sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Cine Lançamento


Sombras do além

Jeff (Cary Elwes) sobrevive a um grave acidente de carro que vitimou fatalmente sua esposa e o filho na Tailândia. Ele agora está em coma, e seu estado de saúde é delicado. Dias depois, Jeff desperta e descobre que pode ver espíritos de pessoas que morreram em tragédias. Para livrar-se das visões perturbadoras, recorre a um guia espiritual, Warren (William Hurt), no meio de uma floresta, que o leva ao “mundo das sombras”, local onde poderá libertar aquelas almas aprisionadas na terra e assim encontrar a paz.

Um filme de difícil classificação, que ficou na gaveta por dois anos (rodado em 2011) e só agora chega ao Brasil direto em home vídeo. É drama espiritualista misturado com horror (há cenas assustadoras de fantasmas maus), ficção científica (sobre portais para outros mundos) e aventura (a jornada do protagonista em meio à selva). Por isto soa irregular, mas que nunca perde o interesse, já que o assunto nunca sai de moda (há hoje uma avalanche de fitas espiritualistas que arrebanham uma boa parcela da população, inclusive no Brasil existe uma produção consolidada nesse tema).
O pouco lembrado Cary Elwes interpreta um homem que sai do coma após perder a esposa e o filho pequeno em um acidente automobilístico na exótica Tailândia, durante as férias. Só que vê fantasmas de pessoas que foram assassinadas brutalmente ou que morreram em tragédias semelhantes à da família. Descobre um consultor em assuntos espirituais isolado em uma selva perigosa (William Hurt, com participação bem pequena, a partir da metade do filme) e segue viagem para lá para uma orientação a fim de se livrar dos espíritos malignos.
É perceptível uma produção fraca de recursos técnicos, sem apuro no visual e nos efeitos, com cortes de cena que lembram telefilme - digamos, em termo popular, “mal feito”. Assistível... Relembro os leitores, o atrativo é a curiosa história, de apelo religioso e místico. Vale uma modesta conferida. Já em DVD e Blu-ray. Por Felipe Brida


Sombras do além (Hellgate/ Shadows). EUA/Tailândia, 2011, 91 minutos. Suspense/Aventura. Dirigido por John Penney. Distribuição: Paramount

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Cine Lançamento


A maldição de Chucky

A jovem Nica (Fiona Dourif), paraplégica, recebe em casa a irmã, com quem não se dá, para preparar o funeral da mãe, que provavelmente cometera suicídio. A irmã traz junto sua filha pequena, que vive carregando no colo um boneco ruivo. A partir da hospedagem, uma série de assassinatos chocantes colocará em risco a vida daquela estranha família.

Sexto (e novamente descartável) filme da franquia “Brinquedo assassino” (1988), cujo formato de cinessérie caiu no mau gosto e ficou fora de forma – os dois anteriores, “A noiva de Chucky” e “O filho de Chucky” eram de um humor negro apelativo, absurdo e grotesco – o boneco maldito chegou a transar no motel com sua namorada (outra boneca assassina) e com o sexo selvagem nascia outra criatura do mau, um brinquedinho sanguinário!
Nesta nova continuação retorna o gênero de terror como do original, no entanto encaixotado em um roteiro chocho, com um elenco de péssima qualidade e um emaranhado de assassinatos brutais, com direito ao gore (sangue espirrando para os lados). Inacreditável que tenha sido produzido, escrito e dirigido pelo criador de “Brinquedo assassino”, Don Mancini (que já havia escorregado na banana ao dirigir “O filho de Chucky”). Quem melhor para dar um ‘up’ na franquia se não o responsável pelo roteiro do original? Don Mancini deixou claro que não aprendeu a lição.
Curiosidade: no elenco (frouxo) há a presença da duvidosa Fiona Dourif como a jovem paraplégica – ela é filha de Brad Dourif, que sempre emprestou a voz ao boneco Chucky, e aqui repete a dose (o ator, já indicado ao Oscar e já ganhador do Globo de Ouro, ambos por “Um estranho no ninho”, reaparece em rápidas colagens do filme original, “Brinquedo assassino”, como o assassino Charles Lee Ray, que, no leito de morte, amaldiçoa o brinquedo com sua alma). Há também outra aparição conhecida dos fãs (se é que existem ainda) bem no desfecho, algo que sugere revelação - e surpresa até para a continuidade da franquia. Um filme ruim de doer... Por Felipe Brida

A maldição de Chucky (Curse of Chucky). EUA, 2013, 97 min. Horror. Dirigido por Don Mancini. Distribuição: Universal

domingo, 1 de dezembro de 2013

Aos 40 anos, morre de acidente o ator Paul Walker


O ator norte-americano Paul Walker, da cinessérie "Velozes e furiosos", morreu na noite de ontem, após grave acidente de carro em Valência, Califórnia. As causas do desastre são investigadas.
Com quase 30 anos de carreira (Walker iniciou no cinema como ator mirim, aos 12 anos), fez cerca de 30 longas metragens e diversos seriados, ficando conhecido pela franquia "Velozes e furiosos" (atuou nas partes 1, 2, 4, 5 e 6, e estava filmando a sétima continuação).
Dentre os filmes estão "O monstro do armário" (1986), "A vida em preto e branco" (1998), "Sociedade secreta" (2000), "Perseguição" (2001), "Linha do tempo" (2003), "Resgate abaixo de zero" (2006), "A conquista da honra" (2006), "A vida e a morte de Bobby Z" (2007), "Ladrões" (2010) e "Veículo 19" (2013). Por Felipe Brida.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Nota de Cinema


Spirit Awards anuncia indicados ao prêmio 2014

Foi anunciado ontem os indicados ao 29º Independent Spirit Awards, apontado como o maior prêmio do cinema independente norte-americano. “12 Years a Slave” lidera com sete indicações. O prêmio ‘Robert Altman’, que homenageia diretor, diretor de casting e elenco, será entregue ao novo trabalho de Jeff Nichols, “Amor Bandido”.
A entrega dos prêmios será em 1º de março de 2014, em Santa Monica. Confira os indicados:

Filme: 12 Years A Slave / All Is Lost / Frances Ha / Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum / Nebraska

Diretor: Shane Carruth (Upstream Color) / J.C. Chandor (All Is Lost) / Steve McQueen (12 Years A Slave) / Jeff Nichols (Amor Bandido) / Alexander Payne (Nebraska)

Atriz: Cate Blanchett (Blue Jasmine) / Julie Delpy (Antes da Meia-Noite) / Gaby Hoffmann (Crystal Fairy) / Brie Larson (Short Term 12) / Shailene Woodley (The Spectacular Now)

Ator: Bruce Dern (Nebraska) / Chiwetel Ejiofor (12 Years A Slave) / Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum) / Michael B. Jordan (Fruitvale Station: a Última Parada) / Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club) / Robert Redford (All Is Lost)

Roteiro: Woody Allen (Blue Jasmine) / Julie Delpy, Ethan Hawke & Richard Linklater (Antes da Meia-Noite) / Nicole Holofcener (À Procura do Amor) / Scott Neustadter & Michael H. Weber (The Spectacular Now) / John Ridley (12 Years A Slave)

Atriz Coadjuvante: Melonie Diaz (Fruitvale Station: a Última Parada) / Sally Hawkins (Blue Jasmine) / Lupita Nyong’o (12 Years A Slave) / Yolonda Ross (Go For Sisters) / June Squibb (Nebraska)

Ator Coadjuvante: Michael Fassbender (12 Years A Slave) / Will Forte (Nebraska) / James Gandolfini (in memoriam - À Procura do Amor) / Jared Leto (Dallas Buyers Club) / Keith Stanfield (Short Term 12)

Roteiro de Estreia: Lake Bell (In A World) / Joseph Gordon-Levitt (Don Jon) / Bob Nelson (Nebraska) / Jill Soloway (Afternoon Delight) / Mike Starrbury (The Inevitable Defeat of Mister and Pete)

Fotografia: 12 Years A Slave / Spring Breakers / Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum / All Is Lost / Computer Chess

Edição: Upstream Color / Museum Hours / All Is Lost / Computer Chess / Short Term 12

Documentário: 20 Feet From Stardom / After Tiller / Gideon’s Army / The Act of Killing / The Square
Filme Internacional: A Touch of Sin (China) / Azul é a Cor Mais Quente (França) / Gloria (Chile) / A Grande Beleza (Itália) / A Caça (Dinamarca)

Filme de Estreia: Blue Caprice / Concussion / Fruitvale Station: a Última Parada / Una Noche / Wadjda

Prêmio John Cassavetes (filme feito por menos de US$ 500.000): Computer Chess / Crystal Fairy / Museum Hours / Pit Stop / This is Martin Bonner

Para Prestar Atenção: My Sister’s Quinceañera / Newlyweeds / The Foxy Merkins


Mais Real Que a Ficção: A River Changes Course / Let the Fire Burn / Manakamana

Por Felipe Brida

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Cine Lançamento


A seleção

Portia (Tina Fey) trabalha há muitos anos como funcionária de admissões na Universidade de Princeton, instituição disputada por jovens de todos os lugares do mundo. Certo dia reencontra um ex-colega de classe, John (Paul Rudd), hoje professor, que mudará sua rotina e influenciará em seu trabalho tão rigoroso.

Comédia romântica de pouco repertório, fugindo de emoções críveis e com total ausência de atrativos engraçados. Tina Fey, querida pelos americanos e uma humorista de peso, famosa pelo seriado “30 rock”, pelo qual ganhou dois Globos de Ouro, interpreta o papel principal, o de uma funcionária de Princeton, responsável por um departamento de admissões, criteriosa na seleção e sem meio termo para nada. “Temida”, apontada como arrogante até pelos próprios colegas de trabalho, ela retoma a amizade com um antigo amigo (ela vai se apaixonar por ele será?) e terá um obstáculo pela frente, para aprovar um aluno de ideias pouco convencionais.
O grande problema do filme é ser morno demais, sem arriscar mais e nem aprofundar no provável romance entre os protagonistas – Tina é melhor em série que em cinema, e Paul Rudd parece perdido, distante (não gosto dele como ator). As partes mais cômicas ficam com a notória atriz Lily Tomlin, como a mãe de Portia, uma senhora desvairada que guarda uma espingarda em casa para acabar com os atritos familiares! De resto, nada funciona bem...
Culpa também do diretor Paul Weitz, que perdeu a vontade em comédias... Seu currículo é irregular: criou a pavorosa série teen “American pie”, fez refilmagens toscas (de “O céu pode esperar”) e continuações abaixo da média (“Entrando numa fria maior ainda com a família”). Vez ou outra ganhou redenção divina com bons projetos pessoais, como “Em boa companhia”, “Um grande garoto” e o anterior, “A família Flynn”. Já “A seleção” voltou a deixar a desejar, fazendo de uma história boba apenas um imediato passatempo romântico sem nada a acrescentar ou causar curiosidade. Por Felipe Brida


A seleção (Admission). EUA, 2013, 107 min. Comédia. Dirigido por Paul Weitz. Distribuição: Paramount

sábado, 23 de novembro de 2013

Cine Lançamento


Anna Karenina

Rússia, final do século XIX. De família aristocrática, a bela Anna Karenina (Keira Knightley) é casada com Karenin (Jude Law), influente funcionário do governo e integrante da alta sociedade russa. Em uma viagem para tratar assuntos familiares, Anna é cortejada pelo Conde Vronsky (Aaron Johnson), que o rejeita de todas as formas. Ao retornar para sua cidade, ela reencontra Vronsky na estação de trem, e ele confessa o amor que sente. Anna então resolve separar-se do marido para ficar com o conde. A partir daí, a vida da aristocrata se transformará em pesadelos e traições.

Ousada e pujante versão para as telas de um dos clássicos da literatura russa, a história de amor de Anna Karenina, de Leo Tolstoy (o mesmo de “Guerra e paz”). Com um brilhantismo estético que mescla teatro e cinema, ao mesmo tempo misturando magia e realidade, não é uma adaptação fiel ao livro - até a concepção da narrativa ultrapassa qualquer limite; é semelhante a um espetáculo teatral filmado, com interferências propositais dos figurantes, que entram em cena para arrumar o estúdio, rearranjar o ambiente, colocar tapete e mesas na sala, enquanto os personagens da linha central fazem a história de amor (e traição?) acontecer. Por seguir uma linguagem não convencional, original em formato e continuidade, o filme deverá causar estranhamento no público habituado nas velhas tradições...
Produção inglesa de longa duração (tem quase 2h10), a nova roupagem de ‘Anna Karenina’ venceu o Oscar de melhor figurino esse ano, sendo indicado ainda em outras três categorias (fotografia, trilha sonora e direção de arte – três elementos de existência primordial dessa suntuosa versão), e recebeu prêmios e indicações em zilhões de festivais, como Globo de Ouro e Bafta.
Em seu terceiro trabalho com o aclamado diretor Joe Wright (antes foram “Orgulho e preconceito” e o magnífico “Desejo e reparação”), Keira Knightley assume a identidade de Anna com maestria, incorporando os anseios dessa mulher moderna, disposta a amar livremente e enfrentar a dura sociedade da época. Jude Law e Aaaron Johnson também se destacam nos papéis dos amantes da jovem aristocrata.
Com final amargo, sucedido por imagens oníricas abertas a interpretações, o filme mantém a questão do começo ao fim: Anna traiu Vronsky? Uma obra rica em plasticidade, cores, figurino, direção de arte, atuações e criatividade. Conheça. Por Felipe Brida


Anna Karenina (Idem). Inglaterra, 2012, 129 min. Drama/Romance. Dirigido por Joe Wright. Distribuição: Universal

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Cine Lançamento


Inferno do faroeste

Gangue de criminosos, comandadas por Guerrero (Danny Trejo), invade uma cidadezinha mineradora no Oeste selvagem para saquear as lojas. Por causa de ganância, os bandidos assassinam o próprio líder, Guerrero, a mando de seu meio-irmão. A alma do bandido segue ao inferno, e lá faz um pacto com Satanás (Mickey Rourke) para se vingar dos seus algozes traidores.

Feito para home video, o fraco fraco (ruim, digamos) “Inferno no faroeste” reúne um elenco dos canastrões mais famosos do cinema, como o feioso Danny Trejo (protagonista, que em breve retorna com “Machete mata”), o deformado e já indicado ao Oscar Mickey Rourke (como o diabo) e o sumido Anthony Michael Hall (o irmão traidor do personagem principal).
Com extrema violência, que beira a insanidade (torturas, sangue de monte), a fitinha B tem uma história até que curiosa, porém estruturada sem cuidado algum, sem técnica e sem firmeza. Danny Trejo só dá certo em papéis de humor negro (que não é o caso deste trabalho), pois não tem gana de protagonista tampouco simpatia. Mickey Rourke, coitado, tem cenas toscas como um Satanás de botox, em aparição pequena e fragmentada (um pouco no início, um pouco no meio e um pouco no encerramento). Este exemplar único, de faroeste amaldiçoado, deixa a desejar em todos os aspectos possíveis de uma obra cinematográfica: elenco, fotografia, direção, roteiro, emoção, clímax etc. Culpo o diretor pelo desastre do filme; o pavoroso Roel Reiné, de origem holandesa, é realizador de todo tipo de continuação de originais duvidosos, como “Busca explosiva 2”, “Corrida mortal 2 e 3” e “O escorpião rei 3”. Ou seja, dispensa comentários. Não perca tempo com a nova bobagem desse cineasta. Por Felipe Brida

Inferno do faroeste (Dead in Tombstone). EUA, 2013, 100 min. Ação/Terror. Dirigido por Roel Reiné. Distribuição: Universal

Estreias da semana - Nos cinemas - Parte 1

  A quinta portuguesa   Coprodução Portugal e Espanha, o drama protagonizado pela atriz portuguesa Maria de Medeiros (de “Pulp fiction”) foi...