segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Especial de Cinema

 
Histórico: ‘O agente secreto’ vence dois Globos de Ouro, de melhor ator e filme de língua não-inglesa
 
A noite de domingo foi de muita comemoração no Brasil. Isto porque o filme ‘O agente secreto’, de Kleber Mendonça Filho, fez história levando dois prêmios no Globo de Ouro, um feito inédito para uma produção brasileira. O longa venceu nas categorias de melhor filme de língua não-inglesa e melhor ator em filme de drama para Wagner Moura, em premiação realizada ontem no hotel Beverly Hilton, em Los Angeles. É a segunda vez que o Brasil ganha na categoria de filme estrangeiro, 27 anos depois de 'Central do Brasil' (1998) - em 1960 ‘Orfeu negro’ foi vencedor, porém o prêmio ficou com a França, já que a obra era uma coprodução França/Itália/Brasil. Esta é a segunda vez que um brasileiro se destaca nos palcos do Globo de Ouro: no ano passado a atriz Fernanda Torres se consagrou recebendo a estatueta de melhor atriz em filme de drama por ‘Ainda estou aqui’, e agora Wagner Moura. Promovido pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood desde 1944, o Globo de Ouro é uma das principais festas do cinema onde se premiam filmes e séries, também termômetro para o Oscar. Na noite de ontem os maiores vitoriosos foram o filme de ação e drama ‘Uma batalha após a outra’, de Paul Thomas Anderson, e a minissérie ‘Adolescência’, ambos vencedores com quatro estatuetas cada. A 83ª edição da premiação foi novamente apresentada pela comediante Nikki Glaser.
Confira abaixo a lista completa dos vencedores do Globo de Ouro 2026 – o vencedor é o primeiro filme ou série de cada categoria, em negrito.
 



Cinema
 
Melhor Filme de Drama
 
"Hamnet – A Vida Antes de Hamlet"
"Frankestein"
"Foi Apenas um Acidente"
"O Agente Secreto"
"Valor Sentimental"
"Pecadores"
 
Melhor Filme de Comédia ou Musical
 
"Uma Batalha Após a Outra"
"Blue Moon"
"Bugonia"
"Marty Supreme"
"No Other Choice"
"Nouvelle Vague"
 
Melhor Direção
 
Paul Thomas Anderson - "Uma Batalha Após a Outra"
Ryan Coogler - "Pecadores"
Guillermo del Toro - "Frankenstein"
Jafar Panahi - "Foi Apenas um Acidente"
Joachim Trier - "Valor Sentimental"
Chloé Zhao - "Hamnet – A Vida Antes de Hamlet"
 
Melhor Ator em Filme de Drama
 
Wagner Moura - "O Agente Secreto"
Joel Edgerton - "Sonhos de Trem"
Oscar Isaac - "Frankenstein"
Dwayne Johnson - "Coração de Lutador: The Smashing Machine"
Michael B. Jordan - "Pecadores"
Jeremy Allen White - "Springsteen: Salve-me do Desconhecido"
 
Melhor Atriz em Filme de Drama
 
Jessie Buckley - "Hamnet – A Vida Antes de Hamlet "
Jennifer Lawrence - "Morra, Amor"
Renate Reinsve - "Valor Sentimental"
Julia Roberts - "Depois da Caçada"
Tessa Thompson - "Hedda"
Eva Victor - "Sorry, Baby"
 
Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical
 
Timothée Chalamet - "Marty Supreme"
George Clooney - "Jay Kelly"
Leonardo DiCaprio - "Uma Batalha Após a Outra"
Ethan Hawke - "Blue Moon"
Lee Byung-Hun - "No Other Choice"
Jesse Plemons - "Bugonia"
 
Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical
 
Rose Byrne - "Se Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria"
Cynthia Erivo - "Wicked: Parte 2"
Kate Hudson - "Song Sung Blue: Um Sonho a Dois"
Chase Infiniti - "Uma Batalha Após a Outra"
Amanda Seyfried - "O Testamento de Ann Lee"
Emma Stone - "Bugonia"
 
Melhor Ator Coadjuvante
 
Stellan Skarsgård - "Valor Sentimental"
Benicio del Toro - "Uma Batalha Após a Outra"
Jacob Elordi - "Frankenstein"
Paul Mescal - "Hamnet – A Vida Antes de Hamlet "
Sean Penn - "Uma Batalha Após a Outra"
Adam Sandler - "Jay Kelly"
 
Melhor Atriz Coadjuvante
 
Teyana Taylor - "Uma Batalha Após a Outra"
Emily Blunt - "Coração de Lutador: The Smashing Machine"
Elle Fanning - "Valor Sentimental"
Ariana Grande - "Wicked: Parte 2"
Inga Ibsdotter Lilleass - "Valor Sentimental"
Amy Madigan - "A Hora do Mal"
 
Melhor Roteiro
 
"Uma Batalha Após a Outra"
"Marty Supreme"
"Pecadores"
"Foi Apenas um Acidente"
"Valor Sentimental"
"Hamnet – A Vida Antes de Hamlet"
 
Melhor Trilha Sonora
 
"Pecadores"
"Frankenstein"
"Uma Batalha Após a Outra"
"Sirât"
"Hamnet – A Vida Antes de Hamlet "
"F1: O Filme"
 
Melhor Canção Original
 
"Golden" - "Guerreiras do K-pop"
"Dream as One" - "Avatar: Fogo e Cinzas"
"I Lied To You" - "Pecadores"
"No Place Like Home" - "Wicked: Parte 2"
"The Girl In The Bubble" - "Wicked: Parte 2"
"Sonhos de Trem" - "Sonhos de Trem"
 
Melhor Filme de Língua Não-Inglesa
 
"O Agente Secreto"
"Foi Apenas Um Acidente"
"No Other Choice"
"Valor Sentimental"
"Sirât"
"A Voz de Hind Rajab"
 
Melhor Filme de Animação
 
"Guerreiras do K-pop"
"Arco"
"Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba - Castelo Infinito"
"Elio"
"A Pequena Amélie"
"Zootopia 2"
 
Maior Evento Cinematográfico do Ano
 
"Pecadores"
"Avatar: Fogo e Cinzas"
"F1: O Filme"
"Guerreiros do K-pop"
"Missão: Impossível - O Acerto Final"
"A Hora do Mal"
"Wicked: Parte 2"
"Zootopia 2"
 
TV
 
Melhor Série de Drama
 
"The Pitt"
"A Diplomata"
"Pluribus"
"Ruptura"
"Slow Horses"
"The White Lotus"
 
Melhor Ator de Drama em Série de TV
 
Noah Wyle - "The Pitt"
Sterling K. Brown - "Paradise"
Diego Luna - "Andor"
Gary Oldman - "Slow Horses"
Mark Ruffalo - "Task"
Adam Scott - "Ruptura"
 
Melhor Atriz de Drama em Série de TV
 
Rhea Seehorn - "Pluribus"
Kathy Bates - "Matlock"
Britt Lower - "Ruptura"
Helen Mirren - "Terra da Máfia"
Bella Ramsey - "The Last of Us"
Keri Russell - "A Diplomata"
 
Melhor Série de Comédia
 
"O Estúdio"
"Abbott Elementary"
"O Urso"
"Hacks"
"Ninguém Quer"
"Only Murders in the Building"
 
Melhor Ator em Série de Comédia ou Musical
 
Seth Rogen - "O Estúdio"
Adam Brody - "Ninguém Quer"
Steve Martin - "Only Murders in the Building"
Glen Powell - "Chad Powers"
Martin Short - "Only Murders in the Building"
Jeremy Allen White - "O Urso"
 
Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical
 
Jean Smart - "Hacks"
Kristen Bell - "Ninguém Quer"
Ayo Edebiri - "O Urso"
Selena Gomez - "Only Murders in the Building"
Natasha Lyonne - "Poker Face"
Jenna Ortega - "Wandinha"
 
Melhor Filme para TV ou Série Limitada
 
"Adolescência"
"All Her Fault"
"O Monstro em Mim"
"Black Mirror"
"Morrendo por Sexo"
"A Namorada"
 
Melhor Ator de Filme para TV ou Série Limitada
 
Stephen Graham - "Adolescência"
Jacob Elordi - "O Caminho Estreito para os Confins do Norte"
Paul Giamatti - "Black Mirror"
Charlie Hunnam - "Monster: A História de Ed Gein"
Jude Law - "Black Rabbit"
Matthew Rhys - "O Monstro em Mim"
 
Melhor Atriz de Filme para TV ou Série Limitada
 
Michelle Williams - "Morrendo por Sexo"
Claire Danes - "O Monstro em Mim"
Rashida Jones - "Black Mirror"
Amanda Seyfried - "Long Bright River"
Sarah Snook - "All Her Fault"
Robin Wright - "A Namorada Ideal"
 
Melhor Ator Coadjuvante - TV
 
Owen Cooper - "Adolescência"
Billy Crudup - "The Morning Show"
Walton Goggins - "The White Lotus"
Josan Isaac - "The White Lotus"
Tramell Tillman - "Ruptura"
Ashley Walters - "Adolescência"
 
Melhor Atriz Coadjuvante - TV
 
Erin Doherty - "Adolescência"
Carrie Coon - "The White Lotus"
Hannah Einbinder - "Hacks"
Catherine O'Hara - "O Estúdio"
Parker Posey - "The White Lotus"
Aimee Lou Wood - "The White Lotus"
 
Melhor Performance em Comédia Stand-Up para TV
 
Ricky Gervais: "Mortality"
Bill Maher - "Bill Maher: Alguém Mais Está Vendo Isso??"
Brett Goldstein: "The Second Best Night Of Your Life"
Kevin Hart: "Acting My Age"
Kumail Nanjiani: "Night Thoughts"
Sarah Silverman: "Postmortem"
 
Melhor Podcast
 
Good Hang With Amy Poehler
Armchair Expert With Dax Shepard
Call Her Daddy
The Mel Robbins Podcast
Smartless
Up First

domingo, 11 de janeiro de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming


Águias da República
 
Um dos grandes destaques da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do ano passado acaba de estrear nas salas brasileiras, com distribuição da Imovision. Também esteve na minha lista dos melhores filmes de 2025 esse novo trabalho do diretor sueco de origem egípcia Tarik Saleh. É o fechamento da trilogia ‘Cairo’, estrelada por Fares Fares – antes foram ‘O incidente no Nile Hilton’ (2017) e ‘Garoto dos céus’ (2022). É um thriller político surpreendente, que exige atenção e conhecimento da História recente do Egito. Saleh é ousado ao retratar figuras notoriamente autoritárias com o nome e os traços como são, como o presidente Abdul Fatah Al-Sisi, um militar que ocupa o cargo máximo da política egípcia desde 2014. Fares Fares interpreta um ator egípcio, George Fahmy, idolatrado pelo público e apelidado de ‘O faraó das telas’. É convidado para interpretar o atual presidente do Egito, Al-Sisi, numa superprodução que biografa o tal político. Ele recusa, por não compactuar com as ideias do cara, um verdadeiro candidato a déspota. Porém, George é colocado na parede e vê a família sofrer ameaças; contra sua vontade, resolve atuar no filme, sem direito a voz própria e sendo constantemente moldado pelos produtores. Um filme que trata da censura numa ditadura e de como o indivíduo é tragado para dentro do sistema, sem perceber, desnaturalizando-se. Fares Fares é soberbo em cena, e seu personagem aos poucos se vê preso participando de trocas de favores entre políticos violentos, aliando-se aos militares e ao próprio presidente, por quem não tinha simpatia. Filmão de Saleh e Fares, na melhor parceria da trilogia, com trilha sonora do duas vezes ganhador do Oscar Alexander Desplat. Indicado à Palma de Ouro em Cannes, foi exibido também no festival de Toronto e tornou-se o representante da Suécia ao Oscar de filme estrangeiro – é uma coprodução com outros quatro países, França, Dinamarca, Finlândia e Alemanha.
 

 
The New Yorker: 100 anos de História
 
Ótimo documentário da Netflix sobre o centenário da The New Yorker, importante revista norte-americana que atravessou o século XX publicando críticas, reportagens e ensaios, hoje uma das poucas em papel, resistindo ao formato digital. Também inovou como uma das primeiras a adotar o New Journalism, na década de 60 – foi na New Yorker que Truman Capote publicou a série de reportagens investigativas ‘In cold blood’, um marco para o jornalismo literário. Com uma edição dinâmica, misturando páginas das revistas antigas com entrevistas e ilustrações, o filme mostra bastidores da redação, bem como apurações que levaram a grandes histórias e entrevistas da revista. Acompanha pontos de vista de jornalistas atuantes do veículo, e ex-integrantes da equipe, e dá um grande espaço de fala para o editor David Remnick, premiado com o Pulitzer, que está há mais de 30 anos à frente da The New Yorker. Leitores assíduos contam como formou seu senso crítico a partir da leitura das edições, como as atrizes Molly Ringwald e Sarah Jessica Parker e os atores Jesse Eisenberg e John Hamm. Exibido nos festivais de Telluride e Denver, tem direção do documentarista Marshall Curry, premiado com o Oscar pelo curta-metragem ‘A janela dos vizinhos’ (2019).
 

 
Misty: A História de Erroll Garner
 
Documentário musical sobre o pianista norte-americano Erroll Garner (1921-1977), um autodidata que começou a tocar piano aos três anos de idade e se tornou uma lenda do jazz. Garner recriou o gênero swing e ficou conhecido pela balada ‘Misty’, que trouxe uma nova tendência ao jazz na década de 50. O filme examina sua complexa vida pessoal, desde os relacionamentos controversos na família aos abusos cometidos pelo seu empresário, passando pelo longo processo judicial, por quebra de contrato, contra a gravadora Columbia Records, sua parceira de longa data. O filme traz cenas raras de apresentações de Garner, muitas dos anos 50 e 60, e tem como destaque a participação da única filha do pianista, Kim Garner, que lembra a trajetória do pai. Amigos que tocaram com Garner lembram o habilidoso lado artístico dele, que amava a música em primeiro lugar. Um bom filme do diretor Georges Gachot, documentarista de filmes musicais que tem forte vínculo com o Brasil – ele já dirigiu docs sobre Maria Bethânia, Nana Caymmi e João Gilberto. Exibido no DOK.fest München, entrou recentemente no catálogo do streaming Reserva Imovision.
 

 
Meu pai, o assassino BTK
 
Para aqueles que gostam de documentários investigativos intrigantes, dou a dica de assistir a esse bom filme da Netflix. Já contei em outros textos que a Netflix se destaca por filmes e séries em formato de documentário sobre assassinos reais, e aqui vai mais um bom exemplar do gênero. O doc acompanha um pai de família acusado de matar 10 pessoas num período de 17 anos. Dennis Lynn Rader ficou conhecido como BTK, apelido que ele mesmo se deu, uma sigla de ‘Bind, torture, kill’, ou seja, ‘Amarrar, torturar, matar’. Esta era a sua forma de cometer os crimes, ocorridos entre 1974 e 1991, no Estado de Kansas. Pacato, considerado um cara legal pelos vizinhos, camuflava o lado sanguinário, de um assassino frio e impulsivo. O método de BTK envolvia envios de cartas provocativas para jornais e para a polícia, contando como foram cometidos os crimes. O caso BTK mobilizou a polícia e a mídia, até culminar na prisão dele em 2005 - hoje ele continua preso em prisão perpétua, com sentença de 175 anos por assassinatos em primeiro grau. A filha dele, Kerri Rawson, é a roteirista do filme e a principal acusadora dos crimes – ela é quem também narra e conduz as entrevistas. A diretora Skye Borgman é especializada em séries e docs de crimes reais, muitos lançados pela Netflix, como ‘Sequestrada à luz do dia’ (2017), ‘A garota da foto’ (2022) e dois outros docs lançados juntos de ‘Meu pai, o assassino BTK’, em 2025, que são ‘Número desconhecido: Catfishing na escola’ e ‘Influencer do mal: A História de Jodi Hildebrandt’. PS - Stephen King inspirou-se na história de BTK para escrever um conto que deu origem ao filme ‘Um bom casamento’ (2014).
 

 
Aos pedaços: A música de Meredith Monk
 
Documentário musical que a plataforma Sesc Digital traz com exclusividade ao Brasil, um filme pouco conhecido, exibido na seção Panorama do Festival de Berlim do ano passado, sobre a compositora e intérprete norte-americana Meredith Monk, uma musicista de impressionante habilidade com sons rítmicos feitos somente com a voz, que esteve à frente da cena cultural novaiorquina da contracultura. Aos 82 anos, ela abre o livro de sua vida para lembrar a singularidade de sua arte, que mistura performance com ópera, teatro, coreografia de dança e videoarte. Na época enfrentou críticas hostis sobre seu trabalho, que até hoje é inovador e deu espaço para novos artistas experimentais. Com forte engajamento político, feminista de carteirinha e entusiasta da arte multidisciplinar, Meredith é uma lenda de seu tempo. No filme, com imagens de arquivo e da atualidade, ela relembra o início da carreira, no auge da contracultura, entre as décadas de 60 e 70, bem como as influências de Dalcroze, John Cage, grupo Fluxus, do budismo, das melodias medievais e do movimento minimalista, as parcerias e a finitude da vida. Gratuito no streaming Sesc Digital até o dia 25/01.
 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Especial de cinema


A Versátil Home Video acaba de lançar no mercado um livro temático com resenhas de filmes de ação e suspense intitulado 'Thrillers - Pérolas do suspense', com 72 páginas. Nele há 14 textos escritos por jornalistas e críticos de cinema convidados - um deles é o meu, que segue abaixo, na íntegra. O livro está disponível para compra no site da Versátil, em https://www.versatilhv.com.br/


Marte num estúdio em miniatura: paranoia e conspiração em ‘Capricórnio Um’
 
Por Felipe Brida*
 
O homem realmente pisou na Lua? A chegada da nave Apollo 11 ao solo lunar e a lenta caminhada de Neil Armstrong pelo terreno cinza daquele satélite natural não foi uma armação, uma simulação em estúdios de cinema? Tais perguntas pairavam no ar desde o fato inédito e histórico do voo espacial que levou dois astronautas norte-americanos à Lua em julho de 1969. Teorias da conspiração tomaram conta do imaginário das pessoas, e também dos noticiários sensacionalistas da época. Até Stanley Kubrick caiu na boataria: dizem ter sido ele o cara que gravou a farsa, em estúdio de cinema a alunissagem, vejam só...
A falsa informação de que o homem nunca pisou na Lua ganharia enorme força nos anos seguintes, já que a Guerra Fria estava consolidada, o bloco ocidental se digladiava com o oriental, havia um clima de medo e paranoia no ar, de espiões infiltrados em todo canto. E fatos marcantes daquele período impulsionariam essa escalada: o caso Watergate e a era dos grampos ilegais, o assassinato dos irmãos Kennedy e o avanço da Guerra do Vietnã. O tema do thriller ‘Capricórnio Um’ (1977) envolve essa atmosfera de apreensão, desconfiança e tragédia anunciada, e apesar de ficcional, o filme carrega um contexto real e persuasivo da virada de década (dos 60 para os 70). A cerne da trama é uma farsa da Nasa com o governo americano para simular uma viagem para Marte em plena Corrida Espacial, principal acirramento dos Estados Unidos com a União Soviética daqueles idos.


‘Capricórnio Um’ é o nome da cápsula que será enviada para Marte e por consequência o nome do projeto espacial. É uma missão derradeira e aguardada, conduzida pela Nasa (National Aeronautics and Space Administration) e o governo. É período eleitoral, os ânimos estão exaltados, há uma ânsia entre os políticos e a população - nas primeiras cenas do filme, na espera do lançamento do foguete ‘Capricórnio Um’, o vice-presidente americano senta-se na arquibancada com o público para assistir ao espetáculo e comenta que está ali em nome do presidente, que está fora para resolver pontos da campanha.
De repente, faltando menos de um minuto para o foguete subir, os três astronautas são retirados à força da cápsula da nave. Eles se entreolham, enquanto ‘Capricórnio’ é lançado sem ninguém dentro. A mídia divulga passo a passo o voo pelos céus, e a massiva população acompanha, sem piscar, a façanha. Furiosos, os astronautas exigem resposta sobre a retirada forçada da nave – são eles Brubaker (James Brolin), o líder do grupo, Willis (Sam Waterston) e Walker (O.J. Simpson), seus auxiliares, todos veteranos de programas espaciais. Numa sala reservada, Dr. Kelloway (Hal Holbrook), o mentor do ‘Capricórnio Um’, explica o caso – devido a uma falha no sistema, e a Nasa não ter orçamento suficiente para financiamento de pesquisa e nem ter condições para o reparo, haverá uma simulação da chegada deles a Marte, ou seja, uma farsa, uma encenação, para enganar a opinião pública e assim fazer com que acreditem no progresso tecnológico do país. Kelloway leva o trio a um lugar ultrassecreto dentro da Nasa, um estúdio já preparado com a réplica do foguete e um terreno vermelho que simula o solo marciano. Ali será o local em que os três passarão a viver nas próximas semanas – e tudo será gravado e transmitido para os telespectadores. Sozinhos para pensar, e se recuperar do baque, os astronautas não engolem o inusitado pedido e recusam participar. Até que são informados que suas famílias correm risco de segurança. Enquanto tramam uma fuga do estúdio, um jornalista chamado Robert Caulfield (Elliott Gould) suspeita de algo estranho no ar e investiga por conta. Outro fato aterrador ocorre: na viagem pelo espaço, a nave com destino a Marte se desintegra. Como os astronautas ‘voltarão vivos’ de lá, já que a explosão da nave virou fato noticiado? Com medo de serem assassinados, e o plano diabólico do governo é justamente esse, Brubaker, Willis e Walker escapam do estúdio, pegam um avião de pequeno porte e aterrissam num deserto, onde enfrentarão fome e insolação.




‘Capricórnio Um’ é um thriller coprodução Estados Unidos e Reino Unido, na linha de conspiração e paranoia, feito num período frutífero para o tema, cujas peças são montadas uma a uma, envolvendo o público em uma trama misteriosa. Integra um ciclo de longas-metragens notáveis de paranoia e conspiração feitos em Hollywood nos anos 70, como ‘O assassinato de um presidente’ (1973), ‘A conversação’ (1974), ‘A trama’ (1974), ‘Três dias do Condor’ (1975), ‘Todos os homens do presidente’ (1976), ‘Domingo negro’ (1977), ‘O telefone’ (1977) e ‘Morte no inverno’ (1979).
A eficiência da história se dá pelo diretor, aliás, também roteirista aqui, um gênio esquecido do cinema, Peter Hyams, especialista em thrillers conspiratórios e fitas scifi, muitas delas espaciais, como ‘Outland: Comando Titânio’ (1981), ‘2010: O ano em que faremos contato’ (1984 – uma continuação intrigante de ‘2001, uma odisseia no espaço’) e ‘Timecop: O guardião do tempo’ (1994), e que rodou fitas explosivas de máfia e de poderosos inescrupulosos, como ‘O esquadrão da justiça’ (1983), ‘Mais forte que o ódio’ (1988) e ‘De frente para o perigo’ (1990).
Em época de fake News, e do crescente aumento da milícia digital, o filme permanece com grau de atualidade; recentemente posts nas redes sociais resgataram a farsa do homem na Lua, que tudo foi inventado em Hollywood, a terra do cinema. Segundo as notícias falsas, equipes de produção simularam com riqueza de detalhes e bons efeitos especiais a alunissagem do programa Apollo 11, recorrendo a uma direção de arte grandiosa, com sondas fabricadas em menor escala, e a telemetria, que manipulava áudios da cápsula espacial com a central na Terra. Desde os anos 2010 há evidências comprovadas de que o homem esteve na Lua, com imagens fotografadas pelo Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), uma nave robótica da Nasa que orbita a Lua e que fotografou rastros deixados pelos astronautas no solo lunar. Por outro lado, há livros publicados que refutam o pouso, dizendo que ele nunca ocorreu, bem como reportagens e documentários sensacionalistas, o que ajuda a dividir a opinião do público. Em um deles, diz-se que Neil Armstrong e Buzz Aldrin, os dois astronautas do programa na Lua, foram manipulados e cerceados pelo governo até os últimos dias de suas vidas, alimentando o imaginário de farsa e críticas ao governo.
‘Capricórnio Um’ funciona como um filme crítico e reflexivo, sobre o poder do governo em controlar a informação e de como a mídia manipula e também é manipulada. A trilha sonora de Jerry Goldsmith, premiado com o Oscar em ‘A profecia’ (1976) e indicado a outros 17 Oscars, ajuda como um elemento desconcertante da trama, bem como a exímia a fotografia do premiado Bill Butler, de ‘Grease – Nos tempos da brilhantina’ (1978).
A Nasa, agência do governo norte-americano de pesquisa de exploração espacial, fundada em 1958 e sediada em Washington, D.C., supervisionou e auxiliou na produção, desde fornecimento de roupas, acessórios e veículos aos estudos das cenas, outro ponto de credibilidade e equilíbrio para o bom resultado do filme – que, vale mencionar, fez sucesso nos cinemas da época, apesar de ser uma produção independente, que custou U$ 5 milhões de dólares.
O diretor Peter Hyams conta que escreveu o roteiro de ‘Capricórnio Um’ logo após o homem pousar na Lua, em 1969. Tentou financiamento, mas ninguém quis bancar o projeto – seria seu primeiro longa-metragem, se tivesse rodado. A história ficou engavetada por oito anos, até que vendeu o script, e o filme foi produzido por Paul N. Lazarus III, que tinha uma produtora própria e havia produzido fitas scifi inovadoras, como ‘Westworld: Onde ninguém tem alma’ (1973) e ‘Ano 2003: Operação Terra’ (1976), ambos lançados pela Versátil em DVD.
‘Capricórnio Um’ é uma pérola desse cinema precioso feito durante o período da paranoia da Guerra Fria, que melhora a cada revisão.
PS – Outro filme com temática semelhante, de forjar e encobrir a verdade, é o thriller scifi, mas sobre OVNIs, feito três anos depois, ‘Hangar 18’ (1980), de James L. Conway, estrelado pelo veterano Darren McGavin.




Livro da Versátil - capa, sumário e texto de Felipe Brida

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Resenha especial

 
O agente secreto
 
O grande filme brasileiro de 2025, dirigido por Kleber Mendonça Filho, continua em ampla campanha rumo ao Oscar. No domingo passado, ‘O agente secreto’ venceu o prêmio de melhor filme internacional no Critics Choice (prêmio dado pela crítica americana), algo inédito com um longa-metragem brasileiro. A entrega da estatueta infelizmente foi chinfrim, sem emoção, no tapete vermelho, algo que nunca tinha visto em premiação; enquanto Kleber concedia entrevista no intervalo do evento, a entrevistadora o pegou de surpresa informando que ‘O agente secreto’ era o vencedor daquela categoria. A jovem puxou o prêmio que estava atrás dela e jogou nas mãos do diretor. Não só Kleber como a produtora e sócia que estava junto, Emilie Lesclaux, ficaram perdidos, pasmos, e esses foram os sentimentos de quem assistia à transmissão pela TV. Kleber criticou a organização do Critics Choice pela falta de sensibilidade na entrega de um prêmio tão importante – que deveria ter ocorrido no palco principal. O diretor e o ator de seu filme, Wagner Moura, acabaram subindo ao palco no bloco final da premiação para a maior entrega, a de melhor filme no Critics Choice – dado a ‘Uma batalha após a outra’, de Paul Thomas Anderson. Tirando a falha na hora da entrega, ‘O agente secreto’ tornou-se o primeiro filme brasileiro a ganhar um Critics Choice – e também foi a primeira indicação de um ator brasileiro ao prêmio, para Wagner Moura, que acabou perdendo para Timothée Chalamet, por ‘Marty Supreme’.


‘O agente secreto’ abocanha uma infinidade de estatuetas na temporada de premiações e deverá ser finalista ao Oscar 2026, acredito que nas categorias de melhor filme estrangeiro e melhor ator para Wagner. Na nova shortlist divulgada recentemente pela Academia, o filme segue como semifinalista, ao lado de outros 14 títulos na categoria de filme internacional, e avançou na shortlist de uma nova categoria que o Oscar irá iniciar nesta edição, a de ‘melhor direção/seleção de elenco’. O anúncio dos indicados ao Oscar será no dia 22/01. Até agora ‘O agente secreto’ recebeu 45 prêmios em mais de 30 festivais e mostras pelo mundo, como Cannes – quando ganhou os de ator, direção, prêmio da crítica e o ‘Art et Essai’, concedido pela AFCAE (Associação Francesa de Cinema d'Art et d'Essai). Foi nomeado como melhor filme estrangeiro no Independent Spirit Awards (dado a cineastas independentes), cuja cerimônia será dia 15/02, e entrou num seleto grupo de filmes que alcançaram o Trifecta: premiado pela National Society of Film Critics (NSFC), pelos críticos de Nova York (NYFCC) e da Los Angeles Film Critics Association (LAFCA). Sem contar as três indicações ao Globo de Ouro (melhor filme de drama, melhor filme estrangeiro e melhor ator em filme de drama), cuja cerimônia de entrega será no próximo domingo, dia 11/01.
O filme está na nona semana de exibição nas salas mundiais de cinema, em países como França, EUA, Portugal, Áustria, Canadá, Suíça, Bélgica e Alemanha. No Brasil está em 120 salas atualmente. Celebrou um fato único: pela primeira vez um filme produzido fora do eixo Sul–Sudeste atingiu um milhão de espectadores nas salas de cinema no Brasil – ao lado de ‘Chico Bento e a goiabeira maraviósa’ conquistou esse ‘milhão’ de público em 2025. E já ultrapassou mais de um milhão de dólares nas bilheterias norte-americanas, feito raro de uma obra brasileira nos EUA, ficando ao lado de ‘Dona Flor e seus dois maridos’ (1976), ‘Cidade de Deus’ (2002) e ‘Ainda estou aqui’ (2024). Tudo isto é campanha para o Oscar: premiações em festivais diversos, penetração em festivais norte-americanos, expansão em salas de cinema, prêmios da crítica especializada e comentários positivos em redes sociais de famosos e de jornais de grande circulação.



‘O agente secreto’ encabeçou listas de melhores filmes do ano de grande parte do público e da crítica especializada. Eu o assisti uma semana antes da estreia nos cinemas, em outubro de 2025, em uma sessão de imprensa da Vitrine Filmes, distribuidora do filme. Saí agraciado, em puro êxtase, já o colocando na minha lista pessoal de filmes de 2025. Sou fã do cinema de Kleber desde quando conheci o diretor no Anápolis Festival de Cinema, quando lá estava para apresentar seu primeiro longa ficcional, ‘O som ao redor’, em 2012. Um cara tímido, recluso, que falava baixo, mas que na tela fazia um cinema visceral, e que vinha na esteira do novo ciclo do cinema pernambucano. Saí da sessão em choque, pela qualidade do roteiro, simplesmente imprevisível, com aquele desfecho de arrepiar. E novos espantos vieram com os longas seguintes, ‘Aquarius’ (2016) e ‘Bacurau’ (2019), ambos indicados à Palma de Ouro no Festival de Cannes. Depois fui conhecer os curtas experimentais dele, feitos entre 2002 e 2010, como ‘A menina do algodão’, ‘Vinil verde’ e ‘Recife frio’, e em seguida os documentários, ‘Crítico’ (2008) e seu trabalho anterior a ‘O agente’, ‘Retratos Fantasmas’ (2023). Kleber é um cineasta autoral influenciado pelo cinema independente de Agnès Varda, John Carpenter e Alfred Hitchcock.
‘O agente secreto’ é um apanhado de elementos dos longas anteriores de Kleber, por isso, se possível, assista aos que indiquei acima caso não tenha conferido ao novo trabalho do cineasta. Tem personagens saídos do universo de Bacurau, Aquarius, Retratos fantasmas e O som ao redor, e reutilizando temas desses longas, como plano de vingança, cultura popular, vigilância e resistência, de uma forma híbrida e completamente nova.
O pano de fundo de ‘O agente secreto’ é o Brasil de 1977, ano crucial da Ditadura Militar, sob o governo Geisel. Período do início da abertura política, mas ao mesmo tempo com muitos paradoxos e contradições, como endurecimento autoritário, fechamento do Congresso, manutenção da censura da imprensa e do fim da liberdade de expressão, das amplas manifestações nas ruas, agitação popular, luta por democracia e uma grave crise econômica com inflação altíssima, que se arrastava desde a crise do petróleo de 1973. Essa é a conjuntura histórica do filme, que aparece no subtexto, nos pequenos detalhes da cenografia, nos diálogos, nos comentários dos personagens. Há um mal-estar da época, algo estranho que ronda os personagens, que são vigiados e temem os dias que vem pela frente. O protagonista é Marcelo (um trabalho estupendo de Wagner Moura), um especialista em tecnologia, que no passado foi professor. Ele chega ao Recife, na verdade, ele volta para sua cidade natal, durante a semana do Carnaval, e se muda para um antigo casarão que abriga refugiados políticos e os tais subversivos. Ele procura o filho pequeno, com quem não teve mais contato após um período longe – que entenderemos melhor com o desenvolvimento da história. Com o passar dos dias e das semanas, ele percebe que Recife não é mais o mesmo, e todo cuidado é pouco. Gradualmente, em flashbacks, o filme revela o passado misterioso de Marcelo, um homem em completa busca por identidade.



Como nos filmes anteriores de Kleber, há um mistério que vaga pela trama, misturando a um humor colocado ali e acolá, um clímax que faz palpitar o coração, reviravoltas incontornáveis e uma trilha sonora eclética da época (aqui tem, por exemplo, Donna Summer, Waldick Soriano, Banda de Pífanos de Caruaru, Ângela Maria e até o reaproveitamento de uma música antiga de Ennio Morricone, que marcou o trailer, do filme italiano ‘Obrigado, tia’, do fim dos anos 60). O sobrenatural é uma tacada de mestre em ‘O agente secreto’, quando Kleber insere a lenda urbana da Perna Cabeluda, que percorre as bocas dos recifenses assombrando os habitantes de lá – é o momento do cinema fantástico com horror, que quebra a narrativa e se torna uma metáfora à repressão na Ditadura.
A direção de arte é um primor estético, que reconstrói o Recife da década de 70 com suas cores e belezas, assinada por Thales Junqueira. Wagner Moura interpreta com maestria dois personagens – um deles em dois momentos de sua trajetória. O elenco brilha com personagens que já se tornaram memoráveis, alguns viralizando com memes na internet, como Tania Maria (uma preciosidade de atriz, que aos 78 anos rouba as poucas cenas em que aparece destilando um humor ímpar), Gregorio Graziosi, Gabriel Leone, Buda Lira, Alice Carvalho, Maria Fernanda Cândido (numa pontinha magistral), Isabél Zuaa, Udo Kier (em rápida aparição – ele faleceu em novembro passado e já havia trabalhado com Kleber em ‘Bacurau’), Luciano Chirolli e Roney Villela (dois vilões de primeira classe) e Robério Diógenes (cujo papel equilibra humor e tensão). Todos marcantes, em estado de graça e outros sombrios. Escrito por Kleber Mendonça, o filme é uma coprodução Brasil, França, Holanda e Alemanha, que conta com produção da CinemaScópio e tem como coprodutora a francesa MK2 Films, a alemã One Two Films e a holandesa Lemming. Virei fã do filme, vi uma vez só e estou na expectativa para uma revisão. Que chegue logo o Oscar! Será que levaremos mais uma estatueta pelo segundo ano consecutivo?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Especial de cinema

 
Estreias de 2026 – Nos cinemas e no streaming
 
Já que 2026 começou, vamos conhecer as principais estreias programadas para os cinemas e streaming. Seguem abaixo os filmes, e na frente de cada um, as datas previstas de estreia (dia e mês) no Brasil. Alguns estão com títulos provisórios. No final da lista tem as séries para 2026 e títulos prorrogados para 2027. Lembrando que as distribuidoras podem alterar as datas de estreia.
 
Janeiro
 
- Se eu tivesse pernas, eu te chutaria (01/01)
- Jovens mães (01/01)
- A empregada (01/01)
- Marty Supreme (08/01)
- Família de aluguel (08/01)
- Tom & Jerry: Uma aventura no museu (08/01)
- Agentes muito especiais (08/01)
- Hamnet – A vida antes de Hamlet (15/01)
- O diário de Pilar na Amazônia (15/01)
- Davi: Nasce um rei (15/01)
- Me ame com ternura (15/01)
- Arco (15/01)
- Ato noturno (15/01)
- O beijo da mulher-aranha (15/01)
- Extermínio – O templo dos ossos (15/01)
- Dinheiro suspeito (16/01) – Netflix
- Justiça artificial (22/01)
- A única saída/ No other choice (22/01)
- Segredo obscuro (Shell) (22/01)
- Alerta apocalipse (22/01)
- Terror em Silent Hill: Regresso para o inferno (22/01)
- Dupla perigosa (26/01) – Prime Video
- Socorro! (29/01)
- Song Sung Blue: Um sonho a dois (29/01)
- La grazia (29/01)
- Infinite icon: Uma memória visual (29/01)
- A voz de Hind Rajab (29/01)
- O primata (29/01)
- A pequena Amélie (29/01)
- O som da queda (29/01)
- O menino e o panda (29/01)
 



 
Fevereiro
 
- A cronologia da água (05/02)
- O gatola da cartola (05/02)
- O som da morte (Whistle) (05/02)
- Destruição final 2: Migração (05/02)
- (Des)controle (05/02)
- Os estranhos: Capítulo 3 (05/02)
- Bone Lake – O lago dos ossos (05/02)
- Pillion (05/02)
- O morro dos ventos uivantes (12/02)
- Goat – Um cabra bom de bola (12/02)
- Caminhos do crime (12/02)
- Imperfeitamente perfeita (12/02)
- A última ceia (12/02)
- EPiC: Elvis Presley in Concert (19/02)
- O frio da morte (19/02)
- Para sempre minha (Keeper) (19/02)
- Isso ainda está de pé? (19/02)
- A história do som (19/02)
- Pânico 7 (26/02)
- Nuremberg (26/02)
- Anêmona (26/02) 
- O olhar misterioso do flamingo (26/02)
 


 
Março
 
- A noiva (05/03)
- Cara de um, focinho de outro (Hoppers) (05/03)
- Velhos bandidos (05/03)
- Mato ou morro (05/03)
- Casamento sangrento 2: A viúva (12/03)
- Kokuho – O preço da perfeição (12/03)
- Colegas e o herdeiro (continuação de ‘Colegas – O filme’) (12/03)
- Uma segunda chance (12/03)
- POV: Presença oculta (12/03)
- O monstro no meu quarto (Dust bunny) (19/03)
- Amargo natal (19/03)
- Devoradores de estrelas (19/03)
- Peaky Blinders: O homem imortal (20/03) – Netflix
- Eles vão te matar (27/03) 
 

 
Abril
 
- Super Mario Galaxy: O filme (02/04)
- A great awakening (02/04)
- Ruas da Glória (02/04)
- O drama (09/04)
- Boa noite, divirta-se e não morra (09/04)
- Eu & você na Toscana (09/04)
- A múmia (16/04)
- Entre notas e costuras (Mother Mary) (16/04)
- Normal (16/04)
- Michael (23/04)
- Apex (24/04) – Netflix
- O diabo veste Prada 2 (30/04)
- Obsessão (30/04)
 

 
Maio
 
- Mortal Kombat II (14/05)
- Star Wars: O Mandaloriano e Grogu (21/05)
- Uma babá gloriosa (21/05)
- Papaya (28/05)
 
 
Junho
 
- Godzilla Minus Zero (04/06)
- Mestres do universo (04/06)
- Pinocchio – Maldição de madeira (04/06)
- Dia D (11/06)
- Todo mundo em pânico 6 (11/06)
- Privada de suas vidas (11/06)
- Toy story 5 (18/06)
- Se eu fosse você 3 (18/06)
- Deus ainda é brasileiro (25/06)
 
Julho
 
- Minions 3 (02/07)
- Minha vida com Shurastey (02/07)
- Moana (10/07)
- A odisseia (17/07)
- Evil Dead Burn (24/07)
- Supergirl: A mulher do amanhã (24/07)
- Homem-Aranha: Um novo dia (31/07)
 


 
Agosto
 
- Sobrenatural 6 (13/08)
- Flowervale Street (20/08)
- Coiote vs. Acme (27/08)
- The dog stars (27/08)
- Cliffhanger – Escalada do medo (27/08)
 

 
Setembro
 
- Cara de barro (Clayface) (10/09)
- Resident evil untitled (17/09)
- Até que a sorte nos separe 4 (24/09)
 
 
Outubro
 
- Digger (01/10)
- A rede social 2 (08/10)
- Street Fighter (15/10)
- The legend of Aang: The last airbender (22/10)
 

 
Novembro
 
- The shepherd (12/11)
- Bruna Surfistinha 2 (19/11)
- Jogos Vorazes: Amanhecer na colheita (19/11)
- Narnia (26/11)
- Backrooms (26/11)
 
 
Dezembro
 
- Jumanji 3 (10/12)
- Duna: Parte 3 (17/12)
- Vingadores: Doutor Destino (17/12)
- Werwulf (24/12)
 


 
- Já estreou em vários países, mas no Brasil permanece sem data
 
- Christy (com Sydney Sweeney)
- O vingador tóxico (com Peter Dinklage)
- Anniversary, de Jan Komasa (com Diane Lane)
- We bury the dead (com Daisy Ridley)
- Tardes de solidão, de Albert Serra
- Distante (com Anthony Ramos)
 
 
- Em pós-produção, com estreia programada para 2026
 
- Na zona cinzenta, de Guy Ritchie (com Henry Cavill)
- O acerto de contas de Robin Hood (com Hugh Jackman)
- O custo da verdade, de Guy Ritchie (com Rosamund Pike)
- Artificial, de Luca Guadagnino (com Andrew Garfield)
- The adventures of Cliff Booth, de David Fincher (com Brad Pitt)
- Roosevelt, de Martin Scorsese (com Leonardo DiCaprio)
- Madden, de David O. Russell (com Nicolas Cage)
- Highlander, de Chad Stahelski (com Henry Cavill)
- Klara and the sun, de Taika Waititi (com Jenna Ortega)
- The Bookie & the Bruiser, de S. Craig Zahler (com Vince Vaugh)
- Corrente do mal 2, de David Robert Mitchell (com Maika Monroe)
- Polaris, de Lynne Ramsay (com Joaquin Phoenix)
- Paper tiger, de James Gray (com Adam Driver)
- The exorcist untitled, de Mike Flanagan (com Scarlett Johansson)
- Day drinker, de Marc Webb (com Johnny Depp)
- How to make a killing (com Glen Powell)
- Hokum (com Adam Scott)
- The plague (com Joel Edgerton)
- A queda 2, dos irmãos Spierig
- O bosque selvagem, de Travis Knight
- Verity, de Michael Showalter (com Anne Hathaway)
- Os corretores, de Andrucha Waddington (com Fernanda Torres)
- Geni e o zepelim, de Anna Muylaert (com Seu Jorge)
- Corrida dos bichos, de Fernando Meirelles (com Rodrigo Santoro)
- Overman: O filme (animação de Laerte)
- Zero d.C, de Alejandro Monteverde (com Gael Garcia Bernal)
 
 
Ainda em fase de produção – sem data para estrear
 
- Orfã 3: O preço da mentira
- O expresso polar 2
- Noite sem fim 2
- Fale comigo 2
- Feriado sangrento 2
- Mudança de hábito 3
- Quarto de despejo: Diário de uma favelada
- As aventuras de Tintim: Os prisioneiros do sol
- Star Wars: Rogue squadron
- Yellow cake
- Parallax
- The purge: Survival
- Jogos mortais XI
- Legalmente loira 3
 
 
Estreias prorrogadas para 2027
 
- Homem-Aranha: Além do aranhaverso
- Shrek 5
- Gremlins 3
- Um lugar silencioso 3
- As Tartarugas Ninja: Caos mutante 2
 
 
- Séries programadas para 2026
 
- The pitt – 2ª temporada (08/01) – HBO Max
- Dele & dela (08/01) – Netflix
- O gerente da noite – 2ª temporada (11/01) – Prime Video
- Sequestro no ar (16/01) – AppleTV
- O cavaleiro dos sete reinos (18/01) – HBO Max
- The Beauty – Lindos de morrer (21/01) – FX
- Magnum (Wonder Man) (27/01) – Disney+
- Bridgerton – 4ª temporada (29/01) – Netflix
- Avatar: O último mestre do ar – 2ª. temporada (22/02) – Netflix
- Young Sherlock (03/03) – Prime Video
- Rooster (março) – HBO Max
- Euphoria – 3ª. temporada (abril) – HBO Max
- A casa do dragão – 3ª temporada – HBO Max
- Duna: A profecia – 2ª. temporada – HBO Max
- Spider-noir – Prime Video
- Hacks – 5ª. temporada - HBO Max
- The Creep Tapes – 3ª temporada – Shudder
- Dona Beja – HBO Max
- A especialista – Apple TV
- Vanished – MGM
- Half man – HBO Max
 



 
Séries em produção, previstas para estrear em 2026
 
- Monster – 4ª temporada - The Lizzie Borden Story – Netflix
- Crystal Lake – Peacock
- The conjuring – HBO Max
 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Estreias da semana – Nos cinemas e no streaming – Parte 1


Se eu tivesse pernas, eu te chutaria
 
Assisti no Festival do Rio ao aguardadíssimo filme que deu a Rose Byrne o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim do ano passado - para mim um dos melhores longas da edição passada do Festival do Rio. O drama com humor negro e mistério é um show de interpretação de Rose Byrne, que deve ser, até que enfim, indicada ao Oscar – ela foi recentemente nomeada ao Globo de Ouro pela intensa e soberba interpretação, um genuíno tour de force. Um filme onde o humor está ali, instalado, dentro de uma história altamente dramática, de uma personagem que se depara com uma sucessão de problemas e quase enlouquece - quando rimos, é de um riso nervoso.  Rose interpreta uma terapeuta que vê sua vida desmoronar em poucos dias. Ela cuida sozinha da filha pequena (nunca aparece o rosto da garotinha, apenas voz e mãos) que está doente e utiliza uma sonda gástrica para se alimentar. O marido está em viagem e também nunca aparece. A casa onde mora inunda, então ela se muda para um motel onde inicia um conflito com a recepcionista do lugar. Uma paciente em crise a deixa aflita, seu psicólogo tem comportamento agressivo, um acidente de carro torna tudo estressante e por aí segue uma lista enorme de problemas diários, que tiram o sono da terapeuta. O filme, como muitos da A24, traz algo sobrenatural simbólico na história – aqui é uma fenda no teto que inunda o quarto da personagem. Olhando por um prisma mais central, é um drama pesadíssimo, sobre as complexidades de uma mulher que tem de lidar sozinha com tudo ao mesmo tempo, como maternidade, ausência do marido, os cuidados com a casa e o excesso de trabalho. Uma história que nos angustia, com um trabalho impecável e certamente memorável de Rose. Estreia hoje nos cinemas pela Synapse Distribution, nas seguintes cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Salvador, Recife, Maceió, Fortaleza e Belém.
 

 
Jovens mães
 
Prepare-se para um filme de doer na alma, que bate fundo e nos abre reflexões sobre adolescência perdida. Coprodução Bélgica/França assinada pelos irmãos Dardenne, os belgas Jean-Pierre e Luc, que fazem filmes nesse tom dramático, sempre com atores amadores, parecendo documentário tamanha a naturalidade ali tratada – de ‘A criança’ (2005) e ‘O garoto da bicicleta’ (2011). Vencedor do prêmio de roteiro e do Júri Ecumênico em Cannes, o filme traz cinco jovens mães, que tiveram filhos prematuramente e hoje moram num abrigo que serve de casa de assistência onde recebem apoio psicológico e ajuda no cuidado de banho e alimentação dos recém-nascidos. Cada uma delas lida com a fase materna e com a desestruturação familiar – quase todas são mãe solo, uma foi expulsa de casa pela mãe alcoólatra, outra nunca conheceu a própria mãe, que a entregou para a adoção. Meninas despedaçadas, sem perspectivas, e com a responsabilidade precoce de cuidar de um filho. Realidade escancarada pelos Dardenne, numa fita nua e crua. Um drama duro, com momentos incômodos. Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne escrevem, produzem e dirigem, e sabem como ninguém desvendar as relações familiares. Os diretores passaram a ser conhecidos no Brasil a partir do fim dos anos 90 na Mostra de Cinema de SP, onde apresentam com frequência seus filmes, em sessões lotadas – lembro que vi na Mostra ‘A garota desconhecida’ (2016), ‘O jovem Ahmed’ (2019) e este ‘Jovens mães’ (2025). O filme estreia hoje nos cinemas pela Vitrine Filmes, nas salas das seguintes cidades: São Paulo, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, Poços de Caldas, Niterói, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Brasília, Vitória, Maceió, Salvador, Natal, Teresina e Recife.
 

 
Influencer do mal: A História de Jodi Hildebrandt
 
Estreou nessa semana na Netflix um novo documentário que segue a linha de filmes investigativos que a provedora costuma lançar. O filme acompanha um caso aterrador que explodiu nos noticiários norte-americanos em 2023, de uma influencer digital que manipulou uma mãe a torturar seus filhos. São duas mulheres distintas que se tornaram amigas e sócias. Primeiramente é apresentado a influenciadora Jodi Hildebrandt, que possuía milhares de seguidores em seu canal do Youtube que ensinava mães a “educar” seus filhos. Jodi tinha um discurso religioso extremista e métodos nada comuns para ensinar comportamento para as crianças. Tornou-se mentora de outra influencer, Ruby Franke, que tinha um canal sobre conselhos de como ser uma mãe melhor, educando os filhos com certa rigidez. Ruby aplicava os métodos em casa e contava diariamente como dois de seus filhos pequenos reagiam. Ruby foi bastante criticada por seguidores na época, que falavam da sua postura severa com os filhos. Quando Jodi e Ruby foram presas em 2023, o sinistro caso tomou conta da mídia – Ruby, induzida por Jodi, aprisionou os dois filhos em casa por anos, numa mansão em Utah, afastada de tudo, e os torturava com cinto e queimaduras. Um dos filhos, um menino de 12 anos, fugiu, pediu ajuda a vizinhos e à polícia, e somente assim puderam se livrar da mãe perversa. O documentário investiga minucias do caso, é um filme apreensivo sobre maus-tratos a crianças, com diversos trechos dos vídeos das Youtubers, bem como do julgamento de Jodi e Ruby – elas pegaram uma pena pesada e ficarão presas por muitos anos. A diretora Skye Borgman realiza com constância docs investigativos envolvendo crianças, quase todos da Netflix, e premiada em festivais independentes; são dela ‘Sequestrada à luz do dia’ (2017) e ‘A garota da foto’ (2022).


Estreias da semana – Nos cinemas e streamings – Parte 2

O delator   Fita porrada de ação sul-coreana com bastante dose de humor, “O delator” (2025) é um lançamento exclusivo nos principais streami...