quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Cine Lançamento


Terra prometida

Steve Butler (Matt Damon) trabalha como representante comercial de uma corporação bilionária especializada em extração de gás. Ele é enviado à pequena cidade rural de McKinley, juntamente com sua colega de trabalho Sue (Frances McDormand), para negociar com os habitantes a aquisição dos direitos para explorar as terras da região. Tudo parece simples, no entanto, alertados sobre o assunto, dois moradores - um professor aposentado, Frank (Hal Holbrook), e o perspicaz ambientalista Dustin (John Krasinski), organizam uma campanha contra a empresa extratora recém-chegada na cidade.

Fracasso de bilheteria nos Estados Unidos, o novo trabalho do irregular cineasta Gus Van Sant veio mal recebido pelo público no Brasil. Pouca gente teve conhecimento dessa fita curiosa e moderadamente crítica sobre as facetas do capitalismo pungente e, nesse meio, a exploração desenfreada de combustível. Sant retorna às origens da narrativa superconvencional e temas atuais após uma fase amarga de filmes pesados e contraditórios, como “Elefante”, “Últimos dias” e “Paranoid park”. Trouxe de volta, para o elenco, seu amigo pessoal, Matt Damon, com quem havia trabalhado no premiado “Gênio indomável”, além de incrementar a obra com Frances McDormand (envelhecida, sem maquiagem), Hall Holbrook e John Krasinski (que escreveu o roteiro junto com Damon).
A história gira em torno de dois funcionários de uma empresa exploradora de combustível, que adquire terras no interior americano, e têm de oferecer suporte para os moradores da área. No entanto tudo se complica quando dois outros homens, um intelectual e outro de caráter duvidoso, batem de frente com os princípios capitalistas e se unem para expulsar a empresa daquela região rural. Para o público fica a escolha: dar crédito aos exploradores (que não são mostrados como perversos e mal intencionados) ou ao ambientalista apoiado por grande parte da população local. Um jogo dúbio, de interesses constantes de ambos os lados, cujo desfecho do embate é frio e sem a emoção que poderíamos esperar.
Vale conhecer (e refletir sobre) essa co-produção Estados Unidos e Emirados Arabes (por acaso, o maior país explorador de petróleo do mundo ao lado do explorado!), indicada ao Urso de Ouro no Festival de Berlin de 2013. Por Felipe Brida


Terra prometida (Promised land). EUA/Emirados Árabes, 2012, 106 min. Drama. Dirigido por Gus Van Sant. Distribuição: Universal

domingo, 10 de novembro de 2013

Nota de cinema


Somente hoje soube do falecimento de dois diretores de renome mundial (Antonia Bird e Hal Needham), ocorrido no final de outubro. Serve para conhecimento daqueles que, como eu, não leram nada a respeito na net.
A cineasta inglesa Antonia Bird faleceu aos 62 anos, no dia 24 de outubro, vítima de câncer. Dirigiu o polêmico filme "O padre" (1994), bem como "Amor louco" (1995), "Face" (1997) e "Mortos de fome" (1999).
No dia 25 de outubro faleceu o diretor, ator, roteirista e famoso dublê norte-americano Hal Needham, aos 82 anos, também de câncer. Parceiro de trabalho de Burt Reynolds, dirigiu "Agarre-me se puderes" (1977), "Hooper - O homem das 1000 façanhas (1978), "Cactus Jack - O vilão" (1979), "Desta vez te agarro" (1980), "Quem não corre, voa" (1981) e "Um rally muito louco" (1984). Foi roteirista de parte de seus filmes e também dos telefilmes da cinessérie "Bandit". Por Felipe Brida


sábado, 9 de novembro de 2013

Cine Lançamento


Guerra mundial Z

Uma pandemia alastra-se em poucos dias pelo mundo ameaçando destruir a humanidade. Em todos os países da Terra, um vírus desconhecido espalha-se pelo ar, contamina as pessoas e as transforma em zumbis ferozes. Para frear a calamidade pública, entra em ação o ex-investigador das Nações Unidas Gerry Lane (Brad Pitt). Com o apoio do governo americano, inicia uma corrida contra o tempo para localizar o antídoto para proteger a população mundial.

Há tempos permanece na minha lista dos melhores blockbusters do ano (e sei que na de muitos também), junto de “Além da escuridão: Star Trek”. Sensacional na edição, na fotografia escurecida, na recriação do clima de tensão e medo, com momentos memoráveis de apavorar (a sequência dos zumbis escalando o muro de Israel virou ícone e capa do filme, assim como a do desastre do avião). O uso de efeitos visuais inovadores e realistas e o recurso bombástico de câmeras violentas propagam uma estética diferenciada no gênero de terror. Aliás, o filme adota horror, ficção científica e ação, ao mesmo tempo, englobando as características de cada uma dessas linhas.
Brad Pitt reforça o elenco de nomes desconhecidos, à frente da trama como um antigo investigador da ONU que, em férias com a família, presencia o início das infestações do vírus. Ele larga tudo para poder salvar a humanidade de um caos emergente relacionado à saúde pública.
A produção manteve o suspense em divulgar que o filme envolvia zumbis, até porque o subgênero está na moda, e este é um ‘zombie movie’ bem diferente daqueles que conhecemos. Os próprios teasers e trailers mais antigos desviavam desse foco, tudo como estratégia de marketing para surpreender o público nas cadeiras do cinema (“Guerra mundial Z” teve bilheteria muito boa, mas abaixo do esperado – U$ 202 milhões).
Filme de qualidade, dos bons da safra de 2013, com acertos em cheio, graças à mão inovadora do cineasta alemão Marc Forster (de “A última ceia” e “O caçador de pipas”).
O filme sai em DVD (em edição simples e dupla, com documentário e making off imperdíveis) e em Blu-ray. Obrigatório aos fãs! Por Felipe Brida

Guerra mundial Z (World war Z). EUA/Malta, 2013, 116 min. Ação/Horror. Dirigido por Marc Forster. Distribuição: Paramount

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Nota de cinema


Nosso querido amigo Walter Webb acaba de falecer.
Webb, siga na luz. Com certeza já começa a brilhar em outro plano!
Tenho a honra de ter tido o Webb como amigo e também como colaborador do "Cinema em Foco" (ele escreveu a orelha do meu livro). O cinema brasileiro deve muito a esse camarada, que foi roteirista e cineasta dos melhores! Amigo, não deu tempo de um último abraço... Até breve.

Cine Lançamento


E se vivêssemos todos juntos?

Quatro amigos (dois deles casados e um solteirão convicto) mantém uma rica amizade, que dura quase cinco décadas. Quando a saúde começa a ficar frágil, e na tentativa de fugirem do possível asilo, resolvem morar todos juntos, em uma única casa. Assim feito, o ambiente servirá de ponto para discussão sobre vida e morte e um olhar sobre o passado.

Falando francês, Geraldine Chaplin, Jane Fonda e Daniel Brühl destacam-se no elenco dessa fita franco-germânica de tema agradável, que é de um encantamento sem igual. A velhice, em 2012, esteve retratada de forma amarga e desesperadamente terminal em “Amor”, a obra-prima sufocante de Michael Haneke. Aqui, o outro lado ressurge, a leveza da amizade fraterna que rompe barreiras, de amigos com suas esquisitices e manhas que se redescobrem quando vão morar juntos para um cuidar do outro a fim de não recorrerem ao tão temido asilo, lugar para eles de tristeza e falta de tato.
É, acima de tudo, uma comédia dramática sobre relações humanas e sobre a maturidade da vida. Como seria se eu e meus melhores amigos vivêssemos juntos num mesmo espaço até o desfecho dos nossos dias? A resposta aqui é levada a sério, com muita ternura, apreço e respeito, sem cair em melodramas baratos.
Uma pequena obra cinematográfica de 2011, só agora disponível no Brasil, que faz o dia brilhar. Um autêntico sopro de vida. Conheça.

E se vivêssemos todos juntos? (Et si on vivait tous ensemble?). França/Alemanha, 2011, 95 min. Comédia dramática. Dirigido por Stéphane Robelin. Distribuição: Imovision

domingo, 3 de novembro de 2013

Cine Lançamento


Nitro Circus: O filme

Uma compilação de manobras reais do competidor de esportes motorizados Travis Pastrana e seu grupo, Nitro Circus, em diversas apresentações de supercross e motocross nos Estados Unidos.

O documentário “Nitro Circus: O filme” é um breve recorte das peripécias de um dos maiores grupos de motocross e supercross, criado pelo number one dos esportes radicais motorizados, o americano Travis Pastrana. Ele, durante uma hora e meia, apresenta os amigos competidores em cima de motos possantes, em performances assustadoras e poeira para todo canto. Tanto o protagonista quanto os colegas falam resumidamente da experiência com os veículos em duas rodas, o que os motivou a seguir a carreira desportiva, porém o foco mesmo gira nas dezenas de imagens impressionantes de manobras suicidas – os diretores, com auxílio de Pastrana, organizam fragmentos de um ou dois minutos de competições do Nitro Circus em vários lugares, para situar essa prática de esporte no mundo contemporâneo.
Serve, grosso modo, aos fãs de esportes motorizados em geral e aos curiosos no assunto (como eu). Resultado: um documentário desconhecido bacaninha, recheado de lances diferentes de edição, registrando a face de uma modalidade desportiva raramente vista no cinema, a da motovelocidade. Por isto tem seu quê de importância, pelas vias naturais de existência. Em DVD. Por Felipe Brida

Nitro Circus: O filme (Nitro Circus: The movie). EUA, 2012, 91 min. Documentário/Aventura. Dirigido por Gregg Godfrey e Jeremy Rawle. Distribuição: Universal

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Cine Lançamento


Martelo dos deuses

No século IX, a Grã-Bretanha é invadida pelos vikings, comandados pelo rei Bagsecg, que trava uma luta sanguinária contra os saxões. Os bárbaros, em maior número, conclamam a vitória, porém não esperam o surpreendente revide do outro grupo.

Um pequeno filme de ação e aventura, de qualidade duvidosa, baseado em fatos que ocorreram na Grã-Bretanha durante a Idade Média, em uma época de agitação social e dominação de povos e de territórios. Bagsecg, o rei dos vikings, existiu mesmo e foi considerado um rei violento, chefe dos temidos vikings, que ascenderam depois de muita peregrinação pela Europa causando desequilíbrio no poderio saxão. Bagsecg uniu esforços com outros povos bárbaros para dominar a Grã-Bretanha e para isto pôs à frente o seu filho, o príncipe e também guerreiro Steinar, cruel e impiedoso. Todos estes momentos são condensados nesse trabalho de cinema pouco louvável, que mais parece um longo episódio de seriados do History Channel ou outro canal que o valha. Não espere produção caprichada ou um roteiro empolgante e inteligente. A produtora inglesa Vertigo Filmes fez de “Martelo dos deuses” uma narração longa de fragmentos de fatos reais sem se preocupar com estética (o filme é de certo modo feio) e sem profundidade historiográfica (há um lado mais aventureiro dos personagens, uma saga com corre-corre de lutas e dominações dos povos etc). Abaixo da média, com infeliz desfecho, que dá abertura para continuação. Será mesmo? Já em DVD. Por Felipe Brida


Martelo dos deuses (Hammer of the Gods). Inglaterra, 2012, 98 min. Aventura. Dirigido por Farren Blackburn. Distribuição: Paramount

Nota de cinema

  Cine Debate exibe sábado animação premiada francesa   O Cine Debate de agosto, projeto de extensão do Imes Catanduva, em parceria com o Se...