segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Cine Especial


Western stars

Documentário que acompanha o cantor e compositor Bruce Springsteen em um concerto especial do álbum ‘Western stars’ (2019). Enquanto ele canta e toca as 13 músicas do disco para um público em seu rancho, em Nova Jersey, nos é contada, paralelamente, a história de um velho cowboy em crise.

Produzido para o cinema, esse documentário musical traz as histórias por trás das músicas do álbum ‘Western stars’ (2019), do cantor e compositor norte-americano Bruce Springsteen (1949-), um disco em comemoração aos 50 anos de carreira dele. Com seu vozeirão inconfundível, ele canta e toca as 13 músicas do álbum de estúdio para um público seleto no celeiro centenário de sua propriedade, um rancho em Nova Jersey. É o 19º álbum de Springsteen, este influenciado pela música pop do sul da Califórnia da década de 70, com homenagem direta a Glen Campbell e Burt Bacharach.
A cada troca de música, Springsteen narra a história de um velho cowboy que decide rever sua vida e sua trajetória, um homem em crise que pensa acerca do valor da família, das perdas e a procura pela liberdade. Esse personagem nada mais é do que o próprio Bruce, uma espécie de reflexão que faz sobre ele mesmo, ao chegar aos 70 anos de idade, maduro e aceitando a velhice.
É um documentário íntimo, que reúne um show gravado com videoclipe, muito bem filmado e fotografado. E que mostra um grande cantor e compositor no palco, um novo Bruce Springsteen, mais introspectivo, longe do pop e do rock, lidando com uma nova fase da vida. Springsteen é nome fundamental da música norte-americana, começou a carreira em 1969, ganhou 20 Grammys e um Oscar, tendo vendido 120 milhões de discos ao longo das décadas - cantou músicas famosas, como ‘Born to run’, ‘Badlands’, ‘Born in USA’, ‘Dancing in the dark’, ‘Hungry heart’, ‘Streets of Philadelphia’ – vencedora do Oscar, do filme ‘Filadelfia’ (1993), entre outras.
Exibido no Festival de Toronto, o filme marca a estreia do músico na direção, num doc codirigido por um parceiro de trabalhos dele, Thom Zimny, duas vezes ganhador do Emmy.



No fim do show ele faz uma homenagem a Glen Campbell, falecido dois anos antes, tocando sua música mais famosa, ‘Rhinestone cowboy’, sucesso em 1975. Disponível em DVD pela Warner ou para aluguel em plataformas de streaming como Apple TV e Youtube Filmes.

Western stars (Idem). EUA, 2019, 83 minutos. Documentário. Colorido/Preto-e-branco. Dirigido por Bruce Springsteen e Thom Zimny. Distribuição: Warner Bros

domingo, 11 de agosto de 2024

Estreia da semana - Nos cinemas


O último pub (2023)

Está em exibição nos cinemas brasileiros o último filme do britânico Ken Loach, ‘O último pub’, que o rodou aos 87 anos. Uma lenda viva que realiza obras contundentes e críticas, e que tudo indica ser seu trabalho de despedida do cinema. Agora o seu novo drama social discute questões sobre imigração e xenofobia. Um proprietário de um pub luta diariamente para manter seu negócio em pé, numa pequena cidade operária da Inglaterra. Refugiados sírios chegam à região, por ser uma área de mineração e hoje desvalorizada, e sofrem represálias da comunidade; ele se aproxima de uma jovem síria, que é fotógrafa, e junto dela resolve abrir no pub uma cozinha comunitária. Tudo isso afronta amigos e vizinhos, que não aceitam a presença dos imigrantes e pressionam para que eles voltem ao país de origem.
O diretor de ‘Kes’ (1969), ‘Ventos da liberdade’ (2006) e ‘Eu, Daniel Blake’ (2016 – esse, ganhador da Palma de Ouro em Cannes), dirige uma história íntima de amizade, luta e sobrevivência, com foco nos imigrantes sírios. Assim como o protagonista (um ótimo trabalho do ator Dave Turner), o pub, que se chama ‘Old Oak’, ou ‘Velho carvalho’, simboliza a resistência em uma cidade decadente, negligenciada e ultraconservadora – próprio reflexo do diretor, que é uma voz da resistência na Inglaterra, e persiste nesse cinema autoral, pessoal e crítico desde os anos 60.
Com roteiro de Paul Laverty, parceiro de trabalho de Loach há 30 anos, o filme foi indicado à Palma de Ouro e ao Bafta e recebeu prêmio especial do público no Festival de Locarno. Distribuído nos cinemas pela Synapse Distribution.




sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Cine Cult



O corvo

Na noite anterior ao casamento, o roqueiro Eric Draven (Brandon Lee) e sua noiva, Shelley (Sofia Shinas), são assassinados por uma gangue de rua. Um ano depois, Eric retorna do túmulo para se vingar, perambulando pela cidade chuvosa, guiado por um corvo.

Conto de terror neogótico e sobrenatural, que virou cult e ganhou uma série de continuações e até seriado. Com alta carga de densidade dramática e psicológica, o filme de ação com toques de horror ficou conhecido não só pela estética inovadora e dark, mas por uma tragédia nos bastidores – o ator principal, Brandon Lee, único filho de Bruce Lee, morreu nas filmagens no auge da carreira, aos 28 anos, em março de 1993; ele levou um tiro acidental no set, e até hoje o caso ficou inconclusivo; ninguém sabe como foi parar lá uma arma de verdade no lugar de uma de festim. O caso foi repercutido no mundo, o filme saiu um ano depois, em maio de 1994, e foi muito visto por causa disso.
A estética chamou a atenção na época – uma fotografia escura, na chuva, com tons macabros, bem estilizada, e câmera em constante movimento. A trilha sonora é de rock, com The Cure, Rage against the machine e outros, e o protagonista, uma novidade no mundo dos super-heróis modernos – na verdade um anti-herói, triste, melancólico e depressivo.
Baseado nos quadrinhos de James O’Barr, o filme foi inspirado num caso real do próprio desenhista - O’Barr, norte-americano, aos 18 anos, poucos dias depois de se alistar na Marinha, viu a noiva morrer atropelada por um motorista bêbado. O fato o perturbou, até que aos 21 anos, morando em Berlim, começou a escrever e desenhar ‘O corvo’, influenciado pela cidade alemã, pela tragédia pessoal e por um caso policial estampado nos jornais da época, de um casal morto por causa de um anel de casamento. E tudo isso, de certa maneira, aparece na composição do roteiro do filme e nos personagens.
Foi o pontapé no cinema do diretor Alex Proyas, que vinha do universo dos videoclipes musicais, e depois fez filmes sombrios a carreira toda, como ‘Cidade das sombras’ (1998) e ‘´Presságio’ (2009).





Com a repercussão do longa, vieram continuações. Gosto apenas da segunda parte, ‘O corvo – A cidade dos anjos’ (1996), com Vincent Perez no papel principal; depois vieram exemplares bem ruins, como ‘O corvo III – A salvação’ (2000) e ‘O corvo – Vingança maldita’ (2005), além de curtas e até uma série de TV – essa muito boa, ‘O corvo – Uma escada para o céu’ (1998-1999), com 22 episódios, com Mark Dacascos. Em agosto desse ano sai nos cinemas a nova versão, de Rupert Sanders, diretor de ‘Branca de Neve e o caçador’ (2012), com Bill Skarsgård, o palhaço Pennywise das duas partes do filme ‘It: A coisa’ (2017-2019), interpretando Eric.
O filme saiu em DVD pela Warner em 2006, depois pela Classicline em 2022 e recentemente em bluray numa edição de luxo pela Obras-primas do cinema, em edição digibook com quase duas horas de extras. E quem quiser conhecer a graphic novel original, em 2018 saiu a coleção toda pela editora Darkside Books, numa primorosa edição de luxo em capa dura, com 272 páginas - toda em preto-e-branco, reúne os quatro livros/volumes de toda a série, além de desenhos inéditos do autor.

O corvo (The crow). EUA, 1994, 102 min. Ação. Colorido. Dirigido por Alex Proyas. Distribuição: Classicline (DVD de 2022) e Obras-primas do Cinema (Bluray de 2024)

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Resenha especial



Era uma vez no Oeste

Disputa pelo controle de água de uma propriedade no velho oeste explode num ato de ambição, honra e vingança em uma cidade abandonada do deserto norte-americano.

Monumental, extraordinário, um feito único do cinema! ‘Era uma vez no oeste’ permanece intacto como um dos maiores clássicos do western, que atravessa gerações. Sem contar que é uma aula de estética, que recorre ao barroco e ao operístico para contar uma história suja de vingança e opressão no velho oeste.
O filme tem personagens complexos, com muitas camadas. Uma disputa pelo controle de água de uma propriedade no deserto reúne uma ex-prostituta (Claudia Cardinale), viúva do dono das terras e herdeira, que também perdeu os filhos numa chacina; um bandido acorrentado, Cheyenne (Jason Robards); um pistoleiro de preto com toda sua vilania, conhecido como ‘Anjo da morte’ (Henry Fonda); um misterioso gaiteiro que atira pra matar, que não tem nome e é apenas conhecido por ‘Harmônica’ (Charles Bronson); e um senhor paraplégico conhecido como ‘Barão das ferrovias’ (Gabriele Ferzetti). Eles se encontram numa terra seca que vale milhões, na época da Corrida do Ouro, quando se expandiram as ferrovias pelos Estados Unidos, na metade do século XIX. Aquela região foi cortada de ponta a ponta pelos trilhos de trem, com isso iniciou-se o desenvolvimento das cidades. E ao mesmo tempo se transformaria em terras-sem-lei, tomada por bandidos, xerifes corruptos e gente inocente sendo massacrada. Esse é o pano de fundo desse western spaghetti metade filmado na Itália (nos estúdios da Cinecittá) e metade nos EUA (em locações como Monument Valley, no Arizona, e nos estúdios da Paramount Pictures), e parte das cenas gravadas no deserto de Tabernas, na Espanha.
Como define o próprio Leone sobre seu filme: “O ritmo do filme pretendeu criar a sensação dos últimos suspiros que uma pessoa exala antes de morrer. ‘Era uma vez no Oeste’ é, do começo ao fim, uma dança da morte. Todos os personagens do filme, exceto Claudia Cardinale, têm consciência de que não chegarão vivos ao final”.
Dois roteiristas que viriam a ser grandes diretores davam os primeiros passos no cinema com esse filme, Dario Argento e Bernardo Bertolucci, que criaram o argumento junto de Sergio Leone.






Leone iniciaria com ‘Era uma vez no oeste’ uma trilogia sobre a América – em seguida veio o barulhento e também barroco e violento ‘Quando explode a vingança’ (1971), sobre a Revolução Mexicana, e o inigualável drama com policial ‘Era uma vez na América’ (1984), uma longa e enternecida saga sobre a formação da máfia judaica em Nova York.
Primoroso, ‘Era uma vez no oeste’ causa deslumbre pelos enquadramentos diferenciados e a trilha memorável de Ennio Morricone, um de meus favoritos – já começa com uma cena que deixa o público com o coração na mão, muito criativa, silenciosa e cheia de ângulos inusitados, quando três pistoleiros (Jack Elam, Al Mulock e Woody Strode) aguardam a vinda de um trem numa estação isolada, no calorão do deserto, e quando ele chega, escutam um som sinistro de uma gaita – a música do gaiteiro fica na memória, é o som da morte.
É um filme que aprendi a gostar e sempre revisito. Recentemente o reassisti na ótima cópia em bluray que saiu pela Paramount Pictures dois anos atrás. O filme está disponível nessa versão e em DVD duplo – ambas com mais de uma hora de extras. As duas versões disponíveis no Brasil são as de cinema, de 165 minutos – há uma estendida, nunca lançada em mídia física, de 177 minutos, e outras com cortes, como a de estreia americana, de 145 minutos, e uma de 137 minutos lançada na Finlândia. Procure ver em bluray, com imagem e som altamente nítidos.

Era uma vez no Oeste (Once upon a time in the west). EUA/Itália, 1968, 165 minutos. Faroeste. Colorido. Dirigido por Sergio Leone. Distribuição: Paramount Pictures

domingo, 4 de agosto de 2024

Estreias da semana - Nos cinemas

 

O exorcismo (2024)

 

Tinha potencial para ser um bom filme de terror psicológico, ainda mais porque a base da história envolvia os bastidores do filme ‘O exorcista’ (1973), quando fatos assustadores tomaram conta do set de filmagem. Até a metade, o filme segue à risca essa proposta, mas depois se perde em possessões demoníacas aleatórias, com efeitos visuais manjados e um final sem surpresas.
Russell Crowe, que ultimamente participa de filmes lamentáveis, interpreta um ator em decadência, ex-usuário de drogas, que recebe o convite para um novo trabalho – atuar como padre em um filme de terror. Durante as gravações, ele é adquire comportamento violento, e aos poucos demonstra estar possuído por um demônio milenar.
É o segundo filme em menos de um ano com Crowe sobre exorcismo – o anterior é o interessante e real ‘O exorcista do Papa’ (2023).
Tem participações pequenas de três bons nomes, mas que mal aparecem na tela, outro ponto falido do filme - Sam Worthington, Adam Goldberg e Samantha Mathis.
A direção, vejam que curioso, é do ator e roteirista Joshua John Miller, que começou a carreira nos anos 80 ainda mirim; ele é filho do ator Jason Miller, o padre Karras do original ‘O exorcista’, e como roteirista aqui tentou trazer as histórias perturbadoras dos bastidores daquele filme, considerado por muita gente o mais assustador de todos os tempos do cinema. Infelizmente errou na mão, e o resultado é bem, bem aquém de muitas produções do gênero. ‘O exorcismo’ está em exibição nos cinemas brasileiros pela Imagem Filmes.

 


 

Estranho caminho (2023)

 

Novo filme do cineasta cearense Guto Parente, de ‘Inferninho’ (2018) e ‘O clube dos canibais’ (2018). Com forte apelo dramático e um bom elenco com a nova geração de atores brasileiros independentes, o drama retrata o retorno de um jovem cineasta para a casa do pai, em Fortaleza, durante a pandemia da covid. Ambos não conversam há anos, acabam se encontrando e a volta do filho trará junto tanto situações desafiadoras quanto estranhas.
Ganhou os prêmios de melhor roteiro e ator coadjuvante (Carlos Francisco, de ‘Bacurau’ e ‘Marte um’) no Festival do Rio, e levou quatro prêmios no prestigiado Festival de Tribeca, dentre eles filme e roteiro.
O filme transita na linha narrativa do diretor Guto Parente – quem o conhece sabe, que mistura elementos da realidade com fantasia, personagens envoltos numa aura de estranheza e mistério e situações incomuns, quase um ‘cinema fantástico’. A fotografia impressionante e muito bem conduzida ajuda na concepção criativa do longa. Gostei muito e indico.
Tem produção assinada pela produtora independente Tardo Filmes e distribuição nos cinemas pela Embaúba Filmes.




sábado, 27 de julho de 2024

Estreia da semana - nos cinemas


Teca e Tuti: Uma noite na biblioteca (2023)

 


Chega aos principais cinemas brasileiros essa bonitinha animação infantil que demorou 12 anos para ser feita, um filme para crianças, com muita música, diversão e encanto. Fala de uma pequena traça, Teca, que mora com a família numa caixa de costura. Ela é amiga de um ácaro, Tuti, e ambos gostam de comer papel. Até que um dia se deparam com um negócio composto por muitas folhas de papel chamado ‘livro’ – só que são advertidos a não comê-lo, pois ele carrega histórias fabulosas e deve ser preservado. Teca e Tuti então partem, juntos, para uma jornada de aventuras e descobertas numa biblioteca.
Feito em stop-motion, com bonecos em miniatura e em estúdios, misturados a atores e cenários reais, o filme entra na lista das pouquíssimas produções de animação brasileira para cinema, um campo que vem sendo explorado nos últimos anos. O projeto do longa nasceu em 2012, na sede da produtora Rocambole Produções, em São Carlos, interior de São Paulo, e chega agora com exclusividade nas salas, exibido na sessão ‘Vitrine Petrobrás’ - a distribuição é pela LPB Content com codistribuição da Vitrine Filmes.
Um filme adorável, que ensina as crianças o poder da leitura e como ela é transformadora. Ponto alto também são as canções, todas originais, de Hélio Ziskind, músico que compôs temas de programas infantis famosos, como Cocoricó, Castelo Rá-Tim-Bum e X-Tudo.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Nota do blogueiro


Cine Debate traz nesse sábado premiado filme brasileiro que discute gênero e preconceito

O Cine Debate do Imes Catanduva promove neste sábado, dia 27/07, mais uma sessão de cinema aberta e gratuita ao público. O filme de julho será o drama brasileiro coproduzido em Portugal ‘Paloma’ (2022, 104 minutos), dirigido por Marcelo Gomes e premiado no Festival do Rio. Sessão e debate serão no Espaço de Tecnologia e Artes (ETA) do SESC Catanduva, às 14h. A mediação do debate será realizada pelo idealizador do Cine Debate, o jornalista, professor do IMES e do SENAC e crítico de cinema Felipe Brida.



Sinopse do filme: Paloma, uma mulher trans que trabalha como agricultora no sertão de Pernambuco, sonha em se casar na igreja católica com seu namorado. O padre, porém, recusa o pedido, mas nem por isso Paloma desistirá de realizar seu sonho.

Cine Debate

O Cine Debate é um projeto de extensão do curso de Psicologia do IMES Catanduva em parceria o SESC e o SENAC Catanduva. Completou 12 anos em 2024 trazendo filmes cult de maneira gratuita a toda a população. Conheça mais sobre o projeto em https://www.facebook.com/cinedebateimes

Resenha especial

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