sábado, 23 de junho de 2012

Resenha



A mão que balança o berço

Após o marido, um renomado médico, cometer suicídio, Peyton Flanders (Rebecca De Mornay), grávida, perde o filho no parto. Ela torna-se uma mulher amarga, sem motivação. Meses depois começa a trabalhar como babá na residência do casal Michael e Claire Bartel (Matt McCoy e Annabella Sciorra). No seio de uma família perfeita, Peyton desenvolve uma doentia atração por Claire.

Aclamado pela crítica americana, rapidamente virou sucesso de público, no lançamento em 1992, e depois exibido aos montes na TV aberta. Importante veículo para a carreira de Rebecca DeMornay, que interpreta uma mulher psicótica, perturbada com o suicídio do marido e com a perda do filho. Sinistra no papel, DeMornay está nos melhores dias. Pena que sumiu das telas, e desde os anos 2000, participou de fitas menores como coadjuvante – recentemente voltou na pele de uma assassina em “Dominados pelo ódio” (2010), fita de suspense com terror ainda inédita no Brasil.
Em “A mão que balança o berço”, o premiado diretor Curtis Hanson, que havia aprendido a fazer suspense com “Uma janela suspeita” (1987), demonstra competência em conduzir o telespectador para uma trama de arrepiar, mostrando os perigos de abrir as portas de casa para desconhecidos, no caso uma babá vingativa, disposta a destruir uma família inteira para se livrar dos fantasmas do passado.
Eletrizante, prende a atenção do começo ao fim. Sabe aqueles filmes de medo difíceis de se esquecer? Pois bem, este é um deles!
O elenco conta com a presença marcante de outra atriz dos anos 90, Annabella Sciorra (também desaparecida do cinema) e da novata Julianne Moore, que aqui tem um final nada feliz.
Falando no diretor Curtis Hanson, um dos cineastas que admiro, após “A mão que balança o berço” rodou bons projetos, muitos deles sucesso de público e crítica, como “O rio selvagem” (1994), “Los Angeles – Cidade Proibida” (1997), “Garotos incríveis” (2000) e “8 Mile – Rua das ilusões” (2002).
Procure em DVD.

A mão que balança o berço (The hand that rocks the cradle). EUA, 1992, 110 min. Suspense. Dirigido por Curtis Hanson. Distribuição: Buena Vista/ Disney

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Cine Lançamento


Inferno na ilha

Noruega, 1915. Um jovem delinqüente, Erling (Benjamin Helstad), é encaminhado para o reformatório da Ilha de Bastoy, entre os oceanos Ártico e Atlântico. Após sofrer torturas, organiza uma violenta rebelião, juntamente com dezenas de prisioneiros, como reação aos maus tratos e abusos.

Ficou inédito nos cinemas brasileiros esse excelente filme norueguês baseado em fatos reais, cuja história lembra bastante “Papillon” – só que em vez do calor infernal da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, este se passa nos congelados fiordes do extremo norte da Europa. Provoca impacto imediato a dramatização dos fatos, ocorridos em um isolado reformatório para rapazes desajustados, na Ilha de Bastoy, na Costa da Noruega. Distante 70 quilômetros da capital, Oslo, a prisão, de segurança mínima (comum em países europeus), existe desde 1900, e foi palco de uma revolta que terminou em tragédia. Em resposta às torturas sofridas, o grupo de rapazes voltou-se contra a instituição, assassinou guardas do reformatório e iniciou um fracassado processo de fuga. Diversos morreram fuzilados, outros se afogaram no oceano. Depois da insurreição, as regras de Bastoy mudaram drasticamente – e até hoje a prisão está ativa.
"
Inferno na ilha" remonta parte dessa triste história. Situa a ação em 1915, com a chegada em Bastoy de um garoto novato, que passa a carregar pedras, é espancado pelos guardas, até arquitetar a mirabolante rebelião. O desconhecido ator Benjamin Helstad interpreta esse líder nato, em papel de muito empenho. Aliás, quase todo o elenco não é conhecido por nós, brasileiros, exceto o sueco Stellan Skarsgård (de “Ronin” e “Mamma mia! – O filme”), num papel frio, do diretor do reformatório. E por falar em frio, o gelo é o inimigo cruel dos personagens, mas que enriquece a fotografia do filme com seus tons azulados. Não explora violência nem torturas como em filmes do gênero; as poucas sequências de espancamento e uma sugestiva de sodomia não servem para chocar, o que é um bom sinal. Acho que ninguém iria gostar de assistir um carnaval de sofrimento...
A penosa odisseia pelo mar congelado encerra, com impacto, o filme, que traz em seguida trechos com cenas reais dos garotos detentos de Bastoy.
Como resultado, uma brilhante fita de arte, que serve como uma aula de História!
Venceu prêmios menores na Noruega, inclusive de melhor filme, e foi realizado com orçamento alto para os padrões europeus – U$ 4,6 milhões.
Não deixem de conhecer. Por Felipe Brida

Inferno na ilha (Kongen av Bastøy/ King of Devil´s Island). Noruega/Suécia/França/Polônia, 2010, 120 min. Drama. Dirigido por Marius Holst. Distribuição: Paramount Pictures

domingo, 3 de junho de 2012

Cine Lançamento



Um dia

Emma (Anne Hathaway) e Dexter (Jim Sturgess) se conhecem no dia 15 de julho de 1988, durante a formatura da faculdade, em Edimburg (Escócia). Ela é uma garota humilde, que chega à cidade grande para estudar, trazendo na bagagem muitos princípios; ele, um rapaz rico e ambicioso, querendo ganhar o mundo. Durante 20 anos, um suporta o outro, cada qual com suas manias. Nesse tempo, também aprendem a amar, brigar, rir e compartilhar tristezas.

Há tempos não encontrava um filme romântico/dramático que me prendesse, ainda mais interpretado por elenco jovem. Isto porque, nessa linha, o mercado cinematográfico norte-americano produz repetecos, sem qualidade técnica e roteiros batidos. Surpreso, recomendo esse refinado love story, rodado na Inglaterra, protagonizado por dois bons artistas fotogênicos, a lindíssima Anne Hathaway (já indicada ao Oscar anos atrás por “O casamento de Rachel”) e o bom Jim Sturgess (de “Across the universe”).
Acima de tudo é criativo na elaboração do roteiro. Por meio de uma narrativa bem amarrada, acompanhamos duas décadas na vida de duas pessoas perdidas que se encontraram por acaso na Escócia. No tempo atual, relembram tragédias, alegrias, bons e maus momentos de uma amizade despretensiosa. Tudo começa em 15 de julho de 1988. E a partir do dia 15 de cada ano, juntos ou separados, o rapaz rico e a garota sonhadora criam histórias diferentes em seus livros interiores, de aprendizagem e experiências marcantes. Uma sacada brilhante!
Baseado no best seller de David Nicholls, o filme faz a gente torcer o tempo inteiro pelo simpático casal. E para quem não conhece o livro, preparem-se para o difícil desfecho, trágico até para os corações mais firmes.
O gênero romance está bem representado aqui. Uma surpresa reveladora! Imperdível para os apaixonados.
Dirige a fita a dinamarquesa Lone Scherfig, a mesma de “Educação”, que soube aproveitar as melhores locações da Inglaterra nesses seus dois filmes oportunos.

Um dia (One day). EUA/Inglaterra, 2011, 107 min. Drama/ Romance. Dirigido por Lone Scherfig. Distribuição: Universal

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Viva Nostalgia!



A garota de rosa-shocking

Andie Walsh é uma adolescente pobre que estuda em colégio de ricos. Na escola, dois rapazes bem intencionados apaixonam-se por ela, Blane (Andrew McCarthy), seu amigo de infância, e Duckie (John Cryer), um sujeito emotivo capaz de tudo para chamar a atenção da garota. Indecisa com quem ficar, Andie precisa escolher um para ser seu par no baile de formatura, que está prestes a se realizar.

P
ara os saudosistas de plantão, a Paramount Pictures lança, pela primeira vez em DVD no Brasil, essa fita teen popular, que fez sucesso entre os jovens nos anos 80. Reprisada aos montes na TV aberta, a comédia romântica encerra uma “trilogia não-dependente” sobre a cultura geek, do diretor e produtor John Hughes, todos com a atriz Molly Ringwald – primeiro veio “Gatinhas e gatões” (1984) e depois “Clube dos cinco” (1985). Apenas “A garota de rosa-shocking” não foi dirigida por ele, que deixou a incumbência para seu colega de trabalho, o cineasta Howard Deutch (que aqui estreou no cinema). Por isso, este resulta mais superficial, sem a pegada cômica dos anteriores.
De jeitão esquisito, com dentes saltados e lábios carnudos, Molly Ringwald, hoje sumida das telas, interpreta uma garota humilde que necessita se encontrar no mundo. Como toda boa adolescente, é rebelde, preferindo a roda de amigos à família. Deseja um vestido atraente para o baile de formatura da escola e também precisa escolher um par para entrar na festa. Dois pretendentes, dois pólos bem opostos: um é rico, comportado, com carisma, enquanto o outro, atrapalhado, mas sensível, gosta de zoeiras e fazer piadas. Com quem ficar?
M
ais romântico que engraçado, o ingênuo filme superficialmente explora o sonho dos adolescentes que querem superar as crises da idade, nos anos seguintes aos do fim do sonho americano. Com mais apuro visual, mostra bem a cultura geek e nerd, dos jovens com cabelos espetados e calças coloridas, adeptos da tecnologia e dos videogames – o que deu origem às inúmeras tribos urbanas atuais.Longe de ser um grande trabalho, pelo menos se apresenta sincero, sem apelações, com final previsível e adequado. Conquistou muita gente, revelou atores (Andrew McCarthy e James Spader, por exemplo) e marcou um momento no cinema americano, quando as fitas tens abriam escolas e influenciavam a moda.
Em dvd, em edição especial, traz extras imperdíveis, que inclui um making of considerável, de quase uma hora de duração, com entrevista com o elenco original.

A garota de rosa-shocking (Pretty in pink). EUA, 1986, 96 min. Comédia romântica. Dirigido por Howard Deutch. Distribuição: Paramount Pictures

terça-feira, 22 de maio de 2012

Cine Lançamento



Filhos da escuridão 

Quando jovem, Brian Carter (Sean Clement) herdou da mãe um antigo mosteiro que passou a servir de clínica de reabilitação para viciados. Na infância, Carter foi alvo de uma experiência genética, quando recebeu toxinas de um inseto capaz de transformar os vícios em células vivas que podiam ser extraídas por meio de cirurgia. Por causa disso, vive isolado do mundo. Até que um dia recebe a proposta de vender o antigo mosteiro. Reúne assim um grupo de pessoas para avaliar a propriedade. Só que o local guarda segredos assustadores.

Lançado diretamente em home video no Brasil pela Paramount, “Filhos da escuridão” é uma desprezível fita de terror com ficção científica, feita com baixo orçamento. O visual pobre reúne efeitos digitais vergonhosos (de ‘fundo de quintal’), portanto não atrai nem mesmo os interessados pelo gênero.
Tudo é confuso e mal explicado. Uma série de personagens perdidos em uma trama fraca sobre experiências biológicas absurdas entre homens e moscas. Nunca convencem... E para destoar, da metade para o final surgem fantasmas deformados com sede de vingança.
Rodado no Canadá, nem trash é – porque esse subgênero apresenta características próprias planejadas, como o gore, o humor negro etc.
Único trabalho do diretor Antoine Thomas, que assina como M.R. O dvd saiu no mercado em abril, sem extras. Mas não perca tempo. Por Felipe Brida

Filhos da escuridão (Hidden 3D). Canadá/Itália, 2011, 81 min. Dirigido por M.R. Distribuição: Paramount Pictures

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Viva Nostalgia!


Top Gun – Ases indomáveis

O jovem Maverick (Tom Cruise) ingressa na Academia Americana de Aviação para se tornar piloto de caça. Lá inicia um relacionamento amoroso com Charlie Blackwood (Kelly McGillis), a instrutora de voos, e enfrenta, nos ares, um audacioso competidor, Iceman (Val Kilmer).

Estrondoso sucesso de público, repetido na TV aberta até cansar, “Top Gun – Ases indomáveis” foi febre mundial no ano de seu lançamento (1986). Encheu os cofres da dupla de produtores Jerry Bruckheimer e Don Simpson, que iniciavam a carreira com essa produção de orçamento caro, U$ 15 milhões, mas que rendeu quase U$ 345 milhões nas salas de cinemas. Com o dinheiro arrecadado aqui, puderam firmar uma parceria duradoura, com mais de 15 produções de alto nível, até a morte prematura de Simpson, em 1996. Atualmente, Bruckheimer detém do título do “produtor mais bem pago de Hollywood”.
“Top Gun” lançou Tom Cruise ao estrelato, bem como ajudou na carreira de Kelly McGillis (que pouco depois sumiu do mapa e nunca mais apareceu na mídia). Serviu ainda de trampolim para uma série de atores e atrizes que participam como coadjuvantes, dentre eles Meg Ryan, Anthony Edwards, Tim Robbins e Val Kilmer.
A história, bem romantizada e patrioteira, explora o universo de jovens aviadores em busca do prazer de voar e de vestir belas fardas brancas para defender o país nas guerras – e até de morrer por ele. Tudo acontece em uma escola de pilotos navais, chamada Top Gun, notória por formar os melhores do mundo.
Como complemento de ação, sobram as magníficas cenas de acrobacia, filmadas em planos abertos de tirar o fôlego. Muitas delas foram rodadas nos porta-aviões da USS Enterprise da Marinha americana.
Venceu o Oscar e o Globo de Ouro de melhor canção (a famosíssima “Take my breath away”, de Giorgio Moroder e interpretada por Berlin), e recebeu indicação a três outros prêmios da Academia – melhor som, edição e efeitos sonoros.
Três canções inseridas no filme também fizeram sucesso – “Danger zone”, de Kenny Loggins, “You've lost that lovin' feeling", de The Righteous Brothers, e o tema central, “Top Gun Anthem”, de Harold Faltermeyer e Steve Stevens.
Por causa do sucesso, “Top Gun” foi parodiado, nos anos 90, de forma excepcionalmente cômica pelo diretor Jim Abrahams, nas duas partes de “Top Gang!” (1991 e 1993).
Relançado esse mês em DVD pela Paramount, sai na coleção “The Best of Paramount”, em edição dupla para colecionadores, com novos extras – como dois making of, trailers, bastidores e videoclipes. Estranho que retiraram o subtítulo “Ases indomáveis” da nova capinha, só ficando “Top Gun”.
Curiosidade: Tony Scott anunciou a continuação de ‘Top Gun’ para 2013, quase 30 anos após o primeiro filme! E Tom Cruise confirmou o retorno na pele de Maverick. O que será disso, hein? Por Felipe Brida

Top Gun – Ases indomáveis (Top Gun). EUA, 1986, 110 min. Romance/Aventura. Dirigido por Tony Scott. Distribuição: Paramount Pictures

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Cine Lançamento



Drive

Em Los Angeles, um jovem dublê de filmes policiais (Ryan Gosling) adota outra identidade: à noite é um motorista de assaltantes a banco, em uma profissão arriscada. Apaixona-se por uma garota casada, Irene (Carey Mulligan), cujo marido está prestes a sair da prisão, e sem saber acaba envolvido em negócios escusos com gângsteres, chefiados por Bernie Rose (Albert Brooks).

O astro Ryan Gosling confirma o talento nesse novo filme policial de impacto. Apesar do fracasso de bilheteria, obteve aura de cult, especialmente pela semelhança com fitas europeias de vanguarda e o tom noir.
Já começa com o personagem central em atividade criminosa, em uma sequência de arrepiar, de puro clima de tensão: ele transporta, em seu carro, bandidos para assaltarem bancos. Impõem regras rígidas, não é de falar muito e não tem nome – apenas chamado de “Driver” (“Motorista”). Um rapaz com identidade dupla, que de dia atua como dublês em cenas de perigo.
O protagonista consolida-se como um anti-herói perturbado, que elimina os inimigos violentamente, sem piedade. Isto porque cai sem querer em uma complexa rede de traições e vingança, tendo que proteger a si mesmo.
A produção acertou na construção do visual, notável e estilizado, com cenas de violência animalesca (por exemplo, o “Motorista” mata uma das vítimas com chutes fortes no rosto, e também a sequência do tiro que abre a cabeça de uma vigarista). Ou seja, a mão pesada do diretor pode mexer com os nervos do público menos avisado.
Outro detalhe importante é a proximidade noir, que confina o sujeito principal, em crise existencial, sem rumo, sem saída, em um mundo de indecisões.
Atribui-se as qualidades técnicas do filme ao diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn, que investe na edição frenética (ele é filho de um montador e dirigiu poucos filmes – alguns sobre luta de boxe, como “Bronson”, além de uma trilogia sobre tráfico de drogas, “Pusher”, inédita no Brasil, e um filme de suspense psicológico bem esquisito, “Medo X”, seu primeiro longa). Por isso, não é de se espantar o motivo de ele ter ganhado o prêmio de melhor diretor em Cannes (além da indicação à Palma de Ouro) por “Drive”. Um cineasta promissor, visto com bons olhos pela crítica.
É, para mim, o melhor momento do ator Ryan Gosling, que no ano passado esteve em duas ótimas fitas – a comédia “Amor a toda prova” e o drama político “Tudo pelo poder”, em que foi indicado ao Globo de Ouro.
Diante de inúmeros pontos positivos, perdoamos o romance-clichê entre o “Motorista” e a jovem Irene, a parte banal dessa fita de prestígio.
Baseado no livro de James Sallis, recentemente lançado no Brasil, foi adaptado às telas por um roteirista do Irã, Hossein Amini, indicado ao Oscar por “Asas do amor”.
E por falar em Oscar, “Drive” recebeu uma indicação ao prêmio da Academia, como melhor edição de som, e uma ao Globo de Ouro – melhor ator coadjuvante (Albert Brooks, fenomenal na pele de um gângster com métodos cruéis).
Reparem na trilha sonora jovial, de boas bandas contemporâneas, como College, que interpreta o tema central, “A real hero”.
Um filme digno, para os apreciadores da verdadeira Sétima Arte. Por Felipe Brida

Drive (Idem). EUA, 2011, 100 min. Ação/Drama. Dirigido por Nicolas Winding Refn. Distribuição: Imagem Filmes

Estreias da semana – Nos cinemas – Parte 1

  Amelia Toledo – Lembrar de não esquecer Documentário brasileiro de Hélio Goldsztejn que, pra mim, foi um dos melhores lançados em festivai...