um maior número de pessoas conhecerem). É o melhor Chris Rock de todos os tempos, que rejeita velhos padrões, como o lado histérico insuportável do seu stand up, e reage como um bom roteirista e diretor, num papel equilibrado, autobiográfico, sobre os percalços do negro na mídia americana, cutucando sutilmente mazelas com um humor afinado. Os diálogos realçam a problemática da massa com a música e o cinema feitos pelos negros, discute a intolerância e o racismo disfarçado, em tom cínico, de forma inteligente (Chris Rock demonstra talento que muitos duvidavam, inclusive eu, que nunca gostei de seus trabalhos).
Compôs um elenco incrível de nomes notáveis do cinema negro, como a exuberante Rosario Dawson (e ótima atriz), a vencedora do Oscar Whoopi Goldberg, as indicadas ao Oscar Gabourey Sidibe e Taraji P. Henson, o rapper DMX e outros da nova geração, como os comediantes Kevin Hart e Tracy Morgan, além de Luís Guzmán e uma pontinha de Adam Sandler.
Rock, com pouco orçamento na mão (o filme é independente, custou U$ 6 milhões), rodou tudo nas ruas Nova York, sempre dialogando com pessoas nos locais onde costuma frequentar no cotidiano, como bares, casas de amigo e praças.
Surpreendi-me com a qualidade desse filme pessoal de Chris Rock, pela maneira discreta, porém perspicaz como abordou o tema dos negros na mídia atual e que, no final das contas, diverte com as boas sacadas e também deixa um espaço para o público refletir. Recebeu prêmios diversos ao redor do mundo, ou seja, teve um reconhecimento até fora dos Estados Unidos, onde a bilheteria nos cinemas foi maior. Altamente indicado. Já em DVD e Blu-ray. Por Felipe Brida


No auge da fama (Top five). EUA, 2014, 102 min. Comédia romântica. Dirigido por Chris Rock. Distribuição: Paramount

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Resenha especial


O vale das bonecas

A jovem Anne Welles (Barbara Parkins) pretende seguir a carreira de atriz de show business. Enérgica e disposta a tudo, ela larga os estudos, sai de casa, no interior dos Estados Unidos, e parte para Nova York. Na companhia de duas belas garotas, Neely (Patty Duke) e Jennifer (Sharon Tate), envolvidas com a arte e o movimento feminista, Anne encara a árdua disputa na cidade grande para obter um lugar na Broadway.

Lançado em 1967, em plena agitação da contracultura e dos movimentos feministas, o bom drama “O vale das bonecas” obteve enorme sucesso de público nos Estados Unidos, com bilheteria de U$ 50 milhões no mundo todo (o orçamento foi de U$ 5 milhões). Também romântico, idealizado com uma bonita fotografia do show biz de Nova York e da cidade durante o inverno e com um elenco central composto por três lindas mulheres, o filme tornou-se memorável por dois fatos: foi uma adaptação super aguardada do best seller de Jacqueline Susann, que só em território americano vendeu 30 milhões, e também pelo fato de ter sido um principais trabalhos da atriz e modelo Sharon Tate, ex-mulher do cineasta Roman Polanski, assassinada pelos integrantes da seita de Charles Manson em 1969 (ela e mais quatro pessoas foram mortas com facadas, depois de serem submetidas à tortura).
Permeado com alguns números musicais (até a atriz Susan Hayward, do elenco de apoio, aparece cantando), há um diálogo importante, dependendo do tema um mais profundo que o outro, com o pano de fundo histórico-cultural dos Estados Unidos da década de 60, em especial ao sonho americano, ao movimento feminista e, claro, à difusão das drogas lícitas e ilícitas, como LSD, ácido e os famigerados barbitúricos, utilizados em larga escala pelas estrelas da época, muitas delas mortas prematuramente pelo uso abusivo (os comprimidos, por exemplo, aparecem como personagens na abertura, em animação).
Como produto de cinema, “O vale das bonecas” funcionou como entretenimento e hoje, apesar de datado, serve como recorte de estudo de uma época de profundas transformações que influenciaram a política, a moda e as artes do mundo inteiro.
Dirigido por Mark Robson, o filme recebeu indicação ao Oscar e ao Grammy de melhor trilha sonora (John Williams), além de melhor atriz para Sharon Tate no Globo de Ouro.
Até então o filme estava inédito em DVD no Brasil. Teve, em 1970, uma continuação inferior, não mais baseada na obra original de Jacqueline Susann, de outro diretor e novo elenco, intitulada “De volta à casa das bonecas”. Por Felipe Brida

* Publicado na coluna "Middia Cinema", da Middia Magazine - edição setembro/outubro de 2015

O vale das bonecas (Valley of the dolls). EUA, 1967, 123 min. Drama. Dirigido por Mark Robson. Distribuição: Obras-primas

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Resenha especial


Imagens

Escritora de livros infantis, Cathryn (Susannah York) prepara-se para sua nova obra literária sobre crianças e unicórnios. Imersa totalmente na literatura, sofre uma forte crise de delírios desconfiando de uma possível traição do marido, Hugh (Rene Auberjonois). Para se restabelecer, Cathryn e o esposo viajam para um local remoto e lá começa a ser atormentada por imagens perturbadoras. Em constante tensão, a escritora fecha-se em um mundo particular a ponto de não distinguir mais a realidade palpável dos pensamentos que a assombram.

Excelente fita cult escrita e dirigida por Robert Altman, numa única experiência com o cinema de terror, com pontual teor intimista e psicológico, que deixa o público à flor da pele. O importante cineasta norte-americano, falecido em 2006 aos 81 anos, rodou o filme na Irlanda, no inverno – por isto a fotografia enevoada do húngaro vencedor do Oscar Vilmos Zsigmond, e optou por não dar nome à longínqua cidade onde ocorrem os estranhos eventos com a protagonista, interpretada por Susannah York (premiado como melhor atriz em Cannes, num papel assombroso, digno de calorosos elogios). Na realidade, essa obra alternativa de Altman traz pontos autorais e de certa forma baseados em pequenas situações reais ligados a Susannah (falecida em 2011, aos 72 anos). Ela também era escritora de livros infantis, como sua personagem, e na época preparava-se para uma nova história para as crianças, intitulada “À procura do unicórnio”. Altman, sagazmente, aproveitou-se da ocasião para trazer para o roteiro do filme uma escritora num exaustivo processo criativo apropriando-se inclusive das terras imaginárias de Om contida nesse livro de Susannah (em várias sequências a personagem lê passagens do livro real, permeadas com imagens oníricas de uma região remota). Original o trunfo de Altman, que fez tudo com pouco dinheiro – a produção, independente, custou U$ 800 mil.
Outro item crucial para o perturbador resultado do filme envolve a trilha sonora metódica do imponente músico premiado John Williams.
Há uma simbologia ambígua nas fortes imagens criadas pelo diretor, sempre apontando para a esfera principal do filme, que é a escritora. Como um espelho (representado, na história, pela câmera fotográfica do marido), ela vê reflexos de sua vida passada, em delírios que se confundem com a realidade, saindo do limite da tela em direção ao telespectador, que também fica numa linha cruzada entre o que é verdade e o que não passa de imaginação.
Indicado à Palma de Ouro em Cannes, “Imagens” é um trabalho controverso da carreira de Altman, fora do padrão dos seus filmes, com forte impacto visual e final igualmente assustador. Pela primeira vez em DVD no Brasil em edição especial restaurada com vários extras (depoimento de Altman, cenas comentadas e trailer), com distribuição pela Versátil. Por Felipe Brida*

* Publicado na coluna "Middia Cinema", da Middia Magazine - edição setembro/outubro de 2015

Imagens (Images). Inglaterra/EUA, 1972, 101 min. Suspense/Drama/Terror. Dirigido por Robert Altman. Distribuição: Versátil

Estreias da semana - Nos cinemas - Parte 1

  Amor apocalipse   Comédia romântica sentimental, com um roteiro que fica longe da obviedade, que se situa num pré-apocalipse capaz de colo...