sábado, 8 de março de 2008

Cine Lançamento

Os Simpsons – O Filme

Homer Simpson provoca um desastre ambiental de proporções catastróficas, colocando Springfield em estado de alerta. A cidade torna-se a mais poluída dos Estados Unidos. O presidente do país, Arnold Schwarzenegger, então convoca a força militar para isolar a população em uma redoma de vidro. Os moradores da pacata Springfield querem, a todo custo, a cabeça de Homer.
Esperava-se mais do primeiro filme do famoso seriado “Os Simpsons”, criado por Matt Groening e que este ano completa 19 anos de existência (e mais de 420 capítulos produzidos exibidos em 100 países). Basicamente é uma reunião de mini-histórias, como se fossem as do seriado, independentes e que acabam se entrelaçando. Temos o bizarro relacionamento entre Homer e um porco de estimação (as cenas mais hilárias estão aqui), o novo amor de Lisa e os vícios e as maldades de Bart. Não há, em especial, argumentos novos e, sim, situações recicladas que ainda garantem risadas.
Personagens importantes e engraçados do seriado, como Mr. Burns, as irmãs gêmeas fumantes de Marge, Patty e Selma, e o melhor amigo de Homer, o alcoólatra Barney, são poucos explorados e alguns sequer aparecem.
Seguindo a onda de filmes e documentários sobre preocupação com o meio ambiente, os produtores da animação resolveram trilhar pelo mesmo caminho. Aqui, Lisa, filha de Homer, torna-se defensora das leis ambientais e tenta levar a mensagem aos moradores. Só que sei pai (reflexo da própria população desleixada e cara-de-pau) polui a cidade.
Como não podia faltar, existem referências a filmes como “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, na única cena com a dupla Comichão e Cocadinha, “Titanic”, “Homem-Aranha” e até a “Uma Verdade Inconveniente”, em que Lisa, assim como Al Gore no documentário, utiliza uma pequena cabina móvel para apresentar ao público um projeto sobre problemas ambientais.
Longe de ser um desastre, “Os Simpsons – O Filme” faz rir mesmo com as histórias fraquinhas. Particularmente não resisto à imbecilidade de Homer, figura que satiriza o típico pai de família norte-americano, aquele que gosta de beber com amigos no bar, tem sono agudo e evita pensar. É sabido também que o personagem representa a decadência intelectual do povo estadunidense. Um indivíduo que se envolve em casos patéticos e não faz nada certo. Antes dos créditos iniciais, Homer critica o filme brincando diretamente com nós, os telespectadores.
Na cena da igreja, contestam-se, de forma de cruel, os ritos protestantes. Igualmente no seriado, está distante de ser uma animação para crianças.
Atenção para o presidente dos Estados Unidos, Arnold Schwarzenegger, um espelho de George Bush, que troca o diálogo pelas ações de intervenção, e ao próprio Tom Hanks tirando sarro do governo. Os créditos finais dão abertura a uma possível continuação.
Indicada ao Globo de Ouro de melhor animação este ano (perdeu para Ratatouille), “Os Simpsons – O Filme” pode ser assistido como um bom passatempo de sábado à tarde. Mas não espere algo sensacional. Por Felipe Brida

Título original: The Simpsons Movie
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Vozes de Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright, Hank Azaria, Yeardley Smith, Harry Shearer, Pamela Hayden, Albert Brooks, Tom Hanks, Joe Mantegna.
Direção: David Silverman
Gênero: Animação
Duração: 87 min.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Cine Lançamento

A Maldição da Flor Dourada

Dinastia Tang, China, século X. O imperador Ping (Chow Yun-Fat) retorna à sua cidade com o príncipe Jai (Jay Chou), seu segundo filho, para celebrar o Festival Chong Tang com a família. Porém descobre um terrível segredo: a imperatriz Phoenix (Gong Li) mantém um romance secreto com seu enteado, príncipe Wan (Liu Ye). Só que Wan confessa querer se casar com a filha do médico imperial. As intrigas e traições crescem e começam a abalar a estrutura da família real.
Sou um admirador do estilo elegante e do visual requintado criados pelo diretor chinês Zhang Yimou. Ficou conhecido pelo público ao dirigir filmes épicos que remontam lendas de seu país, a China, como os sucessos “Herói” (2002) e “O Clã das Adagas Voadoras” (2004), sem falar em fitas pessoais, a exemplo os premiados dramas “Nenhum a Menos” (1999) e “O Caminho para Casa” (2005) – este vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. No entanto, perdeu a linha e tomou rumos incertos ao realizar esta aventura dramática, meio ação, considerado o filme mais caro já rodado na China. Indicado ao Oscar de melhor figurino em 2007, seu orçamento foi de R$ 45 milhões.
Yimou caiu em excessos. O figurino e a direção de arte são carregados demais. A profusão de cores causa, inicialmente, um impacto visual, mas com o desenrolar da fita vai aborrecendo. Nunca havia visto tantas tonalidades de cor juntas. Predomina o amarelo brilhante (daí o motivo de os personagens usarem ornamentos e vestimentas douradas, como se fosse ouro) e o vermelho-sangue, além do verde. O exagero cai no kitsch, tornando o filme brega demais. O cuidado minimalista foi tanto que se prestarmos atenção neles, deixamos de acompanhar a história!
A fita ainda peca em outros aspectos estruturais. As músicas – são três ou quatro ao todo – repetem-se a cada cinco minutos. Não há variação. A história demora para começar; quando engrena, fica em um lenga-lenga sem fim. Muitos nomes de personagens (herdeiros do trono e rivais) e explicações sobre fatos paralelos desanimam e nos deixam confusos.
Como não podia faltar nos projetos de Yimou, grande parte das cenas de arte marcial e luta de espada são bem elaboradas. Já outras, como no ataque a cavalo pelos assassinos encapuzados, apresentam erros de continuidade grosseiros (e olha que não sou cuidadoso para observar isto). Diferente dos anteriores, em “A Maldição” Yimou opta pela violência mais sanguinária. As poderosas lâminas das foices voadoras dos matadores fazem com que o sangue das vítimas espirre para todos os cantos. Estranhei o diretor ter seguido esta linha "gore".
Esperava-se melhorar no final, o que acaba não acontecendo. No desfecho, uma sucessão de tragédias “gregas” e revelações melodramáticas demais, em estilo shakesperiano.
Teria sido interessante mostrar os costumes de um país fechado e cercado de mistérios centralizando as ações nas intrigas e segredos de uma família imperial. Mas parece ter ficado melhor no papel do que na película. Demorou a chegar e passou despercebido no Brasil (e agora está disponível em DVD). Por Felipe Brida

Curiosidades: A batalha final demorou 20 dias para ser filmada, e reuniu mais de mil figurantes. Para rodar o filme foi construído o maior set de filmagem já visto na China.

Título original: Man Cheng Jin Dai Huang Jin Jia/ The Curse of the Golden Flower
País/Ano: Hong Kong, 2006
Elenco: Chow Yun-Fat, Gong Li, Jay Chou, Liu Ye, Ni Dahong, Junjie Qin.
Direção: Zhang Yimou
Gênero: Aventura/ Drama
Duração: 114 min.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Resenhas & Críticas

Elsa & Fred – Um Amor de Paixão

Dissimulada, Elsa (China Zorrilla) é uma idosa que vive sozinha em um apartamento em Madri. Quando conhece o novo vizinho, Fred (Manuel Alexandre), octogenário recém-viúvo e hipocondríaco, passa a seduzi-lo. Uma nova amizade nasce entre os dois e, quem sabe, o amor.
Refinada comédia dramática, irresistível e bastante sensível. Assisti ao filme há quase dois meses, deliciei-me e não podia deixar de escrever sobre ele neste espaço.
A fita é conduzida por uma dupla formidável – Zorrilla e Alexandre, que consegue transmitir boas vibrações e nos sensibilizar. O casal de velhinhos (ambos, na vida real, com mais de oitenta anos) equilibra-se e completa-se: de um lado está Elsa, agitada e cheia de manias; do outro, Fred, paciente e deprimido.
É engraçado acompanhar as situações politicamente incorretas manipuladas pela personagem de Zorrila. Aliás, ela faz o papel de uma mulher perspicaz que inventa desculpas mirabolantes que chegam a convencer os amigos e quem estiver por perto. Tudo em tom sutil e simpático.
O diretor Marcos Carnevale declara abertamente uma homenagem a um dos maiores filmes do cineasta italiano Federico Fellini, “A Doce Vida”. Logo no início, a câmera focaliza uma foto esplendorosa de Anita Ekberg interpretando Sylvia, na Fontana di Trevi, no clássico de Fellini. E durante o enredo, a personagem Elsa retoma o nome da atriz e do filme “A Doce Vida” várias vezes. Se você já assistiu ao clássico italiano, “Elsa e Fred” fica ainda melhor, pois as referências em torno da obra-prima de Fellini são contínuas. O próprio título faz alusão à "Ginger & Fred", um filme menor de Fellini que traz, no elenco, Marcello Mastroianni e Giuletta Masina.
O tema central da fita aborda amizade na terceira idade. E quem disse que não existe paixão na velhice? Indicado para toda a família, o filme foi rodado na Espanha e na Argentina. E para incrementar, uma trilha sonora tocante. Tem até o sucesso espanhol do início dos anos 80 “Hoy Puede ser un Gran Dia”, cantado por Joan Manuel Serrat.
Fazendo esta resenha, deu uma vontade danada de assistir à comédia novamente.
O formato em Standard do DVD lançado no Brasil prejudica as cenas; em certas seqüências, o enquadramento acaba “cortando a cabeça” dos personagens, além de descentralizar o rosto dos mesmos durante os diálogos. (Por Felipe Brida)

Título original: Elsa y Fred
País/Ano: Argentina/Espanha, 2005
Elenco: Manuel Alexandre, China Zorrilla, Blanca Portillo, José Ángel Egido, Omar Muñoz, Roberto Carnaghi.
Direção: Marcos Carnevale
Gênero: Comédia/Drama
Duração: 108 min.

terça-feira, 4 de março de 2008

Cine Brasil

Cinema Aspirinas e Urubus

Em 1942, dois homens de origem diferente se encontram no sertão paraibano. O alemão Johann (Peter Ketnath) está foragido da Segunda Guerra Mundial e percorre o interior do país vendendo aspirinas em um caminhão. Ranulpho (João Miguel) é um sertanejo pobre que passa a auxiliar Johann. Em meio à aridez dos lugares mais remotos do Nordeste, a dupla ganha a vida exibindo pequenos vídeos sobre aspirina, medicamento considerado milagroso. Entre o alemão e o sertanejo nasce uma forte amizade.
Um road-movie interessante e original rodado inteiramente em locações naturais, no sertão da Paraíba. Premiado em festivais brasileiros, e inclusive chegou a ser pré-selecionado para o Oscar 2007, mas ficou fora da lista dos cinco finalistas para o prêmio de melhor filme estrangeiro, o drama trata a questão da alteridade (relação com o outro) por meio dos estreitos laços entre dois homens de cultura, valores e comportamento distintos. Homens estes idealizadores que alimentam os sonhos de uma população pobre e sem perspectivas. No fundo captamos um choque cultural sem atritos entre os personagens centrais. As paisagens áridas e tácitas, além de preencherem o vazio interior do alemão e do sertanejo, provocam o clima de abandono social.
Nascido em Pernambuco, o diretor estreante, o competente Marcelo Gomes, roteirista de Madame Satã (2002), explora a busca e a valorização da identidade cultural do país. E nada mais indicado do que traçar tal parâmetro pela região Nordeste do Brasil.
O filme é inspirado nos relatos de viagem do tio-avô do diretor, Ranulpho Gomes, que, na Segunda Guerra, vendia aspirinas pelo sertão afora.
A história me envolveu o tempo todo. Os atores centrais são bons e carismáticos, em especial João Miguel. Ao longo da fita o público vai entendendo o significado do estranho título. Desconhecido pelos brasileiros, o drama é uma indicação de primeira linha. Ainda há tempo de ser descoberto e apreciado.

Curiosidades: O ator Peter Ketnath é alemão e atualmente mora em Berlim. Em sua estada no Brasil, morou por alguns meses na Bahia, aprendeu a falar português, gravou o filme Cinema Aspirinas e Urubus e participou em 16 capítulos da novela “Pé na Jaca” (2006). Em sua terra natal, faz filmes e seriados. (Por Felipe Brida)

Título original: Cinema Aspirinas e Urubus
País/Ano: Brasil, 2005
Elenco: Peter Ketnath, João Miguel, Daniela Câmara, Verônica Cavalcanti, Paula Francinete, Hermila Guedes.
Direção: Marcelo Gomes
Gênero: Drama
Duração: 99 min.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Comentários do Blogueiro

Filmes da semana

Dois leitores enviaram emails para mim no final de semana sugerindo que escrevesse, neste espaço, alguns breves comentários sobre filmes que assisto, independente se são novos ou mais antigos. Achei a idéia interessante e, portanto, atendo ao pedido dos internautas.
Na semana passada, devido a alguns dias livres no período da tarde, assisti à comédia Relax (Lost in América, 1985), com os sumidos Albert Brooks e Julie Hagerty. Brooks também dirige este filme fraco, nada mais que um passatempo que provoca poucas risadas. A história é sobre um casal de yuppies que abandona o emprego para percorrer os Estados Unidos. Em estilo road-movie, a comédia faz referência ao clássico Sem Destino (até por que o casal afirma que a viagem será baseada em Easy Rider).
Não havia assistido, no ano passado, o drama musical Dreamgirls – Em busca de um sonho (Dreamgirls, 2006), que concorreu a oito prêmios no Oscar de 2007 e que levou apenas dois – melhor atriz coadjuvante (Jennifer Hudson) e edição de som. Mais um exagero total da academia, outro filme superestimado. Excessivamente cantado, o drama chega a cansar. Não há músicas especialmente boas. Conta a história de um trio de cantoras que sonha em alcançar o estrelato, nos anos 60. Jennifer Hudson interpreta Effie White, uma das integrantes do trio e que depois é rejeitada. A atriz trabalha bem, convence, mas nada de levar Oscar. Até por que Adriana Barraza (Babel), Cate Blanchett (Notas Sobre um Escândalo) e a pequena Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine) eram melhores. Vai entender... Eddie Murphy, indicado ao Oscar de ator coadjuvante, tenta fazer diferente em um papel dramático. Ele está razoavelmente bem; ainda tem aqueles trejeitos de rir escancaradamente e remexer o corpo. Quem não gosta de filmes musicais em que os personagens cantam, narrando passagens da vida, nem arrisque.
Assisti também às ruins adaptações para o cinema dos seriados Chips e Os Gatões. Os filmes se chamam, respectivamente, Chips 99 (Chips 99, 1998) e Os Gatões – A Nova Balada (The Dukes of Hazzard, 2005). O primeiro traz Erik Strada, gordo e grisalho, na pele do oficial Ponch, e Larry Wilcox, como capitão Baker, os mesmos da série dos anos 70/80. A história é banal, sobre roubos de veículos (assim como a série, que, particularmente, nunca gostei), mal amarrada e cheia de furos. Uma fita desnecessária. Já o segundo filme é ainda pior. Comédia voltada para os jovens, recheado de besteirol e com absurdos que nada têm a ver com o famoso seriado exibido entre 1979 e 1985. Para piorar, no elenco, dois atores insuportáveis, Johnny Knoxville (líder do grupo Jackass) e Seann William Scott. Eles interpretam os primos Luke e Bo Duke, que trabalham como entregadores de bebida ilegal e vivem se metendo com a polícia. Evite.
Amanhã trago mais! (Por Felipe Brida)
Piaf – Um Hino ao Amor

Biografia da cantora parisiense Edith Piaf (1915-1963), desde a infância pobre e sofrida até a deprimente e solitária morte.
Um retrato realista, fascinante e comovente de uma das grandes vozes da música internacional. Que filme tocante. Há tempos não ficava surpreendido com uma história de vida tão forte e triste. E que mulher sofrida era Edith Piaf. De família pobre, Piaf, quando pequena, foi abandonada pela mãe e criada pela avó descuidada. O pai, então, resolve deixar a menina em um bordel. Sustentada por prostitutas, teve uma grave doença nos olhos e quase ficou cega. Sem amigos de sua idade, a pequena Piaf é retirada do prostíbulo pelo pai e levada para trabalhar em um circo. Na adolescência, passa a cantar em dupla com uma colega e ganha dinheiro nas esquinas. Até ser descoberta e levada à notoriedade. Não quero estragar surpresas, portanto encerro a história por aqui. Mas se preparem: o drama é pesado e provoca lágrimas.
A biografia não endeusa e nem romanceia fatos. Exibe os inúmeros azares e sofrimentos de Piaf e, ao mesmo tempo, mostra a cantora ser corrompida por vícios, como bebedeira e uso freqüente de morfina, drogas estas que colaboraram para sua debilitação e morte prematura. Ela morreu aos 47 anos, porém aparentando 70 (sofrida e acabada).
Fiquei encantado com a garra desta mulher. Com todos os problemas, encontrava solução ao cantar. Soltava a voz com amor, algo que fascinava qualquer tipo de público. E que fazia tricô nos horas livres! Desde pequena carregava uma entonação forte e avantajada, meio masculinizada. Começou a cantar por acaso, em uma apresentação de rua, forçada pelo pai para ganhar dinheiro. E daí não parou mais. As músicas, em estilo chanson, retratavam sua história de vida.
Piaf tinha um perfil desajeitado, formado por olhos estalados, dentes grandes e seu corpo era curvado para frente, devido a problemas nas costas. Seu jeito de ser oscilava entre a timidez e o comportamento instintivo e explosivo. Para completar, era uma mulher azarada e sempre sofreu humilhações. Seu final não podia ser outro: morreu amargurada, sem poder mais cantar e sem ter um companheiro conjugal.
O filme não é linear. Apesar do vai-e-vém entre épocas, conseguimos acompanhar sem muito esforço. A trilha musical é composta por músicas imortalizadas por Piaf, como “La Vie em Rose”, “Hymne a l’amour” e “Non, je ne regrette rien”.
Ganhador de dois prêmios Oscar este ano – atriz, para Marion Cotillard, e maquiagem, ainda foi indicado para figurino. Seria suicídio se não comentasse sobre Marion nesta resenha. Realmente a atriz assusta ao personificar Piaf. Ela faz um papel à altura da cantora. É prazeroso ver uma atriz talentosa “explodir” em um show de interpretação. Ela surpreende com o jeito de falar e de cantar, adotar os trejeitos e a espontaneidade de Piaf. Brilhante! Um Oscar merecido (e o de maquiagem também. Marion está irreconhecível tanto na juventude quanto no auge da carreira de Piaf).
O filme ainda ganhou prêmios importantes de cinema, como o Globo de Ouro (atriz) e quatro estatuetas Bafta (figurino, atriz, maquiagem e música). Estranhamente, no César, considerado o Oscar francês, não levou em nenhuma das 11 categorias indicadas.
Ainda temos, na fita, participações especiais de Emmanuelle Seigner, atriz casada com o diretor e ator Roman Polanski, que interpreta uma prostituta carinhosa, e Gérard Depardieu, que adota Piaf na adolescência e a leva para a fama. Um filme imperdível e obrigatório. Lançado em DVD pela Paris Filmes na última semana de fevereiro. (Por Felipe Brida)

Título original: La Môme
País/Ano: França/Inglaterra/República Tcheca, 2007
Elenco: Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Gregory, Emmanuelle Seigner, Gérard Depardieu, Jean-Paul Rouve, Clotilde Courau, Jean-Pierre Martins,
Direção: Olivier Dahan
Gênero: Drama
Duração: 140 min.

domingo, 2 de março de 2008

Cine Lançamento

1408

O romancista Mike Enslin (John Cusack) começa a escrever livros baseados em suas investigações sobre fenômenos paranormais. Certo dia, descobre que no hotel Dophin, em Nova York, existe um quarto, de número 1408, que foi palco de crimes horrendos e inúmeros suicídios. Decide então se hospedar no local para conferir se ele é ou não amaldiçoado.
Uma boa adaptação para o cinema do conto de terror de Stephen King. Suspense tenso que deixa os nervos à flor da pele e garante bons sustos. Porém, a dica é: só assista aqueles que estejam familiarizados com o universo de Stephen King, em especial as obras em que o autor funde o mundo real e palpável com a imaginação, como já visto em Janela Secreta, Montado na Bala e IT. Os estranhos flashbacks e as seqüências com tom surrealista tornam a trama complexa e difícil de acompanhar. O público desavisado que fique atento! A fita é confusa e sempre o telespectador fica em dúvida se aquilo que vê é real ou apenas delírio do personagem. Em boa parte das adaptações de King, e aqui a receita se repete, o protagonista carrega fatos obscuros do passado, que vão sendo manifestados pouco a pouco. O desfecho deixa aberto para interpretações, ou seja, é ambíguo e não conclusivo.
O competente ator John Cusack, no papel principal, consegue absorver todo este clima de tormento e transmitir medo e tensão. Para Samuel L. Jackson, que aparece em tudo o que é filme, resta interpretar o gerente do hotel Dolphin, em uma participação pequena. Alguns podem achar cansativo o fato de o filme ficar limitado somente ao quarto 1408, com os acontecimentos focando um só personagem.
O diretor Mikael Hafström é sueco e dirigiu filmes de drama e outros de terror em seu país natal. Nos Estados Unidos, em 2005, rodou o fraco suspense “Fora de Rumo”, com Clive Owen, Vincent Cassel e Jennifer Aniston. Melhorou ao fazer “1408” e, atualmente, prepara o filme de ação “Shanghai”, que será rodado em Hong Kong e conta, no elenco, grandes nomes, como John Cusack (novamente), Chow Yun-Fat, Ken Watanabe e Li Gong. (Por Felipe Brida)

Título original: 1408
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: John Cusack, Samuel L. Jackson, Mary McCormack, Tony Shaloub, Len Cariou, Jasmine Jessica Anthony.
Direção: Mikael Hafström
Gênero: Terror
Duração: 100 min.


Jackass 2.5

Compilação de esquetes do grupo Jackass não aproveitadas no documentário anterior, Jackass 2 (lançado em 2006). Há também novas entrevistas do elenco falando sobre a preparação para os quadros de humor.
Todos já ouviram falar de Jackass, não? Era uma série norte-americana criada em 2000, e exibida pela MTV, que reunia vários marmanjos estúpidos participando das situações mais grotescas e escatológicas possíveis, sempre levando em consideração agressões físicas, vômitos, fezes e outras tolices. A série propriamente dita teve de ser encerrada, já que o público jovem começou a reproduzir, na vida real, as bobeiras vistas pela TV. Casos de prisões e mortes foram registrados nos Estados Unidos por causa da tentativa em imitar Jackass. Só que o grupo, insistente, não parou e começou a fazer filmes independentes, que viraram grande sucesso entre a moçada. Gravaram Jackass – O Filme e Jackass 2. Depois, reuniram seqüências cortadas neste último e lançaram o Jackass 2.5, com o subtítulo Sem Cortes.
Talvez este 2.5 seja o mais escatológico e grotesco de toda a existência de Jackass. Um exemplo autêntico de degradação, baixeza humana e auto-sacrifício. Os atores participaram de provas de humilhação. Para se ter uma idéia até que ponto a imbecilidade humana pode chegar, eles se juntam para sessões de vômito coletivas, bebem urina e destroem estabelecimentos públicos. Assustam pessoas nas ruas e defecam na frente das câmeras. Uma completa indecência que reflete dois pontos distintos: a decadência da sociedade ocidental e a propagação do consumismo medíocre.
Nas entrevistas, os membros do grupo, liderado por Johnny Knoxville, o idealizador da série e dos filmes (fez filmes de sucesso, como Os Gatões – A Nova Balada e Homens de Preto 2), não tem muito o que contar. Dá a impressão que são doentes da cabeça mesmo.
A fita já inicia com Knoxville parodiando o clássico de guerra “Patton – Rebelde ou Herói?” À frente da enorme bandeira dos Estados Unidos ele convoca os colegas, que chegam marchando sem calça e com armas na mão. Um documentário fútil, como os anteriores, que repudia e não acrescenta em nada. Lançado em DVD no final do mês passado pela MTV New Media/Paramount. (Por Felipe Brida)

Título original: Jackass 2.5
País/Ano: EUA, 2007
Elenco: Johnny Knoxville, Bam Margera, Steve-O, Chris Pontius, Preston Lacy, Dave England, Ehren McGhehey, Brandon DiCamillo.
Direção: Jeff Tremaine
Gênero: Documentário
Duração: 64 min.

Nota de cinema

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