quarta-feira, 31 de março de 2021

Cine Especial



Atentado ao Hotel Taj Mahal

Um grupo de pessoas fica preso no luxuoso hotel Taj Mahal durante um terrível ataque terrorista em 2008. Dentre eles estão um jovem garçom, Arjun (Dev Patel), e o turista americano David (Armie Hammer). Todos tentam escapar da mira mortal de perigosos criminosos.

Reprodução fidedigna do chocante atentado ao luxuoso hotel Taj Mahal Palace & Tower, em 26 de novembro de 2008, cometido por um grupo terrorista islâmico – nesse dia, além do hotel, também foram atacados outros nove locais em Mumbai, como a estação ferroviária, dois hotéis menores e um cinema, e no total foram confirmados 195 mortos e 327 feridos. A capital da Índia ficou sitiada por três dias, e os olhos do mundo inteiro se voltaram para aquele país.
O filme acompanha esse clima de terror e apreensão dentro do hotel, com hóspedes e funcionários trancados, enquanto os terroristas invadiam e metralhavam todo mundo nos quartos. Muitos viraram reféns, sendo assassinados a bala aos poucos.
O hotel Taj Mahal era um point de celebridades, milionários, um dos mais caros do mundo, e que teve 20% de sua estrutura abalada, com incêndio, danos materiais e milhares de tiros nas paredes (meses após o atentado ele foi recuperado – no final do filme, nos créditos, aparecem trechos reais de notícias mostrando a recuperação e a reinauguração). O longa também é dedicado às vítimas fatais, que incluíam estrangeiros, funcionários de lá e moradores da cidade.


Violento, com cenas fortes, é um filmão que nos deixa apreensivos o tempo todo (muita gente criticou a brutalidade retratada, que, segundo os produtores, serviu para reconstituir os fatos como realmente ocorreram). E traz como lembrete o perigo do fundamentalismo religioso, alvo de fortes críticas do diretor, Anthony Maras, que aqui estreou na direção (ele é australiano, de origem grega e colaborou no roteiro).
Dev Patel e Armie Hammer mandam bem em cena, nessa obra dinâmica, que conta com uma edição caprichada. Detalhe: o filme foi rodado grande parte em estúdios na Austrália (o interior do hotel), e em ruas de Mumbai.

Atentado ao Hotel Taj Mahal (Hotel Mumbai). EUA/Reino Unido/Índia/Singapura/Austrália, 2018, 123 minutos. Ação. Colorido. Dirigido por Anthony Maras. Distribuição: Imagem Filmes

terça-feira, 30 de março de 2021

Cine Especial



Sentença de morte

Nick (Kevin Bacon) presencia a morte do filho por um membro de uma perigosa gangue de rua. O assassino é preso, mas logo é liberado da cadeia. Nick então sai no encalço do bandido para fazer justiça com as próprias mãos.

Repleto de cenas eufóricas e empolgantes de perseguição e destruição de carros, “Sentença de morte” é baseado no romance “Death sentence”, de Brian Garfield, publicado em 1975, que por sua vez é a continuação de “Death wish” (nos anos 70, virou a fita policial “Desejo de matar”, um clássico moderno com Charles Bronson, que ganhou ainda um remake mediano com Bruce Willis, em 2018). Pois a história é sabida: um pai em busca de vingança pela morte do filho, custe o que custar. Kevin Bacon interpreta esse homem no encalço de uma perigosa gangue de rua, para fazer justiça com as próprias mãos (já que o sistema judiciário nos EUA é falho). No meio de mortes e pancadaria, há uma discussão interessante sobre três pontos: a Justiça como um sistema em degradação, que necessita urgentemente de uma revisão; o crescimento das gangues de rua; e a controversa ideia de se fazer justiça solitariamente, caçando os bandidos sem recorrer à polícia.
É um filme sério e bem realizado, com participações de Garrett Hedlund (como o vilão, sinistro), Kelly Preston e John Goodman.


Atenção: essa foi a terceira direção do cineasta malásio James Wan, pouco depois do sucesso “Jogos mortais” (2004) e antes de “Invocação do mal” (2013) – ele é hoje um dos mais criativos diretores do universo do horror, com seus filmes que dão calafrios só de pensar. É também roteirista e produtor, e chegou a dirigir um filme da franquia “Velozes e furiosos (a parte 7, de 2015) e um de super-herói, “Aquaman” (2018). Procure conhecer!

Sentença de morte (Death sentence). EUA, 2007, 105 minutos. Ação. Colorido. Dirigido por James Wan. Distribuição: Paris Filmes

segunda-feira, 29 de março de 2021

Cine Especial


FILMES EM DVD 

Vamos para mais lançamentos em DVD da Obras-primas do Cinema! (parte 2).

- Box "Sessão Anos 80 - volume 11", com quatro filmes que marcaram as sessões da tarde da década de 80 - "Sete minutos no paraíso" (1985, com Jennifer Connelly), "Garotas modernas" (1986, com Virginia Madsen), "Um dia a casa cai" (1986, com Tom Hanks e Shelley Long) e "O gênio do videogame" (1989, com Fred Savage).

- Box "Coleção Amicus Productions - volume 3", uma caixa com cinco filmes britânicos de horror produzidos pela Amicus - "As torturas do Dr. Diabolo" (1967, com Jack Palance), "Eles vieram do espaço exterior" (1967, com Robert Hutton), "O homem que nasceu de novo" (1970, com Terence Stamp), "Grite, grite outra vez" (1970, com Vincent Price e Peter Cushing) e "A casa que pingava sangue" (1971, com Christopher Lee).

- Box "Fantasma - A coleção completa", que traz, pela primeira vez em DVD no Brasil, os cinco filmes da cultuada franquia de terror "Fantasma", produzida entre os anos 70 e 2010 - "Fantasma" (1979), "Fantasma 2" (1988), "Fantasma 3: O senhor da morte" (1994), "Fantasma 4: O pesadelo continua" (1998) e "Fantasma: Devastador" (2016).

Todos os DVDs vem com extras imperdíveis e contém cards colecionáveis (no box de "Fantasma" vem junto um pôster original do primeiro filme). As edições são muito caprichadas! Vale ter em casa!
Obrigado, pessoal da OPC, pelo envio dos títulos.





Cine Brasil



Os amigos

O arquiteto Theo (Marco Ricca), durante o funeral de um amigo de infância, recorda de momentos de criança e juventude, e revê sua vida ao se reencontrar com uma velha conhecida, Maju (Dira Paes).

Delicada fita brasileira sobre o reencontro de antigos amigos, sobre afeto, distância e reaproximação, narrado de forma terna e bem sensata pela diretora Lina Chamie – ela é filha de dois mestres da linguagem, Mario Chamie (poeta referência do Concretismo, professor e crítico literário, que tive o prazer de conhecer numa tarde em São Paulo) e a designer gráfica Emilie Chamie, ambos falecidos. Por influência dos pais, Lina aprendeu literatura e arte gráfica, algo que soube utilizar bem em seus filmes (aqui há muito de poesia, de construção de cenas, tonalidade de cores etc) – ela dirigiu outros trabalhos que recomendo, especialmente “Tônica dominante” (2001), “A via láctea” (2007) e o documentário “São Silvestre” (2013).
O filme enfoca dois velhos amigos (Marco Ricca e Dira Paes, ótimos em cena), que recordam de momentos de outrora enquanto tem uma certa “crise de meia idade” – por isso é voltado para público mais maduro, com seus 40 anos ou mais, pois vão sentir na pele os dramas ali tratados.


Conta com pontas de Caio Blat, Alice Braga, Fernando Alves Pinto e Sandra Corveloni, o que engrandece a obra.
São filmes desse tipo que gosto de assistir, que privilegia a narrativa, a linguagem, o diálogo, e traz reflexões de maneira humana.

Os amigos (Idem). Brasil, 2013, 89 minutos. Drama/Romance. Colorido. Dirigido por Lina Chamie. Distribuição: Imovision

domingo, 28 de março de 2021

Cine Especial


Confira abaixo os lançamentos em DVD da Obras-primas do Cinema (parte 1). Tem filmaços clássicos nesse meio, além de fitas cult e outras que marcaram o público quando exibidos na TV. São eles:

- DVD de "As chaves do reino" (1944, drama indicado a quatro Oscars, com Gregory Peck)

- Box "Invasão Sci-fi - Dinossauros", com quatro filmes americanos relacionados a ataques de dinossauros e monstros pré-históricos - tem aqui as duas versões de "O mundo perdido" (a de 1925, com Wallace Beery, e a de 1960, com Michael Rennie), "O despertar do mundo" (1940, com Victor Mature) e "No mundo dos monstros pré-históricos" (1957, com Jock Mahoney)

- Box "Olivia de Havilland", uma caixa contendo seis filmes da grande atriz veterana do cinema, falecida em 2020 aos 104 anos e ganhadora de dois Oscars - "Uma loira com açúcar" (1941), "Sua alteza quer casar" (1943), "Espelho d'alma" (1946), "Eu te matarei, querida!" (1952), "A noite é minha inimiga" (1959) e "A dama enjaulada" (1964)

- Box "Sessão Anos 80 - volume 10", com quatro fitas memoráveis - "Garota sinal verde" (1985, com John Cusack), "Tuff Turf: O rebelde" (1985, com James Spader), "Está sobrando uma mulher" (1987, com Shelley Long) e "Jogue a mamãe do trem" (1987, com Danny DeVito e Billy Crystal).

Todos os DVDs vem com extras e contém cards colecionáveis (no box de Olivia, vem junto um pôster da atriz).
Obrigado, pessoal da OPC, pelo envio dos títulos!






segunda-feira, 22 de março de 2021

Cine Cult


O último poema do rinoceronte

O poeta curdo Sahel (Behrouz Vossoughi) é libertado após ficar injustamente preso por 30 anos, perseguido pelo governo iraniano. Velho e cansado, não desiste de encontrar a esposa, Mina (Monica Bellucci), que deixou a cidade há muito tempo.

Vencedor de prêmios técnicos no Festival de San Sebastian, esse belíssimo filme-poema coproduzido entre Turquia e Irã, e rodado em Beirute, carrega a assinatura de Martin Scorsese como produtor, o que ajudou o longa-metragem a entrar nos cinemas de vários países. Não esconde a alma cult e o labor experimental: o diretor Bahman Ghobadi, de “Tartarugas podem voar” (2004), recorreu a uma linguagem não-linear curiosa, misturando tempos com imagens surrealistas, e optou por uma intensa fotografia contrastante. Sem falar da linguagem própria ao propor ao elenco recitação de poemas, como se os atores estivessem no palco do teatro, cada um em seu momento, numa espécie de monólogo, para contar uma pequena história de base real, inspirada nos diários do poeta curdo Sadegh Kamangar, preso durante a Revolução Iraniana (e que ficou atrás das grades por 27 anos). O filme acompanha a saída do poeta da cadeia e sua tentativa de reencontrar a esposa, que foi embora após ficar sabendo da morte dele – a morte é algo constante, os personagens todos são fantasmagóricos e desalentados. A dupla de atores em cena está brilhante, em papeis humanos, que são o astro do cinema iraniano Behrouz Vossoughi (de 83 anos) e a atriz italiana Monica Bellucci (de filmes como “Malèna” e “Irreversível”).

Uma menção importante para entender o que irei comentar em seguida: o diretor Bahman Ghobadi, assim como o ator do filme Behrouz Vossoughi, está exilado desde 2009, perseguido pelo governo do Irã. Percebem-se, assim, traços autorais e autobiográficos na comovente história do poeta Sahel. Ghobadi utiliza-se de simbologias, metáforas e antíteses, como um jogo para disfarçar o tom político da obra e assim não sofrer represália –no Irã o cinema é altamente reprimido, vide a história do cineasta Jafar Panahi, que teve a casa invadida, seus filmes apreendidos, foi preso e proibido de gravar por 20 anos (mesmo assim Panahi roda seus longas escondido, como fez recentemente com “Taxi Teerã” e “3 faces”). Nos créditos finais o diretor dedica o filme aos presos políticos no regime autoritário do Irã. Ah, e já que falei sobre ele, o ator Behrouz Vossoughi vive exilado na California com a esposa (ele tem fisionomia parecida com Omar Sharif). Assista e reflita!

O último poema do rinoceronte (Fasle kargadan). Turquia/Irã, 2012, 92 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Bahman Ghobadi. Distribuição: Imovision

segunda-feira, 15 de março de 2021

Especial de Cinema


Oscar 2021: "Mank" lidera com 10 indicações

E saiu hoje a lista tão aguardada dos indicados ao Oscar 2021, cuja cerimônia de entrega está agendada para o dia 25 de abril. O evento terá parte da cerimônia presencial, com número restrito de participantes, em Los Angeles, e parte online. No Brasil a transmissão será pelo canal TNT.
"Mank" (foto abaixo) lidera com 10 indicações, como melhor filme, diretor e ator para Gary Oldman. Em seguida, seis filmes empatam com seis indicações cada um: "Minari", "Nomadland", "Meu pai", "Judas e o messias negro", "Os 7 de Chicago" e "O som do silêncio". O ator Chadwick Boseman teve indicação póstuma, pelo filme “A voz suprema do blues”.


A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood abriu esse ano exceção para filmes transmitidos pela internet, devido ao fechamento dos cinemas durante a pandemia (vale lembrar que para concorrer ao Oscar, a regra que sempre prevaleceu era de que eles tivessem sido exibidos em salas de cinema de Los Angeles). Os novos tempos estão aí!
Veja abaixo a lista completa dos indicados ao Oscar 2021.

Melhor filme

"Meu pai"

'"Judas e o messias negro"

"Mank"

"Minari"

"Nomadland" (foto abaixo)

"Bela vingança"

"O som do silêncio"

"Os 7 de Chicago"

 


Melhor atriz

Viola Davis - "A voz suprema do blues"

Andra Day - "Estados Unidos Vs Billie Holiday"

Vanessa Kirby - "Pieces of a woman"

Frances McDormand - "Nomadland"

Carey Mulligan - "Bela vingança"

 

Melhor ator

Riz Ahmed - "O som do silêncio"

Chadwick Boseman - "A voz suprema do blues"

Anthony Hopkins - "Meu pai"

Gary Oldman - "Mank"

Steve Yeun - "Minari"

 

Melhor direção

Thomas Vinterberg - "Druk - Mais uma rodada"

David Fincher - "Mank"

Lee Isaac Chung - "Minari"

Chloé Zhao - "Nomadland"

Emerald Fennell - "Bela vingança"

 

Melhor atriz coadjuvante

Maria Bakalova - "Borat: Fita de cinema seguinte"

Glenn Close - "Era uma vez um sonho"

Olivia Colman - "Meu pai"

Amanda Seyfried - "Mank"

Yuh-Jung Youn - "Minari"

 

Melhor ator coadjuvante

Sacha Baron Cohen - "Os 7 de Chicago"

Daniel Kaluuya - "Judas e o messias negro"

Leslie Odom Jr. - "Uma noite em Miami"

Paul Raci - "O som do silêncio"

Lakeith Stanfield - "Judas e o messias negro"

 



Melhor filme internacional

"Druk - Mais uma rodada" (Dinamarca)

"Shaonian de ni" (Hong Kong)

"Collective" (Romênia)

"O homem que vendeu sua pele" (Tunísia)

"Quo vadis, Aida?" (Bósnia e Herzegovina)

 

Melhor roteiro original

"Judas e o Messias negro"

"Minari"

"Bela vingança"

"O som do silêncio"

"Os 7 de Chicago"

 

Melhor roteiro adaptado

"Borat: Fita de cinema seguinte"

"Meu pai"

"Nomadland"

"Uma noite em Miami"

"O tigre branco"

 

Melhor figurino

"Emma"

"A voz suprema do blues"

"Mank"

"Mulan"

"Pinóquio"

 

Melhor trilha sonora

"Destacamento Blood"

"Mank"

"Minari"

"Relatos do mundo"

"Soul"

 

Melhor animação

"Dois irmãos: Uma jornada fantástica"

"A caminho da lua"

"Shaun, o Carneiro: O Filme - A fazenda contra-ataca"

"Soul"

"Wolfwalkers"

 

Melhor documentário

"Collective"

"Crip camp: Revolução pela inclusão"

"O agente duplo"

"Professor Polvo"

"Time"

 

Melhor documentário de curta-metragem

"Collete"

"A concerto is a conversation"

"Do not split"

"Hunger ward"

"A love song for Natasha"

 

Melhor som

"Greyhound: Na mira do inimigo"

"Mank"

"Relatos do mundo"

"Soul"

"O som do silêncio"

 

Melhor canção original

"Fight for you" - "Judas e o messias negro"

"Hear my voice" - "Os 7 de Chicago"

"Husa'vik" - "Festival Eurovision da Canção: A saga de Sigrit e Lars"

"Io sì" - "Rosa e Momo"

"Speak now" - "Uma noite em Miami"

 

Melhor maquiagem e cabelo

"Emma"

"Era uma vez um sonho"

"A voz suprema do blues"

"Mank"

"Pinóquio"

 

Melhor efeitos visuais

"Problemas monstruosos"

"O céu da meia-noite"

"Mulan"

"O grande Ivan"

"Tenet"

 

Melhor fotografia

"Judas e o messias negro"

"Mank"

"Relatos do mundo"

"Nomadland"

"Os 7 de Chicago"

 

Melhor edição

"Meu pai"

"Nomadland"

"Bela vingança"

"O som do silêncio"

"Os 7 de Chicago"

 

Melhor design de produção

"Meu pai"

"A voz suprema do blues"

"Mank"

"Relatos do mundo"

"Tenet"

 

Melhor curta-metragem em live action

"Feeling through"

"The letter room'"

"The present"

'"Two distant strangers"

"White Eye"

 

Melhor curta de animação

"Toca"

"Genius Loci"

" Se algo acontecer... te amo"

"Opera"

"Yes people"

Nota de cinema

  Cine Debate exibe sábado animação premiada francesa   O Cine Debate de agosto, projeto de extensão do Imes Catanduva, em parceria com o Se...