sexta-feira, 8 de julho de 2011

Resenha

.

Tolerância zero

Nova York, anos 60. O jovem Danny Balint (Ryan Gosling) estuda em uma escola judaica que, aos poucos, desapega-se da religião e se torna um violento seguidor dos ideais neonazistas. A personalidade do rapaz muda por completo, assim como seu cruel comportamento, levado às últimas conseqüências, começa a chamar a atenção da comunidade local.

Considerado pela crítica estrangeira como um dos grandes filmes da década passada, “Tolerância zero” (produzido em 2001) é baseado em um caso real ocorrido em Nova York na segunda metade da década de 60. Narrado com frieza, mostra a trajetória de um jovem, Danny Balint, criado desde a infância na religião judaica, porém, quando adolescente, envolve-se com um grupo de neonazistas, adotando a ideologia. Dentro do padrão habitual, o rapaz raspa a cabeça, veste roupas com o símbolo da suástica, repudia homossexuais e judeus e passa a atacá-los em plena luz do dia (tais seguidores ainda existem espalhados pelo mundo inteiro cometendo crimes como agressão e assassinato). Só que Balint desenvolve perturbações mentais ao questionar religião, fé e moral, pois estaria ele propagando a violência (aquilo que a sociedade condena) e desrespeitando os ensinamentos do Torá (a cartilha-base do Judaísmo).
Com final metafórico, o drama surpreende pela história que aproxima duas ideologias tão distintas em um personagem único. Por isso, o filme serve para reflexão em torno da intolerância religiosa.
Tudo se encaixa graças ao ator Ryan Gosling em uma atuação precisa, sem exageros, num papel difícil em que o público não terá simpatia por ele. Um momento notório de sua brilhante carreira (é o mesmo ator de “Um crime de mestre”, “Diário de uma paixão”, e indicado ao Oscar por “Half Nelson – Encurralados”, de 2008, ainda não distribuído no Brasil).
“Tolerância zero” ganhou prêmios em festivais de cinema, como ator e diretor (este levou o Grande Prêmio do Júri em Sundance, também concorrendo, com Gosling, ao Independent Spirit Awards). Procure conhecer esse filme independente de grande sucesso de crítica. Por Felipe Brida

Tolerância zero (The believer). EUA, 2001, 98 min. Drama. Dirigido por Henry Bean. Distribuição: Europa Filmes

terça-feira, 5 de julho de 2011

Resenha

.
A sombra e a escuridão

África, 1898. O engenheiro John Patterson (Val Kilmer) chega ao vilarejo queniano de Tsavo para construir uma ponte. Poucos dias depois, com as obras em andamento, depara-se com dois leões assassinos que aterrorizam os operários. Toda a comunidade fica acuada com medo daqueles animais, apelidados de Sombra e Escuridão. Até que um experiente caçador, Charles Remington (Michael Douglas), é designado para matar os temíveis bichos.

Exemplar fita de aventura com clima de suspense, baseada na história verídica dos leões de Tsavo, que mataram cerca de 130 pessoas no Quênia, no fim do século XIX. Os animais, sem explicação, devoravam as pessoas no calar da noite, não para se alimentar, mas com instinto de vingança. Até hoje os fatos são inexplicáveis – acredita-se que os bichos protegiam aquela área e, com a vinda dos operários para a construção da ponte, sentiram-se ameaçados em seu hábitat natural. Para se ter uma idéia da proporção que isto atingiu, os 130 africanos foram atacados e mortos em nove meses (uma média de 14 por mês, ou seja, uma vítima a cada dois dias!).
O filme, lançado em 1996, acompanha dois homens na caçada dos leões para coibir a carnificina. Um é o engenheiro encarregado das obras (Val Kilmer), que sabe manejar armas, e o outro é o caçador com trajes típicos, interpretado pelo sempre interessante Michael Douglas. Os momentos notórios da fita ficam para os ataques dos animais, sempre mostrados como diabólicos e inteligentes, já que conheciam as armadilhas dos seres humanos e, no final das contas, venciam ilesos as batalhas.
Com história escrita por William Goldman, “A sombra e a escuridão” chega de novo no mercado pela Paramount, que relançou o filme com capa diferente da original dos cinemas. Em 1997 ganhou o único Oscar que concorreu, o de efeitos sonoros (e Val Kilmer concorreu como pior ator no Framboesa de Ouro, junto com ‘ A ilha do Dr. Moreau’). Intrigante e tenso. Procure já. Por Felipe Brida

A sombra e a escuridão (The Ghost and the Darkness). EUA, 1996, 109 min. Ação. Dirigido por Stephen Hopkins. Distribuição: Paramount Pictures

domingo, 3 de julho de 2011

Cine Lançamento

.

Roqueiros

O cotidiano de um grupo de jovens skatistas e punks latinos na periferia de Los Angeles, envolvidos em sexo, droga, assassinatos e confusões com a polícia.

Lembrado pelo polêmico filme sobre drogas “Kids” (1995), o cineasta junkie Larry Clark caiu no esquecimento depois de fitas menores que foram fracasso de público. Como projeto pessoal, rodou em 2005 esse curioso “Roqueiros”, com roteiro dele mesmo, que é um panorama sobre os skatistas de origem latina que moram na linha divisória entre a parte glamourosa e pobre de Beverly Hills, em Los Angeles. Portando a câmera nos ombros e utilizando recursos mínimos de cinema, acompanha a difícil rotina dos joens em meio à violência e drogas. Tudo contado de forma natural, sem o impacto febril visto em “Kids”.
A fita mistura documentário (inúmeras cenas reais em locações) e atuação de atores que nada mais são do que eles próprios, ou seja, o personagem é o elenco real. Assim Clark transmite um retrato fiel daquela tribo urbana composta por skatistas e punks em busca de seus sonhos e prazeres – o engraçado é que de roqueiros não têm nada, como o infeliz título brasileiro sugere.
Ao longo do filme os jovens exibem um pouco do dia-a-dia com a família desestruturada, os namoros supérfluos e o hobby do skate, e ao mesmo tempo os acercam a violência de gangues rivais e a rebeldia que germina no corpo frágil de cada um.
Desconhecida do grande público, chega às locadoras pela Europa Filmes essa fita independente, curiosa e bem realista. Principalmente a moçada deve conhecer e refletir. Em DVD. Por Felipe Brida

Roqueiros (Wassup rockers). EUA, 2005, 111 min. Drama. Dirigido por Larry Clark. Distribuição: Europa Filmes

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Resenha

.

Império dos sonhos

A atriz veterana Nikki Grace (Laura Dern) recebe a proposta para atuar no remake de um filme polonês onde parte da equipe morreu misteriosamente. Aos poucos, ela assume o lado doentio da personagem, atormentada por estranhos sonhos.

O mais ousado filme experimental do cultuado diretor David Lynch, famoso por fitas esquisitas e super tétricas, como “Cidade dos sonhos”, “Duna” e “Veludo Azul” (mas também de um dos meus preferidos, o excelente “O homem elefante”). Aqui, exagera em um longo delírio surrealista com visual alucinado, sem referentes, desconexo, difícil de explicar e de entender. Interminável, tem três horas de duração.
A apresentação básica é bem explicada: uma atriz em má fase da carreira (a ótima Laura Dern) começa a trabalhar em um filme, a convite de um diretor (rápida aparição de Jeremy Irons). Aos poucos ela descobre histórias de bastidores (a morte da equipe do projeto original, na Polônia) e rapidamente absorve a identidade da personagem que interpreta, tornando-se uma mulher perturbada à beira da loucura. Porém o roteiro explode numa série de esquisitices, com pesadelos coloridos, gente com forma de animal e outras bizarrices, que nada mais é do que um difícil exercício de estilo de Lynch, repleto de imagens retorcidas e closes absurdos. Como a maioria de suas obras, o cineasta não faz questão de explicar nada; ele mesmo diz de boca cheia que os filmes que lança mescla tendências abstracionistas com Dadaísmo e Surrealismo.
Complexo para o público comum, muitos encontrarão dificuldade em chegar ao final.
Ganhou prêmio menor numa mostra paralela dentro do Festival de Veneza. Quem vai arriscar? Por Felipe Brida

Império dos sonhos (Inland empire). EUA/França, 2006, 180 min. Drama. Dirigido por David Lynch. Distribuição: Europa Filmes

domingo, 26 de junho de 2011

Cine Lançamento

.

Secretariat – Uma história impossível

No final dos anos 60, a dona-de-casa Penny Chenery (Diane Lane) assume os negócios do falecido pai: chefiar um haras com a ajuda do veterano treinador de cavalos Lucien Laurin (John Malkovich). É quando tem a ideia de lançar um dos cavalos de corrida, chamado Secretariat em competições nacionais. O que Penny não imaginava é que o animal de estimação se tornaria um dos maiores campeões mundiais nos anos seguintes.

Baseado em fatos reais, o novo drama da Disney sobre animais retrata a “biografia” do cavalo Secretariat, detentor de grande equilíbrio nas pistas de corrida, que ganhou notoriedade nos anos 70 por ser o eqüino mais veloz até então. Como todo filme da produtora, a história é leve, bonita, com mensagem positiva sobre o bom relacionamento entre homens e animais.
O cinema projetou, recentemente e diversas vezes, os cavalos nas telas; este ‘Secretariat’ se sobressai mais empolgante do que o arrastado “Seabiscuit – Alma de herói” e não tão complexo e cansativo quanto “O encantador de cavalos”. Por isso, até agora, é um dos melhores sobre o tema – pode ser que seja superado pelo novo projeto de Steven Spielberg, “War horse”, em fase de produção.
É basicamente uma lição de vida e superação. Uma mulher (Diane Lane, exata e sempre elegante) perde o pai e resolve tocar o trabalho do falecido. Só que ela nunca mexeu com animais e para tanto contrata um expert no ramo, que é justamente um treinador de cavalos conhecido (Malkovich). Com o passar dos dias, investe tudo no cavalo Secretariat, da raça Thoroughbred, que iria se tornar o legendário tríplice coroado do turfe nos Estados Unidos. Ou seja, roteiro previsível, agradável e descompromissado. Um típico filme para se assistir entre família, com crianças reunidas, que motiva e pode fazer alguns se emocionarem. Por Felipe Brida

Secretariat – Uma história impossível (Secretariat). EUA, 2010, 123 min. Drama. Dirigido por Randall Wallace. Distribuição: Disney/ Buena Vista

terça-feira, 21 de junho de 2011

Cine Lançamento



Sonhos roubados

Jéssica (Nanda Costa), Sabrina (Amanda Diniz) e Daiane (Kika Farias) são três garotas que vivem nas comunidades dos morros cariocas. Amigas próximas, as meninas têm um histórico de vida em comum, tendo que lidar com a família desestruturada, a gravidez precoce, a prostituição e os anseios por dias melhores.

Mais um bom filme brasileiro sobre as condições sociais nas periferias do Rio de Janeiro, com interpretações marcantes (e bem naturais) do trio feminino principal, em especial da “líder” das meninas, Nanda Costa, que conquistou prêmios e depois veio a ser escalada para novelas da Globo.
Baseado no livro “As meninas da esquina”, da jornalista Eliane Trindade, o drama foi lançado em 2009 e só chegou agora em DVD pela Europa Filmes. É uma história sobre personagens iguais: três amigas menores de idade que enfrentam os mesmos dilemas – as famílias em situação financeira precária; conhecem a prostituição como forma de ganhar dinheiro ‘fácil’; a gravidez surge para uma delas; a outra é submissa ao namorado traficante na cadeia; e a mais nova sonha com um iPod. E acabam compartilhando um único desejo, de um dia adquirirem condições de vida mais dignas.
Dirigido por Sandra Werneck (de “Cazuza” e “Meninas”, este um bom documentário sobre o mesmo tema), o filme atinge resultado notório graças à seriedade como o tema é tratado, conduzido por um elenco que não precisa de esforços maiores, já que atuam com naturalidade. Traz alguns nomes de peso em papéis bem humanos, como Marieta Severo, Daniel Dantas, Nelson Xavier, Ângelo Antonio e MV Bill.
Conheça esse premiado longa brasileiro, ganhador de prêmios nacionais e internacionais, como Festival do Rio, Miami e Biarritz. Por Felipe Brida

Sonhos roubados (Idem). Brasil, 2009, 96 min. Drama. Dirigido por Sandra Werneck. Distribuição: Europa Filmes

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Viva Nostalgia!

.
O inferno é para os heróis


Em outono de 1944, durante a Segunda Guerra, um pequeno grupo de recrutas norte-americanos finge estar em maior número e invade terras alemãs para destruir as tropas nazistas. O plano dá certo até que o soldado Reese (Steve McQueen) revela um estranho prazer em matar.

Faz parte dos relançamentos de clássicos em DVD pela Paramount esse drama de guerra produzido em 1962 com Steve McQueen em início de carreira. O ator interpreta um jovem soldado americano neurótico, com instinto assassino, que, no período crítico da Segunda Guerra, transforma-se em uma máquina de matar. Com requintes sádicos, sente prazer em destruir os inimigos (os alemães, no caso) com minas escondidas e bombas. E faz tudo sozinho, pois o grupo de recrutas teme o pior e se sentem acuados.
Para o papel, McQueen encarna um homem sério, com barba mal feita e olhar de fúria – um dos bons personagens de sua extensa filmografia.
Rodado em poucas locações, mais em estúdio, todo em preto-e-branco (não se engane com a capa, que traz cenas coloridas), o filme pode ser classificado como drama psicológico sobre os horrores da guerra – com mensagem anti-guerra.
Assina a direção Don Siegel, grande parceiro de Clint Eastwood em diversas produções, que soube escalar um bom elenco de atores iniciantes, como o cantor Bobby Darin, Bob Newhart em sua estréia e James Coburn em uma pequena ponta. Por Felipe Brida

O inferno é para os heróis (Hell is for heroes). EUA, 1962, 89 min. Ação/ Drama. Dirigido por Don Siegel. Distribuição: Paramount Pictures

Resenha especial

  Queda livre: A tragédia do Caso Boeing   Documentário sobre a investigação do Caso Boeing, que envolveu dois acidentes aéreos da empresa o...