quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Viva Nostalgia!


Godzilla (1954)

No Japão da década de 50, um gigantesco réptil jurássico emerge do oceano após milhões de anos adormecido. Rumo à Tóquio, o monstro, apelidado de Godzilla, destrói tudo o que encontra pelo caminho. Forças militares e expedicionárias mobilizarão toda a sociedade para deter o perigosíssimo animal.

Marco do cinema japonês de ficção científica, o clássico original “Godzilla” (1954) é uma fita-referência para o gênero, muito apreciada pelos fãs. Fez tanto sucesso que abriu franquia (teve uma versão recente, de 2014, bem fraquinha) e gerou inúmeras imitações. Diante da repercussão dessa primeira experiência de Godzilla, o próprio diretor e roteirista Ishiro Honda (1911-1983), especializado na dobradinha sci-fi e disaster movie, refilmou-a para o mercado americano em 1956 mantendo quase tudo no mesmo lugar (inclusive aproveitou cenas), além de elaborar continuações cada vez mais fantásticas, com o monstrengo jurássico lutando com criaturas poderosas (Honda teve a maluquice de colocar, no mesmo filme, o macaco King Kong numa intensa briga desleal com Godzilla).
Voltando no original, o filme é uma aventura soturna, com uma delicada visão behaviorista do homem e do seu meio, que dialoga com questões sérias do perigo nuclear – Godzilla desperta depois de testes com bombas nucleares no oceano. Vale lembrar que é época de Guerra Fria, e o Japão, nove anos antes, no triste desfecho da Segunda Guerra, teve nas páginas de sua História uma mancha de sangue com o terrível ataque a Hiroshima e Nagasaki. Reparem que os personagens humanos sofrem à beça temendo o fim da humanidade (seja pelo Godzilla ou pela iminente guerra nuclear) e são conscientes do que causaram ao meio onde vivem. Ah, antes que eu me esqueça, o monstro é um boneco de um metro e setenta, vestido por stunts, também revezado em algumas sequências por miniaturas (algumas cenas de devastação da cidade, ocasionada pelo animal, foram gravadas a partir de maquetes com rigor de detalhe, ou seja, no mais alto nível dos antigos truques visuais).
O roteiro, da dupla Ishiro Honda e Takeo Murata, foi baseado na história de Shigeru Kayama, e é tratado de maneira uniforme, direta e sem final feliz. Não espere um entretenimento aberto a alívio cômico (comum nos dias de hoje), pois a linha de trabalho de Honda, aqui, com mão pesada demais, é para provocar reflexão. Assim, como produto de cinema, o original “Godzilla” ainda assombra e é sem dúvida o melhor exemplar da franquia.
O filme acaba de ser lançado em DVD no Brasil, pela primeira vez, e a cópia está excelente (pela distribuidora Obras-primas). Sai em um decente box chamado “Godzilla Origens”, com outros duas obras: “Godzilla, o rei dos monstros” (1956), o remake norte-americano dirigido pelo mesmo Ishiro Honda, com co-direção de Terry O. Morse, e “O monstro do mar” (1953), uma fita precursora do original, mas sem classificação do monstro Godzilla. Por Felipe Brida


Godzilla (Gojira). Japão, 1954, 96 min. Ação. Preto-e-branco. Dirigido por Ishirô Honda. Distribuição: Obras-primas

* Publicado na coluna Middia Cinema, na revista Middia Magazine, edição agosto/setembro de 2015


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Resenha especial



Voltaire e o caso Calas

Toulouse, França, outubro de 1761. Marc-Antoine (Sébastien Mortier), filho do negociador calvinista Jean Calas (François Germond), é encontrado morto na residência da família, e a Polícia prende o pai acusado da morte. Na prisão, durante forte clamor popular, Jean Calas sofre tortura e é assassinado, depois queimado. Diante do caso, o filósofo iluminista Voltaire (Claude Rich) investiga o caso, por conta própria, e tenta comprovar, perante a sociedade, uma injustiça cometida contra Jean Calas.

Inédito no Brasil, esse didático telefilme franco-suíço reconstitui um importante fato histórico da França Moderna, porém de pouco conhecimento entre os brasileiros, que foi a participação do escritor e filósofo iluminista Voltaire (1694-1778) no julgamento de Jean Calas, um negociador protestante de Toulouse vítima da intolerância religiosa. Em teor de denúncia, a produção, barata em termos de orçamento, potencializa a interessante figura de Voltaire (pilar do Iluminismo na luta contra o Absolutismo), aqui engajado em desvendar os motivos que levaram à condenação e morte de Calas, provocando uma reflexão sobre assuntos até hoje em voga no mundo, como a manipulação da Justiça, a intolerância religiosa e o ardor da opinião pública. Tamanha a imersão de Voltaire no caso Calas que o filósofo, a partir desse desgastante trabalho investigativo, escreveu o famoso livro “Tratado sobre a tolerância”, publicado poucos anos depois, em 1763.
Estruturado numa sofisticada narrativa de diálogos preciosos e ambientação tenaz com exemplar trabalho de figurino e cenografia (de uma França em ebulição, pré-Revolução Francesa), o telefilme tem grande força graças à direção do documentarista Francis Reusser, especializado em temas históricos, servindo como boa peça de estudo. Atenção também para o trabalho do veterano ator francês Claude Rich, no papel de um Voltaire questionador e pensativo.
Em DVD pela primeira vez no Brasil, distribuído no mercado pela Versátil. Por Felipe Brida


Voltaire e o caso Calas (Voltaire et l’affaire Calas). França/Suíça, 2007, 93 min. Drama. Dirigido por Francis Reusser. Distribuição: Versátil

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Morre o ator Omar Sharif, aos 83 anos



RIP: Omar Sharif (1932-2015)

Lendário ator egípcio, indicado ao Oscar de coadjuvante por "Lawrence da Arábia" e vencedor do Globo de Ouro por "Doutor Jivago", faleceu ontem após sofrer um ataque cardíaco em sua residência, no Cairo. Grande figura do cinema e um dos últimos nomes da Era de Ouro. Por Felipe Brida

terça-feira, 23 de junho de 2015

Morre o compositor James Horner, vítima de acidente de avião


RIP: James Horner (1953-2015)

James Horner, premiado compositor norte-americano, de filmes como 'Titanic', 'Avatar', 'Aliens, o resgate' e 'Coração valente', faleceu ontem aos 61 anos, vítima de acidente de avião. A aeronave que pilotava, de sua propriedade, caiu em Santa Barbara. As causas do acidente são investigadas pela polícia.
Vencedor de dois Oscar pelo filme 'Titanic' (1997) - melhor trilha sonora e melhor música, "My heart will go on", Horner foi indicado a outros sete prêmios da Academia - melhor trilha sonora de Aliens - O resgate, Campo dos sonhos, Coração valente, Apollo 13, Uma mente brilhante, Casa de areia e névoa e Avatar, e melhor canção original pela animação Fievel - Um conto americano.
Na área musical desde 1978, compôs cerca de 150 trilhas de filmes importantes, como Lobos, 48 horas, Krull, O fiel camareiro, Cocoon, O nome da rosa, Willow - Na terra da magia, Querida, encolhi as crianças, Tempo de glória, Meu querido intruso, Jogos patrióticos, Quebra de sigilo, O homem sem face, O dossiê pelicano, Lendas da paixão, Jumanji, Inimigo íntimo, O grinch, Iris, Tróia, Apocalypto e O espetacular Homem-Aranha. Por Felipe Brida


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Morre a atriz Laura Antonelli


RIP: Laura Antonelli (1941-2015)

Atriz italiana faleceu ontem aos 73 anos, de infarto. Ex-mulher do ator Jean-Paul Belmondo, atuou em 40 filmes, dentre eles "Sledge, o homem marcado" (1970), "Aventuras de um casal no ano dois" (1971), "Sem motivo aparente" (1971), "O deputado erótico" (1972), "Armadilha para um lobo" (1972), "Malícia" (1973), "Pecado à italiana" (1974), "Divina criatura" (1975), "O inocente" (1976), "Esposamante" (1977) e "Paixão de amor" (1981). Por Felipe Brida


sexta-feira, 19 de junho de 2015


Manny

Documentário sobre a trajetória do lutador filipino Manny Pacquiao, desde a infância pobre no subúrbio de Kibawe ao reconhecimento no boxe em 2005.

Poucos meses após o lançamento em DVD do documentário “Eu sou Ali: A história de Muhammad Ali” (2014), a Universal distribuiu no mercado brasileiro outro bom doc na linha do boxe, a biografia do lutador filipino Emmanuel Dapidran Pacquiao, o Manny (nascido em 1978). Numa linha mais convencional, o filme traça o perfil do discreto esportista desde os sonhos de criança, no seio de uma família pobre, até a ascensão no ringue, dez anos atrás. Os apontamentos da vida do boxeador são contados rapidamente em depoimentos de atores ligados ao esporte, como Mark Wahlberg e Jeremy Piven, além de um rico arquivo audiovisual, como gravações antigas de luta.
Praticamente desconhecido entre os brasileiros, Manny tornou-se o primeiro campeão mundial em oito categorias de peso diferentes, com seis títulos mundiais. Ainda recebeu a condecoração de “o melhor lutador da década de 2000” pela Associação de Escritores de Boxe da América (BWAA).
Fora do ringue, é um cristão engajado em movimentos sociais e atualmente exerce cargo político em seu país natal (ele é uma espécie de deputado nas Filipinas, muito querido pela população). Também gravou músicas (com álbuns lançados) e participou de filmes filipinos de luta como ator principal. Nesse documentário, narrado por Liam Neeson e altamente recomendado aos fãs de esporte, nada escapa sobre a personalidade de Manny e, com precisão, podemos conhecer todas as faces do lutador.
Quem dirige é Leon Gast, vencedor do Oscar de melhor documentário por “Quando éramos reis” (1996), sobre o famoso campeonato de boxe no Zaire, em 1974, que contou com a acirrada luta entre George Foreman e Muhammad Ali. Já em DVD. Por Felipe Brida

Manny (Idem). EUA/Filipinas, 2014, 88 min. Documentário. Dirigido por Leon Gast e Ryan Moore. Distribuição: Universal

domingo, 14 de junho de 2015

Nota de cinema


RIP: Ron Moody (1924-2015)

Premiado ator inglês faleceu anteontem em Londres, aos 91 anos. Indicado ao Oscar de melhor coadjuvante pelo papel de Fagin em 'Oliver!' (1968), o ator ganhou o Globo de Ouro na mesma categoria pelo filme (foto abaixo).



Nota de cinema

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