sábado, 30 de maio de 2020

Cine Clássico



Kim

Em 1885, na Índia sob domínio do Império Britânico, um garoto órfão, de pais ingleses, Kim (Dean Stockwell), passa-se por uma criança indiana, cria amizade com todos e vive perambulando pelas ruas. Tem como melhor amigo o comerciante de cavalos Mahbub Ali (Errol Flynn), que na verdade é um agente do Serviço Secreto Britânico. Os dois partem para uma aventura atrás do lendário Rio da Seta, percorrendo os mistérios da cultura daquele país.

Uma aventura formidável, encantadora, exibida na TV aberta por muitos anos, baseada no livro de mesmo nome do indiano Rudyard Kipling (publicado em 1901), em mais uma obra com pano de fundo na Índia sob controle do Império Britânico (Kipling é o criador de Mogli, o menino-lobo). Custou caro para a época, ultrapassando U$ 2 milhões, devido às filmagens na Índia, além de toda a técnica brilhante que salta na tela (figurinos perfeitos, direção de arte com fortes cores douradas, fotografia excepcional com lindos passeios pela Índia mística etc) – o que não é locação, é estúdio, gravado na MGM.
Contextualizada num conflito entre os Impérios Russo e Britânico pelo controle da Ásia, onde se insere a Índia (conflito este intitulado ‘O Grande Jogo’), no final do século XIX, a história, do início ao fim, segue as deliciosas aventuras de um garoto irlandês que finge ser indiano, ao lado de seu grande amigo e mentor, um comerciante de cavalos que esconde a verdadeira identidade, de agente do serviço secreto - respectivamente interpretados pelo ator mirim Dean Stockwell, que fez muitos filmes nesse período, depois foi indicado ao Oscar de coadjuvante por “De caso com a máfia” (1988), e pelo galã da Era de Ouro Errol Flynn, para sempre lembrado como Robin Hood do clássico homônimo do cinema dos anos 30. Em busca de um lendário rio, encontram lamas tibetanos, enfrentam inimigos e têm de escapar de perigos diversos... Tanto o livro quanto o filme são ricos em detalhes da cultura, religião e dos costumes da Índia, e isto é enriquecedor para quem procura uma viagem em imagens!


Um dos filmes mais legais do diretor do cinema mudo Victor Saville, no antepenúltimo filme da carreira, “Kim” (1950) saiu recentemente em DVD pela Classicline.

Kim (Idem). EUA, 1950, 113 minutos. Aventura. Colorido. Dirigido por Victor Saville. Distribuição: Classicline

Cine Cult



O casal Osterman

O apresentador de TV John Tanner (Rutger Hauer) anualmente reúne um seleto grupo de amigos para um fim de semana diferente em sua casa, localizada numa região remota. Convencido pela CIA que parte deles são espiões russos, permite que a residência seja monitorada na próxima reunião, que será em breve. Chegado o tão aguardado dia, dentro de uma van, o agente especial da CIA Fassett (John Hurt) observa, pelas câmeras, cada movimento dos amigos de Tanner, no entanto os planos fogem do acordo, e um a um será caçado por atiradores de elite.

O último filme do poeta da violência Sam Peckinpah (1925-1984), diretor do western “Meu ódio será sua herança” (1969), e de fitas de ação como “Os implacáveis” (1972) e “Assassinos de elite” (1975), é exatamente esse grande thriller de espionagem, com um elenco primoroso, que tem o falecido Rutger Hauer como protagonista, contracenando com John Hurt, Craig T. Nelson, Meg Foster, Burt Lancaster, Dennis Hopper e Chris Sarandon, todos eles em momento especial. Dessa vez ele não assinou o roteiro, que fora escrito por Alan Sharp (de “Um lance no escuro”), a partir de uma adaptação do romance de Robert Ludlum, um escritor especializado em espionagens na Guerra Fria (seus romances mais famosos são com o personagem Jason Bourne, transformados em uma série de filmes).


O começo do filme demora, é um tanto arrastado, e o espectador deve prestar atenção nos detalhes das longas conversas, referentes à relação dos vários personagens que aparecem, pois a trama ficará complexa; no entanto, os 40 minutos finais são pura excitação, trazem a marca profunda de Peckinpah, que coreografa o caos como ninguém (ousado, com cenas de lutas e morte em câmera lenta – quem conhece seus filmes não se confunde nunca!).
Saiu em DVD no Brasil há muitos anos pela Flashstar, na “versão original de cinema”, com 103 minutos. Existe também uma “do diretor”, de 116 minutos, que, acredito eu, não deva existir por aqui. A cópia da Flashstar está boa, disponível numa edição especial em disco duplo, com muitos extras.

O casal Osterman (The Osterman weekend). EUA, 1983, 103 minutos. Ação. Colorido. Dirigido por Sam Peckinpah. Distribuição: Flashstar

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Especial - Cinema Espanhol



Especial ‘Cinema Espanhol’ no Netflix

Durante a tormenta

A chegada de uma forte tempestade une duas histórias ocorridas em dois tempos diferentes, separadas por 25 anos, que envolvem um assassinato, um desaparecimento e uma mulher à procura de respostas.

Inesperado sucesso do Netflix, o bom suspense espanhol “Durante a tormenta” entrou na plataforma há dois anos e permanece com aceitação máxima do público. Isso porque o filme tem um roteiro intrigante, que fala sobre “efeito borboleta”. Numa noite de tempestade, dois fatos ocorridos num intervalo de tempo de 25 anos se cruzam: o primeiro é em 1989, quando um garoto presencia um crime e, ao fugir da casa onde viu uma pessoa assassinada, é atropelado e morto. O segundo, em 2014, se passa no local do antigo crime, que agora abriga uma nova família; a dona da casa encontra uma fita pertencente ao menino atropelado e faz contato com ele. Aquilo não será em vão, sua filha desaparece, e ela tem nasmãos o poder de modificar o rumo dessas histórias. Fiz um resumo sem spoiler... prepare-se para momentos de grata surpresa nessa trama complexa, bem escrita, que prende o espectador até decifrar as mensagens nos minutos finais (o final é surpreendente).
É o terceiro trabalho do diretor e roteirista Oriol Paulo, um cineasta com fitas excelentes de mistério, que realizou antes “O corpo” (2012) e outro sucesso do Netflix, “Um contratempo” (2016). Ele sabe compor reviravoltas que nem podemos imaginar, recorrendo ainda ao gênero scifi (aqui com o tema “viagem no tempo”).
Com Chino Darín (filho do maior astro da Argentina, Ricardo Darín), Adriana Ugarte (de “Julieta”, onde interpreta o papel-título do drama de Almodovar), o veterano do cinema espanhol Javier Gutiérrez e participação de Álvaro Morte (o Professor da série de megafama do Netflix “La casa de papel”). Embarque na moda e veja!

Durante a tormenta (Durante la tormenta). Espanha, 2018, 129 minutos. Suspense. Colorido. Dirigido por Oriol Paulo. Distribuição: Netflix

 
As leis da termodinâmica

Um cientista vidrado nas leis da Termodinâmica busca um novo relacionamento amoroso, mas até lá inúmeras confusões pintarão em seu caminho, incluindo uma malsucedida troca de casais.

Podemos encontrar no Netflix essa gostosa comédia romântica criativa, rápida e com humor bem moldado, que relaciona as leis da Física com o poder da paixão/do amor. Do diretor espanhol Mateo Gil, de “Os implacáveis” (2011, com Sam Shepard), passa-se numa bela Barcelona (com locações lindas da cidade de Gaudí), com um protagonista neurótico, um cientista em formação que vê termodinâmica em tudo, principalmente nos namoros. Esse cara termina um romance, emenda em outro, e tudo o que acontecia antes, volta, como crise de ansiedade, troca de casais e confusões amorosas. Porém um novo flerte surge para, quem sabe, colocá-lo no eixo!
A edição do filme é elegantíssima, com fórmulas matemáticas na tela, explicações sobre termos de Física e Química para relacioná-los ao amor, mistura narração off com depoimentos verdadeiros de cientistas e professores sobre o assunto, resumindo, tem uma questão técnica bem curiosa, em tom de documentário.
Assisti zapeando no Netflix, gostei bastante e recomendo. No elenco principal, Vito Sanz (que é um protagonista apenas ok, sem ser marcante), mas em contrapartida tem Chino Darín, que poderia ter ficado com o papel principal, pois é um ator melhor (chegando perto do pai, Ricardo Darín).

As leis da termodinâmica (Las leyes de la termodinâmica). Espanha, 2018, 100 minutos. Comédia romântica. Colorido. Dirigido por Mateo Gil. Distribuição: Netflix


Viver duas vezes

Aposentado, viúvo e com Alzheimer, o professor de matemática Emilio (Oscar Martínez) não desiste de encontrar um velho amor da juventude, que mora em outro estado. Essa mulher a quem ele se refere o fez crescer e abrir seus olhos quando jovem. Ao lado da neta, Emilio parte para uma viagem para o tão esperado reencontro.

Está na minha lista das melhores comédias dramáticas do Netflix essa que é uma produção original espanhola feita com sensibilidade por uma cineasta catalã, Maria Ripoll. E conduzida por um dos maiores nomes do cinema argentino, Oscar Martinez, de “O cidadão ilustre” (2016), que se divide entre produções do seu país e na Espanha. Singular, objetivo, o filme independente toca num assunto difícil e bem sério, o Alzheimer, porém utilizando o humor como arma de reflexão, ou seja, não faz a fita ser dura para acompanharmos (pelo contrário). Na trama, a doença do protagonista o faz retomar os laços familiares, com a neta pequena e com a filha-problema. Com a garotinha parte para uma viagem (o filme vira um road movie romântico) em busca do amor que teve na época de jovem. A filha não aprova a ideia, pois, para ela, é uma provocação à família e à memória da mãe falecida; mesmo assim aquele homem solitário corre contra o tempo para o reencontro, à medida que a memória vai falhando um pouco a cada dia.
Gostou? Então assista a esse filme que diverte, comove, fecha com uma sequência bonita, e funciona com um time de atores afinados em uma lição de amor e de vida.

Viver duas vezes (Vivir dos veces). Espanha, 2019, 101 minutos. Comédia dramática. Colorido. Dirigido por Maria Ripoll. Distribuição: Netflix

 
Toc Toc

Na sala de espera de um consultório, um grupo de pacientes com TOC aguarda a chegada do médico. Ele não aparece, então resolvem fazer uma terapia em grupo ali mesmo, com consequências engraçadíssimas.

Distribuído nos cinemas espanhóis pela Warner Bros em 2017, “Toc Toc”, no ano seguinte, teve os direitos de exibição comprados pelo Netflix, e desde essa época permanece no catálogo das produções com o selo da empresa (isso costuma acontecer em fitas independentes que entram num circuito restrito, ganham certo comentário positivo da crítica e do público, e daí o Netflix negocia a ampliação, inserindo-as em seu streaming para todos os países).
Essa comédia engraçadíssima é uma adaptação espanhola de um telefilme francês de 2008, por sua vez baseado na peça de Laurent Baffie (encenada por vários anos no Brasil, com Sandra Pêra no elenco, um sucesso nos palcos por aqui). Marcado pelo estilo teatral, traz um punhado de personagens com transtornos obsessivo-compulsivos fechados num mesmo ambiente, que é a sala de espera de um consultório médico. O longa mostra esses comportamentos extravagantes, estranhos, com casos que vão da Síndrome de Tourette (o doente xinga, faz gestos obscenos) à mania de limpeza/higiene. Todos, ansiosos à espera do médico que nunca chega... até que resolvem contornar a situação, iniciando uma terapia em grupo, com resultado hilário!
Tem os melhores atores espanhóis e argentinos da safra atual, Paco Leon, Rossy De Palma (dos filmes de Almodóvar), Oscar Martinez, e um desfecho-surpresa, que possibilita uma continuação.
A gente ri até dizer chega dos problemas dos outros nessa história maluca (os transtornos são graves, e o filme escorre para o humor proposital, assumindo o pastelão). Está no Netflix há um ano e continua fazendo sucesso no Brasil. Para dar gargalhadas sem moderação!

Toc Toc (Idem). Espanha, 2017, 96 minutos. Comédia. Colorido. Dirigido por Vicente Villanueva. Distribuição: Netflix

Nota do Blogueiro


A distribuidora de DVDs Obras-primas do Cinema lança dois boxes especiais esse mês, um deleite para os colecionadores. Trata-se de "Sessão Anos 80 - volume 2" e "Coleção Terence Hill & Bud Spencer", ambos em disco duplo. No primeiro box temos quatro filmes de terror e terrir, quase todos inéditos em DVD: "O portão" (1985), "A coisa" (1985), "Monster - A ressurreição do mal" (1986) e "Bonecas macabras" (1987). Na segunda caixa, outros quatro filmes, agora protagonizados pela famosa dupla de cinema western e policial italianos: "A dupla explosiva" (1974), "Quem encontra um amigo encontra um tesouro" (1981), "Dois loucos com sorte" (1983) e "Os dois super-tiras em Miami" (1985). Os dois boxes contêm cards especiais com mini-pôsteres dos filmes, e nos discos muitos extras. Vale cada centavo investido! Obrigado, pessoal da OPC, pelo envio dos DVDs.




domingo, 24 de maio de 2020

Cine Lançamento - Em DVD



O bar Luva Dourada

Um serial killer chamado Fritz Honka (Jonas Dassler) ataca prostitutas num bairro boêmio de Hamburgo nos anos 70.

A distribuidora com foco em fitas cult Imovision lançou uma campanha na internet no início do mês que mobilizou os colecionadores do Brasil todo: aproveitando o reaquecimento do mercado de DVDs no país, a partir de agora ela relançará filmes que estavam fora de catálogo e também trará em DVD fitas premiadas recém-exibidas nos cinemas. A primeira remessa com novos títulos contém “O paraíso deve ser aqui” (2019), “Encontros” (2019) e o polêmico “O bar Luva Dourada” (2019).
A partir de uma horrenda história real, esse filme de drama com toques de horror, já aviso, é forte, com cenas chocantes de esquartejamento de mulheres, que causou mal-estar no Festival de Berlim, onde foi indicado ao Urso de Ouro no ano passado.
No centro da cena está o sádico serial killer Fritz Honka (1935-1998), que aterrorizou Hamburgo no início dos anos 70. Ele frequentava um bar, “Luva Dourada”, próximo ao distrito da luz vermelha, que reunia a escória da cidade, como bêbados doentes e prostitutas velhas (sua obsessão). Convidava essas mulheres para seu apartamento miúdo, um lugar sujo, onde, com ou sem sexo, as matava com crueldade, cortando-as em pedacinhos com uma serra. Partes dos corpos ele armazenava em casa, num compartimento na cozinha, outros eram espalhados por terrenos baldios vizinhos. Em quatro anos Honka matou pelo menos quatro vítimas – mas a polícia acreditava em mais de 10.
É deprimente ver as cenas de assassinato, o grau de insanidade e loucura que atingia aquele homem (ele era misógino, alcoólatra, deformado, com temperamento explosivo), e a quantidade de gente decrépita que o cercava. Há uma ou duas tramas paralelas menores, mas a gente até esquece delas, pois marcante mesmo é o serial killer em ação (novamente reforço, as sequências de morte podem impressionar).


A ambientação, por meio de cenários, segundo mostra o making of que tem no DVD, ficou idêntica à Hamburgo suja dos anos 70, num trabalho meticuloso de construção de cena. Outro ponto alto é a maquiagem: o bonito ator alemão Jonas Dassler, de apenas 23 anos, passou por um processo rigoroso de makeup (que devia ter sido indicada ao Oscar) para envelhecer quase duas décadas (na época do filme o assassino teria por volta de 38 anos) – para assemelhar-se ao real Honka precisou de lentes de contato para deixá-lo estrábico, além de um nariz postiço torto e dentes podres.
Um filme violento, pra baixo, para público específico, um genuíno estudo de misoginia e perversidade sob a estética do horror.
É mais um trabalho de impacto do cineasta alemão Fatih Akin, nascido em Hamburgo, o mesmo de “Em pedaços” (que tratava de terrorismo). Produção original da Warner Bros, com distribuição da Pathé, lá fora, aqui no Brasil está sob os direitos da Imovision.

O bar Luva Dourada (Der Goldene Handschuh). Alemanha/França, 2019, 115 minutos. Drama/Terror. Colorido. Dirigido por Fatih Akin. Distribuição: Imovision

sábado, 23 de maio de 2020

Cine Clássico



O valente treme-treme

O dentista Peter Potter (Bob Hope) vai tentar a sorte no Velho Oeste. Mal chega na cidade, conhece uma brava pistoleira, Calamity Jane (Jane Russell). Ela quer descobrir quem vende armas aos índios, e para isso pede ajuda ao dentista. Os dois fingem um casamento, e Potter, que é medroso, bota panca de valente para ajudar Jane em seus objetivos. No caminho a dupla ficará diante de uma série de atrapalhadas e perigos envolvendo pistoleiros, índios e xerifes armados.

Uma das minhas comédias preferidas da Era de Ouro de Hollywood, também um dos maiores sucessos na carreira de Bob Hope, astro da TV e do cinema americano entre os anos 40 e 60, que faleceu em 2003 aos 100 anos! Lembro de tê-la assistido pela primeira vez quando pequeno, numa sessão de madrugada na TV aberta, na metade dos anos 90, e me marcou a sucessão de confusões e atrapalhadas do personagem principal fugindo de índios e homens durões no Velho Oeste.
Bob Hope tinha um timing perfeito para a comédia, aqui ele interpreta um dentista medroso, meio doido, que precisa ser valente quando se une a uma figura lendária do Oeste selvagem, a pistoleira Jane Calamidade (Calamity Jane existiu mesmo, viveu na região de Dakota do Sul, guiou grupos de pistoleiros contra os ameríndios, morrendo aos 50 anos em 1903). É uma brincadeira descompromissada com essa real personagem, e quem a interpreta, compondo um tipo desconstruído, sensual, é Jane Russell, a famosa morena “matadora” do cinema americano dos anos 40 e 50, um autêntico sex symbol e furacão em cena – Jane atuou em vinte e cinco filmes, sendo o mais lembrado “Os homens preferem as loiras” (1953, ao lado de Marilyn Monroe). Hope e Jane têm uma química estrondosa, compartilham as emoções fazendo o público cair na risada. Prepare-se para altas aventuras, peripécias malucas e muito humor!


Ganhador do Oscar de canção (“Buttons and bows”), essa clássica comédia western teve uma continuação muito bacana em 1952, “O filho do treme-treme”, com o mesmo elenco.
Saiu em DVD há muitos anos pela Colecione Clássicos, que depois virou a distribuidora Obras-Primas do Cinema.

O valente treme-treme (The paleface). EUA, 1948, 89 minutos. Comédia. Colorido. Dirigido por Norman Z. McLeod. Distribuição: Colecione Clássicos (hoje Obras-Primas do Cinema)

Cine Cult



Amaldiçoada

Liz (Dakota Fanning) é uma jovem que passa a ser perseguida por um reverendo diabólico (Guy Pearce). Ao lado da família, transita pelos quatro cantos do país, na tentativa de fuga, mas o mal a persegue por todos os caminhos.

Está aí uma excelente fita cult que mistura gêneros e no final das contas é curiosa, original e macabra. Tem suspense, drama, toques de terror e mistério, a protagonista Dakota Fanning num de seus melhores trabalhos, assim como Guy Pearce num papel duro, maquiavélico (dá raiva de seu personagem, um verdadeiro diabo no corpo de homem). Quem conhece o clássico “O mensageiro do diabo” (1955, com Robert Mitchum), pode encontrar semelhanças boas – em ambos os filmes, há um reverendo sinistro que persegue a todo custo um grupo de pessoas aparentemente inocentes, deixando um rastro de sangue por onde passa.
Detesto esse título genérico, “Amaldiçoada”, que remete a tantas produções B de terror... aqui o horror é subcutâneo, o drama é mais intenso, e o suspense cresce em cada passo que a personagem principal dá. Classifico como um conto de medo em tom épico, no formato de saga, que dialoga com o machismo e à violência contra mulheres.


Indicado ao Leão de Ouro em Veneza e a 22 prêmios internacionais em festivais do mundo inteiro, o longa é um achado para quem curte histórias bem escritas – destaque para a fotografia sombria, do holandês Rogier Stoffers, de “Contos proibidos do Marquês de Sade” (2000). Uma curiosidade é a participação de dois atores de “Game of thrones” (Kit Harington e Carice Van Houten), aliás, em dado momento a direção de arte lembra o famoso seriado.
Escrito e dirigido pelo holandês Martin Koolhoven, de “AmnesiA” (2001), essa coprodução foi realizada entre sete países – Estados Unidos, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Suécia, Bélgica e França. Recomendo assistir!

Amaldiçoada (Brimstone). EUA/ Reino Unido/ Holanda/ Alemanha/ Suécia/ Bélgica e França, 2016, 148 minutos. Suspense/Ação. Colorido. Dirigido por Martin Koolhoven. Distribuição: California Filmes

Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 1

Confira resenhas de seis documentários imperdíveis – três deles em exibição nos principais cinemas do Brasil e outros três nos streamings Se...