quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Viva Nostalgia!

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Tron – Uma odisséia eletrônica

Em uma de suas experiências, o hacker Kevin Flynn (Jeff Bridges) invade o sistema operacional de um computador. Ele, de carne e osso, agora está dentro desse misterioso mundo particular. Rapidamente é pego por soldados e forçado a participar de um jogo de gladiadores. A cada partida só sobrevive uma pessoa. Flynn ganha o status de herói, e as etapas vão se tornando mais difíceis, com inimigos poderosos e máquinas indestrutíveis.

Pioneiro em computação gráfica, não fez sucesso essa fita de aventura/ficção científica, produzida pela Disney em 1982. Na época, impressionou pelos efeitos visuais estilizados, que tinham como proposta recriar o mundo virtual do ponto de vista de um personagem humano (Flynn, o hacker). Era um espetáculo de cores neon, personagens reluzentes, máquinas possantes e outras voadoras com contornos coloridos. Analisando hoje, esses recursos inovadores soam ingênuos e precários, já que o avanço na computação gráfica tem sido incrementado desde as últimas duas décadas.
Apesar de ter obtido bilheteria rasa, “Tron” marcou gerações e virou cult. Foi a primeira fita comercial a relacionar hacker, informática e videogames (antes mesmo de “Jogos de guerra”, que era politizado e menos cômico). Previa a agressividade dos jogos de luta na cultura jovem, com a máxima “violência gera violência” (uma metáfora à parte, pois Flynn ataca até a morte os inimigos para salvar a pele).
A história sem surpresas é salva pela cuidadosa produção técnica e pela participação de Jeff Bridges, bem novo, em início de carreira.
O cineasta Steven Lisberger dirigiu poucos filmes, sendo “Tron” a fita mais lembrada de sua carreira inexpressiva. Ah, foi ele o criador do argumento, dos personagens e do roteiro.
Recebeu duas indicações ao Oscar em 1983 – melhor figurino e som, e concorreu ao Bafta de melhor efeitos visuais. O filme tem seus admiradores e pode agora ser visto em versão remasterizada em DVD, pela Disney/ Buena Vista.
Em 2010, um grupo de produtores de Hollywood retomou a ideia e rodou a sequência, “Tron: O legado”, um entretenimento de primeira, com o filho de Flynn assumindo as rédeas da história (o ator do primeiro, Jeff Bridges, aparece bem pouco). Ao contrário do original, este foi bem recebido pelo público – contabilizando bons milhões de dólares nas bilheterias. Por Felipe Brida

Tron – Uma odisséia eletrônica (TRON). EUA, 1982, 96 min. Ficção científica/ Aventura. Dirigido por Steven Lisberger. Distribuição: Disney/ Buena Vista

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Resenha

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Tropa de Elite

Rio de Janeiro, 1997. À frente do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), Capitão Nascimento (Wagner Moura) é designado para chefiar um grupo de policiais para vigiar o Morro do Turano. Ao mesmo tempo em que aceita a missão, procura por um substituto, a pedido da esposa, que está nos últimos meses de gravidez. Em um treinamento depara-se com dois aspirantes ideais para o cargo. Só que Nascimento encontra dificuldades em se “desligar” do serviço que tanto gosta. Os dias se passam, e uma série de incidentes no Morro, entre traficantes e milícia, acaba aproximando ainda mais o capitão da rotina no Bope.

O filme brasileiro mais comentado de todos os tempos, aplaudido de pé pelas plateias, por ser corajoso, retratar a verdadeira realidade social do nosso país. Assistido pela maioria dos brasileiros, “Tropa de Elite” percorre caminhos tristes do Rio de Janeiro, uma cidade que é um barril de pólvoras com o pavio aceso. As favelas dominadas pelo tráfico de drogas, a milícia conivente com as atrocidades nos morros cariocas, a polícia dividida entre homens do bem e cidadãos corrutos e inescrupulosos, o descaso do governo, tudo o que vemos há anos na mídia está agrupada no precioso trabalho de José Padilha, um dos cineastas notórios da última década.
Conquistou inclusive a crítica estrangeira e as plateias americanas e europeias. Participou da Seleção Oficial do Festival de Berlim, onde ganhou o Urso de Ouro em 2008, e de forma merecida venceu quase todas as categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, considerado o Oscar tupiniquim.
Infelizmente a pirataria fez parte do processo de disseminação do filme, fato este que ficou famoso, foi divulgado aos quatro cantos e irritou os produtores. Durante a inserção de legendas em estúdio, a cópia foi pirateada e vazou para a internet. Antes da estreia, mais de 10 milhões de pessoas haviam assistido a “Tropa”. Virou caso de polícia.
Mas logo o sucesso nas salas de cinema abafou aquela triste situação. Jornais de grande circulação apontaram o filme como o melhor trabalho brasileiro dos últimos anos – Folha de SP e O Globo foram alguns dos veículos.
Não há como negar: “Tropa de Elite” virou febre nacional e é obrigatório, assim como a sequência, lançada três anos depois. Ambos são contundentes, sem concessão. Não há disfarces nem fantasias nem pisadas em ovos.
Ficou polêmico por questionar o trabalho da Polícia Militar (o Bope é uma força especial dela), mostrar corrupção dentro dessa organização que, supomos, serve para deter o bandido e barrar o avanço das drogas. Aqui nossas ideias do que é certo e errado andam na contramão...
Submete a uma extensa análise fatos corriqueiros nos morros, que chocam o público. Por um lado é a rede de drogas que começa no distribuidor, passa pelos traficantes até chegar dinheiro na mão da polícia, que é passiva; por outro é a milícia com seus acertos e execuções sumárias; na ponta de lá está um grupo de PMs sérios, no encalço de perigosos bandidos; e na extremidade oposta, muitos policiais corrompidos. Quer mais verdade?
“Tropa” denuncia o sistema, algo que se aprofunda veemente na continuação, “Tropa de Elite 2: O inimigo agora é outro” (repare na inversão dos papéis, somente pelo título).
Um trabalho primoroso, jóia do cinema brasileiro, com elenco consistente (Wagner Moura, o melhor ator da geração, consagrou-se aqui), edição nervosa e um roteiro brilhante.
O cineasta José Padilha (acusado de ter feito aqui uma obra fascista, pela truculência da polícia, comparando-a a um regime ditatorial), realizou antes o surpreendente documentário “Ônibus 174” e pouco depois o premiado “Garapa”. Hoje é respeitado pela carreira centrada em trabalhos sólidos, encarados com distinta seriedade. Por Felipe Brida

Tropa de Elite
(Idem). Brasil/ EUA/ Argentina, 2007, 116 min. Ação/ Policial. Dirigido por José Padilha. Distribuição: Universal Pictures

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cine Lançamento

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Premonição 5

Grupo de universitários sobrevive ao desabamento de uma ponte. Com o decorrer dos dias, a Morte passa a espreitar o caminho daqueles jovens.

Este é o melhor filme da franquia “Premonição” juntamente com os dois primeiros. Um espetáculo de efeitos visuais deslumbrantes e mortes horrendas, em estilo “gore” e bastante criativas (e todas possíveis de acontecer). A premissa sabemos de cor, pelas fitas anteriores: um jovem prevê um desastre calamitoso, e minutos depois o fato ocorre. Aqui, a desgraça envolve o desabamento de uma ponte suspensa sobre o rio, matando uma infinidade de pessoas. Aquele rapaz vidente salva os amigos, só que, posteriormente, a Morte persegue-os, e um a um é eliminado de maneira brutal.
A abertura, na ponte, é de tirar o chapéu e arrancar o fôlego, graças a uma recriação realista, feita com computação gráfica. O roteiro não muda nada, é sempre mais do mesmo, porém as situações inusitadas e as peripécias de cada sobrevivente para escapar vivo são o chamariz dessa produção caprichada. Quem tem aflição de agulhas e corte nos olhos é bom tomar cuidado: há duas sequências de verdadeira tortura, a de uma acupuntura malssucedida e outra de um exame de vista nada agradável.
Investiram pesado para o filme, com orçamento de U$ 40 milhões, rendendo pouco mais nas salas de cinema – ou seja, não teve o êxito esperado.
Como sempre, o elenco reúne jovens desconhecidos, grande parte vindos da TV, exceto dois atores negros, Courtney B. Vance, como o investigador, e Tony Todd, novamente na pele do assustador agente funerário. Um prato cheio (de sangue) para os fãs de fitas de terror. Por Felipe Brida

Premonição 5
(Final destination 5). EUA, 2011, 92 min. Horror. Dirigido por Steven Quale. Distribuição: Warner Bros

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cine Lançamento

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Ataque ao prédio

Na periferia de Londres, gangue de rua aprisiona-se no prédio de um conjunto habitacional. A ideia do grupo é sobreviver, pois estão na mira de monstros alienígenas, famintos por carne humana. O local será palco de uma batalha entre humanos e seres do espaço sideral, com direito a granadas, tiros e muito sangue.

Ficou inédita no Brasil essa divertida comédia de humor negro britânica, que mistura dois outros gêneros codependentes, o terror e a ficção científica. Recebeu indicação ao Bafta de melhor direção e roteiro e ainda concorreu em festivais de cinema independente. Infelizmente obteve pouca repercussão, foi tremendo fracasso de público lá fora e pouca gente ouviu falar. Agora, em DVD, não há desculpa para perder.Um entretenimento excitante que celebra os filmes trash produzidos na década de 80.
A história é simples e se passa em um único cenário: o tal prédio referenciado no título, que fica no lado pobre do sul de Londres (lá existe periferia sim, como em todos os países, acreditem!). Dentro do edifício, jovens de uma gangue ficam escondidos com o intuito de planejar estratégias de sobrevivência. Isto porque o lugar está infestado de alienígenas em forma de enormes cães raivosos. E o resultado sabemos de cor – perseguições sem fim, muito tiroteio, escapadas, tudo em ritmo incessante. Ah, e um balde de sangue (não chega a ser ‘gore’ como o filme anterior dos mesmos produtores, a ótima comédia de humor negro “Todo mundo quase morto”, de 2004).
Visualmente o trabalho traz truques de iluminação bem curiosos, com cores azuis fortes – e toda a história acontece à noite. Outra diferença crucial (e uma das boas surpresas da fita) está na criação dos monstros: como já mencionado, cães selvagens com aparência de ursos pretos, com dentes fluorescentes, super assustadores e rápidos no ataque.
Atores ingleses desconhecidos compõem o elenco. Dos inúmeros, há dois rostos familiares, a do humorista Nick Frost e da jovem atriz Jodie Whittaker, lançada em “Vênus” (2006).
Em sua estreia no cinema, o diretor Joe Cornish, um dos roteiristas de “As aventuras de Tintim” (2011), acertou em cheio, sabendo dosar momentos cômicos (o restrito humor inglês, com piadas subentendidas, diálogos afiados, tiradas metafóricas), horror, ficção, toques de suspense e aventura. Por isso merece ser descoberto pelo público. Boa diversão (e cuidado com os sustos!). Por Felipe Brida

Ataque ao prédio
(Attack the block). Inglaterra/ França, 2011, 88 min. Comédia/ Ficção científica/ Horror. Dirigido por Joe Cornish. Distribuição: Sony Pictures

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Viva Nostalgia!

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Gente como a gente

A morte acidental de um jovem esportista deixa cicatrizs profundas em toda a família. Conrad Jarrett (Timothy Hutton) é um adolescente em crise, que se sente culpado pela morte do irmão e já tentara o suicídio. A mãe, Beth (Mary Tyler Moore), tem dificuldade em aceitar o filho e assumidamente amava mais o outro. E o pai, Calvin (Donald Sutherland), tenta unir aquela família marcada pelo trágico passado.

Pela primeira vez em DVD no Brasil, distribuído recentemente pela Paramount Pictures, o drama familiar que influenciou gerações de cineastas e um dos primeiros a discutir a dor da perda dentro de uma família. Lançado em 1980, venceu quatro Oscars do ano seguinte – melhor filme, diretor (Robert Redford), roteiro adaptado e ator coadjuvante (o estreante no cinema Timothy Hutton, perfeito em um personagem complexo, oprimido pela mãe), além de outras duas indicações, a de ator coadjuvante (para o judeu Judd Hirsch, como um psiquiatra nada ortodoxo, que clinica o rapaz em crise) e melhor atriz para a comediante Mary Tyler Moore, em um papel nada engraçado – pelo contrário, interpreta a rancorosa figura materna, uma mulher de sentimentos controversos, que não aceita o filho mais novo.
Repercutiu no mundo todo, com boa bilheteria na estreia, e tornou-se, merecidamente, o filme do ano, indicado aos principais prêmios – além do Oscar, o Bafta e o Globo de Ouro.
Baseado no romance de Judith Guest, o drama absorve temas universais, como reabilitação e sofrimento, tudo porque a história envolve uma família em fase de superar a morte do filho, um jovem que morreu afogado. O personagem do irmão se culpa pela tragédia, tenta o suicídio, recorre a um psiquiatra, interrompe as atividades diárias devido ao trauma que o acompanha. E os pais se dividem, em lados bem opostos: a mão rejeita o rapaz, sem disfarces, e o patriarca da família tem esperança de que o clima harmônico retorne. Diante da tela o público acompanha a dureza do dia-a-dia dos Jarret’s com desilusão à flor da pele. O clima é amargo, os três personagens tem aproximação com ressalvas, falta calor humano e carinho na casa “assassinada”. As peças que faltam demoram a se encaixar, as feridas não cessam de sangrar. Por essas razões não é uma fita fácil de lidar, guardando um desfecho sem concessão, bastante negativo. No fundo, Conrad, Beth e Calvin são pessoas como nós, que sentem tristeza, choram escondidas, punem-se pela culpa, pensam duas vezes antes de perdoar. Gente como a gente.
Foi o primeiro trabalho de Redford como diretor, cuja carreira atrás das câmeras foi de altos e baixos (os melhores dele são este, “Nada é para sempre” e “Quiz Show – A verdade dos bastidores”).
Todo o eleco dá um show de interpretação, em especial Timothy Hutton, filho do falecido ator Jim Hutton e ex-marido da atriz Debra Winger. Tinha 19 anos quando fez o filme, e nunca sua carreira alavancou. Nem se tornou galã, tampouco participou de outros trabalhos importantes. Um desperdício, pois Hutton era carismático e bom em cena. Hoje o vemos apenas como coadjuvante em algumas poucas fitas comerciais. Por Felipe Brida

Gente como a gente
(Ordinary people). EUA, 1980, 124 min. Drama. Dirigido por Robert Redford. Distribuição: Paramount Pictures

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cine Lançamento

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Melancolia

A jovem Justine (Kirsten Dunst) acaba de se casar. Os convidados a esperam na mansão de sua irmã, Claire (Charlotte Gainsbourg), localizada em um descampado. Durante a celebração, Justine tem fortes crises emocionais. Ao mesmo tempo em que a festa ocorre, a milhões de quilômetros dali o planeta Melancolia aproxima-se da Terra, o que poderá, em poucas horas, causar uma catástrofe.

Novo drama psicológico escrito e dirigido pelo dinamarquês Lars Von Trier, menos impactante que a polêmica fita anterior, que dividiu a opinião da crítica, “Anticristo” (2009), mas que incomoda por mexer com temas que desconcertam os valores individuais. Em “Melancolia”, ele justapõe dois filmes distintos; a primeira parte se concentra em um casamento supostamente arranjado, que não dará certo. A noiva, interpretada pela atriz Kirsten Dunst (vencedora em Cannes como melhor atriz), está em crise, chora escondida no quarto, sofre da tal melancolia. Para piorar, os pais são distantes – papéis pequenos de John Hurt, como o patriarca alcoólatra, e Charlotte Rampling, na pele da mãe que exala arrogância. A única pessoa ao seu lado é a irmã (Charlotte Gainsbourg – revelação em ‘Anticristo’), que cede a deslumbrante mansão para a festa de casamento. Tudo anda mal, sem motivos para comemorar. Na segunda parte a trama se verte para um disaster movie, quando um estranho planeta azul chamado Melancolia vem em direção à Terra. É quando o filme muda o tom, fica estranho e perturbador, com clima de tragédia anunciada. As irmãs sentem a proximidade do fim do mundo, mesmo sabendo que os cientistas afastam tais possibilidades. Justine, a recém-casada, cala-se, passiva, não quer mais viver, enquanto a irmã sofre desesperada, com esperança de dias melhores.
As fitas de Trier, anticomerciais, anticonvencionais, antimodelos, não são fáceis de serem digeridas pelo público. Não há nada de poético em seus personagens tristes. Melancolia é o sentimento da personagem central, infeliz com o casamento, com a vida. E também o nome do planeta azul, outra referência à tristeza – o adjetivo ‘blue’, em inglês, significa triste, deprimido.
As marcas do cineasta permanecem: sequências estáticas, com personagens ‘congelados’ e leves vibrações (um efeito curioso típico dele, sempre com música instrumental ao fundo); filme dividido em capítulos – neste há duas partes, chamados “Justine” e “Claire”; o título riscado com uma espécie de grafite, a mão; e a técnica que aprendera com o movimento Dogma 95, que é a câmera nos ombros, sem tripé (por isso a obra apresenta trepidações).
Na vida real, Trier sofre de depressão, questiona a morte com intensidade e é niilista, sem crenças, transmitindo essas ideias com eloquência em seus filmes. Por isso é um artista tão autoral.
Com “Melancolia”, concorreu à Palma de Ouro e diversos outros prêmios menores independentes. Em Cannes criou alvoroço, no ano passado, pois no festival defendeu abertamente o Nazismo, desferindo críticas severas aos judeus. Mostrou-se preconceituoso, depois tentou se defender afirmando que tudo não passava de uma brincadeira. O contra-ataque veio imediato com o público europeu rejeitando-o desde então. Não é por menos.
Atenção para o final, muito discutível, que pode causar impacto.
Como resultado temos uma experiência diferente, num trabalho difícil, com elenco sério. Kirsten Dunst está perfeita como a protagonista (só lembrada pela trilogia “Homem Aranha”) ao lado de Charlotte, Kiefer Sutherland (em momento especial da carreira em crise), Stelan Skasgaard e o filho Alexander Skasgaard.
Distanciará muita gente, mas os que realmente seguem as preciosidades da Sétima Arte devem procurar. Por Felipe Brida

Melancolia
(Melancholia). Dinamarca/ Suécia/ França/ Alemanha, 2011, 136 min. Drama/ Ficção científica. Dirigido por Lars Von Trier. Distribuição: Califórnia Filmes

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Cine Lançamento

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Super 8

No verão de 1979, na pequena cidade de Lillian, em Ohio, um grupo de amigos aficionados por cinema se reúne para rodar um filme amador de mortos-vivos. A estação ferroviária local servirá como palco de uma das cenas. Escondidos dos pais e portando uma câmera Super 8, Joe (Joel Courtney), Charles (Riley Griffiths), Martin (Gabriel Basso), Cary (Ryan Lee) e Alice (Elle Fanning) vão até o ponto combinado, de madrugada. Durante a gravação, presenciam o descarrilamento de um imenso trem de carga, provocado por uma caminhonete que invadiu os trilhos. Os garotos saem vivos daquele acidente de grandes proporções, e logo a área é cercada pelo Exército, que procura por algo misterioso alojado num dos vagões. Com o passar das horas, os jovens, testemunhas oculares do fato, começam a notar estranhos desaparecimentos, desde motores de carros a pessoas.

Com efeitos visuais espetaculares, “Super 8” é a nova aventura com ficção científica escrita e dirigida por J.J. Abrams e produzida pelo mago Steven Spielberg. A princípio, como o título sugere, o filme recorre à metalinguagem, ou seja, fala do cinema dentro do cinema. Um grupo de garotos do interior se prepara para uma competição de vídeos amadores. A ideia é produzir um filme de zumbis com uma câmera Super 8. No entanto, a vida deles mudará para sempre quando um gravíssimo acidente de trem ocorre a poucos metros do local onde gravam as cenas iniciais daquele trabalho.
Não é novidade contar que existe um extraterrestre na história. Desde os previews falava-se em uma obra que se aproximasse de “Contatos imediatos de terceiro grau” e “ET”, ambos de Spielberg.
O ser do outro espaço aparece pouco (sempre escondido, no escuro), a partir da metade, quando a trama fica confusa, cheia de meandros envolvendo o Exército, a polícia, o Governo, conspirações e sumiço de gente. E tudo se explica na conclusão absurda, que carrega um lirismo forçado para comprovar a inteligência do alienígena.
Tirando certas falhas do desfecho, “Super 8” é um entretenimento intrigante e bem produzido, com rica fotografia em tons azulados, além da recriação de época certeira, dos nostálgicos anos 70.
J.J. Abrams, de “Missão impossível III” e o novo “Star Trek”, presta uma sincera homenagem aos diretores de cinema, àqueles que iniciaram a carreira fazendo fitas amadoras de fundo de quintal, com uma Super 8 (por exemplo, Ridley Scott, M. Night Shyamalan, e os próprios Spielberg e J. J. Abrams, que nos extras do DVD comentam seus primeiros curtas, bem precários).
Obteve boa repercussão entre os jovens, com relativo sucesso de público; rendeu mais de cinco vezes o orçamento (custou U$ 50 milhões, e nas salas arrecadou U$ 259 milhões).
O elenco central reúne uma garotada pouco conhecida, boa parte deles estreantes e promissores, como Elle Fanning, irmã mais nova da talentosa atriz Dakota Fanning. Por Felipe Brida

Super 8
(Idem). EUA, 2011, 112 min. Ficção científica. Dirigido por J.J Abrams. Distribuição: Paramount Pictures

Nota de cinema

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