quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Nota do Blogueiro


Lindos lançamentos em DVD da Classicline, que chegaram agorinha! Oito títulos imperdíveis aos cinéfilos. Tem aqui o trágico drama/romance "Um lugar ao sol" (1951 - relançamento, ganhador de seis Oscars), o terror psicológico "A inocente face do terror" (1972, também relançamento), o polêmico drama baseado em fatos reais "Acusados" (1988 - que deu a Jodie Foster o Oscar de atriz), outro drama biográfico, "Melodia imortal" 1956, indicado a quatro Oscars), o eletrizante suspense com ação "Operação Crossbow" (1965), um dos maiores clássicos do cinema, o drama "A felicidade não se compra" (1946, indicado a cinco Oscars), além da deliciosa comédia "Não me mandem flores" (1964) e o biográfico romance musical "Bem no meu coração" (1954). Todos já à venda nas melhores lojas! Obrigado, Classicline, pelo envio dos títulos.



Nota do Blogueiro


A 43a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo terminou ontem. Foram exibidos 300 filmes em 25 salas de cinema da capital, totalizando produções de 45 países! 
Neste ano conferi 54 filmes nos 14 dias que lá fiquei.
Aqui está a lista dos 20 melhores para mim (atenção que boa parte destes deverá entrar em breve em cartaz).


Os 20+ da 43ª Mostra Intl. de Cinema de São Paulo

Monos (Colômbia/Argentina/Uruguai/Holanda/Alemanha, 2019, de Alejandro Landes)

Dois papas (EUA/Argentina/Itália/Reino Unido, 2019, de Fernando Meirelles)

O farol (EUA/Brasil, 2019, de Robert Eggers)

Parasita (Coreia do Sul, 2019, de Joon-ho Bong)

A vida invisível (Brasil/Alemanha, 2019, de Karim Aïnouz)

O jovem Ahmed (Bélgica/França, 2019, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne)

O pássaro pintado (República Tcheca/Ucrânica/Eslováquia, 2019, de Václav Marhoul)

Um dia muito claro (Islândia/Dinamarca/Suécia, 2019, de Hlynur Palmason)

Dente de leite (Austrália, 2019, de Shannon Murphy)

Macabro (Brasil, 2019, de Marcos Prado)

O carcereiro (Irã, 2019, de Nima Javidi)

A verdadeira história da gangue de Ned Kelly (Austrália/Reino Unido, 2019, de Justin Kurzel)

Filhos da Dinamarca (Dinamarca, 2019, de Ulaa Salim)

Pacarrete (Brasil, 2019, de Allan Deberton)

Até logo, meu filho (China, 2019, de Xiaoshuai Wang)

Deus é mulher, e seu nome é Petúnia (Macedônia/Croácia/Eslovênia/França/Bélgica, 2019, de Teona Strugar Mitevska)

Devorar (EUA/França, 2019, de Carlo Mirabella-Davis)

Os olhos de Cabul (França/Luxemburgo/Suíça, 2019, de Zabou Breitman e Eléa Gobbé-Mévellec)

System crasher (Alemanha, 2019, de Nora Fingscheidt)

A odisseia dos tontos (Argentina/Espanha, 2019, de Sebastián Borensztein)





 

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Resenhas Especiais


Sombra lunar

O agente policial da Filadélfia Lockart (Boyd Holbrook) sai no encalço de um perigoso serial killer que mata a cada nove anos utilizando um método único e brutal, que desafia qualquer explicação científica. Obcecado, o investigador quer respostas a todo custo, enquanto uma estranha contaminação dizima a cidade.

Primeira investida no Netflix do inventivo cineasta Jim Mickle, que havia realizado anteriormente filmes densos e violentos de terror, como “Stake Land” (2010) e “Somos o que somos” (2013), e de uma excelente fita policial indicada ao Grande Prêmio do Júri em Sundance, “Julho sangrento” (2014). Tomou nas mãos dois gêneros para contar uma intrigante história, o thriller e a ficção científica, partindo de uma investigação policial que não sabemos onde vai dar. Utilizou como fundo uma epidemia inexplicável que ataca cidades dos Estados Unidos – aliás, seu primeiro filme para o cinema foi justamente sobre um vírus que se descontrolava em Manhattan, “Mulberry Street - Infecção em Nova York” (2006). Mickle volta às velhas referências de uma praga nesse “Sombra lunar” (2019), e já na abertura do longa presenciamos, horrorizados, pessoas sangrarem pela boca, ouvidos e olhos até caírem mortas. Paralelo a isto, um serial killer está à solta, com um modus operandi bizarro, que dificulta o caso. Tanto o agente Lockart quanto outros departamentos da polícia sairão atrás do criminoso.
Mas onde entra a tal sombra da lua? Pois bem, não posso explicar demais senão darei spoiler, mas antecipo que a trama se passa num intervalo de tempo de quase 40 anos (entre 1988 e 2024), falando de viagem no tempo, reversão do passado, ciclo lunar e sua influência na Terra, ou seja, assuntos do campo scifi que pulam do passado para o futuro, girando ao redor de um protagonista obcecado e o mundo em caos. O filme, dá para perceber, é complexo, exige do público um olhar atentíssimo. É original, vale os 115 minutos! E no final as explicações convencem.


O roteiro (que deve ter sido difícil de ser escrito) é da dupla Geoffrey Tock e Gregory Weidman, das séries de ficção científica “Defiance” (2013-2015) e “Zoo” (2015-2017). Tem no elenco o ator Boyd Holbrook, de “Noite sem fim” (2015) e “Logan” (2017), e participação de Michael C. Hall, o eterno Dexter do seriado de mesmo nome (que havia trabalhado com Jim Mickle em “Julho sangrento”).
Junto com “Spectral” (2016), “Onde está Segunda?” (2017), “Aniquilação” (2018) e “Anon” (2018) é o melhor scifi da Netflix! E olha que ela vem produzindo uma porrada de fitas rasas nesse gênero que gosta de investir, como “Titã” (2018), “Próxima parada: Apocalipse” (2018), “Extinção” (2018), “IO – O último na Terra” (2019) e “Close” (2019) – esses vocês podem abandonar!
Disponível na plataforma desde o dia 27 de setembro.
PS: Não confunda com um documentário de mesmo título original, “In the shadow of the moon” (2007), sobre a chegada do homem à Lua.

Sombra lunar (In the shadow of the moon). EUA, 2019, 115 minutos. Ação/Ficção científica. Colorido. Dirigido por Jim Mickle. Distribuição: Netflix


Além da ilusão

Na década de 30, duas irmãs, Laura (Natalie Portman) e Kate (Lily-Rose Depp), têm o poder de se apoderar de forças sobrenaturais para conversar com fantasmas. Numa viagem a Paris conhecem um visionário francês de ideais fortes, André (Emmanuel Salinger), que as incentiva a apresentar o dom de ver fantasmas ao público, junto a uma companhia de ilusionismo.

Duas atrizes corretas num filme curioso, porém irregular, que mistura temas, e chama a atenção pelo aporte técnico: direção de arte luxuosa, uma fotografia viva, em tons dourados, e figurinos que é um capricho só. Difícil até mesmo classificar o gênero de “Além da ilusão” (2016), uma fita de arte franco-belga, que alterna drama, fantasia, mistério, romance, para explorar a possibilidade da existência da vida após a morte. Quando falo irregular me refiro que o filme recorre a vários assuntos sem se aprofundar em nenhum: é Segunda Guerra Mundial, ilusionismo, metalinguagem do cinema, discussões filosóficas, manifestações para/sobrenaturais. Tudo se funde e confunde o público (acredito que intencionalmente) na hora de situar a relação das duas irmãs que viajam a Paris na busca por novos horizontes de trabalho e conhecimento (interpretadas pela ganhadora do Oscar Natalie Portman, que fala francês no filme, e Lily-Rose Depp, filha de Johnny Depp com a atriz francesa Vanessa Paradis, numa participação menor).


Passou na Bienal de Veneza e no Festival de Toronto, recebeu indicação ao César de design de produção, porém teve pouca repercussão no Brasil e Estados Unidos. Quase sem bilheteria suficiente para se pagar, foi massacrado pela crítica estrangeira, que pegou pesado chamando-o de “lixo”, “desprezível”, “pior obra cinematográfica dos últimos 20 anos”, o que não concordo (e depois disso merece uma revisão). Há deslizes com a história embolada em vários assuntos, faltou um desfecho de impacto, no entanto é exagero o acúmulo de desprezo por parte dos críticos chatos (estes, ao detonar um filme, mexem com a sensibilidade do leitor, que muitas vezes acaba por não ir conferi-lo nos cinemas). Tente, arrisque, não custa nada...
Ah, vale uma nota: quem escreveu o roteiro foi Robin Campillo, de “Entre os muros da escola” (2008) e “120 batimentos por minuto” (2017), escrito junto da diretora, Rebecca Zlotowski, que antes havia feito “Grand Central” (2013).

Além da ilusão (Planetarium). França/Bélgica, 2016, 108 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Rebecca Zlotowski. Distribuição: Mares Filmes

* Resenhas publicadas na coluna "Cinema em Foco", no jornal O Regional, edição de 19/10/2019

domingo, 13 de outubro de 2019

Lançamento - Netflix



Campo do medo

Dois irmãos entram em um vasto matagal quando escutam o grito de socorro de uma criança vindo de lá. Sem ninguém por perto e sem localizar o garoto, descobrirão um segredo horripilante envolvendo uma rocha negra, corpos em decomposição e um estranho homem sujo de sangue.

Terceira produção original do Netflix baseada em um livro de Stephen King, o mestre do horror contemporâneo – “Campo do medo” é bom, dá uns sustos danados, porém os anteriores são melhores, “Jogo perigoso” (2017, de uma mulher algemada na cama tentando fugir) e “1922” (lançado um mês depois de “Jogo perigoso”, em 2017, sobre um fazendeiro que bola um plano para matar a família inteira - e assim como “Campo do medo” se passa numa área rural, com direito a um matagal). Este exemplar regular de horror veio do romance homônimo “In the tall grass”, escrito por King com a colaboração de seu filho, Joe Hill, e publicado nos Estados Unidos em 2012.
Repare em cada detalhe pois a história é cheia de segredos. Passa-se no Kansas (o filme é canadense e foi gravado em Toronto), num extenso matagal verde que aos poucos se transforma em um macabro labirinto. Sussurros, vozes, aparições irão perturbar os cinco personagens da trama de horror e mistério: a protagonista, uma jovem grávida (interpretada por Laysla de Oliveira, atriz canadense filha de pais brasileiros, ainda pouco conhecida), o irmão dela (Avery Whitted, um jovem ator em seu segundo filme), um garotinho que grita por socorro (Will Buie Jr), um rapaz que chega e se perde no mato (Harrison Gilbertson, de “Fallen”) e por fim um homem misterioso, sujo de sangue, que tenta ajudar os outros a sair de lá (Patrick Wilson, de “Invocação do mal”). Como de praxe nas obras de King, é terrorzão de alto nível, e elementos certeiros (e inusitados) pipocam na tela; tem uma rocha negra (prima distante do monólito de “2001: Uma odisseia no espaço”), cadáveres nojentos, a vegetação que se move e parece observar os humanos, vultos do nada e mortes brutais. Inseriram, para dar clima, uma trilha sonora tensa, apropriada ao cinema de horror, de Mark Korven (o mesmo de “A bruxa”).


Stephen King é campeão de venda de livros pelo mundo afora, e quase todos os filmes adaptados de suas obras dão certo. Este aqui é um deles, que recomendo aos fãs do gênero (estreou no Netflix em 4 de outubro). Não é tão complexo como aparenta, o desfecho é enxuto e amarra os pontos que parecem ficar soltos. Uma realização do diretor Vincenzo Natali, que já mexeu com cinema scifi – escreveu e dirigiu o enigmático “Cubo” (1998), além de “Splice: A nova espécie” (2009), e ainda dirigiu episódios de séries de mistério e terror como “Hemlock Grove”, “Hannibal”, “Wayward Pines”, “The strain” e “Westworld”.

Campo do medo (In the tall grass). Canadá, 2019, 101 minutos. Horror. Colorido. Dirigido por Vincenzo Natali. Distribuição: Netflix.

Resenha Especial



Últimos dias no deserto

Jesus (Ewan McGregor) vaga pelo deserto, peregrinando rumo a Jerusalém. Encontra pelo caminho um garoto (Tye Sheridan) cuja mãe está doente, e que possui um relacionamento complicado com o pai (Ciarán Hinds). Jesus então acompanha essa família ao mesmo tempo que lida com a tentação do Diabo, que aparece a ele de diversas formas.

Livre reconstituição dos últimos dias da vida de Jesus, quando vagou em jejum pelo deserto antes de sua missão final ao retornar a Jerusalém. Filosófico, com narrativa lenta (por isso uma fita cult), é um drama sério para público adulto, com um ponto de vista de um Jesus diferente de tudo que já vimos no cinema. Em um tour-de-force incrível, o ator escocês ganhador do Globo de Ouro Ewan McGregor, de “Trainspotting: Sem limites” (1996) e “Moulin Rouge: Amor em vermelho” (2001), encarna um Jesus solitário, indeciso, no calor infernal do deserto. Naquele território hostil, aproxima-se de uma família cheia de problemas, os únicos viventes que vê por ali – o pai, um marceneiro (Ciarán Hinds, que eu adoro), o filho adolescente em crise (maltratado pelo pai e que quer ir embora da região), e a mãe do rapaz, doente, no leito de morte. Jesus opta em ajudá-los nos afazeres diários, enquanto o diabo aparece a ele inúmeras vezes – como na forma de uma velha pedinte e também como reflexo de sua própria imagem, quando dialoga com seu lado mais sombrio. Não é uma obra brilhante ou derradeira sobre Cristo, mas tem sua importância pela realização diferenciada, além de ter seus apreciadores, como eu. Uma proeza do diretor Rodrigo García, colombiano, que também escreveu o roteiro adaptando passagens bíblicas com momentos ficcionais; ele é filho do maior escritor do seu país, Gabriel García Márquez, e estreou no cinema com um drama que chamou a atenção da crítica na época, “Coisas que você pode dizer só de olhar para ela” (2000); instalado nos Estados Unidos, realizou filmes dramáticos fora das convenções hollywoodianas, como “Destinos ligados” (2009), até atingir o melhor momento da carreira com o excepcional “Albert Nobbs” (2011). “Últimos dias no deserto” (2015) se insere com notoriedade na filmografia do bom cineasta, um criador de histórias que merece ser descoberto!


Rodado no deserto de Anza-Borrego, em Borrego Springs, na Califórnia (que remete ao deserto real da Judeia), o filme tem uma fotografia deslumbrante, assinada pelo mexicano Emmanuel Lubezki, três vezes ganhador do Oscar (venceu três anos seguidos, por “Gravidade”, “Birdman” e “O regresso”).
Exibido em sessão especial no Festival de Sundance, dividiu a opinião do público, e é indicado para quem gosta de filmes com tema religioso – segue a linha do novo “Maria Madalena” (2018), a versão de Garth Davis que causou polêmica; em ambos há uma desconstrução dos personagens centrais, que podem gerar burburinho.

Últimos dias no deserto (Last days in the desert). EUA, 2015, 98 minutos. Drama. Colorido. Dirigido por Rodrigo García. Distribuição: Mares Filmes. Disponível em DVD e no Netflix

sábado, 12 de outubro de 2019

Nota do Blogueiro


Bom dia, amigos! Hoje, dia 12/10, a convite do jornal O Regional, de Catanduva, retorno com minha coluna "Cinema em Foco" (que mantive lá entre 2009 e 2013 - e na mesma época tive o quadro de mesmo nome na rádio Band FM e depois na Globo AM). Todo sábado no caderno de Cultura trarei resenhas de filmes variados (terá um pouco de tudo, filmes clássicos, filmes do Netflix, em DVD, cult movies etc). A mesma coluna existe também na Vox FM onde comento sobre filmes. Acompanhem lá, comentem, interajam! :) ✌📽🎞🎥



quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Viva Nostalgia!



Braço de diamante

Semyon (Yuriy Nikulin) é um cidadão soviético que retorna à URSS após um cruzeiro. Ele carrega, sem saber, moedas valiosas e diamantes no gesso que protege seu braço, após ter sofrido uma queda. Bandidos fizeram isso para contrabandear joias, passando a seguir o coitado. No entanto um capitão de polícia suspeita do caso e utiliza Semyon como isca para capturar a organização criminosa.

Comédia soviética de enorme sucesso na URSS na época, “Braço de diamante” saiu em DVD no Brasil pela CPC-Umes Filmes numa cópia excelente, que comprova a qualidade dos filmes produzidos lá nas décadas de 60 e 70 (e infelizmente pouco visto no Brasil). Dividido em duas partes, com prólogo e epílogo, o filme é um pastelão afinado com crítica social – a primeira parte dura praticamente o filme inteiro, intitulada “Diamante que não se vê”, quando se apresenta o protagonista (o ótimo ator Yuriy Nikulin), um cidadão comum viajando num cruzeiro e se encontrando com diversos tipos no navio, dentre eles um impostor, e a partir tem-se início as aventuras com seu braço de diamante; e a segunda parte, nos minutos finais, quando os malfeitores tentam subtrair as joias do personagem principal.
Produzido pelo maior estúdio da Rússia, Mosfilm (ele ainda sobrevive), tem direção e roteiro de Leonid Gayday, realizador de comédias em tom farsesco, com aventura e um ritmo acelerado, muitas delas campeã de audiência na URSS, como “As 12 cadeiras” (1971, que teve diversas versões, inclusive uma brasileira, com Oscarito). “Braço de diamante” possui estrutura, narrativa e roteiro semelhante a “As 12 cadeiras”, sobre roubo de joias, uma espécie de farsa moderna que dialoga com o inusitado e o surreal, sem contar o elenco sendo repetido (como Yuriy Nikulin e Nina Grebeshkova, esposa do diretor na vida real).


Mistura gêneros, tem até números musicais cantados pelos próprios atores em cena e sequências inventivas – destaco a da pescaria e a do sonho, com uso estridente de filtros vermelhos. A trilha sonora é marcante, com ritmo frenético, do compositor Aleksandr Zatsepin, que compôs a de todos os filmes de Gayday.
Preste atenção nos detalhes desse roteiro anárquico, cheio de ciladas, corre-corre com espiões, que funciona bem – ele foi escrito por Gayday e dois roteiristas parceiros dele, Moris Slobodskoy e Yakov Kostyukovskiy.

Braço de diamante (Brilliantovaya ruka). URSS, 1969, 94 minutos. Comédia. Colorido. Dirigido por Leonid Gayday. Distribuição: CPC-Umes Filmes


O cão dos Baskervilles

Sherlock Holmes (Alwin Neuß) investiga a estranha morte de um milionário inglês chamado Charles Baskerville, ocorrida próximo a um pântano pertencente ao solar de sua família. Moradores da região acreditam que a vítima foi morta por um cão fantasma que assombra a região e que o mesmo assassinara gerações da família Baskerville.

Uma das primeiras versões para o cinema do romance policial “O cão dos Baskerville”, do escritor e médico Sir Arthur Conan Doyle, publicado em 1902 e que se tornou o livro mais conhecido com o personagem do investigador britânico Sherlock Holmes. O filme é uma adaptação do livro e da peça de Richard Oswald (roteirista, produtor e diretor austro-húngaro, que realizou filmes na Alemanha e nos Estados Unidos, inclusive dirigiu uma das versões de “O cão dos Baskerville”, de 1929).
Considerado perdido, essa produção alemã de 1914 foi reconstruída em 2005 a partir de uma cópia com cenas deterioradas, que estavam em Moscou. É um típico exemplar do cinema mudo, tão distante do que vivemos hoje: preto-e-branco, com trilha no fundo, cenas rápidas, variedade de filtros (dourado, roxo, azul), entremeadas por caixas de textos que explicam passagens e situações. Ou seja, uma relíquia cinematográfica para apreciadores, somente agora disponibilizada no Brasil, numa cópia boa para os padrões da época.
É uma história policial com suspense e que incursiona pelo terror sobrenatural – Sherlock investiga um caso de assassinato possivelmente envolvendo um cachorro diabólico, que aparece pelo pântano e some sem deixar vestígios. No meio da trama haverá outros conflitos do universo de Holmes, como disputa de bens materiais do falecido, traições etc
Houveram dezenas de versões do livro, as mais famosas são a norte-americana de 1939, de Sidney Lanfield, com Basil Rathbone, e a britânica de 1959, dirigida por Terence Fisher, com Peter Cushing e Christopher Lee; teve até no gênero da comédia, além de telefilmes e minisséries. Esta aqui, de 1914, é curiosa e pouco conhecida; foi dirigida e produzida por Rudolf Meinert, um cineasta austro-húngaro dos primórdios do cinema, de origem judia, que realizou muitos filmes na Alemanha entre 1913 e 1935. Morreu os 60 anos no Holocausto, quando levado ao campo de concentração de Majdanek, na Polônia, em 1943.


Saiu no box “Sherlock Holmes no cinema mudo”, lançado mês passado pela Obras-primas do Cinema, contendo duas versões de “O cão dos Baskerville” (1914 e 1929) e duas de “Sherlock Holmes” (1916 e 1922). Nos discos, muitos extras e também acompanham cards.

O cão dos Baskervilles (Der hund von Baskerville). Alemanha, 1914, 65 minutos. Suspense. Preto-e-branco. Dirigido por Rudolf Meinert. Distribuição: Obras-primas do Cinema

Resenha especial

  Queda livre: A tragédia do Caso Boeing   Documentário sobre a investigação do Caso Boeing, que envolveu dois acidentes aéreos da empresa o...