quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Especial de Cinema


Balanço de cinema de 2020

E segue a minha tradicional lista dos melhores filmes do ano, vistos em festivais (presenciais e online), salas de cinema e de provedores streaming. São 30 ao todo. Também tem, ao final, a listinha dos piores de 2020 (no total, 20 longas).
Desejo a todos um feliz Ano Novo, com muita luz, saúde e esperança de um 2021 infinitamente melhor (e, claro, de bons filmes).

Melhores filmes de 2020

Os miseráveis (2019, de Ladj Ly)

Uma vida oculta (2019, de Terrence Malick)

Colectiv (2019, de Alexander Nanau)

Pacarrete (2019, de Allan Deberton)

1917 (2019, de Sam Mendes)

Deerskin: A jaqueta de couro de cervo (2019, de Quentin Dupieux)

A cordilheira dos sonhos (2019, de Patricio Guzmán)

Três verões (2019, de Sandra Kogut)

Joias brutas (2019, Benny Safdie e Josh Safdie)

A despedida (2019, de Lulu Wang)

Babenco: Alguém tem que ouvir o coração e dizer parou (2019, de Barbara Paz)

Corpus Christi (2019, de Jan Komasa)

37 segundos (2019, de Hikari)

Antologia da cidade fantasma (2019, de Denis Côté)

Atleta A (2020, de Bonni Cohen, Jon Shenk)

Soul (2020, de Pete Docter e Kemp Powers)

Rede de ódio (2020, de Jan Komasa)

O homem invisível (2020, de Leigh Whannell)

Secreto e proibido (2020, de Chris Bolan)

O que ficou para trás (2020, de Remi Weekes)

Pequena garota (2020, de Sébastien Lifshitz)

Os 7 de Chicago (2020, de Aaron Sorkin)

A caçada (2020, de Craig Zobel)

Meu nome é Bagdá (2020, de Caru Alves de Souza)

Ligue Djá: O lendário Walter Mercado (2020, de Cristina Costantini e Kareem Tabsch)

Mosquito (2020, de João Nuno Pinto)

Nova ordem (2020, de Michel Franco)

Berlin Alexanderplatz (2020, de Burhan Qurbani)

O roubo do século (2020, de Ariel Winograd)

Another round (2020, de Thomas Vinterberg)

 



Piores filmes de 2020

 

Mulan (2020, de Niki Caro)

O Halloween do Hubie (2020, de Steven Brill)

A possessão de Mary (2019, de Michael Goi)

Os novos mutantes (2020, de Josh Boone)

Ava (2020, de Tate Taylor)

Pequenos grandes heróis (2020, de Robert Rodriguez)

Jovens bruxas: Nova irmandade (2020, de Zoe Lister-Jones)

A última coisa que ele queria (2020, de Dee Rees)

Mulher-Maravilha 1984 (2020, de Patty Jenkins)

Coffee & Kareem (2020, de Michael Dowse)

A ilha da fantasia (2020, de Jeff Wadlow)

Modo avião (2020, de César Rodrigues)

O grito (2020, de Nicolas Pesce)

365 dias (2020, de Barbara Bialowas e Tomasz Mandes)

The last days of american crime (2020, de Olivier Megaton)

Brahms: Boneco do mal II (2020, de William Brent Bell)

Power (2020, de Henry Joost e Ariel Schulman)

Artemis Fowl – O mundo secreto (2020, de Kenneth Branagh)

Convenção das bruxas (2020, de Robert Zemeckis)

Encontro fatal (2020, de Peter Sullivan)

 

OBS: Alguns dos melhores filmes exibidos nos cinemas em 2020, por serem de 2019, e assistidos por mim em 2019 em festivais de cinema, já estavam na lista do ano passado, como “Jojo Rabbit”, “Monos”, “O farol”, “O jovem Ahmed”, “Transtorno explosivo” e “A verdadeira história da gangue de Ned Kelly”.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Cine Cult


A guerra do fogo

Tribo primitiva do período Paleolítico descobre o fogo e faz de tudo para protegê-lo, pois ele é um aliado para combater o frio e auxiliar na alimentação. Durante um conflito com uma tribo rival, a chama se apaga, então parte daqueles homens das cavernas sai pela selva em busca de um novo fogo.

Retorna ao catálogo da distribuidora Obras-primas do Cinema a edição especial de colecionador desse que é um dos grandes (e poucos) filmes que abordam a Pré-História, uma fita cultuada que assim como eu, muitos assistiram nas aulas de História e Geografia quando adolescente. Tinha uns 10 anos quando vi pela primeira vez, achei o máximo, e agora, transcorridos 25 anos, revi com o mesmo entusiasmo. A versão da Obras-primas mantém a cópia igual a do exterior, com imagem boa, remasterizada e com duas horas de extras (making of, entrevista com o diretor, vídeos promocionais, comentários etc).
Rodado em lugares exóticos de vários continentes, como cavernas no Canadá, montanhas do Reino Unido, lagos no Quênia, o filme reconstitui o período Paleolítico, há 80 mil anos, quando o homem descobriu o fogo. Traz todos os elementos dessa era numa verdadeira aula: o nomadismo, as rivalidades entre grupos, as cavernas como proteção, os primeiros usos de ferramentas e utensílios e as caçadas em busca de alimentos.


Baseado no romance do escritor franco-belga J.H. Rosny, escrito em 1909, tem roteiro adaptado por Gérard Brach, um velho colaborador dos filmes de Roman Polanski (escreveu, por exemplo, “Repulsa ao sexo”, “Busca frenética” e “Lua de fel”), e depois voltaria a trabalhar com o diretor de “A guerra do fogo”, Jean-Jacques Annaud, em “O nome da rosa” e “O urso”, os maiores sucessos do cineasta.
Pelos estudos antropológicos, os homens das cavernas grunhiam e tinham comportamentos animalescos, por isso que no filme não há diálogos; na verdade há uma linguagem oral com termos soltos, e foi criada pelo escritor Anthony Burgess, autor de “Laranja mecânica”, que colaborou com o roteiro. Segundo o diretor Annaud, não houve grandes efeitos especiais nem filtros, exceto a maquiagem dos atores (ganhadora do Oscar e do Bafta na categoria), ou seja, tudo o que vemos é do jeito que foi gravado, em locações originais sem uso de cenários; na cena dos mamutes, por exemplo, eles são elefantes fantasiados.
Indicado ao Globo de Ouro de filme estrangeiro, custou caro para a época por diversos pontos: maquiagens pesadas, grande número de figurantes, demora na gravação das longas tomadas externas devido ao clima e ao comportamento da natureza, parte do elenco se feriu etc. O orçamento foi de U$ 12 milhões, rendendo U$ 20 mi. nas bilheterias.


Aqui deu-se a estreia de Ron Perlman (de “Hellboy”).
Curiosidade: no mesmo ano, 1981, saíram dois longas de mesmo tema, “O homem das cavernas”, uma comédia nonsense com Ringo Starr (do Beatles), e “A História do Mundo – Parte I”, de Mel Brooks, outra comédia absurda, que traz na abertura uma paródia de “2001: Uma odisseia no espaço”, e faz piadas com um grupo de nômades desajeitados.

A guerra do fogo (La guerre du feu). França/Canadá, 1981, 100 minutos. Aventura. Colorido. Dirigido por Jean-Jacques Annaud. Distribuição: Obras-primas do Cinema

sábado, 26 de dezembro de 2020

Cine Lançamento (em Bluray e DVD)



El Camino: Um filme de Breaking Bad

* Reedição

O traficante Jesse Pinkman (Aaron Paul), que produzia metanfetamina com o comparsa Walter White, foge do cativeiro onde ficou preso por dias. Ele busca novos rumos para recomeçar a vida. Mas para isso terá de se reconciliar com o passado, marcado por brutalidades. Enquanto Jesse retorna aos poucos à rotina, ex-aliados e antigos criminosos querem a todo custo sua cabeça.

A provedora Netflix, em parceria com a Sony Pictures Television, arriscou produzir um filme da premiada série televisiva “Breaking Bad” (2008-2013, da AMC), para solucionar fatos que ficaram em aberto com os personagens das cinco temporadas, e, claro, dar um destino melhor para Jesse Pinkman (muita gente reclamou na época sobre a abrupta fuga dele do cativeiro). Os fãs da série pediam desde 2013 pelo menos um novo capítulo como desfecho, até que foram saciados, seis anos depois, com esse ótimo filme de ação, violento e derradeiro.
Com cara de epílogo, parece um episódio esticado (era para ter três horas de duração, mas cortaram para duas). Começa com um resumo (de quatro minutos) de todas as temporadas, chamado de “A história até agora”, e parte da fuga alucinada de Pinkman num carro sozinho. Ele assume o protagonismo do professor e mentor Walter White (Bryan Cranston), para ser agora o dono da história, com os holofotes virados para ele. Compõe, com proveitosa condição, um grande personagem solitário, em busca de redenção. Para se reconciliar com o passado de erros, dor, sofrimento e perseguições, ele terá pela frente diversos encontros com velhos rostos, todos ligados ao submundo do crime. Seu objetivo é sair vivo dessa para viver em paz...
Cheio de easter eggs inteligentes (como placas, lugares, uniformes, veículos) e rostos conhecidos da série vencedora de dois Globos de Ouro, o filme ganha uma força descomunal graças a Vince Gilligan, criador do seriado, que assumiu a direção, não deixando nada para trás - ele é também produtor executivo tanto de “Breaking Bad” quanto de “Better call Saul”, que fala das origens do advogado de Walter White, Saul Goodman, ou seja, o que ocorre antes de “Breaking”.
O filme fica melhor para entender se assistirmos antes aos dois últimos episódios da 5ª. temporada, que tem forte ligação com os eventos de “El Camino”. Fica a dica!


Novamente Aaron Paul dá um show de interpretação como Jesse Pinkman, num papel mais dramático que de costume. Vale lembrar que sua carreira alavancou com “Breaking Bad”, pelo qual foi indicado ao Globo de Ouro de ator coadjuvante na temporada final.
Retornam ao filme os personagens Mike (Jonathan Banks), Todd (Jesse Plemons), Ed (Robert Forster – falecido aos 78 anos, no dia que “El Camino” estreou no Netflix, em 11 de outubro de 2019) e Sra. Pinkman, mãe de Jesse (Tess Harper). Não vou estragar a surpresa, mas tem outro personagem especial revelado bem no finalzinho...
Várias séries ganharam, depois do término das temporadas, filmes próprios, como “24 horas” e “Veronica Mars”, surpreendendo os fãs. “El Camino” está nessa lista, e é um dos melhores exemplos de como TV e cinema podem andar juntos.
A pedido dos colecionadores, a Sony Pictures acaba de lançar o filme em Bluray e DVD, com muitos extras (que incluem comentários de atores e equipe técnica, bastidores e materiais promocionais).

El Camino: Um filme de Breaking Bad (El Camino: A Breaking Bad Movie). EUA, 2019, 122 minutos. Policial/Drama. Colorido. Dirigido por Vince Gilligan. Distribuição: Netflix

* Texto publicado originalmente em 04/01/2020

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Cine Especial de Natal


Krampus: O terror do Natal

Brigas e provocações na família no final de ano deixam o garoto Max (Emjay Anthony) desiludido com o Natal. Ele decide esquecer a data, rasgando inclusive a carta que iria mandar ao Papai Noel com a sugestão de seu presente. Mal sabe o menino que isso fará despertar o temível Krampus, uma figura demoníaca que sai da neve para punir crianças más.

Um filme especial de final de ano muito inventivo, de terror e humor ao mesmo tempo, escrito e dirigido pelo cineasta Michael Dougherty. Ele, que iniciou a carreira como roteirista de longas de super-heróis de Bryan Singer, como “X-Men 2” (2003) e “Superman: O retorno” (2006), já tratou de lendas e certa mitologia em torno de símbolos festivos americanos em “Contos do Dia das Bruxas” (2007), excepcional por sinal, e ano passado voltou ao tema com o bom “Godzilla II: Rei dos monstros” (2019). Em “Krampus” reuniu um bom time de atores para dar conta de uma história assustadora, acrescentando humor negro e críticas ao ‘american way of life’.
Para quem não conhece, Krampus é uma criatura mitológica advinda de lendas e tradições do mundo todo, muito comentada na Rússia, Áustria, Noruega, Alemanha e Estados Unidos. É uma espécie de demônio, metade homem, metade bode, que pune crianças más, considerado a “sombra de São Nicolau” (ou a “versão maligna do Papai Noel”). Alto, com chifres, amedrontador, veste casacos de pele pesados, carrega sinos enferrujados e tem como ajudantes bonecos perversos. Se ele aparece, não há salvação.


No filme (atenção, existem vários filmes mequetrefes da lenda de Krampus, essa é a melhor das versões, lançada em 2015... cuidado para não errar!) um garoto desperta a fúria da criatura ao repudiar o Natal, então vem uma tempestade de neve que isola a família em casa. Trancados na sala à noite, esse monte de gente chata, piadista e hipócrita ficará frente a frente de um pandemônio infernal, pelas mãos de Krampus e dos adorados símbolos natalinos que viram monstrinhos (como palhaços, urso de natal de pelúcia e os ‘ginger breads’, aqueles biscoitos em formato de criança). Salvem-se quem puder!


O elenco brinca e se diverte em cena, Adam Scott, Toni Collette, David Koechner, Allison Tolman, Conchata Ferrell, o garoto Emjay Anthony e a veterana atriz de TV austríaca Krista Stadler. Os efeitos visuais são joia, e o desfecho é um barato, servindo de uma assustadora lição. Revi essa semana e continuo adorando. Disponível em DVD pela Universal.


Krampus: O terror do Natal (Krampus). EUA, 2015, 98 minutos. Terror/Comédia. Colorido. Dirigido por Michael Dougherty. Distribuição: Universal Pictures

Cine Especial de Natal


Um anjo caiu do céu

O bispo episcopal Henry Brougham (David Niven) atua firmemente para construir uma bonita catedral na cidade onde vive. Ele é um homem tão dedicado à religião que se distanciou da família. Às vésperas do Natal, um anjo chamado Dudley (Cary Grant) desce dos céus para auxiliar o bispo nessa causa, a fim de angariar fundos. O anjo estende a mão para várias pessoas daquela comunidade, ajudando inclusive a esposa de Henry, Julia (Loretta Young). Enciumado, o bispo acirra disputas com o anjo.

Mais um clássico natalino querido pelos americanos que ganha uma boa edição em DVD no Brasil pela Classicline. Rodado em 1947, ganhou o Oscar de melhor som, indicado ainda aos de melhor filme, diretor, edição e trilha sonora. Cary Grant, Loretta Young e David Niven estavam no auge da carreira (Loretta inclusive ganharia o Oscar de atriz no ano seguinte, por “Ambiciosa”) quando toparam participar desse filme estilo “Family”, misturando fantasia e romance, apropriado para todos os públicos e perfeito para ver nesse período que antecede o clima de Natal.


A história é sobre um anjo bondoso que vem para a Terra ajudar um bispo na construção de uma sonhada catedral. Porém o religioso, que abandonou a família para só viver do trabalho, vê o anjo se aproximar da esposa e da filha de uma maneira como ele nunca fez. Então disputará a atenção com elas, abrindo um embate com aquela figura celeste. O filme traz uma moral no desfecho (logicamente), que faz relação com empatia, revisão do passado, ou seja, tudo aquilo que se espera que as pessoas façam no Natal pensando no ano que termina (comportamentos esses que devem ser mantidos nos 365 dias, por toda a vida!).
Baseado no romance de Robert Nathan (de “O retrato de Jennie”), inspirou um remake agradável com atores negros na década de 90, “Um anjo em minha vida” (1996), com Denzel Washington e Whitney Houston, indicado ao Oscar de trilha sonora.


Uma curiosidade de bastidores: inicialmente os papéis masculinos seriam invertidos, ou seja, David Niven interpretaria o anjo, e Cary Grant, o bispo, ideia do diretor, William A. Seiter; este deixou o projeto, assumindo a direção o alemão radicado nos EUA Henry Koster (diretor dos memoráveis “Meu amigo Harvey” e “O manto sagrado”), que trocou os atores e seus personagens.
Veja e se emocione!

Um anjo caiu do céu (The Bishop’s wife). EUA, 1947, 109 minutos. Drama/Romance. Preto-e-branco. Dirigido por Henry Koster. Distribuição: Classicline

Cine Especial de Natal


A felicidade não se compra

Prestes a cometer suicídio na véspera do Natal, o banqueiro George Bailey (James Stewart) é salvo por um anjo (Henry Travers), que desce à Terra para fazer uma boa ação a fim de ganhar as tão sonhadas asas. Ele se torna um amigo espiritual de Bailey e o ajuda a rever sua vida, para que ele volte a ser quem era, um homem dedicado, feliz e importante para os amigos e família. Bailey então irá relembrar momentos fundamentais do passado no dia do Natal.

Existem muitos clássicos do cinema com tema natalino, como “Duas semanas de prazer” (1942), “De ilusão também se vive” (1947 – conhecido como “O milagre na rua 34”, que teve remake em 1994), “Natal Branco” (1954), mas sem sombra de dúvida “A felicidade não se compra” (1946) é o mais contundente, por sinal o mais querido dos americanos. Um típico filme “Family/fantasy” para todos os públicos, um clássico absoluto e até hoje colocado na lista dos mais belos da Sétima Arte.
Baseado no romance “The greatest gift”, de 1943, do escritor americano Philip Van Doren Stern, o drama se passa na cidade fictícia de Bedford Falls, acompanhando um banqueiro às vésperas do Natal, quando tudo parece ter terminado para ele. Cheio de dívidas, abandonado pelos amigos, deixa seu lado amoroso para virar um cidadão amargo, a ponto de cometer suicídio. No momento em que vai saltar da ponte para a morte, um anjo aparece, muda aquele cenário e se torna seu amigo leal, para abrir sua mente para as coisas boas que a vida ainda tem a oferecer.
James Stewart é a veia central dessa obra-prima aclamadíssima; ele criou um papel eterno, que invadiu o imaginário dos americanos, e uma fonte de inspiração. É uma das atuações de maior peso de Stewart, que deu a ele indicação ao Oscar – foram cinco nomeações ao todo, de melhor filme, diretor, ator, edição e som, e ganhou o Globo de Ouro de direção.


A magia que a obra proporciona está especialmente nas mãos do diretor Frank Capra, ganhador de três Oscars, uma mente iluminada dos primórdios do cinema. Nascido na Itália, mudou-se para os EUA com a família quando tinha apenas quatro anos. Começou a carreira no cinema mudo, na década de 20, dirigindo com o passar do tempo os longas de maior destaque do cinema americano das décadas de 30 e 40, por exemplo, “Aconteceu naquela noite” (1934), “O galante Mr. Deeds” (1936), “Horizonte perdido” (1937), “Do mundo nada se leva” (1938), “A mulher faz o homem” (1939), “Adorável vagabundo” (1941) e, claro, “A felicidade não se compra” – tão fundamentais que pelo menos dois dessa lista ganharam o Oscar de melhor filme. Uma característica de Capra era de inserir personagens de homens simples lutando contra corrupção e o destoante sistema econômico, na tentativa de mudar o mundo. Trabalhou frequentemente com James Stewart, Cary Grant e Gary Cooper, falecendo em 1991 aos 94 anos.


O filme saiu em DVD duplo com a versão original em PB e a colorizada, pela Classicline. A Versátil anunciou recentemente a versão restaurada em bluray, disponível para venda desde o dia 30/11, com extras (a mesma havia lançado o filme em DVD lá atrás, no início dos anos 2000). Um filme lindíssimo para ver e rever!

A felicidade não se compra (It’s a wonderful life). EUA, 1946, 130 minutos. Drama. Preto-e-branco. Dirigido por Frank Capra. Distribuição: Classicline (DVD de 2019) e Versátil (DVD de 2002 e Bluray de 2020)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Cine Especial


Trainspotting – Sem limites

Viciado em heroína, o jovem Mark Renton (Ewan McGregor) pertence à classe trabalhadora de Edimburgo. Perambula pelas ruas cometendo pequenos delitos, ao lado dos amigos Sick Boy (Johnny Lee Miller), Spud (Ewen Bremner) e Begbie (Robert Carlyle). Os quatro estão sempre sob efeitos de droga para fugir da dura realidade, até que um dia se envolvem num plano descomunal para mudar de vida.

Exibido numa sessão da meia-noite do Festival de Cannes de 1996, ficou fora da mostra competitiva esse cult-movie considerado um dos filmes mais polêmicos e cruciais dos anos 90, que chacoalhou o público com sua história feroz e sua montagem frenética. Revelou ainda o quarteto de atores que se espraiaram pela estrada do cinema, em especial Ewan McGregor.
Baseado no livro original de Irvine Welsh escrito em 1993, virou uma famosa peça de teatro em 1994 no Reino Unido até ser adaptado para o cinema - e 20 anos depois ganhou uma continuação bem maneira. É um filme polêmico, provocador, que repercutiu como uma bomba extasiante no mundo inteiro.
O cineasta Danny Boyle vinha de um cinema marginal com o perturbador “Cova rosa” (1994), em que lançou Ewan McGregor, e novamente repetiria a dose com uma ótica diferenciada, dessa vez reinventando o drama com toques policiais, para mostrar a vida selvagem e degradante de um adicto, que vai do uso impulsivo das drogas ao arrependimento, passando por crimes e outros tipos de delinquência. Boyle foca nos drogados da classe trabalhadora de Edimburgo, presos ao vício, sem apoio da família. Eles vivem entre amigos pelas ruas, usando álcool e heroína injetável, única alternativa para suportar o peso do mundo.
Boyle recorre a um humor ácido, afiadíssimo, que virou marca de seus trabalhos, e criou, na figura de McGregor, um emblemático anti-herói moderno.

A narrativa de “Trainspotting” é diferente de tudo aquilo que o cinema já havia produzido sobre o tema, totalmente oposto aos dramas tediosos, amargos e violentos sobre drogas como “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída” (1981) e “Kids” (1995), que focavam na desesperança de uma geração perdida.
Na trilha sonora, músicas de Brian Eno, New Order, Blur, Lou Reed, Iggy Pop, e a original feita para o filme, que fez muito sucesso, “Born Slippy” (do grupo Underworld). Foi indicado ao Oscar de melhor roteiro e venceu o Bafta na categoria, de autoria de John Hodge, parceiro de Danny Boyle em vários filmes, como “Por uma vida menos ordinária” (1997), “A praia” (2000), “Em transe” (2013) e a continuação, “T2: Trainspotting” (2017).
Saiu em DVD no Brasil em duas ocasiões, pela extinta Spectra Nova e pela Versátil (com extras), ambas com boa imagem e som.


Trainspotting – Sem limites (Trainspotting). Reino Unido, 1996, 93 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Danny Boyle. Distribuição: Spectra Nova e Versátil Home Video

Nota de cinema

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