quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cine lançamento

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Minha cama de zinco

Paul Peplow (Paddy Considine) é um alcoólatra que, em fase de reabilitação, freqüenta um grupo de terapia. À procura de emprego, recebe uma proposta tentadora para trabalhar com um importante empresário local, Victor Quinn (Jonathan Pryce). Empregado e em busca de uma nova vida, acaba iniciando um relacionamento conturbado com a esposa do chefe, Elsa (Uma Thurman), uma ex-viciada em cocaína.

Adaptação para TV, feita originalmente pela HBO, de uma peça dramática escrita por David Hare, roteirista inglês de fino talento, indicado ao Oscar duas vezes – por “O leitor” e “As horas”, ambos como melhor roteiro.
Desconhecido do público, até mesmo porque só foi exibido em rede aberta nos Estados Unidos, “Minha cama de zinco” é uma fita independente curtinha (tem apenas 75 min.), que explora as dificuldades dos adictos em largar o vício, bem como o árduo caminho que encontram para a ressocialização. Não leva o tema tão a fundo, não procura mostrar os dependentes químicos usando drogas (até mesmo porque isto afasta grande parte dos telespectadores), no entanto tem seu grau de seriedade.
Os personagens principais (um rapaz alcoólatra e uma cocainômana casada que acabara o tratamento), além do vício maldito, encaram um outro problema pela frente quando desencadeia entre os dois uma paixão inesperada. A partir daí a história muda de figura.
Bem teatral (mantém dessa forma estrutura bem próxima ao formato original), fechado em poucos ambientes, o filme foi produzido em 2008 e só agora lançado em DVD no Brasil. Aqueles interessados pela história devem descobrir. Por Felipe Brida

Título original: My zinc bed
País/Ano: EUA/Inglaterra, 2008
Elenco: Paddy Considine, Uma Thurman, Jonathan Pryce, Sara Powell
Direção: Anthony Page
Gênero: Drama
Duração: 75 min.
Distribuição: Warner Home Video

domingo, 12 de dezembro de 2010

Cine lançamento

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Salt

Uma das mais perspicazes agentes da CIA, Evelyn Salt (Angelina Jolie) é acusada por um desertor de ser uma espiã russa infiltrada. Procurada por um grupo de agentes especiais dispostos a caçá-la a todo custo, Salt terá de utilizar todos os tipos de disfarces para fugir e assim provar sua inocência.

Na década de 80, Hollywood explorou o tema da Guerra Fria no cinema até esgotar, com espiões infiltrados em fugas mirabolantes. Passados quase 20 anos do fim da União Soviética, a chama se reacende com essa produção badalada, de orçamento relativamente alto (U$ 75 milhões) e que não rendeu a bilheteria esperada na estréia nas salas, ficando atrás de “A origem” e “Shrek para sempre”.
O filme, como há de se prever pela sinopse, traz de volta todos os elementos daquelas fitas do passado. Primeiramente a questão do personagem central (aqui, a bela Angelina Jolie, cada vez mais bonita) acusado de traição (Salt é da CIA e precisa provar que não é uma espiã russa após acusações de um suposto colega de profissão). Já começa num interrogatório onde surgem essas denúncias, e logo Salt, cercada por todos os lados, precisa fugir, dando início a suas loucas escapadas, que só terminam no desfecho do filme. Como é uma produção de ação, muito bem realizada por sinal, não poderia faltar corre-corre, tiroteios, explosões e uma enxurrada de reviravoltas. Preste atenção nos detalhes para não se perder!
Não tem novidades, até mesmo porque o filme lembra “Missão impossível” e os inúmeros “007”. Somente mais uma fita de ação com forte adrenalina e bem feitinha.
Deu certo talvez pela direção de Phillip Noyce, diga-se de passagem um grande especialista em fitas de ação, acostumado a rodar projetos sobre espionagem, dentre eles duas adaptações de Tom Clancy - “Jogos patrióticos” e “Perigo real e imediato” (com o agente Jack Ryan, interpretado por Harrison Ford), e “O santo” (com Val Kilmer), todos com o pano de fundo sobre a Guerra Fria.
No Brasil o DVD single veio com as três versões, opcionais – a de cinema (com 101 min.), a estendida (com um minuto a mais, sem cenas de relevância) e a do diretor, com quatro minutos acrescidos e final alternativo (menos emocionante que o original). Dê uma conferida, sem compromisso e sem exigências. Por Felipe Brida

Título original: Salt
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor, Daniel Olbrychski, August Diehl
Direção: Phillip Noyce
Gênero: Ação
Duração: 101 min.
Distribuição: Sony Pictures

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cine lançamento

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A epidemia

Pequena cidade no interior dos Estados Unidos é exposta a um misterioso vírus. Acometidos pela insanidade e violência, os habitantes vão, um a um, tornando-se zumbis sedentos por sangue. Para escapar dos ataques das criaturas, o xerife Dutton (Timothy Olyphant), sua esposa Judy (Radha Mitchell) e outros moradores refugiam-se num abrigo, e iniciam uma luta pela sobrevivência.

Estreou nos cinemas com recepção moderada do pública essa boa refilmagem de “O exército do extermínio”, filme cult dos anos 70 dirigido pelo mestre de terror George A. Romero (e recentemente lançado em DVD no Brasil). Superior ao original, que era precário e bem datado, o remake mantém a estrutura do antigo: conta uma história interessante sobre zumbis canibais, velha formula de fitas de horror que o cinema americano adora e vem rodando aos montes ultimamente. Aqui – assim como em “Extermínio” e “Terra dos mortos”, os mortos-vivos são velozes e inteligentes e dominam uma cidade inteira em busca de sangue humano. Dá ênfase à trama os dois protagonistas (um casal – ele, xerife, interpretado por Olyphant, melhor ator do que em fitas anteriores, e pela bonita Radha Mitchell, a esposa), que lideram um grupo de sobreviventes que precisam escapar dos ataques dos ferozes zumbis.
Boa parte da história se desenrola à noite, ou seja, o filme é escuro, além de ser violento, com muitos sustos, prato cheio para fãs de cinema de terror.
O título, mantido do original, “The crazies” (na tradução literal, “Os enlouquecidos”), faz referência à alucinação coletiva provocada por um vírus (as causas da doença fica solta no ar, não é bem explicada) que ataca o sistema neurológico das vítimas, daí o motivo de ficarem loucas e mortais.
Breck Eisner dirigiu antes o fraco “Sahara” (2005), e saiu-se melhor aqui nessa refilmagem de um filme pouco conhecido do público brasileiro. Os interessados devem arriscar. Por Felipe Brida

Título original: The crazies
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Timothy Olyphant, Radha Mitchell, Joe Anderson, Danielle Panabaker
Direção: Breck Eisner
Gênero: Terror/Ação
Duração: 101 min.
Distribuição: Imagem Filmes

domingo, 5 de dezembro de 2010

Cine Lançamento

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Ela é demais para mim

Kirk (Jay Baruchel) é um jovem franzino que trabalha como segurança em um aeroporto. Certo dia topa com uma bela garota, Molly (Alice Eve), que, de forma inusitada, apaixona-se por ele. Por ser maltratado pela família, o rapaz encontra uma série de dificuldades em se afirmar como pessoa e tentar conquistar a menina.

Fracasso nas salas de cinema, chegou diretamente em DVD no Brasil essa comédia romântica (mais comédia besteirol que romance) que é a estréia do diretor Jim Field Smith.
O filme é uma chacota só em cima de um rapaz alvo de todos os tipos de humilhação, o que o faz ser uma pessoa desmotivada. Ele não tem namorada, a família não acredita no potencial dele, os amigos tem o prazer de zoar de sua cara. Na linguagem popular, Kirk é um cara zoado, um típico “loser”. Só que vê a chance de mudar de vida quando acontece o impossível: uma garota linda, de fechar o comércio, diz estar morrendo de amores por ele. A partir dessa premissa é que tem início os acontecimentos cômicos da fita, com certo besteirol e, não poderia faltar, piadas sobre sexo (como a sequência da ereção com fins trágicos e a raspagem dos pêlos pubianos). Tudo mostrado num tom meio grosseiro, que só serve para a garotada se divertir.
O ator Jay Baruchel sempre faz caretas, é um ator novo, mirrado, com presença de cena, mas exagerado.
Facilmente previsível, com desfecho sem surpresa, a fita tem momentos engraçados, outros de muita zombaria, e não é tão inteligente como comentaram por aí.
Mais voltado para a meninada que procura por entretenimento corriqueiro. Por Felipe Brida

Título original: She’s out of my league
País/Ano: EUA, 2010
Elenco: Jay Baruchel, Alice Eve, T.J. Miller, Mike Vogel, Nate Torrence
Direção: Jim Field Smith
Gênero: Comédia
Duração: 104 min.
Distribuição: Paramount Pictures

sábado, 4 de dezembro de 2010

Cine lançamento

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Repo Men – O resgate de órgãos

Em um futuro próximo, uma corporação chamada “The Union” torna-se conhecida no mundo inteiro pelo serviço pioneiro de aluguel de órgãos mecânicos para seres humanos. As leis são rígidas: se o comprador não pagar a mensalidade do produto, a empresa convoca os coletores, um grupo de homens treinados para recolher o órgão vendido. Um deles é Remy (Jude Law), que, certo dia, sofre um infarto quase fatal. Afastado de suas atividades, com um coração mecânico transplantado e sem dinheiro para pagar pelo serviço adquirido, une-se a um colega de profissão, Jake (Forest Whitaker) para escapar da perseguição de outros coletores da “The Union”.

Baseado no livro de ficção científica “The Repossession Mambo”, de Eric Garcia, o filme do estreante diretor Miguel Sapochnik aproxima-se bastante da história original, ou seja, tem roteiro estranho e sequências de pura violência. Na verdade é uma fita de ação futurista com teor “gore” (sangrento), com concepção meio trash e absurda. Obviamente que o público masculino terá mais estômago para assistir.
A trama se passa na cidade de Toronto, Canadá, com seus prédios gigantescos e arquitetura contemporânea, mostrando o trabalho de um repo man, um coletor de órgãos, de índole fria, que arranca sem dó nem piedade o fígado (literalmente falando) dos endividados. A composição do personagem é de anti-herói, que com o passar do filme vira mocinho, pois tem de fugir da cruel organização onde trabalhava. Para se salvar junta-se a um colega e ambos partem para uma jornada ao inferno, acompanhados por uma mulher, a única da história, papel da brasileira Alice Braga.
Há reviravoltas previsíveis e um desfecho pouco intrigante, portanto não espere algo sensacional que a sinopse supõe.
Analisando a fundo, o tema é bem sério (disfarçado pelos absurdos das típicas fitas de ação); trata principalmente de como a roda do mercado selvagem gira no mundo capitalista, pós-moderno, consumindo as pessoas por dentro. Ai dos endividados, que aqui perdem a alma...
Saiu com o título provisório de “Os coletores”, mantido em Portugal. Por Felipe Brida

Título original: Repo Men
País/Ano: EUA/Canadá, 2010
Elenco: Jude Law, Forest Whitaker, Alice Braga, Liev Schreiber, Carice Van Houten, RZA
Direção: Miguel Sapochnik
Gênero: Ação
Duração: 111 min.
Distribuição: Universal Pictures/ UIP
Site oficial: http://www.repomenarecoming.com/

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cine lançamento

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Tudo pode dar certo

Ex-professor universitário, Boris Yellnikoff (Larry David) é hoje um velho rabugento e reclamão, que vive sozinho trancado num apartamento. Pessimista convicto, já tentou o suicídio uma vez – por ter se jogado de um prédio, sem sucesso em seus objetivos, ficou manco. Certo dia, é abordado por uma jovem, Melody (Evan Rachel Wood), que pede para entrar em seu apartamento. Ele concorda com a idéia, e ambos passam o dia juntos, como amigos. Com o passar das semanas a menina não demonstra querer ir embora. Até que chega o fatídico dia em que Melody confessa estar apaixonada por ele.

Woody Allen volta com tudo em cima em seu novo projeto pessoal, um típico filme autoral, com diálogos filosóficos, sacadas e abobrinhas, gente que reclama da vida e personagens fechados em um mundinho próprio. Seu melhor trabalho como diretor em anos, cujo script estava engavetado desde 1977 (o papel principal seria para o comediante judeu Zero Mostel, mas este morreu de infarto antes das gravações).
É uma comédia dramática protagonizada por um senhor suicida e rabugento, amargo, que carrega nas costas o dissabor de estar velho. Antipático, reclama de Deus e o mundo, semelhante à figura de Woody Allen ator quando encabeça como protagonista dramas e comédias. Ele estorva o público com suas lamúrias e ainda por cima tem o ego inflado: acredita que sabe das coisas melhor que ninguém, que o mundo conspira contra ele, que é o melhor jogador de xadrez e o único a entender mecânica quântica e o caos do universo. Vendo dessa forma parece que o personagem é insuportável, que repudia o público. Mas não. Tudo graças ao ator Larry David, muito engraçado, que garante as piadas e conversa diretamente com os telespectadores (vez ou outra ele vira pra câmera e brinca com a gente, ou seja, o filme tem linguagem metalingüística). Na verdade David fez pouco cinema, é um ator de TV, criador do famoso sitcom “Seinfeld”. Por mais implicante que a criatura seja, ele diverte à beça.
“Tudo pode dar certo” é isto: um personagem mala interpretado por um grande humorista, o seu dia-a-dia ao lado de uma jovem que acaba de conhecer (a sempre boa atriz Evan Rachel Wood), e as surpresas de uma amizade (quase) colorida entre ambos, já que os opostos se atraem aqui – pela idade (Boris poderia ser avô de Melody, e os dois com certeza não combinam), pela intelectualidade, pelo ritmo de vida.
Um grande Woody Allen em forma, bem melhor do que suas fitas medíocres recentes (“Melinda e Melinda”, “Scoop – O grande furo” e “O sonho de Cassandra”). Aos 75 anos dá uma reviravolta e demonstra ter pique para projetos que lembram a notória carreira de outrora. Conheça. Por Felipe Brida

Título original:
Whatever works
País/Ano: EUA/França, 2009
Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Ed Begley Jr., Michael McKean, Adam Brooks,
Direção: Woody Allen
Gênero: Comédia/Drama
Duração: 92 min
Distribuição: Sony Pictures/ California Filmes

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Morre o lendário diretor italiano Mario Monicelli

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O diretor e roteirista italiano Mario Monicelli cometeu suicídio ontem, em Roma. Ele tinha 95 anos e jogou-se do prédio do hospital San Giovanni, onde estava internado para tratar de um câncer terminal.
Nascido em 15 de maio de 1915 em Viareggio, Lucca (Toscana), foi um dos nomes mais notórios do cinema italiano, ao lado de Luchino Visconti, Vittorio De Sica e Roberto Rosselini.
Recentemente completou sete décadas de carreira, sendo um dos cineastas mais antigos ainda em atividade.
Monicelli dirigiu cerca de 60 filmes, dentre eles os clássicos “Os eternos desconhecidos” (1958), “O incrível exército de Brancaleone” (1966) e a continuação, “Brancaleone nas Cruzadas” (1970), “Meus caros amigos” (1975) e a segunda parte da trilogia, “Quinteto irreverente” (1982), “As duas vidas de Mattia Pascal” (1985) e “Parente é serpente” (1992).
Indicado a dois Oscars como roteirista – por “Os companheiros” (1963) e “Casanova 70” (1965), ganhou o Leão de Ouro em Veneza pelo filme “A grande guerra” (1959) e um especial pela carreira, em 1991. Recebeu ainda três prêmios no Festival de Berlim como melhor diretor – “Pais e filhos” (1956), “Carol Michele” (1976) e “Il marchise Del Grillo” (1982). Três outros também foram indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro – “A grande guerra” (1959), “Os companheiros” e “A garota com a pistola” (1968).
Sua filmografia inclui ainda “Totò e as mulheres” (1952 – um das tantas parcerias que fez com o falecido cineasta Steno), “O médico e o charlatão” (1957) e “Caros F. amigos” (1992). Seu último trabalho como diretor foi em “Le rose Del deserto” (2006), além de dois curtas-metragens inéditos, rodados entre 2009 e 2010.
Como ator fez uma pequena participação (simbólica e bastante memorável) no filme “Sob o sol de Toscana” (2003).
Monicelli deixa três filhos. Por Felipe Brida

Resenha especial

  Queda livre: A tragédia do Caso Boeing   Documentário sobre a investigação do Caso Boeing, que envolveu dois acidentes aéreos da empresa o...